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Nordestinos são os maiores prejudicados pela crise, mostra pesquisa

No Nordeste, o desemprego cresceu em sete dos nove estados e já ultrapassa os dois dígitos na média da região.

Desemprego aumentou em 22 dos 27 estados e unidades da federação no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2014.

Fonte: O Globo

Nordestinos são os maiores prejudicados pela crise, mostra pesquisa

Deterioração fez com que, em muitos casos, desocupação chegasse ao maior nível da série do IBGE iniciada em 2012. Reprodução.


Desemprego cresce em 22 estados em 1 ano e já supera os 10% no Nordeste

Diante de uma economia que não cresce há cinco trimestres, a piora do mercado de trabalho é disseminada por todo o país. O desemprego aumentou em 22 dos 27 estados e unidades da federação no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2014. No Nordeste, o desemprego cresceu em sete dos nove estados e já ultrapassa os dois dígitos na média da região. No Sudeste e no Sul, todos os estados registraram alta da desocupação. Na Região Norte, isso ocorreu em cinco dos seis estados; no Centro-Oeste, houve alta em três dos quatro estados.

A deterioração dos números fez com que, em muitos casos, o desemprego chegasse ao maior nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, iniciada em 2012. Na média nacional, a taxa foi de 8,3% entre abril e junho, o maior nível da série. O mesmo fenômeno ocorre em quatro estados: São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.

BAHIA SOFRE COM CORTES NA CONSTRUÇÃO CIVIL

No Nordeste, a taxa, que é historicamente mais alta, subiu de 8,8% para 10,3% na comparação entre os segundos trimestres de 2014 e de 2015. O nível é menor que o recorde de 10,9% do primeiro trimestre de 2013, mas é o mais alto desde então.

Três estados da região têm desocupação acima dos 10%: Rio Grande Norte (11,6%), Alagoas (11,7%) e Bahia (12,7%, a mais alta taxa no país). O Amapá, na Região Norte, é o quarto e último estado com taxa de dois dígitos (10,1%).

— Apesar dos esforços de investimentos em infraestrutura e educação, que permitiram um crescimento maior do Nordeste, a taxa de desemprego ainda é maior que em outras regiões do país. Agora, em um momento de ajuste, com contingenciamento de recursos, o Nordeste acaba sentindo mais — explica a professora de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Valdenia Apolinario, estudiosa do mercado de trabalho.

Glacivaldo Correia Lima, de 27 anos, é um dos nordestinos que atualmente estão em busca de trabalho. Morador de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana de Recife, ele foi demitido da fábrica de cerâmicas onde trabalhava em julho, junto com pelo menos mais 40 colegas. Em Pernambuco, a taxa de desemprego já chega a 9,1%, frente aos 8,8% do segundo trimestre do ano passado. A crise da economia, conta Glacivaldo, foi a justificativa para as demissões. Agora, ele busca uma vaga na área de sistemas de informação.

— Estou no quinto período da faculdade e vou aproveitar que fui demitido para procurar algo no que estou estudando. É uma área com mais chances de crescimento, mas está difícil encontrar emprego — lamenta Glacivaldo, que mora com os pais.

Na Bahia, que amarga o maior desemprego do país, os setores de construção civil e serviços têm contribuído para o momento ruim do mercado de trabalho. A construção absorvia 8,9% da população ocupada no segundo trimestre de 2014, mas essa fatia caiu para 8,4% no segundo trimestre deste ano.

— A Bahia é um estado em que a agricultura tem uma presença maior que no resto do país, assim como o setor de serviços. Além disso, a informalidade também aumentou — explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Os únicos estados do país em que não houve aumento do desemprego entre o segundo trimestre do ano passado e o mesmo período de 2015 foram Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, Sergipe e Distrito Federal.

— O mercado de trabalho está piorando em ritmo muito rápido e de forma muito intensa. O que a Pnad Contínua mostra é a generalização dessa piora, que é mais ampla do que vinha sendo registrada pela Pesquisa Mensal do Emprego (PME), que acompanha apenas as regiões metropolitanas brasileiras — afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ João Saboia.

FALTA DE VAGAS ALÉM DAS METRÓPOLES

A avaliação de Saboia é que os dados não chegam a ser uma surpresa diante do que vem sendo observado no mercado de trabalho. Para ele, o mérito da Pnad Contínua é justamente mostrar o cenário em escala nacional, muito além da realidade das grandes cidades.

— A economia está em contração desde meados de 2014, e ainda há muita incerteza sobre sua retomada. O mercado de trabalho, que é a última ponta a sentir o reflexo da crise, agora passa por um ajuste generalizado. A Pnad Contínua é mais abrangente e mostra isso — explica o economista da Tendências Consultoria Rafael Bacciotti, que ainda espera uma piora no emprego.

