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Ministro da educação admite que situação da educação no país é alarmante

Para Renato Janine Ribeiro, resultado da Avaliação Nacional da Alfabetização é um drama social. Na escrita, 35% dos estudantes ficaram em níveis considerados inadequados.

Brasil sem rumo

Fonte: O Globo

Ministro da educação admite que situação da educação no país é alarmante

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro: resultado assustador. Reprodução.


‘Tudo isso é inaceitável em termos sociais’, diz Janine

Ministro da Educação considerou assustador o resultado da Avaliação Nacional da Alfabetização divulgado nesta quinta-feira

Ao apresentar os resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, considerou que o teste expõe com transparência o “drama da má alfabetização” no país. Ele considerou “assustador” que alunos do 3º ano do ensino fundamental não saibam ler ou escrever.

Em matemática, 57% dos alunos apresentaram níveis inadequados de aprendizado na avaliação de 2014 — praticamente o mesmo índice do ano anterior, quando o exame foi aplicado pela primeira vez. Em leitura, 22,2% tiveram a pior menção, pouco menos que os 24,1% vistos em 2013. Na escrita, 35% dos estudantes ficaram em níveis considerados inadequados. Devido a mudanças na metodologia, não há comparação com o ano passado em leitura.

— Queremos que todos saibam do drama, mas queremos denunciá-lo, porque tudo isso é inaceitável em termos sociais. Um diagnóstico precisa ser transmitido para se ter a dimensão do problema e para que a sociedade possa perceber como é grave conviver com a situação de 22% das crianças não saberem ler de uma maneira adequada — afirma Janine.

Com os dados da pesquisa, de acordo com Janine, as redes estaduais e municipais poderão saber onde investir melhor os recursos e buscar as melhores soluções. Ele destacou, entretanto, que mesmo em condições difíceis, é possível verificar êxitos, especialmente em escolas que têm nível socioeconômico baixo, de acordo com indicadores desenvolvidos pelo MEC, mas que conseguiram resultados bons.

Uma lista de exemplos de sucesso foi divulgada pelo MEC durante a coletiva de imprensa. O ministro mencionou o caso de Paulino Neves, no Maranhão, que diminuiu a proporção de alunos no nível 1 em leitura de 72,9% para 45,7% — uma queda de 27,1%. Janine também ressaltou o Ceará, que exibe índices melhores que a média brasileira, como um exemplo. Ele atribuiu os avanços ao ex-ministro da Educação Cid Gomes, que foi governador do estado.

 

Situação alarmante: 1 em cada 5 alunos do 3º ano fundamental não entende o que lê

Lema ‘Brasil Pátria Educadora’ está longe de ser uma realidade. Resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização revelam que situação é drástica no país.

Estudantes de escolas públicas do 3ª ano foram classificados no “nível 1”, o mais baixo de uma escala que vai até o “nível 4”.

Fonte: O Globo

Brasil sem educação: 1 em cada 5 alunos do 3º ano fundamental não entende o que lê

Um em cada cinco alunos do 3º ano fundamental não entende o que está lendo

Além disso, 34% não sabem localizar uma informação explícita quando a mesma está no meio do texto

Boa parte dos alunos no 3° ano do ensino fundamental brasileiro não entende o que lê. De acordo com a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgada nesta quinta-feira, 22,21% dos estudantes de escolas públicas nessa fase da educação foram classificados no “nível 1”, o mais baixo de uma escala que vai até o “nível 4”. Segundo os critérios estipulados para o “nível 1”, essas crianças conseguem ler as palavras, mas não são capazes de compreender o que diz o texto diante delas.

Ainda segundo os resultados da ANA, 34% dos alunos estão no “nível 2”. Eles compreendem o sentido do texto, mas não são capazes de encontrar uma informação explícita quando a mesma está no meio ou no final desse texto. De acordo com a avaliação, 32% das crianças estão no “nível 3” e apenas 11,2% estão no “nível 4”.

A avaliação foi elaborada com base em questionários contextuais e teste de desempenho, nos quais foram verificados os níveis de alfabetização e letramento em Língua Portuguesa e a alfabetização em Matemática. Os resultados da ANA não compõem o Índice de Desenvolvimento Educação Básica (Ideb), mas funcionam como um diagnóstico das crianças na alfabetização. Este ano, a avaliação, que começou a ser aplicada em 2013, seria aplicada pela terceira vez, mas foi suspensa em função dos cortes de gastos. São avaliadas crianças do 3º ano do ensino fundamental, fase final do ciclo de alfabetização.

No que diz respeito à escrita, a ANA aponta que 34,46% dos dessas crianças não conseguem escrever um texto adequado ao que foi proposto. O resultado é a soma dos três primeiros níveis de aprendizagem. Na faixa 1, a mais baixa, estão 11,64% dessas crianças. Neste patamar elas não conseguem escrever palavras e relacionar os sons às letras. No nível 5 (índice ideal), há somente 9,88% dos estudantes, o que significa que sabem atender à proposta e escrevem textos com maior complexidade, embora possam ocorrer erros ortográficos e de pontuação.

A diretora-executiva do Movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, considerou os dados “muito preocupantes”. Segundo ela, a alfabetização é base da aprendizagem e o percentual de crianças que alcançaram os níveis máximos na avaliação — patamar ideal de letramento — são muito baixos: 11,20% em leitura e 9.88% em escrita.

— A meta do Todos pela Educação é que toda criança esteja plenamente alfabetizada até os 8 anos. Nessa idade, é importante que isso esteja consolidado para que ela alcance autonomia para continuar aprendendo e evoluindo na escola. Se isso não acontece, fica mais difícil corrigir as deficiências e ela é atropelada pelo currículo.

DISCREPÂNCIA ENTRE LEITURA E ESCRITA CHAMA ATENÇÃO

A discrepância entre os índices de leitura e escrita chamou a atenção de especialistas. De acordo com Inês Kisil Miskalo, gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna, é estranha a diferença de resultados, já que uma depende da outra.

– Isso pode revelar dois quadros. O primeiro é que os alunos estão melhor na escrita do que na leitura, o que seria improvável, já que a criança precisa ler bem para ter repertório para a escrita. O segundo é que a avaliação da leitura foi mais rigorosa que a da escrita. Mas, para descobrir isso, precisamos nos debruçar sobre os instrumentos de avaliação.

