Arquivos do Blog

Nordestinos são os maiores prejudicados pela crise, mostra pesquisa

No Nordeste, o desemprego cresceu em sete dos nove estados e já ultrapassa os dois dígitos na média da região.

Desemprego aumentou em 22 dos 27 estados e unidades da federação no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2014.

Fonte: O Globo

Nordestinos são os maiores prejudicados pela crise, mostra pesquisa

Deterioração fez com que, em muitos casos, desocupação chegasse ao maior nível da série do IBGE iniciada em 2012. Reprodução.


Desemprego cresce em 22 estados em 1 ano e já supera os 10% no Nordeste

Diante de uma economia que não cresce há cinco trimestres, a piora do mercado de trabalho é disseminada por todo o país. O desemprego aumentou em 22 dos 27 estados e unidades da federação no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2014. No Nordeste, o desemprego cresceu em sete dos nove estados e já ultrapassa os dois dígitos na média da região. No Sudeste e no Sul, todos os estados registraram alta da desocupação. Na Região Norte, isso ocorreu em cinco dos seis estados; no Centro-Oeste, houve alta em três dos quatro estados.

A deterioração dos números fez com que, em muitos casos, o desemprego chegasse ao maior nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, iniciada em 2012. Na média nacional, a taxa foi de 8,3% entre abril e junho, o maior nível da série. O mesmo fenômeno ocorre em quatro estados: São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.

BAHIA SOFRE COM CORTES NA CONSTRUÇÃO CIVIL

No Nordeste, a taxa, que é historicamente mais alta, subiu de 8,8% para 10,3% na comparação entre os segundos trimestres de 2014 e de 2015. O nível é menor que o recorde de 10,9% do primeiro trimestre de 2013, mas é o mais alto desde então.

Três estados da região têm desocupação acima dos 10%: Rio Grande Norte (11,6%), Alagoas (11,7%) e Bahia (12,7%, a mais alta taxa no país). O Amapá, na Região Norte, é o quarto e último estado com taxa de dois dígitos (10,1%).

— Apesar dos esforços de investimentos em infraestrutura e educação, que permitiram um crescimento maior do Nordeste, a taxa de desemprego ainda é maior que em outras regiões do país. Agora, em um momento de ajuste, com contingenciamento de recursos, o Nordeste acaba sentindo mais — explica a professora de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Valdenia Apolinario, estudiosa do mercado de trabalho.

Glacivaldo Correia Lima, de 27 anos, é um dos nordestinos que atualmente estão em busca de trabalho. Morador de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana de Recife, ele foi demitido da fábrica de cerâmicas onde trabalhava em julho, junto com pelo menos mais 40 colegas. Em Pernambuco, a taxa de desemprego já chega a 9,1%, frente aos 8,8% do segundo trimestre do ano passado. A crise da economia, conta Glacivaldo, foi a justificativa para as demissões. Agora, ele busca uma vaga na área de sistemas de informação.

— Estou no quinto período da faculdade e vou aproveitar que fui demitido para procurar algo no que estou estudando. É uma área com mais chances de crescimento, mas está difícil encontrar emprego — lamenta Glacivaldo, que mora com os pais.

Na Bahia, que amarga o maior desemprego do país, os setores de construção civil e serviços têm contribuído para o momento ruim do mercado de trabalho. A construção absorvia 8,9% da população ocupada no segundo trimestre de 2014, mas essa fatia caiu para 8,4% no segundo trimestre deste ano.

— A Bahia é um estado em que a agricultura tem uma presença maior que no resto do país, assim como o setor de serviços. Além disso, a informalidade também aumentou — explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Os únicos estados do país em que não houve aumento do desemprego entre o segundo trimestre do ano passado e o mesmo período de 2015 foram Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, Sergipe e Distrito Federal.

— O mercado de trabalho está piorando em ritmo muito rápido e de forma muito intensa. O que a Pnad Contínua mostra é a generalização dessa piora, que é mais ampla do que vinha sendo registrada pela Pesquisa Mensal do Emprego (PME), que acompanha apenas as regiões metropolitanas brasileiras — afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ João Saboia.

FALTA DE VAGAS ALÉM DAS METRÓPOLES

A avaliação de Saboia é que os dados não chegam a ser uma surpresa diante do que vem sendo observado no mercado de trabalho. Para ele, o mérito da Pnad Contínua é justamente mostrar o cenário em escala nacional, muito além da realidade das grandes cidades.

— A economia está em contração desde meados de 2014, e ainda há muita incerteza sobre sua retomada. O mercado de trabalho, que é a última ponta a sentir o reflexo da crise, agora passa por um ajuste generalizado. A Pnad Contínua é mais abrangente e mostra isso — explica o economista da Tendências Consultoria Rafael Bacciotti, que ainda espera uma piora no emprego.

Cimar Azeredo, do IBGE, explica que o aumento do desemprego ocorreu em “praticamente quase todos os estados da federação”, e os dados confirmam que a economia “não está favorável”. Os números apontam uma maior busca por trabalho, segundo ele:

— O mercado de trabalho entrou em um processo de perda do que tinha conquistado nos últimos anos, tanto em termos de patamar da taxa de desocupação quanto no nível da ocupação e na perda dos empregos com carteira de trabalho.

 

Jovens são os mais atingidos pelo desemprego no Brasil

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa de desemprego da população entre 18 e 24 anos avançou para 17,1% em junho.

É a maior taxa para essa faixa etária desde agosto de 2009, quando chegou a 17,4%.

Fonte: O Globo

desemprego-reproducao_0

IBGE destacou a forte alta registrada na comparação com o ano passado. Reprodução.

Desemprego entre jovens é o maior desde agosto de 2009

Taxa chegou a 17,1%, bem maior que os 12,3% registrados no ano passado

A piora do mercado de trabalho tem afetado mais fortemente os mais jovens. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa de desemprego da população entre 18 e 24 anos avançou para 17,1% em junho, após ter ficado em 12,3% no mesmo mês do ano passado. É a maior taxa para essa faixa etária desde agosto de 2009, quando chegou a 17,4%. Naquela época, a economia ainda se ressentia dos efeitos da crise econômica global.

Tradicionalmente, a desocupação entre os mais jovens é mais elevada que a média. No entanto, o IBGE destacou a forte alta registrada na comparação com o ano passado. O avanço de 4,8 pontos percentuais frente a junho do ano passado foi o maior entre as três principais faixas etárias acompanhadas pelo instituto. No grupo entre 25 a 49 anos, a taxa passou de 3,6% para 5,8% (diferença de 2,2 pontos percentuais) e, entre os com 50 anos ou mais, foi de 2% para 2,9% (alta de 0,9 ponto percentual). Na média, a taxa passou de 4,8% para 6,9% (diferença de 2,1 pontos percentuais).

Uma possível explicação para o aumento do desemprego entre os mais jovens é a queda da renda, que pressiona os jovens a procurar vagas para ajudar no orçamento doméstico.— Vemos uma maior necessidade da população jovem ingressar no mercado de trabalho, seja porque o rendimento familiar precisa de ajuda ou o processo de qualificação foi concluído e ele parte para o mercado de trabalho. O que temos de concreto é que observamos pessoas de 18 a 24 anos pressionando muito mais o mercado de trabalho do que há um ano atrás — destaca Adriana Beringuy, técnica do IBGE responsável pela pesquisa.

De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a taxa de 6,9% registrada no mês passado foi a maior para junho desde 2010. O IBGE informou ainda que o rendimento médio real do trabalhador caiu 2,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 2.149.

Desemprego em junho bate recorde nos últimos 5 anos e fica em 6,9%

Em junho de 2014, a taxa havia sido de 4,8%. O resultado é o pior para o mês desde 2010, quando ficou em 7%.

Forte alta da taxa de desemprego em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, está relacionada ao aumento da chamada população desocupada

Fonte: O Globo

Desemprego fica em 6,9% em junho, recorde nos últimos 5 anos

Em busca de oportunidades, candidatas preenchem formulário. Divulgação

Desemprego fica em 6,9% em junho, maior taxa para o mês desde 2010

Taxa de desocupação é a maior do ano. Rendimento real ficou em R$ 2.149. Dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE

A taxa de desemprego ficou em 6,9% em junho, informou o IBGE nesta quinta-feira. O dado faz parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que engloba seis regiões metropolitanas do país (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre). Em junho de 2014, a taxa havia sido de 4,8%. O resultado é o pior para o mês desde 2010, quando ficou em 7%.

Em maio, o desemprego havia ficado em 6,7%. A variação de um mês para o outro, de alta de apenas 0,2 ponto percentual, é considerada estabilidade estatística pelo IBGE.

A forte alta da taxa de desemprego em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, está relacionada ao aumento da chamada população desocupada — ou seja, aqueles que estão em busca de trabalho, porém não encontram. No mês passado, esse grupo somava 1,7 milhão de pessoas nas seis regiões acompanhadas pela pesquisa, o que representa uma alta de 44,9% (522 mil pessoas) em relação a junho de 2014.