Cimar Azeredo, do IBGE, explica que o aumento do desemprego ocorreu em “praticamente quase todos os estados da federação”, e os dados confirmam que a economia “não está favorável”. Os números apontam uma maior busca por trabalho, segundo ele:

— O mercado de trabalho entrou em um processo de perda do que tinha conquistado nos últimos anos, tanto em termos de patamar da taxa de desocupação quanto no nível da ocupação e na perda dos empregos com carteira de trabalho.

 

Corte de gastos no governo não para, e em 2016 pode chegar a vez dos programas sociais

Governo vai rever programas sociais, como já fez com o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), e também atacar os gastos da Previdência Social.

Na linha do ajuste, o governo editou uma nova medida provisória (MP) que aumenta uma série de taxas cobradas por órgãos públicos.

Fonte: O Globo

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Ajuste fiscal do governo não será feito apenas em 2015; governo vai rever programas sociais. Reprodução.

Governo prevê mais impostos e cortes em programas sociais em 2016

Proposta de Orçamento para o ano que vem deve mexer em gastos obrigatórios

Engana-se quem pensa que o ajuste fiscal se resumirá a este ano. Para garantir a meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 2016, de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), a equipe econômica já se prepara para mais cortes nos gastos e novos aumentos de impostos.

Segundo integrantes do governo, a proposta orçamentária do ano que vem, que será enviada ao Congresso até 31 de agosto, tem redução nas despesas — e, como já não há mais margem para cortes nos gastos discricionários, o alvo serão os gastos obrigatórios.

Isso significa que o governo vai rever programas sociais, como já fez com o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), e também atacar os gastos da Previdência Social. Na linha do ajuste, o governo editou uma nova medida provisória (MP) que aumenta uma série de taxas cobradas por órgãos públicos.

ALTA DE TAXAS EM ÓRGÃOS PÚBLICOS

Os técnicos lembraram que a área econômica já vem discutindo uma espécie de reforma da Previdência, com ajustes da fórmula 95/85, que representa a soma da idade da pessoa e do tempo de contribuição, mas novas medidas nesse setor podem ser adotadas. No caso das despesas discricionárias, a ideia é que elas fiquem, pelo menos, no mesmo patamar de 2015.

Do lado das receitas, também será preciso reforço. Isso significa mais aumentos de tributos e novas vendas de ativos. Entre eles estão empresas do grupo Petrobras, como Gaspetro e Transpetro.

— Vai ser um ajuste muito duro — disse uma fonte da área econômica.

Na conta das receitas, o governo também quer colocar a venda da folha dos servidores públicos e de imóveis da União. O problema é que o interesse das instituições financeiras por novas folhas de pagamento diminuiu. Apesar de o crédito consignado ser um tipo de financiamento seguro — porque o desconto é feito em folha de pagamento, e o risco de inadimplência é baixíssimo —, os grandes bancos mudaram a estratégia dos últimos anos e não querem aumentar a base de clientes.

Os técnicos admitem que algumas medidas adotadas nas últimas semanas, como a não antecipação do 13º salário dos aposentados e a suspensão do aval do Tesouro para empréstimos externos de estados e municípios, foram uma forma de “preparar o terreno” para o cenário difícil de 2016.

Segundo a MP 687, publicada no Diário Oficial da União, serão reajustados os valores da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica (Condecine), a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), os serviços e produtos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e as taxas processuais do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo o governo, a Condecine, cobrada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e pela Receita Federal, está apenas sofrendo uma atualização monetária prevista no Código Tributário Nacional (CTN) e não significa um aumento de tributo. Mesmo assim, ela representará uma elevação de arrecadação de R$ 320 milhões em 2015, de R$ 640 milhões em 2016 e R$ 640 milhões em 2017.

A proposta também prevê a redução de 30% para 20% do valor da Condecine para obras de baixo potencial econômico, mas com acentuado caráter artístico-cultural. Isso iguala o valor ao cobrado para obras brasileiras não publicitárias. Também foi fixada em 20% a taxa para obras que tenham sido previamente exploradas em salas de exibição com número reduzido de cópias (até seis), ou exibidas em festivais ou mostras.

A MP também encarece a conta para empresas que precisam submeter atos de concentração ao Cade. A taxa vai subir de R$ 45 mil para R$ 85 mil a partir de 1º de janeiro de 2016.

Desemprego no Brasil é o maior em seis anos

Resultado surpreendeu os analistas, que esperavam uma taxa de no máximo 7,3%; em um ano, aumentou em 662 mil o número de pessoas na fila por um emprego.

Em julho de 2014, o desemprego estava em 4,9%. O avanço de 2,6 ponto percentual da taxa de julho deste ano é o maior já registrado na série.

Fonte: Estadão

Brasil, Brasília, DF. 03/03/2004. Manifestantes mostram carteira de trabalho durante manifestação dos funcionários de bingos, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, pedindo a reabertura das casas de bingo no Brasil, após assinatura de medida provisória proibindo o jogo no Pais. - Crédito:JOEDSON ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:107754

Sindicato dos Comerciários de São Paulo fez ato em defesa do emprego na quarta-feira. Foto: Joedson Alves 

Sindicato dos Comerciários de São Paulo fez ato em defesa do emprego na quarta-feira.

