Arquivos do Blog

Corrupção: Costa acredita que Dilma tinha conhecimento sobre esquema na Petrobras

Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pontuou achar “um pouco estranho” que Dilma não soubesse do esquema de desvios da Petrobras.

Dilma como ministra do Governo Lula presidiu Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010.

Fonte: O Globo 

Lava-Jato: Costa acredita que Dilma tinha conhecimento sobre esquema de corrupção

Lava-Jato: Paulo Roberto Costa afirmou ser estranho que Dilma não soubesse de esquema na Petrobrás. Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Costa diz que acha ‘estranho’ Dilma não saber de esquema, mas nega conversa com a presidente

Em vídeo da delação premiada, ex-diretor diz ter autorizado repasse de R$ 2 milhões à campanha presidencial em 2010

Um delator tranquilo, sorridente e irônico afirmou nunca ter tratado com a presidente Dilma Rousseff, com o ex-presidente Lula ou com ex-ministro Antônio Palocci sobre o suposto repasse de R$ 2 milhões à campanha presidencial da petista em 2010. Mas o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pontuou achar “um pouco estranho” que Dilma não soubesse do esquema de desvios da Petrobras, em razão de a então ministra ter presidido o Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010.

Parte dos vídeos com os depoimentos do ex-diretor e do doleiro Alberto Youssef, anexados aos inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se pública na tarde desta terça-feira. Os processos tramitam sem sigilo. Parte do material gravado – como essas referências ao episódio envolvendo Dilma e Palocci – não aparece transcrita nos termos do depoimento. Ao todo, o STF determinou a abertura de inquérito para investigar 13 senadores e 22 deputados federais.

Essa fala de Paulo Roberto ocorreu em 11 de fevereiro, numa complementação a um depoimento dado no ano passado. O delator foi ouvido no Rio por dois procuradores da República e por um promotor de Justiça que integram o grupo de trabalho criado na Procuradoria Geral da República (PGR) para tratar das citações a políticos. Essa complementação sobre o suposto repasse de R$ 2 milhões à campanha de Dilma em 2010 consumiu quase sete minutos de depoimento. Os integrantes do grupo da PGR fizeram mais de 20 perguntas a respeito.

Um integrante da PGR perguntou se a presidente, no período em que presidiu o Conselho de Administração, “tinha algum conhecimento do que se passava lá”.

– Não sei. Não sei, não sei, não posso te dizer – respondeu o ex-diretor.

– O senhor nunca teve alguma conversa com ela sobre isso?

– Não. Nem com ela nem com o presidente Lula, nunca tive. Se ela sabia ou não sabia, não sei te dizer – afirmou o delator.

–Nem com o Palocci?

– Nem com Palocci, com nenhum dos três. Nunca tive conversas sobre esse tema. Agora, de 2003 a 2010 presidente do conselho e não saber de nada é um pouco estranho. Mas eu não tive essa conversa nem com ele nem com ela nem com Palocci – respondeu Paulo Roberto.

Palocci é suspeito de ter pedido o repasse de dinheiro para a campanha de Dilma em 2010, por meio do doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor da Petrobras não soube dizer se a reunião com o doleiro para tratar do assunto ocorreu num “hotel” ou no “escritório” de Youssef em São Paulo.

Youssef prestou depoimento no mesmo dia, em Curitiba. De camisa vermelha e aparentando mais tensão do que o outro delator, negou ter feito o pedido de dinheiro para a campanha de Dilma. O investigador que lhe questionou introduziu o assunto já ressaltando que se tratava de um “tema bem delicado”. O doleiro afirma que o ex-diretor pode ter se confundido devido à pressão e ao tempo que passou na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

– Nunca tive contato com Palocci, nem com o irmão do Palocci e nunca recebi nenhum pedido desse valor, nem de nenhum emissário em nome do Palocci. Acredito que ele (Paulo Roberto) deva ter pedido para alguma empresa que fizesse isso e não eu. Acho que ele (Paulo Roberto) pode ter se confundido num momento de pressão, da cabeça não estar muito boa devido a muito tempo na carceragem, alguma coisa assim. Realmente, isso não aconteceu comigo – afirmou o doleiro.

Paulo Roberto afirmou que um grupo de políticos que teria se beneficiado com recursos do esquema tratava do assunto diretamente com ele. Outros procuravam Youssef.

– Alguns fatos, como esse aí especificamente, as pessoas falavam direto com o Youssef. Outros fatos as pessoas falavam comigo. Por exemplo: o ministro (Edson) Lobão (PMDB-MA) falou comigo. Pessoal aqui do governo do Rio: falou comigo. Não tem nada a ver com Youssef. Senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), falecido: falou comigo. Nesse caso específico, oYoussef me trouxe numa reunião que tive com ele e falou: “Paulo, o ministro Palocci tá pedindo aqui uma contribuição para a campanha da Dilma Rousseff agora em 2010 de R$ 2 milhões. Podemos dar?” “Pode, pode dar”. Então eu autorizei Youssef a fazer – disse o delator.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alegou “vedação inconstitucional” e argumentou que não poderia investigar a presidente Dilma por um fato que seria anterior ao mandato. O entendimento foi acatado pelo ministro Teori Zavascki, relator dos autos da Lava-Jato no STF. Com isso, o processo foi remetido para a 13ª Vara Federal de Curitiba para se analisar a conduta de Palocci, que não tem foro privilegiado.