Já a população ocupada encolheu, no mesmo período, 1,3% (equivalente a 298 mil pessoas), passando a somar 22,8 milhões de trabalhadores.Na comparação com maio, tanto a população ocupada como a desocupada ficaram estáveis, segundo o IBGE. O instituto informou ainda que a população não economicamente ativa — pessoas que não estão à procura de emprego e, dessa forma, não pressionam o mercado de trabalho — ficou em 19,3 milhões, estável tanto em relação a maio como a junho de 2014.

Já o rendimento real (já descontando a inflação) ficou em R$ 2.149 em junho. O valor é 0,8% maior em relação ao registrado em maio, porém 2,9% menor que o de junho de 2014.

Depois de ter fechado 2014 em 4,3% — menor patamar da série histórica —, a taxa de desocupação medida pela PME tem subido constantemente neste ano. O aumento reflete a piora no mercado de trabalho, impactado pelo ambiente recessivo na economia.

Na semana passada, o Ministério do Trabalho informou que o país fechou 111.199 postos de trabalho em junho, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foi o pior saldo líquido (admissões menos demissões) para o mês desde 1992. Diferentemente da PME, que considera emprego informal em seus cálculos, o Caged registra apenas as vagas com carteira assinada.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, levantamento mais abrangente do IBGE, que contém informações de todas os estados brasileiros e do Distrito Federal, também têm mostrado deterioração no mercado de trabalho. Segundo os números mais recentes, de maio, a taxa de desemprego nacional chegou a 8,1%, a maior desde 2012.

Recessão: crise no Brasil é mais grave do que se previa

É a pior recessão que o país atravessa em mais de duas décadas, sem que se consiga enxergar qualquer lume no fim do túnel.

Prévia divulgada pelo Banco Central na semana passada, cobrindo o período até maio, mostra que a situação do país é bem ruim.

Fonte: ITV 

Brasil em recessão: crise é mais grave do que se previa

Artigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Sinais da crise

A penúria econômica tem se revelado mais grave que o previsto e anuncia-se mais extensa do que se temia. O Brasil será sócio de um seleto clube de 16 países com recessão este ano

É mais que sabido que as perspectivas para a economia brasileira para este ano não são nada boas. Mas a crise tem se revelado mais grave do que se previa e anuncia-se agora mais extensa do que se temia. É a pior recessão que o país atravessa em mais de duas décadas, sem que se consiga enxergar qualquer lume no fim do túnel.

Assim como o primeiro, o segundo trimestre foi perdido em termos de atividade econômica. Ainda não se conhecem os dados oficiais do IBGE, que só virão a público em fins de agosto, mas a prévia divulgada pelo Banco Central na semana passada, cobrindo o período até maio, mostra que a situação do país é bem ruim.

Nos cinco primeiros meses do ano, o PIB brasileiro ficou 2,6% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, a queda é de 1,7%. De janeiro a maio, houve três quedas mensais e duas altas – a última em maio, de irrisório 0,03%.

Na decomposição do paradeiro, constata-se que todos os setores estão andando para trás, algo que há muito tempo não ocorria no país. A indústria – também não é novidade – derrete, com baixa de quase 9% na produção registrada no ano; há 44 meses, o emprego no setor cai. As vendas do varejo diminuem 2%, indicando a penúria da crise no bolso dos consumidores. E os investimentos, tanto públicos, quanto privados, minguam.

Com isso, a aposta predominante é de que a economia brasileira recue até 2% neste ano. O resultado fará com que o Brasil seja um dos poucos países do mundo a registrar recessão, de acordo com levantamento feito pelo FMI. Trata-se de seleto clube do qual ninguém gostaria de ser sócio.

Ele é composto por: Guiné Equatorial (-15,4%), Serra Leoa (-12,8%), Venezuela (-7%), Ucrânia (-5,5%), Vanuatu (-4%), Rússia (-3,4%), Belarus (-2,3%), Iêmen (-2,2%), Brasil (-1,5%), Libéria (-1,4%), Moldávia (-1%), Armênia (-1%), Brunei (-0,5%), Sérvia (-0,5%), Argentina (-0,3%) e Guiné (-0,3%).

Diante do tamanho do estrago deste ano, um grupo de bancos e consultorias ouvidos por O Estado de S. Paulo na semana passada passou a projetar recessão também no ano que vem, com queda de até 0,6% no PIB.

Na prática, o país se ressente das escolhas equivocadas dos governos petistas, iniciadas por Lula e aprofundadas com Dilma. A correção de rumos em marcha não se mostra capaz de modificar as perspectivas para melhor, uma vez que se baseia num arrocho fiscal rudimentar, calcado no corte de benefícios sociais, diminuição de investimentos públicos e aumento de impostos.