Desemprego acelera para 7,5% em julho e atinge a maior taxa para o mês em seis anos

A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil acelerou para 7,5% em julho, ante 6,9% em junho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do mês passado surpreendeu os analistas, ficando acima do teto do intervalo das estimativas apuradas pela Agência Estado, que esperavam taxa entre 6,60% e 7,30%, com mediana em 7%.

A taxa de desemprego em julho é a maior para o mês desde 2009, quando chegou a 8%, e a mais alta desde março de 2010 (7,6%). Se considerados todos os meses, a taxa de desempregoé a maior desde março de 2010, quando atingiu 7,6%. A série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego começa em março de 2002.

Em julho de 2014, o desemprego estava em 4,9%. O avanço de 2,6 ponto porcentual da taxa de julho deste ano é o maior já registrado na série. As demissões e a maior procura por emprego provocaram esse movimento, segundo o IBGE.

O rendimento médio real do trabalhador, já descontados os efeitos da inflação, foi de R$ 2.170,70 em julho de 2015, segundo o IBGE. O resultado representa um avanço de 0,3% em relação a junho e um recuo de 2,4% ante julho do ano passado.

A massa de renda real habitual dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou R$ 49,9 bilhões em julho, o que significa uma alta de 0,3% em relação a junho. Na comparação com julho de 2014, o montante diminuiu 3,5%.

Já a massa de renda real efetiva dos ocupados totalizou R$ 50,2 bilhões em junho deste ano, alta de 0,2% em relação ao mês de maio. Ante junho de 2014, houve redução de 3,1% na massa de renda efetiva.

Mais desempregados. A população desocupada aumentou de forma abrupta no mês de julho, com 662 mil pessoas a mais na fila por um emprego na comparação com igual mês do passado. O avanço de 56% no período é o maior já registrado na série da pesquisa. Ao todo, 1,844 milhão de pessoas estão atrás de uma vaga nas seis principais regiões metropolitanas do País, o maior número desde agosto de 2009. Na comparação com junho, a população desocupada cresceu 9,4%, o que representa 158 mil pessoas.

Enquanto isso, a população ocupada continuou encolhendo. Em julho ante igual mês de 2014, a queda foi de 0,9%, ou seja, 206 mil pessoas perderam o emprego no período. Em relação a junho deste ano, o indicador ficou estável, com demissão de seis mil.

A população não economicamente ativa, que no ano passado era um destaque de crescimento, agora exibe números bem mais tímidos. Em relação a julho do ano passado, o avanço foi de 0,5%, com 90 mil pessoas a mais nessa condição. Já em julho ante junho de 2015, esse contingente teve redução de 22 mil pessoas, ou queda de 0,1% neste confronto.

A população em idade ativa cresceu tanto na comparação de julho ante junho (+0,3%) quanto contra julho do ano passado (+1,3%). A população economicamente ativa (que inclui trabalhadores e quem busca por emprego) também aumentou. O avanço foi de 0,6% em julho ante junho (+152 mil pessoas) e de 1,9% ante julho de 2014 (+456 mil pessoas).

Previsões para a economia brasileira são péssimas

Projeções para o PIB foram reduzidas: expectativa é de retração de 1,97% neste ano e estagnação em 2016.

Economistas passaram a estimar contração de 1,97% em 2015, contra 1,80% antes.

Fonte: O Globo

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Levantamento mostra que a estimativa para o IPCA subiu de 5,40% de alta de 5,43% do IPCA em 2016 e crescimento econômico nulo. Reprodução.

Economistas pioram previsões e agora esperam que inflação de 2015 seja a mais alta desde 2002

Projeções para o PIB também foram reduzidas: expectativa é de retração de 1,97% neste ano e estagnação em 2016

Economistas de instituições financeiras aumentaram suas projeções para a inflação em 2016 e passaram a esperar estagnação do Produto Interno Bruto no ano que vem e uma queda de quase 2% neste ano, mostrou nesta segunda-feira a pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central com analistas. O levantamento mostra que a estimativa para o IPCA subiu de 5,40% de alta de 5,43% do IPCA em 2016 e crescimento econômico nulo. Para 2016, a previsão até a semana anterior era de que houvesse expansão de 0,20%.

Além da perspectiva de crescimento nulo em 2016, o Focus mostrou pela quarta semana consecutiva um aprofundamento na queda do PIB neste ano. Economistas passaram a estimar contração de 1,97% em 2015, contra 1,80% antes. Para o IPCA neste ano, houve elevação de 9,25% para 9,32%, a 17ª seguida semana de alta e a maior desde 2002, quando fechou a 12,53%.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, o Banco Central disse que a convergência da inflação para o centro da meta em 2016 — de 4,5% pelo IPCA — tem se fortalecido e os riscos são “condizentes com efeitos acumulados e defasados da política monetária”, mas que ainda é preciso manter-se “vigilante em caso de desvios significativos”.

