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Escândalo da Petrobras: MPF denuncia 36 pessoas

Força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras.

25 acusados estão ligados a grandes empreiteiras do país

Fonte: O Globo

Petrolão: MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras

Procurador Deltan Dallagnol e procurador-geral Rodrigo Janot em coletiva de imprensa. Foto: Paulo Lisboa / Brazil Photo Press

MPF denuncia 36 pessoas no escândalo da Petrobras, 25 delas ligadas a seis empreiteiras

Ministério Público Federal espera ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas na primeira fase da denúncia

O Ministério Público Federal anunciou nesta quinta-feira a primeira fase de denúncias envolvendo desvios na Petrobras. Com base, por enquanto, nas investigações envolvendo apenas a diretoria de Abastecimento, os procuradores ofereceram denúncia contra 36 pessoas implicadas no esquema de corrupção na estatal, sendo 25 delas ligadas a grandes empreiteiras do país: OAS, Camargo Corrêa, UTC, Mendes Junior, Engevix e Galvão Engenharia. A força-tarefa do MPF espera o ressarcimento de R$ 1,186 bilhão para que sejam recuperados valores desviados em contratos com a Petrobras firmados por empreiteiras. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o MPF tinha dito que os denunciados eram 35. No fim da tarde desta quinta-feira, no entanto, se corrigiu e acrescentou o 36º acusado, Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa.

No total, nesta fase inicial de acusações sobre o escândalo na estatal, foram denunciados nove pessoas ligadas à OAS, 10 à Camargo Corrêa e UTC (somados); 16 à Mendes Junior e à GDF (esta última do doleiro Youssef); sete à Galvão Engenharia; e nove à Engevix. O valor envolvido na lavagem de dinheiro alcança R$ 74,149 milhões, em 105 casos tipificados como crimes. Foram identificados ainda 154 atos de corrupção. O MPF diz que os crimes de corrupção apurados apenas nesta etapa envolvem R$ 286 milhões.

— É um imenso esquema de corrupção. O trabalho não para aqui — diz Deltan Dallagnol, procurador da República que encabeça a força-tarefa criada para a Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a denúncia apresentada pelo MPF significa a abertura de mais uma fase do trabalho da Lava-Jato, que é longo e não se resolverá em tempo breve.

— Começa hoje mais uma fase deste trabalho, que será longo. Outras se seguirão – afirmou Janot.

O esquema, diz o MPF, envolvia empreiteiras, funcionários da Petrobras e operadores financeiros. Nesta fase da denúncia, são citadas apenas as negociações espúrias ligadas à Diretoria de Abastecimento, que era comandada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Janot disse ainda que a investigação sobre a corrupção na Petrobras será feita com “temperança e de forma transparente”.

— O trabalho feito pelo MPF está sendo feito de forma conjunta com energia dividida entre a Receita Federal e a Polícia Federal. Este não será um trabalho rápido, até a completa elucidação — disse Janot.

— Trata-se de um imenso esquema de corrupção no qual eram pagas propinas que variavam de 1 a 5% do valor de cada contrato bilionário com a Petrobras, envolvendo empresas corruptoras e funcionários corruptos. O esquema de lavagem de dinheiro aconteceu entre 2004 a 2012, mas que continuou até 2014 — disse Dallagnol.

Segundo o procurador Dallagnol, foi descoberto um esquema de fraudes no qual as empresas simulavam operações, além de fraudar e decidir quem ganhava cada licitação, num jogo de cartas marcadas.

— Funcionava como se fosse um campeonato de futebol ou um bingo, mas neste caso o jogo era de cartas marcadas, onde se sabia quem ganhava cada licitação. Entre os denunciados estão também o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef.

Foram oferecidas denúncias por prática de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

‘ROUBARAM O ORGULHO DOS BRASILEIROS’

Segundo o procurador Dallagnol, os acusados foram agrupados em cinco denúncias. Como alguns deles aparecem em mais de uma denúncia, o total delas alcança 50. Os nomes dos 22 denunciados das seis empreiteiras envolvidas nesta primeira fase de denúncias são de dirigentes a funcionários de menor escalão. Dellagnol afirmou que o MPF vai buscar na Justiça o ressarcimento de R$ 1 bilhão apenas das seis empreiteiras até aqui investigadas.

— Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros — disse Janot. — A complexidade dos fatos nos leva a intuir a dimensão desta investigação. Vamos conduzir de forma serena, mas de forma firme e contundente. Cada pessoa responde pelo ato que praticou. Não é vontade do MPF, é vontade do legislador e compete ao MPF aplicar os recursos que lhes são colocados à disposição — completou.

