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A Guerrilha no Planalto, artigo Miram Leitão

Presidente deveria chamar corrupção de crime, e não de “malfeitos”. É leve demais a palavra para definir o estrago que foi feito na maior empresa do país.

Petrobras hoje está sendo rebaixada e tirada de índices de boas empresas no mundo inteiro.

Fonte: Blog da Miram Leitão/O Globo 

Guerrilha no Planalto?, por Miram Leitão

Nuvens negras: a queda da popularidade presidencial tem como causa fatos da vida real. A situação econômica está realmente ruim. O desconforto que a inflação alta está causando às famílias é enorme. A indignação com o nível a que chegou a corrupção no Brasil está disseminada. Reprodução

Guerrilha no Planalto?

Miriam Leitão

A presidente Dilma vai errar de novo se ouvir os conselhos amalucados de fazer “guerrilha política”, como foi proposto em documento interno do Planalto. A popularidade despencou a um nível tão baixo que a fragiliza, e a única resposta boa é o reconhecimento dos erros e a sinceridade. A bola agora está com a presidente, e ela precisa saber como salvar seu governo da aguda desidratação.

O documento reservado do Planalto, publicado nos jornais de ontem, mostra o quanto a presidente está mal assessorada. O texto admite, o que, de resto, não era segredo para ninguém: uso de robôs para disparar contra adversários na mídia digital. Além disso, o documento propõe explicitamente: “As ações das páginas do governo e das forças que apoiam Dilma precisam ser melhor coordenadas. A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas para ser disparada por soldados fora dele.”

Ainda que não tenha autoria, o documento tem impressões digitais. É isso mesmo que os assessores dizem à presidente e assim agem: financiando os “soldados que disparam” de fora do governo, como se dentro dele estivessem. A presidente Dilma precisa de alguém que lhe diga que o tempo da guerrilha acabou. Na democracia, é com a boa política que se chega à vitória.

É um equívoco enorme considerar que a situação a que se chegou de desaprovação se deve à suposta militância digital oposicionista ou a críticos do governo ou mesmo à “errática” comunicação da Presidência, como diz o texto. A queda da popularidade presidencial tem como causa fatos da vida real. A situação econômica está realmente ruim. O desconforto que a inflação alta está causando às famílias, principalmente as de mais baixa renda, é enorme. A indignação com o nível a que chegou a corrupção no Brasil está disseminada.

Antes que inventem novos artefatos de ataques contra os supostos adversários do governo, Dilma deveria pôr sua cabeça no travesseiro e pensar em toda essa situação criada pelos erros que cometeu, pelos alertas que ignorou, pelo uso do marketing nocivo que ajudou a envenenar sua relação com a sociedade.

Basta olhar os dados detidamente. Só 13% acham o governo bom ou ótimo. Portanto, inúmeros eleitores da presidente estão decepcionados e se sentem traídos. A base parlamentar tem queixas reais de não ter sido informada de propostas que o governo enviou ao Congresso. O problema é vasto e complexo demais para ser resolvido por uma visão bélica do processo político e social.

Nos discursos de ontem, ao lançar o pacote anticorrupção, seguiu-se de novo a linha de que o governo está pagando um preço alto por investigar a corrupção. Deveríamos ser poupados da repetição dessa ideia que desrespeita a inteligência alheia. Ninguém duvida que corrupção existia antes de 2003, mas é inegável o fato de que ela escalou e chegou a um nível intolerável quando decidiu tomar de assalto a Petrobras, como se fosse um campo de extração partidário.

O governo propõe que seja crime o caixa dois. O PT já teve um tesoureiro, Delúbio Soares, que confessou essa prática. Mas agora, como explicou o procurador Deltan Dallagnol, há um sistema mais sofisticado: propinas eram cobradas para serem pagas como contribuição legal à campanha. As doações dentro da lei passaram a ser a forma de lavar dinheirode origem ilícita. Portanto, a proposta do governo fecha porta arrombada, quando os criminosos já encontraram outra porta e por ela transitam.

A presidente deveria chamar corrupção de crime, e não de “malfeitos”. É leve demais a palavra para definir o estrago que foi feito na maior empresa do país que hoje está sendo rebaixada e tirada de índices de boas empresas no mundo inteiro. A Petrobras, é sempre bom repetir, não é apenas a maior. É a mais querida das empresas do Brasil, nascida de movimento popular, com um quadro qualificado de funcionários, a que mais investe em pesquisa e desenvolvimento. Esse patrimônio é que foi atacado, e ele é que tem sido defendido pelas instituições que a democracia e o Estado brasileiro criaram.

Na economia, na política e no combate à corrupção, a presidente precisa usar as armas convencionais da democracia: negociar, convencer, reconhecer erros, ser sincera. O tempo da guerrilha definitivamente está encerrado.

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Combate ao populismo no dia da República

“Republicanos vão continuar nas ruas, nas redes sociais, pois a oposição despertou de sua sonolência”.

“Populistas falam em nome da democracia, mas não a valorizam de verdade”.

República, como diz o nome, é a “coisa pública”, ao contrário do patrimonialismo, que trata o Estado como “cosa nostra”.

Fonte: O Globo

Combate ao populismo no dia da República

Populistas olham para o aqui e agora, adotando visão imediatista de curto prazo. Republicanos querem construir sólidas instituições, preocupam-se mais com o processo, pois entendem que somente isso permite o progresso sustentável no longo prazo. Divulgação

Artigo Rodrigo Constantino

Republicanos, uni-vos!

O PT está no poder, fazendo Collor parecer um mero aprendiz. Por que o PT era democrático então e os que exigem punição aos corruptos de hoje são ‘golpistas’?

Esquerda e direita são conceitos que, no Brasil, costumam gerar muita confusão, após décadas de monopólio da virtude por parte da esquerda. Por isso é melhor adotar a divisão entre populistas e republicanos. Eis o grande embate da atualidade.

De um lado, temos aqueles que defendem governantes que gostam de distribuir a riqueza alheia, sem construir as bases que efetivamente permitem a criação de mais riqueza. Do outro, temos os que desejam reformas estruturais que possibilitem um ambiente mais amigável aos negócios, à iniciativa privada, para que o Brasil possa ir na direção dos países desenvolvidos.

Uns aplaudem esmolas que criam dependência dos mais pobres, perpetuando a pobreza, máquina de votos. Outros cobram responsabilidade individual e aceitam um assistencialismo básico, desde que descentralizado, com porta de saída e fornecido pelo Estado, não pelo governo para terrorismo eleitoral depois.

Do lado populista, temos o resgate da velha máxima “rouba, mas faz”, com vista grossa a todos os infindáveis escândalos de corrupção, só por se tratar de um governo de esquerda. Do lado republicano, estão aqueles que não aceitam compactuar com essa roubalheira, supostamente favorável aos mais pobres.

Populistas olham para o aqui e agora, adotando visão imediatista de curto prazo. Republicanos querem construir sólidas instituições, preocupam-se mais com o processo, pois entendem que somente isso permite o progresso sustentável no longo prazo.

Os populistas falam em nome da democracia, mas não a valorizam de verdade. Idolatram as piores ditaduras do mundo, como o regime socialista cubano, e enaltecem o modelo venezuelano de “democracia direta”, na prática outra ditadura disfarçada. Republicanos respeitam o processo democrático, desde que preservando-se seus pilares básicos, como pluralidade partidária, limites constitucionais ao Poder Executivo, divisão de poderes e liberdade de imprensa.

