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Previsões para a economia brasileira são péssimas

Projeções para o PIB foram reduzidas: expectativa é de retração de 1,97% neste ano e estagnação em 2016.

Economistas passaram a estimar contração de 1,97% em 2015, contra 1,80% antes.

Fonte: O Globo

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Levantamento mostra que a estimativa para o IPCA subiu de 5,40% de alta de 5,43% do IPCA em 2016 e crescimento econômico nulo. Reprodução.

Economistas pioram previsões e agora esperam que inflação de 2015 seja a mais alta desde 2002

Projeções para o PIB também foram reduzidas: expectativa é de retração de 1,97% neste ano e estagnação em 2016

Economistas de instituições financeiras aumentaram suas projeções para a inflação em 2016 e passaram a esperar estagnação do Produto Interno Bruto no ano que vem e uma queda de quase 2% neste ano, mostrou nesta segunda-feira a pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central com analistas. O levantamento mostra que a estimativa para o IPCA subiu de 5,40% de alta de 5,43% do IPCA em 2016 e crescimento econômico nulo. Para 2016, a previsão até a semana anterior era de que houvesse expansão de 0,20%.

Além da perspectiva de crescimento nulo em 2016, o Focus mostrou pela quarta semana consecutiva um aprofundamento na queda do PIB neste ano. Economistas passaram a estimar contração de 1,97% em 2015, contra 1,80% antes. Para o IPCA neste ano, houve elevação de 9,25% para 9,32%, a 17ª seguida semana de alta e a maior desde 2002, quando fechou a 12,53%.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, o Banco Central disse que a convergência da inflação para o centro da meta em 2016 — de 4,5% pelo IPCA — tem se fortalecido e os riscos são “condizentes com efeitos acumulados e defasados da política monetária”, mas que ainda é preciso manter-se “vigilante em caso de desvios significativos”.

Na última sexta-feira, o IBGE informou que o IPCA acumulado nos primeiros sete meses do ano chegou a 6,83%, o índice mais elevado para o período de janeiro a julho desde 2003 (6,85%). No ano fechado de 2003, o IPCA foi de 9,30%.

Julho viu alguns cortes de estimativas dos economistas sobre a inflação em 2016, movimento que corroborou nos mercados financeiros as expectativas de fim do ciclo de alta dos juros básicos.

Mas a piora das projeções sobre os preços no Focus da semana passada não foi suficiente para levar os economistas a mudarem suas previsões para a política monetária, ainda prevendo que a taxa básica de juros terminará este ano a 14,25%, patamar atual, e o ano que vem a 12%.

No mercado de juros futuros, a curva de DIs já mostra chances majoritárias de nova elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros em setembro, a 14,50%.

Em julho, a autoridade monetária elevou a Selic em 0,50 ponto percentual e sinalizou o término do aperto monetário, mas esse cenário vem sendo colocado em xeque nas últimas semanas devido, entre outros fatores, à alta do dólar sobre o real, que tende a pressionar a inflação. O Focus passou a mostrar a moeda dos EUA a R$ 3,40 no fim deste ano, frente a R$ 3,35 no levantamento anterior. Em 2016, subiu de R$ 3,49 para R$ 3,50.

O dólar mais caro deve favorecer as exportações e levou o mercado a aumentar a projeção para o saldo positivo da balança comercial de US$ 6,40 bilhões para US$ 7,70 bilhões em 2015. Para o ano que vem, o superávit estimado também subiu de US$ 14,79 bilhões para US$ 15 bilhões.

A deterioração das projeções segue a do cenário político que joga mais incerteza sobre a capacidade do governo de controlar as contas e contornar a crise. Para a indústria, a retração prevista pelo Focus também piorou de 5% — patamar em que foi mantida por três semanas — para 5,21%. Ao olhar para 2016, os economistas também reduziram a projeção para o setor de alta de 1,30% para 1,15%.

As mudanças nas estimativas vêm em meio à pior crise política do Brasil desde o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que tem abalado a já fraca economia e a confiança dos agentes econômicos.

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Desde 2003 a inflação não é tão alta no Brasil

Em 12 meses, a inflação chegou a 9,56%, ante 8,89% no período de 12 meses encerrado em junho. É a maior desde novembro de 2003.

Meta do governo para o ano fechado é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%, mas o próprio Banco Central já espera que a taxa feche em torno de 9%.

Fonte: O Globo

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Preços em alta: cliente escolhe carne em supermercado do Rio. Foto: Pedro Kirilos / O Globo.

Inflação desacelera em julho, mas em 12 meses passa de 9% pela 1ª vez desde 2003

IPCA, divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, ficou em 0,62% no mês passado. Em um ano, acumula 9,56%

Considerada a taxa oficial no país, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,62% em julho, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. O resultado representa uma desaceleração frente ao comportamento de junho, quando o índice subiu 0,79%.

Em 12 meses, a inflação chegou a 9,56%, ante 8,89% no período de 12 meses encerrado em junho. É a maior desde novembro de 2003. No ano, a alta é de 6,83%. A meta do governo para o ano fechado é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%, mas o próprio Banco Central já espera que a taxa feche em torno de 9%.

