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‘Em defesa da serpente’, por Reinaldo Azevedo

Vejo brotar o ódio à política e ao capital e torço para que os jovens que ganharam as ruas não caiam nessa conversa.

Que os moços acreditem na política! Bem pensado, o esquerdismo, quando genuíno, nada mais é do que a ânsia de matar a política para reconstruir o Éden com homens e mulheres puros.

E quando o esquerdismo é uma farsa? Aí dá em Lula e seus Lulinhas endinheirados…

Fonte: Folha de S.Paulo


‘Em defesa da serpente’, por Reinaldo Azevedo

Que os moços acreditem na política! Gustavo Magnusson / G1

Em defesa da serpente

Por Reinaldo Azevedo

A despeito de tudo, sou otimista quanto ao futuro do Brasil. Acho que a necrose do PT é um momento inaugural.

Amplas camadas da população se dão conta de que milagres não existem; de que ninguém será por nós se não formos por nós mesmos. Até Joaquim Levy é personagem desse salto de qualidade. Gosto quando ele diz que, a cada novo gasto, há de corresponder um novo imposto. Alguém sempre paga a conta.

Mais do que a agonia das velhas raposas, interessam-me movimentos de rua de uma juventude que tenta dar à luz o liberalismo em terras nativas. No Brasil das ideias fora do lugar, banqueiros se encantam com o coaxar de pererecas e se deixam seduzir pelo papo-furado distributivista. Alguns querem mais do que juros altos, acreditem. Ambicionam mesmo a ascese!

Constatação à margem: países em que banqueiros fazem questão de ter coração costumam ser governados por pilantras populistas que têm cérebro. O mundo ainda é mais produtivo quando financistas são maus e padres são bons. Sigo.

Algo de novo está em curso, e espero que resista e se espraie, ainda que haja um esforço enorme da imprensa conservadora –de esquerda– de matar essa juventude brandindo contra ela ideias caridosas de anteontem ou a suposta contemporaneidade do “thomas-picarettysmo”.

Sou otimista, sim, mas tenho preocupações. Já escrevi neste espaço que seria lamentável se restasse da Operação Lava Jato o ódio à iniciativa privada e ao capital, tomados como corruptores da pureza original. Qual?

Em seu voto contra a doação de empresas privadas a campanhas –uma decisão moralmente dolosa tomada pela maioria do STF–, a ministra Rosa Weber, por exemplo, disse: “A influência do poder econômico culmina por transformar o processo eleitoral em jogo político de cartas marcadas, odiosa pantomima que faz do eleitor um fantoche, esboroando a um só tempo a cidadania, a democracia e a soberania popular”.

A tolice é tal que nem errada a frase chega a ser. Eu duvido que Rosa tenha pensado nos desdobramentos da “influência do poder econômico” na vacinação em massa, na produção e distribuição de comida ou na universalização da telefonia.

Por que a ministra pretende que a disputa eleitoral deva ser um domínio impermeável às empresas, que, até onde se sabe, não são abscessos malquistos da civilização, mas uma das formas que esta encontrou de produzir e de multiplicar riqueza?

Junto com o ódio ao capital, vejo brotar em certos nichos o ódio à política, como se já tivéssemos descoberto outra maneira de resolver conflitos distributivos ou de opinião. Torço para que os jovens que ganharam as ruas não caiam nessa conversa de esquerdista desiludido e de anarquista ignorante.

Se, em certa mitologia, o primeiro homem foi Adão, e Eva, a primeira mulher –ambos inocentes como as flores–, a serpente foi o primeiro político. E devemos dar graças a Deus –que já tinha tudo planejado em sua mente divinal– que assim tenha sido, ou aquela duplinha passaria eternidade afora a pôr pontos de exclamação no coaxar das pererecas.

Bem pensado, o esquerdismo, quando genuíno, nada mais é do que a ânsia de matar a política para reconstruir o Éden com homens e mulheres puros. Sem a serpente das tentações. E quando o esquerdismo é uma farsa? Aí dá em Lula e seus Lulinhas endinheirados…

Liderada por Aécio, oposição reage contra tentativa de aumento de impostos de Dilma

Aécio disse que o partido é contra aumento de qualquer imposto e que vai obstruir medidas neste sentido que forem enviadas ao Congresso.

Aécio disse que o governo está querendo desvirtuar a função de impostos como IOF e Cide, que são regulatórios e não com fins de aumentar a arrecadação do governo.

Fonte: O Globo 

Liderada por Aécio, oposição reage contra tentativa de aumento de impostos de Dilma

É inconstitucional aumento de tributos que não seja a partir de projeto de lei aprovado no Congresso — disse Aécio. Foto: George Gianni/PSDB

Líderes reagem à ideia de aumentar impostos para resolver caixa do governo

Para oposição, aumento de impostos é sinal de “desespero”

Líderes da oposição e mesmo da base aliada do governo Dilma Rousseff reagiram negativamente, nesta terça-feira, à possibilidade de recorrer a aumento de impostos como caminho para reforçar a arrecadação do governo. Em paris, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que uma das ideias em estudo é o aumento do Imposto de Renda para rendas mais altas. Outra alternativa é o aumento da Cide, que não dependeria de aprovação do Congresso.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que o partido é contra aumento de qualquer imposto e que vai obstruir medidas neste sentido que forem enviadas ao Congresso. Aécio afirmou ainda que é mais um ato de “desespero” do governo e avisou que não haverá “boa vontade” da oposição com essas propostas da área econômica.

