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Petrolão: esquema de corrupção teria influenciado eleições desde 2006

Revelação é do advogado que defende Youssef. Agentes públicos e políticos foram os grandes beneficiários do esquema de corrupção.

Esquema alterou os resultados das eleições de 2006, 2010 e possivelmente de 2014. Houve desequilíbrio no pleito”, disse Basto.

Fonte: Valor Econômico 

Esquema da Petrobras teria influenciado eleições desde 2006

Advogado de Youssef ressalta que o rumo da Operação Lava-Jato indica que o dinheiro desviado da Petrobras irrigou campanhas políticas e, portanto, teria influenciado no resultado das eleições majoritárias. Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Esquema da Petrobras teria influenciado eleições desde 2006

O esquema de corrupção que desviou dinheiro da Petrobras nos últimos dez anos influenciou o resultado das eleições de 2006, de 2010 e possivelmente de 2014, disse ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef, um dos 11 delatores da Operação Lava-Jato.

Basto diz que os agentes públicos e políticos foram os grandes beneficiários do esquema de corrupção, “feito para que o grupo que estava no poder se perpetuasse”. Ele ressalta que o rumo da Operação Lava-Jato indica que o dinheiro desviado da Petrobras irrigou campanhas políticas e, portanto, teria influenciado no resultado das eleições majoritárias desde 2006.

A campanha do ano passado pode ter sido menos influenciada, na visão do advogado, porque a operação estourou em março de 2014, e isso pode ter diminuído o fluxo de recursos ilícitos para os caixas das campanhas.

“A participação dos políticos e dos agentes públicos foi fundamental no esquema. Não dá para desviar o foco para empreiteiras e operadores. O esquema foi comandado por agentes políticos para a manutenção de grupos e partidos no poder. O esquema alterou os resultados das eleições de 2006, 2010 e possivelmente de 2014. Houve desequilíbrio no pleito”, disse Basto.

Outro delator, o executivo Augusto Mendonça Neto, da Setal, disse em depoimento que pagou propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque por meio de doação de campanha ao PT. Ele disse ter doado R$ 4 milhões entre 2008 e 2011 ao PT a pedido de Duque como pagamento de propina para a realização de obras na Refinaria do Paraná (Repar).

Em fevereiro Figueiredo Basto deve pedir prisão domiciliar para Alberto Youssef. Depois, ao fim do processo, vai tentar o perdão judicial para seu cliente, porque ele teria prestado colaboração “eficaz” e importante para a sociedade.

A delação premiada de Youssef já foi homologada pelo ministro do STF Teori Zavascki, e os termos do acordo vieram a público na noite de ontem. A pena mínima que Youssef deve pegar é de três anos, e a máxima, de cinco. Segundo Basto, o resultado do acordo foi “excelente”.

Como Youssef já havia feito um acordo de delação premiada em dezembro de 2004 e voltou a cometer crimes, conforme disse o advogado, “a situação dele é peculiar”. Os depoimentos de Youssef serão essenciais para combater as “organizações” que teriam irrigado o esquema, disse o advogado.

O advogado não quis falar sobre a quantidade de nomes ou partidos políticos citados por Youssef em suas mais de cem horas de depoimento à PF, mas o doleiro teria citado mais de 50 pessoas envolvidas no esquema, entre políticos, agentes públicos, operadores e executivos. “A credibilidade do meu cliente é atestada pelo procurador-geral da República e o acordo foi homologado [Rodrigo Janot] e pela mais alta Corte do país [STF]”, disse Basto.

Figueiredo Basto disse que a tensão em Brasília em razão dos nomes citados pelo doleiro é “normal”, uma vez que “a participação dos políticos foi fundamental para que o esquema se perpetuasse”.

O advogado não quis comentar se a família de Youssef estaria tendo algum esquema de proteção especial por causa da dos nomes citados pelo doleiro. Disse que o tema é sigiloso e que Polícia Federal e Ministério Público Federal já tomaram providências.

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Petrolão: dono da UTC diz que dinheiro foi para campanha de Dilma

Lava-Jato: Ricardo Pessoa liga os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras ao caixa de campanha eleitoral de Dilma.

Delito poderá ser comprovado com a relação direta entre a contribuição eleitoral e contratos públicos.

Documento escrito pelo empreiteiro na prisão contém queixas contra os antigos parceiros de negócios e ameaças veladas a políticos.

Fonte: Veja 

Dono da UTC: dinheiro do Petrolão foi para campanha de Dilma

Ao mencionar as doações de campanha, Pessoa escreveu que “as empreiteiras juntas doaram para a campanha de Dilma milhões”. Foto: André Coelho / O Globo

Dono da UTC liga caixa de campanha de Dilma ao petrolão

Manuscrito do empreiteiro Ricardo Pessoa obtido por VEJA diz que o esquema de corrupção instalado na Petrobras era na essência político, e não o mero resultado do conluio de alguns empresários e diretores venais da estatal. Ele também diz que o tesoureiro do comitê de reeleição da presidente está “preocupadíssimo”

Um bom resumo do que vai pela cabeça dos empreiteiros presos pela Operação Lava-Jato está em um manuscrito de seis folhas de caderno obtido por VEJA. Ele foi escrito pelo engenheiro baiano Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. VEJA confirmou a autoria do documento por meio de um exame grafotécnico feito pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp. É a primeira manifestação de um integrante do clube do bilhão desde a prisão. O documento contém queixas contra os antigos parceiros de negócios e ameaças veladas a políticos. Em um dos trechos, o empreiteiro liga os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras ao caixa de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