A última pesquisa Focus, do Banco Central (BC), indicava que analistas de mercado esperavam uma taxa média de 0,58% para o IPCA de julho. Mais uma vez a pressão veio da conta de energia elétrica, que subiu 4,17% e foi responsável por 0,16 ponto percentual. Alimentos e bebidas subiram 0,65%, pouco acima de junho, quando avançaram 0,63%.

Habitação subiu 1,52% em julho, enquanto em junho a variação foi de 0,86%.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na quinta-feira, admite que para este ano atingir a meta de 4,5% é praticamente impossível. Mas o documento mostra que a crise econômica eleva as chances de o BC conseguir alcançar o centro do alvo para a inflação oficial no fim do ano que vem.

Queda de rendimento de trabalhador brasileiro bate recorde

Na média entre janeiro e junho, o rendimento real (já descontando a inflação) do brasileiro ficou em R$ 2.195,05.

É a maior perda nos ganhos dos trabalhadores desde 2004, quando o recuo do primeiro semestre chegou a 3,09%.

Fonte: O Globo

Queda de rendimento de trabalhador brasileiro bate recorde

Trabalhadores estão sofrendo com redução dos ganhos. Reprodução.

Salários têm maior perda em 11 anos e levam mais gente a buscar emprego

Na média entre janeiro e junho, o rendimento real do brasileiro ficou em R$ 2.195,05, de acordo com o IBGE

A primeira metade de 2015 terminou com um balanço amargo para o mercado de trabalho. Na média entre janeiro e junho, o rendimento real (já descontando a inflação) do brasileiro ficou em R$ 2.195,05, valor 2,1% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. É a maior perda nos ganhos dos trabalhadores desde 2004, quando o recuo do primeiro semestre chegou a 3,09%. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. A taxa de desemprego subiu para 6,9% no mês passado, a mais alta para um mês de junho desde 2010.

E as perspectivas para o segundo semestre não são boas. Entre os economistas ouvidos pelo GLOBO, já há quem estime que a renda média do trabalhador encerre o ano em patamar 4% inferior ao do ano passado. É o caso de Rafael Bacciotti, economista do Tendências. Segundo ele, o cenário negativo do mercado de trabalho vai persistir no segundo semestre.

— Esse processo deve continuar ocorrendo. A gente não tem perspectiva de mudança na atividade. Pelo contrário, há um consenso de que a recuperação vai ficar para depois, em 2016 — afirma o analista, que espera uma taxa média de desemprego de 6,7% neste ano. Já Rodolfo Margato, economista do Santander, prevê queda de 3% da renda este ano.

— A perda na renda real não era esperada nessa magnitude. A explicação está na queda mais forte da atividade doméstica — destaca.

A alta do desemprego está diretamente ligada à queda da renda. Com mão de obra de sobra, a negociação salarial de quem está empregado fica mais difícil. Além disso, trabalhadores em busca de vagas acabam aceitando salários menores — uma tendência das empresas, em meio à economia mais lenta.

Após cinco meses desempregada, a ex-operadora de telemarketing Mariana Vieira Ewald, 30 anos, está disposta a ganhar menos para não ficar sem trabalho. Mãe de dois filhos, de 6 e 13 anos, ela era uma das dezenas de pessoas que buscavam vagas em um posto Secretaria do Trabalho, no Centro do Rio, nesta quinta-feira à tarde, e se mostrava bastante apreensiva. Desde que foi demitida, ela não consegue encontrar uma vaga que ofereça salário no mesmo patamar do anterior ou algum tipo de benefício, como vale-alimentação ou plano de saúde.

— Está muito difícil. Tenho conseguido me manter por conta da ajuda da família. Daqui para frente, estou aceitando o que vier, porque está muito difícil. Trabalhei por cinco anos em uma empresa, saí para ganhar mais em uma outra e, três meses depois, fui demitida. Nem seguro-desemprego pude usar. Fiz uma péssima troca — lamenta Mariana.

Na análise de Hélio Zylberstajn, professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do site Salários.org.br, da Fipe, se a taxa de desemprego divulgada refletisse a realidade de hoje, ela já teria passado dos 7%, e a tendência é continuar nessa escalada. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, também do IBGE e que analisa o mercado de trabalho em todo o país, a taxa de desemprego do período de março a maio foi de 8,1%.

– O rendimento real está sendo corroído pela inflação, que é o maior inimigo do consumidor. E o poder de barganha do trabalhador para negociar salários está cada vez mais fraco – avalia. – Até janeiro deste ano, os sindicatos de classes trabalhadoras conseguiam repor a inflação e ainda ter um ganho real nas negociações salariais. Depois disso, com o aumento dainflação, que já gira em torno de 9% (no acumulado de 12 meses), as empresas não têm nem reposto a inflação.

O processo funciona como em um círculo vicioso: a queda na renda provoca o aumento da desocupação, e vice-versa. Para Fábio Romão, economista da LCA Consultores, um dos fatores que permitiu que a taxa de desemprego se mantivesse baixa no ano passado foi a baixa pressão sobre o mercado, reflexo do maior número de pessoas que optavam por não trabalhar. Isso só era possível graças à alta na renda, um movimento que já começou a se reverter.

– Houve um período bastante importante de crescimento real da renda, e isso permitiu que principalmente os mais jovens postergassem a entrada no mercado de trabalho. Agora, é o contrário – analisa Fábio Romão.

