Arquivos do Blog

Mentiras do PT: partido promete expulsar condenados por corrupção

Mentiras do PT: partido se compromete a expulsar filiados que forem condenados pela Justiça por envolvimento em casos de corrupção.

PT mantém como filiados quatro condenados no escândalo do mensalão: os presidentes da legenda José Dirceu e José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha.

Fonte: O Globo

Em programa de TV, PT promete expulsar filiados condenados por corrupção

Lula diz que terceirização faria Brasil voltar ao tempo em que trabalhador era cidadão de terceira classe 

Em programa de televisão que foi exibido na noite desta terça-feira e cujo vídeo já foi divulgado pela internet, o PT se compromete a expulsar dos seus quadros os filiados que forem condenados pela Justiça por envolvimento em casos de corrupção. A presidente Dilma Rousseff não fala no programa e aparece apenas duas vezes, em um breve momento, em que são citadas as obras dos governos petistas.

– Qualquer petista que cometer malfeito e ilegalidade não continuará nos quadros do partido. O PT também não aceita que alguns setores da mídia queiram criminalizar todo o partido por causa de erro graves de alguns filiados – afirma o presidente da legenda, Rui Falcão, no vídeo.

O partido mantém como filiados quatro condenados no escândalo do mensalão: os presidentes da legenda José Dirceu e José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha.

No programa de televisão, o partido segue o discurso de que o combate à corrupção foi intensificado nos governos petistas.

Ao final da fala de Rui Falcão, um ator afirma:

– Qualquer petista que ao final do processo for julgado culpado será expulso. Mas precisamos ter consciência de que há integrantes de vários partidos sendo acusados e investigados, inclusive de oposição. E a Justiça tem que ser igual para todos não apenas para quem está no PT.

O partido afirma no programa que “outra virada histórica do Brasil tem sido o combate à corrupção e por mais que alguns setores da imprensa omitam o PT liderou as mais importantes inciativas contra a impunidade”.

No programa, o locutor diz que os governos anteriores faziam questão de esconder a corrupção. Afirma que antes do partido chegar ao poder não existia Lei da Ficha Limpa e Portal da Transparência.

-Antes do PT, Polícia Federal e Ministério Público não tinham autonomia. A corrupção não aparecia, mas tudo mundo sabia que ela estava lá – diz o locutor.

O partido reitera ainda, como já havia anunciado, anteriormente que os seus diretórios não aceitarão mais doações de empresas e que esse seria um dos caminhos para fechar as portas para corrupção no país.

No trecho inicial do programa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva condena o projeto de terceirização. Ele cita as conquistas dos trabalhadores ao longo da história: jornada de trabalho de oito horas, 13º salário, férias e aposentadoria.

– Não podemos permitir que essa história ande para trás. E isso vai acontecer se for aprovado o projeto da terceirização que passou pela Câmara dos Deputados. Esse projeto faz o Brasil voltar ao que era no começo do século passado, o tempo em que o trabalhador era um cidadão de terceira classe, sem diretos, sem garantias, sem dignidade – afirma Lula.

Em boa parte do programa, são contrapostas imagens em preto e branco e colorida com comparações do país antes e e depois do governo do PT.

– Antes do PT governar o Brasil, os ajustes da economia eram feitos com arrocho salarial e enorme sacrífico para o povo mais pobre – diz o locutor.

O programa afirma ainda que no ajuste atual o PT tem “defendido que não se cortem direito dos trabalhadores e que as medidas necessárias não afetem os mais pobres.

– O PT luta pelo aprovação de impostos sobre grandes fortunas e grandes heranças e sobre ganhos especulativos.

Noblat: a culpa é do Lula que escolheu a Dilma para sucedê-lo

“Não diz quem é responsável, é claro. E por razões compreensíveis. Mas dá para adivinhar. Se não for Fernando Henrique Cardoso, como o PT prefere, só pode ter sido Lula. Elementar”, comentou.

Definitivamente, Dilma não tinha competência para ser eleita presidente da República. Não tinha e não tem.

Fonte: Blog do Noblat

Culpa é do Lula que escolheu a Dilma, por Ricardo Noblat

Lula estava convencido de que Dilma o ouviria para tudo. E que faria o que ele mandasse. Até que fez. Mas logo começou a deixar de fazer. Foto: AFP/VEJA

A culpa é de Lula. Foi ele quem escolheu Dilma para sucedê-lo

Ricardo Noblat

Queixa-se a presidente Dilma Rousseff de estar sendo injustiçada. De não ser responsável pela situação que desembocou nesta superposição de crises – a política, a econômica e daqui a pouco a social.

Não diz quem é responsável, é claro. E por razões compreensíveis. Mas dá para adivinhar. Se não for Fernando Henrique Cardoso, como o PT prefere, só pode ter sido Lula. Elementar.

O responsável é Lula. Mas em grande parte por tê-la escolhido para sucedê-lo.

Definitivamente, Dilma não tinha competência para ser eleita presidente da República. Não tinha e não tem.