Na última sexta-feira, o IBGE informou que o IPCA acumulado nos primeiros sete meses do ano chegou a 6,83%, o índice mais elevado para o período de janeiro a julho desde 2003 (6,85%). No ano fechado de 2003, o IPCA foi de 9,30%.

Julho viu alguns cortes de estimativas dos economistas sobre a inflação em 2016, movimento que corroborou nos mercados financeiros as expectativas de fim do ciclo de alta dos juros básicos.

Mas a piora das projeções sobre os preços no Focus da semana passada não foi suficiente para levar os economistas a mudarem suas previsões para a política monetária, ainda prevendo que a taxa básica de juros terminará este ano a 14,25%, patamar atual, e o ano que vem a 12%.

No mercado de juros futuros, a curva de DIs já mostra chances majoritárias de nova elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros em setembro, a 14,50%.

Em julho, a autoridade monetária elevou a Selic em 0,50 ponto percentual e sinalizou o término do aperto monetário, mas esse cenário vem sendo colocado em xeque nas últimas semanas devido, entre outros fatores, à alta do dólar sobre o real, que tende a pressionar a inflação. O Focus passou a mostrar a moeda dos EUA a R$ 3,40 no fim deste ano, frente a R$ 3,35 no levantamento anterior. Em 2016, subiu de R$ 3,49 para R$ 3,50.

O dólar mais caro deve favorecer as exportações e levou o mercado a aumentar a projeção para o saldo positivo da balança comercial de US$ 6,40 bilhões para US$ 7,70 bilhões em 2015. Para o ano que vem, o superávit estimado também subiu de US$ 14,79 bilhões para US$ 15 bilhões.

A deterioração das projeções segue a do cenário político que joga mais incerteza sobre a capacidade do governo de controlar as contas e contornar a crise. Para a indústria, a retração prevista pelo Focus também piorou de 5% — patamar em que foi mantida por três semanas — para 5,21%. Ao olhar para 2016, os economistas também reduziram a projeção para o setor de alta de 1,30% para 1,15%.

As mudanças nas estimativas vêm em meio à pior crise política do Brasil desde o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que tem abalado a já fraca economia e a confiança dos agentes econômicos.

Desde 2003 a inflação não é tão alta no Brasil

Em 12 meses, a inflação chegou a 9,56%, ante 8,89% no período de 12 meses encerrado em junho. É a maior desde novembro de 2003.

Meta do governo para o ano fechado é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%, mas o próprio Banco Central já espera que a taxa feche em torno de 9%.

Fonte: O Globo

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Preços em alta: cliente escolhe carne em supermercado do Rio. Foto: Pedro Kirilos / O Globo.

Inflação desacelera em julho, mas em 12 meses passa de 9% pela 1ª vez desde 2003

IPCA, divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, ficou em 0,62% no mês passado. Em um ano, acumula 9,56%

Considerada a taxa oficial no país, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,62% em julho, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. O resultado representa uma desaceleração frente ao comportamento de junho, quando o índice subiu 0,79%.

Em 12 meses, a inflação chegou a 9,56%, ante 8,89% no período de 12 meses encerrado em junho. É a maior desde novembro de 2003. No ano, a alta é de 6,83%. A meta do governo para o ano fechado é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%, mas o próprio Banco Central já espera que a taxa feche em torno de 9%.

A última pesquisa Focus, do Banco Central (BC), indicava que analistas de mercado esperavam uma taxa média de 0,58% para o IPCA de julho. Mais uma vez a pressão veio da conta de energia elétrica, que subiu 4,17% e foi responsável por 0,16 ponto percentual. Alimentos e bebidas subiram 0,65%, pouco acima de junho, quando avançaram 0,63%.

Habitação subiu 1,52% em julho, enquanto em junho a variação foi de 0,86%.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na quinta-feira, admite que para este ano atingir a meta de 4,5% é praticamente impossível. Mas o documento mostra que a crise econômica eleva as chances de o BC conseguir alcançar o centro do alvo para a inflação oficial no fim do ano que vem.

PT nega o diálogo para combater a crise no Brasil

Lula e o PT usaram o programa para bater a valer nos adversários a quem praticamente responsabilizaram pela crise atual.

Depois da exibição do programa petista, governo e oposição fincam seus pés definitivamente em campos opostos.

Fonte: Estadão

PT nega o diálogo para combater a crise no Brasil

Em tom de programa eleitoral, o programa rejeitou qualquer papo com a oposição. Reprodução.

 

Em tom de programa eleitoral, o programa rejeitou qualquer papo com a oposição.Reprodução.

Programa do PT bate na oposição e enterra qualquer chance de pacto

Durante as últimas duas semanas, integrantes do governo federal e líderes petistas acenaram publicamente com uma tentativa de aproximação política com os partidos de oposição. O gesto tinha como objetivo a formação de uma espécie de pacto nacional em nome de uma recuperação rápida na economia. Além disso, essa união buscaria evitar uma crise institucional num momento turbulento.