Hoje, são justamente os jovens que mais sofrem com a falta de trabalho. O desemprego da população entre 18 e 24 anos avançou para 17,1% em junho, após ter ficado em 12,3% no mesmo mês do ano passado. É a maior para essa faixa etária desde agosto de 2009, quando chegou a 17,4%, porque a economia ainda se ressentia dos efeitos da crise econômica global.

Tradicionalmente, a desocupação entre os mais jovens é mais elevada. Mas o IBGE chama atenção para intensidade da alta registrada na comparação com o ano passado. O aumento de 4,8 pontos percentuais foi o maior entre as três principais faixas etárias acompanhadas pelo pesquisa do instituto. No grupo entre 25 a 49 anos, a taxa passou de 3,6% para 5,8% (diferença de 2,2 pontos percentuais) e, entre os com 50 anos ou mais, foi de 2% para 2,9% (alta de 0,9 ponto percentual). Na média geral, a taxa passou de 4,8% para 6,9% (diferença de 2,1 pontos percentuais).

Considerando todas as faixas de idade, o número de brasileiros que ingressou na chamada população economicamente ativa (pessoas que estão trabalhando ou procurando emprego) mês passado aumentou 0,9% em relação a junho de 2014. O percentual é considerado estatisticamente irrelevante pelo IBGE, mas representa 224 mil a mais na força de trabalho, que chegou a 24,4 milhões nas seis maiores regiões.

No mesmo período, o número de pessoas ocupadas diminuiu 1,3%, refletindo a onda de demissões observada nos últimos meses. Com isso, a fatia dos desempregados cresceu nada menos de 44,9% em um ano e chegou a 1,7 milhão de pessoas nas seis regiões metropolitanas acompanhadas pela pesquisa. A menor taxa de desemprego foi registrada na região metropolitana do Rio (5,2%), e a maior, em Salvador (11,4%).

— O crescimento da desocupação pode estar sendo provocado tanto por aqueles que perderam o emprego, quanto por aqueles que estão tentando entrar no mercado de trabalho e já entram na condição de desocupados — explica Adriana Beringuy, técnica do IBGE responsável pela pesquisa.

Além da queda da renda, os dados indicam criação menor de vagas em cada vez mais setores. No mês passado, a maior queda na população ocupada foi registrada no construção civil, que perdeu 5,1% de sua força de trabalho entre junho de 2014 e junho de 2015.

Apesar de concordar com o quadro negativo, Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp e especialista em mercado de trabalho, destaca que o emprego ainda tem mostrado sinais de resistência e que, diante da perspectiva de recuperação no ano que vem, é possível que empresários decidam evitar as demissões.

— Não há um sentimento de que o mergulho na recessão durará dois, três, quatro anos. Há uma grande expectativa de que o sinal de melhora ocorrerá no primeiro semestre do ano que vem. Se eu sou empresário, vou demitir somente aquilo que preciso — afirma Dedecca.

 

Gestão deficiente: as metas nunca cumpridas do Governo Dilma

Gestão deficiente: histórico de frustrações vai do crescimento do PIB até a produção de petróleo, chegando aos objetivos fiscais.

Um governo à beira do precipício

Fonte: ITV 

Gestão deficiente: Governo Dilma jamais entrega o que promete

Gestão deficiente: Governo Dilma não inspira credibilidade e não exibe capacidade de execução. Divulgação

Metas nunca cumpridas

Artigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Idas e vindas ilustram a incapacidade do atual governo de planejar, traçar objetivos e alcançá-los. Em nenhuma área de atuação pública, Dilma entrega o que promete

Há um traço que acompanha o governo Dilma desde seu primeiro dia: jamais entrega o que promete. O histórico de frustrações vai do crescimento do PIB até a produção de petróleo, chegando aos objetivos fiscais, agora novamente em vias de serem revistos. Como acreditar em qualquer compromisso que este governo diz assumir?

A austeridade fiscal deveria marcar o segundo mandato da presidente, ou pelo menos o seu início. Mas a miragem não durou seis meses. Desde maio, começaram as discussões sobre a possível mudança – para menor – das metas de superávit fiscal deste e dos próximos anos. Tudo indica que, dentro de mais alguns dias ou semanas, elas irão ser reduzidas.

Desde o início, a meta fixada para este ano (1,2% do PIB) era considerada irrealizável por analistas. A realidade comprovou: o saldo fiscal conquistado no primeiro semestre deve ter ficado próximo de zero, para uma meta de R$ 66 bilhões no ano.

A recessão mais profunda na qual o país mergulhou tornou-a ainda mais difícil de ser alcançada. A economia já derreteu 2,7% até maio, de acordo com o Banco Central, e as receitas com tributos caem quase 3% no ano.

Uma das alternativas em discussão é a adoção de uma banda para o resultado fiscal. O superávit poderia oscilar em torno de um ponto definido, para mais ou para menos, como acontece com a inflação.

Assim como acontece com a inflação, a tendência de um governo leniente como é o caso da gestão da presidente Dilma sempre será aninhar-se nos patamares mais cômodos – mais altos no caso dos preços, mais baixos no caso fiscal.

Ruma, portanto, para produzir resultados incapazes de trazer qualquer expectativa de mudança à balbúrdia fiscal que se tornou norma na administração petista. Neste cenário, aumentam as chances de o Brasil ver-se rebaixado à condição de mau pagador, vendo encarecer seu crédito internacional.

Estas idas e vindas ilustram, de fato, a incapacidade do atual governo de planejar, traçar objetivos e alcançá-los. Tome-se quaisquer áreas de atuação pública e verifique-se se Dilma entregou o que prometeu. Nada, rigorosamente nada, foi cumprido conforme os compromissos: da inflação ao emprego, do crescimento ao ajuste fiscal.

A Petrobras, por exemplo, jamais produziu petróleo nos níveis traçados em seus planos de negócio. O PAC há muito deixou de entregar a miríade de promessas que alardeava. O PIB brasileiro, que deveria avançar até 5% segundo as projeções traçadas pela presidente e sua equipe em 2011, tem hoje um dos piores desempenhos do mundo.

Para complicar, a provável mudança na meta fiscal expõe a divisão interna entre facções do governo petista, numa hora em que o que se esperava era um mínimo de consenso. É o retrato de um governo que não inspira credibilidade e não exibe capacidade de execução. Um governo à beira do precipício.

Inflação vai aumentar e prejudicar ainda mais população pobre

Para a inflação em 2015, a expectativa do BC subiu de 7,9% para 9%, o dobro do centro da meta de inflação (4,5%).

Governo Dilma começa a perder controle

Fonte: Estadão

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Está cada vez mais claro que a autoridade monetária desistiu de tentar levar a inflação para o centro da meta de 4,5%. Reprodução.

Para 2016, o BC espera uma alta de preços de 4,8%, segundo o Relatório Trimestral de Inflação; a autoridade monetária também revisou a estimativa do PIB para queda de 1,1%

O Banco Central mostrou um tom mais pessimista para o desempenho da economia neste ano no Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quarta-feira, 24. Para a inflação em 2015, a expectativa do BC subiu de 7,9% para 9%, o dobro do centro da meta de inflação (4,5%). A revisão para a projeção do IPCA neste ano veio depois das sucessivas surpresas com a inflação corrente.Já para o Produto Interno Bruto (PIB) o órgão espera uma contração de 1,1%. Anteriormente, a projeção era de -0,5%. Ambas as expectativas fazem parte do cenário de referência do relatório. Pelo cenário de mercado, a previsão anterior do BC também era de 7,9% para o IPCA deste ano e agora está em 9,1%.

Está cada vez mais claro que a autoridade monetária desistiu de tentar levar a inflação para o centro da meta de 4,5%. Tampouco, deverá reduzir o indicador para o teto de 6,5%. Com isso, a equipe liderada pelo presidente Alexandre Tombini terá de escrever uma carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos que levaram a instituição a não cumprir sua tarefa bem como dar indicações sobre o que fará para reverter o quadro de descontrole dos preços.

O BC tem dito que sua missão é combater os efeitos secundários da alta da inflação deste ano. O objetivo é evitar transmissão para 2016 por meio da inércia. Por conta disso, os analistas devem se debruçar sobre a nova projeção do BC para o IPCA de 2015 e tentar calcular o quanto haverá de carregamento para o ano que vem.

Apontados como os principais vilões da inflação no curto prazo, os preços administrados devem ter alta de 13,7% em 2015 no cenário de mercado e no de referência. No caso de tarifas de telefonia fixa, a estimativa está em 3%. Em relação aos reajustes das tarifas de energia elétrica, o BC projeta uma variação de 43,3% para 2015.

Ano que vem. O Banco Central também revelou a informação mais esperada pelo mercado financeiro dos últimos dias: sua projeção para o IPCA de 2016. Segundo o relatório, a inflaçãosubirá 4,8% no ano que vem, pelo cenário de referência. A estimativa anterior da autoridade monetária era de 4,9%. A promessa do BC é entregar a inflação na meta de 4,5% no fim de 2016. Já no cenário de mercado, a previsão de alta de 5,1% para o próximo ano foi mantida.

Estas estimativas serão fundamentais para os analistas do setor privado calibrarem suas previsões para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o final de julho. A dúvida é sobre se o BC manterá o ritmo de alta de 0,50 ponto porcentual, como nos últimos meses, ou se já está se aproximando do fim do ciclo de aperto monetário. Desde outubro, o colegiado opta por elevar a taxa básica de juros ininterruptamente. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.

A mediana das previsões do mercado para o IPCA de 2016 está estacionada há cinco semanas em 5,50% no Relatório de Mercado Focus. No grupo Top 5, que reúne as cinco instituições que mais acertam as estimativas para o índice no médio prazo, a mediana das previsões está em 5,21%.

Dólar. O Banco Central determinou que a data de corte para confeccionar o Relatório Trimestral de Inflação é 12 de junho de 2015. Com isso, o câmbio no cenário de referência usado nos cálculos apresentados no documento é de R$ 3,10. No RTI de março e na última ata do Copom deste mês, a cotação usada pelo BC era de R$ 3,15.

Em meio às discussões a respeito do cumprimento da meta fiscal, o BC considerou ainda que leva em conta em seus cálculos um superávit primário de R$ 66,3 bilhões. Para 2016, a autoridade monetária trabalha com uma taxa de 2% do PIB, mesmo porcentual da edição de março.