Uma pessoa que chefia equipes e não delega poderes é uma péssima executiva. Não pode se dar bem quem trata seus subordinados com insultos e palavrões. Quem os humilha publicamente.

Dilma é assim – e muito mais.

Lula tinha dois nomes capazes de sucedê-lo: José Dirceu e Antonio Palocci. O mensalão comeu Dirceu. Alguma cabeça tinha de rolar para que a de Lula fosse preservada.

A quebra criminosa do sigilo bancário de um caseiro, testemunha de orgias numa mansão do Lago Sul de Brasília, comeu Palocci.

Nas contas de Lula, restou Dilma. Ele admirava a capacidade de Dilma de arrumar a casa e de comandar com mão de ferro. E achou que escolher uma mulher como candidata a presidente seria um ótimo lance de marketing. E foi.

De resto, Lula estava convencido de que Dilma o ouviria para tudo. E que faria o que ele mandasse. Até que fez. Mas logo começou a deixar de fazer.

Se Dilma recuperar a popularidade e chegar bem ao final do seu governo, Lula tentará se eleger presidente outra vez. Do contrário…

Do contrário terá de convencer a maioria dos brasileiros de que nada teve a ver com o desastre dos dois governos de Dilma.

Lula pode muito. Mas não pode tudo.

Em defesa do malfeito: Lula estimula violência e conflitos sociais

Radicalização política começa a levar violência às ruas. De um lado, militantes de organizações sindicais e movimentos sociais, quase sempre manipulados pelo PT, aliados a radicais de esquerda.

Lula radicaliza quando vê projeto de poder do PT desabar

Fonte: O Estado de S.Paulo 

Lula em defesa do malfeito estimula violência e conflitos sociais

Lula ameaça incendiar as ruas com “o exército do Stédile”, a massa de manobra do MST. Lula acenou com essa ameaça em evento “em defesa da Petrobrás” promovido na sede da ABI. Divulgação

Lula estimula o conflito social

No desespero para salvar o PT de um desastre que a incompetência do governo de Dilma Rousseff torna a cada dia mais grave, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça incendiar as ruas com “o exército do Stédile“, a massa de manobra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Lula acenou com essa ameaça em evento “em defesa da Petrobrás” promovido na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, pelo braço sindical do PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Basta abrir as páginas dos jornais ou assistir ao noticiário da televisão para perceber que a radicalização política começa a levar a violência às ruas das principais cidades do País. De um lado, militantes de organizações sindicais e movimentos sociais, quase sempre manipulados pelo PT, aliados a radicais de esquerda; do outro lado, sectários antigovernistas engajados na inoportuna campanha de impeachment da presidente da República. Esses grupos antagônicos se agrediram mutuamente diante da ABI, pouco antes do evento protagonizado por Lula.

Diante do sintoma claro de que o agravamento da crise política em que o País está mergulhado pode acender o rastilho da instabilidade social, o que se espera das lideranças políticas é que ajam com responsabilidade para evitar o pior. Mas Lula, assustado com a possibilidade crescente do naufrágio de seu projeto de poder, parece disposto, em último recurso, a correr o risco de virar a mesa. Não há outra interpretação para sua atitude no evento.

Em seu discurso, o coordenador do MST, João Pedro Stédile, como de hábito botou lenha na fogueira: “Ganhamos as eleições nas urnas, mas nos derrotaram no Congresso e na mídia. Só temos uma forma de derrotá-los agora: é nas ruas”. É o caso de perguntar o que Stédile quer dizer com “derrotá-los nas ruas”. Mas Lula parece saber a resposta. E aproveitou a deixa, ao falar no encerramento do ato: “Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua”. Uma declaração de guerra?

A atitude irresponsavelmente incendiária do ex-presidente é coerente com a estratégia por ele traçada e transmitida à militância petista com o objetivo de reverter a repercussão extremamente negativa para a imagem do PT provocada pelo desgoverno Dilma e, em particular, pelo escândalo da Petrobrás. A ideia é, como sempre, transformar o PT em vítima da “elite”, os temíveis “eles” que só querem fazer mal ao povo brasileiro.

Do mesmo modo que para Lula o escândalo do mensalão foi uma “farsa” que resultou na condenação injusta dos “guerreiros do povo brasileiro”, o petrolão é coisa de “meia dúzia de pessoas” para a qual Dilma Rousseff “não pode ficar dando trela”: “O que estamos vendo é a criminalização da ascensão de uma classe social neste país. As pessoas subiram um degrau e isso incomoda a elite”, disse Lula.

Ou seja, o que abala o Brasil não é a ação da quadrilha que, há 12 anos, pilha a Petrobrás e ocupa, para proveito próprio ou do PT, cada escaninho possível da administração pública. Muito menos é a incompetência administrativa demonstrada pelos petralhas que sugam o Tesouro. É – no entender de Lula e companhia bela – a reação dos brasileiros honestos e indignados com a roubalheira e a desfaçatez.

Esse discurso populista pode fazer vibrar a militância partidária manipulada e paga pela nomenklatura petista, mas é inútil para garantir ao PT e ao governo o apoio de que necessitam para tirar o País do buraco em que Dilma Rousseff o meteu ao longo de quatro anos de persistentes equívocos.

O principal aliado do PT, o PMDB do vice-presidente Michel Temer, agora decidiu exigir o papel que lhe cabe como corresponsável pela condução dos destinos do País. Não aceita mais, por exemplo, que o núcleo duro do poder de decisão no Planalto seja integrado exclusivamente por petistas. O PMDB tampouco aceita que os petistas continuem se fazendo passar por bonzinhos na votação das medidas de ajuste fiscal, posicionando-se na defesa dos “interesses dos trabalhadores” e deixando o ônus da aprovação do pacote para os aliados.

Os arreganhos de Lula e do agitador Stédile mostram que a tigrada está cada vez mais isolada – e feroz – na aventura em que se meteu de arruinar o Brasil.

Lula culpa imprensa e diz que PT será julgado antecipadamente

Lula não reconhece os erros do PT e menospreza fatos que colocam o partido no centro do maior escândalo de corrupção já revelado no Brasil.

Lula afirmou que o PT não vai aceitar a pecha de corrupto e conclamou a militância a reagir

Fonte: O Globo

Bravata: Lula diz que mídia vai condenar o PT antes do STF

 Lula ironizou as críticas recebidas pelo partido. Foto: Rafael Andrade/ Folhapress

Lula compara Lava-Jato ao mensalão e diz que imprensa irá julgar o PT antecipadamente

‘Todo o vazamento é contra o PT’, disse o ex-presidente da República

O ex-presidente Lula comparou, na noite desta quarta-feira, o escândalo de corrupção na Petrobras ao processo do mensalão e disse que, quando a investigação chegar ao Supremo Tribunal Federal, a imprensa já terá condenado o PT. Ele também ironizou a oposição, dizendo que até parece que eles arrecadam dinheiro para as campanhas eleitorais no Criança Esperança, e não com empresários.

— Agora a bola da vez somos nós. O PT não pode continuar crescendo, tem que ser atacado de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer guerra eletrônica contra o PT, não importa se é verdade ou mentira. Vamos tentar difamar, destruir esse partido. No processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, o que a gente está vendo é que quando chegar na Suprema Corte, quando o Teori (Zavascki) for analisar a delação premiada, instrumento criado por nós, a imprensa já vai ter condenado. Todo o vazamento é contra o PT — disse Lula, ao discursar no lançamento da segunda etapa do 5º Congresso do PT.

Em um evento marcado por ataques aos oposicionistas, chamado de “coxinhas” pelo presidente do PT, Rui Falcão, Lula ironizou as críticas recebidas pelo partido:

— A presidente Dilma tentou explicar isso muitas vezes na campanha eleitoral, mas nossos adversários nunca quiseram compreender, como se quem faz campanha pedindo dinheiro para empresário fosse só o PT. Me parece que os tucanos arrecadam dinheiro em campanha como o Criança Esperança, de tão nobre que eles são.

O ex-presidente afirmou que o PT não vai aceitar a pecha de corrupto, conclamou a militância a reagir e disse que quem errou será punido:

— É hora dos petistas levantarem a cabeça, enfrentarem o debate da corrupção. A gente não pode aceitar a pecha que eles querem nos incutir na nossa testa. Não sou melhor do que ninguém, mas se enfiar todos eles um dentro do outro, eles não são mais honestos do que eu nem nenhum de vocês.

No momento em que a segunda etapa do 5º Congresso do partido, que acontecerá em junho, em Salvador, vai discutir a atualização do programa e do estatuto do PT, Lula comparou a sigla a um filho que cresce e começa a dar trabalho:

— Não nascemos para ser igual aos outros, não nascemos para fazer campanha com cabos eleitorais pagos. Aí nasce o político profissional. A gente tinha menos voto, mas tinha mais orgulho, andava de cabeça erguida, querendo que as pessoas copiassem a gente.

Conclamado pela militância a disputar as eleições de 2018, Lula disse que o momento agora é de garantir que a presidente Dilma Rousseff faça um bom governo em seu segundo mandato. E alertou que os próximos quatro anos serão tempos difíceis:

— Ninguém tem que pensar neste momento em 2018, temos que pensar na posse da presidente Dilma e do sinal que temos que dar a esse país. Na expectativa que a presidente Dilma anuncie no dia 1º o que serão os próximos quatro anos do ponto de vista econômico, das politicas sociais, de desenvolvimento, de crescimento, para que a gente possa recuperar neste país a alegria.. É importante que a gente não perca de vista que os tempos que virão pela frente não serão fáceis.

Os discurso da noite, tanto de Lula e Rui Falcão, como do governador da Bahia, Jaques Wagner, criticaram a oposição por não descer do palanque, segundo eles. E conclamaram a militância a dar uma demonstração de força na posse da presidente Dilma, fazendo uma grande festa popular em Brasília:

— Eu perdi 89 e todo mundo sabe como perdi, entretanto não fiquei na rua protestando, fui me preparar para a outra. (…) Quando a gente perdia a gente acatava o resultado. Eles acham que a campanha não acabou. A gente não pode ficar nessa disputa com eles. Eles fazem uma passeata um dia e a gente no outro. Ninguém aguenta. A Dilma precisa governar. Deixa a mulher trabalhar gente, ela ganhou as eleições — disse Lula.

Jarbas Vasconcelos despede do Senado com duros ataques ao PT

Jarbas Vasconcelos: “Ao invés do ‘País das Maravilhas’ da propaganda governamental, cenário atual está mais para um filme de terror”, disse.

Jarbas troca a tribuna do Senado pela tribuna da Câmara dos Deputados, na próxima legislatura

Fonte: O Globo

Senador pernambucano se despede com críticas contra o PT

Senador Jarbas Vasconcelos fez duros ataques ao governo do PT e aos escândalos de corrupção. Foto: Alan Marques/Folha

Em discurso de despedida, Jarbas diz que Brasil vive ‘filme de terror’

Senador lembra os escândalos de corrupção nos governos do PT e critica reforma política de “faz de conta”

Um dos mais ácidos críticos do governo, dissidente do aliado PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos (PE), fez na tarde desta segunda-feira um discurso de despedida do Senado com duros ataques ao governo do PT e aos escândalos de corrupção. Ele disse que não se considera um pessimista, mas ao invés do “País das Maravilhas” da propaganda governamental, o cenário atual está mais para um filme de terror, daquele no qual o monstro mata todos os mocinhos. E o filme ganha uma, duas, três sequências. Jarbas troca a tribuna do Senado pela tribuna da Câmara dos Deputados, na próxima legislatura , de onde deve continuar integrando o grupo que faz a mais dura oposição ao governo.

No longo discurso, com apartes de apoio de outros senadores que integram o grupo dos independentes, Jarbas disse que aa política perdeu com a degradação dos governos do PT, que deixou de lado a ética que professava quando estava na oposição para lutar pela permanência no poder usando todas as armas que estiverem ao seu alcance. Para o peemedebista, os escândalos de corrupção se multiplicaram, passando a fazer parte da paisagem cotidiana; a fragmentação partidária atingiu números alarmantes e, mesmo com as punições do Supremo Tribunal Federal (STF) aos líderes do “mensalão”, o crime parece que realmente compensa.

Lembrando a pequena margem de votos que levou a derrota do candidato da oposição Aécio Neves (PSDB-MG), Jarbas disse que a maioria – nulos, brancos e ausentes – não aprovou esse governo da presidente Dilma Rousseff. Para ele, a presidente não tem condições de implantar as mudanças que o Brasil precisa. Sobre o esquema de desvios na Petrobras, o peemedebista disse que o que fizeram com a maior estatal do Brasil, um dos maiores escândalos do mundo, com cifras bilionárias, é um crime de lesa-pátria.

— Vai demorar anos para a empresa retomar a tranquilidade necessária para enfrentar os desafios que não são apenas dela, mas que envolvem o nosso próprio futuro como Nação. Mesmo na oposição, nunca me comportei pela máxima do “quanto pior, melhor”. Tenho responsabilidades para com Pernambuco e para com o Brasil. Mas me nego a concordar com essa flexibilidade ética que o PT busca implantar no Brasil, de que o mesmo erro pode ser repetido pela enésima vez, sem consequência alguma — disse Jarbas.

Jarbas criticou a intenção do governo e do PT de fazer uma reforma política de “faz de conta”, que foi prometida pelo ex-presidente Lula e por Dilma, e nunca feita.

— A palavra mágica agora é “plebiscito”, indicando claramente que o PT pretende implantar o modelo “bolivariano”, já em funcionamento em países como Venezuela, Equador e Bolívia. Esse modelo, Senhor Presidente, começa justamente tentando esvaziar o poder da democracia representativa da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e, paralelamente, busca coibir a liberdade da Imprensa. As comemorações pela vitória apertada da Presidente da República foram marcadas por ataques aos meios de comunicação, um setor que ainda resiste, felizmente, ao “modo petista” de governar — disse Jarbas.

Projeto de poder do PT banaliza corrupção

Editorial chama a atenção de que o mensalão é a ponta de um esquema avantajado de desvio de dinheiro público, do qual faz parte o petrolão.

Próprio estado de direito democrático ficou ameaçado, pois o plano visa comprar apoio no Legislativo e se perpetuar no Executivo pelo voto capturado por políticas populistas.

Fonte: O Globo

PT: projeto de poder banaliza corrupção

PT: os casos do mensalão e petrolão mostram que em doze anos de lulopetismo no Planalto, construiu-se o mais articulado e amplo esquema de corrupção na máquina pública de que se tem notícia. O objetivo estratégico é um projeto de perpetuação no poder. Foto: Fábio Motta/AE

Projeto de poder banaliza corrupção

O mensalão é a ponta de um esquema avantajado de desvio de dinheiro público, do qual faz parte o petrolão. Mas não se contava com o vigor de instituições republicanas

À luz do mensalão e, agora, do petrolão, pode-se dizer, dentro de uma perspectiva histórica, que não é por mera coincidência que, em doze anos de lulopetismo no Planalto, construiu-se o mais articulado e amplo esquema de corrupção na máquina pública de que se tem notícia, a fim de drenar dinheiro de estatais para financiar um projeto de poder.

Não é por acaso que em 2004, enquanto o mensalão, cujo embrião está na campanha eleitoral de 2002, já funcionava a contento, o “amigo Paulinho” — como o presidente Lula tratava Paulo Roberto da Costa —, funcionário da Petrobras, era nomeado diretor de Abastecimento da estatal, indicado pelo PP do deputado José Janene (PP-PR), este também um mensaleiro. O nome saído do bolso do colete do aliado Janene foi bem aceito pelo lulopetismo. Falecido, Janene não pode colaborar com as investigações do petrolão, do qual o seu apadrinhado foi peça-chave, pelo que já se sabe de depoimentos do próprio ex-diretor da Petrobras prestados sob acordo de delação premiada. Não se discute se houve um assalto bem organizado aos cofres da Petrobras patrocinado por diretores — algo tão extraordinário que acionou os mecanismos americanos de vigilância do mercado de títulos do país, usado pela Petrobras como fonte de capitalização, para também investigar o escândalo e buscar responsáveis. Não se discute porque o próprio “amigo Paulinho” se declara culpado e, para reduzir penas, compromete-se a ajudar na elucidação do caso.

Lulopetistas costumam defender o partido, desde a descoberta do mensalão, em 2005, com a surrada justificativa de que “todos fazem”. É a escapatória da banalização do crime, para tentar reduzir sua gravidade. A própria candidata Dilma Rousseff escorregou na campanha da reeleição ao dizer que há corruptos em todos os lugares. Fez lembrar o presidente Lula, na histórica entrevista em Paris, depois que o então aliado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou o mensalão, quando afirmou que o PT fez o que todo partido fazia.

O mensalão foi desbaratado, informações colhidas por CPI, pela PF e Ministério Público instruíram um processo julgado de forma exemplar pelo Supremo, de que resultou a prisão de petistas estrelados: o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Além de aliados e cúmplices.

Pois agora, no petrolão, Mario Oliveira Filho, advogado de Fernando Soares, o “Fernando Baiano”, acusado de operar — verbo usado em sentido malicioso no submundo da política —na Petrobras, em nome do PMDB, segue na trilha da banalização e diz que não se consegue obra pública sem propinas. Tenta-se jogar areia nos olhos da opinião pública. Não há uma corrupção aceitável e outra reprovável. Há o crime de malversação do dinheiro público a ser investigado e punido. Os casos do mensalão e petrolão — delinquências de mesma célula-tronco — mostram um padrão de drenagem do dinheiro do contribuinte. São malhas tecidas entre partidos e políticos, estatais, empreiteiras, empresas públicas, sindicalistas e, conforme mostrou o GLOBO no fim de semana, fundos de pensão de empresas públicas, tudo numa dimensão jamais vista no submundo da política brasileira, tendo como objetivo estratégico um projeto de perpetuação no poder. É claro, com os inexoráveis desvios feitos para enriquecimento particular. Afinal, a carne é fraca.

O mensalão mostrou apenas a ponta de uma máquina avantajada de corrupção que agora fica mais visível à medida que avança a investigação sobre o esquema na Petrobras, com suas diversas conexões, como a dos fundos de pensão. Não se trata de um crime sem implicações. O próprio estado de direito democrático ficou ameaçado, pois o plano visa a comprar apoio no Legislativo e se perpetuar no Executivo pelo voto capturado por políticas populistas. Mas não se contava com o vigor de instituições republicanos brasileiras.

Ministro do STF diz que escândalo de corrupção na Petrobras é ‘muito grave’

Gilmar Mendes considerou o mensalão um caso para juizado de pequenas causas, em comparação aos escândalos de corrupção da Petrobras.

Mendes considerou o caso preocupante, diante da “vastidão, imensidão” das denúncias

Fonte: O Globo

Petrolão: Ministro do STF considera caso ‘muito grave’

Petrolão: Gilmar Mendes refutou o argumento de que a corrupção na Petrobras teria servido para custear campanhas eleitorais. Ele lembrou que os integrantes do esquema aumentaram seu patrimônio pessoal, diante das altas somas desviadas. Foto: Nelson Jr / TSE

Gilmar Mendes chama mensalão de ‘pequena causa’ perto da Lava-Jato

Ministro afirma que penas aplicadas no mensalão não inibiram desvio de dinheiro público

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou o mensalão um caso para juizado de pequenas causas, em comparação aos escândalos de corrupção da Petrobras. Mendes considerou o caso “muito grave” e preocupante, diante da “vastidão, imensidão” das denúncias. O processo do mensalão foi julgado pelo STF em 2012, resultando na condenação dos principais atores, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A corrupção na Petrobras, desvendada pela Operação Lava Jato, também é alvo de um processo no STF.

– Sem dúvida nenhuma, é muito grave. (No mensalão), nós falávamos que estávamos a julgar o maior caso, pelo menos de corrupção, investigado, identificado. Claro, nós tínhamos a noção de que aquele número decantado era um número provisório, que a investigação não tinha sido aprofundada. Se falava mesmo que os fundos de pensão ficaram sem uma investigação continuada. Mas nós falamos de R$ 170 milhões. Agora, a AP 470 terá que ser julgada em juizado de pequenas causas pelo volume que está sendo revelado nesta demanda (Lava Jato). Então, realmente temos que nos preocupar – disse o ministro.

Gilmar Mendes refutou o argumento de que a corrupção na Petrobras teria servido para custear campanhas eleitorais. Ele lembrou que os integrantes do esquema aumentaram seu patrimônio pessoal, diante das altas somas desviadas.

– Há um certo argumento, um álibi, que a isso tudo tem a ver com campanha eleitoral. Nós estamos a ver que não. Nós estamos a ver que esse dinheiro está sendo patrimonializado. Passa a comprar lanchas, casas, coisas do tipo. Quando a gente vê que uma figura secundária se propõe a devolver 100 milhões de dólares, nós já estamos em um outro universo, em outra galáxia – afirmou.

Para o ministro, o esquema da Petrobras comprova que as penas aplicadas no mensalão não tiveram o caráter didático de inibir o desvio de dinheiro público:

– Nem o julgamento do mensalão, nem as penas que foram aplicadas teve qualquer efeito inibitório. O que mostra que há uma práxis que compõe uma forma de atuar, de gerir, de administrar.

Mendes prevê que a Lava Jato demande muito trabalho no STF. No entanto, pondera que hoje o tribunal tem a possibilidade de atuar de forma mais rápida. Isso porque, na época do mensalão, ações penais eram julgadas no plenário, composto dos onze integrantes da Corte. Hoje, essa tarefa é atribuída às duas turmas, formadas por cinco ministros cada. O presidente do STF não atua nos julgamentos das turmas.

Outro fator de celeridade seria o possível desmembramento do processo – ou seja, permaneceriam no STF apenas pessoas com direito ao foro privilegiado. O restante seria julgado pela primeira instância da Justiça. Essa divisão não ocorreu no processo do mensalão.

Relatório da Coaf identifica movimentação atípica de R$ 23,7 bilhões

Relatório do Coaf informa que pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Lava-Jato fizeram movimentações atípicas no valor de R$ 23,7 bilhões.

Só em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões

Fonte: O Globo

Lava-Jato: Coaf identifica movimentação de R$ 23,7 bilhões

Analistas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) esclarecem que as investigações da Operação Lava-Jato e o banimento dos acusados são um marco histórico no país. Foto: Divulgação.

Coaf identifica movimentações financeiras atípicas de R$ 23,7 bi de investigados na Lava-Jato

Segundo o conselho, somente em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões

Os relatórios do Coaf deram origem às investigações que, mais tarde, levaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal a deflagrar a Operação Lava-Jato em 17 de março deste ano. Na última sexta-feira, a sétima etapa da operação, batizada de Juízo Final, resultou na prisão de 24 pessoas, entre elas dirigentes das maiores empreiteiras do país e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. A decisão já está sendo considerada um marco histórico. É a primeira vez que dirigentes de empreiteiras acusados de corrupção são presos no país.

Analistas do Coaf começaram a produzir os primeiros relatórios em 2011 quase de forma burocrática. Os alvos eram empresas que, sem aparente capacidade técnica e operacional, passaram a fazer movimentação financeira elevada. Naquele momento os analistas não tinham a menor ideia de que, três anos depois, o caso ganharia dimensão nacional e se tornaria a mais explosiva investigação criminal da história recente do país.

— A gente acha que tem alguma coisa estranha acontecendo e manda os relatórios para PF e MP. A investigação criminal é que vai constatar se houve ou não crime. Foi assim no mensalão. E está sendo assim agora nessa operação, que ganhou uma dimensão enorme — disse ao GLOBO o presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues.

A produção dos analistas do Coaf aumentou no ritmo do trabalho da PF e do Ministério Público. Ano passado, quando começaram as investigações formais, foram produzidos 29 relatórios. Este ano, quando procuradores e delegados começaram a colecionar acordos de delação premiada e confissões detalhadas sobre fraudes na Petrobras e em outras áreas do governo federeal, o Coaf remeteu 78 relatórios ao procurador da República Deltan Delagnol e ao delegado Márcio Anselmo.

DELAÇÕES DEVEM AMPLIAR INQUÉRITO

As análises do Coaf teriam começado a partir de empresas controladas por Alberto Youssef. O doleiro já tinha sido alvo de investigação no caso Banestado. Os analistas não imaginavam que, depois de preso e condenado, o doleiro teria fôlego financeiro para retomar e até ampliar os negócios ilegais. No decorrer da análise, acabaram se deparando com as movimentações de grandes empreiteiras vinculadas a empresas de fachada do doleiro. O emaranhado de transações ainda está sendo destrinchado.

As investigações podem ser ampliadas também à medida que novas informações surgem no âmbito dos inquéritos em tramitação na 13ª Vara Federal, em Curitiba. Os primeiros inquéritos foram abertos e, a partir deles, a força-tarefa do Ministério Publico pediu e obteve a instauração de 10 processos. Mas outros inquéritos e processos devem ser abertos a partir das revelações de Paulo Roberto Costa, Youssef e do executivo Paulo Camargo, da Toyo Setal, entre outros que decidiram fazer acordo de delação premiada.

Petrobras: delatores vão devolver R$ 423 milhões

Somas referem-se a acordos feitos por apenas cinco investigados. Homem ligado a Renato Duque devolverá aproximadamente US$ 100 milhões.

Petrobras e a gestão deficiente

Fonte: O Globo

Lava-Jato: delatores vão devolver R$ 423 milhões

Lava-Jato: Paulo Roberto Costa entregou a estrutura de corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras e assumiu por escrito o compromisso de devolver aproximadamente R$ 70 milhões.

Lava-jato: Delatores vão devolver R$ 423 milhões desviados dos cofres públicos

A escalada de delações, associada à confissão de culpa e à devolução de dinheiro desviado, começou com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. O ex-diretor entregou a estrutura de corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras e assumiu por escrito o compromisso de devolver aproximadamente R$ 70 milhões. Desse total, US$ 23 milhões (R$ 58 milhões) estão bloqueados em contas bancárias na Suíça. Com o caminho aberto, o seu ex-cúmplice no esquema, o doleiro Alberto Youssef, também decidiu confessar envolvimento com a corrupção e entregar aproximadamente R$ 50 milhões.

Não demorou, o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, decidiu fazer o mesmo. O empresário concordou em pagar R$ 40 milhões a título de ressarcimento dos cofres públicos e contar ao Ministério Publico como e para quem pagou propina em troca de contratos com a maior estatal brasileira. Augusto Ribeiro, outro executivo da Toyo Setal, dispôs-se a pagar R$ 10 milhões e também complementar os relatos sobre os subornos de dirigentes da Petrobras e de intermediários das negociatas.

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato estavam cientes da importância histórica dos valores a serem devolvidos pelos delatores. Numa cartada emblemática, procuradores obtiveram o compromisso de que Barusco devolverá aproximadamente US$ 100 milhões. Parte do dinheiro, US$ 20 milhões, já está bloqueada em contas na Suíça.

Barusco é ligado a Renato Duque, que ocupou a diretoria de Serviços da Petrobras até 2012 por indicação do PT. Barusco dediciu entregar o dinheiro depois de terem sido denunciados por Camargo e Ribeiro.

“DEPOIMENTOS DETALHADOS”

“Com efeito, os depoimentos transcritos são bastante detalhados, revelando pagamentos de propinas em diversas obras da Petrobras, como na Repav, Cabiúnas, Comperj, Repar, Gasoduto Urucu Manaus, Refinaria Paulínea, a Renato Duque e ainda a gerente da Petrobras de nome Pedro Barusco, com detalhes quanto ao modus operandi e as contas no exterior creditadas”, sustenta o juiz Sérgio Moro ao decretar a prisão de Duque e outros 26 investigados na Lava-Jato, na semana passada.

Barusco só não foi preso porque decidiu colaborar com a Justiça e devolver o dinheiro desviado. Os acordos de delação e devolução de expressivas somas em espécie são resultado do trabalho de procuradores da força-tarefa e de Sérgio Moro. Um dos procuradores, Carlos Fernando, e Moro são especialistas na questão.

Paulo Roberto Costa decidiu abrir o jogo ao Ministério Público e à Polícia Federal numa tentativa de evitar as prisões das filhas e dos genros, também acusados de envolvimento com a movimentação de dinheiro de origem ilegal. Segundo um de seus advogados, ele estava deprimido e decidiu contar tudo e devolver o dinheiro como uma forma de libertação.

Alberto Youssef resistiu longamente, mas acabou decidindo colaborar por pressão da mulher e da filha. Elas tinham receio de que o pai tivesse destino parecido com o de Marcos Valério, o operador do mensalão do PT. Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Os outros cúmplices foram punidos com penas menores, e muitos deles já estão soltos. Os outros delatores também começaram a contar o que sabem por medo de permanecerem longos anos na cadeia.

Mensalão: fuga de Pizzolato é contada em livro

Os cinematográficos detalhes dessa fuga (e dos outros planos do mensaleiro para escapar) estão em Pizzolato.

Brasil corrupto

Fonte: El País

Mensalão do PT: livro conta fuga de Pizzolato

Contibuinte do mensalão petista, Henrique Pizzolato usa o passaporte de seu irmão Celso para foragir do país. Foto: Divulgação.

Ele ouviu do melhor amigo: “Pizzolato, você vai ter que morrer”

Livro conta detalhes da fuga e da prisão do ex-diretor do Banco do Brasil

Pizzolato tentou escapar da condenação pelo mensalão pleiteando julgamento na Itália

Henrique Pizzolato estava fadado a ter o mesmo destino de Kátia Rabello, Cristiano Paz e Jacinto Lamas: entrar para a história como coadjuvante entre os condenados por participar do esquema do mensalão. Mas o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil não estava disposto a aceitar a pena de 12 anos e sete meses de prisão que lhe foi imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no maior julgamento de que se tem notícia no país, e viraria protagonista do caso como o único dos 25 condenados a tentar fugir da polícia. Os cinematográficos detalhes dessa fuga (e dos outros planos do mensaleiro para escapar) estão em Pizzolato – Não existe plano infalível (Leya), escrito pela jornalista Fernanda Odilla.

O livro em que se transformou a vida de Pizzolato conta como o funcionário de carreira que galgou postos no Banco do Brasil por meio do ativismo sindical tomou a identidade do falecido irmão Celso para, com documentos forjados, deixar o país rumo à Itália — com escalas na Argentina e na Espanha — antes que o STF pudesse expedir sua ordem de prisão. Determinado a escapar de qualquer forma do constrangimento que ele e Andrea Haas, a mulher que lhe acompanha desde os tempos de faculdade, teriam de passar durante os anos de cadeia, o militante político que chegou a se candidatar a prefeito de Toledo e até a governador em Santa Catarina pelo PT, no fim dos anos 1980, estava disposto a tudo, inclusive forjar a própria morte.

Concebido pelo melhor amigo e grande defensor de Pizzolato, o também funcionário do Banco do Brasil Alexandre Cesar Costa Teixeira, mais conhecido como Terremoto, o plano de fingir que o condenado pelo mensalão havia morrido chegou a ser posto em prática, com a confecção de um testamento que estabelecia, entre outras coisas, que o corpo do falecido não deveria ser velado, nem sua morte divulgada, “pois [o autor] não deseja que pessoas fiquem tristes e enlutadas”. A ideia, que seria classificada como louca pelo próprio Terremoto anos depois, não vingou, assim como outras sugestões de amigos de Pizzolato, entre elas pedir asilo a países vizinhos alinhados com o governo brasileiro, como Venezuela e Bolívia. O jeito seria fugir do Brasil, numa estratégia que começou a ser arquitetada seis anos antes, em 2007, quando o STF aceitou a denúncia do Ministério Público sobre o mensalão.

Acusado de desviar dinheiro do Fundo Visanet para a agência DNA, do empresário Marcos Valério, e sem conseguir explicar à polícia e aos parlamentares de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) o recebimento de 326.660,67 reais em sua cobertura em Copacabana, Pizzolato começou a expedir documentos em nome do irmão Celso, falecido em um acidente de carro em 1978, aos 24 anos. O ‘ressuscitado’ Celso chegou a votar nas eleições de 2008, em um dos testes de Henrique para a identidade com a qual conseguiria, anos depois, deixar o país pela Argentina, com a ajuda de Terremoto, que o conduziu de carro até a fronteira.

Pizzolato deu início à fuga no dia 11 de setembro de 2013, e seriapreso pelos carabinieri em Maranello, na Itália, quase cinco meses depois, em 5 de fevereiro de 2014, na casa de um sobrinho que trabalha para a Ferrari, após uma série de desencontros entre as forças de segurança brasileira e italiana — provavelmente motivados pela negativa do Estado brasileiro de extraditar o terrorista ou militante, a depender do matiz ideológico, Cesare Battisti, em 2010.Segundo a autora do livro, o caso Pizzolato acabou resolvido nas 24 horas seguintes a uma reunião entre as polícias dos dois países, na qual todos enfim perceberam que o tal Celso Pizzolato, que já vinha sendo monitorado desde que se instalara na pacata Porto Venere com a mulher e um chamativo Fiat Punto vermelho emplacado na Espanha, era na verdade o fugitivo procurado pela Interpol.

Para contar essa história, escrita de forma leve e de fácil leitura, Fernanda Odilla recupera a vida do fugitivo desde a infância na pequena Concórdia, em Santa Catarina, onde seu avô Vittorio Pizzolato, um ex-combatente italiano da Primeira Guerra Mundial ferido em combate e condecorado, se instalou na década de 1930 em busca de trabalho. Sem pretender transformar o personagem do livro “em herói ou vilão”, a autora diz que tentou ser justa com o ex-diretor do Banco do Brasil, que hoje, após ver o processo de extradição solicitado pelo Brasil ser negado pela Justiça italiana, desfruta de relativa liberdade, apesar de ter somado alguns crimes desde sua condenação pelo mensalão. Processado na Itália por falsidade ideológica e investigado no Brasil, junto com a mulher, por remessa ilegal de divisas para o exterior e lavagem de dinheiro, o homem mais procurado do verão brasileiro de 2013/2014 seguirá livre enquanto e lentidão da Justiça permitir. Até uma nova condenação, sua única restrição é fazer justamente o que pretendia quando fugiu do Brasil em busca de um novo julgamento: Pizzolato não pode deixar o território italiano.

%d blogueiros gostam disto: