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‘Em defesa da serpente’, por Reinaldo Azevedo

Vejo brotar o ódio à política e ao capital e torço para que os jovens que ganharam as ruas não caiam nessa conversa.

Que os moços acreditem na política! Bem pensado, o esquerdismo, quando genuíno, nada mais é do que a ânsia de matar a política para reconstruir o Éden com homens e mulheres puros.

E quando o esquerdismo é uma farsa? Aí dá em Lula e seus Lulinhas endinheirados…

Fonte: Folha de S.Paulo


‘Em defesa da serpente’, por Reinaldo Azevedo

Que os moços acreditem na política! Gustavo Magnusson / G1

Em defesa da serpente

Por Reinaldo Azevedo

A despeito de tudo, sou otimista quanto ao futuro do Brasil. Acho que a necrose do PT é um momento inaugural.

Amplas camadas da população se dão conta de que milagres não existem; de que ninguém será por nós se não formos por nós mesmos. Até Joaquim Levy é personagem desse salto de qualidade. Gosto quando ele diz que, a cada novo gasto, há de corresponder um novo imposto. Alguém sempre paga a conta.

Mais do que a agonia das velhas raposas, interessam-me movimentos de rua de uma juventude que tenta dar à luz o liberalismo em terras nativas. No Brasil das ideias fora do lugar, banqueiros se encantam com o coaxar de pererecas e se deixam seduzir pelo papo-furado distributivista. Alguns querem mais do que juros altos, acreditem. Ambicionam mesmo a ascese!

Constatação à margem: países em que banqueiros fazem questão de ter coração costumam ser governados por pilantras populistas que têm cérebro. O mundo ainda é mais produtivo quando financistas são maus e padres são bons. Sigo.

Algo de novo está em curso, e espero que resista e se espraie, ainda que haja um esforço enorme da imprensa conservadora –de esquerda– de matar essa juventude brandindo contra ela ideias caridosas de anteontem ou a suposta contemporaneidade do “thomas-picarettysmo”.

Sou otimista, sim, mas tenho preocupações. Já escrevi neste espaço que seria lamentável se restasse da Operação Lava Jato o ódio à iniciativa privada e ao capital, tomados como corruptores da pureza original. Qual?

Em seu voto contra a doação de empresas privadas a campanhas –uma decisão moralmente dolosa tomada pela maioria do STF–, a ministra Rosa Weber, por exemplo, disse: “A influência do poder econômico culmina por transformar o processo eleitoral em jogo político de cartas marcadas, odiosa pantomima que faz do eleitor um fantoche, esboroando a um só tempo a cidadania, a democracia e a soberania popular”.

A tolice é tal que nem errada a frase chega a ser. Eu duvido que Rosa tenha pensado nos desdobramentos da “influência do poder econômico” na vacinação em massa, na produção e distribuição de comida ou na universalização da telefonia.

Por que a ministra pretende que a disputa eleitoral deva ser um domínio impermeável às empresas, que, até onde se sabe, não são abscessos malquistos da civilização, mas uma das formas que esta encontrou de produzir e de multiplicar riqueza?

Junto com o ódio ao capital, vejo brotar em certos nichos o ódio à política, como se já tivéssemos descoberto outra maneira de resolver conflitos distributivos ou de opinião. Torço para que os jovens que ganharam as ruas não caiam nessa conversa de esquerdista desiludido e de anarquista ignorante.

Se, em certa mitologia, o primeiro homem foi Adão, e Eva, a primeira mulher –ambos inocentes como as flores–, a serpente foi o primeiro político. E devemos dar graças a Deus –que já tinha tudo planejado em sua mente divinal– que assim tenha sido, ou aquela duplinha passaria eternidade afora a pôr pontos de exclamação no coaxar das pererecas.

Bem pensado, o esquerdismo, quando genuíno, nada mais é do que a ânsia de matar a política para reconstruir o Éden com homens e mulheres puros. Sem a serpente das tentações. E quando o esquerdismo é uma farsa? Aí dá em Lula e seus Lulinhas endinheirados…

Falta pouco para Lula ser investigado na Lava Jato

Janot deve dar posição final. PF revelou que Lula pode ter sido beneficiado pela corrupção na Petrobras e pede autorização para que ele seja ouvido no inquérito.

A PF quer saber se Lula obteve vantagens pessoais das empreiteiras acusadas de pagar propina em troca de contratos com a Petrobras.

Fonte: O Globo

Falta pouco para Lula passar a ser investigado na Lava Jato

Lula, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras. Divulgação

Supremo pede que Ministério Público analise pedido da PF para ouvir Lula

Relatório da Polícia Federal diz que ex-presidente pode ter sido beneficiado por esquema na Petrobras

O juiz Márcio Schiefler Fontes, que auxilia o ministro Teori Zavascki nos processos da Lava Jato, pediu que o Ministério Público Federal se manifeste sobre a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passar a ser investigado em um dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Em despacho assinado nesta terça-feira, o juiz não cita o ex-presidente e se limita a pedir parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre “relatório apresentado pela autoridade policial”.

O relatório da PF diz que Lula pode ter sido beneficiado pelo esquema de corrupção da Petrobras e pede autorização para que ele seja ouvido no inquérito. A PF solicitou ainda permissão para que seja feito levantamento sobre eventuais vantagens pessoais que Lula tenha recebido de empreiteiras acusadas de pagar propina em troca de contratos com a estatal brasileira. Caberá a Janot decidir se concorda com o pedido da PF ou não.

“Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”, diz o relatório.

No despacho, o juiz também autoriza o compartilhamento das informações do inquérito que tramita no STF com os investigadores que atuam na operação Lava Jato em Curitiba.

Cunha impõe a maior derrota à Dilma, que perde poder de nomear para o STF

PEC da Bengala retira de Dilma a prerrogativa de indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) até o fim do seu governo.

Manobra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) surpreendeu o Planalto

Fonte: O Globo

Sessão na Câmara dos Deputados aprova a PEC 457, conhecida como PEC da Bengala. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Sessão na Câmara dos Deputados aprova a PEC 457, conhecida como PEC da Bengala. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Após manobra de Cunha, Câmara aprova em segundo turno a PEC da Bengala

Proposta aumenta de 70 para 75 a idade máxima para aposentadoria dos ministros dos tribunais superiores

Em uma manobra que surpreendeu o Palácio do Planalto e o PT, a Câmara aprovou na noite desta terça-feira a chamada PEC da Bengala, que adia de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria compulsória dos ministros dos tribunais superiores e retira da presidente Dilma Rousseff a prerrogativa de indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal(STF) até o fim do seu governo. A proposta já foi aprovada pelo Senado e em um turno na Câmara. Assim, será imediatamente promulgada.