Entre as regiões brasileiras, a que apresentou maior número de crianças no nível 4 de leitura (considerado ideal) foi o Sudeste com 16,75%. O índice mais baixo de alunos na faixa ideal foi registrado na região Norte: 4,84%. No recorte sobre o desempenho em escrita, o Sudeste também apresentou a maior quantidade de alunos no último nível, 15,43%. O quantitativo mais baixo, neste ponto, foi registrado no Nordeste, onde apenas 3,72% dos estudantes estão na última faixa de desenvolvimento.

Priscila Cruz ressaltou o caso de estados como Maranhão, Alagoas e Amapá, que têm os piores índices, quadro que vem se arrastando ao longo de várias avaliações.

— Mais de 40% das crianças no Maranhão são analfabetas, visto que estão no nível 1, ou seja, não conseguem ler uma sentença. As crianças só começam a entrar no contexto de pré-alfabetização no nível 2 — ilustrou. — É preocupante porque estes estados sempre ficam mal, mas nada acontece. Se o Brasil quer universalizar a aprendizagem, precisa garantir a alfabetização das crianças.

No Rio, 21,59% das crianças avaliadas estão na faixa mais baixa de leitura e 10,74% no mesmo patamar em relação à escrita. O número de crianças no patamar ideal de alfabetização é de 10,13% em escrita e 8,38% em escrita.

Déficit de creches é de 3 milhões de vagas, Dilma não cumpriu promessa

Gestão deficiente: Muitos pais deixam de trabalhar simplesmente porque não têm com quem deixar os filhos.

Fantástico percorreu o país e encontrou obras paradas ou abandonadas, e uma coleção de desculpas.

Fonte: Fantástico 

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Um estudo com dados nacionais feito pelo Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul revela que faltam mais de três milhões de vagas em creches e pré-escolas públicas. Reprodução Rede Globo

 

Faltam mais de três milhões de vagas em creches e pré-escolas públicas

Levantamento foi feito pelo Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul. Em algumas regiões, espera por vaga pode levar mais de um ano.

Um problema tem deixado muitas famílias angustiadas. Um estudo com dados nacionais feito pelo Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul revela que faltam mais de três milhões de vagas em creches e pré-escolas públicas, para alunos até cinco anos de idade. Muitos pais deixam de trabalhar simplesmente porque não têm com quem deixar os filhos. O Fantástico percorreu o país e encontrou obras paradas ou abandonadas, e uma coleção de desculpas.

Veja no final do texto os Rankings Nacionais de Atendimento em Creches e em Pré-Escolas.

“Eu acho falta de respeito com as mães”, diz uma mãe.

“Eu dependo de ajuda, porque não tenho com quem deixar, conta outra.

“Pagar creche particular, é fora de cogitação”, explica outra mulher.

“Ela dizia ‘Ah, mãe, eu vou entrar na minha creche. Um dia, a minha creche vai ficar pronta’, conta esta outra.

O que essas mães estão pedindo é algo simples: o cumprimento da lei. Está no Estatuto da Criança e Adolescente: é dever do estado garantir atendimento em creche e pré-escola a todas as crianças até os cinco anos de idade, mas essa lei não é cumprida para 3,4 milhões de meninas e meninos espalhados pelo Brasil. Esse é o número de vagas que as prefeituras precisam criar para incluir as crianças na creche e pré-escola. Só nas creches, faltam 2,7 milhões de vagas.

Da janela de casa, Gisele vê um sonho distante: a creche que deveria ter ficado pronta em abril do ano passado, mas que até agora ficou só na obra. “Bastante pressa para que acaba logo, para ver se eu consigo colocar ela, sabe, porque é tão pertinho, né”, diz a dona de casa Gisele de Andrade Mineiro.

E, para não ficar só esperando, a mãe acaba virando professora. “Estou ensinando o alfabeto, já estou ensinando as letras, o A, o B, o C”, conta Gisele.

Junto com Gisele estão diversas mães de Porto Alegre. A capital gaúcha precisa criar 15.965 vagas em creches e pré-escolas. É a oitava colocada no ranking nacional de capitais em atendimento na educação infantil.

As prefeituras do Brasil precisam correr contra o tempo: têm até o ano que vem para garantir a vaga de todas as crianças entre quatro e cinco anos e, até 2024, têm que matricular metade das crianças de até três anos nas creches. “Os estudos mostram que o crescimento, o desenvolvimento de habilidades nessa fase da vida ou ocorre nesse momento ou ele não será superado”, diz o presidente do TCE-RS, Cezar Miola.

Essas metas que as prefeituras precisam cumprir foram definidas pelo Plano Nacional de Educação, uma lei aprovada no ano passado. Para ajudar os municípios, o Ministério da Educação criou o programa Proinfância. Deveria funcionar assim: as prefeituras contratam uma empresa para fazer a obra e o governo federal dá a maior parte do dinheiro. O projeto deveria levar no máximo um ano para ficar pronto. Deveria ser simples e rápido, mas não é.

Em Porto Alegre, das 43 creches que a prefeitura financiou pelo Proinfância, só quatro foram entregues. Tem obra abandonada, obra que começou, parou e começou de novo, e muita mãe sem encontrar vaga.

“A gente estava até se revezando. Ela procurava um pouco numa parte, eu procurava na outra, e a gente ia se falando, mas, por enquanto, nada ainda”, diz a faxineira Maria dos Santos

“Eu tenho que dar um jeito de arranjar creche para ela, não tem como ficar sem trabalhar”, aponta a recepcionista Kitele Corso.

Quem também está sem trabalhar é a Fabiana. Quando planejou a gravidez, ela não imaginava a surpresa: nasceram duas, as gêmeas Gabriela e Mariana. A mamãe então saiu em busca de vagas em creches do bairro onde mora, em São Paulo, mas ouviu a mesma resposta.

“Me disseram só para aguardar, hoje a demanda está muito grande. Então, ia demorar um pouco”, diz a técnica de enfermagem Fabiana Barbosa de Lima.

Antes de as gêmeas nascerem, Fabiana trabalhava como técnica de enfermagem. Sem ter com quem deixar as meninas, ela teve que desistir do emprego.  E, pagar as contas só com o salário do marido, fica difícil.

