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PT perde única capital no Nordeste, prefeito de João Pessoa vai deixar partido

Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, anunciou que vai se filiar ao PSD para tentar a reeleição no ano que vem.

Ele atribuiu a decisão de deixar o PT às denúncias de corrupção envolvendo o partido.

Fonte: Folha de S.Paulo

PT perde o único prefeito de uma capital no Nordeste

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, deixará o PT. Divulgação

Prefeito de João Pessoa vai deixar PT, e sigla perde única capital no NE

Luciano Cartaxo atribuiu decisão a denúncias de corrupção

GUSTAVO URIBEDE BRASÍLIA

Em meio a uma das mais graves crises de imagem de sua história, o PT perdeu o único prefeito do partido que comandava uma capital no Nordeste, principal base de apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff.

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, anunciou nesta quinta (17) que vai se filiar ao PSD para tentar a reeleição no ano que vem. Ele atribuiu a decisão de deixar o PT às denúncias de corrupção envolvendo o partido.

Nesta semana, o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro João Vaccari Neto se tornaram réus sob acusação de envolvimento em irregularidades na Petrobras.

“Não queremos e não vamos perder mais nenhum minuto sequer com explicações sobre erros que outras lideranças tenham, eventualmente, cometido”, disse. “O partido não pode ser um empecilho, um dificultador, para o projeto que está desenvolvendo com tanto êxito na nossa cidade”, disse Cartaxo.

A direção nacional do PT teme que a crise que enfrenta ameace o desempenho do partido em cidades nordestinas no ano que vem, com reflexos entre o eleitorado fiel à sigla. No ano passado, Dilma chegou a quase 72% dos votos válidos.

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Aezão: PMDB-RJ reúne 1.600 líderes em apoio à candidatura de Aécio

PMDB rompe em definitivo com PT no Rio e lança chapa Aezão. Aécio prometeu criar Unidades de Policias Pacificadoras (UPPs) nas regiões.

Além de parte do PMDB, o “Aezão” teve apoio oficial de PSDB, PSD, PP, PSL, PEN, PMN, PTC e Solidariedade.

Fonte: O Globo

Ato promovido pelo presidente do PMDB no Rio em apoio a Aécio e Pezão reúne 1.600 líderes

Em evento na capital fluminense, tucano promete implementar UPPs em todas as regiões metropolitanas do país caso eleito

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, senador Aécio Neves, participou nessa quinta-feira, no Rio, do lançamento do “Aezão”, movimento criado pelo presidente regional do PMDBJorge Picciani em apoio às pré-campanhas do tucano e do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) à reeleiçãoAécio considerou o encontro, numa churrascaria na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, como o mais importante evento político em defesa de seu nome promovido nos estados. A reunião foi uma demostração de força de Picciani, que reuniu 1.600 lideranças, entre elas representantes de 17 partidos.

Em um discurso de 15 minutos, Aécio não citou Pezão, justificando, em entrevista, que o PSDB não tem candidatura própria no Rio e ainda negocia com o DEM e o PPS possível apoio ao ex-prefeito Cesar Maia (DEM), outro pré-candidato ao governo. Após o evento, Picciani disse que em 48 horas o impasse será resolvido, e que o PSDB e o PPS devem migrar para a aliança do governador.

Em sua fala, o tucano atacou o governo da presidente Dilma Rousseff nas áreas de Segurança PúblicaSaúde e Educação e lembrou escândalos na Petrobras. Aécio prometeu criar Unidades de Policias Pacificadoras (UPPs) nas regiões metropolitanas do país.

— Na segurança pública, a omissão do governo federal é quase criminosa. O modelo de UPP será levado para todas as regiões metropolitanas — disse Aécio, que no final do discurso declarou: — Me dêem a vitória no Rio de Janeiro que eu dou a vocês a Presidência da República.

Além de parte do PMDB, o “Aezão” teve apoio oficial de PSDB, PSD, PP, PSL, PEN, PMN, PTC e Solidariedade. No entanto, havia representantes de partidos como o PR, do deputado federal Anthony Garotinho; o PRB, do senador Marcelo Crivella, ambos pré-candidatos ao Guanabara; e oPCdoB, que integra a aliança do senador Lindbergh Farias (PT), que disputará o governo. Ainda participaram da reunião lideranças regionais do PROS, PPS, PTB, DEM e PDT que integram o grupo político de Picciani.