O governo se mobilizou nesta terça-feira para dar início à votação das medidas provisórias do ajuste fiscal, com as quais planeja economizar R$ 18 bilhões, mas após penar para convencer a maioria do PT a apoiá-lo, acabou sendo pego de surpresa pela manobra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele aproveitou o quórum elevado, resultante da mobilização do governo pela votação das medidas, para aprovar a PEC da Bengala, por 333 votos favoráveis, 144 contrários e 10 abstenções. O PT ainda tentou obstruir a votação com uma série de manobras, mas acabou sendo derrotado em todas. A votação da MP 665, que foi adiada, está prevista para começar nesta quarta-feira, a partir das 12h.

O acordo para a mudança de pauta foi feito reservadamente em um almoço na residência oficial da presidência da Câmara, com a presença de lideranças de partidos como PMDB, PR, PP, SD, PSC, PTB, PSC e DEM. Cunha disse aos aliados que gostaria de colocar a PEC da Bengala em votação caso o plenário atingisse um quórum mínimo de 490 deputados. O peemedebista argumentou que seria melhor pautá-la de surpresa para minimizar reações do governo e também de juízes que se dividem sobre a matéria.

Como o governo passou o dia mobilizando sua base — inclusive enviando quatro ministros petistas ao Congresso — para tentar aprovar a Medida Provisória 665, que endurece as regras para concessão de seguro-desemprego e abono salarial, o plenário alcançou, por volta das 20h, o quórum elevado desejado por Cunha. O presidente da Câmara encerrou então a sessão ordinária em que se discutia a MP e abriu uma nova, extraordinária, na qual anunciou a votação da PEC, deixando petistas perplexos.

– Aproveitando o quórum elevado da votação da MP 665, o presidente coloca em votação uma PEC casuística e que caminha na contramão de democracias consolidadas. Isso é um erro grave — afirmou o deputado Alessandro Molon (PT-RJ).

O governo não tinha interesse na votação da matéria. Nesta terça-feira, ao serem avisados sobre a ação de Cunha para tentar aprová-la, integrantes do governo se surpreenderam. Um interlocutor do Planalto disse ao GLOBO que todos estavam focados na votação do ajuste e que a postura do presidente da Câmara foi uma tentativa de atrapalhar a aprovação da MP 665, já que o governo havia conseguido quebrar resistências de parlamentares contrários ao ajuste fiscal.

Com a aprovação do texto, a presidente Dilma não mais terá a oportunidade de indicar os substitutos para os ministros Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Teori Zavascki, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, que se aposentariam durante seu mandato. A PEC tramitava desde 2005 na Câmara, sem que houvesse interesse dos parlamentares em agilizar sua votação. No entanto, desde que foi eleito presidente da Casa, Eduardo Cunha passou a defender sua aprovação.

MANIFESTAÇÕES NAS GALERIAS CONTRA O PT

Antes de pautar a PEC da Bengala, no entanto, Cunha deixou que o PT apanhasse durante horas seguidas no plenário. Desconfortável em defender as medidas de ajuste fiscal, a bancada petista passou o dia em reuniões para chegar a um ponto comum e evitar uma derrota para o governo. Mesmo assim, o partido da presidente Dilma Rousseff sofreu constrangimentos sucessivos no plenário cheio, durante a discussão da matéria.

Comandados por aliados de Cunha, manifestantes da Força Sindical encheram as galerias do plenário e passaram a sessão gritando palavras de ordem contra os petistas, segurando placas contra as medidas e pedindo que a presidente Dilma não mexesse nos pontos que estão sendo alterados pelas MPs, como o seguro-desemprego e o abono salarial.

Em um dos momentos mais tensos, o líder do PT, Sibá Machado (AC), foi vaiado pelos manifestantes quando discursou a favor das medidas de ajuste fiscal. Os sindicalistas ficaram de costas para Sibá durante toda sua fala da tribuna e gritaram palavras de ordem contra o PT.

Em seguida, o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), fez um apelo para que Eduardo Cunha controlasse os manifestantes nas galerias. Durante a votação da terceirização, o presidente da Câmara proibiu a entrada de sindicalistas da CUT, contrários ao projeto. Mas, Cunha ironizou o pedido de Guimarães.

— A abertura das galerias hoje se deu, principalmente, pelo pleito de Vossa Excelência, de não deixá-las fechadas — disse o peemedebista que, apesar de pedir diversas vezes que os manifestantes respeitassem o plenário, não ordenou retirá-los, o que fez em diversas outras ocasiões.

Com o PT contra as cordas, a oposição aproveitou para espezinhar. Deputados do PSDB e do DEM sustentaram no plenário uma grande faixa com os dizeres: “Dilma, MPs 664 e 665, nem que a vaca tussa”.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, saiu em busca de apoio para a votação das medidas de ajuste. Pela manhã, reuniu-se com o vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo, e com os líderes do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), e do PMDB, Eunício Oliveira (CE). Em seguida, almoçou com a Frente Parlamentar da Agropecuária.

— É muito importante estar sendo votado no Congresso o mais rápido possível esse ajuste fiscal. Até para a gente poder ir para o que chamei de agenda além do ajuste — disse Levy, na saída do encontro com o vice-presidente.

MP 664 É MODIFICADA EM COMISSÃO

Ainda no início da tarde, o governo conseguiu ver aprovada na comissão mista do Congresso a MP 664, que torna mais rigoroso o pagamento de benefícios, como pensão por morte e auxílio doença. O relator da matéria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), no entanto, fez mudanças que, segundo o ministro da Previdência, Carlos Gabas, irão diminuir a economia que o governo pretendia fazer com o ajuste em ao menos R$ 1 bilhão. A medida pode ser votada pelo plenário da Câmara a partir desta quarta-feira.

O principal avanço do governo ao longo do dia foi a garantia de que a maior parte dos 64 deputados petistas votaria o texto da medida provisória 665. Os deputados do partido começaram a debater no início da tarde de ontem que posição iriam tomar. Após cerca de duas horas, a divisão da bancada gerou um impasse que levou à interrupção da reunião. Diante da falta de uma posição oficial do PT, Michel Temer telefonou para a presidente Dilma e para o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, cobrando uma decisão da bancada petista.

Temer argumentou que o PT precisava ter uma posição firme a favor do ajuste para não causar dúvidas entre os aliados. Após a cobrança, a presidente enviou quatro ministros petistas ao Congresso para convencer os deputados resistentes às medidas. A operação do governo reduziu resistências, mas a previsão era de que poderiam chegar a 10 os votos doPT contrários ao ajuste. Na reunião, deputados sindicalistas e da bancada da agricultura familiar avisaram que votariam contra a orientação do partido. Sibá Machado admitiu a dificuldade de garantir a unanimidade, mas descartou punições.

— Ninguém aqui é obrigado a nada. Mas nossa posição a favor do ajuste é majoritária. Alguns queriam mais tempo para discutir a questão, alguns criticaram a forma como a MP chegou ao Congresso (sem discussão prévia do governo com a bancada) — disse Sibá.

O presidente de CUT, Vagner Freitas, participou da reunião e criticou as medidas de ajuste:

— Não se pode ajustar as contas do governo em cima dos direitos dos trabalhadores. O governo poderia estar taxando grandes fortunas, combatendo sonegação. Espero que votem com os trabalhadores.

Com críticas ao PT, Pedro Simon se despede da vida pública

Com críticas ao escândalo de corrupção na Petrobras, Pedro Simon classificou o desvio de recursos públicos como “punhalada traiçoeira”.

Simon também defendeu a conduta no STF no julgamento do mensalão do PT

Fonte: O Tempo 

Pedro Simon critica PT em despedida do Congresso

Em discurso no plenário, Simon defendeu o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, e o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, pelo empenho no combate à “corrupção e impunidade”. Divulgação

Pedro Simon se despede da vida pública com críticas ao PT

Com críticas ao escândalo da Petrobras, o senador classificou o desvio de recursos públicos como “punhalada traiçoeira” na estatal que era “orgulho” de muitos brasileiros; o peemedebista elogiou Joaquim Barbosa, a quem chamou de “Bem-aventurado”

Depois de 60 anos na política, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez nessa quarta (10) sua despedida do Congresso e da vida pública. Aos 84 anos, o peemedebista não se reelegeu para o Senado nas eleições de outubro e encerra o seu mandato no Senado a partir de fevereiro. Em discurso de mais de quatro horas no plenário, com sucessivas homenagens de colegas, Simon defendeu o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa e o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, pelo empenho no combate à “corrupção e impunidade”.

Com críticas ao escândalo de corrupção na Petrobras, o peemedebista classificou o desvio de recursos públicos como “punhalada traiçoeira” na estatal que era “orgulho” de muitos brasileiros.

“Bem-aventurado Joaquim Barbosa. Bem-aventurado Sérgio Moro. Bem-aventurados todos aqueles que, abnegados, gritam e lutam contra a corrupção e contra a impunidade. Bem-aventurados os que, apostolados, empunham a bandeira da ética na política”, disse.

Simon também defendeu a conduta no STF no julgamento do mensalão do PT, considerado pelo peemedebista como um “divisor de águas” no combate à impunidade no país. “O Supremo Tribunal Federal deu um enorme passo ao combater o que eu sempre defendi ser o maior de todos os males brasileiros: a impunidade.”

Devoto de São Francisco de Assis e conhecido entre os colegas como “senador franciscano”, Simon usou como base em seu discurso a oração do santo e diversas passagens bíblicas, sempre aplicadas a temas do cotidiano e de sua história política.
“Acho que mais recebi, do que doei. Acho que mais fui perdoado, do que perdoei. Acho que mais vivi, do que morri. Mas eu lutei, confesso que lutei”, disse, emocionado.

A mulher de Simon, seu filho e a neta sentaram na primeira fileira do plenário para acompanhar seu discurso de despedida. Emocionado, Simon chorou ao ser aplaudido de pé pelos colegas presentes ao final da sua fala. Disse que o dia 1º de fevereiro de 2015 será o primeiro, depois de 60 anos, em que vai acordar sem ter mandato no Legislativo. Só noSenado, Simon está há 32 anos, somando três mandatos de oito anos consecutivos e um anterior –além do período em que foi deputado estadual e governador do Rio Grande do Sul.

“Em seis décadas, vou experimentar, pela primeira vez, uma vida sem o meu nome nas urnas. Votar, sem ser votado; escolher, sem ser escolhido”, disse.

Discurso

Conhecido pelos discursos críticos ao governo e pela oratória desenvolvida, Simon disse que vai deixar “pouca saudade” àqueles a quem “incomodou” com suas palavras. “Mas deles eu também não levarei qualquer rancor. Transformei-o, deste pranto, em esperança.” No discurso, o senador lembrou da morte de um dos filhos em um acidente automobilístico, na época da Constituinte. Também citou a morte de uma sobrinha neta na noite desta terça (9), a quem dedicou parte de suas palavras. E fez um breve histórico de sua vida política, especialmente no tempo da Constituinte, ao lado de Ulysses Guimarães.
O senador disse que vai deixar o Senado com a “sensação do dever cumprido”. E disse que vai dedicar seu tempo livre para leituras, conversas com amigos e à família. “Terei mais tempo agora para conviver com a minha família. Para aprender a ser feliz como a minha querida neta. Terei mais tempo, enfim, para conhecer melhor a mim mesmo.”

Homenagens

O peemedebista recebeu homenagens de mais de 20 senadores ao longo de seu discurso. Amigo pessoal de Simon, Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que o peemedebista vai deixar sua marca pela “luta incansável pela democracia”. O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) prometeu sugerir ao comando do Senado para deixar a cadeira que Simon ocupava no plenário vazia, em homenagem à memória do parlamentar.

Neto do ex-presidente Tancredo Neves, Aécio Neves (PSDB-MG) fez um paralelo da história política do peemedebista e de seu avô. E disse que Simon vai exercer sua “liderança” mesmo fora da vida política. “A minha geração de homens públicos continuará a ter em vossa excelência, a partir de 1º. de fevereiro do ano que vem, a mesma referência de dignidade, de honradez de espírito público e de enorme amor a esse país”, afirmou.

Crítico do PT e “dissidente” do PMDB, como Simon, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) lembrou dos mais de 40 anos de amizade com o senador, ainda na época em que eram filiados ao extinto partido MDB, e também criticou o governo do PT.

“O PMDB cumpre um triste papel de se agarrar e se confundir com o que há de mais podre neste país, que é o governo e que é o PT. (…) São pessoas que queriam um partido, não um partido puro, porque não existe partido puro, mas um partido honesto, um partido correto, um partido sem ladrões, um partido sem vagabundos, que usam o partido para desmoralizá-lo”, atacou Jarbas.

Ministro do STF diz que escândalo de corrupção na Petrobras é ‘muito grave’

Gilmar Mendes considerou o mensalão um caso para juizado de pequenas causas, em comparação aos escândalos de corrupção da Petrobras.

Mendes considerou o caso preocupante, diante da “vastidão, imensidão” das denúncias

Fonte: O Globo

Petrolão: Ministro do STF considera caso ‘muito grave’

Petrolão: Gilmar Mendes refutou o argumento de que a corrupção na Petrobras teria servido para custear campanhas eleitorais. Ele lembrou que os integrantes do esquema aumentaram seu patrimônio pessoal, diante das altas somas desviadas. Foto: Nelson Jr / TSE

Gilmar Mendes chama mensalão de ‘pequena causa’ perto da Lava-Jato

Ministro afirma que penas aplicadas no mensalão não inibiram desvio de dinheiro público

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou o mensalão um caso para juizado de pequenas causas, em comparação aos escândalos de corrupção da Petrobras. Mendes considerou o caso “muito grave” e preocupante, diante da “vastidão, imensidão” das denúncias. O processo do mensalão foi julgado pelo STF em 2012, resultando na condenação dos principais atores, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A corrupção na Petrobras, desvendada pela Operação Lava Jato, também é alvo de um processo no STF.

– Sem dúvida nenhuma, é muito grave. (No mensalão), nós falávamos que estávamos a julgar o maior caso, pelo menos de corrupção, investigado, identificado. Claro, nós tínhamos a noção de que aquele número decantado era um número provisório, que a investigação não tinha sido aprofundada. Se falava mesmo que os fundos de pensão ficaram sem uma investigação continuada. Mas nós falamos de R$ 170 milhões. Agora, a AP 470 terá que ser julgada em juizado de pequenas causas pelo volume que está sendo revelado nesta demanda (Lava Jato). Então, realmente temos que nos preocupar – disse o ministro.

Gilmar Mendes refutou o argumento de que a corrupção na Petrobras teria servido para custear campanhas eleitorais. Ele lembrou que os integrantes do esquema aumentaram seu patrimônio pessoal, diante das altas somas desviadas.

– Há um certo argumento, um álibi, que a isso tudo tem a ver com campanha eleitoral. Nós estamos a ver que não. Nós estamos a ver que esse dinheiro está sendo patrimonializado. Passa a comprar lanchas, casas, coisas do tipo. Quando a gente vê que uma figura secundária se propõe a devolver 100 milhões de dólares, nós já estamos em um outro universo, em outra galáxia – afirmou.

Para o ministro, o esquema da Petrobras comprova que as penas aplicadas no mensalão não tiveram o caráter didático de inibir o desvio de dinheiro público:

– Nem o julgamento do mensalão, nem as penas que foram aplicadas teve qualquer efeito inibitório. O que mostra que há uma práxis que compõe uma forma de atuar, de gerir, de administrar.

Mendes prevê que a Lava Jato demande muito trabalho no STF. No entanto, pondera que hoje o tribunal tem a possibilidade de atuar de forma mais rápida. Isso porque, na época do mensalão, ações penais eram julgadas no plenário, composto dos onze integrantes da Corte. Hoje, essa tarefa é atribuída às duas turmas, formadas por cinco ministros cada. O presidente do STF não atua nos julgamentos das turmas.

Outro fator de celeridade seria o possível desmembramento do processo – ou seja, permaneceriam no STF apenas pessoas com direito ao foro privilegiado. O restante seria julgado pela primeira instância da Justiça. Essa divisão não ocorreu no processo do mensalão.

Mensalão: fuga de Pizzolato é contada em livro

Os cinematográficos detalhes dessa fuga (e dos outros planos do mensaleiro para escapar) estão em Pizzolato.

Brasil corrupto

Fonte: El País

Mensalão do PT: livro conta fuga de Pizzolato

Contibuinte do mensalão petista, Henrique Pizzolato usa o passaporte de seu irmão Celso para foragir do país. Foto: Divulgação.

Ele ouviu do melhor amigo: “Pizzolato, você vai ter que morrer”

Livro conta detalhes da fuga e da prisão do ex-diretor do Banco do Brasil

Pizzolato tentou escapar da condenação pelo mensalão pleiteando julgamento na Itália

Henrique Pizzolato estava fadado a ter o mesmo destino de Kátia Rabello, Cristiano Paz e Jacinto Lamas: entrar para a história como coadjuvante entre os condenados por participar do esquema do mensalão. Mas o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil não estava disposto a aceitar a pena de 12 anos e sete meses de prisão que lhe foi imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no maior julgamento de que se tem notícia no país, e viraria protagonista do caso como o único dos 25 condenados a tentar fugir da polícia. Os cinematográficos detalhes dessa fuga (e dos outros planos do mensaleiro para escapar) estão em Pizzolato – Não existe plano infalível (Leya), escrito pela jornalista Fernanda Odilla.

O livro em que se transformou a vida de Pizzolato conta como o funcionário de carreira que galgou postos no Banco do Brasil por meio do ativismo sindical tomou a identidade do falecido irmão Celso para, com documentos forjados, deixar o país rumo à Itália — com escalas na Argentina e na Espanha — antes que o STF pudesse expedir sua ordem de prisão. Determinado a escapar de qualquer forma do constrangimento que ele e Andrea Haas, a mulher que lhe acompanha desde os tempos de faculdade, teriam de passar durante os anos de cadeia, o militante político que chegou a se candidatar a prefeito de Toledo e até a governador em Santa Catarina pelo PT, no fim dos anos 1980, estava disposto a tudo, inclusive forjar a própria morte.