Do lado econômico, populistas aceitam mais inflação para financiar os crescentes gastos públicos, e repudiam qualquer tipo de austeridade do governo. Republicanos entendem que o governo jamais pode gastar mais do que arrecada, e que a inflação é o mais nefasto imposto que existe, pois penaliza de forma desproporcional os mais pobres.

O Brasil é “governado” por populistas há 12 anos. Mas nesta eleição o lado republicano acordou. Milhões de pessoas, da esquerda civilizada à direita conservadora, uniram-se em prol de uma candidatura que virou um movimento de resgate dos valores republicanos, destruídos ao longo do avanço petista. O patriotismo renasceu, a indignação floresceu, e muitos estão cansados dos abusos chavistas, da impunidade, do aparelhamento do Estado, dos constantes ataques à liberdade de imprensa.

Manifestações espontâneas tomaram as ruas, e isso apavora os populistas, pois sempre as julgaram sua propriedade particular. Automaticamente, tentam pintar esses manifestantes como ícones da direita radical golpista, tomando a exceção como a regra. Se um infeliz pede a volta dos militares, então milhares de republicanos são acusados de antidemocráticos. Por pessoas que elogiam Fidel Castro!

A República, como diz o nome, é a “coisa pública”, ao contrário do patrimonialismo, que trata o Estado como “cosa nostra”. É exatamente isso que esses milhões de pessoas estão demandando: a valorização de nossas instituições de Estado, contra uma quadrilha que se apossou dele para instalar um sistema de corrupção jamais visto na história deste país. Queremos meritocracia, e não peleguismo. Queremos punição aos corruptos, não que sejam tratados como heróis injustiçados pelo partido no poder.

Não vai colar a acusação de golpismo. Quando Lula era oposição, foi às ruas cobrar o impeachment de Collor, hoje seu aliado. Defendeu que era maravilhosa essa pressão popular contra governantes corruptos. O que mudou? O PT está no poder, fazendo Collor parecer um mero aprendiz. Por que o PT era democrático então e os que exigem punição aoscorruptos de hoje são “golpistas”?

Nada disso. Os republicanos vão continuar nas ruas, nas redes sociais, pois a oposição despertou de sua sonolência. Nos Estados Unidos, os republicanos foram acusados de radicais pela imprensa progressista, mas deram uma sova em Obama nas urnas, mostrando como se faz oposição em uma democracia sólida. Vamos repetir isso aqui.

No próximo dia 15, aniversário de nossa República, vamos todos às ruas protestar contra o populismo, esse câncer que corrói nossas instituições. Republicanos, uni-vos!

Rodrigo Constantino é economista

Aécio Neves: o resgate da boa política

A voz de Aécio ecoou por todo o Brasil e não será esquecido, pois o próprio senador já avisou que “não iremos nos dispersar”.

Eleições

Fonte: Folha de S.Paulo

Aécio Neves é o resgate da boa política

O candidato tucano sempre buscou dialogar com a sociedade. Dilma pelo contrário, partiu para briga na disputa do cargo à Presidência da República. O que vemos hoje é um disse me disse dissimulado da presidente, no qual dizia uma coisa em época de campanha e fez outra quando reeleita. Foto: ED Ferreira/AE

Aécio Neves e o resgate da boa política

O país mal acordou do resultado das urnas e o Banco Central decidiu pelo aumento da taxa de juros, contrariando o discurso marqueteiro da presidente Dilma durante a campanha. Longe de causar espanto, o fato mostra o quanto o país se viu envolto em uma nuvem de dissimulações, mentiras e falsas promessas durante a disputa eleitoral.

No vale-tudo da campanha, o PT demonizou a oposição associando-a ao fim dos programas sociais, à retirada do prato de comida do povo pelas mãos de banqueiros vorazes, ao sucateamento dos bancos públicos e a outras perversidades.

Estamos agora diante da dura realidade. Crescimento medíocre, inflação alta, indústria paralisada, contas represadas que começam a ser desovadas, a Petrobras nas águas profundas da corrupção.

São muitas as mazelas e há setores do próprio governo falando em ajuste fiscal “violentíssimo” em 2015, como noticiou o jornal “Valor” no dia 30/10. Certamente, há um descompasso entre esse Brasil real e o país edulcorado da campanha petista. Em algum momento, no entanto, eles terão de se encontrar.

Nessa hora, é bom lembrar o chamado à boa política feito por Aécio Neves ao longo de sua campanha. O candidato fez uma pregação em tudo oposta à conduzida pela presidente da República.

No lugar da intransigência ao debate, da contabilidade criativa, do pouco caso com a inflação, do mau uso das empresas públicas e da tolerância com o crescimento medíocre, Aécio propôs diálogo maduro com a sociedade, transparência nos compromissos, controle das contas públicas, reformas estruturantes, estabilidade macroeconômica, zelo pelas empresas do Estado, fortalecimento das políticas sociais e uma visão de futuro para o país.

Uma pauta ambiciosa, sem dúvida, mas à altura do país que todos sonhamos construir. E exequível, pela seriedade com que foi elaborada e pelo conjunto de forças mobilizadas em sua arquitetura.

O programa de governo de Aécio Neves nasceu de discussões amplas e da soma de experiências de dezenas de pessoas nas esferas pública, privada e da sociedade em geral. O que vimos foi o exercício da política em sua essência, com o reconhecimento de que as questões que dizem respeito à comunidade merecem ser debatidas por todos e não apenas servir aos interesses de um grupo encastelado no poder.

As ideias, propostas e ações elencadas no programa do PSDB são uma amostra vigorosa de nossas potencialidades. O Brasil é um país em constante transformação e aperfeiçoamento. Mas há ciclos de paralisia e retrocesso que precisam ser superados, para que o país reencontre a sua vocação desenvolvimentista.

As urnas revelaram uma nação dividida em sua escolha final, mas toda ela ávida por mudanças. A sociedade brasileira quer bem mais do que vem recebendo. Promover as reformas indispensáveis à correção de rumos vai exigir algo além dos discursos inflamados dos últimos meses.

Vencida a agenda eleitoral que galvanizou corações e mentes, o país clama por uma agenda de boa governança.

Em sua cruzada cívica, Aécio Neves mostrou que há uma forma diferente de se pensar a condução do país, muito mais audaciosa e responsável. Sua campanha emocionou, contagiou e mobilizou o Brasil, mas o maior legado de sua participação talvez tenha sido o resgate da política como o bem maior da democracia.

A política, em sua concepção mais genuína, afirma-se no enfrentamento cotidiano das contradições, diferenças e expectativas de vários grupos sociais. É o diálogo no mais alto nível, sem o qual não há ambiente democrático que se sustente. Esse ensinamento merecia ser revivido com a força e a dignidade que Aécio Neves lhe dispensou. Por isso, ele sai dessa campanha na companhia invejável de 51 milhões de brasileiros e um patrimônio de credibilidade admirável.

A voz de Aécio ecoou por todo o Brasil e não será esquecida, pois o próprio senador já avisou que “não iremos nos dispersar”. A boa política agradece.

ANTÔNIO IMBASSAHY, 66, deputado federal pela Bahia, é líder do PSDB na Câmara dos Deputados.

Governo do PT quer tutelar a política

Governo do PT é capaz de tutelar a máquina do Estado por interesses político-ideológicos específicos e conhecidos tem de ser feita às claras.

A falsa participação social do PT

Fonte: O Globo

Governo do PT quer tutelar a política e o cidadão

Proteção do aparelho público brasileiro deve ser feito por meio do Congresso Nacional e não pela assinatura de Dilma Rousseff. Foto: Evaristo Sá

Tutela política

TEMA EM DISCUSSÃO: Política e sistema de participação social

Aperfeiçoar o regime de democracia representativa, sem cair em armadilhas do populismo que contrabandeiam mecanismos de “democracia direta”, deve ser preocupação constante dos políticos e de organismos da sociedade organizada.

O desafio é criar-se uma multiplicidade de canais em que o cidadão, sem deixar de se sentir representado nas Casas legislativas, atue de uma maneira mais próxima dos centros de decisão. Em democracias com populações gigantescas, como a brasileira, é fundamental a atenção com a distância entre o Estado e as pessoas. Quanto menor, melhor.

A criação de comissões com representantes do povo para ajudarem na elaboração e/ou execução de políticas específicas é prática antiga. Assim, como alega o governo, não deveria causar qualquer estranheza a instituição de uma política e de um sistema de participação social, por meio do Decreto-Lei 8.243, em maio.

Mas a questão é bem outra. Nada contra comissões em si. O problema, e sério, está na constituição do tal sistema, formado por uma constelação de comissões instaladas na administração direta e mesmo estatais, previstas para atuar em fóruns, mesas de negociação, audiências públicas, conferências nacionais, ouvidorias etc.

Toda esta enorme estrutura criada para supostamente representar a “sociedade civil” ficaria, segundo o decreto, sob a coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República, com status de ministério, hoje ainda ocupada por Gilberto Carvalho, a ser substituído no segundo governo Dilma certamente por outro político da alta hierarquia do PT. Não por acaso.

Na verdade, este “Sistema Nacional de Participação Social” é a materialização em lei da política de aparelhamento do Estado que o partido executa com disciplina desde a chegada ao Planalto, com Lula, em 1º de janeiro de 2003. Sob inspiração chavista. Esta evidência é escancarada quando o 8.243 define, para os fins do sistema de comissões, o que é “sociedade civil”: “O cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Óbvio, não é simples coincidência esse meio político-social ser o mesmo em que o PT exerce grande influência, tem enorme representatividade e atua até mesmo distribuindo recursos públicos por intermédio de ministérios e autarquias que controla (Incra é um desses guichês generosos).

De qualquer eleição feita neste universo para escolher “representantes do povo” sairão nomes ligados ao PT, a suas correntes e legendas aliadas à esquerda. Um jogo de cartas marcadas.

Esta já seria uma razão forte para a Câmara dos Deputados ter revogado o decreto-lei, decisão a ser confirmada pelo Senado. Outro motivo é que a formulação dessa proposta, capaz de tutelar a máquina do Estado por interesses político-ideológicos específicos e conhecidos, tem de ser feita às claras, no Congresso. Não por uma canetada presidencial.

A nova oposição

Caso não se registre mais adiante nenhum tipo de recuo, dê-se por fundada a oposição brasileira desaparecida.

Nova Oposição

Fonte: Blog do Noblat 

Fundada a nova oposição, por Ricardo Noblat

Senador Aécio Neves impactou o Brasil com seu discurso de mudança. Com ele, 51 milhões de brasileiros na nova oposição. Foto: Marcos de Paula / Estadão

Dê-se por fundada a nova oposição

O PT ainda não se recuperou do susto de quase ter perdido a eleição.

Caso não se registre mais adiante nenhum tipo de recuo, dê-se por fundada nos últimos dois dias a oposição brasileira desaparecida desde que o PT chegou ao poder com Lula em janeiro de 2003.

É de celebrar, mesmo até se você for petista de carteirinha. Uma democracia não se consolida sem que haja oposição. Um partido não se reinventa se reinar sozinho.

O PT tentou ser governo e oposição ao mesmo tempo, não deixando espaço a ser ocupado pelos adversários. Mas ninguém chega ao poder impunemente. O poder entorpece e corrompe. O PT não escapou da escrita.

Foi mais por falta de hábito, preguiça, distanciamento do distinto público e medo de enfrentar o carisma de Lula que a oposição comandada pelo PSDB cruzou os braços nos últimos 12 anos. Perdeu a voz. Refugiou-se nos gabinetes.

Finalmente, parece ter saído da toca sob o impacto dos 50 milhões de votos colecionados por Aécio Neves. E dos discursos exemplares que ele fez desde que se reapresentou ao Senado onde ficará por mais quatro anos.

Aécio rompeu com o jeitinho brasileiro de se compor por cima ou de conciliar por conciliar, fugindo do choque aberto e afirmativo. Seu discurso não tem sido de um perdedor – pelo contrário. Foi para cima do governo. E o fez com especial dureza.

É assim nas democracias amadurecidas. Quem perde vai para a oposição. E tenta enfraquecer o governo para substituí-lo um dia. Assim procedeu o PT entre 1989, quando Lula concorreu à presidência pela primeira vez, e 2002 quando ele se elegeu.

O PT ainda não se recuperou do susto de quase ter perdido a eleição. Está perplexo com o comportamento do PSDB e de seus aliados. Por enquanto ainda não sabe como reagir.

PSDB e oposição ficam mais fortes, diz Aécio

Aécio: “Estamos selando um pacto de construção de uma oposição revigorada, e por mais paradoxal que possa parecer, uma oposição vitoriosa”.

Eleições 2014

Fonte: PSDB

Aécio: PSDB e aliados oposição fica mais forte

Aécio Neves: “Tão importante quanto governar é fazer a oposição, é travar aqui nesta Casa e junto à sociedade brasileira o grande debate”. Foto: Orlando Brito.

Aécio Neves participa de reunião da Executiva Nacional do PSDB e partidos aliados

“Existe algo novo no Brasil e temos a responsabilidade de manter isso vivo”, disse presidente do PSDB

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, participou, nessa quarta-feira (05/11), da primeira reunião da Executiva Nacional do PSDB após as eleições de 2014. Aécio Neves afirmou que é responsabilidade da oposição manter vivo o sentimento de mudança que aflorou no Brasil a partir do processo eleitoral e prometeu cobrar melhorias do governo federal com base nas mesmas convicções que o moviam enquanto candidato à Presidência da República.

 Discurso presidente do PSDB, senador Aécio Neves, durante reunião da Executiva Nacional e partidos aliados

Aos amigos que me permitem esse reencontro que para mim, os que me conhecem sabem muito bem, me alimenta a alma. E não poderia ser diferente.  No início efetivo dos trabalhos legislativos pós eleição qualquer outra atividade, qualquer outra ação efetivamente política, minha em especial que fui representante de tantos que estão aqui nessa campanha eleitoral, só poderia ocorrer após esse nosso encontro.

Ontem mesmo eu pretendia fazer um pronunciamento no Plenário do Senado, vou fazê-lo agora no início da tarde. De pronto, já convido a todos que a partir das 15 horas, aqueles que puderem obviamente estarem nos acompanhando no Plenário do Senado. Mas quis que esse pronunciamento fosse precedido desse encontro entre companheiros, entre companheiras de vários partidos políticos de todas as regiões do Brasil que acreditaram, na verdade continuam acreditando, na possibilidade da construção de um Brasil melhor, um Brasil mais justo, mais solidário, mais verdadeiro.

Não vou aqui monopolizar a palavra, mas nesse ato também, ao final, quero fazer uma sucinta análise do que foi esse processo eleitoral e, naquilo que pra mim dele restou de mais vigoroso, de mais vivo, de mais presente na alma, no sentimento das pessoas, tenho absoluta convicção de que não vou falar novidades para nenhum dos senhores ou das senhoras, porque a percepção que tenho, estou seguro, é a percepção que cada um de vocês, nos seus estados, vêm tendo de uma eleição que foi diferente das outras eleições.