Fantástico: Quanto você gastaria para manter as duas em uma creche particular em tempo integral?
Fabiana: Tempo integral, gastaria mais de R$ 1 mil. Não teria como comer se eu fosse pagar creche para elas.

Em algumas regiões de São Paulo, a espera por uma vaga pode levar até um ano e três meses. Enquanto isso, creches prometidas pela prefeitura não saem do papel. Um exemplo é em um terreno em Brasilândia, Zona Norte da cidade. Era para ter uma creche, mas está tudo abandonado e só tem mato crescendo. A prefeitura chegou a instalar uma placa informando o prazo final de uma obra que ainda nem começou.

“A minha solução seria essa creche. Já era para estar aqui, né? Só um terreno vazio. É duro você olhar essa placa. Daria para trazer as meninas de carrinho”, diz Fabiana.

Em nota, a prefeitura alega que a creche em Brasilândia atrasou porque o terreno foi invadido por uma família. O processo para desocupação está na Justiça. Enquanto isso, nada de obra. No ranking de atendimento até os três anos, São Paulo está em terceiro lugar entre as capitais. Está próximo da meta de 50%, mas ainda precisa criar 120 mil vagas nas creches.

Ao redor do país, o que se vê são obras inacabadas ou atrasadas há anos. Umas ruínas em Manaus deveriam ser uma creche. A obra começou em 2012 e deveria ser entregue em 2013.

Até agora, nada, e mais criança esperando. “Tenho netos, tenho sobrinhos que nem conseguiram vaga”, diz dona Joice. A capital do Amazonas está em penúltimo lugar no ranking de creches. Atende apenas 7% das crianças até três anos.

E tem muita obra do Proinfância que nem saiu do chão, os terrenos estão vazios. Em Caxias do Sul, a prefeitura deveria ter construído oito creches. Chegou a gastar R$ 1,1 milhão preparando um terreno para a construtora fazer a obra, mas a empreiteira alegou que não tinha como cumprir os contratos. “Infelizmente, Caxias não vai conseguir entregar estas oito escolas no final desse ano”, aponta a secretária Municipal de Educação de Caxias do Sul, Marléa Ramos Alves.

A construtora MVC, responsável pelos projetos de Caxias, assumiu 350 obras do Proinfânciaem nove estados do Brasil. Até agora, só entregou 14. Em nota, a empresa alega que enfrentou atrasos na entrega dos terrenos e nos pagamentos das prefeituras, e culpa até a alta do dólar pelas dificuldades. Mas, mesmo assim, garante que vai terminar todas as 350 obras até 2016.

“A nossa contrariedade, dos secretários municipais, é que está se brincando com a sociedade, e não foi o município”, diz Marléa.

No meio de tanta confusão, a Justiça virou a alternativa para pais e mães que não têm mais como esperar. É na porta da Defensoria Pública que eles vão bater. Essas mães procuram a Defensoria, agendam e esperam três meses até conseguir encaminhar a documentação. A procura é tão grande que todos os horários de agendamento estão ocupados até dezembro. Hoje, quem chegar em busca de atendimento, vai ter que esperar até o ano que vem.

No ano passado, mais de 800 mães de Caxias do Sul só conseguiram colocar os filhos na creche com ordem judicial.

“Colocou o pé na Defensoria pedindo a vaga até botar o pé na escola pode demorar cinco a seis meses, diz o defensor público de Caxias do Sul Sergio Nodari Monteiro.

Foi exatamente isso que a Cláudia enfrentou para garantir o direito da filhinha Maria Augusta.

“Foram dois anos de espera. Fiz a primeira tentativa, não deu certo. No outro ano seguinte, não fui sorteada novamente. Daí, fiquei sabendo sobre a defensoria, procurei eles. E aguardei mais três para receber o resultado final. A escola é boa. Valeu a pena esperar. Só que a espera é longa, né”, destaca a cabeleireira Cláudia Lisiane da Silva.

“Eu fiquei sabendo que ia inaugurar em 2013, engravidei em 2014. Bebê já nasceu, tem três meses e está aí do mesmo jeito. A obra não andou. A obra está parada, reclama a empresária Rosana Miranda Rodrigues, de Aparecida de Goiânia.

Entre 2012 e 2014, a cidade de Aparecida de Goiânia, que fica na região metropolitana da capital Goiânia, recebeu cerca de R$ 22 milhões do governo federal para construir 36 creches. No ano passado, fiscais da Controladoria Geral da União (CGU) estiveram na cidade e descobriram que várias não foram entregues.

“Mas não é atraso significativo”, pondera o secretário Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia, Domingos Pereira.

A CGU apontou falhas nas obras, como orçamentos superfaturados. “Desperdício de dinheiro aqui. Tudo aí acabando. Isso aqui custou o nosso dinheiro”, afirma uma moradora.

E, das 36 creches, os fiscais disseram que apenas três estavam prontas. A prefeitura reclama e diz que o número está “desatualizado”. “Primeiro que não são três, são quatro”, diz Domingos Pereira.

Ao redor do país, as prefeituras tentam se justificar. Culpam a burocracia. “Todo o processo do serviço público, ele tem uma burocracia muito grande”, afirma Domingos Pereira.

Culpam o governo anterior… “O governo anterior ao nosso prometeu cem creches e conseguiu fazer uma, diz a secretária Municipal de Educação de Manaus, Katia Schweickardt.

Culpam as construtoras… “Às vezes, a empresa privada, neste caso, acabou prejudicando uma política pública, diz a secretária Municipal de Educação de Caxias do Sul, Marléa Ramos Alves.

E culpam o governo federal… “São 2,5 mil municípios no país, R$ 9 bilhões de atraso. Então, por isso que nós queremos que esses recursos sejam liberados, e a gente poder atingir essas metas”, diz o presidente da Famurs, Luiz Carlos Folador.

Em nota, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela liberação das verbas do Proinfância para os municípios, “esclarece que não há atrasos no repasse de recursos” e se “identificadas desconformidades com o projeto aprovado, são geradas restrições que, até serem sanadas a obra fica impedida de receber novos repasses”.

E, quando finalmente a obra termina, nem sempre foi feita de forma correta. “O que me admira mais é o fato da fiscalização, né? De alguém não ter fiscalizado isso antes de entregar a obra pronta”, destaca o presidente do Conselho de Pais e Mestres, Alexandre Mathias Bard.