Nas entrelinhas do manuscrito fica evidente o desconforto dos empreiteiros de estarem sendo, pelo menos até agora, os bodes expiatórios da complexa rede de corrupção armada na Petrobras. Eles têm razão. Nas denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal e aceitas pelo juiz Sergio Moro, o esquema de corrupção na Petrobras parece ser apenas o conluio de empreiteiros gananciosos com meia dúzia de diretores venais da Petrobras. Nada mais longe da verdade. Como Paulo Roberto Costa revelou com toda a clareza, tratava-se de um esquema de desvio de dinheiro para partidos e campanhas políticas organizado pelo partido no poder, o PT. Entende-se, portanto, a insistência de Ricardo Pessoa em lembrar que em sua concepção e funcionamento o esquema na Petrobras era político. As empreiteiras entraram como a solução para o problema de como entregar o dinheiro aos parlamentares e candidatos da base aliada do governo do PT.

Pessoa cita nominalmente o tesoureiro do comitê de Dilma Rousseff, o deputado petista Edinho Silva (SP): “Edinho Silva está preocupadíssimo. Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma”. Arremata com outra pergunta desafiadora, referindo-se ainda ao caixa do comitê eleitoral da presidente: “Será se (sic) falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”. O empreiteiro faz chiste com o que já foi descoberto até agora e afirma que o volume de dinheiro desviado na diretoria de Paulo Roberto Costa é “fichinha” perto de outros negócios da Petrobras que também teriam servido à coleta de propina.

Lava Jato preocupa campanha de Dilma, afirma empreiteiro preso pela PF

Revista Veja divulga anotações do presidente da UTC, que cita outras operações da Petrobrás e doação eleitoral à candidata a reeleição

Fonte: O Estado de S.Paulo 

Preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde 14 de novembro, o presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em anotações à mão que as irregularidades na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás – da qual foi titular o ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator do esquema alvo da Operação Lava Jato – são “fichinha” se levadas em conta outras áreas da estatal. O executivo, apontado como coordenador do cartel que atuou em contratos da petrolífera, também escreveu sobre as doações das empresas à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

As anotações foram divulgadas pela revista Veja, que teve acesso a seis folhas de caderno manuscritas. A publicação confirmou que a caligrafia é de Pessoa por meio de um exame grafotécnico feito pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp. O Estado procurou o advogado do executivo, Alberto Toron, mas não obteve retorno, até esta edição ser concluída.

Ao mencionar as doações de campanha, Pessoa escreveu que “as empreiteiras juntas doaram para a campanha de Dilma milhões”. “Já pensou se há vinculações em algumas delas. O que dirá o nosso procurador-geral da República. STF a se pronunciar”, anotou o presidente da UTC.

Segundo a revista, o trecho era antecedido por outro texto no qual Pessoa escreve que, embora parlamentares considerem que doações oficiais de campanha não configuram crime, pode haver delito se for provada relação direta entre a contribuição eleitoral e contratos públicos.

Na delação premiada de Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, ele havia dito aos investigadores da Lava Jato que o ex-diretor de Serviços Renato Duque pediu doação ao PT como contrapartida aos contratos da empresa com a Petrobrás. Duque nega desvios.

Pessoa menciona também que o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, está “preocupadíssimo”. “Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso na Operação Lava Jato doaram para campanha de Dilma. Será se (sic) falarão sobre vinculações campanha x obras da Petrobrás?”

O tesoureiro petista disse que conheceu Pessoa no período eleitoral e que, nas três ocasiões em que estiveram juntos, discutiu doações oficiais. “Acredito que todos os tesoureiros de campanha tiveram contato com ele, porque a empresa era uma grande doadora”, afirmou Edinho.

‘Fichinha’. O presidente da UTC ainda afirma que a diretoria de Costa era “fichinha” se fossem somados outras operações sob suspeita. “O que foi apresentado sobre a área de Abastecimento da Petrobrás é muito pequeno quando se junta tudo a Pasadena, SBM, Angola, esquema argentino, Transpetro, Petroquímica e outras mais. Ah, e o contrato de meio ambiente na Petrobrás Internacional? Se somarmos tudo, Abastecimento é fichinha”, escreveu.

Aécio: hoje existe uma oposicão conectada com a realidade

Em entrevista concedida a Joice Hasselmann, Aécio ressaltou que em 2015 a oposição chega revigorada e com representação contundente.

Aécio líder da oposição

Fonte: Veja.com

Aécio diz que hoje existe uma oposicão conectada com a realidade

“Responsabilidade pela derrota em Minas é minha”, admite Aécio. Reprodução

‘Pela primeira vez temos uma oposição conectada com a realidade’, diz Aécio

O senador e presidente nacional do PSDB garantiu que em 2015 a “oposição chega revigorada e com representação contundente”. “Será a oposição que mostrou força durante a discussão da LDO.” Quanto as sabatinas no Senado, a bancada deve assumir um tom mais duro. Aécio admitiu ainda que houve uma espécie de acordo entre oposição e situação para chancelar o nome de Vital do Rêgo para o Tribunal de Contas da União. Ou seria Vital ou um petista.

Senador tucano articula acordo em Minas Gerais de olho em 2016 para não repetir erros de 2014 e sabe que vencer as eleições municipais em casa será o próximo desafio. Em entrevista a TVEJA, Aécio afirmou que cogitou indicar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo de ministro das relações exteriores, caso vencesse a disputa com Dilma Rousseff. Em uma conversa ‘Direto ao Ponto’, falou a Joice Hasselmann sobre os novos desdobramentos do escândalo do Petrolão, os desafios da oposição e os planos para 2018.

Veja a segunda parte da entrevista: http://veja.abril.com.br/multimidia/video/responsabilidade-pela-derrota-em-minas-e-minha-admite-aecio

Contas de Dilma: empresa de motorista recebeu R$ 25 milhões

Focal Confecção e Comunicação embolsou R$ 23,9 milhões por material gráfico e montagem de palanques. Capital social é de apenas R$ 30 mil.

Motorista tem salário de R$ 2 mil.

Fonte: O Globo

Contas de Dilma: empresa de motorista recebeu R$ 23,9 milhões

Sede da Focal, em São Bernardo do Campo. Foto: Fernando Donasci / O Globo

Empresa de motorista que recebeu R$ 25 milhões está entre os principais fornecedores do PT

Com capital de R$ 30 mil, Focal Confecção e Comunicação recebeu quantia vultosa das campanhas de Dilma e de outros petistas

Uma das empresas que mais recebeu dinheiro da campanha da presidente Dilma Rousseff tem como sócio um motorista com salário de R$ 2 mil. A Focal Confecção e Comunicação embolsou R$ 23,9 milhões pelo fornecimento de material gráfico e montagem de palanques, embora tenha capital social de apenas R$ 30 mil. A firma é de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e a despesa com ela só foi menor do que a registrada com o marqueteiro João Santana. Prestações de contas de eleições passadas mostram que a Focal é uma antiga fornecedora de campanhas petistas. Notas fiscais da empresa foram consideradas irregulares por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que examinaram as contas da campanha de Dilma.

A participação de Elias Silva de Mattos, que era motorista até o ano passado e recebia cerca de R$ 2 mil por mês, no quadro societário da empresa foi divulgada ontem pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Elias passou a fazer parte da firma em novembro de 2013 com uma participação de R$ 3 mil do valor total da empresa. A outra sócia é Carla Regina Cortegoso, com cota de R$ 27 mil.

Carla é filha do empresário Carlos Cortegoso, que apareceu nas investigações do mensalão em uma lista entregue pelo publicitário Marcos Valério à CPI do Correios, ao Ministério Público e à Polícia Federal como um dos recebedores de dinheiro (R$ 400 mil) do esquema. Na época, o operador do mensalão, um dos condenados que cumpre pena em regime fechado, disse que o repasse à Focal era para pagar pela venda de camisetas ao PT na campanha.

Nas últimas eleições, o PT tem sido o principal cliente da empresa. Neste ano, dos 23 candidatos que declararam despesas com a Focal, 21 são do partido — entre eles o candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha e a ex-ministra e candidata ao governo do Paraná Gleisi Hoffmann. Os outros dois são os deputados Arnaldo Faria de Sá (PTB) e José Luiz Penna (PV). A campanha de Dilma registrou gastos de R$ 23,9 milhões com a empresa; as demais, juntas, R$ 1,6 milhão.

CASA NOS FUNDOS

O GLOBO esteve na sede da Focal e no endereço residencial de Elias, ambos em São Bernardo do Campo. No entanto, ninguém foi encontrado para comentar o caso. Na empresa, onde funciona uma gráfica, duas pessoas em duas entradas diferentes disseram que Carlos, Carla e Elias não se encontravam. Um funcionário passou o número do telefone da administração. Em todas os contatos, a secretária informou que nenhum dos três estava, anotou recado, mas não houve retorno.

Elias mora em uma casa de fundos, em um bairro na periferia de São Bernardo. A moradora da residência da frente informou que o vizinho sai para trabalhar cedo e só volta à noite. Segundo ela, ele mora sozinho. Chama a atenção, no portão de entrada para os fundos, uma pequena câmera colocada na parte superior.

A reportagem também tentou contato por telefone com Carla, sem sucesso.

À “Folha”, Elias disse que não estava “preparado para falar” sobre a empresa e, num desabafo, afirmou que sabia que a Focal “ia virar um transtorno” para a sua vida.

Carlos Cortegoso foi o único a dar entrevista à “Folha”, apesar de não ser sócio oficial da empresa. Segundo ele, “todo mundo tem o direito de ascender na escala social mediante o trabalho e competência”.

O tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff, deputado estadual Edinho Silva (PT), confirmou a relação antiga entre a Focal e o PT e disse que a empresa recebeu pagamentos porque prestou serviços de montagem de palanques e de material gráfico para a reeleição da presidente.

— Essa empresa fornece serviços para o PT desde que o partido existe. O Carlão (Carlos Cortegoso) , dono da Focal, que é de São Bernardo do Campo, monta palanques e faz serviços gráficos não só para o PT, mas para outros partidos também — afirmou Edinho.

“Virou devassa contra o PT

Quanto à presença de um motorista entre os sócios da firma, o deputado defendeu que não cabe à equipe de campanha conhecer detalhes do quadro de sócios de um fornecedor antes de contratá-lo.

— Não quero mexer nisso. Um tesoureiro de campanha não tem como saber quem é o sócio de cada uma das centenas de empresas que prestam serviço. A Focal prestou serviços, apresentou notas das despesas e foi paga pelos valores apresentados. Para mim, isso é o suficiente. Não será por isso que o TSE rejeitará nossas contas — argumentou Edinho.

Para o tesoureiro da campanha de Dilma, não há ilegalidade nas contas.

— Virou devassa contra o PT — reclamou.

Popularização dá nova cara à Direita no Brasil

Direita cresceu na Câmara dos Deputados, eleição de 2014 consolidou mudança no perfil ideológico dos deputados com 222  eleitos.

Direita elitizada não é mais majoritária

Fonte: Valor Econômico

Direita se populariza embalada por pastores e pequenos partidos

Hoje há e é que a recuperação da direita tem como característica novos partidos e novas faces.

Hoje há e é que a recuperação da direita tem como característica novos partidos e novas faces.

Depois de um período em que a Câmara vinha registrando, desde a chegada do PT ao poder federal, o aumento de parlamentares ligados à esquerda, a eleição de 2014 consolidou uma inflexão na tendência do perfil ideológico dos deputados federais.

Na esteira da disputa presidencial, a direita cresceu no Parlamento, de acordo com estudo do cientista político Adriano Codato, que coordena o Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil, vinculado à UFPR.

Para Codato, um importante movimento em curso no país, e que se expressou nas urnas em outubro, é a popularização da direita. O trabalho do pesquisador já analisou o perfil geográfico e profissional de 7.261 deputados eleitos desde 1945 e mostra que a curva de parlamentares de direita vai se aproximando do último ápice dos conservadores no Congresso, em 1990, um ano depois da eleição de Fernando Collor de Mello.

Pela classificação de Codato, 222 candidatos de partidos de direita se elegeram em outubro, diante de 291 que pertencem a legendas consideradas de centro ou de esquerda. É o segundo aumento consecutivo desde 2006, quando a direita teve o pior desempenho em 18 eleições, divididas em três fases: democracia populista (1945-1962), ditadura militar (1966-1978) e democracia liberal (1982-2014).

O detalhe é que a recuperação da direita tem como característica novos partidos e novas faces, ressalta o cientista político. Em vez do arquétipo do “coronel”, do grande proprietário de terras do Nordeste, o deputado de direita hoje, tipicamente, é identificado na figura do pastor evangélico do Sudeste, e nos comunicadores de rádio e TV.

E, em vez de pertencerem a grandes legendas, emergem de pequenas siglas, cuja estratégia bem-sucedida tem pulverizado o sistema partidário. Exemplos marcantes são os campeões de voto Marco Feliciano (PSC-SP) e Celso Russomanno (PRB-SP), sínteses do novo perfil: pastor e apresentador de TV, de um Estado do Sudeste e filiados a partidos de pequeno porte – os dois que mais cresceram nas últimas eleições da Câmara.

Graças a representantes como esses, mais próximos do cidadão, a direita ganha popularidade. O deputado conservador de cunho elitista – o grande fazendeiro ou o empresário – ainda existe, mas tem perdido terreno, argumenta Codato. “A queda espetacular do DEM produziu isso. Essa direita elitizada não é mais majoritária. Há uma popularização da direita”, afirma o pesquisador.

Associada ao desgaste de 12 anos do governo de centro-esquerda do PT, a mudança no perfil da direita impulsiona um discurso antes recalcado ou dissimulado. O fenômeno da “direita envergonhada” – presente no Brasil nas últimas três décadas, desde o fim da ditadura militar – parece estar com os dias contados.

Entre os artistas, geralmente simpáticos à esquerda, pontua a militância do conhecido cantor pop João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão. Crítico da “doutrinação de esquerda” nas escolas, tornou-se figura fácil de manifestações antipetistas. Na última delas, na quarta-feira, esteve no Congresso, onde encontrou Feliciano e foi recebido por parlamentares do DEM, para protestar contra a votação do projeto que alterou a meta fiscal de 2014.

Pela primeira vez, reconhece Codato, um candidato a presidente da República – nanico, mas cujas declarações em debate tiveram ampla repercussão, como Levy Fidelix (PRTB) – se intitulou um representante da direita. Outro concorrente, o Pastor Everaldo (PSC), fez campanha a partir de um discurso conservador de manual: em defesa do Estado mínimo e dos valores da família cristã.

No rescaldo da polarização entre os maiores adversários, o PT e o PSDB, manifestantes saíram, e ainda têm saído, às ruas para pedir a volta da ditadura militar. “Vimos que existe a extrema direita assim como há a extrema esquerda do PSTU, embora, neste caso, ambos sejam minoritários. Se surgir um partido militar não terá número relevante de filiados”, diz o pesquisador.

Mesmo o PSDB, o antagonista do PT que costuma ser classificado pela maioria dos estudiosos como uma legenda de centro, também moveu-se para a direita, com a candidatura do senador mineiro Aécio Neves. “Houve mudança do discurso. A bandeira clássica da social-democracia está, cada vez mais, com o PT. Para se contrapor à esquerda, foi a primeira eleição em que o partido tentou recuperar o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e valores da economia de mercado. Isso não aparecia com [José] Serra, em 2002 e 2010, nem com [Geraldo] Alckmin, em 2006″, diz Codato.

Apesar disso, os tucanos continuam sendo considerados de centro. O estudo classifica como siglas de direita o DEM, PP, PR, PSC, PTB e o novato PSD, fundado em 2011 pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que camaleonicamente afirmou que a legenda não seria nem de direita, nem de centro, nem de esquerda, por ter um “programa a favor do Brasil”. “É de direita”, enquadra o cientista político.

O critério para definir o posicionamento ideológico dos partidos são trabalhos que utilizam diferentes metodologias, seja a autoclassificação – como as pesquisas com parlamentares do Congresso Nacional, aplicadas desde 1990 pelo cientista político Timothy Power, da Universidade de Oxford -, seja a análise da propaganda eleitoral ou dos programas partidários, como a realizada pelos pesquisadores Gabriela Tarouco (UFPE) e Rafael Madeira (PUCRS).

O comportamento legislativo – como votam os parlamentares no Congresso – tem menos peso, já que a lógica predominante e que contrapõe governo e oposição nem sempre permite uma distinção mais acurada da ideologia. Na ampla coalizão que vota com a administração liderada pelo PT, há partidos de direita, como o PP, e na oposição consta o PSOL, de esquerda.

Na República de 1946, cita o professor, legendas como o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Social Progressista (PSP), fundado por Ademar de Barros, costumavam votar a favor de pautas progressistas, como a legislação trabalhista de Getulio Vargas, embora fossem de direita.

No atual sistema partidário, siglas com programas vagos e ideologia pouco clara são classificadas como fisiológicas. É o caso de PEN, PHS, Pros, PTdoB, e PTN. Junto com as pequenas siglas consideradas de direita – PRB, PMN, PRP, PRTB, PSDC, PSL e PTC – elas formas o campo conservador em ascensão.

Do outro lado, para efeitos de análise, estão o centro – onde figuram PMDB, PSDB, PPS, PV e SD – e a esquerda, representada por PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL.

Na comparação histórica, há ainda o caso à parte do MDB. Codato argumenta que o Movimento Democrático Brasileiro, antecessor do atual PMDB, reunia políticos ideologicamente muito diferentes, ainda que a bandeira principal fosse a oposição à ditadura. Por isso, no banco de dados do observatório, os deputados de direita (o que inclui também os fisiológicos) são contrapostos à categoria “outros”, que engloba os de centro, esquerda e o MDB

Aécio: diz que perdeu eleição para um ‘organização criminosa’

Aécio afirmou que não perdeu para um partido político, mas para uma “organização criminosa” existente em empresas apoiadas pelo governo Dilma.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Aécio Neves durante entrevista ao jornalista Roberto D´Ávila: “Eu passei a ser porta-voz de um sentimento de mudança e também de indignação com tudo isso que aconteceu no Brasil’, disse. Reprodução

Aécio Neves durante entrevista ao jornalista Roberto D´Ávila: “Eu passei a ser porta-voz de um sentimento de mudança e também de indignação com tudo isso que aconteceu no Brasil’, disse. Divulgação

‘Eu perdi a eleição para uma organização criminosa’, diz Aécio Neves

Na TV, tucano relacionou escândalos de corrupção à ação do PT para reeleger Dilma

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência derrotado nas eleições de outubro, afirmou que não perdeu nas urnas para um partido político, mas para uma “organização criminosa” existente em empresas apoiadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews, que foi ao ar na noite de sábado.

— Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político. Eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está — disse o tucano.

Na entrevista, Aécio fez várias outras críticas a Dilma, sua adversária nas eleições de outubro. Ele afirmou que Dilma se mantém no poder às custas do que classificou como “sordidez” investida contra os oponentes, em especial durante a campanha eleitoral.

— Essa campanha passará para a História. A sordidez, as calúnias, as ofensas, o aparelhamento da máquina pública, a chantagem para com os mais pobres, dizendo que nós terminaríamos com todos os programas sociais. Não só eu fui vítima disso. O Eduardo (Campos) foi vítima disso, a Marina (Silva) foi vítima disso e eu também. Essa sordidez para se manter no poder é uma marca perversa que essa eleição deixará — disse Aécio a Roberto D’Ávila.

Para o tucano, um ataque em campanha eleitoral, com respeito a determinados limites, “faz parte do jogo”. Ele ressaltou que a disputa entre candidatos deve ser de ideias, não de caráter pessoal. O senador lembrou que os embates com a presidente durante a campanha foram duros:

— Eu tinha que ser firme, mas sempre busquei ser respeitoso. Mas, nesses embates, eu representava o sentimento que eu colhia no dia anterior, ou no mesmo dia de manhã, de uma viagem que eu tinha feito por alguma região do Brasil. Eu passei a ser porta-voz de um sentimento de mudança e também de indignação com tudo isso que aconteceu no Brasil.

A comparação do PT com uma organização criminosa feita por Aécio não caiu bem no partido da presidente. O secretário nacional de Comunicação do partido, José Américo, considerou a declaração irresponsável e típica de quem não sabe se conformar com a derrota na eleição. José Américo disse que não viu a entrevista toda, mas vai pedir ao departamento jurídico do PT para analisar se é o caso de buscar alguma ação na Justiça contra o tucano.

— É desagradável. Aécio mostra que não sabe perder. Não é só um problema político, ele está abalado psicologicamente. A derrota em Minas abalou Aécio porque, ao perder no seu estado, perdeu também a corrida dentro do próprio PSDB. Está em desvantagem na sociedade e no PSDB. E aí faz uma acusação irresponsável desse tipo.

Na mesma entrevista, Aécio alertou para o risco de o Judiciário brasileiro ser politizado pelas indicações que a presidente Dilma fará para tribunais superiores. Ao longo do novo mandato, a petista indicará pelo menos seis dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque cinco dos atuais ocupantes das cadeiras completarão 70 anos, limite para a aposentadoria compulsória, até 2018. A outra vaga foi aberta em julho deste ano, quando o ministro Joaquim Barbosa pediu aposentadoria.

ATENÇÃO ÀS INDICAÇÕES PARA TRIBUNAIS

A presidente Dilma também fará seis nomeações para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos próximos quatro anos. O STJ é composto de 33 ministros. Antes de tomar posse, o ministro escolhido precisa passar por sabatina no Senado. Aécio pediu atenção aos parlamentares.

— É preciso que o Congresso esteja muito atento às novas indicações, seja para o STJ, seja para o STF. Não podemos permitir que haja qualquer tipo de alinhamento político do Judiciário brasileiro. A sociedade está mais atenta do que nunca para que as nossas instituições sejam preservadas — disse.

TRE-MG desaprova contas e aplica multa de R$ 50 milhões a Fernando Pimentel

Parecer do corpo técnico do tribunal será submetido ao procurador e juiz eleitoral. Inicialmente foram identificadas 19 irregularidades.

Ainda restam  duas “falhas de natureza grave” e outras três impropriedades não sanadas

Fonte: Hoje em Dia 

TRE-MG analisa aplicação de multa de R$ 50 milhões a Pimentel

Fernando Pimentel extrapolou em R$10.171.169,64 seu limite de gastos. Já a outra falha grave diz respeito a propaganda e publicidade. Foto: William Volcov/AE

Corpo técnico do TRE pede desaprovação de contas de Pimentel e aplica multa de R$ 50 milhões

O órgão técnico do Tribunal Regional Eletoral (TRE) de Minas Gerais opinou pela desaprovação das contas de campanha do governador eleito, Fernando Pimentel (PT). Uma multa de R$ 50 milhões, referente a cinco vezes o valor gasto a mais na campanha, também foi aplicada pelos técnicos. Agora, o parecer dos técnicos segue para apreciação do procurador regional eleitoral e, posteriormente, para o juiz relator Paulo Regério Abrantes, que decidirá se acata ou não o pedido. A consequência da desaprovação pode ser a cassação do registro ou a não diplomação.

Conforme o Hoje em Dia mostrou em 14 de novembro, o corpo técnico da Corte Eleitoral havia encontrado 19 irregularidades na prestação de contas do petista, que foi eleito no primeiro turno em disputa com o tucano Pimenta da Veiga. Na oportunidade, o tribunal deu prazo para campanha regularizar a contabilidade, o que não aconteceu. Entre as irregularidades apontadas no novo relatório do TRE, divulgado hoje, existem duas “falhas de natureza grave” e outras três impropriedades não sanadas. Segundo a primeira falha grave, o candidato extrapolou em R$10.171.169,64 seu limite de gastos. Já a outra falha grave diz respeito a propaganda e publicidade.

Inicialmente, a campanha foi estimada em R$ 42 milhões, mas acabou saindo por R$ 52 milhões. A defesa do petista alega que os gastos de campanha do Comitê Financeiro Único do PT-MG foram também realizados na campanha do candidato. “Que a campanha foi empreendida tanto na prestação do candidato, quanto na do comitê. Aponta que a transferência da conta do candidato para a conta do comitê não gerou nenhuma despesa nova, razão pela qual não pode ser considerada no limite de gasto do candidato”, diz parte do documento relativo à defesa de Pimentel.

Em análise, os técnicos consideraram que partidos podem realizar despesas para as campanhas e são responsáveis pelos seus gastos; ou os candidatos podem fazê-lo, também sob sua responsabilidade. Assim, o partido pode gastar e doar para o candidato, mas não pode gastar pelo candidato sem repassar tais recursos a este beneficiário. Cada qual faz gastos sob sua responsabilidade.

“No entendimento da Unidade Técnica o limite de gastos para o cargo governador pelo PT foi estabelecido, segundo a legislação em vigor, como sendo de R$42.000.000,00 (quarenta e dois milhões de reais). O candidato contrariou o limite imposto e extrapolou o valor à revelia do que lhe foi atribuído, não tomando as devidas providências ou as cautelas necessárias para se manter dentro do limite de gasto estabelecido pelo seu partido e pela legislação”, diz o relatório dos técnicos.

De acordo com a segunda falha grave apontada, o candidato alega que as propagandas e publicidades flagradas pelo Sistema de Controle Concomitante de Financiamento de Campanha – SICOF – desta Justiça Eleitoral não eram de conhecimento do candidato. A defesa do petista alegou que não há como presumir que o candidato majoritário tenha ciência de todo o material gráfico e publicitário que utilizava sua imagem e que era produzido por terceiros. “O próprio candidato lançou várias destas em sua prestação de contas. A responsabilidade do candidato neste caso não pode ser minimizada, haja vista que o controle da imagem e demais itens ofertados através do seu site na internet deveriam ter sido gerenciados”, aponta o relatório.

A campanha petista conseguiu sanar 15 irregularidades. A assessoria do PT foi procurada e informou que está levantando as informações para se manifestar sobre o assunto.

Compra de votos: grampo confirma cobrança de mesada no Bolsa Família

Grampo da operação Curinga da PF reforça a tese de pagamento de mesada a organização que montou esquema de compra de votos no Norte de MG.

PT na mira das investigações

Fonte: Hoje em Dia

Eleição sob suspeita: grampo confirma tese de compra de votos

Compra de votos: combustível, transporte, material de construção, aposentadorias, cirurgias e dentaduras foram distribuídos para eleitores de Monte Azul. Divulgação

Grampo revela cobrança de mesada no Bolsa Família

Um grampo da operação “Curinga”, da Polícia Federal (PF) em Minas, reforça a tese de pagamento de mesada a integrantes da “organização criminosa” que montou um esquema de compra de votos no Norte de Minas.

Além de exigir contribuições de pessoas que conseguiram se aposentar com auxílio da “quadrilha”, interceptação telefônica levanta a suspeita de cobrança de valores do Bolsa Família.

No diálogo, gravado com autorização do juiz Henrique Gouveia da Cunha, o vereador Geraldo Ladim (PT), de Monte Azul, é flagrado conversando com a professora C. F. C., que solicita que o petista vá até a casa de sua mãe para buscar dinheiro.

A interlocutora C. F. C., segundo relatório de inteligência da investigação, é filha de C. F. B. C., servidora do município, que está na lista de beneficiados do Bolsa Família.

O documento da PF não faz menção se C. F. B. C. se enquadra no perfil de renda para recebimento do auxílio (renda familiar per capita inferior a R$ 70 mensais). “Cê vai na casa da mãe pra buscar o dinheiro, viu?”, diz a professora. “Tá”, responde Ladim.

Curinga 2

Durante a última semana, o Hoje em Dia apurou com fontes da investigação que uma segunda fase da operação “Curinga” deverá ser desencadeada para apurar os indícios de irregularidades em programas do governo.

Além de exigir repasses do Bolsa Família, a quadrilha é suspeita de “montar” processos de concessão de benefícios previdenciários, muitos deles irregulares, e de posteriormente cobrar mesadas dos novos aposentados.

O dinheiro desviado ia para o caixa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Monte Azul, entidade dominada pelo vereador Ladim, pela presidente da Câmara Municipal da cidade, Marineide do Sindicato (PT), e pelo vice-prefeito Toninho da Barraca (PT).

Os três petistas foram flagrados em várias interceptações telefônicas intermediando a concessão de favores em troca de apoio político para os candidatos da coligação do PT. Combustível, transporte, material de construção, aposentadorias, cirurgias e dentaduras foram distribuídos para eleitores de Monte Azul.

Indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, fraude previdenciária e falsidade ideológica, Ladim, Marineide e Toninho apoiaram as campanhas dos deputados petistas Paulo Guedes e Reginaldo Lopes, os mais votados no Estado para Assembleia e Câmara Federal, respectivamente.

Segundo o inquérito, não há evidências do envolvimento dos deputados com as fraudes, mas as campanhas deles acabaram sendo beneficiadas. Já os deputados alegam que não têm condições de controlar todos os aliados no Estado.

Em nota, PSDB repudia uso político do Bolsa Família em Minas Gerais

Presidente do PSDB em Minas Gerais, Marcus Pestana, manifestou perplexidade pelos fortes indícios de prática de crimes nas eleições em Minas.

Eleições 2014

Fonte: PSDB

PSDB repudia uso político do Bolsa Família no Norte de Minas

Em nota, o presidente do PSDB-MG, Marcus Pestana, disse que a ausência de limites e o emprego de quaisquer meios parecem ser o caminho de petistas para alcançar seus objetivos de manutenção no poder. Foto: PSDB

NOTA À IMPRENSA

O PSDB manifesta seu protesto e perplexidade diante das informações reveladas nas investigações realizadas pela Polícia Federal no Norte de Minas e que apontam para fortes indícios de prática de crimes na disputa eleitoral deste ano em nosso Estado.

A ocorrência de compra de votos e a cooptação de eleitores por meio de favores em benefício de autoridades e candidatos do PT merecem, se confirmadas, o repúdio de todos os mineiros e brasileiros.

É degradante assistirmos, em pleno século 21, prefeitos, vereadores e deputados do PT sob suspeita de envolvimento no uso abusivo de programas sociais, como o Bolsa Família, o Pronaf e o auxílio doença, e até mesmo na distribuição de dentaduras.

Enquanto assistimos estarrecidos no Brasil ao maior escândalo de corrupção já ocorrido no mundo, arquitetado e mantido durante os anos do governo do PT e nas gestões de seus indicados na Petrobras, revelam-se em Minas as mais antigas e ultrapassadas práticas de manipulação e de abuso da boa fé da população mais pobre e dependente das políticas sociais do governo federal.

Infelizmente para os brasileiros, vemos comprovadas na realidade as palavras ditas pela presidente Dilma Rousseff de que “faz-se o diabo para vencer as eleições”. A ausência de limites e o emprego de quaisquer meios parecem ser o caminho de petistas para alcançar seus objetivos de manutenção no poder.

O PSDB de Minas Gerais lamenta, se confirmada, a ocorrência de tais práticas nas eleições em nosso Estado. O partido acompanhará de perto as investigações da chamada Operação Curinga, sob responsabilidade da PF, Ministério Público e do Poder Judiciário, e trabalhará para que os fatos comprovados cheguem ao conhecimento de todo Brasil, assim como estará vigilante para que os autores de tais crimes sejam punidos.

Os mais de 51 milhões de brasileiros que manifestaram voto em Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais deram também um recado claro de todo conjunto da sociedade: basta de corrupção, basta de desvios e de malfeitos.

Marcus Pestana
Presidente do PSDB de Minas Gerais

Belo Horizonte, 19 de novembro de 2014

Operação Curinga: PT teria trocado Bolsa Família por votos em Minas

Durante Investigações, a PF deparou-se com fortes indícios de crime eleitoral em benefício de candidatos da coligação do PT.

Nomes dos deputados petistas Reginaldo Lopes e do deputado estadual Paulo Guedes foram citados no relatório parcial da PF.

Fonte: Hoje em Dia

Operação Curinga: PT teria trocado Bolsa Família por votos

Vice-prefeito Toninho da Barraca (PT) foi flagrado “negociando” voto com eleitores. Divulgação

Polícia diz que PT trocou até Bolsa Família por votos

A Polícia Federal (PF) deflagrou nessa terça-feira (18) a operação “Curinga” com o intuito de coibir fraude nos cofres da Previdência Social no Norte de Minas. No curso das investigações, a PF deparou-se com fortes indícios de crime eleitoral em benefício de candidatos da coligação do PT. Dessa forma, a operação policial será desmembrada.

Isso porque os nomes dos deputados petistas Reginaldo Lopes, reeleito para a Câmara dos Deputados e cotado para assumir o Ministério da Educação, e do deputado estadual Paulo Guedes foram citados no relatório parcial da PF. O envolvimento dos parlamentares com a quadrilha do INSS foi descartado, mas eles podem ter sido beneficiados eleitoralmente.

O esquema de fraude na Previdência foi montado dentro da prefeitura e da Câmara Municipal de Monte Azul. O escritório do INSS em Espinosa, cidade localizada a 40 Km de Monte Azul, foi utilizado pelo bando. Os principais políticos de Monte Azul estão diretamente envolvidos com o rombo nos cofres da Previdência, estimado em R$ 200 mil, e com os crimes eleitorais. Entre eles, o vice-prefeito, três vereadores, três secretários da prefeitura, além do sindicato de trabalhadores rurais da cidade, todos eles ligados ao PT. A partir de documentação forjada, o grupo conseguia aposentadoria para pessoas que nunca foram trabalhadores rurais.

O Hoje em Dia teve acesso aos documentos e aos grampos telefônicos da investigação. De acordo com o inquérito, benefícios previdenciários, materiais de construção, combustível, além de cadastros do Bolsa Família, auxílio-doença, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e até dentaduras foram oferecidos em troca de voto.

Além da Zona da Mata, o Norte de Minas foi a região na qual a presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT) obteve maior vantagem perante o tucano Aécio Neves, seu principal oponente. Em Monte Azul, por exemplo, Dilma obteve 76% dos votos da cidade, enquanto Aécio ficou com 14%. Guedes e Lopes conquistaram 30% dos votos válidos do município. Lopes foi o mais votado, e Guedes, o segundo.

Em um dos grampos telefônicos, o vereador Geraldo Moreira dos Anjos, o Ladim (PT), foi flagrado orientando o eleitor Flávio Custódio Teixeira a votar nos candidatos do PT. O vereador petista, segundo o inquérito, intermediou a inclusão da mulher de Teixeira na lista do Bolsa Família. A inclusão dela no cadastro será investigada, já que a maioria das benesses, especialmente os programas de transferência de renda e as aposentadorias, foram destinadas a pessoas que não poderiam ser contempladas.

Em outro diálogo, o vice-prefeito de Monte Azul, Antônio Idalino, o Toninho da Barraca (PT), foi pego autorizando o caminhão-pipa da cidade a fornecer água para uma piscina na casa de um eleitor. Numa outra conversa, o petista determina que a dentista da prefeitura faça dentaduras para eleitores.

Vice, vereadores e secretários envolvidos

Contra o vice-prefeito de Monte Azul, Antônio Idalino Teixeira, o Toninho da Barraca (PT), a Justiça Federal em Montes Claros, no Norte de Minas, decretou mandado de condução coercitiva e busca e apreensão na casa do político e na prefeitura. Ele é considerado uma das principais peças do esquema.

O servidor do INSS de Espinosa Ronaldo de Medeiros Boeira e os vereadores Geraldo Moreira dos Anjos, Geraldo Ladim (PT), e Marineide Freitas da Silva, a Marineide do Sindicato (PT), foram presos temporariamente.

O mesmo ocorreu com o presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Monte Azul, Antônio Tolintino, e seu secretário, Nilton Rodrigues Nunes. Conforme as investigações, os dois são suspeitos de fraudar os processos de aposentadorias rurais por tempo de serviço. Os benefícios eram concedidos a pessoas que não preenchiam os requisitos legais.

Já o vereador Francisco de Assis Gonçalves Dias, o Diassis (PP), foi conduzido para prestar depoimento e teve a casa vasculhada pelos federais. Depois do interrogatório foi liberado.

Três secretárias de Monte Azul também estão entre os investigados. São elas: Aurélia de Paula Santos (Educação), Vanessa dos Anjos Dias (Saúde) e Cássia Michele Gomes (Finanças). Para as três, foram expedidos mandados de condução coercitiva, além de busca e apreensão em suas residências e na prefeitura.

Durante todo o dia, a reportagem fez contatos com a prefeitura e com a Câmara Municipal de Monte Azul, mas até o fechamento desta edição ninguém foi encontrado para comentar a ação da PF.

Em entrevista ao Hoje em Dia, o deputado Paulo Guedes classificou a operação de “factoide eleitoral”, mas comprometeu-se a averiguar o assunto. “Se houve alguma irregularidade, não tenho nada a ver com isso. Obtive 165 mil votos em todo o Estado. É impossível policiar todos os aliados”, declarou.

Mais votado do PT em Minas, o deputado federal Reginaldo Lopes foi procurado no celular e em seu gabinete, em Brasília. A assessora de imprensa do parlamentar em BH chegou a atender os telefonemas do Hoje em Dia. Alegou que o parlamentar estava com a agenda cheia de compromissos. Depois, informou que o parlamentar não iria se manifestar nessa terça.

Operação ‘Curinga’ tem 19 alvos

Ao todo, 19 pessoas são alvo da operação “Curinga”, sendo que 17 foram levadas para a sede da Polícia Federal (PF) em Montes Claros, no Norte de Minas, e outras duas são procuradas. A polícia informou ainda que 39 mandados judiciais de busca e apreensão, condução coercitiva e sequestro de bens estão sendo cumpridos.

Uma segunda fase da operação “Curinga” será deflagrada para reprimir possíveis crimes eleitorais. Os investigados responderão, neste primeiro momento, por crimes contra a administração pública, estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica, dentre outros. Uma vez condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes podem ultrapassar 20 anos.

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