Em tom de campanha eleitoral, o programa partidário do PT mostrou nessa quinta-feira que o movimento era pura balela. Petistas, incluindo o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, usaram o programa para bater a valer nos adversários a quem praticamente responsabilizaram pela crise atual.

Foram exibidas fotos de líderes da oposição, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado pela presidente Dilma Rousseff na eleição passada, e os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e José Agripino (DEM-RN), além dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Todos foram chamados de oportunistas pelo programa e foi dito que pensavam apenas nos próprios interesses.

A questão contra a oposição foi ainda reforçada no programa petista na fala de Lula, que disse que a pior crise de qualquer governo petista ainda é melhor do que a dos governos adversários. Embora o Instituto Lula tenha negado a aproximação de Lula com a oposição, intermediários do ex-presidente teriam procurado o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para justamente iniciar uma rodada de conversas sobre a crise. Se os assessores de Lula procuraram desmentir o movimento, ministros como Jaques Wagner, da Defesa, e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação, afirmaram publicamente que as conversas com a oposição seriam bem vindas.

Além disso, em depoimento na Câmara dos Deputados, na quarta-feira, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também elogiou a oposição, num aceno político para os adversários. Depois da exibição do programa petista, governo e oposição fincam seus pés definitivamente em campos opostos.

Nível de investimentos na Petrobrás é o menor em 7 anos

Ao todo, a Petrobras possui R$ 83 bilhões para investimentos neste ano, menor dotação desde 2009.

A companhia já apertou os cintos e comprometeu osinvestimentos desde o início do ano. Só no primeiro semestre, obras e serviços tiveram aplicações retraídas em 22%.

Fonte: ONG Contas Abertas 

Nível de investimentos na Petrobrás é o menor em 7 anos

Entre janeiro e junho deste ano, os investimentos da Petrobras atingiram apenas R$ 32,7 bilhões. No primeiro semestre de 2014, os valores somaram R$ 42,3 bilhões. Divulgação.

Entre janeiro e junho deste ano, os investimentos da Petrobras atingiram apenas R$ 32,7 bilhões. No primeiro semestre de 2014, os valores somaram R$ 42,3 bilhões. Divulgação

Endividada e em crise, Petrobras diminui investimentos em quase um quarto

A Petrobras, com a promessa do pré-sal, não será mais a locomotiva do crescimento econômico brasileiro. Apesar de ter anunciado o novo Plano de Negócios menor somente no final de junho, para reduzir o endividamento, a companhia já apertou os cintos e comprometeu os investimentos desde o início do ano. Só no primeiro semestre, obras e serviços tiveram aplicações retraídas em 22%.

Entre janeiro e junho deste ano, os investimentos da estatal atingiram apenas R$ 32,7 bilhões. No primeiro semestre de 2014, os valores somaram R$ 42,3 bilhões. Em valores constantes, atualizados pelo IPCA, a queda foi de quase R$ 10 bilhões no período. Desde 2009, o nível de investimentos da petroleira não era tão baixo.

As informações levantadas são fornecidas pela própria Petrobras ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Ao todo, a Petrobras possui R$ 83 bilhões para investimentos neste ano, menor dotação dos últimos sete anos.

Para a Petrobras, a realização de investimentos acumulada no primeiro semestre de 2015 reflete “adequadamente o grau de maturidade dos projetos e o andamento das obras como previsto no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019”.

A estatal explicou que a primeira diferença nas aplicações acontece em razão da redução no ritmo de investimentos no Comperj, segundo trem de refino da Refinaria Abreu e Lima e unidades de fertilizantes.

Além disso, segundo a Petrobras, no ano passado houve a conclusão de diversos projetos de tratamento e qualidade de derivados nas refinarias, além da entrada em operação do primeiro trem de refino da Refinaria Abreu e Lima.

Dessa forma, entre os programas, o mais prejudicado foi o Combustíveis, que tem como um dos objetivos a implantação das refinarias. A rubrica recebeu 53,7% a menos de investimentos do que ano passado. Já o programa “Petróleo e Gás” manteve o mesmo patamar de cerca de R$ 27,3 bilhões em investimentos no primeiro semestre.

Os números mostram que a empresa parou de aplicar grande volumes de recursos na parte de refino e na exploração e produção ao mesmo tempo. A estratégia da estatal, que rendeu grandes investimentos até o ano passado, era enfrentar as duas “frentes de batalha” ao mesmo tempo. Historicamente, esses setores se alternaram em volume de recursos.

Especialistas no setor de petróleo consideravam a estratégia boa para o país, mas muito arriscada para a empresa, pois a colocaria em situação de vulnerabilidade financeira. Foi o que aconteceu. De acordo com Alberto Machado, diretor de Petróleo, Gás, Bioenergia Petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), os últimos planos de investimentos da Petrobras eram fora da realidade e extremamente otimistas.

“Agora a Petrobras apresenta endividamento que não é natural em uma empresa de petróleo. Isso é incoerência. O plano de investimentos foi muito grandioso, feito sem planejamento e com aumento de custos da alta quantidade de aditivos”, explica.

Para o especialista, agora a Petrobras vai “cair na real”. O novo Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 da companhia prevê US$ 130,3 bilhões em investimentos – redução de 37% na comparação com o plano anterior, de 2014 a 2018. A companhia informou que o plano tem como “objetivos fundamentais a desalavancagem da companhia e a geração de valor para os acionistas”.

A prova da retração já neste ano está na dotação das principais iniciativas da Petrobras. A maior ação da companhia em 2015, em termos de recursos previstos é a de “desenvolvimento da produção de petróleo e gás naturalpré-sal”, que conta com R$ 12,9 bilhões. No primeiro semestre, R$ 6,1 bilhões foram efetivamente aplicados na iniciativa, isto é, 47,2% do autorizado. A dotação inicial da rubrica era de R$ 17,3 bilhões.

Já a rubrica de exploração de petróleo e gás natural em bacias sedimentares marítimas conta com R$ 9,3 bilhões porém, apenas R$ 2,8 bilhões foram desembolsados, menos de 30% do previsto para o ano. No entanto, a iniciativa tinha dotação de R$ 12,3 bilhões no início do ano.

Queda de rendimento de trabalhador brasileiro bate recorde

Na média entre janeiro e junho, o rendimento real (já descontando a inflação) do brasileiro ficou em R$ 2.195,05.

É a maior perda nos ganhos dos trabalhadores desde 2004, quando o recuo do primeiro semestre chegou a 3,09%.

Fonte: O Globo

Queda de rendimento de trabalhador brasileiro bate recorde

Trabalhadores estão sofrendo com redução dos ganhos. Reprodução.

Salários têm maior perda em 11 anos e levam mais gente a buscar emprego

Na média entre janeiro e junho, o rendimento real do brasileiro ficou em R$ 2.195,05, de acordo com o IBGE

A primeira metade de 2015 terminou com um balanço amargo para o mercado de trabalho. Na média entre janeiro e junho, o rendimento real (já descontando a inflação) do brasileiro ficou em R$ 2.195,05, valor 2,1% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. É a maior perda nos ganhos dos trabalhadores desde 2004, quando o recuo do primeiro semestre chegou a 3,09%. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. A taxa de desemprego subiu para 6,9% no mês passado, a mais alta para um mês de junho desde 2010.

E as perspectivas para o segundo semestre não são boas. Entre os economistas ouvidos pelo GLOBO, já há quem estime que a renda média do trabalhador encerre o ano em patamar 4% inferior ao do ano passado. É o caso de Rafael Bacciotti, economista do Tendências. Segundo ele, o cenário negativo do mercado de trabalho vai persistir no segundo semestre.

— Esse processo deve continuar ocorrendo. A gente não tem perspectiva de mudança na atividade. Pelo contrário, há um consenso de que a recuperação vai ficar para depois, em 2016 — afirma o analista, que espera uma taxa média de desemprego de 6,7% neste ano. Já Rodolfo Margato, economista do Santander, prevê queda de 3% da renda este ano.

— A perda na renda real não era esperada nessa magnitude. A explicação está na queda mais forte da atividade doméstica — destaca.

A alta do desemprego está diretamente ligada à queda da renda. Com mão de obra de sobra, a negociação salarial de quem está empregado fica mais difícil. Além disso, trabalhadores em busca de vagas acabam aceitando salários menores — uma tendência das empresas, em meio à economia mais lenta.

Após cinco meses desempregada, a ex-operadora de telemarketing Mariana Vieira Ewald, 30 anos, está disposta a ganhar menos para não ficar sem trabalho. Mãe de dois filhos, de 6 e 13 anos, ela era uma das dezenas de pessoas que buscavam vagas em um posto Secretaria do Trabalho, no Centro do Rio, nesta quinta-feira à tarde, e se mostrava bastante apreensiva. Desde que foi demitida, ela não consegue encontrar uma vaga que ofereça salário no mesmo patamar do anterior ou algum tipo de benefício, como vale-alimentação ou plano de saúde.

— Está muito difícil. Tenho conseguido me manter por conta da ajuda da família. Daqui para frente, estou aceitando o que vier, porque está muito difícil. Trabalhei por cinco anos em uma empresa, saí para ganhar mais em uma outra e, três meses depois, fui demitida. Nem seguro-desemprego pude usar. Fiz uma péssima troca — lamenta Mariana.

Na análise de Hélio Zylberstajn, professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do site Salários.org.br, da Fipe, se a taxa de desemprego divulgada refletisse a realidade de hoje, ela já teria passado dos 7%, e a tendência é continuar nessa escalada. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, também do IBGE e que analisa o mercado de trabalho em todo o país, a taxa de desemprego do período de março a maio foi de 8,1%.

– O rendimento real está sendo corroído pela inflação, que é o maior inimigo do consumidor. E o poder de barganha do trabalhador para negociar salários está cada vez mais fraco – avalia. – Até janeiro deste ano, os sindicatos de classes trabalhadoras conseguiam repor a inflação e ainda ter um ganho real nas negociações salariais. Depois disso, com o aumento dainflação, que já gira em torno de 9% (no acumulado de 12 meses), as empresas não têm nem reposto a inflação.

O processo funciona como em um círculo vicioso: a queda na renda provoca o aumento da desocupação, e vice-versa. Para Fábio Romão, economista da LCA Consultores, um dos fatores que permitiu que a taxa de desemprego se mantivesse baixa no ano passado foi a baixa pressão sobre o mercado, reflexo do maior número de pessoas que optavam por não trabalhar. Isso só era possível graças à alta na renda, um movimento que já começou a se reverter.

– Houve um período bastante importante de crescimento real da renda, e isso permitiu que principalmente os mais jovens postergassem a entrada no mercado de trabalho. Agora, é o contrário – analisa Fábio Romão.

Hoje, são justamente os jovens que mais sofrem com a falta de trabalho. O desemprego da população entre 18 e 24 anos avançou para 17,1% em junho, após ter ficado em 12,3% no mesmo mês do ano passado. É a maior para essa faixa etária desde agosto de 2009, quando chegou a 17,4%, porque a economia ainda se ressentia dos efeitos da crise econômica global.

Tradicionalmente, a desocupação entre os mais jovens é mais elevada. Mas o IBGE chama atenção para intensidade da alta registrada na comparação com o ano passado. O aumento de 4,8 pontos percentuais foi o maior entre as três principais faixas etárias acompanhadas pelo pesquisa do instituto. No grupo entre 25 a 49 anos, a taxa passou de 3,6% para 5,8% (diferença de 2,2 pontos percentuais) e, entre os com 50 anos ou mais, foi de 2% para 2,9% (alta de 0,9 ponto percentual). Na média geral, a taxa passou de 4,8% para 6,9% (diferença de 2,1 pontos percentuais).

Considerando todas as faixas de idade, o número de brasileiros que ingressou na chamada população economicamente ativa (pessoas que estão trabalhando ou procurando emprego) mês passado aumentou 0,9% em relação a junho de 2014. O percentual é considerado estatisticamente irrelevante pelo IBGE, mas representa 224 mil a mais na força de trabalho, que chegou a 24,4 milhões nas seis maiores regiões.

No mesmo período, o número de pessoas ocupadas diminuiu 1,3%, refletindo a onda de demissões observada nos últimos meses. Com isso, a fatia dos desempregados cresceu nada menos de 44,9% em um ano e chegou a 1,7 milhão de pessoas nas seis regiões metropolitanas acompanhadas pela pesquisa. A menor taxa de desemprego foi registrada na região metropolitana do Rio (5,2%), e a maior, em Salvador (11,4%).

— O crescimento da desocupação pode estar sendo provocado tanto por aqueles que perderam o emprego, quanto por aqueles que estão tentando entrar no mercado de trabalho e já entram na condição de desocupados — explica Adriana Beringuy, técnica do IBGE responsável pela pesquisa.

Além da queda da renda, os dados indicam criação menor de vagas em cada vez mais setores. No mês passado, a maior queda na população ocupada foi registrada no construção civil, que perdeu 5,1% de sua força de trabalho entre junho de 2014 e junho de 2015.

Apesar de concordar com o quadro negativo, Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp e especialista em mercado de trabalho, destaca que o emprego ainda tem mostrado sinais de resistência e que, diante da perspectiva de recuperação no ano que vem, é possível que empresários decidam evitar as demissões.

— Não há um sentimento de que o mergulho na recessão durará dois, três, quatro anos. Há uma grande expectativa de que o sinal de melhora ocorrerá no primeiro semestre do ano que vem. Se eu sou empresário, vou demitir somente aquilo que preciso — afirma Dedecca.

 

Jovens são os mais atingidos pelo desemprego no Brasil

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa de desemprego da população entre 18 e 24 anos avançou para 17,1% em junho.

É a maior taxa para essa faixa etária desde agosto de 2009, quando chegou a 17,4%.

Fonte: O Globo

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IBGE destacou a forte alta registrada na comparação com o ano passado. Reprodução.

Desemprego entre jovens é o maior desde agosto de 2009

Taxa chegou a 17,1%, bem maior que os 12,3% registrados no ano passado

A piora do mercado de trabalho tem afetado mais fortemente os mais jovens. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa de desemprego da população entre 18 e 24 anos avançou para 17,1% em junho, após ter ficado em 12,3% no mesmo mês do ano passado. É a maior taxa para essa faixa etária desde agosto de 2009, quando chegou a 17,4%. Naquela época, a economia ainda se ressentia dos efeitos da crise econômica global.

Tradicionalmente, a desocupação entre os mais jovens é mais elevada que a média. No entanto, o IBGE destacou a forte alta registrada na comparação com o ano passado. O avanço de 4,8 pontos percentuais frente a junho do ano passado foi o maior entre as três principais faixas etárias acompanhadas pelo instituto. No grupo entre 25 a 49 anos, a taxa passou de 3,6% para 5,8% (diferença de 2,2 pontos percentuais) e, entre os com 50 anos ou mais, foi de 2% para 2,9% (alta de 0,9 ponto percentual). Na média, a taxa passou de 4,8% para 6,9% (diferença de 2,1 pontos percentuais).

Uma possível explicação para o aumento do desemprego entre os mais jovens é a queda da renda, que pressiona os jovens a procurar vagas para ajudar no orçamento doméstico.— Vemos uma maior necessidade da população jovem ingressar no mercado de trabalho, seja porque o rendimento familiar precisa de ajuda ou o processo de qualificação foi concluído e ele parte para o mercado de trabalho. O que temos de concreto é que observamos pessoas de 18 a 24 anos pressionando muito mais o mercado de trabalho do que há um ano atrás — destaca Adriana Beringuy, técnica do IBGE responsável pela pesquisa.

De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a taxa de 6,9% registrada no mês passado foi a maior para junho desde 2010. O IBGE informou ainda que o rendimento médio real do trabalhador caiu 2,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 2.149.

Desemprego em massa chega às microempresas

Motor da geração de empregos formais no país desde 2012, as micro e pequenas empresas brasileiras tiveram em maio mais vagas formais fechadas.

Problema não ocorria desde 2009

Fonte: Folha de S.Paulo

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Considerando apenas esse segmento, foram fechados 6.007 postos de emprego formais em maio, segundo o Sebrae. Reprodução.

Microempresa desliga ‘motor do emprego’ e perde postos de trabalho

Vincenzo Barrella desceu do céu ao inferno em um ano. Sua fábrica Speciallità vendeu até 4 milhões de vidros de esmaltes mensais em 2014 impulsionada por um mercado aquecido e campanha com a atriz global Giovanna Antonelli. Mas aí veio a crise.

No início deste ano, o preço da água e da energia subiram, as vendas caíram para menos de 500 mil vidrinhos mensais, a produção encolheu. No fim, a metade dos 60 funcionários da fábrica de São Paulo foi demitida.

“A crise chegou a produtos considerados supérfluos”, disse Barrella, 50, que se esforça para não demitir mais.

Motor da geração de empregos formais no país desde 2012, as micro e pequenas empresas brasileiras tiveram em maio mais vagas formais fechadas do que abertas, pela primeira vez desde 2009.

Editoria de arte/Folhapress

Segundo dados do Sebrae, com base no Caged (cadastro do Ministério do Trabalho), o estoque de carteiras assinadas nas micro e pequenas encolheu em 456 vagas.

O número pode parecer modesto, mas em maio do ano passado o saldo positivo havia sido de 104 mil vagas. No pico, em 2010, foi de 1,6 milhão de empregos.

Os 9 milhões de micro e pequenas empresas são 99% das empresas do país, concentram 52% dos empregos formais e 25% do PIB.

Luciano Nakabashi, professor da USP Ribeirão Preto, diz que a tendência é de piora do emprego pela frente.

Ele lembra que a maior parte das micro e pequenas empresas (49% do total) atua no comércio, que começou a sentir mais fortemente a crise no início deste ano.

Considerando apenas esse segmento, foram fechados 6.007 postos de emprego formais em maio, segundo o Sebrae. A construção civil cortou 7.692 vagas no mês.

INFORMALIDADE

Para Marcel Caparoz, economista da RC Consultores, uma parcela das pequenas empresas também pode estar retornando para a informalidade por causa da crise.

A formalização do emprego no Brasil, diz ele, se deu nas micro e pequenas empresas. Hoje, esse processo parece paralisado.

O setor mais afetado, contudo, é o da pequena indústria de transformação, com o fechamento de 19 mil vagas em maio. Na pequena fabricante de parafusos Tec Stam, de São Paulo, um dos termômetros para avaliar a demanda do mercado é o número de ligações com pedidos de cotação. Mas há dias o telefone do escritório não toca.

Com a menor demanda da construção civil e de montadoras, a produção encolheu 35% desde setembro. Humberto Gonçalves, proprietário da empresa, teve que cortar de 38 para 36 o número de funcionários em maio.

“Após 22 anos de mercado, pela primeira vez, não somos capazes de enxergar quando as coisas vão melhorar”, diz Gonçalves.

De acordo com o levantamento do Sebrae, apenas dois segmentos tiveram saldo positivo: agropecuária, com a geração de 16.910 postos, e serviços, com geração líquida de 14.963 vagas.

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