— A oposição é absolutamente contrária ao aumento de qualquer tributo e vai reagir no Congresso a qualquer artifício que se busque para buscar esse objetivo. Obstruiremos qualquer tentativa que o governo queira fazer nesta direção. Inclusive, se vier a querer aumentar impostos por decreto, vamos reagir aqui, no Congresso, buscando anular esse decreto. É inconstitucional aumento de tributos que não seja a partir de projeto de lei aprovado no Congresso — disse Aécio.

O tucano disse que o governo está querendo desvirtuar a função de impostos como IOF e Cide, que são regulatórios e não com fins de aumentar a arrecadação do governo.

— É mais uma demonstração do desespero de um governo que, mesmo com a gravidade da crise, não consegue apontar um rumo para o país, que não seja, de um lado, supressão de direitos e, de outro, aumento dos tributos. Essa é uma fórmula absolutamente rudimentar para permitir que o Brasil supere as gravíssimas dificuldades nas quais o governo doPT nos mergulhou — disse Aécio.

Na mesma linha, o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que Ninguém se entende mais no governo.

— É sinal de desespero querer aumentar impostos. Ninguém se entende mais no governo, que está esfacelado politicamente e sem apoio popular. Toda hora é uma ameaça. Primeiro era com a nova CPMF, que depois recuou, e agora até o Imposto de Renda entrou na mira. Só não se vê o governo se mexer para cortar cargos comissionados e desinchar a máquina — disse Caiado, cobrando uma reunião da oposição para fechar uma estratégia única.

O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), que integra a base aliada criticou a opção pelo aumento de impostos como forma de enfrentar o déficit nas contas públicas:

— Hoje o brasileiro já trabalha quatro meses para pagar imposto. Vai trabalhar seis meses? Aí fica difícil defender o governo. Com todo respeito ao ministro Levy, mas particularmente somos contra. Vários ajustes estão sendo feitos em outros países sem que a população seja penalizada. Temos é que reduzir impostos e aumentar a produção de bens — afirmou Rosso, acrescentando: — Qualquer proposta de aumento de impostos o Congresso responderá negativamente. O melhor para o déficit é cortar gastos.

Mais cauteloso, o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), disse que é preciso esperar primeiro o envio de propostas neste sentido ao governo:

— Tem que ter proposta concreta. Não tem nada ainda.

A oposição criticou duramente a ideia e disse que trabalhará para evitar que os aumentos sejam aprovados pelo Congresso.

— É um absurdo que o governo insista na tecla do aumento da carga tributária como caminho para alcançar o reequilíbrio fiscal, entre despesas e receitas da União. O correto é cortar despesas, supérfluos, os gastos da máquina aparelhada. Toda alternativa que houver de aumento de impostos como remédio para superar a crise fiscal será rechaçada pelo parlamento — disse o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

— Os impostos que dependem da aprovação do Congresso resistiremos e não acreditamos que o Congresso aprove. O aumento dos tributos que não dependem do Congresso, é mais difícil. Mas é inconcebível que antes de fazer cortes, a presidente Dilma opte pelo caminho mais fácil, que é o de meter a mão no bolso do contribuinte — criticou o vice-líder doPSDB, Bruno Araújo (PE).

Para Bruno, se a presidente optar por aumentos como do da CIDE, que não passam pelo Congresso, a solução será a população reagir e mostrar sua indignação:

— O governo tem autorização para aumentar impostos como a CIDE, IPI, como regulação. Nesse caso, estaria usando para arrecadar mais. Mas o buraco é tão grande, que não serão suficientes. O governo tem é que cortar programas sociais, mais de 700, priorizando alguns. Bolsa Família, por exemplo, não pode ser mexido. Outros sim, mas quem decide é o governo, que parece não ter coragem para fazer isso e prefere colocar a mão no bolso do contribuinte.

O líder do PPS, Rubens Bueno (PR) afirma que se a presidente recorrer a aumento de impostos como a CIDE ou IPI, ele trabalhará para derrubar, seja via decreto sustando a medida, seja recorrendo ao Judiciário:

— Esse governo, a cada dia que passa, está mais perdido. Não anuncia onde fará os cortes e surpreende a população anunciando que estuda aumentar o Imposto de Renda. É um governo perdulário.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pela manhã já havia criticado a opção de aumento de impostos em vez de cortes no orçamento, voltou a dizer que é radicalmente contrário ao aumento do Imposto de Renda.