Eu vou deixar portanto para fazer essa análise um pouco ao final. Eu gostaria – presenças tão ilustres, lamento todos não poderem estar aqui sentados e todos olhando na mesma direção. A imagem que me vem à mente aqui é de uma mesa de um lado só, com todos olhando na direção de um Brasil que possa ser diferente desse Brasil que aí está.

E para que ele seja diferente, certamente, a nossa ação no governo seria decisiva, mas não foi essa a vontade majoritária dos brasileiros, o que não faz que a nossa ação na oposição seja menos relevante e menos importante. Estamos, a partir de hoje, selando, aqui, um pacto de construção de uma oposição revigorada, e por mais paradoxal que possa parecer, de uma oposição vitoriosa. Porque nós disputamos essas eleições falando a verdade, apresentando aos brasileiros a possibilidade de uma nova construção política, ética e, sobretudo, o início de um novo e desafiador tempo para todos os brasileiros. Quero cumprimentar a todos que aqui estão.

Revejo aqui e, obviamente, não poderei fazer isso citando nominalmente, mas vários olhares de confiança que encontrei durante a campanha e que reencontro aqui hoje, parlamentares eleitos, reeleitos, parlamentares que não venceram as eleições, mas que continuam a ser ativos formuladores da vida pública dos seus estados, e mesmo no Brasil. E quero começar distribuindo um pouco a palavra, teremos apenas cinco ou seis manifestações, repito, convido a todos para estarmos a partir das três horas  no Plenário do Senado.

Mas mostrando a síntese daquilo que foi a nossa caminhada até aqui, que a partir de um determinado momento, companheiro Imbassahy, governador Teotônio, presidente Roberto Freire, amigo e companheiro Paulinho, Ana Amélia, grande prefeito Arthur Virgílio, Mendonça aqui representando o Democratas, quero saudar os governadores eleitos na figura do governador Reinaldo Azambuja  do Mato Grosso do Sul, pela vitória muita especial para todos nós, aos líderes partidários, cumprimento através do líder Rubem Bueno, e uma saudação muito especial a um homem que aprendi a conhecer melhor nessa campanha eleitoral e que é merecedor, estejam certos disso, do meu absoluto respeito pessoal,  Pastor Everaldo, cuja presença aqui hoje agradeço imensamente.

Mas como essa candidatura, a partir de um determinado momento em um grande movimento a favor desse novo Brasil, quero passar a palavra para que passe uma rápida mensagem, como de resto os outros quatro ou cinco oradores farão, a uma extraordinária figura, que eu já conhecida porque é minha colega, mas que essa campanha me permitiu ter com ela uma relação que é para toda uma vida. O [Mário] Covas dizia, senadora Ana Amélia, que a política é uma atividade diferente das outras porque ela permite, diferente da maioria das outras atividades que existam em uma sociedade, que você conheça pessoas, às vezes de geração diferente, de regiões diferentes, de formação profissional absolutamente distintas, e cria com elas um elo que, em um determinado momento você olha, parece que é uma amiga de infância e você tem absoluta certeza de que é uma amiga por toda a vida. Isso aconteceu comigo e com a senadora Ana Amélia.

Essa brava companheira que deu exemplos o tempo inteiro de dignidade, de honradez, de coragem, de solidariedade. Portanto passo a palavra inicialmente para que a senadora Ana Amélia do PP possa aqui dirigir aos companheiros uma palavra de saudação. Ela que terá um papel no Senado Federal extremamente relevante na construção da nossa ação política daqui por diante.

Eu queria fazer uma saudação especial a ele que tem sido um bravo companheiro, um bravíssimo guerreiro na governança do seu estado, que foi o estado que nos deu a maior votação proporcional, a você Paulo Bauer o meu agradecimento e o meu reconhecimento pela belíssima campanha, belíssima travessia que fez.

Como eu disse, daqui a pouco terei a oportunidade de fazer um discurso mais formal no plenário do Senado, para que fique ali registrado, não apenas a nossa compreensão em relação a tudo o que aconteceu neste processo eleitoral, mas em especial nossa visão clara em relação àquilo que precisa ocorrer no Brasil daqui por diante.
Inicio essas minhas palavras com o mais profundo agradecimento a cada companheiro e companheira que com sua presença aqui hoje representam mais de 50 milhões de brasileiros que foram às urnas de forma absolutamente livres dizer o que queriam para o Brasil.

O que pensavam deveria ocorrer no Brasil pelos próximos anos. Sou democrata e venho aqui para ser lembrado, com as armas que tinha, com as armas da verdade, da compostura, da coragem, combatendo como aprendi a combater na política, onde a meu ver as ideias é quem devem brigar e não as pessoas, mas não tivemos a maioria dos votos. O que quero é reafirmar que a mesma determinação, a mesma coragem com as quais me preparei para governar ao Brasil, trago hoje para participar da nova oposição que aqui hoje se reúne pela primeira vez. A oposição, me permitam apenas esta tênue discrepância de compreensão em relação a alguns que aqui falaram, claro que o fizeram mais pela generosidade a homenagem, não se faz por um ou por alguns cidadãos.

A oposição brasileira hoje não precisa de um líder, ela tem viva na alma e no sentimento de milhões e milhões de brasileiros na sua mais importante essência que é a indignação com tudo que vem acontecendo ao longo desses últimos anos, mas também uma esperança muita forte e enraizada em relação àquilo que podemos mudar. Tão importante quanto governar é fazer a oposição, é travar aqui nesta Casa e junto à sociedade brasileira o grande debate que teremos que travar. Eu, portanto, não me esmoreci.

Não deixo de ter as convicções que me fizeram candidato, que me proporcionaram o privilégio que pouquíssimos brasileiros tiveram na sua trajetória, e esse eu realmente tive e divido com cada um de vocês e como dividi durante a campanha, que foi encontrar um Brasil vivo, um Brasil vibrante e perceber que a minha candidatura partiu, de um determinado momento, não pelas minhas virtudes, mas pelas circunstâncias nas quais ela era construída e pelo cenário que se delineava, pois ela na verdade era o contraponto ao desgoverno, ao desperdício do dinheiro público, à irresponsabilidade na gestão das nossas empresas, a minha candidatura foi se transformando em um movimento, em um movimento em favor de um Brasil diferente.

Mas trago esse sentimento com a humildade daqueles que aprendem desde cedo uma lição na minha casa com meu avô Tancredo, voto você nunca tem, voto você teve, e você tem que trabalhar muito para manter viva nessas pessoas que lhe depositaram através do voto a sua confiança a mesma chama que as fizeram acordar em um domingo pela manhã e ao longo da tarde ir às urnas tentar mudar o Brasil.

Hoje o Brasil é um Brasil diferente. Porque essa campanha terá consigo e levará para a história duas marcas, duas marcas muito claras, distintas, opostas. Uma delas protagonizada pelos nossos adversários, a campanha da infâmia, de mentira, da utilização absolutamente sem limites da máquina da pública em benefício de um projeto de poder. Pelo menos cumpriram a palavra. Disseram que iam fazer o diabo nas eleições. O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas durante essa eleição. Ocuparam as nossas empresas públicas, agora os Correios para a atuação infame. Ninguém vai jamais saber quantos foram os panfletos distribuídos sem chancela pela candidatura oficial. Infelizmente, milhões de brasileiros vão deixar de saber qual teria sido a nossa mensagem porque – entramos com uma ação  contra os Correios contra isso – aquilo que distribuímos, em várias partes do Brasil, não chegou. E quero deixar uma palavra de solidariedade aos milhares de funcionários dignos e honrados dos Correios e Telégrafos.

Aquilo que nós distribuímos em várias partes do Brasil e não chegou e quero aqui deixar uma palavra de solidariedade aos milhares de funcionários dignos e honrados dos Correios e Telégrafos. Muitos deles se manifestaram indignados com o absurdo aparelhamento daquela empresa. Eu fico apenas no exemplo, porque essa é uma parte que não cabe no regime democrático. Talvez sim em regimes militares muito próximos àqueles que governam hoje o Brasil. Mas não ficou aí, Cássio acaba de vencer dessa tribuna e me lembrava como vários outros companheiros aqui testemunharam que carros de som andavam pelas regiões mais pobres do Brasil para dizer que o voto no 45 significava o descredenciamento do Bolsa Família ou o Minha Casa, Minha Vida também a sua retirada da lista dos possíveis beneficiários. Coisas absolutamente inacreditáveis. Armas que não são decentes, não são honradas, foram utilizadas nessa campanha eleitoral. Poderia ficar só nisso, já seria o bastante para que essa campanha tivesse essa marca perversa, essa nódula absolutamente definitiva na vitória dos nossos adversários. Mas tivemos outras. Raul se lembrará. Eduardo em primeiro lugar, depois Marina, depois eu, fomos vítimas dos mais torpes ataques e infâmias já desferidos contra quaisquer candidatos na nossa democracia contemporânea. Sabiam que era mentira e fizeram da mentira a sua principal arma de lucro. Isso não dignifica a vitória que eu tive. Mas tem o outro lado, e aí é a essa marca que vou me ater. Há outro registro que deve ficar como referência e até como cautela para todos nós que vamos enfrentar no futuro outras disputas.

Essa foi a triste marca que esse governo deixou nessas eleições. Mas eu vi outra, essa eu vi de perto, com essa eu convivi, com essa eu me emocionei, essa me fez acreditar, mas acreditar no lugar mais profundo da minha alma que vale a pena sim fazer política e foi o meu reencontro com os cidadãos livres desse país. As pessoas voltaram a se abraçar nas ruas. As pessoas, sem se conhecerem, voltaram a se cumprimentar, a se olhar.

Pessoas idosas – e quantas foram, meu caro Cícero – de 80, de mais de 90 anos que se encontravam comigo, faziam um esforço enorme para chegar perto de mim para dizer: ó, eu vou as ruas dar o meu voto a vocês pela mudança, cuide dos meus netos, cuide dos meus bisnetos. As crianças, os desenhos, as mensagens das crianças, iam para a sua escola com as cores da bandeira nacional por uma causa que valia a pena. Os jovens que readquiriram nas universidades a capacidade do debate, do enfrentamento, de dizer que história é essa?

O lado bom é o nosso. O nosso é o da honradez, o nosso é o da verdade. Profissionais liberais de todas as categorias. Os médicos, sim, se mobilizaram de forma extremamente impressionante nessa campanha em favor de quê? De uma saúde mais digna, como fizeram profissionais de várias outras áreas.   Eu falo e cito esses exemplos para dizer que existe algo novo no Brasil e nós temos, todos nós, nenhum mais que o outro, a responsabilidade de manter isso vivo. Portanto, a nossa responsabilidade e a nossa obrigação é trazer agora para o campo oposicionista as mesmas convicções que tivemos ao debater com esse governo os seus equívocos e principalmente os descaminhos de ordem moral que se tornaram uma prática quase que cotidiana na ação de alguns dos seus membros.

Eu tenho comigo uma tranquilidade muito grande. Não venci as eleições. Gostaria muito de tê-las vencido e dar a todos esses brasileiros um governo honrado e digno que esperavam de nós. Mas eu boto a minha cabeça no travesseiro e durmo tranquilo, porque eu falei a verdade. Eles nos acusavam de ser os grandes patrocinadores do capital financeiro. Votar no Aécio, votar no PSDB e seus aliados, significa aumento da taxa de juros. Votar no Aécio significa o favorecimento ao capital especulativo.

O que aconteceu pouco dias após as eleições? Taxa de juros aumentam para combater uma inflação que para eles não existiu. Temos o maior buraco, o maior rombo nas nossas contas correntes de setembro de toda a última década. A inflação está aí, novamente fora de controle. Anunciava e perguntavam: Aécio e as medidas amargas, quais serão? Estão aí, patrocinadas por esse governo. A energia sobe e o preço da gasolina também. Medidas que seriam, se necessárias, talvez por um custo menor para a população brasileira se eles tivessem tido a responsabilidade de tomar conta do Brasil e tomar essas medidas anteriormente. Mas não, prevaleceu a agenda da eleição e não a agenda do país. Aliás, essa é uma marca tradicional do PT. Sempre que o PT teve que optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT e quem saiu perdendo foi o Brasil. Foi assim na eleição de Tancredo no Colégio Eleitoral, foi assim no Plano Real com o Fernando Henrique, na Lei de Responsabilidade Fiscal, e agora nessas eleições.

O que eu quero dizer a cada uma e a cada um de vocês é que depende de nós fazermos com que essa chama, que cresceu na sociedade brasileira, de alguma forma se espalhou por todo o Brasil e por todas as regiões do Brasil continue e quero reafirmar aqui, para que nos ouçam em todo o Brasil, farei a oposição ao lado de vocês, como disse, com as convicções que governaria e farei oposição pensando sempre, Raul, nos mais pobres, nos que mais precisam. Não vamos permitir essa ação INÁUDIVEL e macabra de dividirem o Brasil entre nós e eles.

Vamos cuidar aqui das medidas que diminuam as vergonhosas desigualdades a que o Brasil ainda hoje está submetido, e vamos, meus amigos e minhas amigas, com absoluta coragem, com a coragem cotidiana que não precisa resvalar para a ofensa. Mas uma coragem permanente. Vamos acompanhar as ações desse governo, vamos qualificar a nossa oposição, estou reunindo e organizando, Roberto, um grupo de trabalho técnico que vai permanentemente avaliar as ações de cada uma das áreas desse governo para que possam municiar os senhores para cobrar cada um dos compromissos que eles assumiram com o governo durante a campanha eleitoral e que estão muito longe de cumprir.

Hoje, o que nós temos no Brasil é um governo envergonhado pelas armas que usou para vencer as eleições. Tomando as medidas que disse que não tomariam e, na verdade, deixando como a principal marca dessa campanha, do lado dos nossos adversários, da mentira, do engodo, do disfarce. Mas, de outro lado, existe um Brasil revigorado, um Brasil vivo, esse com o qual vocês vêm se encontrando nas ruas de todas as nossas regiões, e é esse o Brasil que vai continuar a fazer a mudança.

Quero dizer, para finalizar, aqueles que ganharam as eleições, aqueles que governam o Brasil, quando olharem para o Congresso Nacional, não contabilizem o tamanho da oposição pelo número de cadeiras que temos no Senado ou pelo número de cadeiras que temos na Câmara dos Deputados. A cada voz, a cada palavra, a cada debate protagonizado por algum dos companheiros que estão aqui e enxerga através deles 51 milhões de brasileiros atentos, acordados, vigilantes, que não aceitam mais ser governados da forma que foram até aqui. Esse é o nosso papel e vamos juntos fazer a mais rigorosa oposição que esse Brasil já viu. Em benefício dos brasileiros, em benefício da democracia, da liberdade, dos valores e da ética e da moral.

Aécio diz que é preciso manter vivo sentimento de mudança

Aécio: “Farei a oposição com as convicções com que governaria, pensando nos mais pobres, que mais precisam. Não vamos permitir que dividam o Brasil entre nós e eles”.

Aécio Neves líder da oposição

Fonte: PSDB

Aécio quer manter união pela mudança

Aécio Neves afirmou que é responsabilidade da oposição manter vivo o sentimento de mudança que aflorou no Brasil a partir das eleições deste ano. Reprodução

Aécio: “Existe algo novo no Brasil e temos a responsabilidade de manter isso vivo”

Durante a primeira reunião da Executiva Nacional do PSDB após as eleições de 2014, o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), afirmou que é responsabilidade da oposição manter vivo o sentimento de mudança que aflorou no Brasil a partir das eleições deste ano. Aécio prometeu cobrar melhorias do governo federal com base nas mesmas convicções que o moviam enquanto candidato à Presidência da República.

“Existe algo novo no Brasil e temos a responsabilidade de manter isso vivo. Trazer para o campo oposicionista as mesmas convicções que tivemos ao debater com esse governo. Depende de nós fazer com que a chama que cresceu na sociedade brasileira e se espalhou continue. Farei a oposição ao lado de vocês com as convicções com que governaria, pensando nos mais pobres, que mais precisam. Não vamos permitir que dividam o Brasil entre nós e eles”, disse.

Segundo colocado na disputa presidencial, com os votos de 51 milhões de brasileiros, Aécio destacou que sela, a partir da presente data, um pacto de construção de uma “revigorada e vitoriosa oposição“, que disputou as eleições “falando a verdade e apresentando aos brasileiros a possibilidade de uma nova construção política ética“.

“Mais de 50 milhões de brasileiros foram às urnas, de forma absolutamente livre, para dizer o que queriam para o Brasil, o que pensavam que deveria ocorrer no Brasil pelos próximos anos. Sou um democrata. Lutei com as armas que tinha, as armas da verdade, da compostura, da coragem, combatendo como aprendi a combater na política, onde a meu ver as ideias é que devem brigar, não as pessoas. Não obtivemos a maioria dos votos, mas a mesma coragem e determinação com as quais me preparei para governar o Brasil trago hoje, para participar da nova oposição que aqui se reúne”, salientou.

Compromissos

Ao lado de prefeitos, deputados, governadores eleitos e líderes de partidos aliados, Aécio afirmou que pretende acompanhar as ações do atual governo e qualificar a oposição. Ele anunciou a criação de um grupo de trabalho que será responsável pela fiscalização dos compromissos assumidos pela presidente da República, Dilma Rousseff, durante a campanha.

“Estou reunindo e organizando um grupo de trabalho técnico que vai permanentemente avaliar as ações de cada uma das áreas desse governo, para que possa municiar aos senhores para cobrar cada um dos compromissos que eles assumiram com os brasileiros durante a campanha eleitoral, e que estão muito longe de cumprir”, detalhou.

“Hoje o que nós temos é um governo envergonhado, pelas armas que usou para vencer as eleições. Mas do outro lado, temos também um Brasil revigorado, vivo, que reencontramos nas ruas. E é esse Brasil que vai fazer a mudança”, acrescentou o senador.

Duas marcas

Aécio ressaltou que a campanha presidencial de 2014 trará consigo duas marcas “claras e distintas”. Uma delas, protagonizada pelos adversários, foi a “campanha da infâmia, da mentira, da utilização absolutamente sem limites da máquina pública em benefício de um projeto de poder”.

“Pelo menos cumpriram com a palavra. Disseram que iam fazer ‘o diabo nas eleições’. O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas durante essa eleição. Ocuparam as nossas empresas públicas, agora os Correios, para uma atuação infame. Ninguém jamais vai saber quantos foram os panfletos distribuídos sem chancela pela candidatura oficial. Infelizmente, milhões de brasileiros vão deixar de saber qual teria sido a nossa mensagem, porque aquilo que nós distribuímos em várias partes do país não chegou”, disse.

Para o senador, a ingerência nos Correios e as ameaças de descredenciamento de beneficiários do Bolsa Família e de retirada da lista do Minha Casa, Minha Vida, caso votassem na oposição, são práticas que “não cabem em um regime democrático”. Aécio criticou ainda os ataques dirigidos à sua candidatura, de Eduardo Campos e de Marina Silva,ambos do PSB. “Sabiam que era mentira, e fizeram da mentira sua principal arma de luta. Isso não dignifica a vitória que tiveram”.

Aécio destacou ainda que “sempre que o PT teve que optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT, e quem saiu perdendo foi o Brasil”.

Cidadãos livres

Segundo Aécio, a outra marca deixada pelas eleições deste ano foi o seu reencontro com “os cidadãos livres desse país”.

“Essa é a marca a que vou me ater. Essa eu vi de perto, convivi, me emocionei, me fez acreditar que vale a pena sim fazer política. As pessoas voltaram a se abraçar nas ruas, voltaram a se cumprimentar, a se olhar.

Pessoas idosas, de 80, mais de 90 anos, que se encontravam comigo, faziam um esforço enorme para chegar próximo de mim e dizer ‘eu vou às urnas dar o meu voto à você, pela mudança. Cuide dos meus netos, dos meus bisnetos’. Os desenhos, as mensagens das crianças que iam para suas escolas com as cores da bandeira nacional por uma causa que valia à pena. Os jovens que readquiriram nas universidades a capacidade do debate, do enfrentamento, de dizerem que ‘o lado bom é o nosso, o da honradez, o da verdade”, afirmou.

O senador encerrou sua fala dizendo que o governo federal não deve contabilizar a oposição pelo número de cadeiras ocupadas no Congresso Nacional, e sim pelos “51 milhões de brasileiros atentos, acordados, vigilantes e que não aceitam mais serem governados da forma como foram até aqui”.

“Esse é o nosso papel, e vamos juntos fazer a mais vigorosa oposição que esse Brasil já assistiu, em benefícios dos brasileiros, da democracia, da liberdade, e dos valores como a ética e a moral”, completou Aécio.

Aécio: oposição são 51 milhões de brasileiros

Aécio afirmou que o governo deve apresentar propostas de interesse público e cobrou transparência e combate à corrupção.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Aécio disse que oposição são 51 milhões de brasileiros

Aécio cumprimenta simpatizantes em retorno ao Congresso Nacional. Foto: Ailton de Freitas / O Globo

Aécio: campanha teve lado ‘macabro’ e lado ‘lindo’, do despertar dos brasileiros

Recebido no Congresso aos gritos de ‘presidente’, ele afirmou que ‘Brasil hoje é diferente’ de antes da votação

Ao chegar ao Senado aclamado por militantes e servidores tucanos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve dificuldades para chegar até o plenário da Casa pela quantidade de pessoas que o cercavam, gritando seu nome. Antes de entrar, afirmou que a mobilização por melhorias não terminou com o resultado da eleição. Devido ao tumulto, o Senado adiou um pronunciamento que faria na tribuna da Casa para esta quarta-feira.

– Agora sendo recebido desta forma no Congresso Nacional, o Brasil despertou, o Brasil hoje é um Brasil diferente do Brasil antes da eleição. Emergiu um Brasil que quer ser protagonista da construção do seu próprio futuro. As pessoas não deixaram de estar mobilizadas a partir do resultado da eleição. O que eu percebo é o contrário. Pessoas continuam emocionadas, continuando querendo construir um futuro melhor para suas famílias e para seus filhos. Essa é uma mobilização inédita na nossa história contemporânea.