A economia brasileira clama por reformas que oxigenem o ambiente de negócios no país, ampliem a participação do investimento privado nas necessárias obras de infraestrutura e reatem as empresas sediadas aqui às cadeias de produção de caráter global. Trata-se de uma agenda que, sem sombra de dúvida, os governos do PT não têm atributos para cumprir.

Desemprego no Brasil está nas alturas

Taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país foi de 6,7% em maio, o quinto aumento consecutivo, informou o IBGE.

Trata-se da maior taxa desde julho de 2010 (6,9%), retornando, portanto, ao período anterior ao do primeiro governo Dilma Rousseff (2011 a 2014).

Fonte:  Folha de S.Paulo 
Brasil tem o maior desemprego dos últimos cinco anos

Fila por vaga em indústria de Sorocaba (SP). Foto: Luiz Setti / “Jornal Cruzeiro do Sul”.

Regiões metropolitanas têm em maio desemprego mais alto desde 2010

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país foi de 6,7% em maio, o quinto aumento consecutivo, informou o IBGE nesta quinta-feira (25).

Trata-se da maior taxa desde julho de 2010 (6,9%), retornando, portanto, ao período anterior ao do primeiro governo Dilma Rousseff (2011 a 2014).

Considerando meses de maio, é a maior taxa desde 2010 (7,5%).

A taxa de desemprego registrada em maio deste ano supera, portanto, a do mesmo mês do ano passado (4,9%) e a registrada em abril deste ano (6,4%).

Para o IBGE, contudo, a taxa ficou “estatisticamente estável” em relação a abril deste ano.

Até então, a maior taxa de desemprego do governo Dilma tinha sido registrada no início de seu primeiro mandato, em março de 2011 (6,5%).

Mais de uma vez, a presidente Dilma se referiu ao baixo desemprego recorde no Brasil como uma prova do sucesso de suas políticas econômicas.

Durante campanha eleitoral no Rio, em 20 de outubro do ano passado, a presidente disse que as eleições colocavam de lados apostos “os que defendem os empregos” e “os que desempregaram”.

O resultado foi ligeiramente acima do esperado por economistas consultados pela agência Bloomberg, que projetavam em média uma taxa de 6,6% para o mês.

O mercado de trabalho foi um dos últimos a ceder na atual crise.

A taxa de desemprego tem sido pressionada neste ano pelo menor número de pessoas empregadas e o aumento da procura por emprego.

A menor procura por vagas foi um dos responsáveis por manter a taxa de desemprego baixa em 2014. O IBGE só considera desempregado quem efetivamente procura emprego.

O quadro de piora de maio havia sido antecipado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que registrou o fechamento de 115 mil vagas formais, pior resultado para o mês desde 1992.

DESOCUPAÇÃO

A população desocupada (desempregada) foi de 1,6 milhão de pessoas em maio, estável em relação a abril e 38,5% maior do que maio de 2014.

Já a população ocupada (empregada) foi de 22,8 milhões, estável em ambas as comparações, segundo informou o IBGE nesta quinta-feira.

Já o rendimento real habitual dos trabalhadores foi de R$ 2.117,10 caiu 1,9% em relação a abril (R$ 2.158,74) e 5% frente a maio de 2014 (R$ 2.229,28).

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deixará de ser divulgada e será substituída no ano que vem pela Pnad Contínua, de abrangência nacional.

Escolhas erradas do PT faz Brasil caminhar para recessão

A economia deu o primeiro passo de uma recessão que deve ser a mais profunda dos últimos 25 anos.

No primeiro trimestre, a economia brasileira encolheu 0,2% na comparação com o trimestre anterior.

Fonte: ITV 

Escolhas erradas do PT faz Brasil caminhar para recessão

A Caminho da Recessão

Com o PT, o Brasil ficou definitivamente para trás. As escolhas equivocadas dos últimos anos levaram a economia à retração e estão agora custando caro aos brasileiros

Só há más notícias no PIB que o IBGE divulgou nesta manhã. A economia deu o primeiro passo de uma recessão que deve ser a mais profunda dos últimos 25 anos. Nos detalhes, a situação revela-se ainda mais grave.

No primeiro trimestre, a economia brasileira encolheu 0,2% na comparação com o trimestre anterior. Todos os setores e todos os componentes da atividade caíram, com as exceções da agropecuária e das exportações, estas ajudadas pelo câmbio mais favorável. De boa nova, foi só.

Caíram a produção de todos os demais setores, os investimentos e, agora, também o consumo, por culpa da “evolução negativa dos indicadores de inflação, crédito, emprego e renda ao longo dos três primeiros meses do ano”, aponta o IBGE.