Em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, uma creche levou três anos para ficar pronta, uma obra que passou por três empresas. A primeira demorou tanto que a prefeitura rompeu o contrato. A segunda teve que consertar o que a primeira fez errado, mas também deixou uma série de problemas. A terceira deveria ter resolvido tudo, mas, além das infiltrações, as crianças e os professores são obrigados a conviver com um cheiro forte de esgoto que toma conta de toda esta parte de trás do prédio, e fica ainda pior no verão. Isso porque a obra foi entregue sem um sistema de filtros e de fossa que estava previsto no projeto original. Resultado? A obra vai ficar R$ 230 mil mais cara.

Mas tem lugar no país onde as metas são cumpridas. Em Vitória, a capital do Espírito Santo, 81% das crianças de até três anos estão na creche e todas as de quatro e cinco já estão na pré-escola. Ter a vaga perto de casa é uma tranquilidade para Rosângela Bellon. “Ele veio para cá com um ano de idade, no maternal”, conta a autônoma.

Ela faz o que muitas mães gostariam de fazer: deixa o filho na creche e vai trabalhar.

“É preciso oferecer, é preciso disponibilizar a vaga. Há ainda muita dificuldade de inclusão, há muita falta de conscientização das famílias em relação aos seus direitos. As famílias precisam ter a segurança, a tranquilidade que, se procurarem, vão encontrar esse serviço. Por isso, o desafio ainda é grande”, diz o presidente do TCE.

RANKING NACIONAL DE ATENDIMENTO EM CRECHES (CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS)

Fonte: TCE Rio Grande do Sul, com base em dados do IBGE 2012 e matrículas do Senso 2014

1 – VITÓRIA, ES – 81%
2 – FLORIANÓPOLIS, SC – 53,3%
3 – SÃO PAULO, SP – 48,9%
4 – CURITIBA, PR – 43,4%
5 – RIO DE JANEIRO, RJ – 38,7%
6 – PORTO ALEGRE, RS – 38,5%
7 – CAMPO GRANDE, MS – 36,6%
8 – BELO HORIZONTE , MG – 35,9%
9 – PALMAS, TO – 31,4%
10 – CUIABÁ, MT – 29,2%
11 – SÃO LUÍS, MA – 29,1%
12 – FORTALEZA, CE – 26,4%
13 – TERESINA, PI – 26,00%
14 – RECIFE, PE – 22,6%
15 – GOIÂNIA, GO – 21,9%
16 – NATAL, RN – 20,8%
17 – JOÃO PESSOA, PB – 18,5%
18 – BRASÍLIA, DF – 17,5%
19 – BOA VISTA, RR – 15,6%
20 – PORTO VELHO, RO – 15,0%
21 – RIO BRANCO, AC – 11,3%
22 – SALVADOR, BA – 11,0%
23 – MACÉIO, AL – 10,1%
23 – ARACAJU, SE – 9,1%
25 – BELÉM, PA – 8%
26 – MANAUS, AM – 7,2%
27 – MACAPÁ, AP – 4,9%

RANKING NACIONAL DE ATENDIMENTO EM PRÉ-ESCOLA (CRIANÇAS DE 4 A 5 ANOS)

Fonte: TCE Rio Grande do Sul, com base em dados do IBGE 2012 e matrículas do Senso 2014

1 – VITÓRIA, ES – 126,1%
2 – FLORIANÓPOLIS, SC – 116,6%
3 – TERESINA, PI – 102,7%
4 – SÃO LUÍS, MA – 101,1%
5 – CUIABÁ, MT – 100,6%
6 – SÃO PAULO, SP – 100,1%
7 – RIO DE JANEIRO, RJ – 95,2%
8 – FORTALEZA, CE – 88,8%
9 – BOA VISTA, RR – 86,3%
9 – NATAL, RN – 86,3%
11 – PALMAS, TO – 85,6%
12 – RECIFE, PE – 85,2%
13 – BELO HORIZONTE , MG – 84,9%
14 – RIO BRANCO, AC – 84,2%
15 – MANAUS, AM – 83,0%
16 – PORTO VELHO, RO – 82,9%
17 – CAMPO GRANDE, MS – 77,8%
18 – PORTO ALEGRE, RS – 77,6%
19 – BRASÍLIA, DF – 77,4%
20 – ARACAJU, SE – 75,7%
21 – GOIÂNIA, GO – 75,5%
22 – BELÉM, PA – 66,9%
23 – MACAPÁ, AP – 65,6%
24 – CURITIBA, PR – 65,4%
25 – SALVADOR, BA – 60,7,0%
25 – JOÃO PESSOA, PB – 60,7%
26 – MACÉIO, AL – 54,2%

Mentiras de Dilma: governo não tem dinheiro para expansão de pré-escola e creches

Promessa eleitoral petista, construção de unidades e de quadras teve o orçamento reduzido em R$ 3,4 bilhões.

Medida ameaça lei de matrícula de crianças em 2016; ajuste afeta também universidades federais e Pronatec.

Fonte: Folha de S.Paulo

Dilma mentiu: governo não tem dinheiro para expansão de creches e pré-escola

R$ 3,4 bilhões (37%) foram cortados para construção de unidades de educação infantil, além de quadras esportivas. Reprodução.

Dilma corta verba para creche e pré-escola

A expansão da oferta de vagas em creches e pré-escolas no país, uma das promessas do governo Dilma Rousseff (PT), será afetada pela redução do orçamento do Ministério da Educação.

Do total de R$ 9,2 bilhões cortados na pasta, R$ 3,4 bilhões (37%) eram destinados à construção de unidades de educação infantil, além de quadras esportivas.

Para gestores, a medida vai comprometer a obrigatoriedade de matrícula, a partir de 2016, de todas as crianças de 4 e 5 anos, prevista na legislação desde 2009. Segundo dados de 2013 (os mais recentes disponíveis), a taxa de atendimento dessa faixa etária é de 87,9%.

“Como podemos ser uma pátria educadora sem financiamento?”, questiona, em referência ao slogan do governo federal, Edelson Penaforth, secretário municipal de educação de Tonantins (AM) e presidente da Undime (entidade que reúne secretários municipais de educação) na região Norte.

Com população de 18 mil habitantes, a cidade solicitou recursos para a construção de duas creches, mas as obras ainda não começaram.

“O não repasse de recursos certamente vai atrasar o atendimento das metas [de inclusão de crianças]”, diz Eduardo Deschamps, presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

UNIVERSIDADES

A conclusão de obras no ensino superior também terá o cronograma adiado. Segundo dados obtidos pela Folha, o corte em universidades e institutos federais será de R$ 1,9 bilhão, de um total da ordem de R$ 3,2 bilhões para investimentos.

Obras com mais de 70% de conclusão terão prioridade para receber a verba.

Com isso, na UFABC (Universidade Federal do ABC), por exemplo, a expansão do campus de São Bernardo foi adiada para 2016.

As universidades federais também foram afetadas pela redução do orçamento da Capes, agência federal de fomento à pesquisa. O corte de verba diminuiu os recursos para atividades e bolsas de pós-graduação.

Na UnB (Universidade de Brasília), o repasse caiu de R$ 4 milhões para R$ 1 milhão, segundo o decano de planejamento e orçamento da universidade, César Tibúrcio.

“Por conta disto, muitas bancas de mestrado e doutorado estão ocorrendo via Skype ou similar”, disse ele.

Uma das principais bandeiras da campanha à reeleição de Dilma no ano passado, o Pronatec (programa de ensino técnico e profissional) também foi afetado pelo ajuste fiscal do governo.

A redução de 3 milhões para 1 milhão de vagas no programa representou economia de cerca de R$ 400 milhões.

Os cortes também atingiram as emendas ao Orçamento destinadas à educação por deputados e senadores, e a Avaliação Nacional da Alfabetização, que seria realizada pelo Inep (instituto ligado ao MEC), foi suspensa, conforme publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”.

Eleitores querem mais atenção à Saúde, mostra pesquisa

Levantamento da FGV revela que 70% dizem que Saúde é a área que merece mais atenção e 52,5% acreditam que os deputados devem se concentrar em reformas de “leis de processo e punição de crimes”

Onda de insatisfação com poder público aumenta

Fonte: O Globo 

Pesquisa aponta que eleitor quer mais atenção à Saúde

Levantamento aponta que Saúde, Educação, Segurança e Transporte são a maior preocupação e demanda de eleitores. Divulgação

Para eleitor, Saúde merece mais atenção, diz pesquisa da FGV

Parte dos entrevistados acredita que os deputados devem se concentrar em reformas de ‘leis de processo e punição de crimes’

Depois de um ano eleitoral, no qual reforma política e combate à corrupção foram temas recorrentes, os 594 parlamentares que chegaram neste domingo ao Congresso vão ser cobrados pelos eleitores sobre assuntos mais ligados ao dia ao dia, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas. O levantamento aponta que Saúde, Educação, Segurança e Transporte são a maior preocupação e demanda de eleitores. Ao todo, 70% dizem que Saúde é a área que merece mais atenção e 52,5% acreditam que os deputados devem se concentrar em reformas de “leis de processo e punição de crimes”.

— No Brasil, é histórica a demanda por Saúde e Educação e, a partir dos anos 1980, Segurança entrou nessa lista. O resultado mostra que a qualidade dos serviços ainda está aquém do desejo do cidadão. Depois do crescimento da renda e da inclusão no mercado de consumo, ele espera que o país passe a oferecer política pública de qualidade — diz Luís Felipe da Graça, cientista político e pesquisador do Daap.

Os 3.600 eleitores das cidades e regiões metropolitanas do Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, além do Distrito Federal, deixaram em 2º plano a reforma política e o combate à corrupção, mesmo sendo entrevistados em outubro de 2014.

No Rio e em São Paulo, 63% e 64% dos entrevistados, respectivamente, disseram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos com os serviços públicos de Educação. Em relação aos Transportes, em Recife, 68% disseram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos. Já em Brasília, os descontentes chegam a 67%. Já a demanda por Saúde é tão grande que, em todas as seis cidades e no DF, mais de 70% da população diz estar muito insatisfeita ou insatisfeita. A situação pior é em Brasília, com 86,6%.

Educação sem Rumo: resultado do Enem expõe fragilidade da educação

Educação: sem melhorar o ensino médio, o Brasil não atingirá o alvo. Um problema que abrange as escolas particulares, também mal avaliadas quando comparadas com o mundo desenvolvido.

Brasil sem Rumo

Fonte: O Globo

Enem: resultados de 2014 colocam educação na berlinda

Enem: em 2014,  houve uma queda de 9,7% da nota média em relação ao exame anterior, e recorde de 529 mil candidatos, 8,5% do total, com o conceito zero. Divulgação

A Educação não para de preocupar

Os resultados do Enem de 2014 são apenas parte do cenário negativo no ensino, em que há a percepção de que as melhorias estancaram. Trabalho não falta a Cid Gomes

Há duas explicações para a nomeação do ex-governador do Ceará Cid Gomes ministro da Educação, uma função estratégica. Uma, o interesse do Planalto em dar espaço ao PROS para contrabalançar a dependência que tem em relação ao PMDB no Congresso. Outra, devido a experiências bem-sucedidas na política educacional de Cid, principalmente na sua base eleitoral, a cidade de Sobral.

Seja válida uma ou outra, ou mesmo a mistura das duas, Cid Gomes recebe o MEC num momento difícil. Consta até que ele preferiria passar um período distante da política brasileira, em alguma instituição multilateral em Washington. Mas terminou ministro da Educação quando vários indicadores apontam para a enorme dificuldade de o país transferir para o ensino médio os avanços, ainda tímidos, conquistados na fase inicial do ciclo básico, o fundamental.

Com poucos dias no MEC, Cid Gomes tem diante de si o péssimo resultado na prova de redação do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), de 2014, em que houve uma queda de 9,7% da nota média em relação ao exame anterior, e com o recorde de 529 mil candidatos, 8,5% do total, com o conceito zero. Mesmo que a dificuldade do tema — “publicidade infantil” — tenha contribuído para isso, trata-se de mais um alerta ao MEC e à sociedade sobre a qualidade do ensino. Em Matemática também houve queda (de 7,3%), preocupante dada a importância da disciplina para áreas de que qualquer país depende, a fim de se desenvolver de maneira equilibrada — tecnologia, pesquisas etc. A melhoria em Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Linguagens não compensa a má avaliação em Matemática.

Cid Gomes teve êxito, no seu estado, ao aprimorar a qualidade do ensino fundamental. Há avanços em várias outras regiões, e eles se traduzem no atingimento de metas parciais pactuadas entre governos e organizações da sociedade, um projeto cujo objetivo final é se chegar em 2022 à nota média (6,0) no ensino básico que têm hoje os países mais desenvolvidos, congregados na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Sem melhorar o ensino médio, o Brasil não atingirá o alvo. Um problema que abrange as escolas particulares, também mal avaliadas quando comparadas com o mundo desenvolvido.

Cid defende, e é correto, um currículo nacional, bem como a revisão do ciclo Médio, no qual as disciplinas seriam divididas em “exatas” e “humanas”, como nos antigos Clássico e Científico, para o jovem se adequar à carreira que pensa em seguir. O enciclopedismo tem mesmo levado à superficialidade no aprendizado.

Enquanto se faz o necessário debate, os consensos mínimos precisam se implementados, porque a percepção é que as melhorias estancaram, enquanto o tempo passa. Mas o pior que pode acontecer é o MEC ser apenas uma base para o exercício de política partidária.

Governadores do nordeste querem reforma política

Governadores eleitos do Nordeste pedem ampla reforma política, uma agenda positiva para o Brasil e combate constante à corrupção.

Encontro dos Governadores do Nordeste

Fonte: O Globo

Governadores do nordeste defendem a reforma política

Os governadores eleitos do Nordeste durante o encontro em João Pessoa. Foto: Hans von Manteuffel / O Globo

Governadores do Nordeste pedem reforma política e combate à corrupção

Em encontro na Paraíba, eles também reivindicaram um plano nacional de segurança e mais investimentos na saúde

Os governadores eleitos do Nordeste divulgaram nesta terça-feira uma carta em que pedem uma ampla “reforma política”, uma “agenda positiva” para o Brasil e “combate constante” à corrupção. Eles participaram de uma reunião no Centro de Convenções de João Pessoa, na Paraíba, onde exigiram ainda a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Semi Árido, um plano nacional de segurança e novas formas de financiamento para o setor da saúde.

Foi o primeiro encontro do fórum de governadores do Nordeste, destinado a elaborar uma pauta comum de revindicações para a região, que sofre os mesmos problemas, como as secas constantes, a defasagem de crescimento e ostenta os piores índices sociais do país.

O governador anfitrião Ricardo Coutinho (PSB) lembrou que, embora o Nordeste concentre 27,8% da população, a região responde por apenas 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O grupo reivindica pedem novas fontes de financiamento, principalmente para a área da Saúde.

De acordo com o documento, o governo federal e o Congresso “precisam abrir uma discussão que traga recursos financeiros para o custeio do Sistema Único de Saúde”. O governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), defendeu urgência na medida, lembrando que há 25 anos o governo federal financiava 80% da Saúde, quando atualmente custeia apenas 45% dos serviços.

– Há repasse, porém de mais responsabilidade. É preciso rediscutir a Saúde em um novo federalismo. Precisamos contribuir com o debate nacional sobre o assunto – disse Câmara.

Os governadores também defenderam mudanças no financiamento da Educação, revendo a transferência do Fundeb, levando-se em conta a proporcionalidade entre alunos que usam escola pública versus escolas privadas. Eles exigiram uma reforma política, “pela qual preservem e construam espaços de participação popular”.

Na carta, os governadores apoiaram investigações para “o combate incessante à corrupção”, “com punição de todos os culpados em quaisquer casos”. Quase todos os governadores se referiram aos problemas de corrupção durante o encontro.

– O Brasil tem vivido de forma recorrente uma agenda negativa, como se o país tivesse, todos os dias, um escândalo novo de alguma coisa – reclamou Coutinho.

– Precisamos de formas para combater a corrupção. O Brasil arrecada tributos de forma compatível com outras nações desenvolvidas, mas é necessário ter eficiência na aplicação de recursos. Temos uma carga tributária semelhante a de outros países, mas o resultado não é compatível – criticou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Os governadores pediram também investimentos de infraestrutura e logística de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos do Nordeste, além do combate à violência.

Governo Dilma: Para CGU, Pronatec tem descontrole e falta de gestão

Auditoria inédita da CGU no Pronatec afirma que não é possível precisar quantos alunos assistem de fato às aulas e como foram gastos os recursos repassados pelo governo federal às escolas.

A falta de controle criou um ambiente favorável a fraudes, que já vêm sendo identificadas pelo Ministério Público Federal e pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Fonte: Folha de S.Paulo

Gestão deficiente: auditoria da CGU no Pronatec, uma das vitrines eleitorais de Dilma Rousseff (PT), apontou descontrole dos gastos públicos e ambiente favorável a fraudes.  Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Gestão deficiente: auditoria da CGU no Pronatec, uma das vitrines eleitorais de Dilma Rousseff (PT), apontou descontrole dos gastos públicos e ambiente favorável a fraudes. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Auditoria aponta descontrole em vitrine de Dilma

Auditoria inédita da CGU (Controladoria-Geral da União) no Pronatec, uma das vitrines eleitorais de Dilma Rousseff (PT), afirma que não é possível precisar quantos alunos assistem de fato às aulas e como foram gastos os recursos repassados pelo governo federal às escolas.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, é resultado da primeira fiscalização focada no programa —criado há três anos para formar técnicos e exaltado pela petista.

O relatório, produzido a partir de entrevistas e análise de documentos, foi finalizado em 27 de agosto, depois de manifestação do MEC (Ministério da Educação).

Ele aponta descontrole dos gastos públicos porque, diz a CGU, alunos desistentes continuam sendo contabilizados —e as instituições podem ser remuneradas por esse grupo que não frequenta mais as aulas, já que “não existe processo de prestação de contas nem análise e aprovação do cumprimento das vagas pactuadas com os ofertantes”.

Os auditores analisaram a execução do principal braço do programa, chamado de Bolsa-Formação, por meio do qual a União banca aulas gratuitas de ensino técnico e de qualificação profissional.

Ele representa cerca de 40% das mais de 8 milhões de matrículas no Pronatec —a maior parte das vagas é oferecida e custeada diretamente pelo Sistema S (Senai, Senac, Senat e Senar).

“O aluno desistente continua sendo contabilizado como se estivesse matriculado e a instituição recebe indevidamente o valor da Bolsa-Formação não utilizada”, afirma o relatório da CGU.

“Mesmo sem a cobrança, entrega e análise das prestações de contas, o FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] continuou transferindo recursos para as redes de ensino em 2013 e 2014, que juntos somam mais de R$ 4,5 bilhões”, diz a auditoria da CGU. Em 2011 e 2012, foram distribuídos R$ 1,7 bilhão em bolsas.

O governo federal nega descontrole.

DADOS FIDEDIGNOS

A auditoria diz que os problemas do programa começam pelo Sistec, sistema que gerencia as matrículas.

“A rede de ensino não é obrigada a corrigir os dados do Sistec, que vem apresentando falhas desde a sua implementação, nem é obrigada a apresentar dados fidedignos”, diz o documento.

A meta de 8 milhões de matrículas do Pronatec foi alcançada em agosto e vem sendo usada como trunfo por Dilma. Neste ano, a presidente já participou de pelo menos 11 formaturas do Pronatec —todas em Estados diferentes.

Segundo a propaganda eleitoral da petista, trata-se do “maior programa profissionalizante do mundo”.

Os auditores, porém, dizem que o sistema não permite o registro dos alunos que desistiram do curso. Tal falha impossibilita precisar quantos recebem a formação.

“O Sistec não permite cancelar o registro de alunos desistentes, considerados aqueles que se matricularam e não compareceram nos cinco primeiros dias letivos de curso”, diz o relatório da CGU.

As instituições deveriam “reconfirmar a matrícula” após cumprimento de até 25% da carga horária dos cursos de qualificação profissional ou dos quatro primeiros meses dos cursos técnicos. Mas a função não foi criada no sistema até hoje, admite o MEC.

A falta de controle criou um ambiente favorável a fraudes, que já vêm sendo identificadas pelo Ministério Público Federal e pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

No Pará, o então reitor do Instituto Federal em 2012 e outras 12 pessoas são acusadas de desvio de recursos —a denúncia foi aceita pela Justiça.

No Paraná, dez servidores do Instituto Federal são investigados sob a acusação de inflar o número de aulas e receber por isso. O TCU apura se houve irregularidade em bolsas a servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

CONTROLE

As falhas no Sistec já eram apontadas pela CGU em 2011, quando o Pronatec foi criado.

Usado desde 2009 como o principal sistema de controle da educação técnica no país, ele reúne dados oficiais sobre o alcance do Pronatec, mas enfrenta problemas de confiabilidade nas informações há anos, relatou a CGU.

Até um morto apareceu como aluno do programa, avisou o órgão ao MEC. Os auditores cruzaram os dados com o Sistema de Controle de Óbito e viram que a matrícula havia sido feita após a suposta morte do “aluno”.

A pasta afirmou à CGU que irá averiguar a conveniência de integrar os banco de dados, uma vez que até agora apareceu apenas um morto num universo de dois milhões de matrículas checadas.

De acordo com os auditores, diante da situação, o MEC precisará “instituir um processo de recomposição cadastral, uma vez que a base de dados do Sistec encontra-se com problemas de divergência entre a situação cadastrada e a real”.

A CGU indicou ainda falta de pessoal na secretaria responsável pelo programa e de indicadores de qualidade, já que o MEC analisa apenas o número de matrículas realizadas para medir o desempenho do Pronatec. “Este indicador não permite avaliar os impactos sociais e econômicos que se pretende obter”.

O relatório da CGU ajuda a entender pontos que vêm sendo questionados pela reportagem há 36 dias.

A Folha pede desde o dia 10 de setembro que o MEC explique quantas pessoas físicas participam do Pronatec, como é feito o controle de alunos desistentes e como a pasta evita fraudes.

Até agora, o MEC negava-se a responder, alegando que precisa de tempo para levantar os dados, sem precisar quando as informações poderiam ser fornecidas.

CINCO FRENTES

Pronatec – Lançado em outubro de 2011, o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) se transformou numa das principais bandeiras de Dilma na educação. Objetivo: 8 milhões de matrículas em cursos de ensino técnico e qualificação profissional até 2014

1. Bolsa-formação: custeio de vagas em cursos técnicos e de qualificação em instituições públicas, privadas e no Sistema S (Senai, Senac, Senar e Senat)

2. Brasil Profissionalizado: compra de equipamentos para a rede estadual de ensino técnico

3. Rede e-Tec Brasil: oferta de cursos à distância

4. Acordo de gratuidade: compromisso do Sistema S de alocar mais recursos e aumentar vagas gratuitas destinadas a pessoas de baixa renda

5. Rede federal: investimentos para expandir a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. 

Aécio propostas: ampliar horário de creches e pré-escolas

O objetivo é dar tempo suficiente para que as mães possam pegar seus filhos nesses locais, já que o trânsito das cidades atrapalham.

Eleições 2014

Fonte: PSDB

Aécio vai ampliar horário de creches e pré-escolas

Aécio: “As creches, que não foram construídas neste governo, serão construídas e ficarão abertas até às 20h”. Foto: Marcos Fernandes.

Aécio promete ampliar horário de creches e pré-escolas

O candidato quer estender licença-maternidade para que mães acompanhem os recém-nascidos no hospital

O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, reafirmou nessa quinta-feira (23/10), no Rio de Janeiro (RJ), seu compromisso com iniciativas que beneficiem diretamente a mulher trabalhadora e prometeu ampliar o horário de atendimento das creches e das pré-escolas públicas até às 20h em todo o país. O objetivo, segundo ele, é dar tempo suficiente para que as mães possam pegar seus filhos nesses locais, já que o trânsito das cidades e outras dificuldades de deslocamento atrapalham a vida dessas famílias hoje.

“[No nosso futuro governo], as creches, que não foram construídas neste governo, serão construídas e ficarão abertas até às 20h. Todas as creches públicas terão seu horário estendido, em razão das modificações claras que existem hoje no cotidiano das famílias”, afirmou Aécio em entrevista à imprensa, acrescentando que o mesmo valerá para pré-escola.

Em seguida, Aécio acrescentou que: “Nós estamos adaptando o funcionamento desses espaços de proteção da criança até um horário mais compatível com a realidade contemporânea das mães e das famílias”.

O candidato explicou que a demanda pela ampliação do horário foi encaminhada por mães de várias partes do Brasil, em especial do Nordeste, e foi incorporado ao programa de governo da coligação.

Licença-maternidade

Aécio assumiu também o compromisso de garantir uma lei que amplie a licença-maternidade de mães cujos filhos recém-nascidos ficam internados logo após o nascimento por algum problema de saúde, baixo peso ou outros motivos. Aécio disse que o tempo da licença maternidade começará a contar somente depois que a criança deixar o hospital.

“Parto de uma experiência pessoal recente que tive, mas também de uma demanda que recebi de varias mães”, explicou ele, referindo-se ao fato de seus filhos que nasceram prematuros em junho – Bernardo e Julia – terem ficado internados. “Nós vamos garantir que a licença-maternidade passe a contar apenas a partir do momento em que o filho que tenha tido algum tipo de problema saia da rede hospitalar. Assisti inúmeros casos de mães que perderam seu emprego porque seus filhos ficaram dois, três, em muitos casos, mais meses internados”, afirmou o candidato.

Aécio também reafirmou seu compromisso com a melhora da qualidade de ensino das escolas públicas. “Nós queremos uma escola que valorize, que capacite os professores e que ensine os alunos”, disse. Ele reiterou a necessidade de implantar nacionalmente o programa Poupança Jovem, criado durante seu governo em Minas Gerais. A inciativa concede uma bolsa de estudo para que jovens que deixaram a escola retornem aos estudos.

Combate às drogas

Questionado sobre suas propostas para combater as drogas em território nacional e tratar os usuários, Aécio explicou que o primeiro passo é exatamente impedir que os entorpecentes entrem tão facilmente no Brasil, sem ação dos países vizinhos para coibir o tráfico.

“A Bolívia, por exemplo, produz quatro vezes mais folha de coca do que usa para o seu consumo nos seus altiplanos. Isso é uma sinalização clara de que não há ali uma preocupação desses países, talvez até uma vista grossa”, disse Aécio.

Aécio lamentou a falta de investimentos do atual governo na Polícia Federal e em ações que impeçam que as drogas cheguem ao território brasileiro.

“Controlar as nossas fronteiras, com investimentos na Polícia Federal, que tem o pior orçamento de investimentos dos últimos cinco anos, fortalecer as Forças Armadas, para que elas possam, também profissionalizadas e valorizadas, ser um instrumento parceiro da Polícia Federal no controle das nossas fronteiras”, afirmou o candidato.

No caso do tratamento aos usuários de drogas, Aécio se comprometeu a ampliar experiências dos governos de Minas Gerais e São Paulo. “Nós vamos ampliar Brasil afora as clínicas de recuperação, em parceria não apenas com o setor público, mas em parceria com ONGs, com igrejas, que podem ajudar o Estado a cumprir esse papel que, solitariamente, não cumpre”, afirmou.

 

Esconde-esconde: Governo Dilma oculta dados negativos da gestão deficiente

Estatísticas sobre 7 milhões de alunos e resultado da arrecadação de tributos em setembro ficam para depois da eleição.

Eleições 2014

Fonte: Folha de S.Paulo

Governo Dilma esconde dados negativos da gestão deficiente

Governo Dilma segura divulgação de dados que podem afetar campanha. Foto: Divulgação.

Governo segura divulgação de dados que podem afetar campanha de Dilma

Estatísticas sobre 7 milhões de alunos e resultado da arrecadação de tributos em setembro ficam para depois da eleição

Órgãos responsáveis apontam questões administrativas, técnicas e legais para justificar adiamento

Por decisão do governo federal, o país chegará ao segundo turno da eleição presidencial no domingo sem ter dados atualizados sobre o desempenho dos alunos em português e matemática e a arrecadação de tributos, estatísticas potencialmente negativas para a campanha da presidente Dilma Rousseff.

Como a Folha informou, também só serão divulgados depois da eleição dados sobre o desmatamento e um novo estudo sobre o contingente de pobres e de miseráveis.

Avaliações independentes ou informações oficiais já publicadas sinalizam que os indicadores mostrarão piora nessas duas áreas.

Diferentes instituições do governo Dilma Rousseff responsáveis por esses dados apontam questões técnicas, administrativas ou legais para explicar o que houve.

No caso da educação, tradicionalmente até agosto são apresentados os resultados de um exame nacional aplicado, a cada dois anos, a mais de 7 milhões de alunos.

Em setembro, o Ministério da Educação divulgou indicador que usa como base a prova de 2013 e a taxa de aprovação dos alunos –o Ideb–, sem mostrar qual foi o resultado em cada âmbito.

Assim, não é possível saber como está o nível atual dos estudantes brasileiros em português e matemática.

Por meio de dados secundários do próprio ministério, é possível estimar que os estudantes do ensino médio tiveram notas piores na prova nacional, mas menor reprovação nas escolas.

Os colégios nesse nível de ensino são mantidos majoritariamente pelos Estados, mas cabe à União induzir melhorias no sistema.

Já os alunos do ensino fundamental devem ter obtido desempenho positivo nas duas matérias.

Associação de funcionários do Inep (órgão que organiza a prova) divulgou carta pedindo autonomia ao órgão e “proteção frente a demandas de caráter privado”.

O professor da USP Ocimar Alavarse, especialista em avaliações educacionais, afirma que o intervalo entre a aplicação da prova (novembro de 2013) e a divulgação dos resultados (provavelmente novembro de 2014) “limita a análise” dos dados.

ECONOMIA

Outra informação que será divulgada apenas após as eleições é o resultado da arrecadação de tributos em setembro. Mantida a tendência recente, a arrecadação será menor do que a esperada pela gestão Dilma.

O anúncio normalmente ocorre até o dia 25. Em abril, maio e junho, porém, foi feito após essa data (nos dias 27, 26 e 28, respectivamente).

Na aferição do desmatamento da Amazônia, cujos resultados são divulgados todo mês, apenas em novembro serão publicados os dados de agosto e setembro.

Segundo análise da ONG de pesquisa Imazon, a taxa subiu 191% se comparado os bimestres de 2013 e 2014.

Outra divulgação postergada foi o estudo do Ipea que analisará o número de miseráveis no país. Um diretor chegou a pedir afastamento devido à decisão.

Segundo pesquisa do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), houve, no ano passado, pequeno aumento no número de indigentes. A informação já foi usada pelo tucano Aécio Neves em sua campanha.

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