Petrolão: esquema de corrupção teria influenciado eleições desde 2006

Revelação é do advogado que defende Youssef. Agentes públicos e políticos foram os grandes beneficiários do esquema de corrupção.

Esquema alterou os resultados das eleições de 2006, 2010 e possivelmente de 2014. Houve desequilíbrio no pleito”, disse Basto.

Fonte: Valor Econômico 

Esquema da Petrobras teria influenciado eleições desde 2006

Advogado de Youssef ressalta que o rumo da Operação Lava-Jato indica que o dinheiro desviado da Petrobras irrigou campanhas políticas e, portanto, teria influenciado no resultado das eleições majoritárias. Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Esquema da Petrobras teria influenciado eleições desde 2006

O esquema de corrupção que desviou dinheiro da Petrobras nos últimos dez anos influenciou o resultado das eleições de 2006, de 2010 e possivelmente de 2014, disse ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef, um dos 11 delatores da Operação Lava-Jato.

Basto diz que os agentes públicos e políticos foram os grandes beneficiários do esquema de corrupção, “feito para que o grupo que estava no poder se perpetuasse”. Ele ressalta que o rumo da Operação Lava-Jato indica que o dinheiro desviado da Petrobras irrigou campanhas políticas e, portanto, teria influenciado no resultado das eleições majoritárias desde 2006.

A campanha do ano passado pode ter sido menos influenciada, na visão do advogado, porque a operação estourou em março de 2014, e isso pode ter diminuído o fluxo de recursos ilícitos para os caixas das campanhas.

“A participação dos políticos e dos agentes públicos foi fundamental no esquema. Não dá para desviar o foco para empreiteiras e operadores. O esquema foi comandado por agentes políticos para a manutenção de grupos e partidos no poder. O esquema alterou os resultados das eleições de 2006, 2010 e possivelmente de 2014. Houve desequilíbrio no pleito”, disse Basto.

Outro delator, o executivo Augusto Mendonça Neto, da Setal, disse em depoimento que pagou propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque por meio de doação de campanha ao PT. Ele disse ter doado R$ 4 milhões entre 2008 e 2011 ao PT a pedido de Duque como pagamento de propina para a realização de obras na Refinaria do Paraná (Repar).

Em fevereiro Figueiredo Basto deve pedir prisão domiciliar para Alberto Youssef. Depois, ao fim do processo, vai tentar o perdão judicial para seu cliente, porque ele teria prestado colaboração “eficaz” e importante para a sociedade.

A delação premiada de Youssef já foi homologada pelo ministro do STF Teori Zavascki, e os termos do acordo vieram a público na noite de ontem. A pena mínima que Youssef deve pegar é de três anos, e a máxima, de cinco. Segundo Basto, o resultado do acordo foi “excelente”.

Como Youssef já havia feito um acordo de delação premiada em dezembro de 2004 e voltou a cometer crimes, conforme disse o advogado, “a situação dele é peculiar”. Os depoimentos de Youssef serão essenciais para combater as “organizações” que teriam irrigado o esquema, disse o advogado.

O advogado não quis falar sobre a quantidade de nomes ou partidos políticos citados por Youssef em suas mais de cem horas de depoimento à PF, mas o doleiro teria citado mais de 50 pessoas envolvidas no esquema, entre políticos, agentes públicos, operadores e executivos. “A credibilidade do meu cliente é atestada pelo procurador-geral da República e o acordo foi homologado [Rodrigo Janot] e pela mais alta Corte do país [STF]”, disse Basto.

Figueiredo Basto disse que a tensão em Brasília em razão dos nomes citados pelo doleiro é “normal”, uma vez que “a participação dos políticos foi fundamental para que o esquema se perpetuasse”.

O advogado não quis comentar se a família de Youssef estaria tendo algum esquema de proteção especial por causa da dos nomes citados pelo doleiro. Disse que o tema é sigiloso e que Polícia Federal e Ministério Público Federal já tomaram providências.

Antonio Anastasia não recebeu dinheiro, reafirmou advogado de Youssef

Lava-Jato: Antônio Figueiredo Basto, advogado do doleiro, afirmou que seu cliente “nunca entregou dinheiro” a Antonio Anastasia.

Senador Aécio Neves (MG), tem mobilizado pessoalmente todo o partido para provar que a citação contra Anastasia é fruto de aloprados

Fonte: O Globo

Lava-Jato: Anastasia não recebeu dinheiro, reafirmou advogado de Youssef

Lava-Jato: além da acareação pedida com o policial, que ele diz nunca ter visto, Anastasia solicitou audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandovski, e requereu toda a documentação do caso. Divulgação

Advogado afirma que doleiro nunca deu dinheiro a Anastasia e Cunha

Basto contradiz depoimento de policial que trabalhou para Youssef

Antônio Figueiredo Basto, advogado do doleiro Alberto Youssef, afirmou nesta segunda-feira que seu cliente “nunca entregou dinheiro” ao deputado Eduardo Cunha, do PMDB do Rio, e ao senador eleito Antonio Anastasia, do PSDB de Minas. Basto disse que apresentará petição à Justiça Federal do Paraná esclarecendo o fato. Segundo ele, o doleiro deverá depor sobre o assunto quando for convocado, o que ainda não aconteceu.

Anastasia e Cunha foram citados em depoimento pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, que trabalhava para Youssef, preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, Careca fazia transporte de dinheiro para o doleiro e também dava cobertura para outros encarregados de distribuir propina aos beneficiados pelo esquema de desvios na Petrobras.

Lotado no Aeroporto do Galeão, no Rio, o policial teria distribuído, entre 2011 e 2012, um total de R$ 16,7 milhões a mando de Youssef. Segundo o depoimento, o policial federal afirmou que levou R$ 1 milhão para Anastasia. O dinheiro teria sido entregue em 2010 numa casa em Belo Horizonte a uma pessoa que não se identificou. Careca, no entanto, teria ouvido de Youssef que a remessa era destinada a Anastasia. Após os policiais apresentarem a ele uma foto do ex-governador, Careca o identificou: “A pessoa que aparece na fotografia é muito parecida com a que recebeu a mala enviada por Youssef, contendo dinheiro”, disse.

Aécio se mobiliza

A advogada Tatiana Maia, que defende Careca, reclamou do “vazamento seletivo e deturpado de informações”, que, segundo ela, “em nada contribuem às investigações”.

Desde que foi veiculada a acusação contra o ex-governador mineiro, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), tem mobilizado pessoalmente todo o partido para provar que a citação foi indevida. Na semana passada, Aécio procurou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que atuou na defesa do doleiro até a decisão pela delação premiada, e este intermediou com o advogado Antônio Figueiredo Basto a elaboração da petição à Justiça afirmando que Youssef não citou Anastasia em seu depoimento.

Em conversa com O GLOBO, Anastasia chamou a acusação do policial de “aberração e história da carochinha”, e disse estar psicologicamente “no fundo do poço”, deprimido com o ataque à sua honra. Além da acareação pedida com o policial, que ele diz nunca ter visto, Anastasia solicitou audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandovski, e requereu toda a documentação do caso.

— É um golpe duro demais! Mas vou recuperar as forças para reagir a isso. Quem me conhece sabe como eu prezo a minha honra. Vamos provar que é uma armação, mas, até lá, o desgaste é muito grande. Não há nem podia haver a citação do meu nome. É uma coisa muito descabida, uma história da carochinha. Porque um governador da oposição receberia esse dinheiro de um esquema operado na Petrobras? — desabafou Anastasia.

Em viagem à Califórnia, Kakay conversou por telefone com Aécio e disse que, enquanto atuou no caso, nunca ouviu o nome de Anastasia. Segundo o advogado, Aécio perguntou se seria uma “armação”, mas Kakay disse considerar que houve um erro:

— Eu tenho certeza de que houve um erro. Houve citação de muita gente fora do contexto. Se o Careca disse que ouviu o Youssef dizendo que mandou dinheiro para o Anastasia, e o Youssef diz que isso não é verdadeiro, morreu o assunto — respondeu Kakay.

Anastasia disse não temer a possibilidade de outra pessoa ter recebido o dinheiro citado pelo policial, como caixa dois para sua campanha:

— Não acredito. Minha campanha sempre foi muito rígida, não teria espaço para isso. Por que dariam dinheiro para um candidato do PSDB?

Advogado de Youssef derruba farsa: doleiro não citou Anastasia

Lava-Jato:  advogado de Alberto Youssef revelou que  doleiro não citou o ex-governador de Minas Antonio Anastasia em delação premiada.

Jayme “Careca” é o aloprado da Operação Lava Jato, escalado pelo partido da podridão para incriminar inocentes.

Fonte: Blog do Lauro Jardim – Veja.com

Youssef esclarece

Anastasia: esclarecimentos de Youssef

Anastasia: esclarecimentos de Youssef

O  “envolvimento” de Antonio Anastasia com a Lava-Jato pode estar com os seus dias contados.

Na segunda-feira, Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef, fará um pedido de esclarecimento à Justiça Federal informando que o seu cliente nunca pediu ao policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, para entregar qualquer quantia ao ex-governador de Minas Gerais.

Youssef não citou o nome de Anastasia em sua delação premiada.

Conheça mais detalhes:

Jayme “Careca”, policial federal, é operador do doleiro Alberto Yousseff, ele tem ligação com Mário Negromonte, o ex-ministro das Cidades, revela o Coronel do Blog.

Texto do pedido de prisão preventiva não faz menções de entrega de dinheiro para políticos em 2010. Prisão foi pedida por ações em 2011 e 2012. Texto completo: Petrolão: desmontada a farsa para incriminar Antonio Anastasia

Leia também:

Petrolão: Aécio refuta farsa contra Antonio Anastasia

Farsa: Anastasia repudia tentativa de ligar seu nome ao Petrolão

Anastasia repudia tentativa de ligar seu nome ao Petrolão

Antonio Anastasia: “Não sei o motivo de tal inverdade no âmbito desta operação, mas sem dúvida misturar falsidades com fatos verdadeiros possa ser uma estratégia dos culpados.”

Anastasia propõe acareação com policial federal para desmascarar a farsa

Fonte: Página pessoal de Antonio Anastasia no Facebook

Farsa: Anastasia repudia tentativa de ligar seu nome ao Petrolão

“Em primeiro lugar, registro que não conheço este cidadão, nunca estive ou falei com ele”, escreveu Anastasia. Foto: Soraya Ursini

Tomado de forte indignação, reporto-me a notícia publicada hoje pela imprensa que se refere ao depoimento de um policial no âmbito da operação Lava-jato, que alega ter entregue a mim dinheiro em 2010.

Em primeiro lugar, registro que não conheço este cidadão, nunca estive ou falei com ele. Da mesma forma não conheço, nunca estive ou falei com o doleiro Alberto Youssef. Em 2010, já como Governador de Minas Gerais não tinha qualquer relação com a Petrobras, que não tinha obras no Estado, ademais do fato de eu ser governador de oposição ao governo federal.

Estranha-se assim o motivo da alegada entrega de recursos. Por outro lado, pelo que se vê do dito depoimento, também é muito estranho o alegado encontro de um Governador de Estado em uma casa que não é sua, com um desconhecido, para receber dinheiro.

Por fim, o mais importante, acresço que minha vida pública é bem conhecida dos mineiros. Meu único patrimônio é o moral, não tendo amealhado bens no exercício dos diversos cargos públicos. Sempre tive exemplar comportamento, reconhecido por todos. Uma acusação falsa e absurda como esta me leva a completa indignação e mesmo revolta. Não sei o motivo de tal inverdade no âmbito desta operação, mas sem dúvida misturar falsidades com fatos verdadeiros possa ser uma estratégia dos culpados.

Diante deste depoimento, que tive conhecimento ontem, pelo jornal, já constitui advogado com o propósito de solicitar o completo esclarecimento do episódio, por todos os meios possíveis, inclusive acareação com o acusador, verificação de qual seria a tal casa, a data deste alegado encontro, o meio de locomoção utilizado e todos os demais elementos para demonstrar, de forma cabal, a inverdade do depoimento.

Balanço da Petrobras não trará valor de propina

Analistas estimam que companhia não conseguirá apresentar valor das baixas contábeis relativas ao pagamento de propina em diversos projetos.

Baixa contábil está no centro da discussão

Fonte: O Globo

Balanço da Petrobras não trará valor de propina

Às vésperas do balanço da Petrobras, analistas evitam projeções

Especialistas esperam mais dados sobre investigação, mas avaliam que balanço da estatal não trará valor de propina

Na véspera da divulgação do balanço não auditado do terceiro trimestre da Petrobras, a posição do mercado é de incerteza. A maior parte dos analistas estima que a companhia não conseguirá apresentar o valor das baixas contábeis relativas ao pagamento de propina em diversos projetos da companhia, como a construção da Refinaria Abreu e Lima(Rnest), em Pernambuco, e das obras de modernização da refinaria Revap, em São Paulo, e do Comperj, no Rio. Fontes da estatal, porém, afirmam que há chance de que os descontos já sejam anunciados amanhã.

Antes de a estatal anunciar que adiaria a publicação de seu balanço, em meados de novembro, analistas projetavam um lucro líquido de R$ 3 bilhões, abaixo dos R$ 5 bilhões do segundo trimestre do ano passado e menor que os R$ 3,4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Agora, poucos se arriscam a apresentar estimativas.

Para a analista da corretora GBM, Mariana Bertone, a baixa contábil da Petrobras poderia chegar a R$ 1,77 bilhão. Ela avalia, porém, que dificilmente a estatal apresentará os números de baixa contábil nesta sexta-feira

— Acredito que a empresa não apresentará (a baixa contábil) ainda no balanço não auditado, mas independentemente dos números, o mercado espera que a companhia apresente maiores detalhes do andamento das investigações e datas mais precisas sobre a divulgação dos números auditados — disse Mariana, que não divulgou estimativa de resultado.