O último motor que ainda dava algum alento à economia brasileira parou. Depois de 45 trimestres, ou seja, quase 12 anos, o consumo das famílias teve sua primeira queda: 0,9% quando comparado a igual período do ano anterior.

Entre os destaques mais negativos, estão, ainda, a indústria da transformação, com queda de 7% sobre o primeiro trimestre do ano passado, e os investimentos, com baixa de 7,8% na mesma base de comparação. Em ambos os casos, é a quarta retração trimestral seguida.

No Brasil do PT, pouco se produz, quase nada se investe e não sobra para poupar. Tanto a taxa de investimento quanto a de poupança mantiveram-se baixas neste trimestre: 19,7% e 16% do PIB, respectivamente, ambas menores que as de um ano atrás.

Entre os países que já divulgaram o resultado do PIB do primeiro trimestre do ano, apenas cinco saíram-se pior que o Brasil: Nigéria, EUA, Lituânia, Sérvia e Estônia. Segundo as previsões do FMI, só nove países devem ter recessão mais severa que a brasileira neste ano – quase todos envolvidos em conflitos e/ou desestruturação interna.

O governo Dilma já trabalha oficialmente com uma recessão de 1,2% neste ano. Os sinais da crise estão evidentes por toda parte: não há confiança das empresas para investir; não há segurança dos consumidores para consumir; as fábricas estão diminuindo o ritmo e a fila do desemprego só aumenta. Ao paradeiro junta-se ainflação que não cede.

Não se enxerga luz no fim deste túnel. As medidas fiscais que o governo do PT ora implementa tendem a agravar ainda mais o quadro, arrochar ainda mais a economia e dificultar mais ainda a vida dos brasileiros. O que já não está bom vai piorar.

A verdade é que, com o PT, o Brasil ficou definitivamente para trás. Não há reformas com capacidade de modernizar a economia e atá-la ao bonde do crescimento externo. As escolhas equivocadas do governo petista nos últimos anos estão agora custando caro aos brasileiros. Por quanto tempo mais, ninguém sabe.

Aécio Neves: Dilma coloca ajuste na conta dos trabalhadores

Dilma chama trabalhadores para pagar do seu bolso 89% do custo do ajuste fiscal, sem ter fechado um único ministério ou cortado um único cargo de confiança.

Não houve o que comemorar no Dia do Trabalho. O governo estragou a festa.

Fonte: Folha de S.Paulo 

Dilma chama trabalhadores para pagar conta de ajuste, artigo Aécio Neves

Aécio: O baixo crescimento tem efeitos perversos para a vida dos trabalhadores. Divulgação

O Dia do Trabalho

Artigo AÉCIO NEVES

Quando se critica a má gestão do governo do PT e, em especial, os erros sucessivos da política econômica dos últimos anos, muitos acham que a oposição é pessimista e gosta de mostrar só o que não funciona. Mas é justamente o contrário.

Temos tudo para ser um grande país se o governo não atrapalhar tanto, com os seus sucessivos erros, o crescimento econômico e o avanço social dos brasileiros.

Ao contrário de vários países emergentes, no Brasil há uma Justiça e órgãos de controle independentes, que estão lutando contra o aparelhamento político das estatais, patrocinado pelo governo do PT; temos uma indústria diversificada e um setor agropecuário que é um dos mais competitivos do mundo e um amplo sistema de proteção social estabelecido pela Constituição em 1988.

O natural seria estarmos crescendo entre 4% e 5% ao ano, em vez de termos uma estagnação (crescimento econômico igual a “zero”) no triênio 2014, 2015 e 2016, segundo projeções do mercado. Isso é ainda agravado pelo fato de, nesses mesmos três anos, a inflação média esperada ser de 6,7% ao ano, uma anomalia para um país que não cresce.

O baixo crescimento tem efeitos perversos para a vida dos trabalhadores. Na última semana, o IBGE mostrou que a taxa de desemprego cresceu pela terceira vez consecutiva neste ano e a renda real dos trabalhadores já teve queda de 3% neste período.

Além disso, como a correção real do salário mínimo está ligada ao crescimento do PIB, a estagnação da economia aponta para um crescimento “zero” no valor real do salário mínimo nos próximos dois anos e um aumento médio, no segundo governo Dilma, inferior a 1% ao ano!

O governo, depois de negar sistematicamente nas eleições a necessidade de qualquer ajuste fiscal, propõe agora um ajuste rudimentar cuja parte mais visível foi um corte real de 50% no investimentos dos ministérios da Saúde e da Educação, no primeiro trimestre do ano, redução dos direitos do trabalhadores e propostas de aumentos de vários impostose da conta de luz, que somam R$ 52 bilhões de uma meta de R$ 58 bilhões de superavit primário do governo federal.