Concebido pelo melhor amigo e grande defensor de Pizzolato, o também funcionário do Banco do Brasil Alexandre Cesar Costa Teixeira, mais conhecido como Terremoto, o plano de fingir que o condenado pelo mensalão havia morrido chegou a ser posto em prática, com a confecção de um testamento que estabelecia, entre outras coisas, que o corpo do falecido não deveria ser velado, nem sua morte divulgada, “pois [o autor] não deseja que pessoas fiquem tristes e enlutadas”. A ideia, que seria classificada como louca pelo próprio Terremoto anos depois, não vingou, assim como outras sugestões de amigos de Pizzolato, entre elas pedir asilo a países vizinhos alinhados com o governo brasileiro, como Venezuela e Bolívia. O jeito seria fugir do Brasil, numa estratégia que começou a ser arquitetada seis anos antes, em 2007, quando o STF aceitou a denúncia do Ministério Público sobre o mensalão.

Acusado de desviar dinheiro do Fundo Visanet para a agência DNA, do empresário Marcos Valério, e sem conseguir explicar à polícia e aos parlamentares de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) o recebimento de 326.660,67 reais em sua cobertura em Copacabana, Pizzolato começou a expedir documentos em nome do irmão Celso, falecido em um acidente de carro em 1978, aos 24 anos. O ‘ressuscitado’ Celso chegou a votar nas eleições de 2008, em um dos testes de Henrique para a identidade com a qual conseguiria, anos depois, deixar o país pela Argentina, com a ajuda de Terremoto, que o conduziu de carro até a fronteira.

Pizzolato deu início à fuga no dia 11 de setembro de 2013, e seriapreso pelos carabinieri em Maranello, na Itália, quase cinco meses depois, em 5 de fevereiro de 2014, na casa de um sobrinho que trabalha para a Ferrari, após uma série de desencontros entre as forças de segurança brasileira e italiana — provavelmente motivados pela negativa do Estado brasileiro de extraditar o terrorista ou militante, a depender do matiz ideológico, Cesare Battisti, em 2010.Segundo a autora do livro, o caso Pizzolato acabou resolvido nas 24 horas seguintes a uma reunião entre as polícias dos dois países, na qual todos enfim perceberam que o tal Celso Pizzolato, que já vinha sendo monitorado desde que se instalara na pacata Porto Venere com a mulher e um chamativo Fiat Punto vermelho emplacado na Espanha, era na verdade o fugitivo procurado pela Interpol.

Para contar essa história, escrita de forma leve e de fácil leitura, Fernanda Odilla recupera a vida do fugitivo desde a infância na pequena Concórdia, em Santa Catarina, onde seu avô Vittorio Pizzolato, um ex-combatente italiano da Primeira Guerra Mundial ferido em combate e condecorado, se instalou na década de 1930 em busca de trabalho. Sem pretender transformar o personagem do livro “em herói ou vilão”, a autora diz que tentou ser justa com o ex-diretor do Banco do Brasil, que hoje, após ver o processo de extradição solicitado pelo Brasil ser negado pela Justiça italiana, desfruta de relativa liberdade, apesar de ter somado alguns crimes desde sua condenação pelo mensalão. Processado na Itália por falsidade ideológica e investigado no Brasil, junto com a mulher, por remessa ilegal de divisas para o exterior e lavagem de dinheiro, o homem mais procurado do verão brasileiro de 2013/2014 seguirá livre enquanto e lentidão da Justiça permitir. Até uma nova condenação, sua única restrição é fazer justamente o que pretendia quando fugiu do Brasil em busca de um novo julgamento: Pizzolato não pode deixar o território italiano.

PT tentou evitar cassação de André Vargas

Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou anulação do processo de cassação do deputado.

Pedido de cassação foi encaminhado à presidência da Câmara

Fonte: O Globo

PT tentou manobras contra cassação de André Vargas

André Vargas conta com o apoio de alguns colegas do PT na luta para manter o mandato. Divulgação

CCJ rejeita anular cassação de André Vargas, e processo vai a plenário

Ex-petista, que era vice-presidente da Câmara, é suspeito de fazer tráfico de influência a favor de Youssef no ministério da Saúde

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara rejeitou a anulação do processo de cassação do deputado André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara. O parecer do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ), negando o pedido de Vargas, foi apresentado no início de setembro, mas só ontem, depois de seis adiamentos na votação, a CCJ conseguiu votá-lo. O parecer de Zveiter foi aprovado em votação simbólica, com o voto contrário de apenas 9 deputados, oito deles do PT. O processo segue agora para a Presidência da Câmara, que tem a atribuição de pautar a recomendação do conselho pela cassação do mandato no plenário da Casa.

Votaram contra o relatório e a favor de que o processo fosse refeito pelo Conselho de Ética os seguintes deputados: José Mentor (PT-SP), José Guimarães (PT-CE), Décio Lima (PT-SC), João Paulo Lima (PT-PE), Emiliano José (PT-BA), Nelson Pellegrino (PT-BA), Geraldo Simões (PT-BA), Francisco Chagas (PT-SP) e Marcos Medrado (PSD-BA). O PT liberou a bancada e outros deputados do partido na sessão, entre eles o deputado Luiz Couto (PB) e Alessandro Molon (RJ) concordaram com o parecer de Zveiter.

O advogado de Vargas, Michel Saliba, disse que a tendência é judicializar o processo, com Vargas recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a condução do processo no Conselho de Ética. Segundo ele, Vargas e a defesa tinham expectativa de vitória na CCJ.

– Ainda vamos nos reunir com ele (Vargas), mas a tendência é judicializar o processo. Tínhamos expectativa de vitória na CCJ, mas esse processo ainda tem uma temperatura eleitoral muito elevada – disse Saliba.

Para o relator do recurso, Zveiter, Vargas pode recorrer, mas a CCJ reconheceu que a condução na Conselho de Ética atendeu aos preceitos legais e constitucionais:

– É um direito de qualquer cidadão recorrer ao Judiciário, mas o fato concreto é que a CCJ reconheceu a lisura do processo no Conselho de Ética.

O deputado José Mentor (PT-SP) leu voto em separado em que defende a volta do processo de Vargas ao Conselho de Ética, o que inviabilizaria a votação do processo de cassação ainda este ano no plenário da Casa. Vargas era filiado ao PT e foi eleito vice-presidente da Câmara. Depois que foram divulgadas notícias sobre seu envolvimento com o doleiro AlbertoYoussef, preso na Operação Lava-Jato, ele renunciou ao cargo de vice-presidente e, pressionado pelo PT, desfiliou-se do partido para evitar maiores estragos durante a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff. Vargas, no entanto, conta com o apoio de alguns colegas do PT na luta para manter o mandato.

Logo após a abertura da sessão, o amigo de Vargas e deputado do PT, Cândido Vaccarezza (SP) fez questão de comparecer e dizer que votava com José Mentor, mas o presidente da CCJ, Vicente Cândido (PT-SP) disse que não existia voto antecipado, apenas a declaração de votos. Vaccarezza deixou a sessão porque viaja hoje para o exterior, em missão oficial da Câmara.

Mentor

– O relator aqui na CCJ acha que o relator (no Conselho de Ética), pode tudo. Mas o relator não pode tudo. Não pode dispensar testemunhas de defesa. Impedir o depoimento do acusado é impedir a ampla defesa. Daqui a pouco, qualquer falcatrua tira o mandato de um deputado eleito. Estamos aqui para dizer ao Conselho de Ética: não ataque o direito de defesa, não fira o contraditório, não faça manobras de quinta categoria para prejudicar um deputado! – sustentou Mentor.

Na discussão, deputados anunciaram como votariam, justificando suas escolhas. Entre os deputados que anunciaram seus votos, apenas deputados do PT, como Décio Lima (SC) e João Paulo Lima (PE), apoiaram o voto de Mentor e insistiram na importância de dar garantias totais ao direito de defesa. Décio Lima alertou para atitudes que, segundo ele, podem abrir a porteira para condenações sem provas.

– As condenações sem a presença da prova, aí está os tribunais de exceção – disse Décio Lima, citando ainda Adolf Hitler.

O deputado Esperidião Amin (PP-SC) disse que na CCJ, os deputados poderiam optar por dar uma “carraspana” no Conselho de Ética ou mandar o processo ao plenário da Casa para analisar, dar o direito de defesa a Vargas, e votar. E anunciou que apoiaria o relatório de Zveiter, para que o processo que pede a cassação do mandato de Vargas seja apreciado pelo plenário.

O deputado Marcos Rogério (PDT-RO), que é da CCJ, mas também integra o Conselho de Ética, reagiu à fala de Décio Lima, afirmando que o órgão não era um tribunal de exceção, Décio Lima acrescentou que tinha feito uma fala genérica e não se referia a este Conselho de Ética.

O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), também fez questão de criticar a comparação do conselho a um tribunal de exceção, destacando as diversas tentativas para ouvir Vargas e também as testemunhas que ele apresentou. Segundo Izar, Vargas e seus advogados utilizaram-se de manobras protelatórias durante a tramitação do processo no órgão.

– Não verifico ofensa nenhuma ao devido processo legal. Ofensa seria derrubar o relatório do deputado Zveiter. Uma ofensa à democracia, à sociedade que espera o fim desse processo – disse Izar.

Último a falar, o relator do recurso de Vargas na CCJ, Sérgio Zveiter, criticou a demora na apreciação de seu parecer, apresentado ainda em setembro.

– O que está acontecendo aqui é uma tentativa clara de não julgar o processo no plenário para o André Vargas não ficar inelegível. Estamos na sétima tentativa de votar isso, sou novato aqui, nunca vi a CCJ ficar tanto tempo com a pauta trancada para julgar um recurso – criticou Zveiter.

Ele voltou a dizer que o Conselho de Ética agiu corretamente na condução do processo, sustentando que não houve cercamento do direito de defesa. E reagiu às acusações de petistas que acusam a falta de contraditório no processo.

– Dizer que é julgamento de quinta categoria, que o conselho foi tribunal de exceção (…) vou dizer que é “forçação” de barra para impedir que o processo chegue no plenário – reforçou Zveiter.

Na sessão desta terça, para tentar convencer os deputados da CCJ a votar o advogado do ex-petista, Michel Saliba, reclamou da condução do processo no Conselho de Ética, e voltou a dizer que houve açodamento por parte do relator e troca de conselheiros no curso da votação do relatório que recomendou a cassação de Vargas. Logo em seguida, falou Mentor, reforçando os argumentos. Na discussão do recurso, deputados estão se manifestando a favor e contra o pedido feito por Vargas para o retorno do processo ao Conselho.

Na última quarta-feira, no adiamento mais recente desse caso, a sessão foi cancelada a pedido do advogado de Vargas, que não poderia comparecer, de acordo com a assessoria de imprensa do presidente da CCJ, deputado Vicente Cândido (PT-SP). Antes do compromisso alegado por Saliba, a análise do recurso de Vargas havia sido suspensa quatro vezes por falta de quórum e uma vez por pedido de vista do deputado José Mentor (PT-SP).

Vargas é suspeito de fazer tráfico de influência a favor de Youssef no Ministério da Saúde. O doleiro é acusado de fazer parte de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.

Novo Congresso Nacional custou R$ 1 bilhão

O custo para eleger os novos deputados e senadores cresceu 11% acima da inflação do período. Nunca houve um Congresso tão caro.

Novo Congresso Nacional

Fonte: O Estado de S.Paulo

Eleição do Congresso 2015 custa R$ 1 bilhão

Campanha mais cara da história teve arrecadação 11% maior, em média, que em 2010, já descontada a inflação dos últimos quatro anos

Não há crise econômica, pelo menos não para os deputados e senadores eleitos. Seus comitês eleitorais arrecadaram R$ 200 milhões a mais do que os atuais parlamentares conseguiram juntar há quatro anos. A campanha dos novos 513 deputados federais saiu 34% mais cara. Já os novos 27 senadores arrecadaram 16% mais do que a média dos seus colegas que foram eleitos em 2010.

O resultado desse novo aumento do custo das campanhas é que, pela primeira vez, o Congresso Nacional angariou uma simbólica cifra de 10 dígitos para se eleger. Foram R$ 721 milhões arrecadados pelos deputados federais e R$ 124 milhões obtidos pelos 27 novos senadores. Somando-se os R$ 274 milhões gastos pelos 54 senadores eleitos em 2010 (eles têm mais quatro anos de mandato), o custo total chega a R$ 1,1 bilhão.

O custo para eleger os novos deputados e senadores cresceu 11% acima da inflação do período. Nunca houve um Congresso tão caro – mas essa constatação se repete a cada quatro anos. Se nenhuma reforma política sair do discurso para a lei, a tendência é que as campanhas de 2018 custem ainda mais do que esta. Foi assim em 2006 na comparação com 2002, e em 2010 em relação a 2006.

Os dados de 2014 foram compilados pelo Estadão Dados com base nas prestações de contas individuais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet. Os dados corrigidos dos pleitos anteriores foram extraídos do site asclaras.org.br, organizado pela ONG Transparência Brasil.

Quem paga. As empresas bancam a maior parte da fatura da eleição para o Congresso. Dos R$ 721 milhões arrecadados pelos deputados federais eleitos, nada menos do que R$ 553 milhões foram doados por pessoas jurídicas, o equivalente a 77% do total. Outros R$ 148 milhões vieram de pessoas físicas (as mais “generosas” delas são os próprios candidatos), e os R$ 20 milhões restantes foram financiados pelo Fundo Partidário – ou seja, o Tesouro.

Isso significa que, se o Supremo Tribunal Federal tivesse concluído o julgamento que deve proibir doações de empresas para campanhas eleitorais, R$ 3 de cada R$ 4 doados para os deputados em 2014 seriam ilegais. Porém, se e quando a decisão vier a ser publicada, ela não valerá para os recém-eleitos. Mas o Supremo Tribunal Federal estará criando um buraco de mais de R$ 500 milhões para os futuros deputados – fora senadores, governadores e presidente.

Eleições: Congresso 2015 custou R$ 1 bilhão

Esse deve ser o maior estímulo para os parlamentares aprovarem algum tipo de reforma nos próximos anos. Pode não chegar a ser uma reforma política de fato e ficar restrita ao financiamento de campanha, mas obrigará Câmara e Senado a discutirem o tema. Há chance de que esse custo venha a ser absorvido pelos cofres governamentais, por meio do chamado financiamento público.

Por enquanto, o dinheiro sai dos caixas de empresas como o frigorífico JBS (doou R$ 50,4 milhões a deputados eleitos e R$ 10,7 milhões para senadores), de mineradoras como as do grupo Vale (R$ 17,6 milhões no total), de empreiteiras como Andrade Gutierrez (R$ 12,8 milhões), OAS (R$ 13 milhões) e Queiroz Galvão (R$ 7,5 milhões), do setor financeiro como grupo Bradesco (20,2 milhões) e Itaú (R$ 6,5 milhões), e de fabricantes de bens de consumo popular, como a Ambev (R$ 11,7 milhões).

Há grande concentração nas doações de pessoas jurídicas. Os 67 maiores entre os 4.422 doadores doaram 50% de tudo o que deputados e senadores eleitos receberam de empresas. Ou seja, 1,5% dos doadores deu metade do dinheiro. A concentração aumenta o potencial de influência política dos grandes contribuidores.

Quem gasta. Os 36 deputados federais eleitos pelo PP foram os campeões de arrecadação na média por partido. Angariaram R$ 79 milhões, o que dá R$ 2,194 milhões per capita. Iracema Portella (PI), a que mais conseguiu doações entre os 513 eleitos, é mulher do presidente do partido, Ciro Nogueira – e puxou a média do PP.

O segundo grande partido em custo médio da campanha para a Câmara é o PSDB. Os 54 deputados tucanos eleitos arrecadaram, juntos, R$ 109 milhões, ou R$ 2,022 milhões por cabeça. O mais bem-sucedido deles foi Arthur Bisneto (AM), que conseguiu R$ 5,6 milhões em doações. Ele é filho do prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio (PSDB). O DEM aparece em terceiro lugar entre os maiores partidos e em quarto no ranking geral, com média de R$ 1,870 milhão por deputado. A seguir vem o PPS, com média de R$ 1,663 milhão.

Os 66 deputados do PMDB ficaram com a sexta maior média de arrecadação: R$ 1,6 milhão cada um. O peemedebista mais rico em doações foi o líder do partido – e favorito para presidir a Câmara em 2015 -, Eduardo Cunha (RJ). Ele angariou R$ 6,8 milhões e foi também o mais votado do PMDB.

O PT aparece em 10.º lugar no ranking de arrecadação média por deputado. Seus 70 eleitos formam a maior bancada da nova Câmara e arrecadaram, juntos, R$ 96,8 milhões, ou R$ 1,4 milhão cada. O destaque de arrecadação entre os petistas foi Carlos Zaratini (SP), que conseguiu doações no valor de R$ 6,232 milhões.

No Senado, o mais eficiente arrecadador de recursos foi o ex-governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB), com R$ 17,8 milhões arrecadados. Em segundo lugar ficou outro tucano: José Serra (SP), com R$ 10,9 milhões. E em terceiro, Ronaldo Caiado (DEM), eleito por Goiás, com R$ 9,6 milhões.

PT quer manter controle do STF

Azevedo acredita que a aprovação da PEC 457 impediria que o Supremo se transformasse na Arca de Noé do bolivarianismo, com laivos de “Zorra Total”.

PEC 457 quer aumentar idade da aposentadorias dos juízes do STF

Fonte: Folha de S.Paulo

PT cria mecanismos para manter controle do STF

Azevedo: “Agora entendi a natureza do berreiro contra a PEC 457. Se aprovada, ela impediria a ascensão ao STF, por algum tempo ao menos, de “Porquinhos” e Coelhos.” Divulgação

Bengalada nos Porquinhos!

ARTIGO REINALDO AZEVEDO

A PEC 457, que eleva de 70 para 75 anos a aposentadoria obrigatória de ministros do Supremo, dos demais tribunais superiores e do TCU é de 2005. Não foi redigida para manietar a presidente Dilma. Defendo pessoas com mais de 70 no STF e na imprensa. Sem elas, eu mesmo não sei como me livraria das trevas destes tenros 53… O país já envelhece com mais qualidade. Ayres Britto e Cezar Peluso, indicados por Lula, poderiam estar no tribunal, no pleno gozo de suas faculdades intelectuais.

Eis que tem início o alarido contra o que chamam por aí, com preconceito, de “PEC da Bengala“. Amplos setores da imprensa, colunistas, o site do PT (claro!), associações de juízes e a OAB lideram a grita. A suposição é a de que se trata de um casuísmo para tolher os poderes de Dilma. Afinal, no próximo quadriênio, cinco ministros fazem 70 anos -e há uma indicação a ser feita ainda neste 2014.

Até onde o meu Montesquieu alcança, a inferência de que a aprovação da PEC 457 se daria “contra Dilma” revela, então, a disposição da mandatária de transformar o STF num quintal do Executivo e de interesses partidários. Dou de barato a grita do sindicalismo togado. É só reação corporativista. Já a da OAB precisa ser explicitada. Seu presidente,Marcus Vinicius Furtado Coêlho, é candidatíssimo. Aliás, a identidade de agenda entre a Ordem e o PT diz uma de duas coisas: ou a entidade se partidarizou, ou o PT passou a se dedicar às lentes jurídicas.

Que coisa! A “represidenta” quer, por exemplo, José Eduardo Cardozo na vaga de Joaquim Barbosa, a ser preenchida ainda neste ano. Mandou perguntar a Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado, se este garantiria a aprovação de um de seus “Três Porquinhos”, como ela mimoseou, com carinho singular, na campanha de 2010, o seu agora ministro da Justiça -os outros dois eram Antonio Palocci e José Eduardo Dutra. Renan deixou claro que a única garantia, hoje, é a de que Cardozo levaria pau.

Não é possível que, “nestepaiz”, como diz o demiurgo, seja mais difícil pôr um “Porquinho” no Supremo do que quebrar o setor elétrico. Precisamos de uma reforma já, né!?

Quais são as credenciais do doutor Cardozo para o cargo? Vaguem pela vasta solidão de sua biografia jurídica. Lembro uma de suas contribuições ao diálogo. No dia 20 de outubro, num encontro em que as oposições foram tratadas como forças do mal, ele tonitruou: “Não passarão!”. Oh! “El pasionario” brincava de guerra civil. No Supremo? É um escárnio!

Agora entendi a natureza do berreiro contra a PEC 457. Se aprovada, ela impediria a ascensão ao STF, por algum tempo ao menos, de “Porquinhos” e Coelhos. “Então por que não se aprova a PEC, Reinaldo, mas com validade só a partir de 2019, quando já terá terminado o mandato de Dilma?” Ora, porque corresponderia a admitir que é legítimo a presidente fazer um tribunal à sua semelhança, com muitos Cardozos e poucos Celsos. É lógica elementar.

Eu defendo a PEC 457 desde os tempos em que Dilma tinha penteado de capacete e óculos de Formiga Atômica. Agora, revelado o intento do PT, do Planalto e de acólitos, passo a defender a emenda também para impedir que a corte se transforme na Arca de Noé do bolivarianismo, com laivos de “Zorra Total”.

Coragem, senhores congressistas!

André Vargas recebe apoio de petista para anular cassação

O deputado José Mentor (PT-SP) apresentou um voto em separado, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, apontando irregularidades.

Jeitinho Brasileiro

Fonte: O Globo

André Vargas tenta anular cassação no Conselho de Ética

Deputado André Vargas recebe apoio do Deputado José Mentor (PT-SP) para anular cassação no Conselho de Ética (PT-SP). Em contrapartida, Vargas é suspeito de fazer tráfico de influência a favor do doleiro Alberto Yousseff. Foto: Sérgio Lima/Folhapress

André Vargas recebe apoio de petista para anular cassação no Conselho de Ética

Deputado José Mentor apresentou um voto em separado apontando supostas irregularidades no andamento do processo

Um dia depois de comparecer na sede nacional do PT, o deputado André Vargas (sem partido-PR) recebeu apoio, nessa terça-feira, de um deputado do Partido dos Trabalhadores para tentar anular sua cassação pelo Conselho de Ética. O deputado José Mentor (PT-SP) apresentou um voto em separado, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, apontando supostas irregularidades no andamento do processo. Não houve quórum, no entanto, para deliberar e nova tentativa será feita amanhã.

— Aqui não está em jogo o conteúdo do que foi apreciado no Conselho de Ética, e sim o andamento. O meu voto questiona o devido processo legal, o direito ao contraditório — disse Mentor.

Vargas apresentou recurso à CCJ alegando que houve cerceamento no direito de defesa, término antecipado da investigação e falta de acesso pleno à cópia do processo.

Na semana passada, o relator do recurso, deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ), negou que tenha havido cerceamento de defesa e disse que Vargas protelou várias vezes sua ida ao conselho para prestar depoimento. Além disso, preferiu, segundo Zveiter, recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) em vez de se defender na Câmara.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) utilizou o voto apresentado por Mentor para questionar o discurso da presidente Dilma Rousseff que, durante a campanha, disse que puniria todos que tivessem envolvimento comprovado em esquemas de corrupção:

— O PT está indicando que não aceita investigações profundas, contrariando inclusive o que a presidente Dilma disse, que não ficaria pedra sobre pedra.

O advogado de Vargas, Michel Saliba, afirmou que, se seu cliente for derrotado na CCJ, vai recorrer ao STF:

— Eu devo judicializar a matéria, impetrar um mandado de segurança no Supremo.

Enquanto a votação se arrasta na Câmara, Vargas ganha tempo na tramitação de outro processo que corre contra ele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e poderá beneficiá-lo. O PT pediu o mandato dele na Justiça Eleitoral. O deputado perderia o atual mandato (que acaba em janeiro de 2015) por infidelidade partidária, mas poderia evitar a cassação do mandato pela Câmara e seu enquadramento na Lei da Ficha Limpa, o que tornaria Vargas inelegível por oito anos.

Quando o envolvimento de Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na operação Lava-Jato, veio à tona, no início do ano, a direção do PT queria que ele renunciasse, temendo prejuízos aos candidatos do partido. Como o deputado não concordou, foi pressionado a deixar o partido, o que acabou fazendo. Ontem, no entanto, ele estava na sede nacional do PT em Brasília, onde ocorria uma reunião da Executiva Nacional. Teria ido conversar com o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), e com o deputado José Guimarães (PT-CE).

Vargas é suspeito de fazer tráfico de influência a favor de Yousseff no Ministério da Saúde. O doleiro é acusado de fazer parte de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.

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