Dellagnol afirmou que essas mesmas empresas estão envolvidas em outras obras públicas e que a única forma de estancar a corrupção é manter os dirigentes das empresas na prisão. O MPF recomendou que os dirigentes e executivos sejam presos.

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

Tabela com os valores desviados e com a estimativa para o ressarcimento – MPF

QUATRO FORMAS PARA O PAGAMENTO DA PROPINA

De acordo com Deltan Dallagnol, era conveniente que se cooptasse os agentes públicos. Foram pagas propinas para “maximizar lucros”, e “havia quatro meios de a corrupção acontecer”: por contratos diretamente negociados; por negociação de aditivos; por aceleração da licitação; e pela manutenção dos aditivos.

O procurador disse ainda que a força-tarefa rejeita qualquer forma de blindagem coletiva das empreiteiras, pois o caso envolve reconhecimento de culpa e fornecimento de novas provas para a investigação.

Dellagnol explicou que a denúncia seguiu jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de aplicar a pena aumentada de acordo com o número de vezes que o crime foi cometido. No total, os 35 envolvidos cometeram 154 corrupções e 105 lavagens. De acordo com o procurador, cabe à Justiça analisar a pena para que ela seja aplicada dentro da razoabilidade.

Se determinada pessoa responder por um único caso de corrupção e lavagem de dinheiro, além de integrar a organização criminosa, a pena iria variar de 11 anos a 51 anos e quatro meses.

— O conjunto de funcionários (da Petrobras) corrompidos constituti o segundo núcleo desse gigante esquema criminoso. Para fazer a intermediação da corrupção atuavam operadores que também já entregavam o dinheiro lavado. Num primeiro momento as empreiteiras cartelizadas passavam o dinheiro para operadores financeiros, em espécie. No segundo momento, os operadores pagavam os beneficiários da propina, por meio de dinheiro em espécie, pagamentos de bens e dinheiro no exterior — diz o procurador Dellagnol .

Segundo ele, a intermediação era feita por empresas de fachadas, com pagamentos legais por serviços que nunca existiram.

— E os operadores reconheceram que os serviços jamais existiram. As empresas eram: MO Consultoria, Empreiteira Rigidez, RCI e GFD Investimentos.

De acordo com o MPF, o doleiro Leonardo Meirelles fazia contrato fictícios pela Labogen com remessas para o exterior por contratos de exportação que nunca existiram.

Dellagnol afirmou que Renato Duque não é objeto da denúncia e que as investigações continuam.

ENTENDA A OPERAÇÃO LAVA-JATO

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A Operação Lava-Jato foi deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época, foram presas 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Os detidos foram acusados de participar de uma organização criminosa que tinha o objetivo de lavar R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas.

A operação foi consequência da prisão do empresário André Santos, em dezembro de 2013, com US$ 289 mil e R$ 13.950 escondido nas meias. Santos é réu em ação na qual é acusado de fazer parte do braço financeiro de uma quadrilha de libaneses especializada em contrabandear produtos do Paraguai, operando um esquema de lavagem.

A operação colocou sob suspeita contratos assinados pela Petrobras. Isso porque o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa foi preso, no dia 20 de março, sob acusação de envolvimento com o doleiro Youssef. Costa, que foi detido quando queimava documentos que poderiam se configurar como provas do envolvimento, reconheceu ter recebido deYoussef um carro de luxo. Ele alegou, no entanto, que o presente seria o pagamento por uma consultoria prestada.

Empreiteiras suspeitas de abastecer o esquema de Youssef e do ex-diretor da Petrobras declararam à Receita Federal os pagamentos feitos a empresas dos dois principais acusados na Operação Lava-Jato. Documentos comprovaram repasses efetivos de recursos às empresas do doleiro e do ex-diretor, como consta nas declarações de retenção de impostos das próprias empreiteiras. Entre as depositantes estão as construtoras OAS, Mendes Júnior e Camargo Corrêa, apontadas pela contadora do doleiro Meire Bonfim Poza como integrantes do esquema.

O escândalo do doleiro Youssef respingou ainda sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) e levou André Vargas a se desfiliar do partido para manter o mandato de deputado federal. Vargas é suspeito de fazer parte de um esquema de tráfico de influência e lobby em favor de Youssef junto ao Ministério da Saúde. Vargas usou um jato providenciado pelo doleiro para fazer uma viagem familiar e teria se beneficiado de uma série de outros favores.