A presidente Dilma está chamando os trabalhadores para pagar do seu bolso 89% do custo do ajuste fiscal, sem ter fechado um único ministério ou cortado um único cargo de confiança. Não houve o que comemorar no Dia do Trabalho. O governo estragou a festa.

O presidente dos Correios escreveu artigo em resposta ao texto por mim publicado nesse espaço. Tendo em vista os erros e deliberadas imprecisões e omissões contidas no texto dele, convido a quem se interessar pelo tema a acessar psdb.org.br/acao-irregular-correios para mais informações.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Mais de 7 milhões de pessoas ainda passam no Brasil

Cerca de um quinto dos domicílios brasileiros (22,6%) tiveram algum tipo de restrição ou ao menos preocupação sobre ter alimento na mesa.

Dados fazem parte do Suplemento de Segurança Alimentar, elaborado pelo IBGE

Fonte: O Globo 

Sete milhões ainda passam fome no Brasil

A miséria parou de cair no país. Após uma década de queda sistemática da pobreza extrema, ela subiu de 3,6% para 4%. Divulgação

Mais de 7 milhões de pessoas ainda passam fome no país

Cerca de um quinto dos lares brasileiros tem alguma limitação a alimentos, segundo o IBGE

Cerca de um quinto dos domicílios brasileiros (22,6%) tiveram algum tipo de restrição ou ao menos preocupação sobre ter alimento na mesa. Desses, 3,2% dos lares ou 7,2 milhões de pessoas tiveram fome, comprometendo a qualidade e a quantidade de alimentos dados inclusive a crianças em formação. Os dados fazem parte do Suplemento de Segurança Alimentar, elaborado pelo IBGE com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013) em 65,3 milhões de domicílios. Os entrevistadores perguntaram em lares do país qual a percepção delas em relação aos alimentos, se houve alguma restrição ou carência nos últimos 90 dias.

Uma comparação com os últimos dez anos mostra avanço no país nos indicadores. Em 2004, a fatia de domicílios que se declaravam confortáveis em relação aos alimentos era de 65,1%. Dez anos depois, em 2013, esse percentual subiu para 77,4%. Já os casos de insegurança, medida em três níveis (leve, moderada ou grave) desde a preocupação com a falta de alimentos no futuro até a efetiva restrição, recuaram de 18%, em 2003, para 14,8%, em 2013. A chamada insegurança moderada, quando existe redução de alimentos para adultos, passou de 9,9% para 4,6%. O de insegurança grave, quando atinge crianças, recuou de 6,9% para 3,2%.

Neste ano, o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou que o percentual de pessoas com insegurança alimentar aguda chegou a 1,7%, considerado erradicação, no entanto, a miséria parou de cair no país. Após uma década de queda sistemática da pobreza extrema, ela subiu de 3,6% para 4%.

— Esse estudo (FAO) usa uma escala parecida com a Ebia, para um dos aspectos. A FAO faz essa pesquisa de segurança alimentar de uma maneira mais ampla, usam dados de produção de alimentos, dados antropométricos — explicou July Ponte, técnica do IBGE responsável pela pesquisa de segurança alimentar.

O IBGE utilizou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) para identificar e classificar os domicílios de acordo com o grau de segurança alimentar, ou seja, se existe uma situação de conforto ou de medo e risco de ficar sem comer. A escala prevê quatro categorias. A segurança alimentar se aplica a domicílios que têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. Já a insegurança alimentar pode ser leve, moderada e grave.

Ela é leve quando em um lar há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro e a qualidade é considerada inadequada em casos de pessoas que não querem comprometer quantidade. No caso da insegurança alimentar moderada, ela está presente quando se verifica a redução quantitativa de alimentos entre adultos. Já a insegurança alimentar grave é constatada com a redução quantitativa de alimentos entre crianças e a fome (quando alguém fica o dia inteiro sem comer por falta de dinheiro).

FOME NO CAMPO ERA MAIOR

Segundo o IBGE, a fome ainda era maior no campo, com 13,9% dos domicílios em situação grave ou moderada. Houve aumento de domicílios na condição de insegurança grave de 19,5% para 21,4%, enquanto na área urbana, a proporção de domicílios com insegurança grave passou de 4,6% para 2,8%, e a moderada seguiu no mesmo sentido recuando de 6,1% para 3,9%.

