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Dia infernal: Governo Dilma amarga derrota no Congresso

Na CPI da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, disse que dinheiro da corrupção alimentou a campanha de Dilma em 2010.

O PMDB anunciou que não tem mais compromisso de aprovar o ajuste devido à posição do PT

Fonte: Blog do Noblat

Dilma perde interlocução no Congresso e governo tem Dia de Cão. Divulgação

Ontem foi um dos piores dias até agora do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.  Divulgação

Governo Dilma amarga um dia infernal

Ricardo Noblat

Foi ontem o pior dos dias até agora do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Está bem, exagero. Certamente foi um dos piores dias.

O que o governo amargou em menos de 12 horas:

1. Foi adiado o início da votação das Medidas Provisórias 664 e 665 do ajuste fiscal;

2. O PMDB anunciou que não tem mais compromisso de aprovar o ajuste devido à posição do PT;

3. Por sua vez, o PT recusou-se a garantir os votos dos seus 64 deputados para aprovação do ajuste;

4. A Câmara aprovou em definitivo a Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC da Bengala, que aumenta a idade limite da aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos no caso de ministros de tribunais superiores. Com isso, Dilma perderá a chance de indicar cinco novos ministros do Supremo Tribunal Federal e, pelo menos, mais 15 de outros tribunais;

5. Um ruidoso panelaço recepcionou em 18 capitais o programa de propaganda eleitoral do PT no rádio e na televisão;

6. Na CPI da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, disse que dinheiro da corrupção alimentou a campanha de Dilma em 2010. Apontou a política do governo de defasagem do preço dos derivados como principal responsável pelo prejuízo de R$ 60 bilhões da Petrobras;

7. Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, revelou que foi convidado para o cargo pelo então presidente Lula e sua ministra das Minas e Energia, Dilma. Negou que o PMDB tivesse tido algo a ver com isso;

8. Este ano, , segundo admitiu a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), cerca de 35 mil a 40 mil empregos serão extintos na indústria automobilística, que atravessa uma de suas piores crises.

Costa e Youssef serão ouvidos pelo TSE em ação do PSDB que pede cassação de Dilma

AIJE foi protocolada no final do ano passado por Aécio Neves e pelo diretório nacional do PSDB contra a coligação da presidente.

TSE também quer ouvir um servidor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O PSDB acusa o órgão de ocultar dados econômicos e sociais negativos durante a campanha petista de 2014.

Fonte: O Globo

TSE quer ouvir doleiro e ex-diretor da Petrobras em processo que pede cassação de Dilma

O objetivo das oitivas é questionar Costa e Youssef se eles fizeram repasse de propina para o financiamento da campanha de 2014. Reprodução

TSE quer ouvir Costa e Youssef em ação do PSDB que pede cassação de Dilma

Delatores da Lava-Jato serão intimados a prestarem depoimento em investigação eleitoral

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, determinou que dois delatores da Operação Lava-Jato sejam ouvidos em um processo ajuizado pelo PSDB que pede a investigação da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em decisão publicada nesta segunda-feira, Noronha pede oitiva do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi protocolada no final do ano passado, antes da diplomação da presidente, pela coligação do candidato derrotado à Presidência Aécio Neves (PSDB) e pelo diretório nacional do PSDB contra a coligação da presidente, contra o vice, Michel Temer (PMDB), e seus respectivos partidos. Eles alegam que “a eleição presidencial de 2014 teria sido manchada pelo abuso do poder econômico e político” e pedem cassação do registro dos candidatos.

A decisão inicial de Noronha, em 16 de abril, foi por não acatar os pedidos de colheita de provas e inquirição de testemunhas na ação. O PSDB, então, entrou na semana passada com um recurso e o corregedor refez sua decisão. Ele determinou o envio de carta ao juiz da 13ª Vara Criminal do Paraná, Sérgio Moro, para solicitar o depoimento de Costa e Youssef para que os dois façam “esclarecimentos capazes de influir” no processo.

— (…) considerando o princípio da economia processual e visando o melhor exame das alegações articuladas pelos representantes, reconsidero a decisão de fls. 824-826 e defiro a produção das provas requeridas —, diz Noronha em seu despacho. O objetivo das oitivas é questionar Costa e Youssef se eles fizeram repasse de propina para o financiamento da campanha de 2014.

No recurso, o PSDB alega que o TSE deve “prover os meios para a revelação da verdade, garantindo-lhes a possibilidade de produzir a prova testemunhal na forma requerida, sob pena de ‘nítida violação ao devido processo legal e à ampla defesa’”. Além disso, pedem investigação de “suposta obtenção de recursos de forma ilícita de empresas prestadoras de serviço à Petrobras, repassados aos partidos integrantes da coligação” da presidente Dilma.

Na delação premiada da Operação Lava-Jato, Costa declarou que recebeu um pedido de Youssef e que autorizou o uso de R$ 2 milhões destinados ao PP, desviados de contratos da estatal, na campanha de 2010 de Dilma. O pedido teria partido do ex-ministro Antônio Palocci, conforme a delação de Costa. Youssef desmentiu o depoimento do ex-diretor.

O TSE também quer ouvir um servidor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O PSDB acusa o órgão de ocultar dados econômicos e sociais negativos durante a campanha petista de 2014. Ainda na mesma ação, os tucanos pedem documentos sobre eventos realizados no Palácio da Alvorada e gastos com publicidade para apurar o uso da “máquina administrativa federal” que teria sido “claramente colocada a serviço das pretensões políticas dos ora investigados desde muito cedo, por meio de desvio de finalidade de pronunciamentos oficiais em cadeia nacional, eminentemente utilizados para exclusiva promoção pessoal da futura candidata”.

Corrupção: Costa acredita que Dilma tinha conhecimento sobre esquema na Petrobras

Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pontuou achar “um pouco estranho” que Dilma não soubesse do esquema de desvios da Petrobras.

Dilma como ministra do Governo Lula presidiu Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010.

Fonte: O Globo 

Lava-Jato: Costa acredita que Dilma tinha conhecimento sobre esquema de corrupção

Lava-Jato: Paulo Roberto Costa afirmou ser estranho que Dilma não soubesse de esquema na Petrobrás. Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Costa diz que acha ‘estranho’ Dilma não saber de esquema, mas nega conversa com a presidente

Em vídeo da delação premiada, ex-diretor diz ter autorizado repasse de R$ 2 milhões à campanha presidencial em 2010

Um delator tranquilo, sorridente e irônico afirmou nunca ter tratado com a presidente Dilma Rousseff, com o ex-presidente Lula ou com ex-ministro Antônio Palocci sobre o suposto repasse de R$ 2 milhões à campanha presidencial da petista em 2010. Mas o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pontuou achar “um pouco estranho” que Dilma não soubesse do esquema de desvios da Petrobras, em razão de a então ministra ter presidido o Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010.

Parte dos vídeos com os depoimentos do ex-diretor e do doleiro Alberto Youssef, anexados aos inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se pública na tarde desta terça-feira. Os processos tramitam sem sigilo. Parte do material gravado – como essas referências ao episódio envolvendo Dilma e Palocci – não aparece transcrita nos termos do depoimento. Ao todo, o STF determinou a abertura de inquérito para investigar 13 senadores e 22 deputados federais.

Essa fala de Paulo Roberto ocorreu em 11 de fevereiro, numa complementação a um depoimento dado no ano passado. O delator foi ouvido no Rio por dois procuradores da República e por um promotor de Justiça que integram o grupo de trabalho criado na Procuradoria Geral da República (PGR) para tratar das citações a políticos. Essa complementação sobre o suposto repasse de R$ 2 milhões à campanha de Dilma em 2010 consumiu quase sete minutos de depoimento. Os integrantes do grupo da PGR fizeram mais de 20 perguntas a respeito.

Um integrante da PGR perguntou se a presidente, no período em que presidiu o Conselho de Administração, “tinha algum conhecimento do que se passava lá”.

– Não sei. Não sei, não sei, não posso te dizer – respondeu o ex-diretor.

– O senhor nunca teve alguma conversa com ela sobre isso?

– Não. Nem com ela nem com o presidente Lula, nunca tive. Se ela sabia ou não sabia, não sei te dizer – afirmou o delator.

–Nem com o Palocci?

– Nem com Palocci, com nenhum dos três. Nunca tive conversas sobre esse tema. Agora, de 2003 a 2010 presidente do conselho e não saber de nada é um pouco estranho. Mas eu não tive essa conversa nem com ele nem com ela nem com Palocci – respondeu Paulo Roberto.

Palocci é suspeito de ter pedido o repasse de dinheiro para a campanha de Dilma em 2010, por meio do doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor da Petrobras não soube dizer se a reunião com o doleiro para tratar do assunto ocorreu num “hotel” ou no “escritório” de Youssef em São Paulo.

Youssef prestou depoimento no mesmo dia, em Curitiba. De camisa vermelha e aparentando mais tensão do que o outro delator, negou ter feito o pedido de dinheiro para a campanha de Dilma. O investigador que lhe questionou introduziu o assunto já ressaltando que se tratava de um “tema bem delicado”. O doleiro afirma que o ex-diretor pode ter se confundido devido à pressão e ao tempo que passou na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

– Nunca tive contato com Palocci, nem com o irmão do Palocci e nunca recebi nenhum pedido desse valor, nem de nenhum emissário em nome do Palocci. Acredito que ele (Paulo Roberto) deva ter pedido para alguma empresa que fizesse isso e não eu. Acho que ele (Paulo Roberto) pode ter se confundido num momento de pressão, da cabeça não estar muito boa devido a muito tempo na carceragem, alguma coisa assim. Realmente, isso não aconteceu comigo – afirmou o doleiro.

Paulo Roberto afirmou que um grupo de políticos que teria se beneficiado com recursos do esquema tratava do assunto diretamente com ele. Outros procuravam Youssef.

– Alguns fatos, como esse aí especificamente, as pessoas falavam direto com o Youssef. Outros fatos as pessoas falavam comigo. Por exemplo: o ministro (Edson) Lobão (PMDB-MA) falou comigo. Pessoal aqui do governo do Rio: falou comigo. Não tem nada a ver com Youssef. Senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), falecido: falou comigo. Nesse caso específico, oYoussef me trouxe numa reunião que tive com ele e falou: “Paulo, o ministro Palocci tá pedindo aqui uma contribuição para a campanha da Dilma Rousseff agora em 2010 de R$ 2 milhões. Podemos dar?” “Pode, pode dar”. Então eu autorizei Youssef a fazer – disse o delator.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alegou “vedação inconstitucional” e argumentou que não poderia investigar a presidente Dilma por um fato que seria anterior ao mandato. O entendimento foi acatado pelo ministro Teori Zavascki, relator dos autos da Lava-Jato no STF. Com isso, o processo foi remetido para a 13ª Vara Federal de Curitiba para se analisar a conduta de Palocci, que não tem foro privilegiado.

Petrolão: diretoria ignorou denúncias de ex-gerente

Relatórios técnicos e e-mails enviados pela geóloga Venina Velosa apontam que negociadores de óleo combustível de navio cobravam comissões extras, elevando os preços praticados pela Petrobras.

Gestão deficiente da Petrobras

Fonte: O Globo

Petrolão: diretoria se omitiu mediante denúncias de ex-gerente

Petrolão: a ex-gerente Venina Velosa da Fonseca chegou a contratar um escritório de Direito para tentar romper o contrato com os negociadores — traders. Divulgação

E-mails e relatórios de ex-gerente da Petrobras apontaram comissões extras

Segundo Venina Velosa, cobrança era feita por negociadores de óleo combustível

Apesar de ter sido alertada, a diretoria atual da Petrobras não impediu que um esquema de desvio de milhões de reais fosse instalado na companhia. Relatórios internos com informações técnicas e e-mails disparados pela geóloga Venina Velosa da Fonseca — ex-gerente que denunciou irregularidades na estatal, divulgadas na última semana pelo jornal “Valor Econômico” — apontaram que negociadores de óleo combustível de navio, que atuavam em Cingapura e em outros países onde a Petrobras mantém escritórios, cobravam comissões extras, elevando os preços praticados pela companhia estatal. No entanto, as empresas negociadoras não foram descredenciadas pela Petrobras, apenas receberam suspensões por curto tempo.

Relatórios recentes mostraram que a Petrobras acumula grandes perdas nas negociações com óleo combustível para navio. De acordo com levantamentos técnicos, também foram identificados descontos anormais para alguns clientes. As informações foram levantadas por Venina Velosa, no período em que comandou o escritório da Petrobras em Cingapura, entre fevereiro e novembro deste ano.

Venina chegou a contratar um escritório de Direito para tentar romper o contrato com os negociadores — traders. Ainda foram criadas comissões de apuração do esquema, que entregaram relatórios aos superiores da geóloga, mas que não conseguiram levar a estatal a romper os contratos. Entre eles estava Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento, preso na operação Lava-Jato.

Paulo Roberto era chefe direto Venina, que foi transferida para Cingapura, onde assumiu o cargo de gerente-geral no escritório da Petrobras, depois de denunciar desvios na área de comunicação da diretoria de abastecimento e nos aditivos para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

Em novembro passado, Venina foi destituída do cargo de gerente-geral em Cingapura. Sem obter sucesso com suas denúncias, a geóloga desenvolveu um quadro de “transtorno de ansiedade”.

Petrobras: Dilma Rousseff resiste em demitir Graça Foster

Petrolão: auxiliares próximos de Dilma já admitem que a saída de Graça é uma questão de tempo, apesar da vontade da presidente de poupá-la.

Dilma sofre pressão para demitir toda a diretoria

Fonte: O Globo

Petrobras: Dilma resiste em demitir Graça Foster

Confiança: Relação próxima de Graça e Dilma faz presidente evitar demissão. Divulgação.

Dilma resiste, mas demissão de Graça já é vista como certa

Presidente da estatal cogitou deixar o cargo para viabilizar balanço

Em meio a uma série de denúncias de corrupção na Petrobras, a presidente Dilma Rousseff resiste em demitir Graça Foster da presidência da estatal. No entanto, mesmo auxiliares próximos de Dilma já admitem que a saída de Graça da Petrobras é uma questão de tempo, apesar da vontade da presidente de poupá-la. O prazo para isso acontecer, dizem governistas, é a provável perda do grau de investimento da estatal nas próximas avaliações de agências de classificação de risco.

— O tempo de Graça já acabou e ela própria percebeu isso. A diretoria da Petrobras não tem mais credibilidade com o mercado. A presidente pode estar conseguindo mantê-la apesar dos problemas políticos, mas, com os desdobramentos econômicos que ainda virão pela frente, será difícil — disse uma fonte do Planalto.

A avaliação no governo é que, além da relação de amizade e de lealdade, Dilma não quer tirá-la da presidência porque Graça serve como um escudo para o governo. Se Graça sair, a análise é de que tudo o que for relacionado com problemas de corrupção e má gestão na empresa cairá, automaticamente, no colo de Dilma.

— A presidente vai resistir o quanto puder — disse uma fonte do Planalto.

CARGO À DISPOSIÇÃO

Por trás da resistência, há a convicção de Dilma de que Graça é competente e fez todas as mudanças necessárias nas diretorias da estatal após descobrir o esquema de propinas.

Graça colocou o seu cargo à disposição do Conselho de Administração da estatal durante a reunião da última sexta-feira que decidiu, mais uma vez, pelo adiamento da divulgação do balanço financeiro da estatal, segundo informou ao GLOBO uma fonte que estava presente.

As demonstrações financeiras do terceiro trimestre estão atrasadas desde novembro, quando a empresa de auditoria PwC, contratada para analisar as contas da estatal, recusou-se a assinar o balanço. Esse é hoje o principal problema de Graça para estancar o derretimento das ações da empresa.

A empresa de auditoria já havia recomendado o afastamento de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, por causa da denúncia de que teria entregue propina nas mãos do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, que foi preso e aderiu à delação premiada. Machado pediu uma licença de trinta dias, renovada por mais um mês, mas, mesmo assim, a PwC manteve a resistência em assinar o balanço.

Apesar de Graça ter se mostrado disposta ao sacrifício, o conselho não tomou decisão alguma porque os auditores sinalizaram que a troca da diretoria não seria suficiente para mudar sua posição. A principal dificuldade da PwC é a adequação dos registros contábeis aos investimentos superfaturados feitos pela companhia, descobertos pela Lava-Jato. A PwCteme ser responsabilizada pelas autoridades americanas que investigam a estatal.

DÚVIDAS SOBRE VENINA

Foi nesse contexto que, durante a reunião, Graça cogitou deixar o cargo, assim como toda a sua diretoria. Ela não relacionou essa possibilidade às denúncias da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que diz tê-la alertado sobre desvios de recursos na área de Abastecimento ainda antes da Lava-Jato, desencadeada em março deste ano.

A presidente da Petrobras mencionou Venina rapidamente, dando a entender que a ex-gerente não é confiável. O principal argumento foi a investigação interna sobre a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que apontou a responsabilidade de Venina no que a estatal chama de “não conformidades” detectadas. Foi por isso Venina perdeu o cargo de diretora-presidente da subsidiária da Petrobras em Cingapura, no último dia 19 de novembro. Na semana passada, a estatal afirmou que, Venina “ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial”.

— Quando a investigação interna sobre os contratos da Refinaria Abreu e Lima foi apresentada pela diretoria ao conselho, Venina apareceu do começo ao fim, envolvida até a raiz do cabelo — disse a fonte.

Na reunião do conselho, ainda segundo essa testemunha, Graça admitiu que recebeu “três ou quatro e-mails” de Venina, mas não os respondeu. Um deles teria sido no dia de seu aniversário, ainda antes de se tornar presidente da Petrobras. De fato, Venina alega ter alertado Graça sobre contratos superfaturados na diretoria de Abastecimento quando a atual presidente ainda era diretora de Gás e Energia. Graça ocupou esse cargo entre 2007 e 2012, quando foi indicada por Dilma para substituir o então presidente José Sérgio Gabrielli. A Petrobras não se pronunciou sobre a reunião.

Segundo um executivo da estatal, Venina foi a principal auxiliar de Costa entre 2005 e 2009, mas teria tentado se afastar dele ao ver que Graça tinha mais chances de presidir a estatal se Dilma se tornasse presidente. Como gerente executiva da área corporativa do Abastecimento, Venina tinha ingerência sobre todas as decisões relativas a contratos e aditivos da diretoria.

Outra fonte diz que Venina poderia não ter sabido do que Costa fazia porque ele era conhecido por fazer reuniões “teatrais” com empreiteiros. Para essa fonte, Graça teria interesse em desqualificar Venina para invalidar suas denúncias.

Escândalo da Petrobras: MPF denuncia 36 pessoas

Força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras.

25 acusados estão ligados a grandes empreiteiras do país

Fonte: O Globo

Petrolão: MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras

Procurador Deltan Dallagnol e procurador-geral Rodrigo Janot em coletiva de imprensa. Foto: Paulo Lisboa / Brazil Photo Press

MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras, 25 delas ligadas a seis empreiteiras

Ministério Público Federal espera ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas na primeira fase da denúncia

O Ministério Público Federal anunciou nesta quinta-feira a primeira fase de denúncias envolvendo desvios na Petrobras. Com base, por enquanto, nas investigações envolvendo apenas a diretoria de Abastecimento, os procuradores ofereceram denúncia contra 36 pessoas implicadas no esquema de corrupção na estatal, sendo 25 delas ligadas a grandes empreiteiras do país: OAS, Camargo Corrêa, UTC, Mendes Junior, Engevix e Galvão Engenharia. A força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras firmados por empreiteiras. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o MPF tinha dito que os denunciados eram 35. No fim da tarde desta quinta-feira, no entanto, se corrigiu e acrescentou o 36º acusado, Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa.

No total, nesta fase inicial de acusações sobre o escândalo na estatal, foram denunciados nove pessoas ligadas à OAS, 10 à Camargo Corrêa e UTC (somados); 16 à Mendes Junior e à GDF (esta última do doleiro Youssef); sete à Galvão Engenharia; e nove à Engevix. O valor envolvido na lavagem de dinheiro alcança R$ 74,149 milhões, em 105 casos tipificados como crimes. Foram identificados ainda 154 atos de corrupção. O MPF diz que os crimes de corrupção apurados apenas nesta etapa envolvem R$ 286 milhões.

— É um imenso esquema de corrupção. O trabalho não para aqui — diz Deltan Dallagnol, procurador da República que encabeça a força-tarefa criada para a Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a denúncia apresentada pelo MPF significa a abertura de mais uma fase do trabalho da Lava-Jato, que é longo e não se resolverá em tempo breve.

— Começa hoje mais uma fase deste trabalho, que será longo. Outras se seguirão – afirmou Janot.

O esquema, diz o MPF, envolvia empreiteiras, funcionários da Petrobras e operadores financeiros. Nesta fase da denúncia, são citadas apenas as negociações espúrias ligadas à Diretoria de Abastecimento, que era comandada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Janot disse ainda que a investigação sobre a corrupção na Petrobras será feita com “temperança e de forma transparente”.

— O trabalho feito pelo MPF está sendo feito de forma conjunta com energia dividida entre a Receita Federal e a Polícia Federal. Este não será um trabalho rápido, até a completa elucidação — disse Janot.

— Trata-se de um imenso esquema de corrupção no qual eram pagas propinas que variavam de 1 a 5% do valor de cada contrato bilionário com a Petrobras, envolvendo empresas corruptoras e funcionários corruptos. O esquema de lavagem de dinheiro aconteceu entre 2004 a 2012, mas que continuou até 2014 — disse Dallagnol.

Segundo o procurador Dallagnol, foi descoberto um esquema de fraudes no qual as empresas simulavam operações, além de fraudar e decidir quem ganhava cada licitação, num jogo de cartas marcadas.

— Funcionava como se fosse um campeonato de futebol ou um bingo, mas neste caso o jogo era de cartas marcadas, onde se sabia quem ganhava cada licitação. Entre os denunciados estão também o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef.

Foram oferecidas denúncias por prática de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

‘ROUBARAM O ORGULHO DOS BRASILEIROS’

Segundo o procurador Dallagnol, os acusados foram agrupados em cinco denúncias. Como alguns deles aparecem em mais de uma denúncia, o total delas alcança 50. Os nomes dos 22 denunciados das seis empreiteiras envolvidas nesta primeira fase de denúncias são de dirigentes a funcionários de menor escalão. Dellagnol afirmou que o MPF vai buscar na Justiça o ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas das seis empreiteiras até aqui investigadas.

— Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros — disse Janot. — A complexidade dos fatos nos leva a intuir a dimensão desta investigação. Vamos conduzir de forma serena, mas de forma firme e contundente. Cada pessoa responde pelo ato que praticou. Não é vontade do MPF, é vontade do legislador e compete ao MPF aplicar os recursos que lhes são colocados à disposição — completou.

Dellagnol afirmou que essas mesmas empresas estão envolvidas em outras obras públicas e que a única forma de estancar a corrupção é manter os dirigentes das empresas na prisão. O MPF recomendou que os dirigentes e executivos sejam presos.

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

QUATRO FORMAS PARA O PAGAMENTO DA PROPINA

De acordo com Deltan Dallagnol, era conveniente que se cooptasse os agentes públicos. Foram pagas propinas para “maximizar lucros”, e “havia quatro meios de a corrupção acontecer”: por contratos diretamente negociados; por negociação de aditivos; por aceleração da licitação; e pela manutenção dos aditivos.

O procurador disse ainda que a força-tarefa rejeita qualquer forma de blindagem coletiva das empreiteiras, pois o caso envolve reconhecimento de culpa e fornecimento de novas provas para a investigação.

Dellagnol explicou que a denúncia seguiu jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de aplicar a pena aumentada de acordo com o número de vezes que o crime foi cometido. No total, os 35 envolvidos cometeram 154 corrupções e 105 lavagens. De acordo com o procurador, cabe à Justiça analisar a pena para que ela seja aplicada dentro da razoabilidade.

Se determinada pessoa responder por um único caso de corrupção e lavagem de dinheiro, além de integrar a organização criminosa, a pena iria variar de 11 anos a 51 anos e quatro meses.

— O conjunto de funcionários (da Petrobras) corrompidos constituti o segundo núcleo desse gigante esquema criminoso. Para fazer a intermediação da corrupção atuavam operadores que também já entregavam o dinheiro lavado. Num primeiro momento as empreiteiras cartelizadas passavam o dinheiro para operadores financeiros, em espécie. No segundo momento, os operadores pagavam os beneficiários da propina, por meio de dinheiro em espécie, pagamentos de bens e dinheiro no exterior — diz o procurador Dellagnol .

Segundo ele, a intermediação era feita por empresas de fachadas, com pagamentos legais por serviços que nunca existiram.

— E os operadores reconheceram que os serviços jamais existiram. As empresas eram: MO Consultoria, Empreiteira Rigidez, RCI e GFD Investimentos.

De acordo com o MPF, o doleiro Leonardo Meirelles fazia contrato fictícios pela Labogen com remessas para o exterior por contratos de exportação que nunca existiram.

Dellagnol afirmou que Renato Duque não é objeto da denúncia e que as investigações continuam.

ENTENDA A OPERAÇÃO LAVA-JATO

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A Operação Lava-Jato foi deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época, foram presas 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Os detidos foram acusados de participar de uma organização criminosa que tinha o objetivo de lavar R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas.

A operação foi consequência da prisão do empresário André Santos, em dezembro de 2013, com US$ 289 mil e R$ 13.950 escondido nas meias. Santos é réu em ação na qual é acusado de fazer parte do braço financeiro de uma quadrilha de libaneses especializada em contrabandear produtos do Paraguai, operando um esquema de lavagem.

A operação colocou sob suspeita contratos assinados pela Petrobras. Isso porque o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa foi preso, no dia 20 de março, sob acusação de envolvimento com o doleiro Youssef. Costa, que foi detido quando queimava documentos que poderiam se configurar como provas do envolvimento, reconheceu ter recebido deYoussef um carro de luxo. Ele alegou, no entanto, que o presente seria o pagamento por uma consultoria prestada.

Empreiteiras suspeitas de abastecer o esquema de Youssef e do ex-diretor da Petrobras declararam à Receita Federal os pagamentos feitos a empresas dos dois principais acusados na Operação Lava-Jato. Documentos comprovaram repasses efetivos de recursos às empresas do doleiro e do ex-diretor, como consta nas declarações de retenção de impostos das próprias empreiteiras. Entre as depositantes estão as construtoras OAS, Mendes Júnior e Camargo Corrêa, apontadas pela contadora do doleiro Meire Bonfim Poza como integrantes do esquema.

O escândalo do doleiro Youssef respingou ainda sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) e levou André Vargas a se desfiliar do partido para manter o mandato de deputado federal. Vargas é suspeito de fazer parte de um esquema de tráfico de influência e lobby em favor de Youssef junto ao Ministério da Saúde. Vargas usou um jato providenciado pelo doleiro para fazer uma viagem familiar e teria se beneficiado de uma série de outros favores.

CONFIRA A LISTA DOS DENUNCIADOS:

ALBERTO YOUSSEF

PAULO ROBERTO COSTA

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WALDOMIRO DE OLIVEIRA

EMPREITEIRA MENDES JUNIOR:

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na ENGEVIX)

JOÃO PROCÓPIO JUNQUEIRA PACHECO DE ALMEIDA PRADO

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na ENGEVIX)

SÉRGIO CUNHA MENDES

ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA

ÂNGELO ALVES MENDES

ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES

JOSÉ HUMBERTO CRUVINEL RESENDE

ANTONIO CARLOS FIORAVANTE BRASIL PIERUCCINI

MÁRIO LÚCIO DE OLIVEIRA

RICARDO RIBEIRO PESSÔA (também denunciado na Camargo Corrêa e UTC)

JOÃO DE TEIVE E ARGOLLO

SANDRA RAPHAEL GUIMARÃES

EMPREITEIRAS CAMARGO CORREA e UTC ENGENHARIA

DALTON DOS SANTOS AVANCINI

JOÃO RICARDO AULER

EDUARDO HERMELINO LEITE, “LEITOSO”

MARCIO ANDRADE BONILHO

RICARDO RIBEIRO PESSOA (também denunciado na Mendes Jr.)

JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO

ADARICO NEGROMONTE FILHO

EMPREITEIRA OAS

JOSÉ ALDEMÁRIO PINHEIRO FILHO, vulgo “Léo Pinheiro”

AGENOR FRANKLIN MAGALHÃES MEDEIROS

MATEUS COUTINHO DE SÁ OLIVEIRA

JOSÉ RICARDO NOGUEIRA BREGHIROLLI

FERNANDO AUGUSTO STREMEL ANDRADE

EMPREITEIRA ENGEVIX

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na Mendes Jr.)

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na Mendes Jr.)

GERSON DE MELLO ALMADA

CARLOS EDUARDO STRAUCH ALBERO

NEWTON PRADO JUNIOR

LUIZ ROBERTO PEREIRA

EMPREITEIRA GALVÃO ENGENHARIA

ERTON MEDEIROS FONSECA

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JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO

DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO

EDUARDO DE QUEIROZ GALVÃO

Oposição quer demissão de Foster após novas denúncias

Após denúncia feita pela ex-gerente, Venina Velosa da Fonseca, líderes da oposição querem a destituição de toda diretoria da Petrobras.

Segundo matéria publicada pelo Valor Econômico, Graça Foster foi alertada em 2008 sobre os desvios e irregularidades em contratos e licitações.

Fonte: G1

Petrolão: oposição cobra renúncia de Foster após novas denúncias

Oposição cobra demissão de Graça Foster e diretores da Petrobras

Oposicionistas se basearam em denúncia de que diretoria ignorou alertas. Segundo jornal, ex-gerente da petroleira advertiu cúpula sobre desvios.

Líderes de PSDB, PPS e DEM cobraram nesta sexta-feira (12) a demissão da presidente da Petrobras, Graça Foster, e dos demais integrantes da diretoria da estatal após vir à tona que a cúpula da petroleira foi alertada diversas vezes sobre a ocorrência de irregularidades em contratos da estatal. Segundo reportagem publicada nesta sexta pelo jornal “Valor Econômico”, a ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca denunciou aos diretores da empresa que havia ilegalidades em contratos e licitações.

O jornal relata que, apesar das advertências, a direção da empresa não agiu para conter os desvios bilionários e ainda destituiu de seus cargos os executivos que tentaram barrar o esquema de corrupção.

“Demitir toda a diretoria é o mínimo que se tem que fazer. Onde se mexe vem denúncia de todo tipo, não só de [a cúpula da estatal] não ter mandado apurar, mas perseguir e transferir quem denuncia irregularidades”, afirmou o deputado federal Rubens Bueno (PR), líder do PPS.

Venina Velosa da Fonseca era subordinada ao ex-diretor Paulo Roberto Costa, um dos presos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Após fazer as denúncias, ela foi transferida para Cingapura, na Ásia, e, posteriormente, acabou afastada da estatal.

“A demissão seria a resposta mínima para esse momento independentemente se a pessoa teve relação direta com os atos praticados. No mínimo, houve negligência. É uma resposta moral para a sociedade”, reforçou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), a presidente da Petrobras não tem mais “credibilidade” para permanecer no cargo. “Ela perdeu completamente as condições éticas e morais [para continuar na função], incluindo a confiabilidade interna e a credibilidade externa”, enfatizou.

Na visão do tucano, Graça não tomou nenhuma ação efetiva para interromper “falcatruas” na empresa. “Ela entrou [na presidência] de um tamanho e saiu menor, porque foi omissa.”

Já o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) destacou que o relatório paralelo que a oposição está elaborando para apresentar na próxima semana na CPI mista da Petrobras pedirá o afastamento de Graça Foster da presidência da empresa e de toda a atual diretoria.

“Essa notícia do jornal Valor dá uma clareza a uma questão que é urgente, que é a mudança de toda a diretoria. A atual diretoria não tem mais condições nem credibilidade para tocar a empresa”, opinou o deputado do DEM.

“Essa engrenagem está falida. Independentemente da participação ou do envolvimento pessoal da senhora Graça Foster, você precisa trazer uma equipe acima de qualquer suspeita daqui para frente”, complementou.

Os alertas

O “Valor Econômico” diz que a atual presidente da estatal Maria da Graça Foster foi informada das irregularidades por meio de e-mails e documentos enviados desde 2009, antes mesmo de ela assumir o comando da companhia, em 2012.

Graça Foster, segundo o jornal, foi advertida a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, administrada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012, nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

O sucessor de Costa na diretoria da Petrobras, José Carlos Cosenza, também foi informado sobre os atos de corrupção. Cosenza é responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na petroleira.

Afastada da Petrobras em 19 de novembro, Venina advertiu Graça Foster sobre a multiplicação de aditivos na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, empreendimento executado pelas empreiteiras investigadas pela Lava Jato. Em 2014, disse o jornal, foram remetidas à presidente da Petrobras denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior, porém, nenhuma providência foi tomada pelos dirigentes da petroleira.

A delatora, informou o “Valor Econômico”, irá depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita a parte do processo da Lava Jato que está na primeira instância. O jornal afirma que ela começou a apresentar as denúncias na época em que ainda era subordinada a Paulo Roberto Costa, entre novembro de 2005 e outubro de 2009.

Relatório paralelo

A percepção entre os líderes oposicionistas, porém, é que o voto em separado dificilmente será aprovado na CPI, na medida em que a base aliada possui uma maioria expressiva no colegiado.

Apesar da chance remota de aprovar o voto em separado, o líder do PPS na Câmara defende a confecção do parecer oposicionista. “A oposição tem que ter um relatório que mostre exatamente o que aconteceu e não um relatório chapa-branca”, argumentou.

Em seu relatório final, o deputado Marco Maia (PT-RS) não recomenda o indiciamento de nenhum dos envolvidos nas denúncias de corrupção. O parecer do parlamentar petista deverá ser votado na próxima quarta-feira (17), mesmo dia em que os oposicionistas prometem entregar o seu documento.

Para Mendonça Filho, mesmo minoritária, a oposição deve dar uma resposta à expectativa da opinião pública por um relatório mais “duro e contundente”. “Os parlamentares vão ter que decidir se vão se submeter ao governo ou se vão estar do lado da sociedade”.

Imbassahy diz que será uma “humilhação” para o parlamento se o relatório do deputado Marco Maia for aprovado. “É levar qualquer iniciativa da CPI à sarjeta”, ironizou.

Graça Foster sabia das irregularidades na Petrobras

Alerta foi feito pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente da Petrobras e a outros superiores.

Para Graça Foster, Venina comunicou até as ameaças que sofrera após apresentar as denúncias.

Fonte: O Globo

Petrolão: Graça Foster sabia das irregularidades

Petrolão: Graça Foster recebeu e-mail de gerente com denúncias. Divulgação

Graça Foster sabia das irregularidades na Petrobras antes da Operação Lava-Jato, diz jornal

Alerta foi feito pela ex-funcionária da empresa Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente da estatal

Documentos obtidos pelo jornal “Valor Econômico” e publicados nesta sexta-feira comprovam que a atual diretoria da Petrobras sabia das irregularidades em contratos da estatal muito antes da Operação Lava-Jato, desencadeada pela Polícia Federal em 17 de março deste ano. O alerta foi feito pela ex-funcionária da empresa Venina Velosa da Fonseca, que enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. Para Graça, Venina comunicou até as ameaças que sofrera após apresentar as denúncias.

De acordo com a reportagem, os desvios envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008; superfaturamento de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões nos custos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades daPetrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

Além de Graça Foster, os desvios de dinheiro detectados pela ex-funcionária foram comunidados a José Carlos Cosenza, substituto do delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento. Cosenza é atualmente o responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal. Para Graça foram enviados e-mails e documentos informando as irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. Em 2014, afirma o jornal, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras, em 29 de outubro, Cosenza afirmou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal desde quando começou a trabalhar na Petrobras há 34 anos. No entanto, ele recebeu de Venina, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

Venina Velosa da Fonseca estava na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. A ex-funcionária começou a apresentar denúncias quando ainda era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 2009. À época, ela foi transferida para o escritório da Petrobras em Cingapura, na Ásia. Ela foi afastada em 19 de novembro e vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Operação Lava-Jato.

Segundo o “Valor Econômico”, as suspeitas de Venina começaram em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou os R$ 39 milhões previstos para 2008. A ex-funcionária procurou Paulo Roberto Costa. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria “derrubar todo mundo”. Costa disse também que a ex-funcionária deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina também encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões.

Irregularidades também em Cingapura

O caso, afirma o “Valor Econômico”, foi remetido para a auditoria interna. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia. Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu novamente para Graça Foster:

“Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência”.

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça.

“Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

De acordo com o “Valor Econômico”, em 2012, a ex-funcionária voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, como chefe do escritório. Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Petrobras afirmou que realizou instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para investigar “indícios de irregularidades” em contratos da área de comunicação do abastecimento. Segundo a petroleira, o processo resultou na demissão do ex-gerente da área, que acabou não sendo efetivado por causa de uma licença médica.

Petrolão: gerente que encaminhou denúncias foi ameaçada com arma na cabeça

A geóloga Venina Velosa da Fonseca encaminhou denúncias  a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento.

Venina foi gerente da estatal e chegou a ser transferida para a Ásia. Suspeitas da geóloga começaram ainda em 2008.


“Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive.”
Venina Velosa da Fonseca

Petrolão: gerente da Petrobras foi ameaçada com arma na cabeça

Venina em email para Graça: “Até arma na cabeça e ameaça às minhas filhas tive”. Foto: Valor Econômico

Fonte: Valor Econômico 

Diretoria da Petrobras foi alertada de desvios

Defendida pela presidente Dilma Rousseff, a atual diretoria da Petrobras recebeu diversos alertas de irregularidades em contratos da estatal muito antes do início da Operação Lava-Jato, em março deste ano, e não apenas deixou de agir para conter desvios que ultrapassaram bilhões de reais como destituiu os cargos daqueles que trabalharam para investigar as ilicitudes e chegou a mandar uma denunciante para fora do país.

As irregularidades foram comprovadas através de centenas de documentos internos da estatal obtidos pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. Elas envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma escalada de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

As constatações de problemas nessas áreas foram comunicadas para a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento e é responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal.

Para Graça foram enviados e-mails e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. A presidente foi informada a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa, e de aditivos na Abreu e Lima, envolvendo o “pool” de empreiteiras da Operação Lava-Jato. Em 2014, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência.

Cosenza, que em depoimento à CPI mista da Petrobras, em 29 de outubro passado, declarou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal em seus 34 anos na empresa, também recebeu, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

As advertências de que os cofres da Petrobras estavam sendo assaltados partiram de uma gerente que foi transferida para a Ásia. Venina Velosa da Fonseca está na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. Ela começou a apresentar denúncias quando era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 20009. Afastada da estatal, em 19 de novembro, Venina vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Lava-Jato.

As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços – chamados de ZPQES no jargão da estatal – atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria “derrubar todo mundo”. Em seguida, Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões. Dois fornecedores de serviços tinham o mesmo endereço. São as empresas R. A. Brandão Produções Artísticas e Guanumbi Promoções e Eventos. Ambas na rua Guanumbi, 628, em Jacarepaguá, no Rio. O caso foi remetido para a Auditoria. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia.

Petrolão: gerente da Petrobras foi ameaçada com arma na cabeça

Paralelamente aos problemas na área de comunicação com contratos milionários sem execução de serviços, Venina verificou uma escalada nos preços para as obras em Abreu e Lima que elevou os custos para US$ 18 bilhões e fomentou dezenas de aditivos para empreiteiras. Os contratos para as obras na refinaria continham cláusulas pelas quais aPetrobras assumia os riscos por eventuais problemas nas obras e arcava com custos extras. Para executá-las, eram feitos aditivos e as empreiteiras suspeitas de cartel no setor venceram boa parte das concorrências.

Apenas na fase 2 das obras da refinaria havia a previsão de contratações de US$ 4 bilhões junto a empreiteiras. Num ofício de 4 de maio de 2009, Venina criticou a forma de contratação que, em pelo menos quatro vezes naquela etapa, dispensou as licitações e, em várias ocasiões, beneficiou as empresas da Associação Brasileira de Engenharia Industrial(Abemi), entidade que tem firmas acusadas na Lava-Jato como associadas, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal. “Entendemos que não devemos mitigar o problema, mas resolvê-lo pela adoção de medidas corretas, ou seja, com o início das licitações em Abreu e Lima”, disse a gerente.

Documento interno da Petrobras de 2009 mostra que Venina fez 107 Solicitações de Modificação de Projetos (SMPs), o que resultaria numa economia de R$ 947,7 milhões nas obras da refinaria. Mas as sugestões da gerente não foram aceitas.

Outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula chamada “single point responsibility” nos contratos pela qual a construtora se tornaria responsável por eventuais problemas nas obras da refinaria, devendo arcar com os gastos. Mas a área de Serviços, comandada, na época, por Renato Duque, manteve os contratos no formato antigo, sem essa cláusula, transferindo os ônus para a estatal. Duque foi preso pela Polícia Federal na Lava-Jato e Pedro Barusco, seu ex-subordinado na estatal, que também é citado em vários documentos, fez um acordo de delação premiada para devolver US$ 97 milhões obtidos no esquema.

As obras de terraplanagem da refinaria levaram a gastos exponenciais. Elas foram contratadas, em junho de 2007, por R$ 429 milhões junto a um consórcio formado por Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Norberto Odebrecht. Em seguida, vários aditivos foram autorizados pela Diretoria de Engenharia daPetrobras e assinados por Cosenza, presidente do Conselho da Refinaria. Um e-mail obtido pelo Valor PRO mostra que ele foi alertado sobre o aumento nos custos das obras de terraplanagem em Abreu e Lima.

O desgaste de fazer as denúncias e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto, em outubro de 2009. No mês seguinte, a fase 3 de Abreu e Lima foi autorizada. Em fevereiro de 2010, a geóloga foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. Chegando lá, lhe pediram que não trabalhasse e foi orientada a fazer um curso de especialização.

Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu para Graça Foster, na época, diretora de Gás e Energia: “Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”. “Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência”.

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça. “Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório.

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Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers. As unidades da estatal no exterior recebem óleo combustível feito no Brasil e fazem a mistura com outros componentes para atender à exigências de qualidade para vendê-los a outros países. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado. Além desse problema de medição das quantidades de combustível, Venina verificou outro fato ainda mais grave. Negociadores de bunkers estavam utilizando padrões anormais para a venda à estatal. Eles compravam bunkers a um preço e revendiam a valores muito maiores para a Petrobras. A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers com “fortes evidências” de desvios. Mesmo após a denúncia dessas práticas, esses negociadores não foram descredenciados. Pelo contrário, eles mantiveram privilégios junto à estatal, como garantia de vendas para a Petrobras mesmo quando estavam ausentes ou em férias.

Esses problemas da Petrobras no exterior foram comunicados em outro e-mail a Cosenza, em 10 de abril de 2014. Nele, está escrito que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustível. Esse percentual equivale a milhões de dólares, considerando que apenas o escritório de Cingapura pagou dividendos de US$ 200 milhões,em 2013. O lucro líquido da unidade atingiu US$ 122 milhões até outubro deste ano. Novamente, não houve resposta por parte do diretor sobre o que fazer com relação a perdas de milhões de dólares.

Na tentativa de obter uma orientação da direção da estatal, Venina fez, em 27 de maio, uma apresentação na sede da Petrobras, no Rio, sobre as perdas envolvendo a comercialização de combustível no exterior. Nela, foi alertado que a prática se disseminou pelas unidades da estatal, atingindo vários países. Em junho, Venina propôs a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios da empresa no exterior. Nada foi feito.

Uma última mensagem sobre o assunto foi enviada em 17 de novembro. Dois dias depois, a direção da Petrobras afastou Venina do cargo. Após fazer centenas de alertas e recomendações sobre desvios na empresa, ela foi destituída pela atual diretoria, sem saber qual a razão, ao lado de vários funcionários suspeitos na Operação Lava-Jato. A notícia lhe chegou pela imprensa, em 19 de novembro.

Um dia depois, a geóloga escreveu um e-mail para Graça Foster. “Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive.” A geóloga não detalhou no e-mail para Graça o que aconteceu, mas teve a arma apontada para si, no bairro do Catete. Não lhe levaram um tostão, mas houve a recomendação de que ficasse quieta.

“Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão”, continuou.

Em seguida, ela reitera que se opôs ao esquema de aditivos na Abreu e Lima. “Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida”, disse, referindo-se a Costa.

“Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (…). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir.” A geóloga termina a mensagem fornecendo seu telefone a Graça.

O Valor PRO perguntou à Petrobras quais providências foram tomadas com relação às denúncias, mas a estatal não respondeu até o fechamento dessa edição.

Petrolão: Pasadena pode ter sido alvo de suborno

Funcionário da Petrobras revelou detalhes de esquema de corrupção que pode estar por trás do fim da parceria entre a estatal e a Astra Oil.

Corrupção confirmada

Fonte: O Globo

Petrolão: servidor revela suborno em operação com Pasadena

Petrolão: rompimento entre Petrobras e  Astra Oil obrigou a estatal a comprar a parte que cabia à empresa belga na refinaria de Pasadena, causando prejuízo de US$ 792 milhões. Reprodução

Refinaria de Pasadena pode ter sido alvo de suborno

Ex-funcionário revela detalhes de esquema da Petrobras com empresa belga

Em depoimento sigiloso à Polícia Federal, um funcionário de carreira da Petrobras revelou detalhes de um esquema de corrupção que pode estar por trás do fim da parceria entre a estatal e a belga Astra Oil. O rompimento obrigou a Petrobras a comprar a parte que cabia à empresa belga na refinaria de Pasadena, causando prejuízo de US$ 792 milhões.

De acordo com a denúncia, a relação entre as empresas teria azedado depois que o engenheiro maranhense José Raimundo Brandão Pereira, indicado pelo ministro Edison Lobão (PMDB), teria mandado a Houston um emissário para propor o superfaturamento nos contratos de aluguel de navio e a apropriação de uma taxa de 1,25%, conhecido como “address commission”, para alimentar o esquema de corrupção. Por mês, a estatal gastava R$ 200 milhões com a operação.

O negócio teria sido recusado pela Astra Oil, que não estava disposta a assumir prejuízos intencionais causados pelo esquema de corrupção. Pereira ocupou diversos postos na estatal — foi diretor da Petrobras International Finance Company (PIFCo) e trabalhou com Paulo Roberto Costa na área de Abastecimento. Ele deixou a empresa em 2012.

Apesar da tentativa de fraude ter fracassado nos Estados Unidos, o modelo teria prosperado na Petrobras América em operações no Golfo do México, onde os navios conhecidos como aliviadores teriam sido afretados por um preço três vezes acima do mercado internacional. O bom desempenho do emissário lhe rendeu até mesmo promoção para atuar na Petrobras Global Trading, com sede na Holanda, mais conhecida como Petrobras Netherlands. Na planilha dos projetos do doleiro Alberto Youssef, a Petrobras Netherland aparece citada com 11 projetos de plataformas atribuídos às empresas Alusa e Iesa, duas das investigadas na Lava-Jato.

O funcionário da estatal contou ainda como funcionava o esquema na área Internacional da Petrobras, controlada pelo lobista Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema. Ele falou ainda sobre prejuízos superiores a US$ 700 milhões em blocos de exploração em Angola por “ingerência” política. E na venda de 50% dos ativos daPetrobras na África para o BTG Pactual, fechada em julho de 2013. Segundo ele, esses ativos haviam sido avaliados por pelo menos duas instituições financeiras internacionais por US$ 7 bilhões. O caso está sob investigação no TCU.

Brandão Pereira não retornou aos recados deixados pelo GLOBO com familiares em sua casa, no Rio. (*Enviada Especial)

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