Escolhas erradas do PT faz Brasil caminhar para recessão

A economia deu o primeiro passo de uma recessão que deve ser a mais profunda dos últimos 25 anos.

No primeiro trimestre, a economia brasileira encolheu 0,2% na comparação com o trimestre anterior.

Fonte: ITV 

Escolhas erradas do PT faz Brasil caminhar para recessão

A Caminho da Recessão

Com o PT, o Brasil ficou definitivamente para trás. As escolhas equivocadas dos últimos anos levaram a economia à retração e estão agora custando caro aos brasileiros

Só há más notícias no PIB que o IBGE divulgou nesta manhã. A economia deu o primeiro passo de uma recessão que deve ser a mais profunda dos últimos 25 anos. Nos detalhes, a situação revela-se ainda mais grave.

No primeiro trimestre, a economia brasileira encolheu 0,2% na comparação com o trimestre anterior. Todos os setores e todos os componentes da atividade caíram, com as exceções da agropecuária e das exportações, estas ajudadas pelo câmbio mais favorável. De boa nova, foi só.

Caíram a produção de todos os demais setores, os investimentos e, agora, também o consumo, por culpa da “evolução negativa dos indicadores de inflação, crédito, emprego e renda ao longo dos três primeiros meses do ano”, aponta o IBGE.

O último motor que ainda dava algum alento à economia brasileira parou. Depois de 45 trimestres, ou seja, quase 12 anos, o consumo das famílias teve sua primeira queda: 0,9% quando comparado a igual período do ano anterior.

Entre os destaques mais negativos, estão, ainda, a indústria da transformação, com queda de 7% sobre o primeiro trimestre do ano passado, e os investimentos, com baixa de 7,8% na mesma base de comparação. Em ambos os casos, é a quarta retração trimestral seguida.

No Brasil do PT, pouco se produz, quase nada se investe e não sobra para poupar. Tanto a taxa de investimento quanto a de poupança mantiveram-se baixas neste trimestre: 19,7% e 16% do PIB, respectivamente, ambas menores que as de um ano atrás.

Entre os países que já divulgaram o resultado do PIB do primeiro trimestre do ano, apenas cinco saíram-se pior que o Brasil: Nigéria, EUA, Lituânia, Sérvia e Estônia. Segundo as previsões do FMI, só nove países devem ter recessão mais severa que a brasileira neste ano – quase todos envolvidos em conflitos e/ou desestruturação interna.

O governo Dilma já trabalha oficialmente com uma recessão de 1,2% neste ano. Os sinais da crise estão evidentes por toda parte: não há confiança das empresas para investir; não há segurança dos consumidores para consumir; as fábricas estão diminuindo o ritmo e a fila do desemprego só aumenta. Ao paradeiro junta-se ainflação que não cede.

Não se enxerga luz no fim deste túnel. As medidas fiscais que o governo do PT ora implementa tendem a agravar ainda mais o quadro, arrochar ainda mais a economia e dificultar mais ainda a vida dos brasileiros. O que já não está bom vai piorar.

A verdade é que, com o PT, o Brasil ficou definitivamente para trás. Não há reformas com capacidade de modernizar a economia e atá-la ao bonde do crescimento externo. As escolhas equivocadas do governo petista nos últimos anos estão agora custando caro aos brasileiros. Por quanto tempo mais, ninguém sabe.

Aécio Neves: Dilma coloca ajuste na conta dos trabalhadores

Dilma chama trabalhadores para pagar do seu bolso 89% do custo do ajuste fiscal, sem ter fechado um único ministério ou cortado um único cargo de confiança.

Não houve o que comemorar no Dia do Trabalho. O governo estragou a festa.

Fonte: Folha de S.Paulo 

Dilma chama trabalhadores para pagar conta de ajuste, artigo Aécio Neves

Aécio: O baixo crescimento tem efeitos perversos para a vida dos trabalhadores. Divulgação

O Dia do Trabalho

Artigo AÉCIO NEVES

Quando se critica a má gestão do governo do PT e, em especial, os erros sucessivos da política econômica dos últimos anos, muitos acham que a oposição é pessimista e gosta de mostrar só o que não funciona. Mas é justamente o contrário.

Temos tudo para ser um grande país se o governo não atrapalhar tanto, com os seus sucessivos erros, o crescimento econômico e o avanço social dos brasileiros.

Ao contrário de vários países emergentes, no Brasil há uma Justiça e órgãos de controle independentes, que estão lutando contra o aparelhamento político das estatais, patrocinado pelo governo do PT; temos uma indústria diversificada e um setor agropecuário que é um dos mais competitivos do mundo e um amplo sistema de proteção social estabelecido pela Constituição em 1988.

O natural seria estarmos crescendo entre 4% e 5% ao ano, em vez de termos uma estagnação (crescimento econômico igual a “zero”) no triênio 2014, 2015 e 2016, segundo projeções do mercado. Isso é ainda agravado pelo fato de, nesses mesmos três anos, a inflação média esperada ser de 6,7% ao ano, uma anomalia para um país que não cresce.

O baixo crescimento tem efeitos perversos para a vida dos trabalhadores. Na última semana, o IBGE mostrou que a taxa de desemprego cresceu pela terceira vez consecutiva neste ano e a renda real dos trabalhadores já teve queda de 3% neste período.

Além disso, como a correção real do salário mínimo está ligada ao crescimento do PIB, a estagnação da economia aponta para um crescimento “zero” no valor real do salário mínimo nos próximos dois anos e um aumento médio, no segundo governo Dilma, inferior a 1% ao ano!

O governo, depois de negar sistematicamente nas eleições a necessidade de qualquer ajuste fiscal, propõe agora um ajuste rudimentar cuja parte mais visível foi um corte real de 50% no investimentos dos ministérios da Saúde e da Educação, no primeiro trimestre do ano, redução dos direitos do trabalhadores e propostas de aumentos de vários impostose da conta de luz, que somam R$ 52 bilhões de uma meta de R$ 58 bilhões de superavit primário do governo federal.

A presidente Dilma está chamando os trabalhadores para pagar do seu bolso 89% do custo do ajuste fiscal, sem ter fechado um único ministério ou cortado um único cargo de confiança. Não houve o que comemorar no Dia do Trabalho. O governo estragou a festa.

O presidente dos Correios escreveu artigo em resposta ao texto por mim publicado nesse espaço. Tendo em vista os erros e deliberadas imprecisões e omissões contidas no texto dele, convido a quem se interessar pelo tema a acessar psdb.org.br/acao-irregular-correios para mais informações.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Trabalhador perde poder de compra. Renda tem o pior resultado em 12 anos

Em março em relação a fevereiro, a queda real foi de 2,8%, o pior resultado em mais de 12 anos — em janeiro de 2003 o recuo foi de 4,3%.

A queda real acontece quando a renda cresce menos que a inflação, ou seja, o rendimento até subiu, mas não tanto quanto os preços — o que faz com que o trabalhador perca poder de compra.

Fonte: O Globo

Trabalhador perde poder de compra. A queda da renda se deu num cenário de aumento do desemprego pela terceira vez consecutiva. Reprodução

Trabalhador perde poder de compra. A queda da renda se deu num cenário de aumento do desemprego pela terceira vez consecutiva. Reprodução

Renda teve em março a maior queda real desde 2003

Recuo frente a fevereiro é de 2,8%. Na comparação com igual mês de 2014, perda salarial chega a 3%, a maior em 11 anos

Pelo segundo mês seguido, o trabalhador brasileiro teve queda nominal e real na renda frente ao mês anterior, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta terça-feira pelo IBGE. Em março em relação a fevereiro, a queda real foi de 2,8%, o pior resultado em mais de 12 anos — em janeiro de 2003 o recuo foi de 4,3%.

A queda real acontece quando a renda cresce menos que a inflação, ou seja, o rendimento até subiu, mas não tanto quanto os preços — o que faz com que o trabalhador perda poder de compra. Já a queda nominal acontece quando efetivamente há queda na renda, por exemplo, alguém que tinha rendimento de R$ 1.500, mudou de emprego e passou a receber R$ 1.300.

Editoria de arte

Editoria de arte

Frente a março do ano passado, o recuo real foi de 3%, o mais forte desde fevereiro de 2004, quando a renda teve queda real de 4,8%. Já a queda nominal foi, na comparação com fevereiro, foi de 1,3%, bem mais forte que no mês anterior, quando houve queda 0,3%.

A queda da renda se deu num cenário de aumento do desemprego pela terceira vez consecutiva. Em março, a taxa de desocupação nas seis regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) ficou em 6,2% pela PME. A taxa é a maior para o mês desde março de 2011, quando ficou em 6,5%, e, considerando todos os meses, a mais alta desde maio de 2011 (6,4%).

A renda média do trabalho ficou em R$ 2.134,60 em março. A renda caiu em todas as regiões na comparação com fevereiro. A maior queda percentual ocorreu em Salvador (-6,8%). No Rio, o rendimento médio ficou em 2,6% menor.

— São pessoas recebendo salários ou remunerações menores. Pode ser que a pessoa que perdeu emprego agora receba menos em outra ocupação. Não temos como afirmar que é menor poder de barganha das pessoas, tanto o empregado com carteira quanto o sem carteira quanto o conta própria estão recebendo menos — explicou Maria Lucia Vieira, gerente do IBGE.

REFLEXO DA CRISE NA PETROBRAS

José Marcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos e da PUC-RJ, já não prevê recuperação este ano.

— Claramente está muito fraco e vai piorar. É uma queda enorme do PIB a esperada (ele estima de -1,5% em 2015) isso fatalmente vai gerar um aumento do desemprego muito forte — afirma. — Como a economia está iniciando um processo recessivo, o mais provável é que o segundo semestre seja pior. Não acho que a inflação vai desacelerar, a inflação vai ficar em 8,5%. A energia não vai continuar subindo tanto, mas vai demorar para desacelerar, os serviços, nos últimos quatro anos, cresceram cerca de 8,5% — afirma.

Tanto Saboia quanto Camargo consideram “preocupante” a queda nominal dos salários, mas ainda não sabem diagnosticar ao que ela estaria ligada.

— O salário nominal está caindo na margem, o que pode indicar algum problema específico nos últimos dois meses, como a questão da Petrobras e das empreiteiras e ser localizado ou indicar que a tendência é de um mercado tão fraco que já está gerando esta queda. É difícil imaginar reajustes de salários com queda nominal. Para um resultado desses, seria preciso uma taxa de desemprego no mínimo duas vezes maior — afirma Camargo.

Os 100 dias do governo Dilma são marcados por crise na economia e escândalos de corrupção

Inflação de 8,13% e previsão de retração econômica de 1%. Em cem dias governo Dilma convive com crise econômica e escândalos de corrupção.

Dilma tem dificuldade de aprovação de projetos caros ao Planalto. Diante desse quadro, o governo fica impedido de apresentar uma resposta que ajude a reerguer a popularidade da presidente.

Fonte: Veja 

Governo Dilma: 100 dias, sem rumo

Governo Dilma: De janeiro até aqui, a fracassada articulação política de Dilma somou a este grave cenário uma rebelião da base aliada no Congresso. Foto: Reuters

Cem dias sem rumo

Governo Dilma atinge a simbólica marca no momento em que se perde em crises simultâneas. E não há indícios de que se recuperará no curto prazo

Em 1º de janeiro deste ano, ao tomar posse diante do Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff prometeu: “Dedicarei obstinadamente todos os meus esforços para levar o Brasil a iniciar um novo ciclo histórico de mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no fortalecimento de uma política econômica estável, sólida, intolerante com a inflação, e que nos leve a retomar uma fase de crescimento robusto e sustentável, com mais qualidade nos serviços públicos”.

Passados exatos cem dias deste então, fica cada vez mais claro que Dilma não tinha razões para tanto otimismo. Quando a apertada vitória da petista se confirmou em outubro passado, reportagem do site de VEJA apontava a tempestade perfeita que cercava o segundo mandato da presidente. Já estavam dados os ingredientes da crise: o escândalo do petrolão atingia em cheio o governo e o PT, a economia encolhia enquanto a inflação aumentava.

De janeiro até aqui, a fracassada articulação política de Dilma somou a este grave cenário uma rebelião da base aliada no Congresso – e azedou ainda mais a relação da presidente com o próprio partido e seu antecessor e criador, o ex-presidente Lula.

Hoje o país acumula inflação de 8,13% em 12 meses (a maior desde dezembro de 2003) e previsão de retração econômica de 1% em 2015, segundo estimativas do mercado. Em cem dias – e por sua própria responsabilidade – o governo Dilma foi arrastado para uma perigosa espiral: a crise econômica e os escândalos de corrupção erodem a popularidadeda presidente (62% dos brasileiros reprovam seu governo, segundo pesquisa Datafolha), cada vez mais refém de uma base fragmentada no Congresso – o que dificulta a aprovação de projetos caros ao Planalto.

Diante desse quadro, o governo fica impedido de apresentar uma resposta que ajude a reerguer a popularidade de Dilma. Irritado com as tentativas do Planalto de reduzir a participação do partido no governo, o PMDB age hoje quase como uma sigla de oposição. E mais: tornou o Executivo de tal forma dependente do Congresso que o presidencialismo brasileiro já se assemelha a uma forma bastarda de parlamentarismo.

Nem dentro do próprio partido Dilma encontra refresco: contrário às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, o PT tem dado tanto trabalho ao Planalto no Congresso quanto os opositores. Tendo seu grupo inicialmente alijado do núcleo duro do governo, Lula não poupa a pupila de críticas públicas. O ex-presidente teme que um eventual fracasso da gestão Dilma interfira em seus planos de retornar ao poder em 2018.

É fato que o primeiro mandato de Dilma também incluiu momentos de turbulência. Em 2013, por exemplo, os protestos encurralaram o governo e derrubaram a popularidade da presidente. Naquela ocasião, entretanto, os atos não possuíam uma pauta única e o governo conseguiu se apropriar parcialmente das bandeiras apresentadas. Já os manifestantes que tomaram as ruas em 15 de março deste ano e se preparam para fazê-lo novamente no próximo domingo têm como foco a oposição ao governo e ao Partido dos Trabalhadores. É um dos muitos sinais de que as coisas mudaram.

As trapalhadas na articulação política e a postura inflexível da presidente ajudaram a desgastar no Congresso uma base que já havia saído das urnas enfraquecida na comparação com 2010. É assim, sem apoio expressivo nem nas ruas nem no Congresso, que a impopular e nada carismática Dilma Rousseff chega ao centésimo dia de governo.

Até aqui, os poucos acertos do governo na reação do governo à crise surgiram apenas quando Dilma e o PT abriram mão de parte do seu poder. Dilma terceirizou a gestão da economia a Joaquim Levy, cujas ideias divergem radicalmente daquelas defendidas pelo PT, e atribuiu ao vice-presidente Michel Temer, do PMDB, a articulação política.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) acredita que o pior já passou. “Dentro desse momento difícil, As coisas estão se arrumando para ela conseguir os resultados no médio prazo. O mês de fevereiro foi muito difícil, o de março também, mas menos. A tendência é melhorar”. Já Onyx Lorenzoni (DEM-RS) faz um diagnóstico implacável: “O segundo governo Dilma vai ser o governo das crises. Ela vai ficar um fantasma no Planalto até o fim do mandato”.

Campanha x realidade – Antes mesmo de a presidente reassumir o cargo, já estavam claras para os brasileiros as mentiras de que o PT fez uso para se manter no poder. Depois de acusar seus adversários Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) de agir em conluio com os banqueiros, por exemplo, Dilma convidou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para assumir o Ministério da Fazenda. Ouviu “não” como resposta e indicou, então, a Levy, um economista ortodoxo e alinhado ao pensamento do tucano Armínio Fraga.

A crise econômica e orçamentária, motivada em grande parte pelo populismo fiscal do primeiro governo Dilma, agora força o Executivo a abandonar promessas de campanha, como a de que os direitos trabalhistas eram intocáveis e a taxa de juros não seria usada para segurar a inflação.

Paradoxalmente, a solução encontrada pelo governo distanciou a presidente da República das bases mais tradicionais do petismo, como sindicatos e movimentos sociais. A Central Única dos Trabalhadores, principal braço do PT, tem ido às ruas com bandeiras que, se passam pelo apoio ao governo contra o “golpismo”, também incluem críticas diretas aoajuste fiscal.

Reação – O Executivo ainda tem armas de sobra para articular uma reação. A principal delas é a chave do cofre da União, que costuma ser usado para cooptar tanto os movimentos sociais quanto partidos políticos. Mas até esse recurso é limitado. O corte orçamentário que deve ser anunciado em breve deve atingir ainda mais a já reduzida capacidade de investimento do governo e, assim, dificultar uma reação do Executivo.

A presidente chega aos cem dias de governo sem recursos para investir, com uma base aliada enfraquecida, um escândalo gigantesco de corrupção à porta, a popularidade em níveis abissais e sob a desconfiança do próprio PT. É possível que o cenário melhore no médio prazo. Mas o mais provável é que, para fazer isso, Dilma tenha de ser cada vez menos dona do próprio governo.

Brasil parou: Gestão deficiente de Dilma

Nos 2 primeiros meses do ano, os investimentos do governo do PT caíram 31% na comparação com igual período de 2014. Foram R$ 5,1 bi a menos.

Brasil sem rumo

Fonte: ITV

Gestão deficiente de Dilma: Brasil parou, parou por quê?

Um dos setores que ilustra bem a paralisia do PAC é o de saneamento. Segundo auditoria feita pelo TCU, mais da metade das obras previstas para o setor estão paradas, atrasadas ou sequer saíram do papel.  Foto: Jorge William / O Globo

Parou por quê?

Sem comando, o governo deixou de investir. Sem confiança, o setor privado pisou no freio. A população é a mais prejudicada pelo paradeiro que se abateu sobre o país

Nestes primeiros meses do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o Brasil está vivendo um paradeiro como há muito não se via. Sem comando, o governo deixou de investir. Sem confiança, o setor privado pisou no freio. Sem a atenção devida, a população é a mais prejudicada.

Na prática, a tesoura do arrocho fiscal já está agindo fagueira sobre os gastos do governo federal. E, como sempre em casos de ajustes mal feitos, as primeiras vítimas são os investimentos, as obras e ações que poderiam gerar benefícios mais duradouros para os cidadãos.

Nos dois primeiros meses do ano, os investimentos do governo do PT caíram 31% na comparação com igual período de 2014. Foram R$ 5,1 bilhões a menos, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada no domingo com base na execução orçamentária do Tesouro até fevereiro.

Não sobra tijolo sobre tijolo. O PAC, por exemplo, confirma-se como mera peça de marketing, na medida em que suas promessas continuam sem sair do papel e os desembolsos para as intervenções previstas no programa decaem. Até abril serão R$ 4,7 bilhões a menos reservados no Orçamento da União.

Um dos setores que ilustra bem a paralisia do PAC é o de saneamento. Segundo auditoria feita pelo TCU, mais da metade das obras previstas para o setor estão paradas, atrasadas ou sequer saíram do papel. Outra medida da incúria que marca a gestão petista: somente 58 de um total de 491 obras foram concluídas.

O paradeiro atual deriva da conjugação de alguns fatores. O mais evidente é a crise econômica em que Dilma mergulhou o país. Mas há também a desconfiança generalizada entre governantes, investidores, empresários e consumidores em relação ao futuro. Com a perspectiva de um ano de forte contração na atividade, ninguém quer se aventurar.

Os trabalhadores já estão sentindo as garras do arrocho na pele, seja na forma de aumento do desemprego, seja na alta da inflação e no encarecimento dos preços, seja por meio da elevação dos impostos e dos juros determinada pelo governo da presidente Dilma.

Em desespero, o governo petista diz que agora vai apostar na retomada das concessões de infraestrutura para tirar o país do estado de catatonia. É a velha receita para qual o PT apela quando se vê em apuros, mas que, em razão de sua parca convicção, não tem produzido resultados satisfatórios – o programa lançado em 2012 deu em quase nada.

O que mais agrava o quadro geral de desalento no país é a falta de credibilidade na capacidade de Dilma Rousseff e seu partido de produzir um novo ciclo virtuoso capaz de resgatar a fé dos brasileiros no país. Neste cenário desolador, andar de lado é lucro.

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