GOVERNADOR CULPA PT POR DISSIDENTES

Pezão não compareceu ao encontro. Durante o almoço, o peemedebista cumpria agenda também na Barra da Tijuca: o lançamento de obras de recuperação ambiental das lagoas da região. Embora tenha reafirmado apoio à reeleição de Dilma, ele justificou o crescimento da dissidência noPMDB como reação à decisão do PT de não impedir a candidatura de Lindbergh:

— Domingo, tive a oportunidade de conversar sobre isso com a presidenta Dilma, eu, o prefeito (do Rio) Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral. Nós estamos com a presidenta. Mas desde o momento em que o PT saiu da aliança e que alguns membros petistas vão para o interior do estado e fazem críticas contra nós, cria um ambiente ruim. Não é por culpa nossa. As pessoas que estão saindo tiveram algum problema no relacionamento com o PT também — disse, ressaltando que parte do “Aezão” constitui uma “base forte” para sua campanha: — Temos outros partidos, como o Solidariedade, que está com o Aécio. Tem aqui o PSD do Rio que está com ele. Tem outro candidato (à Presidência), o pastor Everaldo, que está dentro da nossa coligação com PSC. Esse movimento vai existir. (…)(Aécio) É um grande candidato e vai dar trabalho, mas estou com a presidenta Dilma.

O presidente regional do PTWashington Quaquá, reagiu ao “Aezão” e fez críticas às visitas de Dilma ao Rio, quando se reúne com Pezão e Cabral:

— O PMDB deixou os generais com a Dilma e a tropa com o Aécio. Mas não se vence guerra com generais. Quem dá tiro é a tropa. É claro que Pezão e Cabral aprovam essa estratégia. A presidente Dilma precisa entender que está em curso uma traição no Rio. Ela não pode mais vir ao Rio e ficar só com Pezão e Cabral.

Quaquá disse não fazer a crítica para defender Lindbergh, mas por temer o efeito dessa estratégia para a própria candidatura de Dilma.

— A nossa preocupação não é a ausência dela no palanque do Lindbergh, porque ele é candidato o suficiente para vencer a eleição sem precisar se escorar em ninguém. O problema é a candidatura dela. Ela precisa tomar providências em relação a isso. O Cabral e o Pezão só não estão oficialmente com o Aécio por covardia. Pegaria muito mal eles fazerem isso. Como iriam explicar abandonar a presidente e o Lula agora? Ela tem que sair do círculo oficial ao vir ao estado — defendeu (colaborou Guilherme Amado)

Aécio 2014: senador já fala como pré-candidato

Sotaque de candidato

Fonte: Autor(es): Tereza Cruvinel Correio Braziliense

“Eu farei o meu papel. A eternização do PT no poder não fará bem à democracia.” Qual o papel? O de candidato a presidente da República? O senador Aécio Neves tangencia a pergunta e a palavra candidato: “O papel que o partido me delegar. Mas, a partir de agora, estarei trabalhando pela renovação do PSDB, pela mudança de sua fisionomia, a atualização de seu discurso, o resgate de seu papel na democratização e na modernização do Brasil”, diz o senador, agora falando (quase) como presidenciável.

Entre abril e maio, diz Aécio, o PSDB fará um grande evento nacional, por ocasião de sua convenção, que elegerá a nova direção. “Vamos apresentar um projeto alternativo para o Brasil, revelando caras novas para sua implantação e apontando as deficiências do atual governo. Há espaço para o PSDB e vamos entrar em campo com muita disposição para conquistá-lo.” O discurso pró-renovação não parece comportar a proposta da eleição de José Serra para a presidência do partido. Mas ele mesmo evita o assunto, dizendo ter lamentado muito a derrota tucana em São Paulo, porque ele proporcionou ao PT uma parte do fôlego perdido com o mensalão.

Os efeitos das eleições municipais, diz Aécio, são importantes durante um período, mas logo se dissipam, porque outros fatores passam a pesar no tabuleiro nacional. “Para nós, duas coisas foram importantes. Primeiro, o PDSB foi confirmado como contrapolo de poder no Brasil. Depois, conquistamos posições importantes no Norte e no Nordeste, de onde havíamos praticamente desaparecido. Mais que nossas vitórias ali, as derrotas do PT têm um significado importante. Elas indicam que o messianismo de Lula está se volatizando e que os benefícios dados à região, como o Bolsa Família, já estão eleitoralmente precificados.” Vale dizer, o retorno em forma de votos já foi colhido em eleições passadas.

Some-se a esses resultados, prossegue ele, o fato de que o PSDB, já dispondo de uma base estável, ainda que não majoritária, na Região Sul, continua sendo a maior força partidária no Sudeste. “Isso não pode ser subestimado numa disputa presidencial. O PT conquistou a prefeitura da capital paulista, mas o PSDB continua tendo os governos de Minas e de São Paulo. Nossa vitória em todo o estado de Minas foi muito expressiva. O Rio ainda é algo indefinido, com a prefeitura e o governo estadual nas mãos do PMDB. Vamos investir muito em nossa relação com o Rio, junto à população e aos setores que formam opinião, na cultura, nas artes e no mundo acadêmico”, diz Aécio.

Dilma será um páreo duro? “Ela tem quase 80% de popularidade, mas perdeu em quatro das cinco capitais nas quais esteve fazendo campanha. Ela foi a São Paulo, Salvador, Manaus, Belo Horizonte e Campinas. Perdeu em todas, exceto em São Paulo, onde o cabo eleitoral decisivo não foi ela.”

Nem é preciso perguntar sobre alianças, especialmente com o PSB de Eduardo Campos, hipótese que tem rendido tanta especulação. “Estamos numa situação confortável porque somos oposição. Nessa condição, não enfrentamos dilemas, como o de ficar ou sair do governo, buscar uma vice ou lançar candidato próprio. O PSB hoje é um partido da base governista. Devemos respeitar isso. Quem tem que se preocupar com a hipótese de o partido lançar candidato próprio é a presidente, é o governo. Agora, se em algum momento eles (o PSB) quiserem se juntar a nós para oferecermos um projeto alternativo ao Brasil, serão bem vindos. De alianças, vamos tratar no momento certo”, diz ainda Aécio. Ou seja, quando o candidato, que só pode ser ele, vier a ser lançado.

Aécio teve na segunda-feira uma conversa de cinco horas com o ex-presidente Fernando Henrique, que, segundo o senador, tem sido um forte inspirador da renovação partidária e deve ter papel mais ativo no processo, como presidente de honra do PSDB. Não disse, mas está implícito: FH será uma espécie de patrono de sua candidatura na arena paulista. Esse é o tom quase presidenciável adotado por Aécio depois das eleições.

Julgamento
Do ex-deputado José Genoino, aguardando a fixação de sua pena pelo STF: “Na democracia, condenações do STF devem ser cumpridas. Nunca dissemos o contrário. Mas isso não suprime o direito de questioná-la, de lutar até o fim pela demonstração de inocência. Para isso, existem os recursos e outros instrumentos jurídicos”. O PT reunirá a Executiva hoje, mas não abordará o assunto. Ficará nos louros da eleição municipal.

No comando
Não se sabe o que pensa Dilma, mas, no PSD e alhures, todo mundo acha que o ministro do partido será o próprio prefeito Gilberto Kassab. Há quem pense na senadora Kátia Abreu para a pasta da Agricultura, mas ela tem dito a amigos que prefere ser presidente. Se Kassab virar ministro, como vice-presidente ela assumirá o comando do partido.

Nordeste Notícias: integrantes do PSB e do DEM foram os que obtiveram maior índice de sucesso ao disputar segundo mandato

Taxa de reeleição de prefeitos é de 55%, a mais baixa desde 2000

Fonte: O Estado de S. Paulo

Integrantes do PSB e do DEM foram os que obtiveram maior índice de sucesso ao disputar segundo mandato, com 71% e 70% de vitórias, respectivamente
A taxa de reeleição dos prefeitos caiu para o nível mais baixo desde 2000, ano em que a possibilidade de disputar um segundo mandato valeu pela primeira vez nos municípios brasileiros. Em 2012, 55% dos prefeitos que tentaram se reeleger conseguiram se manter no cargo, abaixo da taxa de 2008, de 65%. Em 2004 e 2000, as taxas foram de 58%. Neste ano, houve 1.510 reeleitos e 14 prefeitos classificados para o 2º turno.

O porcentual de renovação no comando das cidades também foi mais alto que nas últimas eleições municipais. Em 73% dos municípios, os eleitos não ocupam o cargo atualmente. Em 2008, a renovação foi de 60%. O levantamento foi feito pelo Estadão Dados, com base em no resultado do primeiro turno e informações da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) sobre os candidatos à reeleição.

O PSB, partido que registrou o maior crescimento tanto em número de prefeitos como em eleitorado a governar a partir de 2013, teve o melhor resultado na corrida pela reeleição. Entraram na disputa 163 prefeitos da sigla e reelegeram-se 71%. Quatro entre dez prefeitos reeleitos do PSB estão no Nordeste.

Taxa de sucesso. Metade dos atuais prefeitos concorreram à reeleição em 2012, de acordo com a CNM. O PMDB foi o partido que mais lançou candidatos a um segundo mandato consecutivo (527) e também o que mais reelegeu prefeitos em número absoluto (296). Mas os peemedebistas ficaram próximos à taxa nacional de reeleição, com 56%.

O DEM registrou a segunda melhor taxa de reeleição, atrás apenas do PSB. Sete entre dez prefeitos candidatos da sigla se reelegeram. Mas o bom desempenho dos DEM fica apagado pela redução no número de candidatos à reeleição, já que pelo menos 100 prefeitos dos 500 eleitos pela sigla em 2008 debandaram para outros partidos até agora.

A maioria migrou para o novato PSD, criado em 2011 pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Por isso, o PSD também teve candidatos à reeleição nesta que é sua primeira eleição. O partido não tem dados checados sobre o número de prefeitos que tem atualmente, e por isso não foi possível checar a sua taxa de reeleição em 2012.

Ciclos. Devido à introdução recente da possibilidade de concorrer a um segundo mandato, os pleitos municipais têm intercalado ciclos altos e baixos de reeleição. Isso ocorre porque, nas eleições de 2000, todos os prefeitos poderiam se candidatar novamente, marcando um ciclo alto. Assim, na eleição seguinte, o porcentual dos que podiam concorrer foi menor.

As eleições de 2012 são de um ciclo baixo, após o ciclo alto de 2008. Seis entre dez prefeitos poderiam se candidatar à reeleição e metade concorreu de fato. O resultado final, de 27% de reeleitos em relação ao total de prefeitos, é maior que o do último ciclo baixo, que ficou em 23%. Nos ciclos altos de 2000 e 2008, a taxa foi de 36% e 40%, respectivamente. / AMANDA ROSSI, JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, DANIEL BRAMATTI e DIEGO RABATONE

Aécio e Campos podem romper hegemonia paulista

Aécio Neves e Eduardo Campos. Surgimento do novo poder está nas mãos de duas novas lideranças. Minas e Nordeste na busca de um novo Brasil.

Aécio Neves e Eduardo Campos: Eleições 2014

 Aécio e Campos podem romper hegemonia paulista

Aécio Neves e Eduardo Campos. Surgimento do novo poder está nas mãos de duas novas lideranças. Minas e Nordeste na busca de um novo Brasil.

Fonte: Artigo de Tilden José Santiago* – O Tempo

Minas e Nordeste versus São Paulo

Alguns fatos demonstram que a liderança do governador Eduardo Campos ganha expressão e autonomia, apesar da ligação umbilical com Lula, na medida em que surgem contradições entre PT e PSB, com o crescimento, surpreendente para os petistas, do último.

Sinal claro disso é o lançamento de candidaturas próprias por ambos os partidos em Recife, Belo Horizonte e Fortaleza. A maneira como o deputado pernambucano Maurício Rands se afastou do PT e se aproximou de Eduardo é outro sinal.

Esse pode ser o início da quebra da bipolarização dominadora do PT de Lula e do PSDB de FHC, do rodízio antidemocrático no poder, durante 18 anos.

Do lado tucano, há trincas entre um tipo de tucanato progressista liderado pelo senador Aécio Neves e o tronco central do PSDB conservador, liderado pelo paulistano Serra, representante do poderio econômico da avenida Paulista.

Nessa vertente, Aécio Neves cresceu vertiginosamente, emergindo como forte candidato à Presidência, mas engana-se quem pensa que Serra se contenta em ser prefeito de São Paulo. O ex-presidente da UNE, hábil conspirador, desde as lutas estudantis dos anos 60, nos bastidores das eleições, com os olhos em 2014, tentou quebrar a crista em ascensão de Aécio, por meio de sua amizade com Kassab. O presidente nacional do PSD fez tudo para que seu partido em Minas apoiasse Patrus do projeto Dilma e não Marcio Lacerda do projeto Aécio. Curioso! Quem diria Dilma, Kassab, Patrus, juntos!

Kassab cumpriu a determinação de Dilma sob olhares complacentes de Serra. Este sim, cabo eleitoral conspirador de Patrus, interessado na derrota de Lacerda, para que Aécio em 2014 dispute o governo de Minas e se cristalize como um político das Alterosas, que brilhe só em nossos vales e montanhas. Seria sepultar o político Aécio em Minas, como no Rio Sérgio Cabral está fadado a morrer carioca com sua auréola provinciana.

O PSD nacional de Kassab continua a lutar por Patrus e Dilma. O PSD mineiro de Alexandre Silveira continua a lutar por Lacerda e Aécio. Nem Serra, nem Kassab, Patrus ou Dilma conhecem o quanto o ex-presidente do Dnit, agora deputado federal e secretário de Estado, é bom de briga e se esquecem de que o senador Aécio Neves possui DNA republicano e da vocação de Minas para servir o Brasil, junto com o Nordeste e outras unidades da Federação, sem o complexo de hegemonismo e superioridade de São Paulo.

O importante é olhar para frente e perceber, desde já, os germes da decomposição dos dois blocos monopolizadores, antidemocráticos de dominação do poder pelo poder no Brasil das últimas décadas: PT e PSDB. Esta bipolarização dá sinais de um eclipse que já se anuncia.

O surgimento do novo poder está nas mãos de duas novas lideranças, Aécio e Eduardo, se conseguirem se entender, depois de romperem a ligação umbilical que ainda carregam com o PSDB da avenida Paulista e com Lula, respectivamente. É Minas e o Nordeste na busca de um novo Brasil, sem dominação da Pauliceia.

TILDEN JOSÉ SANTIAGO – jornalista; ex-embaixador

Aécio Neves e Eduardo Campos – Link do artigo: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=210590,OTE&IdCanal=2

Nordeste Notícias: os bens do vereador

Líder do ranking alega ter apenas se endividado

Fonte: O Estado de S. Paulo

Líder do ranking de presidentes de legislativos de capitais que apresentaram maior crescimento no valor de suas declarações de bens, o vereador Mauro Zacher, de Porto Alegre, disse que o aumento observado é resultado da aquisição de um apartamento financiado.

Ele alegou que não houve crescimento de patrimônio, pois ainda está quitando o imóvel. “Comprei um apartamento com minha esposa e vou pagá-lo pelos próximos 18 anos. Apenas me endividei”, disse.

Já segundo a assessoria do vereador Edivan Martins, da Câmara de Natal, houve redução no número de bens declarados em comparação a 2008 – de sete para cinco. O vereador vendeu dois imóveis para comprar um apartamento financiado. “Ele herdou uma dívida”, alegou a assessoria.

Jurandir Liberal, presidente da Câmara de Recife, explicou que sua evolução patrimonial ocorreu pela venda de um imóvel e por acumular uma aposentadoria de engenheiro da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) com o salário e verba de representação de vereador.

“Guardo todo o dinheiro que recebo da aposentadoria e vivo com o dinheiro do salário de vereador. Tudo que acumulei em 35 anos está declarado e a soma não chega a R$ 800 mil”, disse Liberal.

A assessoria de Paulo Siufi, chefe do legislativo de Campo Grande, deu três explicações para a declaração de bens do vereador ter passado de R$ 620,7 mil para R$ 1,8 milhão em quatro anos.

Siufi, que é médico pediatra, teria aumentado de 5 mil para 12 mil os pacientes que atende. Além disso, o vereador recebeu uma herança após a morte do pai em 2009. “Também há uma bolha imobiliária que fez valorizar os bens no nome do vereador”, explicou a assessoria.

O presidente da Câmara Municipal do Rio, Jorge Felippe, não quis falar sobre o aumento dos valores de sua declaração de bens. Procurados, os vereadores Isaías Pereirinha, de São Luís, e Jaime Tonello (PSD), de Florianópolis, não se manifestaram até o fechamento desta edição.

Nordeste Notícias: foco de instabilidade

A encomenda

Os presidentes do PT, Rui Falcão, e do PMDB, Valdir Raupp (RO), vão reafirmar solenemente, em agosto, o cumprimento do acordo PT-PMDB para a presidência da Câmara. Isso será feito a pedido da presidente Dilma, que quer acabar com esse foco de instabilidade. Com este objetivo, o PMDB vai antecipar a escolha de seu candidato. A bancada vai se reunir em outubro para oficializar a candidatura do líder na Câmara, Henrique Alves (RN).

Governadores, juros e Mantega

Os governadores do Nordeste estão falando cobras e lagartos do Ministério da Fazenda. Ocorre que a Fazenda autorizou o BNDES a baixar seus juros para 4% no financiamento de empreendimentos e da produção. Enquanto isso, o ministério mantém os juros do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, liberado pela Sudene, e operado pelo Banco do Nordeste em 6,5%. Hoje, em Fortaleza (CE), na reunião da Sudene, os governadores vão reivindicar mudança desta política para o ministro Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional. A região Nordeste é a que mais tem sentido os efeitos da crise econômica internacional.

REPÚDIO. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Domingos Dutra (PT-MA), critica o uso de “cânticos de estímulo à violência e à brutalidade em treinamentos de soldados das Forças Armadas”. A Comissão pede explicações ao Ministério da Defesa e que sejam abolidos “tais “costumes” de apologia à barbárie”. Ontem, a coluna relatou que soldados do 1º Batalhão da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, correm cantando: “Bate, espanca, quebra os ossos. Bate até morrer.”

Faniquito

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), na sessão de quarta-feira, no plenário, acusou aos berros um de seus assessores de estar lhe dando “bola nas costas”. O constrangimento entre os senadores foi geral.

De molho

A presidente Dilma não pretende ir à França tão cedo. O fará somente depois que a Dassault mandar nova proposta para a licitação dos caças da FAB. O governo brasileiro quer uma oferta como a que os franceses fizeram para a Índia.

O revisionismo e a História

Na Comissão de Relações Exteriores do Senado, quarta-feira, os senadores debatiam com o ministro Antônio Patriota o impeachment de Fernando Lugo no Paraguai. Fernando Collor (PTB-AL) presidia a sessão e Cristovam Buarque (PDT-DF) resolveu festejar o ex-presidente. No microfone, afirmou que no Brasil, as relações entre Executivo e Congresso são “espúrias” e que o impeachment de Collor só não foi evitado porque ele não cedera às pressões dos parlamentares.

Viva!

Cassado Demóstenes Torres, um grupo de senadores comemorou no restaurante Antiquarius de Brasília. No brinde com vinho: os peemedebistas Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Romero Jucá e Eduardo Braga, e o petebista Gim Argello.

Ah! Eu sou maluco

O site Os Amigos do Presidente Lula tomou as dores de Roberto Brant, que deixou o PSD por causa da intervenção do prefeito Gilberto Kassab em Belo Horizonte. Virou piada. Kassab entrou em cena para apoiar o petista Patrus Ananias.

PETISTAS e aliados terminam o semestre dizendo que a desarticulação da bancada do governo na Câmara é ampla, geral e irrestrita.

CITAM como exemplo do desmazelo, a aprovação pela oposição da convocação, para depor, dos ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

O QUE MAIS irritou a presidente Dilma foi a aprovação do projeto que destina 10% para a Educação. Sua reação: “Isso é pauta da oposição!”

Fonte: Panorama Político – Ilimar Franco O Globo

Nordeste Notícias: o Senador Aécio Neves cobrou firmeza dos senadores em favor de Marconi

Marconi falou em deixar o PSDB

O governador de Goiás, Marconi Perillo, revoltou-se contra a pouca disposição de seu partido, o PSDB, em defendê-lo. Estava indignado com o fato de os tucanos do Senado terem cedido uma vaga na CPI do Cachoeira a Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), seu crítico mais ácido. Marconi chegou a ser instado pela família a deixar o partido. Em tom de desabafo, contou tudo aos líderes do PSDB. Em reunião na terça-feira, o senador Aécio Neves (MG) tomou suas dores e cobrou firmeza dos senadores em favor de Marconi. Ele diz que há “exagero” na história e que não cogitou deixar o PSDB.

Volta, volta!

O Tribunal de Contas da União (TCU) sempre foi o sonho de políticos em busca de uma boa aposentadoria. A carência de quadros é tão grande que os partidos voltaram a chamar seus antigos militantes que estão no TCU para a disputa eleitoral. Depois de José Múcio Monteiro, o predileto do governador pernambucano, Eduardo Campos, para a própria sucessão, agora é a vez de Valmir Campeio ser assediado. O PMDB nacional o quer como candidato ao governo do Distrito Federal em 2014.

É luxo só

A Daslu deverá ter uma rede de 20 lojas nas principais cidades do país. Hoje, mantém apenas duas: uma no shopping paulistano Cidade Jardim e outra no São Conrado Fashion Mall, no Rio de Janeiro. Neste ano, abrirá mais três: uma em Brasília, outra em Ribeirão Preto, no interior paulista, e a última no novo shopping JK Iguatemi, que será inaugurado na capital paulista. Presidente da Laep, empresa que controla a Daslu, o financista Luiz César Fernandes explica de forma simples por que não hesitou em abrir dois pontos de venda na cidade de São Paulo. Lá, o tíquete médio é quase dez vezes o do Rio de Janeiro.

É luxo nenhum

O governo da Paraíba é dono de dez hotéis no Estado. Só administra um deles, o Hotel Fazenda de Brejo das Freiras, entregue à estatal de turismo local. Os outros nove estabelecimentos servem aos interesses mais diversos. O município de Serra Branca converteu o seu em prefeitura. A cidade de Monteiro cedeu o Grande Hotel à Justiça Federal. Em Conceição, o hotel virou quartel da PM. O de Princesa Isabel está em ruínas. O governador Ricardo Coutinho não sabia de nada disso ao assumir o Estado. Agora, tenta vendê-los à iniciativa privada. Depende de um o.k. da Embratur, sócia desses, digamos, “empreendimentos”.

Desconto de 30%

O PMDB se apresenta como um partido municipalista e atribuiu o fato de ter a maior bancada do Senado e a segunda maior da Câmara a sua capacidade de eleger prefeitos – foram 1.200, em 2008. Neste ano, não deve ser tão bem-sucedido. A cúpula da legenda já admite perder 30% das prefeituras. E põe a culpa na presidente Dilma Rousseff, que regateia o pagamento das emendas parlamentares.

Pé de cana

A Diageo, dona da Johnnie Walker e de dezenas de marcas de bebida, está de olho na cachaça cearense Ypióca, uma das mais tradicionais do Brasil. Com um faturamento anual de R$ 300 milhões, a aguardente existe desde meados do século XIX. A Diageo nem confirma nem desmente. “Estamos avaliando oportunidades, mas não comentamos rumores.”

Boto x botinho

A história da criatura que se rebela contra o criador deve se repetir, agora, no Amazonas. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB), insiste em ter um correligionário na disputa pela prefeitura de Manaus e não descarta nem concorrer ele mesmo. Sua criatura, o governador Omar Aziz, discorda e estuda lançar um nome de seu partido, o PSD.

Vitória+20

O governo capixaba lançará um pacote de projetos sustentáveis na Rio+20. O principal divulgará Vitória como a primeira capital do país a tratar 100% de seu esgoto sanitário.

Leréia caiu no lero-lero de Cachoeira

O caso ocorreu num restaurante de Goiânia há um ano e meio. Estavam lá o senador Demóstenes Torres (sem partido), sua mulher, Flávia, seu suplente, Wilder Morais com a então mulher dele, Andressa Mendonça, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. No meio da noite, Leréia sentiu pernas roçarem nas suas – e roçaram de novo. Leréia assustou-se ao constatar que as pernas eram da bela Andressa. Dias depois, seu amigo bicheiro zombou: “Está mexendo com a mulher do Wilder?”. Leréia só então se deu conta que fora acariciado por engano e atrapalhara o namoro nascente de Cachoeira com Andressa. Ouvido, o deputado jura que nada disso aconteceu.

Delta, não. É alfa!

O presidente da J&F, Joesley Batista, está radiante – e não é com a compra da construtora Delta. Ele passou a morar com a jornalista Ticiane Villas Boas, da Band. O novo par procura apartamento e não descarta mesmo formalizar sua união no futuro.

Não é barbada

A transição na diretoria financeira da Petrobras começou. A presidente da estatal, Maria das Graças Foster, apresentou dois nomes para substituir Almir Barbassa. A presidente Dilma Rousseff gongou-os. Considerou seus currículos insuficientes para a função.

Sai, cabra

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a um petista que o governo ressuscitou o plano de mudar o presidente do Banco do Nordeste, Jurandir Santiago, indicado pelo deputado José Guimarães (PT-CE). Procurado, Mantega não se manifestou

Meu príncipe!

O castelo Odescalchi Di Paolo Laziali, nos arredores de Roma, será palco do casamento de Bruno Fillipelli, filho do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Fillipelli (PMDB), com Gisela Jardim. Vans levarão padrinhos, daminhas, pajens e convidados do aeroporto ao local. Brasília é super chique.

Com Leonel Rocha e Igor Paulin e reportagem de José Fucs

Fonte: Autor(es): Felipe Patury – Época

Nordeste Notícias: disputas municipais de quadro multipartidário

Eleições municipais

Advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho

O povo prepara-se para assistir a outra ópera-bufa, protagonizada por candidatos a prefeito e à vereança, tendo como plateia milhões de desinformados, alienados e ignorantes, secundados por escassa parcela dotada de independência crítica.

Mais uma vez, a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e mediante o voto direto e secreto, com igual valor para todos, como prescreve a Constituição.

São em número de 5.610 os municípios brasileiros. Minas Gerais possui 853; Roraima, 15; São Paulo, 645; Amapá, 16; o Rio Grande do Sul, 496; e o imenso Amazonas, com área de 1.570.7 km² (mais extensa do que Alemanha, França, Espanha, Bélgica e Suíça), 62. A gritante desigualdade do número de municípios por estados, áreas, populações e nível de desenvolvimento é reflexo dos paradoxos que levaram Roger Bastide a escrever em 1957 o clássico Brasil, terra de contrastes, obra cuja indiscutível atualidade nos envergonha.

Para quem não se dispõe a percorrer o território nacional, basta a pesquisa à página “Cidades”, do IBGE, e confrontar os dados socioeconômicos das regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, para chegar à conclusão de que vivemos no país dos contrastes, onde, diante de algumas famílias ricas e poderosas, existem milhões de outras em permanente luta pela sobrevivência.

A disputa eleitoral mais importante irá se ferir em São Paulo. O Distrito Federal será poupado, mas a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes estarão de olhos voltados para a megalópolis paulista, onde o PSDB irá tentar se conservar hegemônico, ao passo que o PT buscará ganhar posição estratégica para os planos de 2014.

A tônica dominante no processo eleitoral não consiste na busca dos melhores. Predominam votos em discutíveis celebridades, religiosos, escroques e tipos caricatos e pitorescos, obtidos mediante promessas que não se cumprirão, pois, como lembrava Bonaparte, promessa de político só compromete a quem ouve.

A cada eleição torna-se mais raro o voto consciente, fruto do livre desejo de escolher o melhor, o mais qualificado, dado a candidato que revelar competência, sincera vocação para o cargo, e exibir folha corrida imaculada.

Os partidos tornaram-se legendas à venda ou de aluguel, cujo preço flutua segundo o tempo de televisão. Partidos que dispõem de minutos custam mais caro do que aqueles com espaço de segundos. A negociação se faz, conforme se dizia ao tempo em que estava em voga o latim, coram populo, diante de todos, sem reservas, sem sigilo. Os jornais fartam-se de noticiar transações espúrias, que envolvem a permuta de apoio por ministérios, diretorias de empresas estatais ou de economia mista, fundos de pensão, emissoras de rádio e, é claro, dinheiro vivo.

Do livro Cinco estudos, editado pela Fundação Getulio Vargas em 1955, consta exposição sobre partidos políticos apresentada por Themístocles Cavalcanti. O jurista discorre sobre partido único e sistemas bipartidário e multipartidário. O primeiro é fruto de regime ditatorial, onde o partido se confunde com o governo como na extinta União Soviética (até hoje admirada por alguns brasileiros); o segundo é praticado nos países anglo-saxões, “menos por uma imposição legal, que ali não existe, do que pelo costume, pela tradição, pela formação mental, pela educação desses povos” (pág. 24), e o multipartidário “preferido dos países latinos, onde o espírito domina a própria realidade política, e a realidade política e a capacidade para estabelecer as nuances dos diferentes sistemas levaram a esta complicação partidária, que encontramos notadamente na França e no Brasil” (pág. 26).

O texto refere-se à época na qual o multipartidarismo se circunscrevia ao PSD, UDN, PTB, o clandestino PCB, e meia dúzia de organizações locais desprovidos de significado nacional.

Após 1988, o quadro não é de multipartidarismo, mas de multifisiologismo, onde novas siglas surgem a qualquer instante, tal e qual sindicatos pelegos, sem serem de direita, de esquerda, ou de centro, para dar ao mundo civilizado visão nítida da política tupiniquim.
As disputas municipais irão se ferir dentro de surrealista quadro multipartidário. Por via de consequência, podemos aguardar resultados trágicos, com a inevitável vitória de milhares de candidatos sem caráter, compromissos, programas e ideias, dos quais tivemos exemplos nas últimas eleições.

Fonte: Autor(es): » Almir Pazzianotto Pinto

Correio Braziliense

Nordeste Notícias: indignação aos grupos de proteção aos animais versos evento cultural

Com ou sem espírito esportivo?

Projeto em tramitação na Câmara quer transformar a tradicional vaquejada do Norte e do Nordeste em desporto, com regras unificadas e reconhecimento do governo federal. Representantes de grupos de proteção aos animais são radicalmente contrários à ideia

A reconhecida paixão nacional, o futebol, já não parece tão apaixonante quanto outrora. Recente levantamento sobre os torneios regionais deste ano mostram que a média de público nos campeonatos Carioca, Paulista, Mineiro e Baiano foram as menores dos últimos três anos. No Rio, o número é assustador: são 3.017 por partida, incluindo aí as antes sempre lotadas semifinais e final da Taça Guanabara.

Enquanto o interesse pelo futebol anda capenga, mesmo com a Copa do Mundo às portas do país, um tipo de competição característica do Norte e doNordeste do país se apresenta em linha ascendente. Mesmo desconhecida longe de suas regiões, a vaquejada chega a atrair um público de 60 mil pessoas por dia, é a única fonte de renda para boa parte dos praticantes e oferece premiações de até R$ 300 mil para os vencedores.

Não se trata de um esporte, claro. Mas há um movimento para transformar o sucesso de público em modalidade esportiva. A primeira caracterização necessária, defendem os entusiastas da vaquejada, é diferenciar a competição dos rodeios. A segunda frente toma corpo no Congresso. Um projeto de lei busca pôr fim à discussão e fixar normas oficiais para a vaquejada. Com tudo especificado, a modalidade poderia ser oficialmente carimbada como um desporto, sem qualquer diferenciação entre outras modalidades.

A ideia é do deputado federal Paulo Magalhães, do PSD baiano. Segundo o parlamentar, a vaquejada é uma manifestação cultural representada em campeonatos cuja prática é irreversível. Por isso, o melhor é que seja regulamentada — sustenta o deputado. “É um esporte constante, que acontece praticamente em todos os fins de semana, mas que não tem normas definidas”, enumera. “Com a aprovação, a modalidade será integrada ao Ministério do Esporte e tanto os vaqueiros quanto os animais passarão a ter melhor tratamento.” O projeto 3024/11 está em tramitação na Comissão de Turismo e Desporto, mas ainda não tem data para votação.

Se depender da compreensão das regras, a vaquejada poderá passar por esporte tranquilamente. Sempre em duplas e em cima de cavalos, os vaqueiros têm o objetivo principal de derrubar o boi no chão da arena — normalmente revestida por areia — para minimizar os impactos na presa. Somam pontos os atletas que conseguirem fazer com que o animal caia com as patas para cima dentro da maior faixa de pontuação. Para isso, eles o cercam com os cavalos e, na área determinada e em alta velocidade, puxam o bovino pelo rabo até levá-lo ao chão. Por competição, o mesmo animal pode ser utilizado mais de uma vez.

Oposição
Se assistir a uma derrubada pode causar mal-estar ao torcedor, imaginar que o boi passa por essa situação várias vezes ao dia causa indignação em diversos segmentos de protetores dos animais. De forma apensada ao projeto do deputado Paulo Magalhães, segue na Câmara dos Deputados uma barreira a qualquer atividade que utilize laçadas ou faça perseguições a animais.

A proposta é do deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP). Famoso por criar planos de defesa aos bichos, ele argumenta que a modalidade não pode ser enquadrada como entretenimento e muito menos como atividade desportiva. “Esporte tem por definição trazer benefícios à saúde de quem pratica. O animal é exposto a condições de extrema crueldade, nada que beneficie, portanto, sua saúde, bem-estar ou lazer”, argumenta. “Somente sádicos podem se divertir com o sofrimento alheio.”

Diferenças

Os objetivos nos rodeios e nas vaquejadas são distintos. Entre diversas diferenças, a principal está na lógica de quem é derrubado. Enquanto no primeiro, vence o competidor que mais tempo conseguir ficar sobre o boi antes de cair; no segundo, somam-se pontos quando o boi é derrubado por atletas montados em cavalos.

Em conjunto

Um projeto apensado é aquele que tramita em conjunto a uma proposta semelhante. No caso das duas proposições da vaquejada, apesar de defenderem ideias opostas, elas foram unificadas pelo fato de tratarem do mesmo assunto.

Fonte: Autor(es): » MARCELA MATTOS

Correio Braziliense

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