O Norte e o Nordeste tinham os piores indicadores de insegurança alimentar, com indicadores bem abaixo da média do país. O Nordeste experimentou o maior avanço, mas ainda detinha os piores indicadores. Em 2004, a região tinha menos da metade dos domicílios (46,4%) com segurança alimentar, esse percentual ficou em 61,9%. No Maranhão, 60,9% dos domicílios tinham algum tipo de insegurança alimentar, ou seja, não tinham certeza de que iriam conseguir se alimentar de forma adequada, enquanto a média do Nordeste era de 38,1% de insegurança e 61,6% de segurança. Em situação grave, eram 9,8% dos domicílios. No Piauí, 55,6% dos lares tinham algum tipo de insegurança. No Amazonas, 42,9% tinham algum tipo de insegurança. Na região Norte, apenas Rondônia tinha indicador de segurança alimentar acima da média nacional.

No Sudeste, 85,5% dos domicílios estavam na situação de segurança, sendo que o maior percentual em todo o país estava no Espírito Santo. São Paulo detinha o menor percentual de domicílios com restrição grave: 1,7%. No Rio, eram 82,2% dos lares estavam na condição de segurança alimentar. O Centro-Oeste passou de 68,8% dos domicílios em situação de segurança alimentar para 81,8%.

IDHM sobe, mas ainda há uma discrepância em cidades

Ainda há uma discrepância muito grande nos dados de desenvolvimento humano dentro de uma mesma cidade e entre capitais e municípios do entorno.

ONU recomendou que o governo desenvolva ações voltadas às áreas mais necessitadas.

Fonte: Valor Econômico

Desigualdade entre regiões metropolitanas cai

Embora as desigualdades entre as principais regiões metropolitanas do país tenham caído entre 2000 e 2010, ainda há uma discrepância muito grande nos dados de desenvolvimento humano dentro de uma mesma cidade e também entre capitais e municípios do entorno. Diante da constatação em relatório divulgado ontem, a Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou que o governo desenvolva ações voltadas às áreas mais necessitadas.

Foi feito um levantamento detalhado de 16 regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo, Vitória), onde mora mais de um terço da população brasileira, dividindo ainda cada uma em áreas com características semelhantes, como se fossem “bairros”.

IDHM sobe, mas preocupa desigualdade entre regiões metropolitanas

Em 2000, quase 40% dessas partes das regiões metropolitanas tinham baixo ou muito baixo desenvolvimento humano. A situação melhorou em 2010, quando nenhuma dessas áreas tinha dados considerados de desenvolvimento humano muito baixo e apenas 2% desses “bairros” estavam dentro do patamar considerado baixo.

Composto por três variáveis (expectativa de vida, educação e renda), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) das regiões metropolitanas varia de zero a um. Quanto mais alto o número, maior o desenvolvimento. Os números foram calculados com base nos Censos Demográficos de 2000 e de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em média, comparando os maiores índices entre as regiões metropolitanas com os piores resultados, a disparidade era de 22,1% em 2000. Dez anos depois, essa discrepância caiu para 10,3%. De acordo com a pesquisa, os resultados das cidades do interior das regiões cresceram mais no período que os das capitais.

“Ainda assim, é possível encontrar casos extremos em uma mesma região metropolitana”, ressaltou o relatório. Por exemplo, em uma determinada área de Manaus, a renda da população é 47 vezes maior que a parte mais carente dessa região metropolitana. E, entre os quase 9 mil “bairros” pesquisados, foi apontada uma diferença de 15 anos em termos de expectativa de vida ao nascer.

“Os dados intramunicipais são aliados desse planejamento e podem contribuir para a identificação das áreas em que as políticas públicas inclusivas podem encontrar amplo campo para sua implementação”, concluiu o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que realizou o levantamento junto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro (FJP).

Diante dos resultados, “recomendamos uma continuidade [da redução das desigualdades] e, ao mesmo tempo, um esforço de microfocalização naquelas áreas e naquelas populações que ainda precisam do apoio das políticas públicas e também do emprego e de outras atividades econômicas produtivas”, afirmou o coordenador do sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek. “Esse esforço de promover uma maior equidade dentro das regiões metropolitanas é necessário”, completou.

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Marcelo Neri, que participou do evento de lançamento do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, disse que, “apesar da desaceleração macroeconômica, os dados sociais até agora continuam muito fortes”. O relatório, segundo ele, apontou uma transformação profunda, pois a educação, o saneamento, a moradia, por exemplo, melhoraram e isso levou a um aumento de renda e expectativa de vida.

Com base nos números de 2010, as regiões metropolitanas de São Paulo, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Vitória apresentam as melhores taxas de desenvolvimento humano do país. Os piores resultados são de Manaus, Belém, Fortaleza, Natal e Recife.

Fraqueza da economia já afeta emprego

Dados do Caged mostram que houve eliminação de 30,3 mil vagas em outubro. Desde 1999 não haviam um resultado tão ruim em outubro.

Brasil sem Rumo

Fonte: Valor Econômico

Economia: fraco desempenho já afeta emprego

Indústria automobilística está entre as mais afetadas pela condução da economia de Dilma. Divulgação

Mercado de trabalho passa a refletir fraqueza da economia

Demorou, mas a desaceleração do nível de atividade atingiu o mercado de trabalho formal. Desde o fim do primeiro semestre, quando se constatou que a economia entrou em recessão técnica, receava-se que o emprego fosse afetado. Mas a extraordinária resistência do setor de serviços e o fenômeno da menor procura por trabalho, especialmente entre os mais jovens, afastaram um sinal conclusivo até agora.

O primeiro indicador indiscutivelmente preocupante acaba de sair dos relatórios do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que mostraram a eliminação de 30,3 mil vagas em outubro. Desde 1999 não haviam um resultado tão ruim em outubro, mês geralmente ativo por causa das encomendas de fim de ano.

Chamou a atenção o enfraquecimento da área de serviços, que criou apenas 2,4 mil vagas. O comércio mostrou fôlego, com saldo de 32,8 mil contratações. Já nos outros setores o resultado continuou ruim, especialmente a construção civil, que cortou 33,6 mil vagas; a agricultura, 19,6 mil, e a indústria, 11,8 mil. No balanço de janeiro a outubro, os serviços ganham evidência, com 492,3 mil novos empregos, que garantem o total de 699,8 mil vagas criadas em todo o mercado -resultado 38,2% inferior ao de igual período de 2013.

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de outubro, a ser divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode não retratar quadro semelhante por causa das diferenças metodológicas. A taxa de desocupação da PME vem até caindo, apesar do enfraquecimento da economia. De agosto para setembro, o desemprego recuou de 5% para 4,9% na PME, influenciado em boa parte pelo recuo da população economicamente ativa (PEA) de quase 1%, maior do que a redução observada na população ocupada, de 0,39%, na comparação com igual mês de 2013, na série sem ajuste sazonal. Os dados ajustados por fatores sazonais mostram a mesma relação. A população economicamente ativa vem dimimuindo por motivos variados como a opção dos jovens por prolongar os estudos e o suporte dos programas sociais.

Além disso, vem crescendo o trabalho autônomo, que é levado em consideração pela PME. Reportagem publicada ontem pelo Valor constata que a quantidade de trabalhadores por conta própria cresceu 4,2% de janeiro a setembro em relação a igual período de 2013 nas seis regiões metropolitanas consideradas na pesquisa, o que significa o aumento de 1,5 milhão de pessoas a mais trabalhando sozinhas ou com sócio, sem empregado.

No entanto, é apenas questão de tempo para que a realidade constatada pelo Caged repercuta na PME, especialmente com o impacto na renda real. O que o Ministério do Trabalho já verificou é que tanto os salários de demissão quanto os de admissão seguem crescendo muito próximos da inflação, na base de comparação anual, mostrando tendência de redução dos ganhos reais. Além disso, os novos contratados estão recebendo menos do que os demitidos, um indicador de que a oferta de mão de obra começa a superar a demanda.

O resultado da pesquisa do Caged de outubro pegou de surpresa não só o mercado financeiro como o próprio governo. O ministro do Trabalho, Manoel Dias, atribuiu a redução das vagas às eleições e à crise hídrica em São Paulo, esquecendo de mencionar a elevação dos juros.

No início do ano, Dias revelou a expectativa de criação de 1,4 milhão de novas vagas neste ano, superando o resultado de 2013 de 1,1 milhão, na série com ajuste, isto é, incluindo as informações fornecidas pelas empresas após o prazo legal. Pouco depois, a previsão foi reduzida para 1 milhão. Agora, o ministro já espera um número menor, provavelmente ao redor de 700 mil, sem ajuste, pouco abaixo dos 730,7 mil de 2013 pelo mesmo critério. Apesar de ser metade do projetado inicialmente, o número pode ser considerado até otimista levando-se em conta que dezembro costuma ser marcado por amplas demissões de pessoal temporário contratado pelo comércio. No mercado financeiro, as previsões de criação de vagas sem ajuste são ainda menores.

Um efeito perverso do enfraquecimento dos resultados do Caged foi seu impacto na redução da expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto no quarto trimestre, ressaltando que as duas áreas se retroalimentam e que não há como manter um mercado de trabalho vibrante quando a economia vai mal, como parecia possível no discurso da campanha eleitoral.

%d blogueiros gostam disto: