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Noblat: À espera da reforma medíocre e limitada de um governo ruim

Dilma procede como em 1992 também procedeu o então presidente Fernando Collor, ameaçado pelo impeachment. Collor reformou seu ministério. E mesmo assim acabou no chão.

Dilma é useira e vezeira em adotar ideias pouco inteligentes.

Fonte: Blog do Noblat

Noblat: À espera da reforma medíocre e limitada de um governo ruim

Os nomes dos novos ministros de Dilma são medíocres. E a reforma, limitada. Divulgação

À espera da reforma medíocre e limitada de um governo ruim

Por Ricardo Noblat

De volta de Nova Iorque, depois de abrir mais uma Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff deverá conferir prioridade ao desfecho da reforma do seu ministério.

Trata-se de uma tarefa que ela mesma se impôs e que se arrasta há mais de 30 dias. No momento em que mais precisa de apoio político, ela pretende cortar 10 dos atuais 39 ministérios.

Não é uma ideia inteligente. Mas Dilma é useira e vezeira em adotar ideias pouco inteligentes. Ou burras mesmo.  Age assim devido à sua inexperiência política e à má qualidade dos seus conselheiros.

Do ponto de vista econômico, o corte de 10 ministérios nada significa. É só para que ela possa dizer: “Cortei”. E talvez não corte 10. De alguns deles, se limitará a tirar o status de ministério.

Com o corte e a entrega de seis ministérios ao PMDB, um deles o da Saúde, Dilma imagina reunir votos o bastante para barrar na Câmara dos Deputados qualquer pedido de impeachment contra ela.

O PMDB não lhe assegura votos com tal objetivo. Nem mesmo com o objetivo limitado de recriar a CPMF. Alguns nomes do partido podem particularmente lhe assegurar seus votos. Mas é só.

Dilma procede como em 1992 também procedeu o então presidente Fernando Collor, ameaçado pelo impeachment. Collor reformou seu ministério. E mesmo assim acabou no chão.

Marcas da reforma feita por Collor: a atração de nomes de peso da política e de fora dela; e sua amplidão. Os nomes dos novos ministros de Dilma são medíocres. E a reforma, limitada.

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Impeachment: ‘O governo Dilma não tem salvação’, por Ricardo Noblat

Os oito senadores são unânimes no diagnóstico: ela não tem mais jeito. Esse, por sinal, é o sentimento que cresce no Senado.

Até Renan Calheiros, presidente do Senado e aliado recente do governo, já foi contaminado por tal sentimento.

Fonte: Blog do Noblat

Impeachment: ‘O governo Dilma não tem salvação’, por Ricardo Noblat

Dilma Rousseff: sentimento que cresce no Senado é de que não tem mais jeito. Divulgação

O governo Dilma não tem salvação

Por Ricardo Noblat

Está previsto para esta semana o anúncio da reforma administrativa prometida por Dilma há mais de um mês.

Não significará grande coisa em termos de economia. Mas economia não é tudo na vida.

Espera-se a extinção de uma dezena de ministérios, a fusão entre alguns e o remanejamento de órgãos.

Ah, sim, deverão ser cortados alguns poucos milhares de cargos de livre nomeação.

O que soa esquisito é o fato de Dilma, até ontem, segundo Andreza Matais e Talita Fernandes, repórteres de O Estado de S. Paulo, não ter procurado o PMDB para conversar a respeito.

O partido é o aliado mais importante do governo. O vice-presidente da República é do PMDB. Dilma fez questão de assumir a coordenação política do governo. E só tem pregado o diálogo.

Para tudo, ela receita o mesmo remédio – diálogo, diálogo, diálogo.

O que explica a falta de diálogo com o PMDB em torno da reforma administrativa? Esquecimento? Desprezo? Falta de tempo?

Consultá-lo a poucos dias do anúncio da reforma denuncia a intenção de apresentar-lhe um prato feito, sem espaço para mudanças.

É desesperador o comportamento errático de Dilma. Há um mês, o grupo de senadores que se diz independente foi convidado por ela para um jantar no Palácio da Alvorada.

Dos 15 senadores, oito atenderam ao convite. Os demais acharam que seria perda de tempo.

O encontro foi agradável. Os senadores se sentiram à vontade até para conversar com Dilma sobre seu eventual impeachment.

Deixaram-lhe uma carta com sugestões capazes de melhorar a situação do governo.

Aguardam até hoje o retorno prometido por Dilma sobre a carta.

Os oito senadores são unânimes no diagnóstico: ela não tem mais jeito. Esse, por sinal, é o sentimento que cresce no Senado.

Até Renan Calheiros, presidente do Senado e aliado recente do governo, já foi contaminado por tal sentimento.

Cunha anunciará rompimento e Dilma ficará ainda mais abandonada

Movimento já era esperado por aliados e opositores de Cunha. Um deputado do DEM avalia que o governo terá neste 2º semestre o seu pior momento.

Dentro do PMDB, Eduardo Cunha é a principal voz favorável ao rompimento com o PT.

Fonte: Estadão

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Desafeto da presidente Dilma Rousseff, Eduardo Cunha oficializará o rompimento com o governo. Reprodução.

 

Cunha confirma que anunciará rompimento com o governo nesta sexta-feira

Após a divulgação de delação de Julio Camargo sobre propina de US$ 5 milhões, presidente da Câmara encontrou-se com Michel Temer para falar sobre ruptura de aliança

A retaliação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao Palácio do Planalto por causa da acusação feita pelo lobista Júlio Camargo de que ele teria cobrado US$ 5 milhões terá seu primeiro capítulo nesta sexta-feira, 17. Desafeto da presidente Dilma Rousseff, o peemedebista oficializará o rompimento com o governo.

Na quinta-feira, 16, após a divulgação da delação de Camargo, Cunha encontrou-se com o vice-presidente da República, Michel Temer, comandante do PMDB, para tratar do assunto. O rompimento foi revelado pelo site da revista Época na noite de quinta. Cunha confirma a informação.

O movimento já era esperado por aliados e opositores do presidente da Câmara. Um deputado do DEM avalia que o governo terá neste segundo semestre o seu pior momento, pois Dilmaserá o principal alvo de Cunha. Para o parlamentar, o peemedebista não mais evitará a abertura de processo de impeachment contra a petista. Para um peemedebista, Cunha teria mesmo que deixar de ser “camaleão”, ora governista, ora oposicionista, para assumir de fato seu papel de adversário da presidente Dilma Rousseff.

Dentro do PMDB, Eduardo Cunha é a principal voz favorável ao rompimento com o PT. Em entrevista ao Estado em 14 de junho, ele já defendia o desembarque de seu partido do governo e o fim da aliança entre as duas legendas já a partir das eleições municipais do ano que vem. Na quarta-feira, 15, ao lado de Temer, do presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL), e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), Cunha voltou a defender de maneira enfática que o PMDB tenha candidato próprio em 2018. Foi seguido pelos correligionários.

Na quinta-feira, 16, em café da manhã com jornalistas, o presidente da Câmara fez novos ataques ao PT: “Não aguentamos mais não disputarmos a eleição e ficarmos perto do PT. Ninguém aguenta mais aliança com o PT”; “Estamos doidos para pular fora (do governo)”; “Um partido que não quero na aliança com o PMDB é o PT”.

Dia infernal: Governo Dilma amarga derrota no Congresso

Na CPI da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, disse que dinheiro da corrupção alimentou a campanha de Dilma em 2010.

O PMDB anunciou que não tem mais compromisso de aprovar o ajuste devido à posição do PT

Fonte: Blog do Noblat

Dilma perde interlocução no Congresso e governo tem Dia de Cão. Divulgação

Ontem foi um dos piores dias até agora do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.  Divulgação

Governo Dilma amarga um dia infernal

Ricardo Noblat

Foi ontem o pior dos dias até agora do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Está bem, exagero. Certamente foi um dos piores dias.

O que o governo amargou em menos de 12 horas:

1. Foi adiado o início da votação das Medidas Provisórias 664 e 665 do ajuste fiscal;

2. O PMDB anunciou que não tem mais compromisso de aprovar o ajuste devido à posição do PT;

3. Por sua vez, o PT recusou-se a garantir os votos dos seus 64 deputados para aprovação do ajuste;

4. A Câmara aprovou em definitivo a Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC da Bengala, que aumenta a idade limite da aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos no caso de ministros de tribunais superiores. Com isso, Dilma perderá a chance de indicar cinco novos ministros do Supremo Tribunal Federal e, pelo menos, mais 15 de outros tribunais;

5. Um ruidoso panelaço recepcionou em 18 capitais o programa de propaganda eleitoral do PT no rádio e na televisão;

6. Na CPI da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, disse que dinheiro da corrupção alimentou a campanha de Dilma em 2010. Apontou a política do governo de defasagem do preço dos derivados como principal responsável pelo prejuízo de R$ 60 bilhões da Petrobras;

7. Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, revelou que foi convidado para o cargo pelo então presidente Lula e sua ministra das Minas e Energia, Dilma. Negou que o PMDB tivesse tido algo a ver com isso;

8. Este ano, , segundo admitiu a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), cerca de 35 mil a 40 mil empregos serão extintos na indústria automobilística, que atravessa uma de suas piores crises.

EmPACou: Dilma atrasa repasses do PAC e bloqueia R$ 32 bilhões

Corte atinge principal iniciativa em infraestrutura do governo Dilma, que chegou a ser apelidada de “mãe do PAC” na primeira fase do programa, ainda durante o governo Lula.

Sem dinheiro: algumas obras previstas pelo PAC serão canceladas

Fonte: O Globo

EmPACou: Dilma atrasa repasses do PAC e bloqueia R$ 32 bilhões

Governo atrasa repasses e bloqueia R$ 32 bilhões de obras do PAC

Corte atinge a principal iniciativa em infraestrutura do governo da presidente Dilma Rousseff

Como mais uma medida do ajuste fiscal, o governo federal bloqueou temporariamente nesta quarta-feira R$ 32,6 bilhões de despesas previstas para o pagamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O corte atinge a principal iniciativa em infraestrutura do governo da presidente Dilma Rousseff, que chegou a ser apelidada de “mãe do PAC” na primeira fase do programa, ainda durante o governo Lula. Segundo o Ministério do Planejamento, o bloqueio atinge obras que ainda não saíram do papel.

O governo fará uma avaliação desses projetos e, em julho, decidirá se cancelará as verbas que haviam sido previstas para essas obras ou se manterá parte delas. Os R$ 32,6 bilhões bloqueados são relativos a valores de 2013 ou anos anteriores que não foram gastos porque as ações não se iniciaram. Segundo o Planejamento, há R$ 60,2 bilhões em despesas previstas de outros anos para pagamentos de obras do PAC, chamados de restos a pagar. Dessa quantia, R$ 30,2 bilhões não foram bloqueados porque as obras estão em curso e na fase de pagamento.

O bloqueio dos recursos foi determinado nesta quarta-feira pela equipe econômica como parte de um congelamento maior, no esforço de ajuste fiscal. O governo se debruçou sobre R$ 188,5 bilhões de verbas para ações ou obras que não deslancharam até o ano passado, incluindo as do PAC. Decidiu congelar R$ 142,6 bilhões, sendo R$ 71,6 bilhões de verbas inscritas em 2013 e outros R$ 71 bilhões de 2014.

O Orçamento da União prevê o pagamento em etapas. A primeira é o empenho, que é a reserva do dinheiro e a promessa de que o pagamento ocorrerá. Depois, há a liquidação, quando o pagamento é feito. Os restos a pagar são despesas previstas, mas que não foram liquidadas. Segundo os técnicos, isso ocorre quando a ação, projeto ou obra não tem o andamento esperado. O dinheiro fica retido na fase de empenho. No PAC, a cada trecho executado, o dinheiro é pago.

O decreto 8.407, publicado ontem no Diário Oficial da União, determina o bloqueio e o possível cancelamento de despesas inscritas até 2014, justamente em restos a pagar não processados (gastos contratados em anos anteriores, mas ainda não realizados).

Na reunião com a cúpula do PMDB, segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou que o governo estava adotando uma medida que mexeria nos chamados restos a pagar. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que a equipe econômica avisou que seriam medidas duras:

— Eles disseram que ia ser um decreto muito duro. Mas vai paralisar todas as obras? — questionou ontem o líder.

Segundo nota divulgada pelo Ministério do Planejamento, a medida está sendo adotada para que o governo possa “avaliar, em conjunto com os ministérios, a execução financeira e o planejamento fiscal das ações e projetos que ainda não foram liquidados”.

De acordo com a pasta, os órgãos poderão desbloquear os recursos inscritos em restos a pagar não processados de despesas que iniciarem sua execução até 30 de junho de 2015. Nos casos em que não houver previsão de início da despesa até essa data, os ministérios deverão justificar a manutenção dos correspondentes empenhos à Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento e ao Tesouro Nacional até 30 de abril de 2015.

Os ministérios da Fazenda e Planejamento deverão se manifestar sobre a solicitação de desbloqueio até 30 de junho. Após essa data, os saldos de empenhos de restos a pagar não processados que permanecerem bloqueados serão cancelados.

No caso de 2014, além de preservar parte dos recursos do PAC, ficaram de fora do bloqueio temporário verbas dos ministérios da Saúde e da Educação (que financiam a manutenção e o desenvolvimento do ensino) e também as emendas individuais obrigatórias incluídas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014.

Lava-Jato: arquivos de ex-diretor indicam elo com Transpetro

Investigadores acreditam que os desvios avançaram sobre a Transpetro, controlada politicamente pelo PMDB desde 2003.

Suspeita de que esquema de corrupção tenha tentáculos em outra estatal

Fonte: O Estado de S.Paulo

Lava Jato apura elo de esquema na Transpetro

Força-tarefa analisa arquivos de ex-diretor com referências à subsidiária e a Sergio Machado

Anotações da agenda do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, arquivos dos computadores de sua empresa (Costa Global) e um depoimento prestado à Justiça Federal em agosto indicam que o esquema de corrupção e propina que atuou em contratos milionários da estatal – como as obras da refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – mirou também no setor de construção e locação de navios.

Com base na análise dos registros de contabilidade e de reuniões, temas e projetos feitos por Costa entre 2006 e 2012, os investigadores acreditam que os desvios na área naval não se limitaram à Diretoria de Abastecimento, sob o seu comando, mas avançaram sobre a Transpetro, controlada politicamente pelo PMDB desde 2003. Em depoimento no dia 8 de agosto, Costa disse que recebeu de Machado R$ 500 mil como parte de um pagamento de propina referente ao fretamento de navios entre 2009 e 2010, que envolvia a Diretoria de Abastecimento e a Transpetro.

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Na agenda e arquivos do ex-diretor – que já firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal – há referências à “construção de navios”, “estaleiros”, “contrato de transporte Transpetro”, nomes de grandes empresas do setor naval e “Sergio Machado”. As anotações foram feitas após Costa deixar a Petrobrás, em 2012. Há também planilhas de recebimento de comissão – de mais de R$ 5 milhões – pelo aluguel de grandes navios, entre 2006 e 2010, quando ele ainda era diretor da estatal.
Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

O material, apreendido em março e analisado até agosto, foi compartilhado pela força-tarefa da Operação Lava Jato com o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, na semana passada, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os autos da Lava Jato. Os promotores pediram os documentos para anexar à investigação aberta em 2010 que apura suspeita de enriquecimento ilícito de Machado.

Subsidiárias. As próximas fases da Lava Jato passarão a investigar outras obras da Petrobrás e contratos firmados por suas subsidiárias, como a Transpetro e a BR Distribuidora, e o Petros, o fundo de pensão dos trabalhadores. A força-tarefa da Lava Jato tem concentrado suas investigações na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A partir de 2015, outras obras da estatal, as demais diretorias (Serviços e Internacional) da Petrobrás e subsidiárias terão as investigações aprofundadas individualmente.

Responsável pelo transporte de combustível produzido pela Petrobrás, a Transpetro só ganhou força a partir de 2004, quando o governo federal lançou o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), com investimento de R$ 11 bilhões para construção de 49 navios e 20 comboios hidroviários. Desses, sete entraram em operação.

Conforme as investigações da Lava Jato, um dos genros de Costa, Humberto Sampaio Mesquita, foi o operador do esquema envolvendo navios na Petrobrás em nome do PP. Beto, como é conhecido, controlava pelo menos três contas no exterior e fazia a movimentação da propina na área naval para o sogro. Foi o que apontou o réu confesso do esquema, o doleiro Alberto Youssef, no depoimento que os réus prestaram no dia 8 de agosto à Justiça Federal, em Curitiba. “Tinha quem operava a área de navios, que era o seu (de Costa) genro.”

A suspeita é que o esquema tenha funcionado tanto na Diretoria de Abastecimento da petrolífera como na Transpetro. Ao afirmar que recebeu propina das mãos de Machado, Costa foi questionado pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, se o esquema que abasteceu partidos e políticos descoberto nas obras da Refinaria Abreu e Lima “acontecia também em relação a empresas ligadas a Petrobrás, subsidiárias”. “A Transpetro tem alguns, alguns casos de repasse para políticos, sim”, afirmou o ex-diretor.

Planilhas. Outra prova para os investigadores da Lava Jato da atuação de Costa nessa área de navios são nove planilhas encontradas em um computador da Costa Global. São contratos de corretagem de afretamento de navios com o armador dinamarquês Maersk – um dos maiores construtoras de navios do mundo – com as comissões de 1,25% em cima de contratos em média de R$ 30 milhões pelo aluguel de grandes navios entre 2006 e 2010.

“Contratos de afretamento de navios contemplam este desconto de 1,25% do valor global de afretamento, porém este abatimento na fatura não estaria sendo repassado à Petrobrás. Ao invés disso, esse valor estaria sendo apropriado indevidamente por gestores da própria Petrobrás”, registra a Polícia Federal. Há ainda um contrato de confidencialidade entre uma empresa criada pela Maersk e uma aberta no Brasil para receber o dinheiro, de um amigo da Costa.

EX-DIRETOR NÃO FOI INTERMEDIÁRIO, AFIRMA TRANSPETRO

A Transpetro e seu presidente licenciado, Sergio Machado, negaram ilegalidades nos contratos da subsidiária e qualquer interferência do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. ”O ex-diretor não interferiu nos contratos da empresa nem foi ‘intermediário’”, informou a subsidiária da Petrobrás, por meio de sua assessoria de imprensa.

Machado voltou a afirmar que é “absolutamente falsa a menção feita contra ele por Paulo Roberto Costa”, mas admitiu que o ex-diretor propôs contratos para a subsidiária após deixar a Petrobrás. Via assessoria, o presidente licenciado da Transpetro classificou os documentos e anotações que estão sendo analisados pela força-tarefa da Lava Jato como “um conjunto de intenções do ex-diretor”. “Elas retratam tão somente planos traçados por ele e não comprometem necessariamente com seus objetivos as pessoas ali mencionadas.”

Segundo Machado, que admite ter sido procurado quatro vezes por Costa após sua saída da Petrobrás, informou que “num momento em que não pesava contra ele nenhuma suspeita, chegou a apresentar sugestões que foram submetidas a análise da equipe técnica da Transpetro”.

“A conclusão foi de que nenhuma dessas proposições atendia aos interesses da empresa – e, portanto, nenhuma foi efetivada.”
Já a Transpetro disse que “os contratos da empresa são fruto de processos licitatórios dos quais participaram diversas empresas, tendo sido vencedoras sempre aquelas que ofereceram os menores preços”. A estatal de logística e transportes da Petrobrás destacou que foi submetida a fiscalização “regular pelos órgãos oficiais de controle”, sem que houvesse apontamento de sobrepreço.

A Transpetro informou “desconhecer” por que há menção ao Promef, principal programa de investimentos da subsidiária, nas anotações de Costa. Machado informou, por meio de assessoria de imprensa, que Costa “nunca tratou” com ele de contratos firmados pela Transpetro “nem de investimentos do chamado Promef”.

Machado lembrou que desde o primeiro ano, o programa foi auditado pelo Tribunal de Contas da União e o órgão não constatou indícios de irregularidades ou superfaturamento quando questionado pelo Senado a respeito da construção de um dos sete navios financiados pelo Promef.

Veja as demais citações à Transpetro, aos navios e a Sérgio Machado.

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro  Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

Petrolão: justiça apura elo de esquema na Transpetro

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE SÉRGIO MACHADO

“Todas as anotações em questão são conhecidas desde abril e já foram objeto de reportagens dos principais veículos de imprensa, em especial o próprio Estadão. Nenhuma delas é inédita – nem traz nenhuma informação que já não tenha sido plenamente esclarecida pela Transpetro.

Tais anotações, segundo o amplo noticiário a seu respeito, foram tomadas, em sua totalidade, nos anos de 2012 e 2013. Nesses anos, a Transpetro não negociou nenhum contrato de afretamento de navios.

Paulo Roberto Costa nunca tratou com Sergio Machado de contratos firmados pela Transpetro nem de investimentos do chamado Promef. O governo federal tinha como meta reativar a indústria naval para construir navios no Brasil. A Transpetro então concebeu, implantou e administrou exclusivamente todo o programa, sem a interferência de nenhuma diretoria da Petrobras.

Ressalte-se que desde o primeiro ano, o programa é auditado anualmente pelo Tribunal de Contas da União. Além disso, o pleno do TCU, em resposta a questionamento específico feito pelo Senado Federal em 18 de março último, afirmou:

“Não se faz necessária a realização de auditorias para fins propostos no referido requerimento uma vez que não foram encontrados indícios de (i) superfaturamento, (ii) irregularidade na aplicação dos valores gastos, (iii) graves problemas técnicos em relação a construção do navio petroleiro João Cândido, da classe suezmax, em fiscalizações anteriores realizadas por essa corte (nos anos de 2005, 2006, 2008, 2010, 2011 e 2013).”

Sergio Machado desconhece o significado das menções ao Promef inscritas nas agendas do ex-diretor da Petrobras e ressalta que o Promef 3, a que se refere uma das anotações, ainda não foi nem sequer concebido. Todas as decisões referentes a estaleiros contratados pelo Promef sempre foram tomadas diretamente pela Transpetro, sem participação da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

A página da agenda que menciona os estaleiros EAS e Sino Pacific se refere, como já esclarecido pelos participantes das negociações, aos esforços capitaneados pelo grupo Brasilinvest para a implantação no Brasil de um estaleiro de reparo do qual a Transpetro seria cliente potencial. Essas negociações não foram adiante, o negócio acabou sendo abandonado e os possíveis parceiros desse empreendimento nunca foram sequer mencionados.

Uma análise séria e isenta de todas as anotações feitas nas agendas de Paulo Roberto Costa sugere que parte delas representa um conjunto de intenções do ex-diretor. Elas retratam tão somente planos traçados por ele e não comprometem necessariamente com seus objetivos as pessoas ali mencionadas.

O ex-diretor prestava consultoria para instituições e empresas de diversos setores da indústria do petróleo. Num momento em que não pesava contra ele nenhuma suspeita, chegou a apresentar sugestões que foram submetidas a análise da equipe técnica da Transpetro. A conclusão foi de que nenhuma dessas proposições atendia aos interesses da empresa – e, portanto, nenhuma foi efetivada.

O ex-diretor também nunca teve ingerência sobre funcionários a serem nomeados pela Transpetro. Apenas encaminhou uma solicitação para transferir um funcionário da Reduc para o cargo de operador no terminal da Ilha D’Água. O pedido não foi atendido por não haver interesse da companhia na respectiva transferência.

A quase totalidade dos navios da Petrobras é contratada através da Diretoria de Abastecimento, que os administra sem qualquer participação da Transpetro – que administra sua frota própria. A subsidiária não teve contratos diretos com a Maersk no período.

Os poucos navios contratados pela Transpetro se destinam a recolher óleo bruto das plataformas e sua necessidade é definida por um comitê de logística coordenado pela Diretoria de Exploração e Produção.

Todos os contratos da Transpetro são fiscalizados regularmente pelos órgãos oficiais de controle, a CGU e o TCU, que, como já mencionado, nunca encontraram nenhum indício de sobrepreço ou favorecimento.

Por fim, Sergio Machado reafirma com veemência ser falsa, absolutamente falsa, a menção feita contra ele por Paulo Roberto Costa.”

Petrobras: empresa de lobista tem R$ 71 milhões em contratos

Escândalos da Petrobras: Fernando Baiano é apontado como o elo entre os desvios da estatal investigados pela Operação Lava Jato, e o PMDB.

Petrolão

Fonte: Folha de S.Paulo

Lobista do PMDB tem R$ 71 milhões em contratos com Petrobras

Acompanhado da Polícia Federal, Fernando Baiano chega ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba (PR). Lobista do PMDB teve a sua prisão decretada sob suspeita de intermediar o pagamento de propina para peemedebistas. Foto: Geraldo Bubniak/Folhapress

ESCÂNDALO NA PETROBRAS

Firma de lobista tem R$ 71 mi em contratos com Petrobras

Fernando Baiano, que está preso, é sócio de empresa que atua em plataformas

Desde 2007, a estatal assinou 86 contratos com a empresa de Baiano, num total de R$ 131,6 milhões

Uma empresa que tem como sócio o lobista Fernando Soares, que se entregou nesta terça-feira (18) à Polícia Federal em Curitiba, tem contratos de R$ 71,2 milhões com a Petrobras, segundo documentos obtidos pela Folha.

Conhecido como Fernando Baiano, ele é apontado como o elo entre os desvios da estatal investigados pela Operação Lava Jato, que apura fraudes em licitações e propina a políticos, e o PMDB.

Baiano teve a sua prisão decretada pelo juiz Sergio Moro sob suspeita de intermediar o pagamento de propina para peemedebistas. O PMDB refuta ter qualquer relação com o lobista.

Um dos delatores da Operação Lava Jato, o empresário Julio Camargo, do grupo Toyo Setal, relatou a procuradores que Baiano recebeu propina de US$ 8 milhões para que a sua empresa conseguisse fechar um contrato de sondas com a Petrobras.

A empresa da qual Baiano é sócio, a Petroenge Petróleo e Engenharia, presta serviços de manutenção e de apoio para as plataformas marítimas de extração de petróleo da estatal, segundo consta dos contratos assinados.

A Petroenge fica em Macaé, no Rio de Janeiro, onde estão localizadas as empresas que atuam na bacia de Campos.

A empresa tem três filiais no Espírito Santo e uma na Bahia, todas em cidades em que a Petrobras tem unidades: Vitória (ES), Anchieta (ES), Linhares (ES) e São Sebastião do Passe (BA).

Desde 2007, quando a Petroenge fechou o primeiro negócio com a estatal, a Petrobras assinou 86 contratos com a empresa, num total de R$ 131,6 milhões, segundo dados da própria estatal, disponibilizados em seu site.

NEGÓCIOS

Baiano virou sócio da Petroenge por meio de outra empresa de que ele também é sócio, a Hawk Eyes Administração de Bens.

A Hawk Eyes detém 18% do capital da Petroenge, segundo a ficha registrada na Junta Comercial do Rio. Ou seja: Baiano investiu R$ 748,8 mil numa empresa que tem capital de R$ 4,16 milhões, ainda de acordo com a ficha cadastral da empresa.

O sócio majoritário da Petroenge, Guilherme Mendes Spitzman Jordan, foi secretário da Prefeitura de Macaé quando o prefeito da cidade era do PMDB.

Segundo o empresário, Baiano apenas investiu no negócio e não tem qualquer ingerência nos contratos.

Na terça-feira (18), o juiz federal Sergio Moro determinou que o sigilo da empresa seja quebrado.

A Hawk Eeyes, por sua vez, é controlada por uma empresa que tem sede em Londres, no Reino Unido, a Falcon Equity Limited.

DEPOIMENTO

Baiano é sócio de outra empresa que deve ter o sigilo bancário quebrado por determinação da Justiça Federal do Paraná: Technis Planejamento e Gestão.

Até o ano passado ele tinha participação na Academia da Praia, um tradicional centro de ginástica na Barra da Tijuca, na zona sul do Rio.

O negócio foi vendido para o grupo Bodytech, que tem entre seus sócios os empresários Alexandre Accioly e João Paulo Diniz.

Lava-Jato: Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB, se entrega à PF

Apresentação de Baiano causou surpresa. Na semana passada, o advogado Mário Filho disse que ele estava sendo usado como “bode expiatório” e não se entregaria.

PMDB está em estado de alerta

Fonte: O Globo

Lava-Jato: Fernando Baiano se entrega à PF

Lava-Jato: Fernando Baiano é suspeito de ser o operador do PMDB no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras. Foto: Reginaldo Teixeira/ Comunicações S.A.

Lobista apontado como operador do PMDB se entrega à PF

Fernando Baiano teve prisão temporária decretada e estava foragido

Apontado como operador do PMDB no desvio de recursos da Petrobras, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, entregou-se ontem à Polícia Federal, em Curitiba (PR). Ele estava com a prisão temporária decretada desde a última sexta-feira, quando teve também o nome incluído na lista de procurados pela Interpol.

O lobista estava em São Paulo e chegou à sede da PF na capital paranaense de táxi. No documento assinado por ele na unidade policial, consta que se entregou às 17h7m. Por volta das 20h, ele deixou o local em uma viatura, supostamente para fazer exame de corpo de delito.

A apresentação de Baiano causou surpresa porque, semana passada, o advogado Mário de Oliveira Filho disse que ele estava sendo usado como “bode expiatório” e que não se entregaria. Oliveira Filho afirmou que seu cliente estava colaborando com as investigações e que tinha depoimento marcado. A defesa entrou com um pedido de habeas corpus ainda na semana passada, na tentativa de revogar o mandado de prisão, mas ambos resolveram mudar de estratégia. Ontem, o GLOBO tentou contato com o advogado, mas não teve retorno.

NEGROMONTE FORAGIDO

Agora, o único com mandado de prisão expedido na sétima fase da Operação Lava-Jato e que continua foragido é Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA). Ontem, a defesa dele apresentou um pedido de revogação da prisão temporária, alegando que, no dia das prisões, seu cliente não foi procurado em sua residência. Por isso, a defesa sustenta que ele não pode ser considerado foragido.

A polícia e o Ministério Público Federal chegaram ao nome de Baiano após o doleiro Alberto Youssef, preso desde março, ter afirmado à Justiça que o lobista operava a cota do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras. Ele teria distribuído propinas a agentes públicos e valores para partidos políticos sobre porcentagens de contratos bilionários da estatal petrolífera. Somente na intermediação de um contrato de venda de sondas de perfuração para a Petrobras, Fernando Baiano teria recebido cerca de R$ 20 milhões.

Segundo o doleiro, Baiano fazia a ponte entre a construtora Andrade Gutierrez e a estatal. O Ministério Público Federal afirmou, na denúncia que justificou o pedido de prisão temporária de Baiano, que os executivos Júlio Camargo e Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, informaram ter pago R$ 154 milhões em propina aos operadores do PT e do PMDBdentro da Petrobras. Segundo os delatores, o lobista atuava na diretoria Internacional da Petrobras, comandada por Nestor Cerveró.

A Justiça decretou ainda o bloqueio de ativos de empresas que pertencem a Baiano e que teriam sido usadas para receber propina, simulando contratos de prestação de serviços: a Technis Planejamento e Gestão e a Hawk Eyes Administração.

A veiculação das suspeitas de envolvimento do lobista com o PMDB fez o vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB, divulgar, sexta-feira, uma nota alegando que Baiano “nunca teve contato institucional com o partido”.

No mesmo dia, agentes da PF estiveram em dois imóveis de Baiano, na Avenida das Américas e na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, no Rio, mas não o encontraram. Os policiais vasculharam os locais e apreenderam documentos e computadores. Também na sexta-feira, a PF lançou o nome de Fernando Baiano na difusão vermelha, índex dos mais procurados do mundo, segundo registros da Interpol, que mantém conexões com quase 200 países.

Planilhas apreendidas pela PF na Operação Lava-Jato reforçam os indícios de pagamentos em série de propinas a Fernando Baiano a partir da intermediação de negócios da estatal. Num trecho de uma delas, o nome dele aparece associado a valores como R$ 600 mil, R$ 450 mil, R$ 500 mil, conforme relatório da investigação obtido pelo GLOBO.

ESQUEMA DE CONSULTORIAS

Baiano opera por meio de consultorias sediadas no Rio, em São Paulo e Brasília como forma de “legitimar” o dinheiro recebido das empresas. Uma das consultorias, segundo investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, é de Baiano, mas estaria em nome de um laranja. Por meio dela, é que seria viabilizada a maior parte dos desvios de recursos que abasteceriam o PMDB.

Baiano começou a intermediar negócios entre o setor público e empreiteiras na Bahia. Vinculou-se a políticos tradicionais e empresários locais, cacifando-se para alavancar contratos junto à Diretoria de Abastecimento da Petrobras, razão pela qual mudou-se para o Rio ainda no governo Lula. Ele já admitiu que conhecia Paulo Roberto Costa, um dos ex-diretores presos em março deste ano e que agora cumpre prisão domiciliar. Com Costa, ele teria tratado de interesses de empresas espanholas junto à Petrobras.

O lobista já foi dono de uma academia no Rio, vendida em 2013 para o empresário Alexandre Accioly e transformada na Bodytech. Além de aproximar-se de atletas e gestores ligados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), ele tinha na Petrobras como principais interlocutores Paulo Roberto Costa e seus assessores.

Operação abafa: PMDB quer isolar Fernando Baiano

Michel Temer discutiu estratégia para tentar se distanciar de Fernando Soares, que foi apontado como operador do PMDB dentro das investigações da Lava-Jato.

Operação Lava-Jato

Fonte: O Globo

Lava-Jato: apesar do clima de preocupação no partido sobre os nomes de parlamentares que podem ser citados, Michel Temer tentou distanciar a sigla das denúncias. Foto: Mister Shadow/AE

Lava-Jato: apesar do clima de preocupação no partido sobre os nomes de parlamentares que podem ser citados, Michel Temer tentou distanciar a sigla das denúncias. Foto: Mister Shadow/AE

Lava-Jato: PMDB busca se distanciar de Baiano, apontado como operador do partido

Sigla vai usar o discurso de que foragido pode ser conhecido de alguns peemedebistas, mas não é ligado à legenda

A cúpula do PMDB se reuniu na segunda-feira à noite com o vice-presidente Michel Temer e discutiu uma estratégia para tentar, pelo menos no discurso, se distanciar de Fernando Soares, o Fernando Baiano, que foi apontado como operador do PMDB dentro das investigações da Operação Lava-Jato e está foragido.

A intenção é utilizar o discurso de que Baiano pode ser conhecido de alguns peemedebistas, mas não é ligado ao partido. Integrantes do partido já lembram que depoimentos mais recentes apontaram ligação de Fernando Baiano com Néstor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional a Petrobras, que teria sido indicado para o cargo pelo PT. Cerveró está sendo investigado pela compra da refinaria de Pasadena.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), disse na segunda-feira ao GLOBO que “não tem nenhum relacionamento ou relação com Fernando Baiano”, mas admitiu que o recebeu, em seu escritório no Rio, na condição de representante da empresa espanhola Acciona, que fez obras no Rio em empreendimentos de Eike Batista. Cunha vem dizendo a aliados estar tranquilo com as investigações.

Na segunda à tarde, Temer deu uma declaração sobre o escândalo, ao participar de seminário no Tribunal de Contas da União (TCU), e depois se reuniu com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e com o líder Cunha. Apesar do clima de preocupação no partido sobre os nomes de parlamentares que podem ser citados, Temer tentou distanciar a sigla das denúncias:

— Ele (Fernando Baiano) não tem relação nenhuma com o PMDB, ele pode ter eventualmente relação com um ou outro membro do PMDB. Institucionalmente, jamais houve qualquer operador do partido.

GEDDEL COBRA EXECUTIVA

No encontro com Temer, os peemedebistas leram em detalhes a representação do Ministério Público. Há trechos onde o empresário Júlio Gerin Camargo, executivo da empresa Toyo-Setal e que entrou no processo de delação premiada, diz que havia uma relação entre Fernando Baiano e Cerveró.

Em entrevista ao Panorama Político, do colunista Ilimar Franco, Geddel Vieira Lima, candidato derrotado ao Senado, cobrou de Temer um pronunciamento oficial da Executiva:

— Sou militante do PMDB há 30 anos e nunca ouvi falar de Fernando Baiano. A Executiva Nacional precisa se pronunciar oficialmente sobre o episódio.

Dilma quer tirar o PMDB do Ministério de Minas e Energia

Dilma está determinada a afastar do PMDB o Ministério de Minas e Energia, diante do aprofundamento das investigações de um esquema de corrupção na Petrobras.

PMDB deve reagir à ação da Presidente

Fonte: O Globo

Dilma quer afastar PMDB de Minas e Energia

Giles Azevedo é o mais cotado por Dilma para estar na dianteira da pasta Ministério de Minas e Energia. Foto: EBC / Reprodução

Dilma cogita Giles Azevedo para comandar Ministério das Minas e Energia

Ex-chefe de gabinete da presidente é visto como pessoa de confiança da presidente

Depois de passar uma semana no exterior, em viagem para participar de reunião do G-20 na Austrália, a presidente Dilma Rousseff retornou ao Brasil ontem e deve dar início às conversas para a montagem da equipe para seu segundo mandato. Além de definir o novo ministro da Fazenda, a presidente está determinada a tirar do PMDB o Ministério de Minas e Energia, diante do aprofundamento das investigações de um esquema de corrupção na Petrobras. O PTB, que deixou o governo Dilma para apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB), já negocia seu retorno à Esplanada e o consequente reingresso na base aliada.

Diante da grave crise que atingiu a Petrobras, a presidente quer colocar no comando do Ministério de Minas e Energia alguém de sua confiança. O mais cotado é o seu ex-chefe de gabinete Giles Azevedo, um dos mais fiéis assessores, com quem convive e trabalha há mais de 20 anos. Geólogo, Giles foi secretário de Minas e Metalurgia quando Dilmacomandava a pasta. Ele já vinha sendo citado por integrantes do governo e do PT para assumir esse cargo, mas sem muita convicção, já que Dilma também gostaria de tê-lo de volta como chefe de gabinete. Com o agravamento da crise, no entanto, a presidente conversou com Giles há poucos dias e aceitou a ideia de dar a ele vida própria na Esplanada dos Ministérios.

— Ela aceitou que Giles não volte para a chefia de gabinete, o que é um avanço, já que ela resistia muito a isso — disse um auxiliar presidencial.

Devido à devassa que está sendo feita pela Polícia Federal e pela Justiça na Petrobras, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, integrantes do PMDB afirmam que a pasta virou um “pepino” e que o partido não faria questão de mantê-la. Mesmo assim, vão tentar uma compensação.

GRAÇA FOSTER INSUSTENTÁVEL

Outro problema para Dilma resolver é o que fazer do comando da Petrobras. Ela resiste em tirar Maria das Graças Foster, de quem é muito próxima, da presidência da empresa. Integrantes do governo avaliam, porém, que ela perdeu as condições políticas de permanecer no cargo e que estaria desgastada na própria empesa. Argumentam que a manutenção de Graça afeta a imagem da petroleira no mercado nacional e no exterior.

— Por menos relação que tenha com a corrupção, Graça sofre o ônus da imagem — disse um integrante do governo.

Filiado ao PMDB pelo ex-presidente Lula, Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, é cotado para assumir um ministério. No ano passado, ele brecou as sondagens para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mas pessoas próximas afirmam que agora o cenário é outro. Isso porque, no ano passado, ele seria um ministro em final de governo, e agora teria perspectiva de ficar no cargo pelos próximos quatro anos.

Com as bênçãos do PTB, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, está em campanha para emplacar o senador Armando Monteiro (PTB-PE) no MDIC. Apoiado pelo PT, Monteiro, ex-presidente da CNI, disputou o governo de Pernambuco este ano.

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