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Guerra midiática

Caso Veja: artigo de Demétrio Magnoli propõe reflexão sobre o discurso ‘chavista’ que estimula a ‘guerra midiática’ para desqualificar a verdade.

Sob o influxo da tentação autoritária de “controle social da mídia”, o episódio converteu-se em nova plataforma de ataque contra os princípios do jornalismo.

Fonte: O Globo

Jornalismo em cima do muro e a guerra mediática

Mlitantes da União da Juventude Socialista (UJS), um tentáculo do PCdoB, promoveram atos de vandalismo diante da sede da Editora Abril na véspera da eleição. Divulgação

A imprensa e o segredo

O jornalismo livre não produz discursos monocórdicos, como fazem as agências estatais e as assessorias de imprensa

Dilma e Lula sabiam de tudo sobre o escândalo de corrupção na Petrobras, teria declarado o doleiro Alberto Yousseff na moldura da delação premiada. A notícia bombástica, publicada por “Veja” na antevéspera do segundo turno, não apareceu nos telejornais da Globo daquela sexta, mas ganhou manchete da “Folha de S. Paulo” no dia seguinte. Você pode interpretar as diferenças de comportamento entre os três veículos sob as lentes da disputa partidária, mas apenas se apreciar teorias conspiratórias ou estiver a serviço de uma agenda política.

Na “Folha”, um jornalista enveredou pela trilha minada, atribuindo o silêncio da Globo ao “medo” do governo. A resposta, assinada por Ali Kamel, diretor de Jornalismo da emissora, transferiu a polêmica para o campo da ética jornalística: “A Globo (…) não faz política, faz jornalismo. (…) só repercute denúncias de outros veículos se puder confirmá-las por meios próprios”. O princípio parece ter orientado a própria “Folha”, quando publicou a denúncia de Yousseff junto com a explicação de que a confirmara com suas fontes. A revista e o jornal não estavam noticiando que Dilma e Lula sabiam do desvio de somas astronômicas da estatal para o PT, o PMDB e o PP. Contudo, empenhavam a sua reputação na informação de que Yousseff declarou isso às autoridades judiciais. Fizeram jornalismo ou política?

Naquele sábado, véspera da eleição, militantes da União da Juventude Socialista (UJS), um tentáculo do PCdoB, promoveram atos de vandalismo diante da sede da Editora Abril, acusando a revista de conspirar contra a candidatura de Dilma Rousseff. À noite, os telejornais da Globo noticiaram o evento e o contextualizaram. “O ataque ao prédio da Editora Abril, um ataque à liberdade de imprensa, não poderia ser ignorado”, argumentou Kamel, para concluir: “E ao ser noticiado, era preciso explicar que ele fora motivado por uma reportagem, sem endossá-la”. Na celebração da vitória de Dilma, militantes petistas entoaram palavras-de-ordem contra a Globo. Dias depois, Lula qualificou a edição de “Veja” como “um panfleto da campanha do Aécio”, mas não se referiu à “Folha”. É política contra política ou política contra jornalismo?

A expressão “guerra midiática” alcançou estatuto oficial na Venezuela de Hugo Chávez. O ex-presidente “bolivariano” chegou a promover um encontro latinoamericano destinado a consagrar a tese de que a imprensa é um instrumento de potências estrangeiras ou de elites nacionais contra governos “populares”. Na Argentina, no Equador e na Bolívia, a tese sustenta campanhas estatais contra a liberdade de imprensa. No Brasil, desde o escândalo do mensalão, foi abraçada por setores do PT e encampada por Franklin Martins, que trocou a posição de comentarista político da Globo pela de ministro da Comunicação Social de Lula. Em seu primeiro mandato, Dilma afastou-se do rumo esboçado nos anos anteriores, congelando as propostas de “controle social da mídia” que se articulavam sob o comando do ministro. Hoje, contudo, no rastro dos vazamentos do escândalo na Petrobras, multiplicam-se os indícios de ressurreição do projeto engavetado. O tácito respaldo de Lula às arruaças da UJS não é um raio no céu claro.

O colunista Janio de Freitas, da “Folha”, definiu a reportagem de “Veja” (e, talvez, a confirmação da mesma “Folha”…) como uma “investida originada na imprensa para interferir na disputa eleitoral”, sugerindo paralelos entre a publicação da denúncia e o golpe militar de 1964. A senha do “golpismo midiático”, utilizada pelo PT na hora do mensalão, disseminou-se pela rede de blogueiros patrocinados pelas estatais. Mas as acusações à revista revelaram-se inconsistentes. O depoimento de Yousseff aconteceu na terça, apenas três dias antes da sua publicação: era notícia nova. “Veja” não operava segundo um critério partidário: como em eleições anteriores, a revista organizara com larga antecedência um programa de circulação antecipada. A imprensa não tem o direito ético de sonegar informações relevantes em função do calendário eleitoral. Nem o de julgar o interesse público de uma notícia na balança de suas hipotéticas consequências políticas.

Segundo a tese chavista, a “mídia” é uma entidade monolítica, que opera como “partido da burguesia”. O cenário descortinado a partir da reportagem de “Veja” não se encaixa nessa interpretação caricatural. Na sua réplica ao jornalista da “Folha”, Kamel esclareceu que, “na sexta”, a Globo “não confirmou com suas fontes o sentido do que fora publicado por ‘Veja’” e, ainda, que as fontes da emissora “classificaram de distorcida” a manchete da edição de sábado da “Folha”. O “não confirmou” não significa que as fontes da Globo desmentiram as da “Veja”, mas a palavra “distorcida” sugere algo mais. À primeira vista, a apuração da Globo indicaria que as fontes da emissora interpretam como de segunda mão as informações da “Veja” e da “Folha”. A revista e o jornal teriam se baseado em fontes com acesso às gravações, mas não nas próprias gravações.

O jornalismo livre não produz discursos monocórdicos, como fazem as agências estatais e as assessorias de imprensa. “Veja” e “Folha” arriscaram sua credibilidade pois acreditam nas suas fontes. A Globo, que também acredita nas suas, diferentes, preferiu adotar postura mais cética. Nenhum dos veículos, porém, questionou o princípio jornalístico de que a missão da imprensa é dar notícias de interesse público, mesmo se oriundas de vazamentos judiciais: nas democracias, a proteção do segredo de Justiça não é responsabilidade de jornalistas, mas de policiais e juízes.

Sob o influxo da tentação autoritária de “controle social da mídia”, o episódio converteu-se em nova plataforma de ataque contra os princípios do jornalismo. Não fosse isso, estaríamos discutindo o que, de fato, interessa: a excessiva amplitude do instituto do segredo de Justiça no sistema judicial brasileiro.

Demétrio Magnoli é sociólogo

Aécio diz que ‘Diabo se envergonharia’ de postura do PT

Aécio Neves: Acho que o diabo se envergonharia de muitas coisas que fizeram nessas eleições. Foi uma campanha da infâmia, da mentira e do uso sem limites da máquina pública.”

Líder da oposição

Fonte: O Globo

Aécio: ‘Diabo se envergonharia’ de postura do PT

Aécio criticou a condução da campanha petista, citando a divulgação de boatos sobre o fim de programas sociais. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

‘Diabo se envergonharia’ de postura do PT durante a campanha eleitoral, diz Aécio

Tucano disse que fará ‘pacto revigorado’ para fortalecer oposição

Evento marca a volta de Aécio ao Senado

O evento para marcar a volta de Aécio Neves ao Legislativo, nesta quarta-feira, contou com a presença de integrantes do PSDB e de aliados (DEM, PP, PPS e Solidariedade). Aécio deu uma sinalização de que pretende liderar a oposição contra o governo Dilma Rousseff nos próximos quatro anos e agradeceu o apoio dos representantes de partidos que estiveram ao seu lado no segundo turno.

— Quero fazer um pacto de construção de uma oposição revigorada e, por mais paradoxal que possa parecer, que saiu vitoriosa das urnas — disse Aécio.

Aécio criticou a condução da campanha petista, citando a divulgação de boatos sobre o fim de programas sociais, como o Bolsa Família, e lembrou uma frase da presidente Dilma Rousseff que, no ano passado, afirmou que, durante campanha, poderia fazer “o diabo”.

— Disseram que iam fazer o diabo nessas eleições, pelo menos cumpriram o que prometeram. Acho que o diabo se envergonharia de muitas coisas que fizeram nessas eleições. Foi uma campanha da infâmia, da mentira e do uso sem limites da máquina pública – pontuou o tucano.

O senador também destacou que, logo depois de reeleita, Dilma Rousseff tomou as medidas que apontava que Aécio tomaria caso eleito.

— Eles nos acusaram de ser patrocinadores do capital financeiro, diziam que votar no Aécio significava aumentar a taxa de juros e o que aconteceu poucos dias depois das eleições? O aumento da taxa de juros para controlar a inflação que eles disseram que não existia — afirmou Aécio.

O tucano disse ainda que fará “a mais vigorosa oposição” nos próximos anos e afirmou não ter esmorecido com a derrota.

Poucos governadores do PSDB participaram do ato: Teotônio Vilela (Alagoas), Simão Jatene (Pará) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul). Nomes de peso do partido, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o governador de Goiás, Marconi Perillo, e os senadores eleitos José Serra (SP), Tasso Jereissati (CE) e Antonio Anastasia (MG) não compareceram.

Também marcaram presença no ato o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), e o vice-governador eleito de Pernambuco, Raul Henry, do PMDB, além de Pastor Everaldo, do PSC.

Aécio: oposição são 51 milhões de brasileiros

Aécio afirmou que o governo deve apresentar propostas de interesse público e cobrou transparência e combate à corrupção.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Aécio disse que oposição são 51 milhões de brasileiros

Aécio cumprimenta simpatizantes em retorno ao Congresso Nacional. Foto: Ailton de Freitas / O Globo

Aécio: campanha teve lado ‘macabro’ e lado ‘lindo’, do despertar dos brasileiros

Recebido no Congresso aos gritos de ‘presidente’, ele afirmou que ‘Brasil hoje é diferente’ de antes da votação

Ao chegar ao Senado aclamado por militantes e servidores tucanos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve dificuldades para chegar até o plenário da Casa pela quantidade de pessoas que o cercavam, gritando seu nome. Antes de entrar, afirmou que a mobilização por melhorias não terminou com o resultado da eleição. Devido ao tumulto, o Senado adiou um pronunciamento que faria na tribuna da Casa para esta quarta-feira.

– Agora sendo recebido desta forma no Congresso Nacional, o Brasil despertou, o Brasil hoje é um Brasil diferente do Brasil antes da eleição. Emergiu um Brasil que quer ser protagonista da construção do seu próprio futuro. As pessoas não deixaram de estar mobilizadas a partir do resultado da eleição. O que eu percebo é o contrário. Pessoas continuam emocionadas, continuando querendo construir um futuro melhor para suas famílias e para seus filhos. Essa é uma mobilização inédita na nossa história contemporânea.

Aécio também minimizou a presença da oposição no Congresso, bastante inferior numericamente em relação à base governista.

– O que eu tenho visto aqui hoje no Congresso e o que tenho visto nesses últimos dias por onde eu tenho andado é um sentimento de que, quando o governo olhar para a oposição, eu sugiro que não contabilize mais o número de cadeiras e assentos no Senado e na Câmara. Olhe bem e vai encontrar mais de 50 milhões de brasileiros que vão estar vigilantes e cobrando atitudes deste governo, cobrando investigações em relação às denúncias de corrupção, cobrando a melhoria dos nossos indicadores econômicos, nossos indicadores sociais – disse.

– Nós somos hoje um grande exército a favor do Brasil e prontos para fazer a oposição que a opinião pública determinou que se fizesse. Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por grande maioria da população brasileira, por 51 milhões de brasileiros. Vou ser oposição sem adjetivos – completou Aécio.

A respeito da fala da presidente Dilma Rousseff no dia de sua reeleição, de que queria diálogo com as demais forças políticas, Aécio afirmou que o governo deve apresentar propostas de interesse público e cobrou transparência e combate à corrupção.

– Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros. No mais, vamos cobrar eficiência na gestão pública, transparência nos gastos públicos, vamos cobrar que as denúncias de corrupção sejam apuradas e investigadas em profundidade. Portanto, hoje o Brasil se encontra com o seu futuro a partir das manifestações que estamos vendo ocorrerem em várias partes do país. A nossa posição será sempre em defesa intransigente da democracia, das liberdades, contra qualquer tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa e de quaisquer outras liberdades, sejam coletivas ou individuais – afirmou o senador.

Aécio rejeitou manifestações que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff:

– Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso terá a nossa mais veemente oposição. Eu fui o candidato das liberdades, da democracia, do respeito. Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político – pontuou.

SENADOR NEGA DEFENDER IMPEACHMENT DE DILMA

Carregado pelos corredores do Senado por uma multidão, o senador Aécio Neves disse nunca ter visto no Parlamento um candidato derrotado a presidente ser recebido com tanta festa em seu retorno a Casa. Disse que essa campanha teve um lado “macabro”, que foi o medo, o terrorismo e o uso além do respeitável da máquina pública por seus adversários, mas também teve um lado “lindo”, que foi o despertar de velhos, crianças e jovens que foram para as ruas vestindo verde e amarelo.

Aécio disse que oposição são 51 milhões de brasileiros

Devido ao tumulto, o senado adiou um pronunciamento que faria hoje na tribuna da Casa para esta quarta-feira. Foto: Ailton de Freitas / O Globo

Sempre repetindo que chega mandato com o aval de 51 milhões de brasileiros para fazer uma oposição dura, mandou um recado para o outro lado da Esplanada: a presidente Dilma Rousseff deve tomar muito cuidado, senão seu governo chega no dia 1º de janeiro com cheiro de fim de festa.

— Eu não me lembro de ter visto na história política brasileira um candidato derrotado chegar e ser recebido no Congresso com essa emoção nos olhos das pessoas. Eu sugiro que a presidente Dilma a partir de agora, quando olhar para o Congresso, não contabilize apenas as cadeiras que ocupamos aqui. Que passe a enxergar aqui os 51 milhões de brasileiros que não aguentam mais tanta maracutaia e descaso com a máquina pública. Estamos renovados e faremos uma oposição sem adjetivos, cobrando tudo que o governo prometeu e não entregou – disse Aécio.

Ele acusou a existência de pessoas infiltradas nas manifestações legítimas da sociedade para defender intervenção militar. Aécio também diz que não defende impeachment da presidente Dilma.

— Essas manifestações tem o nosso repúdio mais radical e veemente. Está havendo uma apropriação indevida de um sentimento livre da sociedade. Vou estar aqui na trincheira para defender sempre a democracia e coibir qualquer medida do governo que implique em censura a liberdade de Imprensa – disse Aécio.

O candidato derrotado do PSDB disse que nem ele nem os aliados defendem o impeachment da presidente Dilma e que foi um dos primeiros a ligar para cumprimentá-la pela vitória.

— O departamento jurídico do PSDB entendeu que era legitimo entrar com o pedido de auditoria nas urnas e nos boletins de apuração, pela forma como foi feita a totalização dos resultados. Não queremos mudar o resultado da eleição. Mas é legítimo ter acesso a totalização e boletins de urnas. É um direito de todos. Até porque se fosse o PT o derrotado, também ia pedir. É uma contribuição que estamos dando á transparência do processo no TSE — disse Aécio.

Com o tumulto, ele optou por fazer o seu primeiro pronunciamento só amanhã.

NO AEROPORTO DE BRASÍLIA, AÉCIO DIZ QUE SE SENTE VITORIOSO

Na primeira aparição pública depois de dez dias de reclusão e descanso, o senador Aécio Neves (PSDB), candidato à presidência derrotado no segundo turno, pegou um voo de carreira e chegou no começo da tarde desta terça-feira a Brasília. No aeroporto, foi recebido por políticos e lideranças de vários partidos aliados.

Aécio disse, no aeroporto, que chegou para assumir o seu papel de líder da oposição que o Brasil lhe conferiu.

— Estou chegando para assumir o meu papel de líder da oposição. Vamos cobrar tudo que o governo prometeu e não está fazendo — disse Aécio, que desembarcou sem nenhum assessor por perto, e tirou muitas fotos com eleitores durante o voo de Rio a Brasília. No Rio, o senador foi muito assediado no aeroporto, assim como na capital federal.

Ao ser questionado se ele se sente derrotado pelo resultado do segundo turno, o tucano disse que o sentimento é positivo, e que “os brasileiros acordaram”.

— Eu não me sinto um derrotado. Eu sou um vitorioso porque o que defendemos está vivo no coração dos brasileiros, que é a esperança. Os brasileiros acordaram.

O deputado Paulo Feijó (PR-RJ) veio no mesmo voo que o tucano.

— O Aécio virou um popstar. Vai ter que ter uma paciência… não vai ter um minuto de sossego.

Um rapaz disse:

— Eu votei no senhor.

— Pois é, rapaz. Quase deu, né? — respondeu o senador, que perdeu o segundo turno por cerca de três pontos percentuais, o melhor resultado da oposição em 12 anos.

Uma senhora o abraçou e falou:

— Deixa eu pegar na sua mão, e da próxima vez eu vou pegar na mão do senhor como presidente.

Aécio deve fazer um pronunciamento no Senado.

— Vim cumprir o meu papel. Agora é pé na estrada.

Em vídeo, Aécio critica PT pelo uso da máquina em campanha

Aécio prometeu ter, como líder da oposição, uma atuação fiscalizatória do cumprimento das promessas feitas por Dilma.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Aécio critica o PT pelo uso da máquina em campanha

Aécio afirma que não irá desistir do país. Foto: Reprodução.

Em vídeo, Aécio diz que disputa eleitoral foi ‘desigual’

Tucano acusa a campanha do PT de uso da máquina e pede a eleitores que continuem mobilizados

O candidato derrotado à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) divulgou no fim da noite de terça-feira um vídeo em sua página no Facebook em que diz que a disputa presidencial foi “desigual”. Na gravação, com pouco mais de um minuto, o senador tucano acusou a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) de uso da máquina e propagar infâmias e mentiras.

— De um lado, temos que nos lembrar que disputamos uma eleição desigual com o outro lado usando como nunca a máquina pública, a infâmia e a mentira contra nós — disse Aécio.

O presidenciável derrotado contou que tem recebido mensagens de tristeza pela derrota dele e pediu que a todos os apoiadores de sua candidatura que se mantenham mobilizados e vigilantes. Ele usou frases ditas pelo então presidenciável Eduardo Campos (PSB), morto em agosto em um acidente de avião, e pelo avô dele Tancredo Neves para estimular os militantes.

— Por isso, eu digo: não podemos desistir do Brasil e não vamos nos dispersar. A força que adquirimos é a que levará o Brasil à mudança.

Aécio prometeu ter, como líder da oposição, uma atuação fiscalizatória do cumprimento das promessas feitas por Dilma.

— A gente não pode esquecer que aconteceu uma coisa extraordinária, que foi o Brasil acordando, as pessoas indo para as ruas, querendo voltar a ser protagonistas da construção de seu próprio destino. Essa é a maior força que temos hoje: a nossa união para fiscalizarmos as ações deste governo e cobrarmos resultados. Fiquem tranquilas que estarei atento e vigilante para que cada compromisso da campanha seja cumprido. Senão será denunciado.

Antes de retornar à rotina do Congresso, o senador terá uma temporada de descanso. O previsto é que ele passe alguns dias na fazenda da sua família em Cláudio (MG) e depois viaje ao exterior.

Assista o vídeo aqui

Doleiro inicia tratamento de fisioterapia

Sem previsão de alta: Alberto Youssef segue internado no hospital Santa Cruz, em Curitiba, desde o último sábado.

Operação Lava-Jato

Fonte: O Globo

Doleiro começa a fazer tratamento

Hospital informou que o quadro de Youssef é estável. “Apresenta-se lúcido e orientado, com sinais vitais dentro da normalidade”. Foto: Divulgação

Youssef inicia tratamento de fisioterapia, mas sem previsão de alta

Por causa de problemas no coração, Alberto Youssef teve depoimento cancelado em CPMI

Youssef está internado em Curitiba – Blog do Ancelmo Gois

O doleiro Alberto Youssef, um dos acusados e delatores do suposto esquema de corrupção na Petrobras, segue internado no hospital Santa Cruz, em Curitiba, desde o último sábado. Segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira, Youssef iniciou tratamento de fisioterapia e reposição de nutrientes por estar debilitado. O quadro é estável, mas não há previsão de alta.

Nesta segunda-feira, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as denúncias de desvios na estatal cancelou o depoimento que o doleiro, preso no Paraná, daria aos parlamentares. No sábado, Youssef sentiu-se mal e desmaiou na prisão. Foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Santa Cruz com problemas cardiológicos.

Na nota assinada pelo cardiologista Rubens Zenobio Darwich, o hospital informa que o quadro de Youssef é estável. “Apresenta-se lúcido e orientado, com sinais vitais dentro da normalidade”, diz o boletim médico, que conclui: “sem previsão de alta”.

Com Aécio, PSDB tem o melhor desempenho desde 2002

Aécio Neves recebeu 51.041.003 (48,36%), no melhor desempenho da oposição desde que o PT chegou ao poder federal em 2002.

Eleições 2014

Fonte: Valor Econômico

Com 64,29%, Aécio recebeu a melhor votação proporcional de um presidenciável em São Paulo, no segundo turno, desde os 57,9% de Collor em 1989. Divulgação

Com 64,29%, Aécio recebeu a melhor votação proporcional de um presidenciável em São Paulo, no segundo turno, desde os 57,9% de Collor em 1989. Divulgação

Dilma tem a vitória mais apertada da história

Por Cristian Klein 

Na eleição ao Planalto com mais reviravoltas da história, os brasileiros decidiram pela continuidade e reelegeram, ontem, com 54.499.706 votos (51,64% dos votos válidos), a presidente Dilma Rousseff (PT), que derrotou, em segundo turno, o senador Aécio Neves (PSDB). Com 99,99% do total apurado, o tucano recebeu 51.041.003 (48,36%), no melhor desempenho da oposição desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder federal em 2002.

Com a reeleição de Dilma, o PT alcança o quarto mandato consecutivo na Presidência da República, o que estabelece uma hegemonia de pelo menos 16 anos no governo federal, até 2018.

A força da onda vermelha, no entanto, esbarrou no antipetismo e resultou na vitória mais apertada de um candidato presidencial desde 1989, quando Fernando Collor, então no PRN, ganhou de Luiz Inácio Lula da Silva por 53,03% a 46,97%.

Detentor de uma fortaleza eleitoral no Nordeste, o PT – ao contrário do senso comum – nunca havia necessitado da vantagem para ganhar. Agora, sim. É a primeira vez, em quatro eleições, que o partido perde, no segundo turno, na maioria das cinco regiões. Depois da vitória de Lula em 2002 em todas as regiões, o PSDB levou o Sul, em 2006, acrescentou o Centro-Oeste, em 2010, e desta vez foi o mais votado pela primeira vez também no Sudeste, onde Aécio teve 56,14% contra 43,86% da presidente.

Dilma compensou as derrotas nas três regiões com as votações do Norte e, principalmente, do Nordeste. No bastião petista, a presidente venceu o tucano por 71,66% a 28,34%. No Maranhão, obteve a maior vantagem estadual sobre o adversário: de 78,6% a 21,4%.

A presidente foi a preferida em 15 Estados – todos os nove do Nordeste, em Minas, no Rio de Janeiro, e em quatro dos sete da região Norte – enquanto Aécio foi o melhor em 11 e no Distrito Federal. O tucano venceu nos três do Sul, nas quatro unidades da Federação do Centro-Oeste, no Espírito Santo, Acre, Rondônia, Roraima, e no maior colégio eleitoral: São Paulo.

Com 64,29%, Aécio recebeu a melhor votação proporcional de um presidenciável em São Paulo, no segundo turno, desde os 57,9% de Collor em 1989. O recorde chama a atenção pois é a primeira eleição presidencial, desde 1955, que o Estado não teve um candidato competitivo. Os paulistas descarregaram seus votos no senador mineiro e lhe deram uma diferença de 6.755.016 votos a mais em relação a Dilma. Em vez da dispersão, pela falta de um concorrente da terra, o antipetismo mobilizou o Estado. O tucano bateu, em mais de 2 milhões de votos, a maior diferença estadual absoluta desde 1989, que eram os 4.635.632 de votos que Lula pôs de vantagem sobre José Serra no Rio de Janeiro, em 2002.

No Sul, Aécio venceu por 2,9 milhões de votos de diferença, com expressivas votações no Paraná (60,98%) e em Santa Catarina, onde obteve seu mais alto índice estadual: 64,59%.

O senador, no entanto, não conseguiu “azular” seu próprio Estado. Com isso, o PT mantém a tradição de vencer em Minas tanto no primeiro quanto no segundo turno, desde 2002. É um Estado vermelho. Ali, Aécio alcançou 47,6% contra 52,4% de Dilma, que pôs uma diferença de 550 mil votos no reduto do adversário.

Sem um bom desempenho em Minas e a larga derrota no Nordeste, as expressivas vitórias de Aécio em São Paulo e no Sul não foram suficientes para compensar a ampla vantagem de Dilma no Nordeste. Nos nove Estados da região, a petista conseguiu 11,7 milhões de votos a mais sobre Aécio. A presidente ganhou com folga (70,26% a 29,74%) até em Pernambuco, um dos dois Estados vencidos por Marina Silva (PSB) no primeiro turno – o outro, o Acre, na região Norte, foi conquistado por Aécio.

A vitória em Pernambuco mostra que Marina e o grupo político do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto durante a campanha, em agosto, não conseguiram transferir os votos que queriam para Aécio, apesar de todo o esforço com declarações de apoio na propaganda eleitoral. Com a morte de Campos, que figurava em terceiro lugar na corrida presidencial, a entrada de Marina em seu lugar representou uma das grandes reviravoltas da disputa. A ex-senadora chegou a empatar com Dilma, enquanto Aécio ultrapassou a presidente, ainda que dentro da margem de erro, nas primeiras pesquisas do segundo turno.

O PT conseguiu neutralizar o clima de mudança com sua forte base eleitoral no Norte e no Nordeste. Nas duas regiões mais petistas do país, as votações arrasadoras do PT se mantiveram. No Nordeste, Dilma avançou um ponto percentual, de 70,58% em 2010, para 71,62%. No Norte, foi cerca de meio ponto mais baixa e passou de 57,43% para 56,82%.

Ao Nordeste, juntou-se o Rio, terceiro maior eleitorado, onde o placar foi de 54,94% a 45,06%, com uma vantagem de 807.095 votos. O Estado, porém, manteve a trajetória de votações declinantes para o PT. A diferença, que foi de 57,9 pontos percentuais em 2002, de 39,4 em 2006, e de 21 em 2010, caiu para 9,8. O mesmo ocorreu no Amazonas, cuja vantagem de 61,1 pontos – a maior há quatro anos – agora foi de 27,9.

 

Aécio firmar-se como líder da oposição

Aécio Neves não saiu enfraquecido. Pelo contrário. Foi o tucano que mais assustou os petistas desde a vitória de Lula na eleição de 2002.

Foco em 2018

Fonte: Folha de S.Paulo

Aécio deve firmar-se como líder da oposição

Em sua primeira eleição presidencial, Aécio sai dela, de certa forma, renovado e um político diferente. Foto: Divulgação.

De olho em 2018, tucano tem a meta de firmar-se como líder da oposição

Apesar da derrota, Aécio Neves não sai enfraquecido da disputa presidencial. Pelo contrário. Foi o tucano que mais assustou os petistas desde a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2002.

O PT só respirou aliviado e comemorou vitória sobre o tucano quando começou a ser divulgado o resultado oficial. Um assessor presidencial reconheceu: “Aécio quase nos matou do coração”.

O tucano mineiro, contudo, terá de refletir sobre seus erros. O maior deles, e talvez o fatal, foi em Minas Gerais. Se ganhou disparado em São Paulo, perdeu de novo em sua terra natal para a presidente Dilma Rousseff, de 52,4% a 47,6%, no segundo turno.

Terá de repensar sua relação com os conterrâneos, que agora serão governados por um petista, Fernando Pimentel, amigo pessoal de Dilma.

Em sua primeira eleição presidencial, Aécio sai dela, de certa forma, renovado e um político diferente. Deixou de lado o figurino de conciliador, que evitava embates, e partiu para o confronto com Dilma.

Tudo o que lhe faltou, lembram os amigos, durante os quatro anos no Senado, período em que não assumiu a liderança da oposição ao governo petista. Fase em que foi acusado de ser muito contemporizador e pouco atuante.

Na campanha, pressionado pela linha agressiva do PT, mostrou um gosto pela guerra, estilo que sinaliza manter no segundo mandato de Dilma. Objetivo: firmar-se como grande líder da oposição e sair candidato pelo PSDB em 2018, quando terá ainda 58 anos.

Sabe que pode ter de disputar a preferência dos tucanos com o governador Geraldo Alckmin, reeleito em São Paulo, e que não esconde seu desejo de voltar a disputar a Presidência da República.

Aécio confia, porém, que pode se firmar como o líder da oposição atuando da tribuna do Senado com o capital político amealhado durante a campanha. Acredita que tem condições de ganhar daqui a quatro anos, já que é mais conhecido no país.

Além disso, desabafa, sente-se aliviado porque o PT acabou retirando todos os seus esqueletos do armário. Na próxima campanha, estará bem mais preparado para enfrentar os ataques pessoais que marcaram esta eleição.

Pode ter pela frente o ex-presidente Lula, que ensaia sua volta daqui a quatro anos. O petista, por sinal, foi uma das grandes decepções que teve durante a eleição.

Lula e Aécio sempre tiveram um bom relacionamento. O petista tinha no senador mineiro um de seus melhores interlocutores no ninho tucano. Agora, avaliam amigos, não será possível uma reconciliação. Lula exagerou nos ataques pessoais a Aécio.

Prioridade de Dilma deve ser unir o Brasil, diz Aécio

Emocionado, Aécio disse que sai desta eleição “mais vivo e sonhador” e que a prioridade da presidente deve ser a de unir o Brasil.

O Brasil não mudou

Fonte: O Globo

Aécio: prioridade de Dilma deve ser unir o Brasil

Aécio Neves: ‘Desejei a ela (Dilma) sucesso na condução do seu próximo governo!’. Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP

Após derrota, Aécio diz que prioridade de Dilma deve ser a de unir o Brasil

Tucano agradeceu os 50 milhões de votos e afirmou ter saído do pleito ‘mais vivo e sonhador’

Visivelmente emocionado, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse que a prioridade da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) deve ser a de unir o Brasil. O tucano agradeceu os votos em São Paulo e disse que sai desta eleição “mais vivo e sonhador””. Ele telefonou para Dilma, para cumprimentá-la pela vitória.

Leia a íntegra do discurso de Aécio Neves.

— Cumprimentei agora há pouco, por telefone, a presidente reeleita. E desejei a ela sucesso na condução do seu próximo governo. E ressaltei: considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros. — afirmou o tucano, que terminou seu discurso agradecendo aos brasileiros: — Combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé. Muito obrigado a todos os brasileiros.

Aécio iniciou sua fala agradecendo os 50 milhões de votos obtidos neste segundo turno, em que conquistou 48,38% dos votos totais. Para o tucano, estes brasileiros apontaram “o caminho da mudança”.

— Serei eternamente grato a cada um de vocês que me permitiram voltar a sonhar e a acreditar na construção de um novo projeto. As cenas que vivi ao longo destes últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração.

Ainda no seu discurso, Aécio agradeceu todos os companheiros do partido pela figura do seu vice, Aloysio Nunes, e disse ter saído deste pleito presidencial “mais vivo do que nunca”.

O clima no local onde o candidato acompanhou a votação passou da euforia da tarde à tristeza após a confirmação da vitória de Dilma. Alguns eleitores abriram uma faixa com a frase: “Não vamos desistir do Brasil”.

Na saída do prédio na capital mineira, antes do discursou, o tucano acenou de dentro do carro, deu adeus com as duas mãos e fez até sinal de positivo para um grupo de eleitores. Ele comentou com assessores que achara “simpática” a faixa.

Nas redes sociais, o perfil do candidato postou uma foto com os dizeres “Obrigado.” Nos bastidores, reunido com aliados, o tucano desabafou:

— Bola para frente. É isso mesmo. É o jogo!

SERRA: ‘NÃO VAMOS ATUAR NO QUANTO PIOR, MELHOR’

Apesar do discurso de Aécio, o senador eleito por São Paulo, José Serra, disse que a oposição não terá contemplação com os desvios do governo de Dilma Rousseff.

— É a oposição que não vai ter nenhuma contemplação com os desvios de natureza moral e de natureza administrativa. E sempre apontando caminhos. A oposição tem que atuar, combatendo e sempre olhando o interesse do futuro do país, a unidade do país. E não vamos atuar no quanto pior, melhor. O PSDB não tem essa natureza — disse Serra.

Senador eleito, ele acrescentou que a oposição sai fortalecida e tem estados como São Paulo como centro de sua atuação:

— Aquilo que se chama oposição no Brasil tem uma força muito grande e vamos usar essa força em benefício do Brasil. Vamos jogar todo esse peso no enfrentamento destas questões (inflação, por exemplo).

Ele criticou os métodos usados pelo PT na campanha.

— Não foi a primeira que eles fizeram, eles têm esse método de atuação, não só no governo, mas no processo eleitoral, mas saímos de cabeça erguida e com uma quantidade de votos maior ainda e com muita determinação de combatermos tudo aquilo que consideramos errado.

O deputado Geddel Vieira Lima disse que a oposição não deve se envergonhar.

— Não foi uma eleição da qual a gente tenha que se envergonhar.

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), disse que o país tem que voltar a crescer.

— Que a presidente Dilma faça uma mudança na política econômica — disse Lacerda.

Serra acompanhou a apuração dos votos ao lado de Aécio, no final da tarde, e o acompanhou durante o pronunciamento do candidato tucano, num hotel da capital mineira.

Nos bastidores, aliados de Aécio disseram que esperavam um desempenho melhor em Minas Gerais, onde Dilma teve 52,4%. Nas ruas, onde a propaganda de Aécio sempre foi maior, à noite os petistas começaram a lotar restaurantes e a fazer buzinaços.

Combati o bom combate, diz Aécio

Aécio agradeceu os mais de 50 milhões de votos dos brasileiros, desejou sucesso à presidente reeleita e pediu a união do país.

Pronunciamento de Aécio Neves

Fonte: Jogo do Poder

Aécio: “As cenas que eu vivi ao longo desses últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração”. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Aécio: “As cenas que eu vivi ao longo desses últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração”. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Aécio Neves: combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé

“Combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé”, declarou o candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, em pronunciamento feito na noite deste domingo (26/10), em Belo Horizonte (MG). Aécio agradeceu os mais de 50 milhões de votos dos brasileiros, desejou sucesso à presidente reeleita Dilma Rousseff e pediu a união do país.

Segue íntegra do pronunciamento de Aécio Neves.

“Meu boa noite a todos. A minha primeira palavra é de profundo agradecimento a todos os brasileiros que participaram dessa festa da democracia.

Agradecimento especial aos mais de 50 milhões de brasileiros que apontaram no caminho da mudança. Eu serei eternamente grato a cada um, a cada uma de vocês que me permitiram voltar a sonhar e acreditar na construção de um novo projeto. As cenas que eu vivi ao longo desses últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração.

Cumprimentei agora há pouco a presidente reeleita e desejei a ela sucesso na condução do seu próximo governo, e ressaltei que considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros.

Uma palavra de agradecimento especial a cada companheiro, representado pelos tantos que estão aqui, e o faço na figura do senador Aloysio Nunes, bravo companheiro de caminhada nessa jornada, homem público exemplar, com quem tive também o privilégio de compartilhar novas expectativas em relação ao Brasil.

Portanto, mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha, ao final, com o sentimento de que cumprimos o nosso papel. E repito, para encerrar, mais uma vez, São Paulo, porque é o que retrata para mim de forma mais clara o sentimento que tenho hoje na minha alma e no meu coração: “Combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé”. Muito obrigada a todos os brasileiros.”

Eleições 2014: Venceu a mentira e o medo

Presidente Dilma Rousseff, que disputou pelo PT as eleições deste ano, terá mais quatro anos de mandato como presidente do país.

Brasil vai continuar sem rumo

Fonte: O Globo

Eleições 2014: venceu a mentira e a desconstrução do Brasil

Eleições 2014: Dilma e Lula: serão 16 anos sem alternância de poder no Brasil. Perde a democracia. Divulgação

Dilma Rousseff é reeleita presidente do Brasil

Em pronunciamento, Dilma disse que seu 1º compromisso é promover diálogo e que foi eleita para fazer ‘grandes mudanças’

A presidente Dilma Rousseff, que disputou pelo PT as eleições deste ano, terá mais quatro anos de mandato como presidente do país. Após 111 dias de campanha e uma disputa acirrada com Aécio Neves (PSDB), em segundo turno marcado por ataques e acusações, Dilma obteve vitória apertada sobre Aécio: com 100% das urnas apuradas, a petista tinha 51,64% dos votos, contra 48,36% de Aécio. Com a população e o Congresso divididos, um dos desafios da presidente será, em seu governo, conseguir unir o Brasil – o que foi lembrado pelo próprio pronunciamento da presidente reeleita.

O resultado marca a eleição mais acirrada da história da redemocratização do Brasil.Os ex-presidentes Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e a própria Dilma não ganharam de seus adversários por uma diferença tão pequena em pleitos anteriores. Antes de 2014, a menor diferença havia sido registrada em 1989, na disputa entre Collor eLula. Na ocasião, Collor venceu com 42,75% dos votos, contra 37,86% obtidos pelo então canidato do PT.

O horário de verão atrasou a divulgação do resultado da eleição presidencial, que só ocorreu depois das 20h do horário de Brasília por causa da votação no Acre – com um fuso atrasado três horas em relação à capital federal. Já nos estados onde houve segundo turno (Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal), a apuração começou logo após o término da votação, às 17h, pelo horário local.

EM PRONUNCIAMENTO, COMPROMISSO COM REFORMA POLÍTICA

Em pronunciamento logo após o resultado, Dilma agradeceu duas vezes a Lula e ao vice, Michel Temer (PMDB), e pediu união à população. Dilma disse que seu “primeiro compromisso’ no novo mandato é buscar “diálogo”.

– Minhas primeiras palavras são de chamamento à base e à união. Nas democracias, união não significa necessariamente unidade de ideias. Pressupõe, em primeiro lugar, abertura e disposição para o diálogo. Essa presidenta está disposta para o diálogo e esse é meu primeiro compromisso para o segundo mandato: diálogo – disse.

Com um discurso voltado para a união, a presidente reeleita, no entanto, afirmou não acreditar que o país está dividido por causa das eleições.

— Conclamo, sem exceção, todas as brasileiras e a todos os brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria, de nosso país e de nosso povo. Não acredito, sinceramente, que essa essas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo que elas mobilizaram ideias, emoções às vezes contraditórias, mas movidos a um sentimento comum: a busca de um futuro melhor para o país. Em lugar de ampliar divergências, tenho forte esperança de que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para construção de pontes.

Dilma, que foi interrompida por gritos de “coração valente”ao se dizer que quer ser “uma presidente muito melhor” do que foi até agora, lembrou que “mudança” foi o termo mais presente ao longo da campanha, e disse que foi “reconduzida ao poder” para fazer “grandes mudanças”.

– A palavra mais dita, mais falada, mais dominante, foi “mudança”. O tema, foi reforma. Sei que estou sendo reconduzida à Presidencia para fazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige – declarou – Entre as reformas, a primeira e mais importante é a reforma política.

Dilma se comprometeu ainda com o bombate à inflação e em avançar no terreno da responsabilidade fiscal.

AÉCIO SE DISSE ‘MAIS VIVO E SONHADOR’

Visivelmente emocionado, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse que a prioridade da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) deve ser unir o Brasil. O tucano agradeceu os votos em São Paulo e disse que sai desta eleição “mais vivo e sonhador”. Ele telefonou para Dilma, para cumprimentá-la pela vitória.

— E ressaltei à presidente que a maior de suas prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros. Mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, deixo essa campanha com sentimento de que cumprimos nosso papel — afirmou o tucano, que complementou: — Cumpri minha missão e guardei a fé.

Aécio iniciou sua fala agradecendo os 50 milhões de votos obtidos neste segundo turno, em que conquistou 48,38% dos votos totais. Para o tucano, estes brasileiros apontaram “o caminho da mudança”.

ATAQUES MARCARAM SEGUNDO TURNO

Após ataques durante o horário eleitoral no rádio e na TV e a troca de acusações em debate do SBT, com denúncias de nepotismo entre Dilma e Aécio, o TSE proibiu a veiculação de gravações que não fossem propositivas.

— O tribunal muda sua jurisprudência para estabelecer que, em programas eleitorais gratuitos, as propagandas devem ser programáticas e propositivas, mesmo com embates duros, em relação às candidaturas do segundo turno — disse o presidente da Corte, Dias Toffoli, no dia 16 de outubro.

Embora o TSE tenha levantado a questão e adiantado julgamentos para não prejudicar a igualdade de condições entre as candidaturas, o clima eleitoral não arrefeceu. Nas ruas, foram registrados tumultos entre partidários de ambas as campanhas. Nas redes sociais, a baixaria também teve vez. O Fla x Flu eleitoral abalou amizades, e gerou discussões com troca de ofensas.

DISPUTA ACIRRADA

A disputa mais acirrada desde 1989 teve a primeira reviravolta no dia 13 de agosto, quando o jato que partiu do Rio de Janeiro e levava o então candidato do PSB, Eduardo Campos, caiu em Santos após arremeter ao tentar pousar no aeroporto. (Confira todas as pesquisas Ibope e Datafolha)

Após a morte do então candidato e a comoção causada pela tragédia, Marina Silva assumiu a cabeça de chapa e passou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Desidratada após campanha de desconstrução do PT e recuos em relação ao programa de governo, Marina entrou em queda livre.

No primeiro turno, a decisão dos brasileiros contrariou as pesquisas eleitorais das semanas anteriores ao dia 5 de outubro, que indicavam uma disputa entre a candidata do PSB e Dilma Rousseff. No início do segundo turno, Aécio aparecia numericamente à frente nos levantamentos de Ibope e Datafolha. Dilma, no entanto, recuperou a dianteira e descolou-se do candidato do PSDB.

No primeiro turno, excluindo os votos brancos e nulos, a petista teve 41,6% da preferência (43,2 milhões de votos), contra 33,6% do tucano (34,8 milhões de votos). A votação surpreendeu, já que a candidata do PSB, Marina Silva, que aparecia empatada tecnicamente com Aécio, ficou em terceiro lugar, com 21,3% da preferência (22,1 milhões de votos).

CANDIDATOS VOTARAM EM MG E RS

Pela manhã, Aécio Neves votou em escola de Belo Horizonte ao lado da mulher, Letícia Weber, às 10h30m. O tucano conseguiu amplo arco de alianças para enfrentar Dilma no segundo turno e comparou a união de candidatos derrotados no primeiro turno com a frente liderada por seu avô, Tancredo Neves, durante a redemocratização do país. Além dos nanicos, como Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB), também ganhou o apoio de Marina Silva (PSB).

Já a presidente Dilma Rousseff manteve o apoio de nove partidos da coligação feita antes do primeiro turno e votou na manhã deste domingo em Porto Alegre, acompanhada do governador Tarso Genro, candidato à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul. Antes, Dilma fez um pronunciamento rápido, que durou pouco mais de três minutos, e reconheceu que a campanha que se encerrou às 22h de sábado teve “momentos lamentáveis”.

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