— Sou contra, radicalmente contra. Não é pela via de aumento de impostos que vamos resolver o problema das contas. Nem provisória, nem permanente. Essa é minha posição pessoal, se o governo mandar, a Casa vai votar, vai decidir, mas eu pessoalmente sou contra — disse Cunha.

EmPACou: Dilma atrasa repasses do PAC e bloqueia R$ 32 bilhões

Corte atinge principal iniciativa em infraestrutura do governo Dilma, que chegou a ser apelidada de “mãe do PAC” na primeira fase do programa, ainda durante o governo Lula.

Sem dinheiro: algumas obras previstas pelo PAC serão canceladas

Fonte: O Globo

EmPACou: Dilma atrasa repasses do PAC e bloqueia R$ 32 bilhões

Governo atrasa repasses e bloqueia R$ 32 bilhões de obras do PAC

Corte atinge a principal iniciativa em infraestrutura do governo da presidente Dilma Rousseff

Como mais uma medida do ajuste fiscal, o governo federal bloqueou temporariamente nesta quarta-feira R$ 32,6 bilhões de despesas previstas para o pagamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O corte atinge a principal iniciativa em infraestrutura do governo da presidente Dilma Rousseff, que chegou a ser apelidada de “mãe do PAC” na primeira fase do programa, ainda durante o governo Lula. Segundo o Ministério do Planejamento, o bloqueio atinge obras que ainda não saíram do papel.

O governo fará uma avaliação desses projetos e, em julho, decidirá se cancelará as verbas que haviam sido previstas para essas obras ou se manterá parte delas. Os R$ 32,6 bilhões bloqueados são relativos a valores de 2013 ou anos anteriores que não foram gastos porque as ações não se iniciaram. Segundo o Planejamento, há R$ 60,2 bilhões em despesas previstas de outros anos para pagamentos de obras do PAC, chamados de restos a pagar. Dessa quantia, R$ 30,2 bilhões não foram bloqueados porque as obras estão em curso e na fase de pagamento.

O bloqueio dos recursos foi determinado nesta quarta-feira pela equipe econômica como parte de um congelamento maior, no esforço de ajuste fiscal. O governo se debruçou sobre R$ 188,5 bilhões de verbas para ações ou obras que não deslancharam até o ano passado, incluindo as do PAC. Decidiu congelar R$ 142,6 bilhões, sendo R$ 71,6 bilhões de verbas inscritas em 2013 e outros R$ 71 bilhões de 2014.

O Orçamento da União prevê o pagamento em etapas. A primeira é o empenho, que é a reserva do dinheiro e a promessa de que o pagamento ocorrerá. Depois, há a liquidação, quando o pagamento é feito. Os restos a pagar são despesas previstas, mas que não foram liquidadas. Segundo os técnicos, isso ocorre quando a ação, projeto ou obra não tem o andamento esperado. O dinheiro fica retido na fase de empenho. No PAC, a cada trecho executado, o dinheiro é pago.

O decreto 8.407, publicado ontem no Diário Oficial da União, determina o bloqueio e o possível cancelamento de despesas inscritas até 2014, justamente em restos a pagar não processados (gastos contratados em anos anteriores, mas ainda não realizados).

Na reunião com a cúpula do PMDB, segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou que o governo estava adotando uma medida que mexeria nos chamados restos a pagar. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que a equipe econômica avisou que seriam medidas duras:

— Eles disseram que ia ser um decreto muito duro. Mas vai paralisar todas as obras? — questionou ontem o líder.

Segundo nota divulgada pelo Ministério do Planejamento, a medida está sendo adotada para que o governo possa “avaliar, em conjunto com os ministérios, a execução financeira e o planejamento fiscal das ações e projetos que ainda não foram liquidados”.

De acordo com a pasta, os órgãos poderão desbloquear os recursos inscritos em restos a pagar não processados de despesas que iniciarem sua execução até 30 de junho de 2015. Nos casos em que não houver previsão de início da despesa até essa data, os ministérios deverão justificar a manutenção dos correspondentes empenhos à Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento e ao Tesouro Nacional até 30 de abril de 2015.

Os ministérios da Fazenda e Planejamento deverão se manifestar sobre a solicitação de desbloqueio até 30 de junho. Após essa data, os saldos de empenhos de restos a pagar não processados que permanecerem bloqueados serão cancelados.

No caso de 2014, além de preservar parte dos recursos do PAC, ficaram de fora do bloqueio temporário verbas dos ministérios da Saúde e da Educação (que financiam a manutenção e o desenvolvimento do ensino) e também as emendas individuais obrigatórias incluídas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014.

Dilma decidiu alterar regras trabalhistas em 2014

Um integrante do governo confirmou que as novas normas, que limitam a obtenção do seguro-desemprego e do abono salarial, foram definidas em meados de 2014.

Golpe eleitoral

Fonte: Folha de S.Paulo

Dilma já tinha decidido cortar direitos dos trabalhadores antes das eleições

Durante a campanha, em ataques aos candidatos adversários, Dilma disse que não faria alterações na legislação que comprometessem direitos do trabalhador. Reprodução

Revisão de regras trabalhistas foi planejada antes da eleição

A mudança nas regras para a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, anunciada no final do mês passado como uma das medidas de redução das despesas públicas, foi decidida pelo governo de Dilma Rousseff antes da eleição, encerrada em outubro de 2014.

Um integrante do governo confirmou à Folha que as novas normas, que limitam a obtenção do seguro-desemprego e do abono salarial, foram definidas em meados de 2014.

Em agosto, o governo reduziu em R$ 8,8 bilhões a previsão do gasto com o abono salarial para este ano. A revisão consta do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2015, enviado naquele mês pelo Planalto ao Congresso.

O integrante do governo ouvido pela Folha disse que a previsão foi feita com base nas regras já então definidas e que seriam anunciadas depois das eleições.

Durante a campanha, em ataques aos candidatos adversários, Dilma disse que não faria alterações na legislação que comprometessem direitos do trabalhador.

Ao insinuar que seus opositores alterariam os direitos trabalhistas, chegou a afirmar que não mexeria em benefícios como férias e 13º “nem que a vaca tussa”.

O tema virou um dos slogans da campanha de Dilma. O PT anunciou no site da candidata uma mobilização nacional, batizada de “Nem que a vaca tussa”, contra mudanças nos direitos trabalhistas.

No dia 6 de novembro, o ainda ministro Guido Mantega (Fazenda) antecipou o que sua própria equipe já havia preparado. “Nós temos agora que fazer uma redução importante das despesas que estão crescendo, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença“, disse o ministro durante evento da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

Quando as novas regras foram divulgadas, no final de dezembro, Joaquim Levy já havia sido anunciado como o substituto de Mantega na Fazenda. Levy foi convidado oficialmente por Dilma para ocupar o cargo no dia 20 de novembro, duas semanas, portanto, depois da declaração de Mantega na FGV.

Hoje, um trabalhador para receber o seguro-desemprego pela primeira vez precisa ter trabalhado seis meses nos últimos 36 meses anteriores à data da dispensa. Se requisitar o benefício pela segunda vez, vale a mesma regra.

Com as novas normas, que entram em vigor em março, para receber o seguro pela primeira vez o trabalhador precisa ter trabalhado 18 meses nos últimos 24 meses anteriores à demissão. Para obter o benefício pela segunda vez, o trabalhador precisa ter recebido salários por pelo menos 12 meses nos últimos 16 meses antes da dispensa.

Segundo cálculos da Fazenda, metade dos trabalhadores que pediram o seguro em 2014 pela primeira vez não teria direito ao benefício com as novas regras.

Para o abono salarial, pago ao trabalhador que recebeu até dois salários mínimos, haverá carência de seis meses de trabalho ininterrupto para a concessão do benefício. Hoje, basta trabalhar um mês no ano.

As novas regras tornam mais rígidas também as concessões de abono salarial, pensão por morte, auxílio doença e seguro defesa, pagos a pescadores durante períodos de proibição da pesca.

A maior parte das alterações será feita por medidas provisórias, que terão de ser aprovadas pelo Congresso. O governo espera economizar R$ 18 bilhões. As novas regras foram bem recebidas pelo mercado e por especialistas, por corrigir distorções e por reduzir os gastos públicos.

OUTRO LADO

O Palácio do Planalto foi procurado pela reportagem no início da tarde de sexta-feira (23). A assessoria solicitou que as perguntas fossem encaminhadas por e-mail.

A Folha questionou quando as novas regras para a concessão dos benefícios trabalhistas foram elaboradas e se o Planalto confirmaria que as medidas foram desenhadas pela equipe do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Num primeiro momento, a assessoria do Planalto informou que o tema deveria ser respondido pelo Ministério da Fazenda.

Depois, acrescentou que repassaria as perguntas para a Fazenda, se fosse o caso.

Na tarde deste domingo (25), a Folha tentou novo contato com o plantão da assessoria do Planalto, mas não teve sucesso.

Até a conclusão desta edição, nem o Planalto nem a Fazenda ligaram de volta ou responderam os questionamentos encaminhados por e-mail.

No final do mês passado, quando as novas regras foram anunciadas, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que as medidas corrigiriam distorções existentes nos benefícios e que, por esse motivo, não configurariam uma contradição com as promessas feitas pela presidente Dilma Rousseffdurante a campanha.

“Os direitos estão sendo mantidos. Estamos dando isonomia [aos trabalhadores] e alguns programas precisam de correção. […] Nas conversas com centrais [sindicais], eles não só concordam, como sabem que existem distorções nas regras de acesso”, afirmou ministro durante o anúncio das medidas.

“A grande distorção é para quem está entrando no mercado de trabalho. Se não fizermos essas alterações, as futuras gerações pagarão um preço muito alto. Precisamos olhar [para o futuro] de forma sustentável”, disse Mercadante.

Dilma some após medidas impopulares

Estelionato eleitoral: presidente fez tudo que disse que não faria. Em meio a uma série de medidas impopulares, Dilma completa hoje 30 dias sem dar entrevistas.

Dilma não assume a política de austeridade e se manifesta apenas por notas oficiais.

Fonte: O Globo 

Dilma some após medidas impopulares

Dilma sumiu: última entrevista de Dilma foi no dia 22 de dezembro do ano passado. É o maior período que ela ficou sem responder a perguntas de jornalistas desde maio de 2013. Foto: Reuters

Com medidas impopulares, Dilma completa 30 dias sem dar entrevistas

Desde dezembro, presidente tem preferido se manifestar por notas oficiais

Em meio a uma série de medidas impopulares, a presidente Dilma Rousseff completa hoje 30 dias sem dar entrevistas. É o maior período que ela ficou sem responder a perguntas de jornalistas desde maio de 2013, quando passou 31 dias sem falar à imprensa. A última entrevista de Dilma foi no dia 22 de dezembro do ano passado. Naquele dia, a presidente ofereceu o café da manhã anual aos jornalistas que acompanham o dia a dia do Planalto. Na ocasião, falou por cerca de uma hora e meia.

Desde então, a presidente não se manifestou publicamente sobre temas que têm mexido com a vida dos brasileiros, como as medidas anunciadas no fim de 2014 endurecendo as regras para pagamento da pensão por morte, do auxílio doença, do seguro desemprego e do seguro defeso. Muito menos sobre a escolha de ministros polêmicos, como o do Esporte, o pastor George Hilton, do PRB. Dilma também não falou sobre o aumento de impostos, da gasolina, nem sobre o reajuste nas tarifas de energia em até 40% — tampouco sobre o apagão desta semana.

Na última entrevista, o interesse maior ainda era sobre a montagem do Ministério do segundo mandato, pois até então haviam sido anunciados somente quatro nomes: Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central) e Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento). A situação da presidente da Petrobras, Graça Foster, também estava na ordem do dia.

Desde dezembro, a presidente tem preferido se manifestar por notas oficiais. Foi assim para anunciar os 39 ministros do segundo governo. Também foi por nota que Dilma condenou a execução do brasileiro Marco Archer, na Indonésia, no último sábado. Desde 1º de dezembro de 2014, a Secretaria de Imprensa da Presidência (SIP) divulgou 13 notas com decisões ou declarações de Dilma.

Segundo a secretaria, “a falta de entrevistas desde o Natal se explica pelo recesso da presidente no fim do ano e os despachos internos com os novos ministros”. A assessoria disse ainda que, ao longo de 2014, Dilma concedeu 44 entrevistas, sem contar coletivas como candidata à reeleição.

Neste começo de governo, Dilma nem sequer retomou o programa semanal de rádio “Café com a Presidente”, que apresentava políticas de governo e era distribuído às emissoras interessadas. O programa existe desde o primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a secretaria, o programa será reformulado.

Aumento da carga tributária: Joaquim Levy anuncia ajustes na economia

Para pagar as contas dos gastos sem controle do Governo, ministro da Fazenda Joaquim Levy anuncia que vai promover ajustes na economia.

Contribuinte pagará a conta da farra

Fonte: O Globo

Governo Dilma anuncia aumento da carga tributária

Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o governo já começou a tomar medidas na área fiscal e citou a alteração nas regras de benefícios como o seguro-desemprego e a pensão pós-morte. “Possíveis ajustes em alguns tributos serão também considerados”, disse. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Levy diz que ajustes em ‘alguns tributos’ serão considerados

Novo ministro da Fazenda não crê em ‘parada brusca’ da economia após ajustes que serão feitos pelo governo

Em sua primeira entrevista como ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou não acreditar que os ajustes a serem feitos pelo governo na economia provoquem “uma parada brusca” em 2015. Segundo ele, a evolução da atividade econômica vai depender da forma como ela responderá às novas ações, mas apresentou um cenário mais positivo, com expectativa de recuperação da economia internacional. Levy assumiu o cargo prometendo em seu discurso reequilibrar as contas públicas e disse que possíveis ajustes em alguns tributos serão considerados.

— Possíveis ajustes em alguns tributos serão também considerados, especialmente aqueles que tendam a aumentar a poupança doméstica e reduzir desbalanceamentos setoriais da carga tributária — disse

O governo, segundo ele, já começou a tomar medidas na área fiscal e citou a alteração nas regras de benefícios como o seguro-desemprego e a pensão pós-morte.

— A gente está começando esse tipo de ajuste pelo lado do gasto. A gente deve, eventualmente, considerar alguns ajustes também no lado da receita — observou o ministro.

Levy evitou responder sobre a regulamentação da lei que altera o indexador da dívida dos estados. Disse apenas que o governo fará o máximo de diálogo possível e que o tema é tão importante que é acompanhado com atenção até fora do Brasil. Segundo ele, o país tem de focar em redução do custo de financiamento da dívida brasileira. Lembrou ainda que o rating do país influencia todo o setor privado. Evitou, entretanto, dar detalhes sobre o que pretende fazer.

— Nesse momento o que a gente vai fazer é dar espaço para respirar. A economia (brasileira) tem demonstrado muita resiliência. Não acredito numa parada brusca. Certas coisas talvez diminuam (em 2015) um pouco, mas outras vão aumentar. (…) Vai haver efeito positivo nos Estados Unidos e na Europa (…) Mercados que vinham fracos vão começar a se recuperar — destacou.

Levy disse que trabalha com um crescimento de 0,8% para a economia este ano, número que já foi incluído pelo governo na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015.

RETOMADA DA CONFIANÇA

Levy afirmou não acreditar em “fórmula mágica” para estimular a participação do setor privado no investimento no Brasil. Segundo ele, a expectativa da nova equipe econômica é que ocorra uma retomada da confiança dos empresários na economia a partir de 2015, o que tende a ajudar na redução dos custos de financiamento e das taxas de juros no país.

— Não tem fórmula mágica. Isso vai ser o resultado de uma série de ações e é baseado na evolução da situação fiscal. Na medida em que for mais fácil, houver maior concorrência, tudo isso tende a baixar os custos e com isso, naturalmente, você vai atraindo investidores, mais pessoas interessadas a fazer negócios — afirmou

O novo ministro da Fazenda disse ainda acreditar que o setor sucroalcooleiro consegue retomar a competitividade com bastante vigor, diante de sua capacidade e das condições climáticas do Brasil.

— Eu acho que o setor sucroalcooleiro, com a capacidade que tem, (com) as condições da agricultura, climáticas no Brasil — que, de forma geral, são favoráveis — acho que ele consegue retomar a competitividade com bastante vigor — disse.

SUPERÁVIT PRIMÁRIO

Levy disse também que o Brasil tem condição de cumprir a meta de economia que o governo faz para pagar juros da dívida — o superávit primário — de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Segundo ele, isso pode ser alcançado com um impacto mínimo da economia. Ele ainda garantiu a continuidade de programas essenciais.

— Qualquer mudança de rumo significa fazer esforço. Não há expectativa infringente de direitos. A gente tem capacidade de alcançar (a meta de superávit) com o impacto mínimo na economia — explicou ele —Garantida a continuidade de programas essenciais — acrescentou.

Joaquim Levy frisou que, assim, a confiança deve voltar.

— Algumas decisões que tem sido postergadas e suspensas vão voltar e vamos ver a economia se relançando. É natural. É como quando a gente está muito cansado, depois a gente se recupera — comparou.

Questionado sobre as previsões de que a inflação medida pelo IPCA convergirá para o centro da meta, de 4,5% ao ano, apenas em 2017, o ministro disse que espera que a inflação possa ir em direção à meta “muito antes”.

— Eu não vou exatamente me pronunciar sobre metas de inflação até porque estou neste prédio (do Banco Central). Agora, eu diria assim: convergir, voltar para a meta, ir em direção à meta, espero a inflação fazer isso muito antes. Agora, alcançar a meta, a data exata, as projeções do Banco Central, com a devida faixa de erro, indicam o melhor cálculo que a gente tem no momento — afirmou.

OPERAÇÃO LAVA-JATO

Questionado sobre os efeitos que a operação Lava-Jato pode ter sobre a economia e sobre a oferta de crédito no mercado brasileiro, o ministro da Fazenda deu uma resposta genérica. Ele afirmou que desses episódios sairão empresas mais fortes.

— Tenho certeza de que esses episódios todos vão resultar na melhora das companhias, na melhora de como as coisas são feitas, em companhias mais fortes, que é o que faz uma economia ser inovadora. Essas coisas nascem de um desafio. Somos uma sociedade em transformação. Nossa economia tem que responder a isso — afirmou.

Economia: crescimento do país está comprometido em 2015

Opinião é de Jorge Gerdau Johannpeter. Principais entraves: “problemas políticos na Petrobras e queda dos preços das commodities.”

Brasil sem Rumo

Fonte: Valor Econômico

Crescimento do Brasil em 2015 já está comprometido

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter: “problemas” com a Petrobras e “dificuldades estruturais” preocupam. Divulgação

Gerdau vê recuperação “complicada”

Depois de afirmar que “confia muito” no trio nomeado pela presidente Dilma Rousseff para comandar a economia a partir de 2015, o presidente do conselho de administração do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, disse ontem que os “problemas políticos na Petrobras“, junto com “dificuldades estruturais” em âmbito global, como a queda dos preços das commodities, são “fatores complicadores” para a recuperação do crescimento do país em 2015.

O empresário, que foi membro do conselho de administração da Petrobras até abril, não quis avaliar a extensão do dano que o escândalo sobre pagamento de propinas e desvios de recursos na estatal, revelado pela Operação Lava-Jato, pode provocar sobre a economia em 2015. “É difícil opinar, porque isso vai exigir inteligência gerencial e, ao mesmo tempo, uma condução política”, afirmou. Também não quis falar sobre a necessidade ou não de substituição da diretoria da empresa.

As afirmações de Gerdau foram feitas na reunião-almoço da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul. O empresário elogiou as indicações do ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Armando Monteiro e da presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, para os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Agricultura, respectivamente. “São parceiros para dialogar e trazer a presidenta à realidade do mercado.”

Para o empresário, o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, “é um gestor do setor público absolutamente comprovado”, que está tocando em “pontos-chave” para o Brasil conseguir o superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e reconquistar a “confiança dos mercados internacionais”. Já o próximo ministro do Planejamento,Nelson Barbosa, tem “bom diálogo com o meio empresarial” e é um profissional de “vivência enorme”.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que permanecerá no cargo, “já provou que é um líder importante e com competência”, disse Gerdau. Segundo ele, como o BC não pode “resolver sozinho” a alta da inflação, é importante trabalhar em conjunto com a política fiscal do governo.

“A construção do ministério no campo econômico cria as condições básicas necessárias [para a retomada do crescimento], mas, com a complexidade do cenário externo, nosso esforço vai ter que ser em dobro”, disse.

Segundo Gerdau, embora Tombini já tenha afirmado que a inflação terá pela frente uma longa trajetória de declínio até convergir para o centro da meta, em economia o “número absoluto” não é o mais importante. Para o empresário, o maior entrave para a redução mais acelerada da inflação está nos preços administrados, mas “o mais importante é a curva que indica o caminho aonde vai se chegar. A perspectiva é que essa gestão pode nos levar a resultados positivos.”

Mais imposto: Dilma vai voltar com tributo sobre a gasolina

Volta da cobrança da Cide faz parte do pacote fechado por Mantega e apresentado ontem à Dilma com medidas para reequilibrar contas públicas.

Dilma e o arrocho fiscal

Fonte: Folha de S.Paulo

Arrocho: Dilma vai voltar com imposto sobre a gasolina

Arrocho: Dilma e Guido Mantega. Além da Cide, o plano inclui propostas de redução de despesas com seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte. Divulgação

Dilma prepara volta de tributo da gasolina

Medida, apresentada por Mantega, integra pacote para equilibrar caixa do governo e será discutida com nova equipe

Joaquim Levy, que será anunciado como novo ministro da Fazenda nesta quinta, reuniu-se com a presidente ontem

A volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis) faz parte do pacote fechado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) e apresentado ontem à presidente Dilma Rousseff com medidas para reequilibrar as contas públicas.

Segundo a Folha apurou, a decisão final será tomada em reunião da presidente com a nova equipe econômica. Nesta terça (25), ela recebeu no Planalto o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Na reunião, da qual participaram Alexandre Tombini –que será mantido no cargo como presidente do BC– e Aloizio Mercadante (Casa Civil), foram discutidas as novas medidas e a futura equipe econômica.

Os nomes ainda não foram anunciados porque Dilma queria esperar a aprovação, peloAlexandre Tombini , de autorização para que o governo descumpra a meta fiscal deste ano. O projeto ainda não passou pelo plenário.

Além da Cide, o plano inclui propostas de redução de despesas com seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte. As duas primeiras atingem cerca de R$ 45 bilhões por ano.

VALOR INCERTO

Técnicos disseram à Folha que a proposta de retorno da Cide tem cenários com recomposição parcial ou integral do valor que era cobrado em 2008 –R$ 0,28 por litro de gasolina e R$ 0,07 por litro de diesel. A tendência, caso a medida seja aprovada, é fazer uma volta parcial.

A contribuição, que foi sendo reduzida ao longo dos últimos anos e zerada em 2012 para segurar os preços dos combustíveis, pode gerar cerca de R$ 14 bilhões de receita por ano se cobrada em seu maior valor.

Além de reforçar o caixa do governo federal, que está no vermelho, a volta da Cide é uma reivindicação do setor de etanol para tornar o combustível mais competitivo.

LEVY EM BRASÍLIA

Levy e Barbosa estavam ontem a Brasília para reuniões com a presidente Dilma a fim de fechar as linhas gerais das medidas que devem ser divulgadas no anúncio oficial da nova equipe, nesta quinta-feira (27).

Mantega deve se despedir de sua equipe já na sexta, embora a transmissão do cargo possa ficar para a segunda.

Dilma está fechando também a escolha de outros nomes da equipe econômica.

No Tesouro Nacional, são cotados Tarcisio Godoy, que foi secretário-adjunto do órgão quando foi chefiado por Joaquim Levy no governo Lula, e Carlos Hamilton, diretor de Política Econômica do BC.

No BNDES, Luciano Coutinho pode ficar mais um ano. Para a presidência do BB, ela analisa os nomes de Paulo Cafarelli –hoje secretário-executivo da Fazenda– e do vice-presidente do banco Alexandre Abreu. Na Caixa, Jorge Hereda deve continuar no comando da instituição.

Fazenda: Joaquim Levy será o novo ministro

Ex-secretário do Tesouro Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

O ex-secretário executivo da Fazenda Nelson Barbosa vai assumir o Planejamento.

Levy ajudou Antonio Palocci, quando este assumiu o Ministério da Fazenda, no ajuste fiscal realizado nos primeiros meses do governo Lula, em 2003.

Fonte: O Globo

Dilma escolhe Joaquim Levy para Fazenda

O ex-secretário do Tesouro Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Reprodução

Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda

Nelson Barbosa assumirá o Ministério do Planejamento

O ex-secretário do Tesouro Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. O ex-secretário executivo da Fazenda Nelson Barbosa vai assumir o Ministério do Planejamento.

Barbosa foi chamado por Dilma e se reuniu com a presidente nesta sexta-feira. Auxiliares presidenciais afirmaram que Barbosa, Levy e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, devem formar o núcleo duro da área econômica.

Levy ajudou Antonio Palocci, quando este assumiu o Ministério da Fazenda, no ajuste fiscal realizado nos primeiros meses do governo Lula, em 2003.

Carioca e especialista em contas públicas, Levy foi chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também foi subsecretário de Política Econômica da Fazenda e, em seguida, passou a secretário do Tesouro, cargo que deixou, três anos depois, para assumir a vice-presidência de Finanças e Administração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). De lá, foi convidado para ser secretário da Fazenda do estado do Rio, no primeiro mandato do governador Sergio Cabral.

A confirmação do nome de Joaquim Levy para substituir Guido Mantega ocorre após o governo ter sondado o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, na quinta-feira. Procurado pelo Planalto, o executivo recusou o convite. Segundo interlocutores da presidente, Trabuco seria um bom nome para o mercado, mas sua ida para o governo implicaria contornar uma série de questões societárias e de sucessão no Bradesco.

— Houve uma operação para trazer Trabuco para o governo, mas não deu certo — contou um ministro.

KÁTIA ABREU DEVE ASSUMIR AGRICULTURA

A indicação para o Ministério da Agricultura ainda não está fechada. Um dos nomes cotados é da senadora Kátia Abreu (PMDB-GO), mas existe forte resistência em seu próprio partido. Uma corrente defende a permanência do atual ministro Neri Geller (PP-MT), protegido do senador Blairo Maggi (PR-MT).

Ministério da Fazenda: Trabuco declina e Dilma tem dificuldade na escolha de nome

Convidado oficialmente, presidente do Bradesco recusou o convite para assumir o comando do Ministério da Fazenda no lugar de Guido Mantega.

Solução deve sair de dentro do próprio governo

Fonte: Folha de S.Paulo

Durante a campanha, Dilma criticou a proximidade de seus adversários com gente ligada a bancos. Divulgação

Durante a campanha, Dilma criticou a proximidade de seus adversários com gente ligada a bancos. Divulgação

Presidente do Bradesco recusa convite de Dilma para a Fazenda

Trabuco disse que não podia aceitar o cargo devido a compromissos com comando do banco

Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini são nomes cotados para formar equipe econômica

Trabuco esteve com Dilma na quarta-feira (19), quando agradeceu o convite, mas disse que não tinha condições de aceitar por causa de compromissos assumidos com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão.

Dilma e Brandão reuniram-se um dia antes, na terça-feira (18), quando a presidente tentou convencer o comandante do Bradesco a liberar seu funcionário. No encontro, ele relatou à presidente que considerava difícil a liberação porque Trabuco deve ser seu substituto.

Durante a campanha, Dilma criticou a proximidade de seus adversários com gente ligada a bancos. Aécio Neves havia escolhido Armínio Fraga, do fundo Gávea, para a Fazenda, e Marina Silva tinha como assessora Neca Setúbal, acionista do banco Itaú.

Diante da recusa de Trabuco, Dilma passou a avaliar três nomes para formar sua equipe econômica: Joaquim Levy (ex-secretário do Tesouro no governo Lula), Nelson Barbosa (ex-secretário-executivo da Fazenda) e Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central.

Dilma esteve reunida nesta quinta (20) com Barbosa, em São Paulo, após o velório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Segundo a Folha apurou, a divulgação dos nomes pode ocorrer entre esta sexta-feira (21) e a segunda (24).

Segundo um assessor presidencial, há uma possibilidade de os três fazerem parte da equipe econômica.

Levy seria o nome mais identificado com medidas na área fiscal. Barbosa ocuparia o papel de formulador de medidas econômicas. Tombini seguiria no BC com a missão de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%.

O trio, classificado como técnicos qualificados e testados em funções executivas, compensaria a ausência de um nome de impacto.

Atualmente à frente de um dos braços do Bradesco, Levy seria uma sugestão do banco. Assessores palacianos dizem que Levy seria um bom nome para, mas enxergam dificuldades na escolha porque, no passado, ele teve desentendimentos com Dilma.

Nelson Barbosa, um dos nomes sugeridos pelo ex-presidente Lula para o comando da Fazenda, pode ser nomeado para o Planejamento.

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