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Falta pouco para Lula ser investigado na Lava Jato

Janot deve dar posição final. PF revelou que Lula pode ter sido beneficiado pela corrupção na Petrobras e pede autorização para que ele seja ouvido no inquérito.

A PF quer saber se Lula obteve vantagens pessoais das empreiteiras acusadas de pagar propina em troca de contratos com a Petrobras.

Fonte: O Globo

Falta pouco para Lula passar a ser investigado na Lava Jato

Lula, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras. Divulgação

Supremo pede que Ministério Público analise pedido da PF para ouvir Lula

Relatório da Polícia Federal diz que ex-presidente pode ter sido beneficiado por esquema na Petrobras

O juiz Márcio Schiefler Fontes, que auxilia o ministro Teori Zavascki nos processos da Lava Jato, pediu que o Ministério Público Federal se manifeste sobre a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passar a ser investigado em um dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Em despacho assinado nesta terça-feira, o juiz não cita o ex-presidente e se limita a pedir parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre “relatório apresentado pela autoridade policial”.

O relatório da PF diz que Lula pode ter sido beneficiado pelo esquema de corrupção da Petrobras e pede autorização para que ele seja ouvido no inquérito. A PF solicitou ainda permissão para que seja feito levantamento sobre eventuais vantagens pessoais que Lula tenha recebido de empreiteiras acusadas de pagar propina em troca de contratos com a estatal brasileira. Caberá a Janot decidir se concorda com o pedido da PF ou não.

“Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”, diz o relatório.

No despacho, o juiz também autoriza o compartilhamento das informações do inquérito que tramita no STF com os investigadores que atuam na operação Lava Jato em Curitiba.

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Escândalo da Petrobras: MPF denuncia 36 pessoas

Força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras.

25 acusados estão ligados a grandes empreiteiras do país

Fonte: O Globo

Petrolão: MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras

Procurador Deltan Dallagnol e procurador-geral Rodrigo Janot em coletiva de imprensa. Foto: Paulo Lisboa / Brazil Photo Press

MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras, 25 delas ligadas a seis empreiteiras

Ministério Público Federal espera ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas na primeira fase da denúncia

O Ministério Público Federal anunciou nesta quinta-feira a primeira fase de denúncias envolvendo desvios na Petrobras. Com base, por enquanto, nas investigações envolvendo apenas a diretoria de Abastecimento, os procuradores ofereceram denúncia contra 36 pessoas implicadas no esquema de corrupção na estatal, sendo 25 delas ligadas a grandes empreiteiras do país: OAS, Camargo Corrêa, UTC, Mendes Junior, Engevix e Galvão Engenharia. A força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras firmados por empreiteiras. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o MPF tinha dito que os denunciados eram 35. No fim da tarde desta quinta-feira, no entanto, se corrigiu e acrescentou o 36º acusado, Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa.

No total, nesta fase inicial de acusações sobre o escândalo na estatal, foram denunciados nove pessoas ligadas à OAS, 10 à Camargo Corrêa e UTC (somados); 16 à Mendes Junior e à GDF (esta última do doleiro Youssef); sete à Galvão Engenharia; e nove à Engevix. O valor envolvido na lavagem de dinheiro alcança R$ 74,149 milhões, em 105 casos tipificados como crimes. Foram identificados ainda 154 atos de corrupção. O MPF diz que os crimes de corrupção apurados apenas nesta etapa envolvem R$ 286 milhões.

— É um imenso esquema de corrupção. O trabalho não para aqui — diz Deltan Dallagnol, procurador da República que encabeça a força-tarefa criada para a Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a denúncia apresentada pelo MPF significa a abertura de mais uma fase do trabalho da Lava-Jato, que é longo e não se resolverá em tempo breve.

— Começa hoje mais uma fase deste trabalho, que será longo. Outras se seguirão – afirmou Janot.

O esquema, diz o MPF, envolvia empreiteiras, funcionários da Petrobras e operadores financeiros. Nesta fase da denúncia, são citadas apenas as negociações espúrias ligadas à Diretoria de Abastecimento, que era comandada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Janot disse ainda que a investigação sobre a corrupção na Petrobras será feita com “temperança e de forma transparente”.

— O trabalho feito pelo MPF está sendo feito de forma conjunta com energia dividida entre a Receita Federal e a Polícia Federal. Este não será um trabalho rápido, até a completa elucidação — disse Janot.

— Trata-se de um imenso esquema de corrupção no qual eram pagas propinas que variavam de 1 a 5% do valor de cada contrato bilionário com a Petrobras, envolvendo empresas corruptoras e funcionários corruptos. O esquema de lavagem de dinheiro aconteceu entre 2004 a 2012, mas que continuou até 2014 — disse Dallagnol.

Segundo o procurador Dallagnol, foi descoberto um esquema de fraudes no qual as empresas simulavam operações, além de fraudar e decidir quem ganhava cada licitação, num jogo de cartas marcadas.

— Funcionava como se fosse um campeonato de futebol ou um bingo, mas neste caso o jogo era de cartas marcadas, onde se sabia quem ganhava cada licitação. Entre os denunciados estão também o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef.

Foram oferecidas denúncias por prática de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

‘ROUBARAM O ORGULHO DOS BRASILEIROS’

Segundo o procurador Dallagnol, os acusados foram agrupados em cinco denúncias. Como alguns deles aparecem em mais de uma denúncia, o total delas alcança 50. Os nomes dos 22 denunciados das seis empreiteiras envolvidas nesta primeira fase de denúncias são de dirigentes a funcionários de menor escalão. Dellagnol afirmou que o MPF vai buscar na Justiça o ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas das seis empreiteiras até aqui investigadas.

— Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros — disse Janot. — A complexidade dos fatos nos leva a intuir a dimensão desta investigação. Vamos conduzir de forma serena, mas de forma firme e contundente. Cada pessoa responde pelo ato que praticou. Não é vontade do MPF, é vontade do legislador e compete ao MPF aplicar os recursos que lhes são colocados à disposição — completou.

Dellagnol afirmou que essas mesmas empresas estão envolvidas em outras obras públicas e que a única forma de estancar a corrupção é manter os dirigentes das empresas na prisão. O MPF recomendou que os dirigentes e executivos sejam presos.

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

QUATRO FORMAS PARA O PAGAMENTO DA PROPINA

De acordo com Deltan Dallagnol, era conveniente que se cooptasse os agentes públicos. Foram pagas propinas para “maximizar lucros”, e “havia quatro meios de a corrupção acontecer”: por contratos diretamente negociados; por negociação de aditivos; por aceleração da licitação; e pela manutenção dos aditivos.

O procurador disse ainda que a força-tarefa rejeita qualquer forma de blindagem coletiva das empreiteiras, pois o caso envolve reconhecimento de culpa e fornecimento de novas provas para a investigação.

Dellagnol explicou que a denúncia seguiu jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de aplicar a pena aumentada de acordo com o número de vezes que o crime foi cometido. No total, os 35 envolvidos cometeram 154 corrupções e 105 lavagens. De acordo com o procurador, cabe à Justiça analisar a pena para que ela seja aplicada dentro da razoabilidade.

Se determinada pessoa responder por um único caso de corrupção e lavagem de dinheiro, além de integrar a organização criminosa, a pena iria variar de 11 anos a 51 anos e quatro meses.

— O conjunto de funcionários (da Petrobras) corrompidos constituti o segundo núcleo desse gigante esquema criminoso. Para fazer a intermediação da corrupção atuavam operadores que também já entregavam o dinheiro lavado. Num primeiro momento as empreiteiras cartelizadas passavam o dinheiro para operadores financeiros, em espécie. No segundo momento, os operadores pagavam os beneficiários da propina, por meio de dinheiro em espécie, pagamentos de bens e dinheiro no exterior — diz o procurador Dellagnol .

Segundo ele, a intermediação era feita por empresas de fachadas, com pagamentos legais por serviços que nunca existiram.

— E os operadores reconheceram que os serviços jamais existiram. As empresas eram: MO Consultoria, Empreiteira Rigidez, RCI e GFD Investimentos.

De acordo com o MPF, o doleiro Leonardo Meirelles fazia contrato fictícios pela Labogen com remessas para o exterior por contratos de exportação que nunca existiram.

Dellagnol afirmou que Renato Duque não é objeto da denúncia e que as investigações continuam.

ENTENDA A OPERAÇÃO LAVA-JATO

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A Operação Lava-Jato foi deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época, foram presas 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Os detidos foram acusados de participar de uma organização criminosa que tinha o objetivo de lavar R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas.

A operação foi consequência da prisão do empresário André Santos, em dezembro de 2013, com US$ 289 mil e R$ 13.950 escondido nas meias. Santos é réu em ação na qual é acusado de fazer parte do braço financeiro de uma quadrilha de libaneses especializada em contrabandear produtos do Paraguai, operando um esquema de lavagem.

A operação colocou sob suspeita contratos assinados pela Petrobras. Isso porque o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa foi preso, no dia 20 de março, sob acusação de envolvimento com o doleiro Youssef. Costa, que foi detido quando queimava documentos que poderiam se configurar como provas do envolvimento, reconheceu ter recebido deYoussef um carro de luxo. Ele alegou, no entanto, que o presente seria o pagamento por uma consultoria prestada.

Empreiteiras suspeitas de abastecer o esquema de Youssef e do ex-diretor da Petrobras declararam à Receita Federal os pagamentos feitos a empresas dos dois principais acusados na Operação Lava-Jato. Documentos comprovaram repasses efetivos de recursos às empresas do doleiro e do ex-diretor, como consta nas declarações de retenção de impostos das próprias empreiteiras. Entre as depositantes estão as construtoras OAS, Mendes Júnior e Camargo Corrêa, apontadas pela contadora do doleiro Meire Bonfim Poza como integrantes do esquema.

O escândalo do doleiro Youssef respingou ainda sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) e levou André Vargas a se desfiliar do partido para manter o mandato de deputado federal. Vargas é suspeito de fazer parte de um esquema de tráfico de influência e lobby em favor de Youssef junto ao Ministério da Saúde. Vargas usou um jato providenciado pelo doleiro para fazer uma viagem familiar e teria se beneficiado de uma série de outros favores.

CONFIRA A LISTA DOS DENUNCIADOS:

ALBERTO YOUSSEF

PAULO ROBERTO COSTA

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WALDOMIRO DE OLIVEIRA

EMPREITEIRA MENDES JUNIOR:

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na ENGEVIX)

JOÃO PROCÓPIO JUNQUEIRA PACHECO DE ALMEIDA PRADO

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na ENGEVIX)

SÉRGIO CUNHA MENDES

ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA

ÂNGELO ALVES MENDES

ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES

JOSÉ HUMBERTO CRUVINEL RESENDE

ANTONIO CARLOS FIORAVANTE BRASIL PIERUCCINI

MÁRIO LÚCIO DE OLIVEIRA

RICARDO RIBEIRO PESSÔA (também denunciado na Camargo Corrêa e UTC)

JOÃO DE TEIVE E ARGOLLO

SANDRA RAPHAEL GUIMARÃES

EMPREITEIRAS CAMARGO CORREA e UTC ENGENHARIA

DALTON DOS SANTOS AVANCINI

JOÃO RICARDO AULER

EDUARDO HERMELINO LEITE, “LEITOSO”

MARCIO ANDRADE BONILHO

RICARDO RIBEIRO PESSOA (também denunciado na Mendes Jr.)

JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO

ADARICO NEGROMONTE FILHO

EMPREITEIRA OAS

JOSÉ ALDEMÁRIO PINHEIRO FILHO, vulgo “Léo Pinheiro”

AGENOR FRANKLIN MAGALHÃES MEDEIROS

MATEUS COUTINHO DE SÁ OLIVEIRA

JOSÉ RICARDO NOGUEIRA BREGHIROLLI

FERNANDO AUGUSTO STREMEL ANDRADE

EMPREITEIRA ENGEVIX

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na Mendes Jr.)

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na Mendes Jr.)

GERSON DE MELLO ALMADA

CARLOS EDUARDO STRAUCH ALBERO

NEWTON PRADO JUNIOR

LUIZ ROBERTO PEREIRA

EMPREITEIRA GALVÃO ENGENHARIA

ERTON MEDEIROS FONSECA

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JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO

DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO

EDUARDO DE QUEIROZ GALVÃO

Janot crítica gestão da Petrobras e irrita Dilma

Fala do procurador gerou irritação. Tão logo soube do conteúdo das críticas de Janot, a presidente convocou o ministro da Justiça.

Procurador da República defende punição dura para quem assaltou a estatal

Fonte: Folha de S.Paulo 

Dilma se irrita com crítica de Janot

Dilma se se mostrou inconformada com a sugestão do procurador de demitir a atual diretoria da Petrobras. Divulgação

Procurador sugere demissão na Petrobras e irrita Planalto

Chefe do Ministério Público defende punição para os que ‘assaltaram’ a estatal

Ministro da Justiça sai em defesa da atual diretoria e afirma que não há indícios para justificar afastamento

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez nesta terça (9) as mais duras críticas à gestão da Petrobras desde a revelação do esquema de corrupção na estatal, sugerindo até a substituição de sua diretoria, comandada por Graça Foster, amiga da presidente Dilma Rousseff.

A fala do procurador gerou irritação no Palácio do Planalto. Tão logo soube do conteúdo das críticas de Janot, a presidente convocou seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e mandou que desse uma entrevista defendendo a diretoria da estatal.

Graça Foster era diretora de gás e energia da Petrobras na época em que o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato atuou, mas as investigações não apontaram até agora nada que envolva seu nome com desvios ou irregularidades.

As declarações do procurador-geral foram dadas na abertura de uma conferência internacional sobre combate à corrupção organizada pela Procuradoria. “Diante de um cenário tão desastroso na gestão da companhia, o que a sociedade espera é a mais completa e profunda apuração dos ilícitos perpetrados, com a punição de todos, todos os envolvidos”, afirmou Janot.

Em seguida, fez a sugestão de troca dos atuais diretores da estatal: “Esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria”.

Janot afirmou que “a resposta àqueles que assaltaram a Petrobras será firme, na Justiça brasileira e fora do país” e prometeu que serão levados à Justiça “aqueles que roubaram o orgulho dos brasileiros pela sua companhia”.

Em sua apresentação, o procurador disse que “o Brasil ainda é um país extremamente corrupto”, acrescentando que “corruptos e corruptores precisam conhecer o cárcere e devolver os ganhos espúrios que engordaram suas contas, à custa da esqualidez do tesouro nacional e do bem-estar do povo”.

REAÇÃO

Antes de ser convocado por Dilma ao Palácio do Planalto, o ministro José Eduardo Cardozo também falou na conferência, logo depois do procurador. Ele reconheceu que “há fortes indícios de corrupção” na Petrobras e disse que o governo está empenhado no combate a malfeitos. “Onde houver a corrupção temos que ter vergonha dela”, afirmou. “O governo luta para combater a corrupção. É postura da presidente Dilma Rousseff.”

Depois, o ministro da Justiça foi ao Planalto falar com a presidente, que se mostrou inconformada com a sugestão do procurador de demitir a atual diretoria da Petrobras. Dilma determinou que seu ministro enfatizasse que não há nada contra os diretores.

No início da tarde, Cardozo deu entrevista coletiva em seu ministério. “Não há razão objetiva para que atuais diretores sejam afastados”, afirmou, argumentando que “não há indícios contra” eles.

Cardozo comentou ainda que, após ouvir as declarações do procurador Janot, chegou a questioná-lo se havia algum indício contra Graça Foster e outros diretores. Segundo Cardozo, a resposta foi negativa.

Advogados das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato têm discutido com Janot acordos que poderiam abrandar as penas dos executivos das empresas em troca de sua colaboração com as investigações. O procurador-geral recebeu críticas nos últimos dias por causa dessas negociações, e voltou a defender punições nesta terça.

“A decisão é de ir fundo na responsabilização penal e civil daqueles que engendraram esse esquema”, afirmou Janot. “Não haverá descanso. O procurador-geral não tergiversa nem renuncia ao dever de fazer valer o interesse maior da nação. A Procuradoria age.”

Executivos vão optar pela delação premiada, diz procurador

Previsão é de Rodrigo Janot. “Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?’. E aí eles começam a falar mesmo.”

Brasil corrupto

Fonte: Folha de S.Paulo 

Petrolão: donos de empreiteiras vão optar pela delação premiada

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, espera que a prisão de executivos e presidentes de grandes empreiteiras do país na operação Lava Jato faça com que muitos dos detidos busquem o instituto da delação premiada. Foto: Fellipe Sampaio

Prisões vão levar executivos a abrir o jogo, diz procurador

Rodrigo Janot espera novas delações, agora de empresários presos na sexta

Ele rechaçou críticas de que recomendou o arquivamento de muitos inquéritos no Supremo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, espera que a prisão de executivos e presidentes de grandes empreiteiras do país na operação Lava Jato faça com que muitos dos detidos busquem o instituto da delação premiada para tentar reduzir o tamanho de suas penas.

“Isso é um rastilho de pólvora. Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?’. E aí eles começam a falar mesmo.”

Questionado sobre a possibilidade de haver uma quadrilha operando no desvio de recursos da Petrobras, Janot afirma que “em princípio sim, tudo indica que sim, mas está cedo para falar ainda”.

À Folha, o procurador fez ainda um balanço de sua gestão no comando do Ministério Público e rechaçou críticas de que recomendou o arquivamento de muitos inquéritos no Supremo Tribunal Federal desde que assumiu o cargo, em setembro de 2013.

NOVAS DELAÇÕES

Isso é um rastilho de pólvora. Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?’, e aí eles começam a falar mesmo. Todos vão negociar. Se um abrir a boca, abre todo mundo. Um me perguntou: E se eu não tiver ninguém para entregar?’ Eu disse: Sempre tem, você pode se entregar, se entregue, autodelação’. Eu só não aceito perdão judicial [no acordo de delação]. Se for um crime que tenha já semiaberto, sempre que for possível eu vou botar o aberto. Vá cumprir pena em casa, sem problema nenhum.

EMPREITEIROS

Em principio é fraude em licitação, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado e corrupção ativa.

Elas [empreiteiras] diziam que eram alvo de concussão [exigência de dinheiro por parte de funcionários da Petrobras]: Eu sou obrigado a dar, senão eu não consigo participar desse negócio e eu morro à míngua’. Se puder me explicar como a fraude à licitação decorre de concussão, eu concordaria com a tese. Como a concussão te obriga a fazer um cartel, fraudar uma licitação e ganhar um dinheirão? Está sendo extorquido para ganhar dinheiro? Para ter que botar US$ 100 milhões no bolso? Vamos combinar, não é. A delação quebrou com essa ponte.

PRESÍDIOS

A gente ainda vai pegar esse dinheiro. Hoje são cerca de R$ 700 milhões bloqueados [dos empreiteiros]. Se as empreiteiras vierem [fazer delação], nas cláusulas do acordo, vamos colocar a exigência para a construção de presídios. Nós vamos ter que fazer licitação para construir? Não. Eles vão me dar é in natura’.

POLÍTICOS

São muitos fatos e muitas pessoas. Há também muita gente que não tem foro, mas tem relação com o fato. O que estamos investigando? Pagamento de propina com dinheiro desviado da Petrobras. As empreiteiras faziam o retalho das licitações. Teu lote é aquele, teu lote é aquele outro. Eu pego meu lucro, engordo ele, os outros engordam mais. Essa diferença entre meu lucro e o que engordei vai irrigar o sistema. Desse dinheiro, pelo que entendi do [ex-diretor da estatal] Paulo Roberto Costa, você tem dinheiro destinado a caixa dois de campanha.

INTERFERÊNCIA

Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação.

LEGADO DA LAVA JATO

O sistema republicano e a Justiça começam a mudar de paradigma. A Justiça de três, quatro anos para cá, não é mais uma justiça dos três Ps, de puta, de preto, de pobre. Ela está indo em cima de agente político e de corruptor. Acho que [essas novas operações e prisões] serão o grande propulsor da reforma política. E esse sistema é corruptor mesmo, se continuar esse sistema não vai mudar nada, pois vamos derrubar essas pessoas e outros virão ocupar esses espaços. O efeito que estou apostando é a reforma política.

ARQUIVAMENTO

Eu arquivei 65 inquéritos, desses, cinco envolvem o senador Cícero Lucena (PSDB-PB). Em dias separados pegou uma motoca, botou caixa de som e começou a fazer propaganda eleitoral. Instauram-se cinco inquéritos, crime eleitoral, ambiental e de trânsito. Outros cinco da Kátia Abreu (PMDB-TO). Uso de armas da República em papel da CNA(Confederação Nacional da Agricultura). Há caso de deputado que cometeu crime quando era prefeito, mas foi verificar e ele não era prefeito no período. Arquivei um do senador Fernando Collor (PTB-AL). Alguém num avião ouviu que o Collor havia mandado matar o PC Farias e abriram inquérito de homicídio. Você precisa ter um mínimo de elementos para abrir inquérito. No STF se perguntavam como esses casos poderiam estar lá, ocupando a pauta do Supremo. O que eu fiz? Tirei o que tinha de lixo. E mais vai sair. Dizem que eu arquivei só do PT. São 20 do PMDB, 8 do PSDB e 3 do PT.

INQUÉRITOS ABERTOS

Eu requisitei a instauração de 29 inquéritos. Coisas que têm fundamentos. Também apresentei 11 denúncias contra parlamentares. Isso sem contar o trabalho na Lava Jato, na operação Ararath [que apura crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro em Mato Grosso]. A atuação está visível.

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