CONFIRA A LISTA DOS DENUNCIADOS:

ALBERTO YOUSSEF

PAULO ROBERTO COSTA

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WALDOMIRO DE OLIVEIRA

EMPREITEIRA MENDES JUNIOR:

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na ENGEVIX)

JOÃO PROCÓPIO JUNQUEIRA PACHECO DE ALMEIDA PRADO

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na ENGEVIX)

SÉRGIO CUNHA MENDES

ROGÉRIO CUNHA DE OLIVEIRA

ÂNGELO ALVES MENDES

ALBERTO ELÍSIO VILAÇA GOMES

JOSÉ HUMBERTO CRUVINEL RESENDE

ANTONIO CARLOS FIORAVANTE BRASIL PIERUCCINI

MÁRIO LÚCIO DE OLIVEIRA

RICARDO RIBEIRO PESSÔA (também denunciado na Camargo Corrêa e UTC)

JOÃO DE TEIVE E ARGOLLO

SANDRA RAPHAEL GUIMARÃES

EMPREITEIRAS CAMARGO CORREA e UTC ENGENHARIA

DALTON DOS SANTOS AVANCINI

JOÃO RICARDO AULER

EDUARDO HERMELINO LEITE, “LEITOSO”

MARCIO ANDRADE BONILHO

RICARDO RIBEIRO PESSOA (também denunciado na Mendes Jr.)

JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO

ADARICO NEGROMONTE FILHO

EMPREITEIRA OAS

JOSÉ ALDEMÁRIO PINHEIRO FILHO, vulgo “Léo Pinheiro”

AGENOR FRANKLIN MAGALHÃES MEDEIROS

MATEUS COUTINHO DE SÁ OLIVEIRA

JOSÉ RICARDO NOGUEIRA BREGHIROLLI

FERNANDO AUGUSTO STREMEL ANDRADE

EMPREITEIRA ENGEVIX

CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA (também denunciado na Mendes Jr.)

ENIVALDO QUADRADO (também denunciado na Mendes Jr.)

GERSON DE MELLO ALMADA

CARLOS EDUARDO STRAUCH ALBERO

NEWTON PRADO JUNIOR

LUIZ ROBERTO PEREIRA

EMPREITEIRA GALVÃO ENGENHARIA

ERTON MEDEIROS FONSECA

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JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO

DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO

EDUARDO DE QUEIROZ GALVÃO

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Operação Lava-Jato: empreiteiras têm R$ 2,3 bilhões em contratos públicos

Atuando de forma isolada ou por meio de consórcios, alvos da operação atuam nas maiores obras do país, como as hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e a transposição do São Francisco.

Odebrecht e Camargo Corrêa têm os maiores contratos com ministérios

Fonte: O Globo

Lava-Jato: empreiteiras têm R$ 2,3 bilhões em contratos públicos

Sede da Camargo Corrêa na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Empresa é a segunda beneficiada da lista,  com R$ 441,7 milhões em 2014. Foto: Michel Filho / Agência O Globo

Lava-Jato: empreiteiras tem R$ 2,3 bilhões em contratos públicos

O governo federal se comprometeu com pagamentos de R$ 2,3 bilhões para nove das empresas investigadas na Operação Lava-Jato só em 2014. No ano passado, o valor chegou a R$ 3,2 bilhões. Atuando de forma isolada ou por meio de consórcios, os alvos da operação atuam nas maiores obras do país, como as hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio, Jirau e a transposição do Rio São Francisco.

O levantamento, feito pelo GLOBO com os dados do Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU), levou em consideração os valores contratados diretamente às empresas. As despesas relativas aos consórcios não estão na conta. Dentro deste montante, há valores empenhados, outros em fase de liquidação e parcelas já quitadas. A pesquisa é relativa aos contratos executados pelos ministérios. No caso das estatais, as empresas investigadas atuam na construção das refinarias da Petrobras, além do Comperj, complexo petroquímico.

A Odebrecht, cuja sede recebeu policiais com mandados de busca e apreensão na última sexta-feira, é a principal beneficiada. Entre valores pagos e outros já empenhados no orçamento, há um total de R$ 756,7 milhões neste ano.

A companhia foi contratada pelo Ministério da Defesa para a construção do estaleiro e da base naval de submarinos em Itaguaí, na Baixada Fluminense. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir a prisão de Márcio Faria, presidente de uma das empresas do grupo, mas a Justiça negou.

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) apuram a participação das companhias no esquema de corrupção que envolvia o superfaturamento de contratos na Petrobras e o pagamento de propinas para funcionários graduados da estatal. Além da Odebrecht, outras grandes construtoras do país estão entre as empresas investigadas, como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS, Mendes Júnior e Queiroz Galvão.

A segunda empresa da lista é a Camargo Corrêa, com R$ 441,7 milhões em 2014. A construtora tem dois contratos de peso assinados com o Ministério dos Transportes. Pela duplicação da BR-101 na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, obra que faz parte da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a construtora vai receber R$ 305,1 milhões. Já a construção da Ferrovia Norte-Sul, no trecho entre Ouroverde de Goiás e São Simão, em Goiás, vai render R$ 136,6 milhões aos cofres da empresa.

O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, e o presidente do Conselho de Administração, João Ricardo Auler foram presos temporariamente pela Polícia Federal. Já o vice-presidente da empresa, Eduardo Hermelino Leite, cumpre um mandado de prisão preventiva.

Já com a Mendes Júnior, cujo vice-presidente, Sérgio Mendes, foi preso preventivamente, o compromisso do Ministério da Integração Nacional é de R$ 349,5 milhões em 2014. A maior parte deste valor é decorrente da realização de obras de transposição do Rio São Francisco.

A Galvão Engenharia, responsável pela Ferrovia Oeste-Leste, no trecho entre Ilhéus e Caetité, na Bahia, vai receber R$ 280,8 milhões. Erton Medeiros Fonseca, um dos principais executivos da empresa, foi preso pela Polícia Federal na operação Lava-Jato.

A Iesa, com um total de R$ 129,3 milhões, vai receber do Ministério dos Transportes por obras em diversos trechos da Ferrovia Norte-Sul. A empresa também teve um executivo preso pela PF: Otto Garrido Sparenberg. No caso da OAS, o valor é menor: R$ 52,7 milhões. A origem também é o Ministério dos Transportes, que contratou obras na BR-101, na divisa entre Alagoas e Sergipe. O presidente da empresa, José Adelmário Pinheiro Filho, foi preso em um hotel na Bahia na última sexta.

A Engevix, que tem contratos em vigor com os ministérios dos Transportes e da Integração Nacional, receberá R$ 30,1 um total de milhões. UTC Engenharia e Toyo Setal não fizeram parte do orçamento do governo em 2013 e 2014.

No domingo, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representava o doleiro Alberto Yousseff antes de ele aderir ao acordo de delação premiada, disse que as empresas teriam que ser declaradas inidôneas, mas fez uma ressalva:

— Aí, você para o país.

Saiba quem é quem na operação Lava-Jato

Operação Lava-Jato foi deflagrada em março pela PF para investigar esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época, foram presas 24 pessoas.

Detidos foram acusados de participar de uma organização criminosa que tinha o objetivo de lavar R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas.

Fonte: O Globo

Entenda a Operação Lava-Jato

Empreiteiras suspeitas de abastecer o esquema de de lavagem de dinheiro declararam ter feito pagamentos a Youssef e a Costa

A Operação Lava-Jato foi deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época, foram presas 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Os detidos foram acusados de participar de uma organização criminosa que tinha o objetivo de lavar R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas.

A operação foi consequência da prisão do empresário André Santos, em dezembro de 2013, com US$ 289 mil e R$ 13.950 escondido nas meias. Santos é réu em ação na qual é acusado de fazer parte do braço financeiro de uma quadrilha de libaneses especializada em contrabandear produtos do Paraguai, operando um esquema de lavagem.

A operação colocou sob suspeita contratos assinados pela Petrobras. Isso porque o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa foi preso, no dia 20 de março, sob acusação de envolvimento com o doleiro Youssef. Costa, que foi detido quando queimava documentos que poderiam se configurar como provas do envolvimento, reconheceu ter recebido de Youssef um carro de luxo. Ele alegou, no entanto, que o presente seria o pagamento por uma consultoria prestada.

Empreiteiras suspeitas de abastecer o esquema de Youssef e do ex-diretor da Petrobras declararam à Receita Federal os pagamentos feitos a empresas dos dois principais acusados na Operação Lava-Jato. Documentos comprovaram repasses efetivos de recursos às empresas do doleiro e do ex-diretor, como consta nas declarações de retenção de impostos das próprias empreiteiras. Entre as depositantes estão as construtoras OAS, Mendes Júnior e Camargo Corrêa, apontadas pela contadora do doleiro Meire Bonfim Poza como integrantes do esquema.

O escândalo do doleiro Youssef respingou ainda sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) e levou André Vargas a se desfiliar do partido para manter o mandato de deputado federal. Vargas é suspeito de fazer parte de um esquema de tráfico de influência e lobby em favor de Youssef junto ao Ministério da Saúde. Vargas usou um jato providenciado pelo doleiro para fazer uma viagem familiar e teria se beneficiado de uma série de outros favores.

Alvos da sétima etapa da operação Lava-Jato

Veja os nomes dos executivos, dos operadores e outros suspeitos de participar de esquema de desvio de dinheiro da Petrobras

Entenda e veja quem é quem na operação Lava-Jato

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Nordeste Notícias: obras públicas impulsionam empreiteiras emergentes

EMPREITEIRAS EMERGENTES ENTRAM NO CLUBE DO BILHÃO

O forte impulso dado a grandes obras pelos governos federal e estaduais e por empresas estatais, principalmente a Petrobras, está mudando o cenário desenhado pelo conjunto das empreiteiras. Num processo semelhante ao que ocorreu durante o regime militar, cresceu o grupo das construtoras com faturamento elevado graças a projetos públicos, aí incluídos estádios e outras obras para a Copa e a Olimpíada

Nos anos 70, enquanto a ditadura militar alardeava o crescimento da economia com obras jamais vistas no país, um punhado de empreiteiras viu sua carteira se multiplicar e entrou na lista de gigantes do capitalismo brasileiro. Eram os tempos da hidrelétrica de Itaipu, da rodovia Transamazônica, da primeira usina nuclear de Angra e da implantação do metrô em São Paulo e no Rio.

Novas refinarias da Petrobras, grandes projetos de mineração, estádios para a Copa do Mundo de 2014 e orçamentos recordes do governo para a reforma de estradas fazem hoje com outras empreiteiras a mesma transformação gerada pelo “milagre econômico” quatro décadas atrás.

Os sinais da mudança estão nos números. Em um período de apenas cinco anos, entre 2006 e 2010, o seleto grupo de construtoras com faturamento superior a R$ 1 bilhão aumentou de cinco para 11 empresas. O time original era formado por Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Delta Construções. Juntaram-se a OAS, Galvão Engenharia, Construcap, Mendes Júnior, ARG e Egesa, conforme dados compilados pela revista especializada “O Empreiteiro”. Outras três construtoras já estavam bem perto de entrar no “clube do bilhão” em 2010 – Serveng-Civilsan, Schahin Engenharia e Carioca Christiani-Nielsen – e podem ter rompido essa marca no ano passado. Quase todas são dependentes de contratos públicos – e a retomada de investimentos da União e dos governos estaduais em grandes obras de infraestrutura deu uma nova cara à indústria de construção pesada.

A Galvão Engenharia, com donos oriundos da Queiroz Galvão, tem 63% do faturamento de contratos públicos

Algumas empreiteiras emergentes, como a Galvão Engenharia e a Mendes Júnior (reemergente), chegaram a quadruplicar o faturamento em cinco anos. Mas o setor disparou como um todo: as receitas totais das 100 maiores subiram, entre 2006 e 2010, de R$ 28,7 bilhões para R$ 67 bilhões. “Ficamos em um período de estagnação nas últimas décadas”, diz o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio Filho. Para ele, a Lei de Responsabilidade Fiscal começou a abrir espaço para a retomada dos investimentos em infraestrutura, que ganharam impulso com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Muitas construtoras não estavam suficientemente capitalizadas para aproveitar essa onda”, diz Amadio. “Quem estava preparado, saiu na frente. Mas há oportunidades e desafios para todos. Quando o investimento voltou, havia máquinas paradas e fartura de mão de obra disponível. Hoje, estamos na fase de comprar mais equipamentos e em busca de técnicos qualificados.”

Uma das empreiteiras que souberam agarrar essa oportunidade foi a mineira Egesa, fundada nos anos 60 e reerguida em 1985, após quase ter chegado à bancarrota. “Até 2004, tivemos um crescimento constante, mas pequeno”, afirma Elmo Teodoro Ribeiro, presidente e principal acionista da Egesa. Um de seus sócios morreu em um acidente de carro enquanto tocava uma obra em Sergipe. Outro decidiu vender suas ações antes da recente explosão de obras, que encontrou a empresa preparada: havia obtido certificações internacionais de segurança e de meio ambiente, habilitando-se para as concorrências da Petrobras e da Vale.

A nova carteira da Egesa, antes concentrada em obras rodoviárias, é um retrato do que ocorre com a maioria das empreiteiras emergentes. Ela participa da reforma do Mineirão para a Copa do Mundo, faz parte do grupo que constrói os tanques de petróleo do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), tem 80% do consórcio responsável pela estação de tratamento de dejetos industriais da Refinaria Abreu Lima (parcela da obra orçada em R$ 800 milhões) e ergue 6 mil casas populares em Pernambuco para o programa Minha Casa, Minha Vida. Atua no exterior, na construção de duas rodovias em Angola e sonda empreendimentos em vizinhos como Bolívia e Colômbia. Aliou-se com os coreanos para entrar no leilão do trem-bala Rio-São Paulo-Campinas, que acabou não recebendo nenhuma proposta. E tem grande interesse em disputar a concessão da BR-040, prevista para este ano, depois de ter sido derrotada na concorrência da Fernão Dias.

“Estamos vendo o maior boom da construção pesada desde os anos 70”, acredita Ribeiro. Além da diversificação da carteira, com novas obras de infraestrutura, o empresário destaca o aumento da confiança no setor público, que deixou de atrasar pagamentos e ficar inadimplente com as construtoras. Quanto às perspectivas, ele é cauteloso: “A nossa meta é atingir R$ 1,5 bilhão de faturamento, em dois anos, até sentirmos segurança suficiente para darmos o passo seguinte”.

O clube das emergentes inclui histórias de quem surgiu de uma costela das gigantes. É o caso da Galvão Engenharia. Antigos sócios da Queiroz Galvão, quarta maior empreiteira do país, o arquiteto Dario Galvão Filho e três irmãos dele venderam ações da empresa, em 1995, para começar do zero no ano seguinte. Sem esconder suas raízes, a Galvão rapidamente se transformou em um ator importante da construção pesada, mas deslanchou a partir de 2006. Hoje, tem 63% do faturamento proveniente de contratos com o setor público, que lhe renderam algumas de suas principais vitrines: um lote do trecho sul do Rodoanel, as obras de modernização do aeroporto de Congonhas e a reforma do estádio Castelão, em Fortaleza. Agora, ela se prepara para disputar a concessão dos aeroportos, de olho especialmente no de Brasília.

Os investimentos do PAC e o reforço no orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) beneficiaram as empreiteiras. A Delta, do empresário Fernando Cavendish, encabeça desde 2009 a lista de pessoas jurídicas que mais recebem dinheiro da União. Só no ano passado, foram R$ 683 milhões – quase 20% a mais do que a segunda colocada, Glaxo Smith-Kline, fornecedora de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2011, a Delta causou polêmica ao ser escolhida pela Infraero para construir às pressas um terminal remoto no aeroporto de Guarulhos, sem licitação. O Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a forma de contratação e alertou para a falta de experiência da construtora nesse tipo de projeto. A previsão da Infraero, que era de inaugurar o terminal em 20 de dezembro, foi adiada depois do desabamento de parte do teto.

Cavendish, por si só, esteve no centro de duas controvérsias: foi acusado por dois empresários do setor de ter contratado o ex-ministro José Dirceu para fazer tráfico de influência em favor da Delta, em Brasília. Era de Cavendish, também, o helicóptero que caiu em Porto Seguro e deixou sete mortos, entre os quais a namorada do filho do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). O episódio jogou luzes sobre as relações entre Cavendish e Cabral.

Para o consultor Paulo Matos, autor de vários livros sobre o mundo da construção pesada, as empreiteiras emergentes trouxeram maior dinamismo para esse mercado, apesar de terem inicialmente menos know-how em obras de alta complexidade. “Os clientes resolveram apostar nelas porque também perceberam que não era bom negócio estar nas mãos de quatro ou cinco construtoras. Era um oligopólio velado”, aponta o consultor.

Matos ressalta que “as oportunidades cresceram absurdamente”, mas é preciso tomar certos cuidados. Com o aumento da concorrência nas licitações, as taxas de retorno encolheram, os preços de insumos subiram e o espaço para repasse é menor, a escassez de mão de obra preocupa cada vez mais e os órgãos de fiscalização de obras públicas aumentaram o rigor. Por isso, ele adverte que o principal risco para as empreiteiras é se comprometer com uma carteira de obras maior do que sua real capacidade de atendimento. “Depois de muitas lições, as empresas começaram a aprender que é mais fácil morrer de indigestão do que de inanição”, conclui o especialista.

Fonte: Autor(es): Daniel Rittner | De Brasília Valor Econômico

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