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Petrobras: perdas por corrupção deverá ser de R$ 10 bi

Na lista de casos contabilizados estão: as refinarias Abreu e Lima e Comperj. Estão também obras de modernização das refinarias Repar, Replan e Henrique Lage.

Também terão perdas as obras do Gasoduto Urucu-Manaus e Cabiúnas (no Rio).

Fonte: O Globo 

Corrupção: Petrobras já admite colocar em balanço parte das perdas

Charge: Cabral/PSDB

Petrobras deverá ter perdas por corrupção de R$ 10 bi em balanço

Corte de investimentos pode chegar a 30%. Empresa não comenta

A Petrobras — que informou nesta quinta-feira mais uma vez a intenção de publicar na próxima semana seu balanço referente ao terceiro trimestre do ano passado com perdas relativas aos casos de corrupção — deverá registrar baixas contábeis de cerca de R$ 10 bilhões, de acordo com uma fonte do governo. Na lista de casos contabilizados, estarão a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro. Estão ainda as obras de modernização das refinarias Repar (Paraná), Replan (Paulínia, em São Paulo) e Henrique Lage, em São José dos Campos (SP). Também terão perdas as obras do Gasoduto Urucu-Manaus e Cabiúnas (no Rio).

Em comunicado enviado nesta quinta-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal detalhou que seu balanço vai incluir “a avaliação individual de ativos e projetos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na Operação Lava-Jato, inclusive a refinaria Abreu e Lima, o que poderá resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão de seu ativo imobilizado atual”.

CONSELHO SE REÚNE DIA 27

Para calcular a perda contábil, a Petrobras vai reduzir do seu lucro o valor dos contratos que tiveram corrupção. Para isso, tomou como base os depoimentos de delação premiada feitos por ex-funcionários da Petrobras e executivos das empresas fornecedoras à Justiça. A companhia bloqueou a contratação de 23 empresas citadas na Lava-Jato. O balanço do terceiro trimestre deveria ter sido divulgado em meados de novembro, mas foi adiado em duas ocasiões por conta das denúncias de corrupção. O Conselho de Administração da Petrobras vai se reunir no próximo dia 27 para aprovar o balanço do terceiro trimestre do ano passado, que ainda não terá o aval da auditoria PricewaterhouseCoopers.

Além das perdas contábeis de R$ 10 bilhões, a mesma fonte do governo destaca que a companhia cortará investimentos neste ano em cerca de 30%. Por ano, com base em seu Plano de Negócios 2014-2018, a estatal previa investir cerca de US$ 44 bilhões.

— A queda de investimento é de 30%. É uma retração baixa diante das dificuldades que a companhia vem enfrentando, já que não vai conseguir captar recursos no exterior — disse a fonte.

Sobre a queda de 30%, a Petrobras não confirma nem nega. Em nota, disse que está revisando seu planejamento para o ano de 2015, implementando uma série de ações voltadas para a preservação do caixa, de forma a viabilizar seus investimentos sem a necessidade de efetuar novas captações, tomando por premissas taxa de câmbio de R$ 2,60 e preço médio do barril do Brent em 2015 de US$70. “Tais medidas incluem a antecipação de recebíveis, a redução do ritmo dos investimentos em projetos, a revisão de estratégias de preços de produtos e a redução de custos operacionais em atividades ainda não alcançadas pelos programas estruturantes”, destacou. A empresa não comentou a previsão de perdas.

BUSCA DE CREDIBILIDADE

Segundo Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management, os investidores olharão com bastante atenção os números da empresa. O objetivo é avaliar a metodologia usada para contabilizar as perdas.

— O mercado embutiu no preço das ações da Petrobras uma estimativa sobre as perdas, mas o cálculo não é um consenso porque trata-se de algo intangível. Será importante saber o número oficial — disse Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

Nesta quinta, as ações preferenciais (PN, sem voto) subiram 5,36% e as ordinárias (ON, com voto) avançaram 6,41%, após a Petrobras afirmar que o balanço trará o custo da corrupção:

— A empresa deve divulgar uma estimativa de perdas até para dar credibilidade aos números. Se viesse maravilhoso, seria difícil acreditar no balanço. Divulgar resultados financeiros é o requisito mínimo para qualquer empresa de capital aberto no mundo, e mesmo um documento como esse, não auditado, resgatará um pouco da credibilidade — disseAlexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer.

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Petrobras: Dilma Rousseff resiste em demitir Graça Foster

Petrolão: auxiliares próximos de Dilma já admitem que a saída de Graça é uma questão de tempo, apesar da vontade da presidente de poupá-la.

Dilma sofre pressão para demitir toda a diretoria

Fonte: O Globo

Petrobras: Dilma resiste em demitir Graça Foster

Confiança: Relação próxima de Graça e Dilma faz presidente evitar demissão. Divulgação.

Dilma resiste, mas demissão de Graça já é vista como certa

Presidente da estatal cogitou deixar o cargo para viabilizar balanço

Em meio a uma série de denúncias de corrupção na Petrobras, a presidente Dilma Rousseff resiste em demitir Graça Foster da presidência da estatal. No entanto, mesmo auxiliares próximos de Dilma já admitem que a saída de Graça da Petrobras é uma questão de tempo, apesar da vontade da presidente de poupá-la. O prazo para isso acontecer, dizem governistas, é a provável perda do grau de investimento da estatal nas próximas avaliações de agências de classificação de risco.

— O tempo de Graça já acabou e ela própria percebeu isso. A diretoria da Petrobras não tem mais credibilidade com o mercado. A presidente pode estar conseguindo mantê-la apesar dos problemas políticos, mas, com os desdobramentos econômicos que ainda virão pela frente, será difícil — disse uma fonte do Planalto.

A avaliação no governo é que, além da relação de amizade e de lealdade, Dilma não quer tirá-la da presidência porque Graça serve como um escudo para o governo. Se Graça sair, a análise é de que tudo o que for relacionado com problemas de corrupção e má gestão na empresa cairá, automaticamente, no colo de Dilma.

— A presidente vai resistir o quanto puder — disse uma fonte do Planalto.

CARGO À DISPOSIÇÃO

Por trás da resistência, há a convicção de Dilma de que Graça é competente e fez todas as mudanças necessárias nas diretorias da estatal após descobrir o esquema de propinas.

Graça colocou o seu cargo à disposição do Conselho de Administração da estatal durante a reunião da última sexta-feira que decidiu, mais uma vez, pelo adiamento da divulgação do balanço financeiro da estatal, segundo informou ao GLOBO uma fonte que estava presente.

As demonstrações financeiras do terceiro trimestre estão atrasadas desde novembro, quando a empresa de auditoria PwC, contratada para analisar as contas da estatal, recusou-se a assinar o balanço. Esse é hoje o principal problema de Graça para estancar o derretimento das ações da empresa.

A empresa de auditoria já havia recomendado o afastamento de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, por causa da denúncia de que teria entregue propina nas mãos do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, que foi preso e aderiu à delação premiada. Machado pediu uma licença de trinta dias, renovada por mais um mês, mas, mesmo assim, a PwC manteve a resistência em assinar o balanço.

Apesar de Graça ter se mostrado disposta ao sacrifício, o conselho não tomou decisão alguma porque os auditores sinalizaram que a troca da diretoria não seria suficiente para mudar sua posição. A principal dificuldade da PwC é a adequação dos registros contábeis aos investimentos superfaturados feitos pela companhia, descobertos pela Lava-Jato. A PwCteme ser responsabilizada pelas autoridades americanas que investigam a estatal.

DÚVIDAS SOBRE VENINA

Foi nesse contexto que, durante a reunião, Graça cogitou deixar o cargo, assim como toda a sua diretoria. Ela não relacionou essa possibilidade às denúncias da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que diz tê-la alertado sobre desvios de recursos na área de Abastecimento ainda antes da Lava-Jato, desencadeada em março deste ano.

A presidente da Petrobras mencionou Venina rapidamente, dando a entender que a ex-gerente não é confiável. O principal argumento foi a investigação interna sobre a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que apontou a responsabilidade de Venina no que a estatal chama de “não conformidades” detectadas. Foi por isso Venina perdeu o cargo de diretora-presidente da subsidiária da Petrobras em Cingapura, no último dia 19 de novembro. Na semana passada, a estatal afirmou que, Venina “ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial”.

— Quando a investigação interna sobre os contratos da Refinaria Abreu e Lima foi apresentada pela diretoria ao conselho, Venina apareceu do começo ao fim, envolvida até a raiz do cabelo — disse a fonte.

Na reunião do conselho, ainda segundo essa testemunha, Graça admitiu que recebeu “três ou quatro e-mails” de Venina, mas não os respondeu. Um deles teria sido no dia de seu aniversário, ainda antes de se tornar presidente da Petrobras. De fato, Venina alega ter alertado Graça sobre contratos superfaturados na diretoria de Abastecimento quando a atual presidente ainda era diretora de Gás e Energia. Graça ocupou esse cargo entre 2007 e 2012, quando foi indicada por Dilma para substituir o então presidente José Sérgio Gabrielli. A Petrobras não se pronunciou sobre a reunião.

Segundo um executivo da estatal, Venina foi a principal auxiliar de Costa entre 2005 e 2009, mas teria tentado se afastar dele ao ver que Graça tinha mais chances de presidir a estatal se Dilma se tornasse presidente. Como gerente executiva da área corporativa do Abastecimento, Venina tinha ingerência sobre todas as decisões relativas a contratos e aditivos da diretoria.

Outra fonte diz que Venina poderia não ter sabido do que Costa fazia porque ele era conhecido por fazer reuniões “teatrais” com empreiteiros. Para essa fonte, Graça teria interesse em desqualificar Venina para invalidar suas denúncias.

Ex-gerente da Petrobras alertou para sobrepreço de 272% na

Venina Velosa pediu explicações à área de Engenharia e afirmou que o valor do empreendimento (US$ 4,056 bilhões) não estaria compatível a contratação da obra da casa de força por R$ 966 milhões.

Gestão deficiente: Petrolão e os descasos na Petrobras

Fonte: O Globo

Abreu e Lima: a ex-gerente Venina Velosa da Fonseca relatou, em e-mails, viver momentos difíceis e situações de conflito de valores.

Abreu e Lima: a ex-gerente Venina Velosa da Fonseca relatou, em e-mails, viver momentos difíceis e situações de conflito de valores. Divulgação

Em e-mail, Venina fala em sobrepreço de 272% em contratação para Abreu e Lima

‘Os desvios são grandes e isto me preocupa muito’, disse ela

A Comissão Interna de Apuração da Petrobras, que investigou irregularidades no setor de Abastecimento, analisou dois e-mails da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca reclamando de irregularidades. Além de um endereçado a Costa, ela também se queixou sobre o procedimento na contratação do projeto da Casa de Força da refinaria Abreu e Lima, em setembro de 2009. Primeiro Venina pediu explicações à área de Engenharia e afirmou que o valor do empreendimento (US$ 4,056 bilhões) não estaria compatível a contratação da obra da casa de força por R$ 966 milhões (cerca de US$ 568 milhões), a ser feita pela Alusa. O preço era 272% acima do valor orçado e ela encaminhou e-mail a Francisco Pais, assistente de Costa (atual gerente geral de gestão tecnologica) e a Paulo Cezar Amaro Aquino, então gerente executivo do Abastecimento-Petroquímica:

“Somente ontem a noite tomei conhecimento destes números. Quando assinei a pauta da DE isto não foi citado. Peço que da próxima vez estas informaçães sejam incluídas no DIP que vai para a DE. As comparações dos orçamentos, na minha opinião devem ser feitas com a estimativa da Engenharia e com a estimativa do ABAST, no caso em questão , estimativas de FEL 2 da RNEST. Os desvios são grandes e isto me preocupa muito. Hoje na reunião com o Barusco abordaremos esta questão”, disse Venina.

A Comissão atribui à Venina o fato de um desconto negociado com a Alusa não ter sido aplicado integralmente. O desconto oferecido pela empresa era de R$ 34,2 milhões, mas foram aplicados apenas R$ 9,2 milhões. Ou seja, a Petrobras deixou de economizar R$ 25 milhões. Mas a Casa de Força acabou custando para a Petrobras R$ 1,215 bilhão aos cofres da estatal depois de 15 aditivos autorizados.

Antecipação de obra aumentou custos

Marcelino Guedes, presidente da Refinaria Abreu e Lima e atual gerente de capacitação da área de Abastecimento, que também será ouvido pelo Ministério Público Federal, afirmou à Comissão que a antecipação da refinaria, encomendada por Costa, foi danosa para a empresa: “O Programa de Antecipação causou a quebra do conceito geral de EPC e a antecipação das contratações sem que o projeto tivesse um nível de maturidade suficiente, gerando aditivos e elevação dos custos.”

A Comissão afirma que os pedidos foram assinados por Barusco e Venina e encaminhados à Diretoria Executiva por Duque e Costa, mas que os diretores executivos não foram comunicados sobre mudança na estratégia das contratações.

Na contratação do consórcio Odebrecht/OAS teriam sido autorizados três licitações em datas anteriores à aprovação de abertura de certames pela diretoria executiva. Na primeira licitação, o consórcio apresentou preço 61,2% acima da estimativa da Petrobras e o processo foi cancelado. A estimativa prévia da estatal era de R$ 2,653 bilhões, mas acabou aumentada para R$ 2,692 bilhões. O Consórcio Odebrecht-OAS apresentou uma nova proposta de R$ 3,190 bilhões, que acabou sendo aceita.

VENINA ESTÁ EM LISTA DE RESPONSÁVEIS

A Comissão Interna de Apuração da Petrobras, que investigou irregularidades no setor de Abastecimento, incluiu Venina na lista dos responsáveis por irregularidades na contratação de serviços para a Refinaria Abreu e Lima ao lado de Costa, do diretor de Engenharia Renato Duque e de Pedro Barusco Filho – Costa primeiro cumpre prisão domiciliar, Duque é investigado e Barusco, a exemplo de Costa, assinou acordo de delação premiada e acertou a devolução de US$ 100 milhões que estavam em nome dele em contas no exterior. Além dos quatro, são responsabilizados Francisco Pais, Luiz Alberto Gaspar Domingues, Glauco Legatti, Carlos Alberto Carletto, Omar Antônio Kristocheck Filho, Luis Carlos Queiroz de Oliveira e Ricardo Luis Ferreira Pinto Távora Maia.

De acordo com a Comissão, Venina e Barusco encaminharam juntos o pedido de aprovação do Plano de Antecipação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, para a diretoria executiva, que havia sido encomendado por Costa e que acarretou diversos custos adicionais para a Petrobras, Barusco Filho era o responsável pela instauração das licitações, contratação e montagem da refinaria – entre abril de 2007 e outubro de 2009.

De 23 contratos selecionados para averiguação por amostragem, a Comissão identificou irregularidades em 10 – seis deles assinados com empresas investigadas na Operação Lava Jato: Alusa Engenharia, Consórcio Camargo Correa/CNEC, Odebrecht/OAS, Consórcio Queiroz Galvão/IESA, Consórcio Egesa/TKK, Consórcio Engevix/EIT, Consórcio Enfil/Veolia, Orteng Engenharia e Invensys. Executados entre julho de 2007 e julho deste ano, os projetos tiveram aumento de valor de R$ 3,979 bilhões.

O contrato com a Engevix, assinado em 2009 por R$ 591,3 milhões, teve 14 aditivos e seu custo alcançou R$ 774,91 milhões.

Em 12 projetos, o valor das propostas apresentadas pelas fornecedoras ficou acima da estimativa da estatal. Enquanto a Petrobras estimava R$ 15,013 milhões, as propostas, somadas, chegaram a R$ 22,017 milhões e seis licitações tiveram de ser canceladas.

Venina e Barusco assinaram juntos vários documentos.

E-MAIL A COSTA

Gerente executiva do Abastecimento-Corporativo entre 2005 a outubro de 2009, Venina Velosa da Fonseca enviou email ao então diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, seu superior hierárquico, no qual deixa claro a existência de conflitos entre eles. Na mensagem, enviada a Costa em janeiro de 2009, poucos 10 meses antes de deixar o posto, Venina relata viver momentos difíceis e situações de conflito de valores: “..Não vou entrar em detalhes porque sei que você sabe do que estou falando… No entanto, tem sido difícil entrarmos num acordo. Quando me deparei com a possibilidade de ter que fazer coisas que supostamente iriam contra as normas e procedimentos da empresa, contra o código de ética e contra o modelo de gestão que implantamos não consegui criatividade para isto. Foi a primeira vez que não consegui ser convencida a fazer, não consegui aceitar a forma. No meio do diálogo caloroso e tenso ouvi palavras como “covarde”, “pular fora do barco ” e “querer me pressionar”. Confesso que eu esperava mais apoio e um pouco mais de diálogo (…) durante o período que trabalhei no ABAST eu “cresci” e entendo perfeitamente o contexto político do nosso negócio. Naquele momento em que expus meu ponto de vista eu queria dizer que aquela forma poderia nos colocar numa situação de risco e numa exposição desnecessária.”

Graça Foster sabia das irregularidades na Petrobras

Alerta foi feito pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente da Petrobras e a outros superiores.

Para Graça Foster, Venina comunicou até as ameaças que sofrera após apresentar as denúncias.

Fonte: O Globo

Petrolão: Graça Foster sabia das irregularidades

Petrolão: Graça Foster recebeu e-mail de gerente com denúncias. Divulgação

Graça Foster sabia das irregularidades na Petrobras antes da Operação Lava-Jato, diz jornal

Alerta foi feito pela ex-funcionária da empresa Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente da estatal

Documentos obtidos pelo jornal “Valor Econômico” e publicados nesta sexta-feira comprovam que a atual diretoria da Petrobras sabia das irregularidades em contratos da estatal muito antes da Operação Lava-Jato, desencadeada pela Polícia Federal em 17 de março deste ano. O alerta foi feito pela ex-funcionária da empresa Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. Para Graça, Venina comunicou até as ameaças que sofrera após apresentar as denúncias.

De acordo com a reportagem, os desvios envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades daPetrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Além de Graça Foster, os desvios de dinheiro detectados pela ex-funcionária foram comunidados a José Carlos Cosenza, substituto do delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento. Cosenza é atualmente o responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal. Para Graça foram enviados e-mails e documentos informando as irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. Em 2014, afirma o jornal, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras, em 29 de outubro, Cosenza afirmou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal desde quando começou a trabalhar na Petrobras há 34 anos. No entanto, ele recebeu de Venina, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

Venina Velosa da Fonseca estava na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. A ex-funcionária começou a apresentar denúncias quando ainda era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 2009. À época, ela foi transferida para o escritório da Petrobras em Cingapura, na Ásia. Ela foi afastada em 19 de novembro e vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Operação Lava-Jato.

Segundo o “Valor Econômico”, as suspeitas de Venina começaram em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou os R$ 39 milhões previstos para 2008. A ex-funcionária procurou Paulo Roberto Costa. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria “derrubar todo mundo”. Costa disse também que a ex-funcionária deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina também encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões.

Irregularidades também em Cingapura

O caso, afirma o “Valor Econômico”, foi remetido para a auditoria interna. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia. Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu novamente para Graça Foster:

“Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência”.

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça.

“Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

De acordo com o “Valor Econômico”, em 2012, a ex-funcionária voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, como chefe do escritório. Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Petrobras afirmou que realizou instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para investigar “indícios de irregularidades” em contratos da área de comunicação do abastecimento. Segundo a petroleira, o processo resultou na demissão do ex-gerente da área, que acabou não sendo efetivado por causa de uma licença médica.

Petrolão: gerente que encaminhou denúncias foi ameaçada com arma na cabeça

A geóloga Venina Velosa da Fonseca encaminhou denúncias  a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento.

Venina foi gerente da estatal e chegou a ser transferida para a Ásia. Suspeitas da geóloga começaram ainda em 2008.


“Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive.”
Venina Velosa da Fonseca

Petrolão: gerente da Petrobras foi ameaçada com arma na cabeça

Venina em email para Graça: “Até arma na cabeça e ameaça às minhas filhas tive”. Foto: Valor Econômico

Fonte: Valor Econômico 

Diretoria da Petrobras foi alertada de desvios

Defendida pela presidente Dilma Rousseff, a atual diretoria da Petrobras recebeu diversos alertas de irregularidades em contratos da estatal muito antes do início da Operação Lava-Jato, em março deste ano, e não apenas deixou de agir para conter desvios que ultrapassaram bilhões de reais como destituiu os cargos daqueles que trabalharam para investigar as ilicitudes e chegou a mandar uma denunciante para fora do país.

As irregularidades foram comprovadas através de centenas de documentos internos da estatal obtidos pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. Elas envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma escalada de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

As constatações de problemas nessas áreas foram comunicadas para a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento e é responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal.

Para Graça foram enviados e-mails e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. A presidente foi informada a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa, e de aditivos na Abreu e Lima, envolvendo o “pool” de empreiteiras da Operação Lava-Jato. Em 2014, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência.

Cosenza, que em depoimento à CPI mista da Petrobras, em 29 de outubro passado, declarou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal em seus 34 anos na empresa, também recebeu, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

As advertências de que os cofres da Petrobras estavam sendo assaltados partiram de uma gerente que foi transferida para a Ásia. Venina Velosa da Fonseca está na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. Ela começou a apresentar denúncias quando era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 20009. Afastada da estatal, em 19 de novembro, Venina vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Lava-Jato.

As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços – chamados de ZPQES no jargão da estatal – atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria “derrubar todo mundo”. Em seguida, Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões. Dois fornecedores de serviços tinham o mesmo endereço. São as empresas R. A. Brandão Produções Artísticas e Guanumbi Promoções e Eventos. Ambas na rua Guanumbi, 628, em Jacarepaguá, no Rio. O caso foi remetido para a Auditoria. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia.

Petrolão: gerente da Petrobras foi ameaçada com arma na cabeça

Paralelamente aos problemas na área de comunicação com contratos milionários sem execução de serviços, Venina verificou uma escalada nos preços para as obras em Abreu e Lima que elevou os custos para US$ 18 bilhões e fomentou dezenas de aditivos para empreiteiras. Os contratos para as obras na refinaria continham cláusulas pelas quais aPetrobras assumia os riscos por eventuais problemas nas obras e arcava com custos extras. Para executá-las, eram feitos aditivos e as empreiteiras suspeitas de cartel no setor venceram boa parte das concorrências.

Apenas na fase 2 das obras da refinaria havia a previsão de contratações de US$ 4 bilhões junto a empreiteiras. Num ofício de 4 de maio de 2009, Venina criticou a forma de contratação que, em pelo menos quatro vezes naquela etapa, dispensou as licitações e, em várias ocasiões, beneficiou as empresas da Associação Brasileira de Engenharia Industrial(Abemi), entidade que tem firmas acusadas na Lava-Jato como associadas, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal. “Entendemos que não devemos mitigar o problema, mas resolvê-lo pela adoção de medidas corretas, ou seja, com o início das licitações em Abreu e Lima”, disse a gerente.

Documento interno da Petrobras de 2009 mostra que Venina fez 107 Solicitações de Modificação de Projetos (SMPs), o que resultaria numa economia de R$ 947,7 milhões nas obras da refinaria. Mas as sugestões da gerente não foram aceitas.

Outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula chamada “single point responsibility” nos contratos pela qual a construtora se tornaria responsável por eventuais problemas nas obras da refinaria, devendo arcar com os gastos. Mas a área de Serviços, comandada, na época, por Renato Duque, manteve os contratos no formato antigo, sem essa cláusula, transferindo os ônus para a estatal. Duque foi preso pela Polícia Federal na Lava-Jato e Pedro Barusco, seu ex-subordinado na estatal, que também é citado em vários documentos, fez um acordo de delação premiada para devolver US$ 97 milhões obtidos no esquema.

As obras de terraplanagem da refinaria levaram a gastos exponenciais. Elas foram contratadas, em junho de 2007, por R$ 429 milhões junto a um consórcio formado por Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Norberto Odebrecht. Em seguida, vários aditivos foram autorizados pela Diretoria de Engenharia daPetrobras e assinados por Cosenza, presidente do Conselho da Refinaria. Um e-mail obtido pelo Valor PRO mostra que ele foi alertado sobre o aumento nos custos das obras de terraplanagem em Abreu e Lima.

O desgaste de fazer as denúncias e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto, em outubro de 2009. No mês seguinte, a fase 3 de Abreu e Lima foi autorizada. Em fevereiro de 2010, a geóloga foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. Chegando lá, lhe pediram que não trabalhasse e foi orientada a fazer um curso de especialização.

Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu para Graça Foster, na época, diretora de Gás e Energia: “Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência”.

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça. “Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório.

Petrolão: gerente da Petrobras foi ameaçada com arma na cabeça Read more: http://www.jogodopoder.com/blog/politica/petrolao-gerente-da-petrobras-foi-ameacada-com-arma-na-cabeca/#ixzz3LiDgqaQ6

Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers. As unidades da estatal no exterior recebem óleo combustível feito no Brasil e fazem a mistura com outros componentes para atender à exigências de qualidade para vendê-los a outros países. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado. Além desse problema de medição das quantidades de combustível, Venina verificou outro fato ainda mais grave. Negociadores de bunkers estavam utilizando padrões anormais para a venda à estatal. Eles compravam bunkers a um preço e revendiam a valores muito maiores para a Petrobras. A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers com “fortes evidências” de desvios. Mesmo após a denúncia dessas práticas, esses negociadores não foram descredenciados. Pelo contrário, eles mantiveram privilégios junto à estatal, como garantia de vendas para a Petrobras mesmo quando estavam ausentes ou em férias.

Esses problemas da Petrobras no exterior foram comunicados em outro e-mail a Cosenza, em 10 de abril de 2014. Nele, está escrito que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustível. Esse percentual equivale a milhões de dólares, considerando que apenas o escritório de Cingapura pagou dividendos de US$ 200 milhões,em 2013. O lucro líquido da unidade atingiu US$ 122 milhões até outubro deste ano. Novamente, não houve resposta por parte do diretor sobre o que fazer com relação a perdas de milhões de dólares.

Na tentativa de obter uma orientação da direção da estatal, Venina fez, em 27 de maio, uma apresentação na sede da Petrobras, no Rio, sobre as perdas envolvendo a comercialização de combustível no exterior. Nela, foi alertado que a prática se disseminou pelas unidades da estatal, atingindo vários países. Em junho, Venina propôs a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios da empresa no exterior. Nada foi feito.

Uma última mensagem sobre o assunto foi enviada em 17 de novembro. Dois dias depois, a direção da Petrobras afastou Venina do cargo. Após fazer centenas de alertas e recomendações sobre desvios na empresa, ela foi destituída pela atual diretoria, sem saber qual a razão, ao lado de vários funcionários suspeitos na Operação Lava-Jato. A notícia lhe chegou pela imprensa, em 19 de novembro.

Um dia depois, a geóloga escreveu um e-mail para Graça Foster. “Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive.” A geóloga não detalhou no e-mail para Graça o que aconteceu, mas teve a arma apontada para si, no bairro do Catete. Não lhe levaram um tostão, mas houve a recomendação de que ficasse quieta.

“Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão”, continuou.

Em seguida, ela reitera que se opôs ao esquema de aditivos na Abreu e Lima. “Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida”, disse, referindo-se a Costa.

“Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (…). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir.” A geóloga termina a mensagem fornecendo seu telefone a Graça.

O Valor PRO perguntou à Petrobras quais providências foram tomadas com relação às denúncias, mas a estatal não respondeu até o fechamento dessa edição.

Petrobrás pode ter de pagar dívidas trabalhistas de fornecedores

Proposta é tentar garantir que trabalhadores de empresas envolvidas pelas investigações da Lava-Jato possam receber dívidas trabalhistas.

Fornecedoras da companhia fizeram demissões recentes por causa das dificuldades de caixa e da insegurança jurídica após a operação Lava Jato.

Fonte: O Estado de S.Paulo 

Empresa em Charqueadas (RS) ameaçou demitir mil. Foto: Estadão

Empresa em Charqueadas (RS) ameaçou demitir mil. Foto: Estadão

Governo quer que Petrobrás pague dívidas trabalhistas de fornecedores

Prestadores de serviços à estatal, que têm problemas de caixa ou estão enroladas na operação Lava Jato, demitiram milhares de trabalhadores e não pagaram benefícios legais; plano prevê que a Petrobrás assuma a conta e desconte pagamento dos fornecedores

O governo Dilma Rousseff costura um acordo com a Petrobrás e o Ministério Público Federal para fazer a estatal arcar com o dinheiro devido por fornecedoras da companhia que fizeram demissões recentes por causa das dificuldades de caixa e a insegurança jurídica após a operação Lava Jato.

A proposta em estudo é que a Petrobrás pague os direitos devidos pelas empresas fornecedoras aos trabalhadores como uma espécie de adiantamento e depois desconte esse montante dos valores que tenha de pagar às empresas. O universo de terceirizados da Petrobrás é de cerca de 300 mil trabalhadores, segundo os sindicatos.

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, convocou uma reunião para segunda-feira à tarde no Palácio do Planalto com a participação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, e os representantes das seis maiores centrais sindicais do País. O convite foi enviado ontem.

Segundo apurou o Estado, a presidente Dilma Rousseff deu sinal verde para a discussão sobre um acordo na segunda-feira, após encontro no Planalto com os sindicalistas.

Dilma e Mercadante foram cobrados pelo presidente da Força Sindical, Miguel Torres, sobre o caso dos mais de 10 mil demitidos em Pernambuco por empresas fornecedoras da Petrobrás e que estão sem receber as verbas previstas na legislação trabalhista. As empresas alegam que a estatal, que sofre dificuldades de caixa, atrasou pagamentos e, por isso, é a responsável.

Quando os demais líderes sindicais reforçaram o coro, citando casos semelhantes em outros Estados, como Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro, Mercadante afirmou que não cabia ao governo e à Petrobrás simplesmente decidir pagar – era preciso costurar um acordo envolvendo o Ministério Público Federal. Após o encontro, Dilma liberou a formulação de uma saída pelo governo.

Fogo cruzado. “A sugestão é que a Petrobrás pague, mas se ela fizer isso sem um acordo, estando sob fogo cruzado, pode caracterizar má gestão, pois ela estaria assumindo um risco que não é dela”, disse o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, também presente na reunião. “Então, é preciso buscar um acordo para o trabalhador não sair prejudicado.”

Hoje, em Salvador (BA), o sindicato que representa os 5,5 mil trabalhadores que constroem o estaleiro em Maragogipe, que servirá para formar navios-sonda para a Petrobrás, vai promover uma grande manifestação.

A empresa Enseada Indústria Naval, responsável pelo empreendimento, demitiu 600 funcionários. Outros 1,1 mil trabalhadores seriam desligados ontem. A empresa não tem quitado os direitos trabalhistas, segundo o sindicato, colocando a culpa na Petrobrás, que tem atrasado pagamentos.

Caso um acordo seja fechado pelo governo, operários de diversas obras serão beneficiados. Entre elas, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tocada por um conjunto de construtoras chamado de “clube VIP” por um dos delatores em depoimento à Justiça, em regime de delação premiada na operação Lava Jato. Manifestações sindicais têm sido realizadas em Pernambuco por causa da falta de pagamento.

Segundo o depoimento do executivo Augusto Mendonça, da empreiteira Toyo Setal, um grupo de 16 companhias formava um clube que fraudava as licitações para obter os contratos de obras da Petrobrás. Dentro deste clube havia um grupo ainda mais seleto – o tal “clube VIP” -, que detinha maior “poder de persuasão”.

Esse clube, que segundo Mendonça era formado por Odebrecht, Camargo Correa, UTC, Andrade Gutierrez e OAS, conseguiu os contratos da Abreu e Lima. Parte das demissões na refinaria referem-se ao andamento da obra, que está próxima de ser concluída. O problema, segundo os sindicatos, é que as empresas não pagaram a rescisão contratual e outros custos trabalhistas.

Balanço da Petrobras não trará valor de propina

Analistas estimam que companhia não conseguirá apresentar valor das baixas contábeis relativas ao pagamento de propina em diversos projetos.

Baixa contábil está no centro da discussão

Fonte: O Globo

Balanço da Petrobras não trará valor de propina

Às vésperas do balanço da Petrobras, analistas evitam projeções

Especialistas esperam mais dados sobre investigação, mas avaliam que balanço da estatal não trará valor de propina

Na véspera da divulgação do balanço não auditado do terceiro trimestre da Petrobras, a posição do mercado é de incerteza. A maior parte dos analistas estima que a companhia não conseguirá apresentar o valor das baixas contábeis relativas ao pagamento de propina em diversos projetos da companhia, como a construção da Refinaria Abreu e Lima(Rnest), em Pernambuco, e das obras de modernização da refinaria Revap, em São Paulo, e do Comperj, no Rio. Fontes da estatal, porém, afirmam que há chance de que os descontos já sejam anunciados amanhã.

Antes de a estatal anunciar que adiaria a publicação de seu balanço, em meados de novembro, analistas projetavam um lucro líquido de R$ 3 bilhões, abaixo dos R$ 5 bilhões do segundo trimestre do ano passado e menor que os R$ 3,4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Agora, poucos se arriscam a apresentar estimativas.

Para a analista da corretora GBM, Mariana Bertone, a baixa contábil da Petrobras poderia chegar a R$ 1,77 bilhão. Ela avalia, porém, que dificilmente a estatal apresentará os números de baixa contábil nesta sexta-feira

— Acredito que a empresa não apresentará (a baixa contábil) ainda no balanço não auditado, mas independentemente dos números, o mercado espera que a companhia apresente maiores detalhes do andamento das investigações e datas mais precisas sobre a divulgação dos números auditados — disse Mariana, que não divulgou estimativa de resultado.

No mês passado, Almir Barbassa, diretor Financeiro da Petrobras, informara que a estatal faz um levantamento das perdas com base nos depoimentos do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

— As perdas serão deduzidas do resultado da companhia. Serão abatidas no lucro. Mas devem ser contabilizadas apenas para o exercício de 2014. Como os escândalos foram descobertos apenas neste ano, há um entendimento do setor de que a companhia não precisa ajustar o balanço dos anos anteriores — disse Gilberto Braga, professor do Ibmec-RJ.

Lava-Jato: arquivos de ex-diretor indicam elo com Transpetro

Investigadores acreditam que os desvios avançaram sobre a Transpetro, controlada politicamente pelo PMDB desde 2003.

Suspeita de que esquema de corrupção tenha tentáculos em outra estatal

Fonte: O Estado de S.Paulo

Lava Jato apura elo de esquema na Transpetro

Força-tarefa analisa arquivos de ex-diretor com referências à subsidiária e a Sergio Machado

Anotações da agenda do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, arquivos dos computadores de sua empresa (Costa Global) e um depoimento prestado à Justiça Federal em agosto indicam que o esquema de corrupção e propina que atuou em contratos milionários da estatal – como as obras da refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – mirou também no setor de construção e locação de navios.

Com base na análise dos registros de contabilidade e de reuniões, temas e projetos feitos por Costa entre 2006 e 2012, os investigadores acreditam que os desvios na área naval não se limitaram à Diretoria de Abastecimento, sob o seu comando, mas avançaram sobre a Transpetro, controlada politicamente pelo PMDB desde 2003. Em depoimento no dia 8 de agosto, Costa disse que recebeu de Machado R$ 500 mil como parte de um pagamento de propina referente ao fretamento de navios entre 2009 e 2010, que envolvia a Diretoria de Abastecimento e a Transpetro.

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Na agenda e arquivos do ex-diretor – que já firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal – há referências à “construção de navios”, “estaleiros”, “contrato de transporte Transpetro”, nomes de grandes empresas do setor naval e “Sergio Machado”. As anotações foram feitas após Costa deixar a Petrobrás, em 2012. Há também planilhas de recebimento de comissão – de mais de R$ 5 milhões – pelo aluguel de grandes navios, entre 2006 e 2010, quando ele ainda era diretor da estatal.
Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

O material, apreendido em março e analisado até agosto, foi compartilhado pela força-tarefa da Operação Lava Jato com o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, na semana passada, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os autos da Lava Jato. Os promotores pediram os documentos para anexar à investigação aberta em 2010 que apura suspeita de enriquecimento ilícito de Machado.

Subsidiárias. As próximas fases da Lava Jato passarão a investigar outras obras da Petrobrás e contratos firmados por suas subsidiárias, como a Transpetro e a BR Distribuidora, e o Petros, o fundo de pensão dos trabalhadores. A força-tarefa da Lava Jato tem concentrado suas investigações na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A partir de 2015, outras obras da estatal, as demais diretorias (Serviços e Internacional) da Petrobrás e subsidiárias terão as investigações aprofundadas individualmente.

Responsável pelo transporte de combustível produzido pela Petrobrás, a Transpetro só ganhou força a partir de 2004, quando o governo federal lançou o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), com investimento de R$ 11 bilhões para construção de 49 navios e 20 comboios hidroviários. Desses, sete entraram em operação.

Conforme as investigações da Lava Jato, um dos genros de Costa, Humberto Sampaio Mesquita, foi o operador do esquema envolvendo navios na Petrobrás em nome do PP. Beto, como é conhecido, controlava pelo menos três contas no exterior e fazia a movimentação da propina na área naval para o sogro. Foi o que apontou o réu confesso do esquema, o doleiro Alberto Youssef, no depoimento que os réus prestaram no dia 8 de agosto à Justiça Federal, em Curitiba. “Tinha quem operava a área de navios, que era o seu (de Costa) genro.”

A suspeita é que o esquema tenha funcionado tanto na Diretoria de Abastecimento da petrolífera como na Transpetro. Ao afirmar que recebeu propina das mãos de Machado, Costa foi questionado pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, se o esquema que abasteceu partidos e políticos descoberto nas obras da Refinaria Abreu e Lima “acontecia também em relação a empresas ligadas a Petrobrás, subsidiárias”. “A Transpetro tem alguns, alguns casos de repasse para políticos, sim”, afirmou o ex-diretor.

Planilhas. Outra prova para os investigadores da Lava Jato da atuação de Costa nessa área de navios são nove planilhas encontradas em um computador da Costa Global. São contratos de corretagem de afretamento de navios com o armador dinamarquês Maersk – um dos maiores construtoras de navios do mundo – com as comissões de 1,25% em cima de contratos em média de R$ 30 milhões pelo aluguel de grandes navios entre 2006 e 2010.

“Contratos de afretamento de navios contemplam este desconto de 1,25% do valor global de afretamento, porém este abatimento na fatura não estaria sendo repassado à Petrobrás. Ao invés disso, esse valor estaria sendo apropriado indevidamente por gestores da própria Petrobrás”, registra a Polícia Federal. Há ainda um contrato de confidencialidade entre uma empresa criada pela Maersk e uma aberta no Brasil para receber o dinheiro, de um amigo da Costa.

EX-DIRETOR NÃO FOI INTERMEDIÁRIO, AFIRMA TRANSPETRO

A Transpetro e seu presidente licenciado, Sergio Machado, negaram ilegalidades nos contratos da subsidiária e qualquer interferência do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. ”O ex-diretor não interferiu nos contratos da empresa nem foi ‘intermediário’”, informou a subsidiária da Petrobrás, por meio de sua assessoria de imprensa.

Machado voltou a afirmar que é “absolutamente falsa a menção feita contra ele por Paulo Roberto Costa”, mas admitiu que o ex-diretor propôs contratos para a subsidiária após deixar a Petrobrás. Via assessoria, o presidente licenciado da Transpetro classificou os documentos e anotações que estão sendo analisados pela força-tarefa da Lava Jato como “um conjunto de intenções do ex-diretor”. “Elas retratam tão somente planos traçados por ele e não comprometem necessariamente com seus objetivos as pessoas ali mencionadas.”

Segundo Machado, que admite ter sido procurado quatro vezes por Costa após sua saída da Petrobrás, informou que “num momento em que não pesava contra ele nenhuma suspeita, chegou a apresentar sugestões que foram submetidas a análise da equipe técnica da Transpetro”.

“A conclusão foi de que nenhuma dessas proposições atendia aos interesses da empresa – e, portanto, nenhuma foi efetivada.”
Já a Transpetro disse que “os contratos da empresa são fruto de processos licitatórios dos quais participaram diversas empresas, tendo sido vencedoras sempre aquelas que ofereceram os menores preços”. A estatal de logística e transportes da Petrobrás destacou que foi submetida a fiscalização “regular pelos órgãos oficiais de controle”, sem que houvesse apontamento de sobrepreço.

A Transpetro informou “desconhecer” por que há menção ao Promef, principal programa de investimentos da subsidiária, nas anotações de Costa. Machado informou, por meio de assessoria de imprensa, que Costa “nunca tratou” com ele de contratos firmados pela Transpetro “nem de investimentos do chamado Promef”.

Machado lembrou que desde o primeiro ano, o programa foi auditado pelo Tribunal de Contas da União e o órgão não constatou indícios de irregularidades ou superfaturamento quando questionado pelo Senado a respeito da construção de um dos sete navios financiados pelo Promef.

Veja as demais citações à Transpetro, aos navios e a Sérgio Machado.

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro  Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE SÉRGIO MACHADO

“Todas as anotações em questão são conhecidas desde abril e já foram objeto de reportagens dos principais veículos de imprensa, em especial o próprio Estadão. Nenhuma delas é inédita – nem traz nenhuma informação que já não tenha sido plenamente esclarecida pela Transpetro.

Tais anotações, segundo o amplo noticiário a seu respeito, foram tomadas, em sua totalidade, nos anos de 2012 e 2013. Nesses anos, a Transpetro não negociou nenhum contrato de afretamento de navios.

Paulo Roberto Costa nunca tratou com Sergio Machado de contratos firmados pela Transpetro nem de investimentos do chamado Promef. O governo federal tinha como meta reativar a indústria naval para construir navios no Brasil. A Transpetro então concebeu, implantou e administrou exclusivamente todo o programa, sem a interferência de nenhuma diretoria da Petrobras.

Ressalte-se que desde o primeiro ano, o programa é auditado anualmente pelo Tribunal de Contas da União. Além disso, o pleno do TCU, em resposta a questionamento específico feito pelo Senado Federal em 18 de março último, afirmou:

“Não se faz necessária a realização de auditorias para fins propostos no referido requerimento uma vez que não foram encontrados indícios de (i) superfaturamento, (ii) irregularidade na aplicação dos valores gastos, (iii) graves problemas técnicos em relação a construção do navio petroleiro João Cândido, da classe suezmax, em fiscalizações anteriores realizadas por essa corte (nos anos de 2005, 2006, 2008, 2010, 2011 e 2013).”

Sergio Machado desconhece o significado das menções ao Promef inscritas nas agendas do ex-diretor da Petrobras e ressalta que o Promef 3, a que se refere uma das anotações, ainda não foi nem sequer concebido. Todas as decisões referentes a estaleiros contratados pelo Promef sempre foram tomadas diretamente pela Transpetro, sem participação da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

A página da agenda que menciona os estaleiros EAS e Sino Pacific se refere, como já esclarecido pelos participantes das negociações, aos esforços capitaneados pelo grupo Brasilinvest para a implantação no Brasil de um estaleiro de reparo do qual a Transpetro seria cliente potencial. Essas negociações não foram adiante, o negócio acabou sendo abandonado e os possíveis parceiros desse empreendimento nunca foram sequer mencionados.

Uma análise séria e isenta de todas as anotações feitas nas agendas de Paulo Roberto Costa sugere que parte delas representa um conjunto de intenções do ex-diretor. Elas retratam tão somente planos traçados por ele e não comprometem necessariamente com seus objetivos as pessoas ali mencionadas.

O ex-diretor prestava consultoria para instituições e empresas de diversos setores da indústria do petróleo. Num momento em que não pesava contra ele nenhuma suspeita, chegou a apresentar sugestões que foram submetidas a análise da equipe técnica da Transpetro. A conclusão foi de que nenhuma dessas proposições atendia aos interesses da empresa – e, portanto, nenhuma foi efetivada.

O ex-diretor também nunca teve ingerência sobre funcionários a serem nomeados pela Transpetro. Apenas encaminhou uma solicitação para transferir um funcionário da Reduc para o cargo de operador no terminal da Ilha D’Água. O pedido não foi atendido por não haver interesse da companhia na respectiva transferência.

A quase totalidade dos navios da Petrobras é contratada através da Diretoria de Abastecimento, que os administra sem qualquer participação da Transpetro – que administra sua frota própria. A subsidiária não teve contratos diretos com a Maersk no período.

Os poucos navios contratados pela Transpetro se destinam a recolher óleo bruto das plataformas e sua necessidade é definida por um comitê de logística coordenado pela Diretoria de Exploração e Produção.

Todos os contratos da Transpetro são fiscalizados regularmente pelos órgãos oficiais de controle, a CGU e o TCU, que, como já mencionado, nunca encontraram nenhum indício de sobrepreço ou favorecimento.

Por fim, Sergio Machado reafirma com veemência ser falsa, absolutamente falsa, a menção feita contra ele por Paulo Roberto Costa.”

Gestão deficiente da Petrobras: atrasos nos pagamentos e serviços paralisados

Situação é ainda mais complicada do que parece

Petrobras: Gestão Deficiente – empresa cometeu erros graves de gestão

Fonte: O Globo

Gestão da Petrobras já começa a sofrer sérios danos

Charge: Cabral/PSDB

Artigo de *Carlos Alberto Sardenberg

Ninguém viu?

Como não desconfiaram dos seguidos aditivos, que adicionavam novos custos às obras e novos prazos?

Como é que a Petrobras pode ter cometido tantos erros? Pois, antes de mais nada, é um erro empresarial brutal começar a construir uma refinaria, esta mesmo, a de Pernambuco, calculando que vai custar US$ 4 bilhões, depois gastar US$ 18 bilhões, e a obra ainda não está pronta. Mesmo que tudo tivesse sido feito com a maior honestidade, é evidente que as diretorias da empresa e seu Conselho de Administração fizeram uma péssima gestão. Como é que não perceberam que o negócio estava errado?

Essa mesma pergunta pode ser dirigida a todos os dirigentes honestos que não perceberam o tamanho do desastre e a corrupção que se praticava na empresa. Ou perceberam e não puderam contar aos demais órgãos de controle?

Como ninguém desconfiou dos seguidos aditivos, que adicionavam novos custos às obras e novos prazos? Reparem, não um, mas todos os investimentos relevantes ficavam cada vez mais caros e demoravam mais tempo.

Lembram-se do que disse o ex-diretor Paulo Roberto Costa quando perguntado, no Congresso, sobre o aumento dos custos da Refinaria Abreu e Lima? Que o projeto inicial estava errado, fora feito em cima das pernas. Na ocasião, não falou das propinas que entregaria na delação premiada. Mas ele tinha razão em apontar o improviso como uma das causas do problema.

E isso remete a responsabilidade administrativa e política ao ex-presidente Lula. Foi ele mesmo que disse, em entrevista publicada pelo jornal “Valor”, em 17 de setembro de 2009, quando o país saía da crise. O então presidente reclamava que empresários brasileiros eram conservadores no investimento, que era preciso partir para o ataque.

Exemplificou contando que até a diretoria da Petrobras lhe apresentara um plano de investimento que ele considerou pífio. O que fez? “Convoquei o Conselho da Petrobras para dizer: ‘Olha, este é um momento em que não se pode recuar’. Até no futebol a gente aprende que, quando se está ganhando de 1 x 0 e recua, a gente se ferra.”

A Petrobras partiu para o ataque, programou não uma, mas logo quatro refinarias e ampliou o projeto do complexo Comperj, no Rio. As sucessivas diretorias, já entrando pelo governo Dilma, foram levando a coisa (sem notar nada?), até que a situação tornou-se absurda. Diziam: qual o problema com a refinaria de Pasadena? Apenas um mau negócio. Abreu e Lima vai custar cinco vezes mais? Acontece nas grandes obras.

Mesmo que não tivesse sido roubado um centavo, todas as diretorias e o Conselho de Administração incorreram em grave erro de gestão, causando enorme prejuízo para o patrimônio público, para os acionistas privados e para os trabalhadores.

Poderiam ao menos dizer: “Desculpa aí, pessoal, foi mal.”

A situação é ainda mais complicada do que parece. Sendo óbvio que está muita coisa errada, diretores e gerentes da estatal da turma do bem têm o compreensível temor de assinar qualquer papel, muito menos um contrato que gaste dinheiro. Fornecedores da companhia e de empresas que trabalham para a Petrobras reclamam de atrasos nos pagamentos e informam que serviços estão sendo paralisados.

Sim, há uma parte da Petrobras que continua tirando petróleo e gás. Mas o ambiente geral na companhia vai prejudicar toda a atividade.

DÉFICIT = SUPERÁVIT

O nome do futuro ministro da Fazenda está na cara: o senador Romero Jucá. Com apenas uma palavrinha, ele resolveu o problema das contas públicas. Em vez de escrever na lei o valor em reais do superávit primário, o senador sugeriu que se trocasse “meta de superávit” por “meta de resultado”.

Mas qual resultado? — é a pergunta que uma pessoa menos iluminada faria.

Bobagem. O senador, relator do projeto de lei que muda a regra, explica que não se deve fixar o resultado esperado. Porque, se se fixa um superávit e no final dá um déficit, o pessoal, maldosamente, vai dizer que o governo “não cumpriu”, conclui o senador.

Lógico, não é mesmo? Se não se espera qualquer resultado, superávit ou déficit, qualquer um serve. O senador disse que teve essa ideia porque é economista.

Ah! Bom!

E quer saber? Talvez seja até menos absurda que a proposta enviada pela presidente Dilma ao Congresso. Diz que a meta de superávit continua sendo de R$ 100 bilhões, em números redondos. Mas o governo pode abater dessa meta tudo que gastou com investimentos e desoneração de impostos. Dá uns R$ 150 bilhões. Ou seja, mesmo que faça um déficit de R$ 50 bilhões, o governo cumpre o… superávit.

Quem será o economista dessa coisa?

Petrobras: gerentes suspeitos em esquema de corrupção são afastados

Petrobras iniciou processo de afastamento de executivos suspeitos de terem participado do esquema de corrupção e superfaturamento em obras.

Pelo menos cinco executivos já foram afastados

Fonte: O Globo

Petrobras: cinco gerentes suspeitos são afastados

Petrobras: segundo uma fonte, lista dos suspeitos de envolvimento em esquema de corrupção e superfaturamento é grande e inclui nomes de funcionários e ex-funcionários da companhia. Foto: Marcos de Paula /Agência Estado

Petrobras afasta executivos que podem estar envolvidos em esquema de corrupção, diz fonte

Entre os nomes, estão Glauco Colepicolo Legatti, gerente-geral da Rnest, e Francisco Paes, do Cenpes

A Petrobras iniciou ontem o processo de afastamento de executivos nos cargos de alto escalão da empresa, suspeitos de terem participado de alguma forma do gigantesco esquema de corrupção e superfaturamento em obras que teria sido comandado pelos ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Renato Duque (Engenharia e Serviços), presos pela Polícia Federal (PF). Até ontem, a estatal havia afastado dos cargos gerenciais pelo menos cinco executivos, todos ligados às áreas de Abastecimento e Engenharia.

A decisão foi tomada com base nos resultados das comissões internas que investigaram as obras das refinarias do Comperj, no Rio, e Abreu e Lima, em Pernambuco, além da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Esses relatórios foram apresentados ao Conselho de Administração da Petrobras em reunião na última sexta-feira, conforme O GLOBO informou em sua edição do dia 15.

As listas dos suspeitos de envolvimento, segundo uma fonte, é grande e cita nomes de funcionários e ex-funcionários da companhia.

Segundo fontes próximas, o gerente-geral de Abreu e Lima (também conhecida como Rnest), Glauco Colepicolo Legatti, foi um dos executivos afastados do cargo, ligado à Diretoria de Engenharia e Serviços. Outro destituído de suas funções desde a última sexta-feira foi Francisco Paes, que era gerente-geral de Gestão Tecnológica do Cenpes, o centro de pesquisa da Petrobras.

Antes, Paes havia sido gerente executivo corporativo da Diretoria de Abastecimento, nomeado por Paulo Roberto Costa. Dentro da companhia, Paes era considerado “braço-direito” de Costa. Entre os gerentes que perderam os cargos estariam também Eider de Moura Carvalho e Jansen Pereira, que foi gerente-executivo do Comperj.

POR ENQUANTO, SEM DEMISSÕES

A Petrobras confirmou que está “promovendo mudanças em seu quadro gerencial”, em função dos resultados apresentados pelas comissões internas de apuração, que, segundo admitiu a companhia , apontaram “o não cumprimento de procedimentos normativos internos”. A estatal não confirmou, contudo, quantos gerentes executivos foram afastados de seus cargos nem seus nomes.

A empresa destacou que não houve demissões, uma vez que ainda não há evidências de dolo, má-fé ou recebimento de benefícios por parte desses empregados relacionados nos relatórios das comissões internas de apuração. Na tentativa de minimizar as destituições dos cargos de alguns executivos, a estatal frisou que as funções gerenciais não são permanentes e, por isso, são passíveis de mudanças a qualquer momento por parte da companhia.

Nas áreas administrativas da Petrobras, os funcionários estão vivendo um verdadeiro clima de “pânico e de caça às bruxas”, conforme definiu um executivo da estatal. Segundo uma fonte, todos já esperavam que um dia o escândalo de corrupção chefiado por ex-diretores chegaria aos escalões inferiores. Isso porque, segundo essa fonte, muitos funcionários subordinados a Costa e a Duque ainda estavam em suas funções gerenciais.

— A desconfiança entre os funcionários é tão grande que se brinca dentro da companhia que é preciso ver “quem está de “sovaco molhado”, mesmo com o ar-condicionado, para saber quem está preocupado com as investigações — contou um funcionário.

A direção da Petrobras ainda está avaliando e analisando os resultados dos relatórios das comissões internas, entregues ao Conselho de Administração, para apurar as participação e a responsabilidade desses executivos no esquema de corrupção.

Caso seja comprovada a participação em práticas ilegais na gestão, esses funcionários poderão ser exonerados . São muitas as irregularidades encontradas pelas comissões, tais como a contratação de equipamentos e serviços para projetos que ainda não tinha sua viabilidade econômica aprovada.

Os relatórios das comissões internas de apuração da Petrobras foram encaminhadas ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria Geral da União (CGU), segundo fontes.

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