No mês passado, Almir Barbassa, diretor Financeiro da Petrobras, informara que a estatal faz um levantamento das perdas com base nos depoimentos do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

— As perdas serão deduzidas do resultado da companhia. Serão abatidas no lucro. Mas devem ser contabilizadas apenas para o exercício de 2014. Como os escândalos foram descobertos apenas neste ano, há um entendimento do setor de que a companhia não precisa ajustar o balanço dos anos anteriores — disse Gilberto Braga, professor do Ibmec-RJ.

Cassação de André Vargas é aprovada

Ex-deputado federal do PT foi cassado por usar jatinho que pertencia ao doleiro Alberto Youssef. Foram 359 votos sim, 1 não e 6 abstenções.

Ligações perigosas

Fonte: O Globo

André Vargas do PT é cassado por envolvimento com doleiro

Deputado André Vargas (sem partido/PR) é citado em processo consequente à Operação Lava-Jato. Foto: Sérgio Lima/ Folhapress

Câmara aprova cassação do deputado André Vargas

Foram 359 votos favoráveis, um contra e seis abstenções. Parlamentar está inelegível por oito anos

A cassação do deputado André Vargas (sem partido) foi aprovada na tarde desta quarta-feira pela Câmara dos Deputados por 359 votos sim, 1 voto não e seis abstenções. Vargas, que foi petista até o início deste ano e só se desfiliou depois de pressão da legenda, acabou recebendo 49 votos de deputados petistas a favor de sua cassação. Entre os 87 deputados da bancada do PT, 53 votaram nesta quarta-feira. Dos 53, 49 votaram pela cassação. O deputado José Airton (PT-CE) foi o único voto contra – e três petistas se abstiveram: Sibá Machado (AC), Dalva Figueiredo (AP) e Beto Faro (PA). O líder do partido, Vicentinho (SP), tinha encaminhado o voto a favor da cassação.

– Acho uma hipocrisia cassar um parlamentar pelo uso de um avião emprestado (numa referência ao uso de Vargas do avião do doleiro Alberto Youssef). Não é razão, não há comprovação de envolvimento dele com o doleiro. Poderia ter uma pena alternativa, suspensão – justificou José Airton.

O suplente que será chamado no lugar de Vargas é Marcelo Beltrão de Almeida (PMDB-PR), que deve assumir neste fim de mandato e ficar até 31 de janeiro.

Deputados amigos de Vargas, que estiveram ou ainda estavam em plenário, optaram por não votar. Entre eles os deputados Cândido Vaccarezza (SP) e José Mentor (SP). O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, estava na sessão que foi encerrada. Segundo Vaccarezza, ele decidiu não votar porque o PT encaminhou o voto sim.

– O PT orientou voto sim e não voto contra orientação do PT. Não é só hoje. Não discuto se André é ou não culpado, mas não houve investigação adequada. Até agora o Supremo nem abriu processo contra ele, aceleraram a votação na Câmara. Sou defensor do estado de direito. É um clima pouco democrático quando se vai pela onda – criticou Vaccarezza.

Antes de encerrar a votação, alguns deputados que estavam em plenário ainda tinham dúvidas se votariam ou não e conversavam entre si.

– Vai votar sim? – perguntou o deputado Paulão (AL) ao deputado Vicente Cândido (PT-SP).

Esperaram um pouco e, quando o presidente da Câmara anunciava que iria encerrar a votação, os dois decidiram votar a favor da cassação.

Além dos três petistas, outros três deputados se abstiveram na votação: Júlio Campos (DEM-MT), Nelson Meurer (PP-PR) e Doutor Luiz Fernando (PSD-AM).

Com a decisão, Vargas fica inelegível por oito anos.

TENTATIVA DE MANOBRA

A votação ocorreu após tentativa de manobra feita pelo deputado José Mentor (PT-SP), amigo de Vargas, que chegou a encerrar a sessão. Após a reação indignada do relator do processo no Conselho, Júlio Delgado (PSB-MG), e outros deputados, a sessão foi reaberta.

Para viabilizar a votação, Júlio Delgado e outros deputados conseguiram que o deputado Eurico (PV-RJ) assumisse a defesa de Vargas como advogado dativo. Isso porque Vargas destituiu seus advogados e disse que faria pessoalmente sua defesa em plenário. Mas enviou à Câmara atestado médico de cirurgia odontológica feita – incluindo até fotos dele do procedimento, sem dentes na boca – e pediu o adiamento da votação no dia de hoje. Não teve sucesso.

Depois que o relator Júlio Delgado leu seu relatório pedindo a cassação de Vargas, o deputado Eurico leu em plenário a defesa apresentada por André Vargas no Conselho de Ética. A iniciativa tinha por objetivo evitar a nulidade da sessão, garantindo a Vargas o direito de defesa também no momento da sessão.

Durante a votação do processo de cassação, o deputado José Mentor (PT-SP) usou o microfone do plenário para explicar a razão de ter encerrado a primeira sessão, por volta de 13h. A manobra de Mentor foi criticada por deputados em plenário, que lembraram que ele é autor de um voto em separado, na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, para que o processo contra Vargas fosse refeito pelo Conselho de Ética.

– Eu não dei golpe, atendi a orientação de vossa excelência! – disse Mentor.

Depois, em entrevista ao GLOBO, sustentou que foram feitas manobras na votação do processo de cassação de Vargas no Conselho de Ética, como a troca, no dia da votação, de conselheiros, com a indicação do líder do PPS, Rubens Bueno (PR), para uma das vagas. Mentor disse que Bueno é líder de um dos partidos que representou contra Vargas.

– Eles colocam o Rubens Bueno, colocam um acusador e eu que fiz manobra?!

RECURSO NEGADO NO STF

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quarta-feira liminar ao deputado André Vargas (sem partido-PR). O parlamentar queria anular a decisão da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, que manteve decisão do Conselho de Ética recomendando ao plenário da Casa a aplicação da pena de perda do mandato.

O deputado era acusado de quebra de decoro por manter relações com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato. Na decisão, Barroso explicou que não é praxe o STF se intrometer em assuntos desse tipo, que são de competência do Congresso Nacional.

“Em casos como o dos autos, a jurisprudência desta Corte tem reiterado o entendimento de que a intervenção do Supremo Tribunal Federal somente deve ocorrer em caráter excepcionalíssimo. Isso porque a cassação de mandato eletivo por quebra do decoro parlamentar constitui julgamento político e, como tal, não se submete, em regra, à apreciação pelo Judiciário, em virtude do princípio constitucional da separação de Poderes”, escreveu o ministro.

Vargas alegou que houve irregularidade na sessão da CCJ, porque dois suplentes teriam votado sem que eles tivessem sido formalmente nomeados para a comissão. Ele também argumentou que não teve o direito de se defender do parecer que recomendou a perda do mandato.

Barroso refutou a tese de que os suplentes não deveriam ter participado da decisão. “Quanto à tese de violação ao princípio do juiz natural, o ato impugnado consignou que a falta de publicação dos atos de nomeação dos suplentes não é motivo para anular o julgamento, porque eles já estavam investidos como Conselheiros e se encontravam aptos a votar”, explicou. O ministro acrescentou que Vargas teve a oportunidade de contestar o parecer recomendando a cassação.

Vargas vem protelando semana após semana o processo que pede sua cassação. Ele conta com o início do recesso parlamentar, dia 22 deste mês, para garantir que não ficará inelegível e possa disputar as eleições de 2016. Antes da cirurgia, o parlamentar alegava que não teria sido notificado pessoalmente, mas a Câmara tem cópia da notificação realizada no dia 2 de dezembro no gabinete do parlamentar. A sessão daquela semana já havia sido transferida pois Vargas dizia ter feito uma cirurgia na boca.

Dilma poderiam ter interrompido propinoduto, comprovam e-mails

Mensagens encontradas pela PF mostram que propinoduto poderia ter sido interrompido, mas impediram a investigação sobre os desvios.

Mensagens comprovam o que Alberto Youssef já tinha dito: a presidente tinha conhecimento sobre os esquemas na Petrobras.

Fonte: Veja.com 

Petrobras: e-mails comprovam que Dilma poderia barrar propinoduto

Dilma sabia: e-mail enviado por Paulo Roberto Costa para Dilma Rousseff, em setembro de 2009, alertou o Planalto de que o TCU queria paralisar três obras da Petrobras por ter encontrado irregularidades. Divulgação

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, mensagens encontradas pela PF em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, impediram a investigação sobre os desvios

Augusto Nunes e Joice Hansselmman comentaram a matéria. (Assista o vídeo)

Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato. Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:

“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.

O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso. Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo­cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de umcorrupto em um homem honesto da noite para o dia.

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

Documento comprovaria que a Lula e a então ministra da Casa Civil sabiam do esquema, diz revista Veja

Fonte: Mais Goiás 

Um e-mail enviado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, para Dilma Rousseff, à frente da Casa Civil, em setembro de 2009 alertou o Planalto de que o Tribunal de Contas da União (TCU) queria paralisar três obras da Petrobras por ter encontrado irregularidades. O documento, apreendido pela Polícia Federal em um computador na sede da Petrobras, foi divulgado pela revista Veja desta semana.

Na mensagem, direcionada à “Senhora Ministra Dilma Vana Rousseff“, Costa destaca que dados do TCU recomendam a paralisação das obras nas refinarias Abreu e Lima (Pernambuco) e Getúlio Vargas (Paraná) e no Terminal Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. No texto, o ex-diretor relata que seria formada uma Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso para apurar as suspeitas. Ele relembrou, ainda, que em 2007 o TCU propôs a paralisação de quatro obras da estatal, o que foi vetado pelo Congresso. Esta afirmativa sugere que a investigação não foi levada adiante após intervenções políticas.

De acordo com a publicação, a quebra de hierarquia de Costa ao escrever diretamente para o Planalto, comprovaria a preocupação em manter vivo o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

6bd85b5badf69f0dc442c9892d4b460c-e1416846786833

Questionados pela revista sobre o e-mail, assessores de Dilma responderam que encaminhou a suspeita para a Controladoria-Geral da União para analisar as suspeitas; determinou que um grupo de acompanhamento examinasse o relatório junto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras; e participação em reunião entre representantes do TCU,CMO, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia, depois da suspensão das obras da Abreu e Lima no Orçamento 2010. Todos os órgãos entraram em um consenso sobre a viabilidade de regularizar as pendências na Refinaria. A presidente não se manifestou.

Na sexta-feira, uma conversa entre Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, com o advogado Carlos Fernando Braga, indicado por um pool de empreiteiras, e uma pessoa não identificada veio à tona. No diálogo, a contadora afirmou que a presidente Dilma Rousseff vai cair se Costa revelar tudo o que sabe.

A operação iniciou em 17 de março em seis estados e no Distrito Federal, com a prisão de pelo menos 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Dias depois, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa foi preso pela Polícia Federal. Em abril, ambos foram indiciados por lavagem de dinheiro, sob a acusação de terem desviado recursos da Petrobras. Os dois foram figuras centrais no início da Operação Lava-Jato.

Em agosto, Paulo Roberto Costa aceitou um acordo de delação premiada com a Justiça. Os depoimentos do ex-diretor causaram grande impacto na investigação. Ele revelou que a compra da refinaria de Pasadena envolveu um esquema de corrupção com pagamento de propinas, sendo US$ 1,5 milhão para ele (R$ 3,8 milhões). Em setembro, Costa delatou pelo menos 32 deputados e senadores e um governador. Os políticos teriam recebido 3% de comissão sobre o valor de cada contrato firmado pela Petrobras durante a sua gestão.

Em outubro, foi a vez de Youssef aceitar um acordo de delação premiada. O doleiro afirmou que pagou R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano.

Em novembro, a Polícia Federal cumpriu 85 mandados judiciais, incluindo 25 de prisão. Entre os detidos estavam o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dirigentes de grandes empreiteiras.

Lava-Jato: Empreiteiras não explicam R$ 53 milhões a Youssef

Os relatórios da PF, concluídos no final de outubro, detalham como e quando cada empreiteira fez os depósitos nas contas de Youssef.

Escândalos da Petrobras

Fonte: Folha de S.Paulo

Petrolão: empreiteiras não explicam R$ 53 mi a doleiro

Petrolão: o doleiro Alberto Youssef disse em seus depoimentos que o dinheiro, depois que entrava no caixa de suas empresas, era redistribuído a agentes públicos. Foto: Joedson Alves / Estadão

ESCÂNDALO NA PETROBRAS

Empreiteiras não explicam R$ 53 mi a doleiro, diz juiz

Para Sergio Moro, justificativas de executivos para os repasses a empresas de Youssef são ‘desalentadoras’

Em seus depoimentos, operador afirmou que o dinheiro pago a suas firmas era redistribuído a agentes públicos

A dificuldade das empresas de construção civil em explicar pagamentos no valor total de R$ 53 milhões para as empresas do doleiro Alberto Youssef é um dos principais motivos que levaram o juiz federal Sergio Moro a decretar e, em alguns casos, estender as prisões dos executivos de empreiteiras na Operação Lava Jato.

“Foi concedido, por este juízo, mediante intimação, às empreiteiras a oportunidade de esclarecer os fatos, justificar a licitude das transações e apresentar a documentação pertinente. Os resultados foram até o momento desalentadores”, escreveu o juiz.

Um total de 17 relatórios da Polícia Federal, com cerca de 200 páginas, constitui o cerne dos indícios documentais colhidos desde o ano passado contra os empreiteiros.

São notas fiscais, recibos e comprovantes de depósitos apreendidos nas empresas de Youssef ou obtidos por meio de quebra de sigilo bancário.

Os relatórios da PF, concluídos no final de outubro, detalham como e quando cada empreiteira fez os depósitos nas contas de Youssef.

O doleiro disse em seus depoimentos que esse dinheiro, depois que entrava no caixa de suas empresas, era redistribuído a agentes públicos.

Pelo menos dois dos executivos presos, Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da construtora Mendes Júnior, e Erton Medeiros, diretor da Galvão Engenharia, confirmaram à PF que pagaram propina a Youssef.

Mendes argumentou que os depósitos foram feitos sob pressão, pois Youssef falava do risco de a empresa perder contratos na Petrobras.

NOTAS GENÉRICAS

Nas notas fiscais expedidas por Youssef, as justificativas para os pagamentos são variadas e genéricas. Os serviços são descritos, por exemplo, como “consultoria para implantação de software” ou “assessoria ou consultoria de qualquer natureza”.

O juiz determinou, entre março e novembro, que as empreiteiras explicassem cada um dos pagamentos às empresas de Youssef.

No caso da Mendes Júnior, a PF havia apreendido notas fiscais que indicavam um total de R$ 8 milhões para empresas de Youssef.

Para o juiz Sergio Moro, os contratos e as notas fiscais apresentados tinham suspeita de terem sido produzidos fraudulentamente.

Já a Galvão Engenharia, intimada duas vezes pelo juiz, não havia se manifestado sobre os pagamentos até o dia em que Moro decidiu emitir os mandados de prisão, no último dia 10 de novembro.

A Camargo Corrêa, segundo a PF, foi a que mais fez depósitos e recebeu notas fiscais de Youssef, num total de R$ 29,2 milhões.

COMISSÕES

Diferentemente da maioria dos outros casos, antes de chegar ao caixa das empresas do doleiro, o dinheiro passou por outras duas firmas, a Sanko Sider e a Sanko Serviços, segundo a PF.

O sócio-gerente das duas firmas, Márcio Bonilho, admitiu, durante interrogatório, que os serviços para as empresas de Youssef inexistiam. Segundo ele, “os contratos e notas fiscais foram produzidos fraudulentamente para justificar pagamento de comissões a Youssef“.

O juiz observou que as duas empresas Sanko receberam R$ 113 milhões da Camargo (2009-2013) e repassaram R$ 29,2 milhões para Youssef.

O alto valor do repasse ao doleiro, na interpretação do juiz, “afasta a possibilidade de que se tratem de meras comissões sobre as vendas”.

OUTRO LADO

A Camargo Corrêa nega irregularidades e diz que serviços foram prestados pelas empresas Sanko.

Entre 2005 e 2014, a Camargo, diretamente ou por meio de consórcios, manteve um total de R$ 6 bilhões em negócios com a Petrobras.

Já na UTC Engenharia não foram encontrados depósitos diretos para as empresas de Youssef. A companhia tornou-se sócia do doleiro num empreendimento na Bahia, no valor de R$ 5,3 milhões.

Além disso, recorreu a Youssef para negociar o pagamento de um precatório emitido pelo Estado do Maranhão.

Entre 2004 e 2014, diretamente ou por meio de consórcio, fechou R$ 14 bilhões em contratos com a Petrobras.

Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, dono da UTC, defendeu a legalidade dos negócios e disse que emprestou entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão para Youssef.

A Lava Jato apura um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ao menos R$ 10 bilhões.

Jeitinho: André Vargas usa licença médica para fugir de cassação

Deputado André Vargas, ex-PT, pediu licença médica à Câmara para se recuperar de cirurgia na boca que teria feito na terça-feira.

André Vargas é investigado por ter atuado com doleiro da Operação Lava-Jato

Fonte: O Globo

André Vargas dá outro ‘jeitinho’ para fugir de cassação

O deputado André Vargas é investigado por ter atuado em favor da Lobogen, empresa que seria de fachada do doleiro Alberto Youssef. Foto: Dida Sampaio/ Estadão

Vargas diz que fez cirurgia, e Câmara adia votação da cassação para início de dezembro

Deputado enviou solicitação de licença médica à Secretaria Geral pedindo adiamento da votação

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), adiou para a primeira semana de dezembro a votação do pedido de cassação do mandato do deputado André Vargas (sem partido-PR) no plenário da Casa. Segundo Henrique Alves, Vargas pediu licença médica à Câmara para se recuperar de cirurgia na boca que teria feito na terça-feira. O pedido de Vargas acontece na semana anterior à data marcada para a votação da cassação de seu mandato em plenário. Com o adiamento, o processo deve ir à pauta nos dias 3 ou 4 de dezembro.

– Ele ligou, disse que foi cirurgiado e pediu prazo para se recuperar. Irá apresentar atestado médico. Dei o limite de uma semana para que ele possa comparecer e se defender em plenário. Uma semana a mais, uma semana a menos, com esse fundamento e o atestado médico – disse Henrique Alves, afastando a possibilidade de a cassação não ser votada até o final dos trabalhos deste ano:

– Não há o risco. Vamos cumprir o regimento. Daremos uma semana apenas, o prazo para a contagem das duas sessões ordinárias exigidas pelo regimento.

Vargas corre contra o tempo para tentar evitar a cassação de seu mandato na Câmara. Depois que o Conselho de Ética aprovou a cassação, por envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, Vargas recorreu à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Contou com a ajuda de colegas do PT, ao qual era filiado até o surgimento do escândalo, para adiar por seis vezes a votação na CCJ, mas acabou vendo seu recurso ser rejeitado pela comissão na semana passada.

Nesta quarta-feira, o processo foi publicado no Diário Oficial da Câmara e, pelo prazo regimental, o presidente da Casa teria duas sessões ordinárias para incluir a votação na pauta do plenário. O voto é aberto e para que Vargas seja cassado são necessários pelo menos 257 votos a favor. O advogado de Vargas, Michel Saliba, disse que ainda avalia a possibilidade de judicializar o processo contra Vargas, recorrendo ao Supremo Tribunal Federal contra a condução do processo no Conselho de Ética.

%d blogueiros gostam disto: