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João Santana, marqueteiro de Dilma, é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro para o PT

Principal estrela do marketing político, João Santana virou alvo de um inquérito da PF que apura a suspeita de que duas empresas dele trouxeram de Angola para o Brasil US$ 16 milhões em 2012

Operação de lavagem de dinheiro teria beneficiado o Partido dos Trabalhadores.

Fonte: Folha de S.Paulo

Marqueteiro de Dilma é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro para o PT

Uma das suspeitas dos policiais é que os recursos de Angola tenham sido pagos ao marqueteiro João Santana por empreiteiras brasileiras que atuam no país africano. Divulgação

Polícia abre investigação sobre marqueteiro do PT

Operação que trouxe US$ 16 milhões de Angola em 2012 desperta suspeitas

PF acha que dinheiro pode ter sido enviado para pagar dívidas do PT no Brasil; Santana diz que agiu legalmente

Principal estrela do marketing político brasileiro, o jornalista João Santana virou alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura a suspeita de que duas empresas dele trouxeram de Angola para o Brasil US$ 16 milhões em 2012 numa operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o Partido dos Trabalhadores.

O valor equivale a cerca de R$ 33 milhões, de acordo com o câmbio da época. Naquele ano, Santana, 62, trabalhou em duas campanhas vitoriosas, a do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e a do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

Uma das suspeitas dos policiais é que os recursos de Angola tenham sido pagos ao marqueteiro por empreiteiras brasileiras que atuam no país africano. Segundo essa hipótese, seria uma forma indireta de o PT quitar débitos que tinha com o marqueteiro.

Santana ganhou R$ 36 milhões pela campanha de Haddad, em valores corrigidos pela inflação, mas ele só recebeu a maior parte do dinheiro depois da eleição.

A campanha acabou com uma dívida de R$ 20 milhões com a empresa de Santana. O débito foi transferido para a direção nacional do PT, que negociou um parcelamento da dívida com o marqueteiro: o valor foi pago em 20 parcelas mensais de R$ 1 milhão.

Santana nega que tenha praticado irregularidade e diz que a suspeita de operação de lavagem de dinheiro para o PT não tem sentido. “Trata-se de uma operação legal e totalmente transparente”, disse à Folha.

Ele elegeu o ex-presidente Lula em 2006 e Dilma Rousseff nas últimas duas disputas presidenciais.

OPERAÇÃO ATÍPICA

O inquérito sobre a Pólis, empresa de Santana, foi aberto este ano pela PF após um órgão do governo que combate a lavagem de dinheiro, o Coaf ( Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ter considerado “atípica” a operação que trouxe os US$ 16 milhões. Procurada, a PF não respondeu até o fechamento desta edição.

Três especialistas em finanças ouvidos pela reportagem, sob a condição de anonimato, dizem que não é comum o “internamento” (remessa de dinheiro do exterior para o Brasil), mesmo sendo legal, por causa da elevada carga tributária e da burocracia brasileira para alguém que tem negócios no exterior. A operação foi intermediada pelo Bradesco e declarada ao Banco Central.

Na operação de Angola, Santana teve de pagar R$ 6,29 milhões de impostos, segundo ele, o equivalente a 20% do valor que entrou no país.

Uma das empresas do marqueteiro que fez as remessas, a Pólis Caribe, fica na República Dominicana, que, apesar de não ser classificada oficialmente como um paraíso fiscal, permite o ingresso de valores sem cobrar impostos ou com taxas muito baixas, em torno de 5%.

A outra empresa usada para fazer parte da remessa de Angola para o Brasil foi a Pólis Propaganda & Marketing.

Já depuseram no inquérito o prefeito Fernando Haddad e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que foi ouvido antes de sua prisão, no último dia 15, por suspeita de ter recebido propina de empreiteiras contratadas pela Petrobras no governo Lula.

Haddad foi depor na última quarta-feira (29) à noite, depois do expediente, na condição de testemunha. A Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal cuida das investigações.

Santana é o marqueteiro político brasileiro com maior projeção internacional e atua no mercado desde 1999. Já realizou campanhas na Argentina, na República Dominicana, na Venezuela, no Panamá e em El Salvador, além de Angola. Apesar do currículo globalizado, a operação para trazer os US$ 16 milhões, que recebeu do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), foi a primeira do gênero que realizou.

Segundo Santana, o custo total da campanha angolana em 2012 alcançou US$ 20 milhões, dos quais cerca de US$ 4 milhões foram gastos para cobrir despesas operacionais e tributos em Angola.

Leva-Jato: em entrevista, Dilma insinua que funcionários da Petrobras são corruptos

Leva-Jato: “Eu não vou tratar a Petrobras como a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso”, afirmou.

Dilma quer tirar o foco da corrupção dos governos do PT

Fonte: O Globo 

Petrolão: Dilma insinua que funcionários da Petrobras são corruptos

Dilma: Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso. Foto: Reuters

‘Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras’, diz Dilma

Presidente reafirmou que não pretende punir empresas, mas as pessoas envolvidas no escândalo

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que nunca antes na história do Brasil, algo que seu antecessor, Lula, repetia muito, se investigou tanto. E que a corrupção existia antes, mas não era investigada. Em rápida entrevista depois de receber os novos embaixadores que atuarão no Brasil, Dilma afirmou que o governo fará tudo dentro da legalidade, mas não se furtará em punir quem cometeu “malfeito”. Esta foi a primeira vez que Dilma falou com jornalistas desde o fim de dezembro, quando recebeu repórteres para um café da manhã no Palácio do Planalto.

— Uma coisa tem a ver com a investigação. Os donos das empresas, as acionistas das empresas, serão investigadas. A empresa não é uma entidade que seja desvinculada dos seus acionistas.O governo fará tudo dentro da legalidade. Nós iremos tratar as empresas tentando, principalmente, considerar que é necessário gerar emprego e renda no Brasil. Isso não significa de maneira nenhuma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja, doa a quem doer. Eu não vou tratar a Petrobras como a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso — afirmou.

A presidente pontuou que se já na década de 90 a corrupção que ocorria na estatal tivesse sido descoberta, o mega esquema de pagamento de propina de empreiteiras a funcionários do empresa não teria se perpetuado por tanto tempo:

— Se em 96, 97 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras, que ficou, durante quase 20 anos, praticando atos de corrupção. A impunidade leva a água pro moinho da corrupção.

Dilma aproveitou para reiterar o discurso que fez ao longo da campanha, de que atualmente os órgãos de controle da gestão pública funcionam de forma isenta.

— Um passo foi dado no Brasil e é esse passo que nós temos que olhar e valorizar: atualmente todos os órgãos não tem engavetador da República, não tem controle sobre a Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal e isso significa que junto com o Ministério Público e junto com a Justiça, todos os órgãos do Judiciário, está havendo no Brasil um processo de investigação como nunca foi feito antes. Não que antes não existia, é que antes não tinha sido investigado e descoberto. Porque quando você investiga e descobre, a raiz das questões surge e você impede que aquilo se repita e que seja continuado — disse acrescentando:

— O governo fará tudo dentro da legalidade. Nós iremos tratar as empresas tentando, principalmente, considerar que é necessário gerar emprego e renda no Brasil. Isso não significa de maneira nenhuma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja, doa a quem doer. Eu não vou tratar o Petrobrascomo a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso — afirmou.

A presidente pontuou que se já na década de 90 a corrupção que ocorria na estatal tivesse sido descoberta, o mega esquema de pagamento de propina de empreiteiras a funcionários do empresa não teria se perpetuado por tanto tempo:

— Se em 96, 97 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras, que ficou, durante quase 20 anos, praticando atos de corrupção. A impunidade leva a água pro moinho da corrupção.

Dilma aproveitou para reiterar o discurso que fez ao longo da campanha, de que atualmente os órgãos de controle da gestão pública funcionam de forma isenta.

— Um passo foi dado no Brasil e é esse passo que nós temos que olhar e valorizar: atualmente todos os órgãos não tem engavetador da República, não tem controle sobre a Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal e isso significa que junto com o Ministério Público e junto com a Justiça, todos os órgãos do Judiciário, está havendo no Brasil um processo de investigação como nunca foi feito antes. Não que antes não existia, é que antes não tinha sido investigado e descoberto. Porque quando você investiga e descobre, a raiz das questões surge e você impede que aquilo se repita e que seja continuado — disse.

Impeachment de Dilma: jurista explica hipótese de culpa

Segundo Gandra Martins “a insistência, no seu 1º e 2º mandatos, em manter a mesma diretoria que levou à destruição da Petrobras está a demonstrar que a improbidade por culpa fica caracterizada.”

Impeachment se valida pela hipótese de culpa enquanto que as investigações da Polícia Federal tendem a confirmar a hipótese do dolo.

Fonte: Folha de S.Paulo 

Impeachment: jurista explica hipótese de culpa de Dilma

Gandra Martins: Como a própria presidente da República declarou que, se tivesse melhores informações, não teria aprovado o negócio de quase US$ 2 bilhões da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), à evidência, restou demonstrada ou omissão, ou imperícia ou imprudência ou negligência, ao avaliar o negócio. Divulgação

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS

A hipótese de culpa para o impeachment

À luz de um raciocínio exclusivamente jurídico, há fundamentação para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Pediu-me o eminente colega José de Oliveira Costa um parecer sobre a possibilidade de abertura de processo de impeachment presidencial por improbidade administrativa, não decorrente de dolo, mas apenas de culpa. Por culpa, em direito, são consideradas as figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência.

Contratado por ele –e não por nenhuma empreiteira– elaborei parecer em que analiso o artigo 85, inciso 5º, da Constituição (impeachment por atos contra a probidade na administração).

Analisei também os artigos 37, parágrafo 6º (responsabilidade do Estado por lesão ao cidadão e à sociedade) e parágrafo 5º (imprescritibilidade das ações de ressarcimento que o Estado tem contra o agente público que gerou a lesão por culpa –repito: imprudência, negligência, imperícia e omissão– ou dolo). É a única hipótese em que não prescreve a responsabilidade do agente público pelo dano causado.

Examinei, em seguida, o artigo 9º, inciso 3º, da Lei do Impeachment (nº 1.079/50 com as modificações da lei nº 10.028/00) que determina: “São crimes de responsabilidade contra a probidade de administração: 3 – Não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição”.

A seguir, estudei os artigos 138, 139 e 142 da Lei das SAs, que impõem, principalmente no artigo 142, inciso 3º, responsabilidade dos Conselhos de Administração na fiscalização da gestão de seus diretores, com amplitude absoluta deste poder.

Por fim, debrucei-me sobre o parágrafo 4º, do artigo 37, da Constituição Federal, que cuida da improbidade administrativa e sobre o artigo 11 da lei nº 8.429/92, que declara: “Constitui ato de improbidade administrativa que atente contra os princípios da administração pública ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”.

Ao interpretar o conjunto dos dispositivos citados, entendo que a culpa é hipótese de improbidade administrativa, a que se refere o artigo 85, inciso 5º, da Lei Suprema dedicado ao impeachment.

Na sequência do parecer, referi-me à destruição da Petrobras, reduzida a sua expressão nenhuma, nos anos de gestão da presidente Dilma Rousseff como presidente do Conselho de Administração e como presidente da República, por corrupção ou concussão, durante oito anos, com desfalque de bilhões de reais, por dinheiro ilicitamente desviado e por operações administrativas desastrosas, que levaram ao seu balanço não poder sequer ser auditado.

Como a própria presidente da República declarou que, se tivesse melhores informações, não teria aprovado o negócio de quase US$ 2 bilhões da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), à evidência, restou demonstrada ou omissão, ou imperícia ou imprudência ou negligência, ao avaliar o negócio.

E a insistência, no seu primeiro e segundo mandatos, em manter a mesma diretoria que levou à destruição da Petrobras está a demonstrar que a improbidade por culpa fica caracterizada, continuando de um mandato ao outro.

À luz desse raciocínio, exclusivamente jurídico, terminei o parecer afirmando haver, independentemente das apurações dos desvios que estão sendo realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público (hipótese de dolo), fundamentação jurídica para o pedido de impeachment (hipótese de culpa).

Não deixei, todavia, de esclarecer que o julgamento do impeachment pelo Congresso é mais político que jurídico, lembrando o caso do presidente Fernando Collor, que afastado da Presidência pelo Congresso, foi absolvido pela suprema corte. Enviei meu parecer, com autorização do contratante, a dois eminentes professores, que o apoiaram (Modesto Carvalhosa, da USP, e Adilson Dallari, da PUC-SP) em suas conclusões.

Petrobras: Aécio Neves defende nova CPMI

A oposição já colhe assinaturas no Congresso para instalar uma nova CPMI da Petrobras no início de 2015.

Brasil fora do rumo

Fonte: PSDB

Aécio quer nova CPMI para investigar a Petrobras

Aécio Neves também fez um chamado à população para pressionar o Congresso a avançar nas investigações. Foto George Gianni/PSDB

Aécio Neves defende nova CPMI para investigar irregularidades na Petrobras

A oposição já colhe assinaturas no Congresso para instalar uma nova CPMI da Petrobras no início de 2015. O anúncio foi feito pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), um dia depois de o PT finalizar o relatório da atual comissão sem o indiciamento de nenhum dos investigados na operação Lava-Jato da Polícia Federal. Para AécioNeves, a base da presidente Dilma Rousseff provocou um fim “vexatório” das investigações.

“Já estamos colhendo assinaturas para instalar uma nova CPMI já a partir do início de fevereiro, porque o Congresso Nacional não pode privar-se de avançar nas investigações diante de algo de tamanha gravidade e tamanha irresponsabilidade, uma ação tão criminosa como essa”, disse em entrevista à imprensa em Belo Horizonte nesta quinta-feira (11/12).

Aécio Neves também fez um chamado à população para pressionar o Congresso a avançar nas investigações. “Se existe CPMI hoje é por causa da oposição. Infelizmente, a base do governo foi quem abafou as investigações. Cotamos com a opinião pública para que essa nova CPMI não tenha o desfecho vexatório que essa proporcionou ao Brasil”, afirmou o presidente nacional do PSDB.

As declarações foram dadas após reunião com deputados estaduais e federais do PSDB e da base aliada em Minas Gerais, que contou com a presença do governador do Estado, Alberto Pinto Coelho.

Na reunião, o senador agradeceu o apoio dos parlamentares na eleição e ressaltou a necessidade de união da oposição. “Nosso papel é de uma oposição vigilante, atenta no campo federal e no estadual. A minha determinação em cumprir esse papel é a mesma que se tivesse vencido as eleições. Precisamos estabelecer um nível de oposição, claro e firme. Não questiono o resultado das urnas. Fui o primeiro a reconhecer isso, mas vamos cobrar, e cobrar incessantemente, os compromissos assumidos pela candidata nas eleições”, anunciou.

Aécio Neves lembrou que os vencedores das eleições no âmbito federal estão com dificuldade de sair às ruas em razão das medidas tomadas após a disputa, que revelaram um Brasil diferente do apresentado pela propaganda petista.

“Aquilo que denunciávamos sobre o rombo nas contas públicas se mostrou verdadeiro”, disse ao se referir à aprovação do projeto de lei que livrou a presidente Dilma de cumprir a meta fiscal após ter gastado além do previsto para 2014.

Manifestações democráticas

Segundo Aécio Neves, isso é um dos motivos que têm gerado os protestos contra o governo Dilma ocorridos nas últimas semanas em algumas capitais do país.

“Esta eleição despertou uma parte da população brasileira que estava adormecida. Esse Brasil está nas ruas e nas redes. Temos que expressar esse sentimento em relação à corrupção, ao desgoverno, aos baixos indicadores na economia e à volta da inflação. Faremos uma oposição dentro das regras democráticas.”

Questionado sobre a posição do partido em relação às manifestações que pedem o retorno da ditadura, Aécio Neves reprovou qualquer iniciativa que se dê fora do campo democrático.

“A nossa história é muito coerente. A minha oposição é no campo da democracia, e vamos fazer essa oposição em favor do Brasil e dos brasileiros. Se existe algum sentimento na sociedade de saudosismo (em relação à ditadura), obviamente eles se manifestarão longe de nós e não têm nenhuma vinculação com a oposição democrática que fazemos noCongresso e que temos que fazer nas ruas também”, ressaltou o presidente nacional do PSDB.

Escândalo da Petrobras: MPF denuncia 36 pessoas

Força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras.

25 acusados estão ligados a grandes empreiteiras do país

Fonte: O Globo

Petrolão: MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras

Procurador Deltan Dallagnol e procurador-geral Rodrigo Janot em coletiva de imprensa. Foto: Paulo Lisboa / Brazil Photo Press

MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras, 25 delas ligadas a seis empreiteiras

Ministério Público Federal espera ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas na primeira fase da denúncia

O Ministério Público Federal anunciou nesta quinta-feira a primeira fase de denúncias envolvendo desvios na Petrobras. Com base, por enquanto, nas investigações envolvendo apenas a diretoria de Abastecimento, os procuradores ofereceram denúncia contra 36 pessoas implicadas no esquema de corrupção na estatal, sendo 25 delas ligadas a grandes empreiteiras do país: OAS, Camargo Corrêa, UTC, Mendes Junior, Engevix e Galvão Engenharia. A força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras firmados por empreiteiras. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o MPF tinha dito que os denunciados eram 35. No fim da tarde desta quinta-feira, no entanto, se corrigiu e acrescentou o 36º acusado, Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa.

No total, nesta fase inicial de acusações sobre o escândalo na estatal, foram denunciados nove pessoas ligadas à OAS, 10 à Camargo Corrêa e UTC (somados); 16 à Mendes Junior e à GDF (esta última do doleiro Youssef); sete à Galvão Engenharia; e nove à Engevix. O valor envolvido na lavagem de dinheiro alcança R$ 74,149 milhões, em 105 casos tipificados como crimes. Foram identificados ainda 154 atos de corrupção. O MPF diz que os crimes de corrupção apurados apenas nesta etapa envolvem R$ 286 milhões.

— É um imenso esquema de corrupção. O trabalho não para aqui — diz Deltan Dallagnol, procurador da República que encabeça a força-tarefa criada para a Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a denúncia apresentada pelo MPF significa a abertura de mais uma fase do trabalho da Lava-Jato, que é longo e não se resolverá em tempo breve.

— Começa hoje mais uma fase deste trabalho, que será longo. Outras se seguirão – afirmou Janot.

O esquema, diz o MPF, envolvia empreiteiras, funcionários da Petrobras e operadores financeiros. Nesta fase da denúncia, são citadas apenas as negociações espúrias ligadas à Diretoria de Abastecimento, que era comandada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Janot disse ainda que a investigação sobre a corrupção na Petrobras será feita com “temperança e de forma transparente”.

— O trabalho feito pelo MPF está sendo feito de forma conjunta com energia dividida entre a Receita Federal e a Polícia Federal. Este não será um trabalho rápido, até a completa elucidação — disse Janot.

— Trata-se de um imenso esquema de corrupção no qual eram pagas propinas que variavam de 1 a 5% do valor de cada contrato bilionário com a Petrobras, envolvendo empresas corruptoras e funcionários corruptos. O esquema de lavagem de dinheiro aconteceu entre 2004 a 2012, mas que continuou até 2014 — disse Dallagnol.

Segundo o procurador Dallagnol, foi descoberto um esquema de fraudes no qual as empresas simulavam operações, além de fraudar e decidir quem ganhava cada licitação, num jogo de cartas marcadas.

— Funcionava como se fosse um campeonato de futebol ou um bingo, mas neste caso o jogo era de cartas marcadas, onde se sabia quem ganhava cada licitação. Entre os denunciados estão também o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef.

Foram oferecidas denúncias por prática de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

‘ROUBARAM O ORGULHO DOS BRASILEIROS’

Segundo o procurador Dallagnol, os acusados foram agrupados em cinco denúncias. Como alguns deles aparecem em mais de uma denúncia, o total delas alcança 50. Os nomes dos 22 denunciados das seis empreiteiras envolvidas nesta primeira fase de denúncias são de dirigentes a funcionários de menor escalão. Dellagnol afirmou que o MPF vai buscar na Justiça o ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas das seis empreiteiras até aqui investigadas.

— Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros — disse Janot. — A complexidade dos fatos nos leva a intuir a dimensão desta investigação. Vamos conduzir de forma serena, mas de forma firme e contundente. Cada pessoa responde pelo ato que praticou. Não é vontade do MPF, é vontade do legislador e compete ao MPF aplicar os recursos que lhes são colocados à disposição — completou.

Dellagnol afirmou que essas mesmas empresas estão envolvidas em outras obras públicas e que a única forma de estancar a corrupção é manter os dirigentes das empresas na prisão. O MPF recomendou que os dirigentes e executivos sejam presos.

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

QUATRO FORMAS PARA O PAGAMENTO DA PROPINA

De acordo com Deltan Dallagnol, era conveniente que se cooptasse os agentes públicos. Foram pagas propinas para “maximizar lucros”, e “havia quatro meios de a corrupção acontecer”: por contratos diretamente negociados; por negociação de aditivos; por aceleração da licitação; e pela manutenção dos aditivos.

O procurador disse ainda que a força-tarefa rejeita qualquer forma de blindagem coletiva das empreiteiras, pois o caso envolve reconhecimento de culpa e fornecimento de novas provas para a investigação.

Dellagnol explicou que a denúncia seguiu jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de aplicar a pena aumentada de acordo com o número de vezes que o crime foi cometido. No total, os 35 envolvidos cometeram 154 corrupções e 105 lavagens. De acordo com o procurador, cabe à Justiça analisar a pena para que ela seja aplicada dentro da razoabilidade.

Se determinada pessoa responder por um único caso de corrupção e lavagem de dinheiro, além de integrar a organização criminosa, a pena iria variar de 11 anos a 51 anos e quatro meses.

— O conjunto de funcionários (da Petrobras) corrompidos constituti o segundo núcleo desse gigante esquema criminoso. Para fazer a intermediação da corrupção atuavam operadores que também já entregavam o dinheiro lavado. Num primeiro momento as empreiteiras cartelizadas passavam o dinheiro para operadores financeiros, em espécie. No segundo momento, os operadores pagavam os beneficiários da propina, por meio de dinheiro em espécie, pagamentos de bens e dinheiro no exterior — diz o procurador Dellagnol .

Segundo ele, a intermediação era feita por empresas de fachadas, com pagamentos legais por serviços que nunca existiram.

— E os operadores reconheceram que os serviços jamais existiram. As empresas eram: MO Consultoria, Empreiteira Rigidez, RCI e GFD Investimentos.

De acordo com o MPF, o doleiro Leonardo Meirelles fazia contrato fictícios pela Labogen com remessas para o exterior por contratos de exportação que nunca existiram.

Dellagnol afirmou que Renato Duque não é objeto da denúncia e que as investigações continuam.

ENTENDA A OPERAÇÃO LAVA-JATO

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A Operação Lava-Jato foi deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época, foram presas 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Os detidos foram acusados de participar de uma organização criminosa que tinha o objetivo de lavar R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas.

A operação foi consequência da prisão do empresário André Santos, em dezembro de 2013, com US$ 289 mil e R$ 13.950 escondido nas meias. Santos é réu em ação na qual é acusado de fazer parte do braço financeiro de uma quadrilha de libaneses especializada em contrabandear produtos do Paraguai, operando um esquema de lavagem.

A operação colocou sob suspeita contratos assinados pela Petrobras. Isso porque o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa foi preso, no dia 20 de março, sob acusação de envolvimento com o doleiro Youssef. Costa, que foi detido quando queimava documentos que poderiam se configurar como provas do envolvimento, reconheceu ter recebido deYoussef um carro de luxo. Ele alegou, no entanto, que o presente seria o pagamento por uma consultoria prestada.

Empreiteiras suspeitas de abastecer o esquema de Youssef e do ex-diretor da Petrobras declararam à Receita Federal os pagamentos feitos a empresas dos dois principais acusados na Operação Lava-Jato. Documentos comprovaram repasses efetivos de recursos às empresas do doleiro e do ex-diretor, como consta nas declarações de retenção de impostos das próprias empreiteiras. Entre as depositantes estão as construtoras OAS, Mendes Júnior e Camargo Corrêa, apontadas pela contadora do doleiro Meire Bonfim Poza como integrantes do esquema.

O escândalo do doleiro Youssef respingou ainda sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) e levou André Vargas a se desfiliar do partido para manter o mandato de deputado federal. Vargas é suspeito de fazer parte de um esquema de tráfico de influência e lobby em favor de Youssef junto ao Ministério da Saúde. Vargas usou um jato providenciado pelo doleiro para fazer uma viagem familiar e teria se beneficiado de uma série de outros favores.

CONFIRA A LISTA DOS DENUNCIADOS:

ALBERTO YOUSSEF

PAULO ROBERTO COSTA

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WALDOMIRO DE OLIVEIRA

EMPREITEIRA MENDES JUNIOR:

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na ENGEVIX)

JOÃO PROCÓPIO JUNQUEIRA PACHECO DE ALMEIDA PRADO

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na ENGEVIX)

SÉRGIO CUNHA MENDES

ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA

ÂNGELO ALVES MENDES

ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES

JOSÉ HUMBERTO CRUVINEL RESENDE

ANTONIO CARLOS FIORAVANTE BRASIL PIERUCCINI

MÁRIO LÚCIO DE OLIVEIRA

RICARDO RIBEIRO PESSÔA (também denunciado na Camargo Corrêa e UTC)

JOÃO DE TEIVE E ARGOLLO

SANDRA RAPHAEL GUIMARÃES

EMPREITEIRAS CAMARGO CORREA e UTC ENGENHARIA

DALTON DOS SANTOS AVANCINI

JOÃO RICARDO AULER

EDUARDO HERMELINO LEITE, “LEITOSO”

MARCIO ANDRADE BONILHO

RICARDO RIBEIRO PESSOA (também denunciado na Mendes Jr.)

JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO

ADARICO NEGROMONTE FILHO

EMPREITEIRA OAS

JOSÉ ALDEMÁRIO PINHEIRO FILHO, vulgo “Léo Pinheiro”

AGENOR FRANKLIN MAGALHÃES MEDEIROS

MATEUS COUTINHO DE SÁ OLIVEIRA

JOSÉ RICARDO NOGUEIRA BREGHIROLLI

FERNANDO AUGUSTO STREMEL ANDRADE

EMPREITEIRA ENGEVIX

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na Mendes Jr.)

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na Mendes Jr.)

GERSON DE MELLO ALMADA

CARLOS EDUARDO STRAUCH ALBERO

NEWTON PRADO JUNIOR

LUIZ ROBERTO PEREIRA

EMPREITEIRA GALVÃO ENGENHARIA

ERTON MEDEIROS FONSECA

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JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO

DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO

EDUARDO DE QUEIROZ GALVÃO

Graça Foster sabia das irregularidades na Petrobras

Alerta foi feito pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente da Petrobras e a outros superiores.

Para Graça Foster, Venina comunicou até as ameaças que sofrera após apresentar as denúncias.

Fonte: O Globo

Petrolão: Graça Foster sabia das irregularidades

Petrolão: Graça Foster recebeu e-mail de gerente com denúncias. Divulgação

Graça Foster sabia das irregularidades na Petrobras antes da Operação Lava-Jato, diz jornal

Alerta foi feito pela ex-funcionária da empresa Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente da estatal

Documentos obtidos pelo jornal “Valor Econômico” e publicados nesta sexta-feira comprovam que a atual diretoria da Petrobras sabia das irregularidades em contratos da estatal muito antes da Operação Lava-Jato, desencadeada pela Polícia Federal em 17 de março deste ano. O alerta foi feito pela ex-funcionária da empresa Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. Para Graça, Venina comunicou até as ameaças que sofrera após apresentar as denúncias.

De acordo com a reportagem, os desvios envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades daPetrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Além de Graça Foster, os desvios de dinheiro detectados pela ex-funcionária foram comunidados a José Carlos Cosenza, substituto do delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento. Cosenza é atualmente o responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal. Para Graça foram enviados e-mails e documentos informando as irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. Em 2014, afirma o jornal, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras, em 29 de outubro, Cosenza afirmou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal desde quando começou a trabalhar na Petrobras há 34 anos. No entanto, ele recebeu de Venina, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

Venina Velosa da Fonseca estava na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. A ex-funcionária começou a apresentar denúncias quando ainda era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 2009. À época, ela foi transferida para o escritório da Petrobras em Cingapura, na Ásia. Ela foi afastada em 19 de novembro e vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Operação Lava-Jato.

Segundo o “Valor Econômico”, as suspeitas de Venina começaram em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou os R$ 39 milhões previstos para 2008. A ex-funcionária procurou Paulo Roberto Costa. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria “derrubar todo mundo”. Costa disse também que a ex-funcionária deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina também encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões.

Irregularidades também em Cingapura

O caso, afirma o “Valor Econômico”, foi remetido para a auditoria interna. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia. Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu novamente para Graça Foster:

“Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência”.

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça.

“Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

De acordo com o “Valor Econômico”, em 2012, a ex-funcionária voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, como chefe do escritório. Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Petrobras afirmou que realizou instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para investigar “indícios de irregularidades” em contratos da área de comunicação do abastecimento. Segundo a petroleira, o processo resultou na demissão do ex-gerente da área, que acabou não sendo efetivado por causa de uma licença médica.

Petrobras: Marco Maia não inclui políticos e nem pede indiciamentos em relatórios

Se depender de Marco Maia, CPI Mista da Petrobras termina em pizza. Ele montou relatório sem incluir políticos e nem pedir indiciamentos.

Brasil sem rumo

Fonte: O Globo

CPI da Petrobras: Marco Maia (PT) faz relatório omisso

Deputado Marco Maia (PT-RS) apresentou relatório da CPI mista da Petrobras. Para a oposição, o relatório é chapa branca, produzido pela Petrobras e pelo governo. Divulgação

Relator da CPI da Petrobras não inclui políticos nem pede indiciamentos, mas propõe mudar lei de contratações

Texto pede que MP continue investigações da Operação Lava-Jato e não inclui políticos entre possíveis investigados

O deputado Marco Maia (PT-RS) apresentou nessa quarta-feira o relatório da CPI mista da Petrobras sem pedir indiciamentos. Ele apenas lista pessoas que poderiam ser investigadas, sem quaisquer nomes de políticos entre os que deveriam ser alvo de apuração. Maia propõe ainda em seu relatório mudar a legislação de contratações para empresas estatais. O relatório tem 903 páginas e deve ser votado na próxima semana. Apesar de não pedir nenhum indiciamento diretamente, Maia diz que “corrobora e ratifica” os indiciamentos feitos na esfera judicial.

Somente em relação a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, são apontados 52 pessoas a serem investigadas. Quase todas, porém, já são alvos das ações que tramitam na Justiça Federal do Paraná. Entre os principais personagens, o único citado que ainda não é alvo de inquérito é o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Estão na lista os executivos de empreiteiras e os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Renato de Souza Duque. O texto pede ainda a investigação de 20 empresas, quase todas também já alvos de investigação. O mesmo ocorre no restante do relatório que cita, por exemplo, o pagamento de propina pela holandesa SBM Offshore.

Em todo o parecer, Maia fez 13 menções à presidente Dilma Rousseff. Em nenhuma delas há qualquer acusação contra ela. A maior parte das citações está na transcrição de trecho do depoimento de Paulo Roberto Costa à comissão. No caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, são oito citações, todas também relativas ao depoimento. Em relação ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a única menção é em uma frase de Costa de que as nomeações políticas na Petrobras acontecem desde o governo José Sarney.

O relator da CPI afirmou que o pedido parar apurar a responsabilização das pessoas apontados no seu texto teria o mesmo efeito de um pedido de indiciamento. Admitiu, porém, que pode fazer alteração no texto para deixar clara essa intenção.

— Havendo dúvidas sobre esse tema, nós podemos alterar, mudar. O relatório ainda será muito alterado daqui até a próxima semana porque estamos abertos a todas as contribuições que forem apresentadas pelos nossos parlamentares. Agora, volto a dizer e deixar bem claro: nós estamos indiciando, estamos remetendo ao Ministério Público todas essas 52 pessoas dizendo que há indícios de que elas participaram de algum esquema de corrupção, lavagem de dinheiro durante o curso das investigações. Quanto a isso, na nossa cabeça não paira a menor dúvida — afirmou ele, após a reunião.

O documento propõe a criação de um novo modelo de contratações para as empresas estatais. Atualmente a Petrobras usa um decreto que lhe permite adotar procedimentos mais simplificados, sem ter de aplicar a Lei de Licitações. Maia propõe como alternativa um novo sistema que teria como base o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), criado para as obras da Copa do Mundo e ampliado posteriormente para a maioria dos investimentos do governo federal.

O relator afirma em relação a refinaria Abreu e Lima que foi constatado um sobrepreço de US$ 4,2 bilhões na construção. Apontou apenas diretores e gerentes já investigados como culpados, e recomendou a abertura de processos administrativos.

Sobre a compra da refinaria de Pasadena, o relator disse que o negócio foi feito de forma correta, mesmo que tenha havido pagamento de propina, como já admitiu o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

“Mesmo que tenha havido pagamento de propina a Diretores da Petrobras, conclui-se que a aquisição de Pasadena ocorreu dentro das condições de mercado da época e que a empresa conta, hoje, com um bom e lucrativo ativo, compatível com o seu custo”, afirma.

Disse ainda que é preciso ser “reavaliado” o cálculo do TCU que apontou prejuízo de US$ 792 milhões pela compra do ativo. Afirmou que não foram levados em conta “fatores importantes do negócio”.

Maia destacou na introdução que a CPI acaba sem ter conseguido concluir as investigações que se dispôs a fazer.

– Estamos encerrando essa CPI não por encerramento do processo de investigação, mas por uma questão legal porque a Constituição não permite que a comissão passe de uma legislatura para outra – disse.

Questionado antes da reunião se assinaria o pedido de uma nova CPI, afirmou que essa decisão caberá ao novo Congresso, que tomará posse em fevereiro, e que apoiará o prosseguimento de investigações sobre o tema.

Após a conclusão da leitura do relatório, o deputado afirmou que fez uma “opção” de não repetir indiciamentos já feitos pela PF e pelo MPF. Em relação aos investigados que ainda não foram indiciados por estes órgãos, o relator disse que o pedido de apuração se assemelharia a um pedido de indiciamento. Não há, porém, o indiciamento por qual crime estaria sendo pedido. Maia fez, então, uma lista de crimes.

— Estamos falando em crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, formação de cartel, associação criminosa, além de outros que surjam durante as investigações, além de improbidade administrativa — disse.

A oposição não ficou satisfeita com o texto.

É um relatório chapa branca, produzido pela Petrobras e pelo governo. Vamos apresentar um relatório paralelo e não vai ter só indiciamento de bagrinhos — afirmou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

Além de não haver novos indiciamentos, a oposição questiona o fato de integrantes da atual diretoria da Petrobras não terem sido nem sequer mencionados como responsáveis pelas irregularidades apontadas.

Será alvo de debate também a conclusão de Maia de que Pasadena foi um bom negócio. Para a oposição, a compra da refinaria gerou prejuízos para a Petrobras e a responsabilização poderia recair até sobre a presidente Dilma, que estava a frente do Conselho de Administração da Petrobras, na época da aquisição.

— O Conselho de Administração da Petrobras não pode ficar imune a tudo que aconteceu nesta empresa, um mar de lama que tomou conta da empresa — disse o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

Porto Seguro: ainda não houve punição a citados no escândalo

Até hoje, não houve punição a nenhum dos 24 citados no escândalo, e 10 deles mantêm seus cargos no governo federal.

Brasil sem Rumo

Fonte: O Globo

Porto Seguro: Rosemary, amiga de Lula, não foi punida

Porto Seguro: dois anos depois de ter sido um dos principais alvos da Operação Porto Seguro, a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, mantém mistério sobre a sua vida profissional. Divulgação

Porto Seguro: sem punição dois anos após operação da PF

Dez acusados de vender pareceres em órgãos públicos mantêm empregos no governo

Dois anos depois de ter sido um dos principais alvos da Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha mantém mistério sobre a sua vida profissional. A amiga do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não revela como tem se sustentado. Sua família inaugurou, no início do ano, uma escola de inglês para crianças em bairro nobre de São José dos Campos (SP), no Vale do Paraíba. Até hoje, não houve punição a nenhum dos 24 citados no escândalo, e dez deles mantêm seus cargos no governo federal, com salários de R$ 3,9 mil a R$ 21,4 mil.

Durante as investigações que levaram à descoberta da quadrilha que vendia pareces em órgãos públicos federais, foi constatado que Rosemary e o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira planejavam abrir uma escola de inglês. A Red Ballon, já aberta, está em nome de Meline e Mirelle, as duas filhas de Rosemary, e de seu ex-marido, José Claudio de Noronha, também acusado de participar do esquema.

Meline, que seria a responsável pela escola, se recusou, semana passada, a conversar com O GLOBO. No dia da operação, em novembro de 2012, foi determinado a policiais federais que cumpriram mandado de busca e apreensão no apartamento da outra filha de Rosemary, Mirelle, que buscassem documentos relacionados à escola.

O advogado de Rose, Celso Vilardi, informou que não faria comentários sobre o funcionamento da escola.

— A empresa foi aberta e está devidamente declarada por seus donos. Minha cliente não tem nada a ver com isso — afirmou o defensor, ao ser questionado sobre a coincidência entre os planos de Rose descobertos durante as investigações da PF e do MPF e a instalação da unidade pelos parentes da ex-chefe do escritório da Presidência.

Vilardi também não quis revelar se Rosemary, exonerada logo após a operação, exerce alguma atividade profissional.

Rosemary foi a única dos servidores públicos citados na Operação Porto Seguro a receber punição administrativa da Controladoria Geral da União (CGU) até o momento. Em setembro do ano passado, o órgão apontou 11 irregularidades na conduta dela à frente do escritório da Presidência em São Paulo, e, assim, determinou que ela não pode voltar a ocupar cargos públicos.

Outros dez servidores apontados como participantes do esquema, entre eles Paulo Vieira, continuam a manter seus empregos, apesar de exonerados das funções comissionadas que ocupavam na época. Os processos administrativos disciplinares (PADs), que poderiam levar à perda da função pública desses funcionários, ainda estão em andamento. A Controladoria Geral da União (CGU) culpa as ações judiciais apresentadas pelos servidores para brecar as apurações como responsáveis pela demora na conclusão dos procedimentos.

Os processos judiciais também ainda estão em fase de apresentação de provas e defesa. A denúncia criminal contra os acusados, apesar de ter sido apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) menos de um mês depois da deflagração da operação, só foi aceita pela Justiça em fevereiro deste ano. Como há servidores públicos envolvidos, foi permitido que os acusados apresentassem defesa prévia, o que adiou a decisão do juiz. Dos 24 denunciados, 20 foram transformados em réus. A outros quatro, responsabilizados por crimes menores, foi proposta transição penal, que permite a extinção da ação em troca de cumprimento de serviços comunitários.

Rosemary e José Claudio de Noronha, respondem a um processo criminal. Ela é ré por corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica. Ele responde apenas pelo último crime.

Réu nas cinco ações penais e nas duas de improbidade que resultaram da Operação Porto Seguro, Paulo Vieira exerce a função de analista de controle e finanças do Ministério da Fazenda, com salário mensal de R$ 19.437,76. O PAD contra ele já teve a fase de apresentação de provas concluída e também já houve o indiciamento.

TRABALHO NA AGU REBDE R$ 21 MIL

Na Justiça, Vieira responde pelos crimes de corrupção ativa setes vezes, tráfico de influência, falsidade ideológica duas vezes, falsificação de documento de particular e quadrilha. Ele é acusado de ter oferecido favores a Rosemary para ser nomeado para o cargo na ANA. Ao assumir o posto, teria comandado um esquema de venda de pareces em órgãos como a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Anataq) e a Advocacia Geral da União (AGU). O advogado de Vieira não foi localizado. Na defesa prévia, o ex-diretor da ANA questionou os procedimentos formais das investigações e pediu a transferência de todo o caso para Brasília, o que foi negado pelo magistrado de São Paulo.

Réu em uma ação penal e outra de improbidade, José Weber Holanda, ex-adjunto do advogado geral da União, Luís Adams, trabalha na escola da AGU, com salário de R$ 21,4 mil.

MP vai à Suíça localizar dinheiro desviado da Petrobras

Ministério Público suíço localizou extratos de uma conta de Paulo Roberto Costa, acusado de participar do esquema de cobrança de propina.

Conta de Paulo Roberto Costa tem saldo de cerca de US$ 27 milhões

Fonte: O Globo

Petrolão: MP vai à Suíça localizar dinheiro desviado

Petrolão: conta de Paulo Roberto Costa tem saldo de cerca de US$ 27 milhões. A força-tarefa do MPF tentará descobrir a origem do dinheiro e procurar se foram feitas transferências para outros envolvidos no esquema. Divulgação

Procuradores vão à Suíça para tentar localizar dinheiro desviado da Petrobras

Ministério Público suíço localizou e deve entregar extratos de uma conta de Paulo Roberto Costa

Dois procuradores do Ministério Público Federal (MPF), responsáveis pelas investigações da Operação Lava-Jato, embarcaram nesta segunda-feira para a Suíça para tentar localizar o dinheiro que pode ter sido desviado da Petrobras para contas no país. O Ministério Público suíço localizou e deve entregar extratos de uma conta do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, acusado de participar do esquema de cobrança de propina, informou o “Jornal Nacional”, da Rede Globo.

A conta do ex-executivo da Petrobras tem saldo de cerca de US$ 27 milhões. A força-tarefa do MPF tentará descobrir a origem do dinheiro e procurar se foram feitas transferências para outros envolvidos no esquema. Os procuradores também vão procurar provas de que outros envolvidos na Operação Lava -Jato tenham movimentado dinheiro no exterior. Entre eles, está outro ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que está preso em Curitiba, e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Conforme Paulo Roberto Costa, eles também participavam do esquema, sendo que Baiano seria operador do PMDB nos desvios de dinheiro da Petrobras.

A informação foi corroborada por outro executivo, da empresa Toyo Setal, chamado Júlio Camargo. Em um depoimento à Polícia Federal, ele garantiu ter feito depósitos no valor de R$ 6 milhões. A quantia, afirmou, era para a diretoria de Serviços, comandada por Duque. A maior parte foi depositada no banco Credit Suisse, em contas indicadas por Duque e pelo subordinado dele, o gerente de Serviços da estatal, Pedro Barusco.

Júlio Camargo também disse que repassou entre R$ 12,5 milhões e R$ 15 milhões para Fernando Baiano. Segundo o executivo da Toyo Setal, esse dinheiro foi levado para um banco no Uruguai e para várias contas indicadas pelo lobista no exterior.

Com a identificação de todas essas contas e movimentações, o MPF pretende, o mais rápido possível, iniciar os processos para repatriar o dinheiro.

Compra de votos: grampo confirma cobrança de mesada no Bolsa Família

Grampo da operação Curinga da PF reforça a tese de pagamento de mesada a organização que montou esquema de compra de votos no Norte de MG.

PT na mira das investigações

Fonte: Hoje em Dia

Eleição sob suspeita: grampo confirma tese de compra de votos

Compra de votos: combustível, transporte, material de construção, aposentadorias, cirurgias e dentaduras foram distribuídos para eleitores de Monte Azul. Divulgação

Grampo revela cobrança de mesada no Bolsa Família

Um grampo da operação “Curinga”, da Polícia Federal (PF) em Minas, reforça a tese de pagamento de mesada a integrantes da “organização criminosa” que montou um esquema de compra de votos no Norte de Minas.

Além de exigir contribuições de pessoas que conseguiram se aposentar com auxílio da “quadrilha”, interceptação telefônica levanta a suspeita de cobrança de valores do Bolsa Família.

No diálogo, gravado com autorização do juiz Henrique Gouveia da Cunha, o vereador Geraldo Ladim (PT), de Monte Azul, é flagrado conversando com a professora C. F. C., que solicita que o petista vá até a casa de sua mãe para buscar dinheiro.

A interlocutora C. F. C., segundo relatório de inteligência da investigação, é filha de C. F. B. C., servidora do município, que está na lista de beneficiados do Bolsa Família.

O documento da PF não faz menção se C. F. B. C. se enquadra no perfil de renda para recebimento do auxílio (renda familiar per capita inferior a R$ 70 mensais). “Cê vai na casa da mãe pra buscar o dinheiro, viu?”, diz a professora. “Tá”, responde Ladim.

Curinga 2

Durante a última semana, o Hoje em Dia apurou com fontes da investigação que uma segunda fase da operação “Curinga” deverá ser desencadeada para apurar os indícios de irregularidades em programas do governo.

Além de exigir repasses do Bolsa Família, a quadrilha é suspeita de “montar” processos de concessão de benefícios previdenciários, muitos deles irregulares, e de posteriormente cobrar mesadas dos novos aposentados.

O dinheiro desviado ia para o caixa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Monte Azul, entidade dominada pelo vereador Ladim, pela presidente da Câmara Municipal da cidade, Marineide do Sindicato (PT), e pelo vice-prefeito Toninho da Barraca (PT).

Os três petistas foram flagrados em várias interceptações telefônicas intermediando a concessão de favores em troca de apoio político para os candidatos da coligação do PT. Combustível, transporte, material de construção, aposentadorias, cirurgias e dentaduras foram distribuídos para eleitores de Monte Azul.

Indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, fraude previdenciária e falsidade ideológica, Ladim, Marineide e Toninho apoiaram as campanhas dos deputados petistas Paulo Guedes e Reginaldo Lopes, os mais votados no Estado para Assembleia e Câmara Federal, respectivamente.

Segundo o inquérito, não há evidências do envolvimento dos deputados com as fraudes, mas as campanhas deles acabaram sendo beneficiadas. Já os deputados alegam que não têm condições de controlar todos os aliados no Estado.

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