Aécio também minimizou a presença da oposição no Congresso, bastante inferior numericamente em relação à base governista.

– O que eu tenho visto aqui hoje no Congresso e o que tenho visto nesses últimos dias por onde eu tenho andado é um sentimento de que, quando o governo olhar para a oposição, eu sugiro que não contabilize mais o número de cadeiras e assentos no Senado e na Câmara. Olhe bem e vai encontrar mais de 50 milhões de brasileiros que vão estar vigilantes e cobrando atitudes deste governo, cobrando investigações em relação às denúncias de corrupção, cobrando a melhoria dos nossos indicadores econômicos, nossos indicadores sociais – disse.

– Nós somos hoje um grande exército a favor do Brasil e prontos para fazer a oposição que a opinião pública determinou que se fizesse. Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por grande maioria da população brasileira, por 51 milhões de brasileiros. Vou ser oposição sem adjetivos – completou Aécio.

A respeito da fala da presidente Dilma Rousseff no dia de sua reeleição, de que queria diálogo com as demais forças políticas, Aécio afirmou que o governo deve apresentar propostas de interesse público e cobrou transparência e combate à corrupção.

– Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros. No mais, vamos cobrar eficiência na gestão pública, transparência nos gastos públicos, vamos cobrar que as denúncias de corrupção sejam apuradas e investigadas em profundidade. Portanto, hoje o Brasil se encontra com o seu futuro a partir das manifestações que estamos vendo ocorrerem em várias partes do país. A nossa posição será sempre em defesa intransigente da democracia, das liberdades, contra qualquer tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa e de quaisquer outras liberdades, sejam coletivas ou individuais – afirmou o senador.

Aécio rejeitou manifestações que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff:

– Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso terá a nossa mais veemente oposição. Eu fui o candidato das liberdades, da democracia, do respeito. Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político – pontuou.

SENADOR NEGA DEFENDER IMPEACHMENT DE DILMA

Carregado pelos corredores do Senado por uma multidão, o senador Aécio Neves disse nunca ter visto no Parlamento um candidato derrotado a presidente ser recebido com tanta festa em seu retorno a Casa. Disse que essa campanha teve um lado “macabro”, que foi o medo, o terrorismo e o uso além do respeitável da máquina pública por seus adversários, mas também teve um lado “lindo”, que foi o despertar de velhos, crianças e jovens que foram para as ruas vestindo verde e amarelo.

Aécio disse que oposição são 51 milhões de brasileiros

Devido ao tumulto, o senado adiou um pronunciamento que faria hoje na tribuna da Casa para esta quarta-feira. Foto: Ailton de Freitas / O Globo

Sempre repetindo que chega mandato com o aval de 51 milhões de brasileiros para fazer uma oposição dura, mandou um recado para o outro lado da Esplanada: a presidente Dilma Rousseff deve tomar muito cuidado, senão seu governo chega no dia 1º de janeiro com cheiro de fim de festa.

— Eu não me lembro de ter visto na história política brasileira um candidato derrotado chegar e ser recebido no Congresso com essa emoção nos olhos das pessoas. Eu sugiro que a presidente Dilma a partir de agora, quando olhar para o Congresso, não contabilize apenas as cadeiras que ocupamos aqui. Que passe a enxergar aqui os 51 milhões de brasileiros que não aguentam mais tanta maracutaia e descaso com a máquina pública. Estamos renovados e faremos uma oposição sem adjetivos, cobrando tudo que o governo prometeu e não entregou – disse Aécio.

Ele acusou a existência de pessoas infiltradas nas manifestações legítimas da sociedade para defender intervenção militar. Aécio também diz que não defende impeachment da presidente Dilma.

— Essas manifestações tem o nosso repúdio mais radical e veemente. Está havendo uma apropriação indevida de um sentimento livre da sociedade. Vou estar aqui na trincheira para defender sempre a democracia e coibir qualquer medida do governo que implique em censura a liberdade de Imprensa – disse Aécio.

O candidato derrotado do PSDB disse que nem ele nem os aliados defendem o impeachment da presidente Dilma e que foi um dos primeiros a ligar para cumprimentá-la pela vitória.

— O departamento jurídico do PSDB entendeu que era legitimo entrar com o pedido de auditoria nas urnas e nos boletins de apuração, pela forma como foi feita a totalização dos resultados. Não queremos mudar o resultado da eleição. Mas é legítimo ter acesso a totalização e boletins de urnas. É um direito de todos. Até porque se fosse o PT o derrotado, também ia pedir. É uma contribuição que estamos dando á transparência do processo no TSE — disse Aécio.

Com o tumulto, ele optou por fazer o seu primeiro pronunciamento só amanhã.

NO AEROPORTO DE BRASÍLIA, AÉCIO DIZ QUE SE SENTE VITORIOSO

Na primeira aparição pública depois de dez dias de reclusão e descanso, o senador Aécio Neves (PSDB), candidato à presidência derrotado no segundo turno, pegou um voo de carreira e chegou no começo da tarde desta terça-feira a Brasília. No aeroporto, foi recebido por políticos e lideranças de vários partidos aliados.

Aécio disse, no aeroporto, que chegou para assumir o seu papel de líder da oposição que o Brasil lhe conferiu.

— Estou chegando para assumir o meu papel de líder da oposição. Vamos cobrar tudo que o governo prometeu e não está fazendo — disse Aécio, que desembarcou sem nenhum assessor por perto, e tirou muitas fotos com eleitores durante o voo de Rio a Brasília. No Rio, o senador foi muito assediado no aeroporto, assim como na capital federal.

Ao ser questionado se ele se sente derrotado pelo resultado do segundo turno, o tucano disse que o sentimento é positivo, e que “os brasileiros acordaram”.

— Eu não me sinto um derrotado. Eu sou um vitorioso porque o que defendemos está vivo no coração dos brasileiros, que é a esperança. Os brasileiros acordaram.

O deputado Paulo Feijó (PR-RJ) veio no mesmo voo que o tucano.

— O Aécio virou um popstar. Vai ter que ter uma paciência… não vai ter um minuto de sossego.

Um rapaz disse:

— Eu votei no senhor.

— Pois é, rapaz. Quase deu, né? — respondeu o senador, que perdeu o segundo turno por cerca de três pontos percentuais, o melhor resultado da oposição em 12 anos.

Uma senhora o abraçou e falou:

— Deixa eu pegar na sua mão, e da próxima vez eu vou pegar na mão do senhor como presidente.

Aécio deve fazer um pronunciamento no Senado.

— Vim cumprir o meu papel. Agora é pé na estrada.

Aécio Neves é recebido com festa no Senado

Senador saiu do veículo na rampa do Congresso e fez uma caminhada entre os simpatizantes que o aguardavam e o receberam aos gritos de “Aécio, Aécio”.

Aécio diz que respeita a democracia

Fonte: G1

Aécio é recepcionado na volta ao Senado e diz que país ‘despertou’

Senador retornou ao Congresso após a derrota na eleição presidencial.
‘O Brasil hoje é diferente do Brasil antes das eleições’, afirmou.

Líder da oposição: Aécio é recebido com festa no Senado

Aécio é recebido por simpatizantes em sua volta ao Congresso. Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) voltou ao Congresso Nacional nesta terça-feira (4) depois da campanha eleitoral na qual foi derrotado pela presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita na disputa em segundo turno.

Um grupo de simpatizantes aguardava a chegada do senador ao Congresso Nacional. Aécio chegou pouco antes das 15h20.

Diferentemente dos demais parlamentares, que costumam descer do carro já na entrada do prédio principal, o senador saiu do veículo na rampa do Congresso e, acompanhado por homens da Polícia Legislativa, fez uma caminhada entre os simpatizantes que o aguardavam e o receberam aos gritos de “Aécio, Aécio“.

“Eu não podia esperar uma recepção tão forte, tão marcante”, disse o senador após passar pelos simpatizantes e chegar ao Salão Azul do Senado. “O Brasil despertou. O Brasil hoje é diferente do Brasil antes das eleições. Emergiu um Brasil que quer ser protagonista do seu próprio futuro”, declarou.

Na semana passada, quando os parlamentares voltaram a trabalhar, o candidato a vice-presidente de Aécio, também senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), rejeitou a oferta de diálogo da presidente Dilma Rousseff e fez duras críticas à campanha do PT. Nunes é o líder do PSDB no Senado e atua na linha de frente da oposição na Casa.

Em rápida conversa com jornalistas, Aécio disse rechaçar toda ameaça à democracia. Desde que foi derrotado por Dilma Rousseff, no último dia 26, foram registradas, tanto em redes sociais quanto em atos públicos que pediam o impeachment da presidente, manifestações pela volta dos militares ao poder.

“Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso à democracia terá a nossa mais veemente oposição. Eu fui o candidato das liberdades, da democracia, do respeito. Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político”, declarou.

O senador prometeu fazer uma “oposição sem adjetivos” e disse que, se o governo quiser “dialogar” deverá “apresentar propostas que interessem aos brasileiros”. Afirmou que cobrará eficiência na gestão pública, transparência nos gastos e investigação de denúncias de corrupção.

Aécio destacou que mais de 50 milhões de eleitores optaram pela “mudança”. Segundo apuração do Tribunal Superior Eleitoral, o tucano recebeu 51.041.155 votos.

“Quando o governo olhar para a oposição, eu sugiro que não contabilize mais o número de cadeiras no Senado ou na Câmara. Olhe bem que vai encontrar mais de 50 milhões de brasileiros que vão estar vigilantes cobrando atitudes desse governo, cobrando investigações em relação às denúncias de corrupção, cobrando melhoria dos nossos indicadores econômicos, indicadores sociais. Somos hoje um grande exército a favor do Brasil e prontos para fazer a oposição”, declarou.

Auditoria nas eleições

Aécio Neves também comentou a iniciativa da coordenação jurídica de sua campanha de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria no resultado da eleição presidencial. Para ele, todos os partidos têm o direito de obter informações sobre o modelo de contagem dos votos.

“Foi uma decisão da nossa coordenação e eu respeito, até porque é um direito de qualquer parte envolvida no processo eleitoral de conhecer o processo de apuração. Mas eu sou um democrata, fui o primeiro a ligar para a presidente da República cumprimentando pela sua eleição e desejar que ela pudesse ainda ter força para unir o Brasil. Esse Brasil que durante a campanha eleitoral ela tentou dividir de forma indevida”, afirmou.

O tucano disse ainda que retorna feliz à “trincheira da oposição”, por acreditar que fez uma “campanha honrada”. Segundo ele, o PT fez “terrorismo” ao dizer que o PSDB, se eleito, acabaria com programas sociais.

“Tem gente que ganha perdendo e gente que perde ganhando. Eu fiz a campanha da honradez, em prol de um Brasil melhor, não só para meu partido e meus aliados, mas para todos os brasileiros. Infelizmente o governo utilizou além do limite do aceitável a máquina pública, fez um terrorismo absurdo para os beneficiários dos programas sociais, sem se preocupar com o que isso representava para eles próprios”, criticou.

Lobão: “qualquer ditadura é injustificável”

Na carta aberta, o músico afirma ser a favor da democracia, contra intervenção militar e que não está ligado a nenhuma liderança política.

Lobão defendeu recontagem dos votos

Fonte: O Tempo

Lobão: a favor da democracia e contra intervenção militar

Lobão também criticou algumas correntes “separatistas” que proliferam na internet, dizendo que o Nordeste é o responsável pela reeleição de Dilma: “É um absurdo querer apontar uma região como responsável pelo naufrágio político”. Foto: Rui Mendes

Lobão usa rede social para negar apoio a ‘intervenção militar’

Músico participou de manifestação no fim de semana, que reuniu cerca de 2.500 mil manifestantes na avenida Paulista para protestar contra a reeleição da presidente petista

O músico Lobão usou as redes sociais para se defender de críticas de que apoiaria uma intervenção militar no país para derrubar o governo de Dilma. No domingo (2), cerca de 2.500 mil manifestantes se reuniram na avenida Paulista para protestar contra a reeleição da presidente petista.

Lobão participou do ato e, com uma bandeira do Brasil nos ombros, defendeu a recontagem dos votos. “Não tem ninguém aqui golpista”, disse ao microfone.

Porém uma parte mais radical dos manifestantes defendeu um novo golpe militar no país. “É necessária a volta do militarismo. O que vocês chamam de democracia é esse governo que está aí?”, criticou o investigador de polícia Sérgio Salgi, de 46 anos, que carregava cartaz com o pedido “SOS Forças Armadas”.

A reivindicação provocou entusiasmadas reações prós e contras nas redes sociais, obrigando Lobão a fazer uma “nota de esclarecimento” em usa página no Facebook.

Na carta aberta, o músico afirma que “qualquer ditadura é injustificável” e que não está ligado a nenhuma liderança política. “Sou apenas um cidadão indignado como qualquer outro”, conta.

Lobão também criticou algumas correntes “separatistas” que proliferam na internet, dizendo que o Nordeste é o responsável pela reeleição de Dilma: “É um absurdo querer apontar uma região como responsável pelo naufrágio político”.

Antes das eleições, Lobão chegou a dizer que deixaria o país em caso de vitória petista. Depois de confirmada a reeleição, voltou atrás. O cantor, aliás, também voltou ao tema na mensagem. “Aos que cobram a minha partida do Brasil por supostamente acharem que assim o prometi é bom lembrar que ainda estando numa democracia, tenho pleno direito de ir e vir, trocar de opinião e manifestá-la quando quiser.”

Leia a nota na íntegra: 

Quero deixar bem claro, pela enésima vez, através desta pequena carta, a minha postura em relação ao que vem acontecendo no país:

Em primeiro lugar, é necessário sublinhar que não faço parte de nenhuma liderança política. Sou um músico que ama seu ofício e minha participação nas manifestações é a de um cidadão indignado como qualquer outro brasileiro.

Em segundo lugar, vale a pena lembrar que, nunca, jamais em tempo algum, apoiei uma ditadura e sempre disse e continuo a insistir que qualquer ditadura é injustificável.

Partindo desse princípio, não haveria a menor possibilidade de ter o meu nome associado a golpe militar, intervenção militar ou coisa que o valha. Isso é uma forma tão cretina de reagir como ainda acreditar que Cuba é uma vítima dos EUA e que é “cool” sair por aí impunemente de camiseta de Che Guevara.

Quem apóia uma ditadura não tem condição moral de ir contra nenhuma outra.

Em terceiro lugar, jamais concordei com a ideia de separatismo; amo meu país de norte a sul e todos os meus irmãos. É um absurdo querer apontar uma região como responsável pelo naufrágio político, social, moral e econômico que nos encontramos.

Venho me manifestando veementemente contra a atuação lamentável do PT, sua militância fanática e violenta, suas falcatruas astronômicas, já impossíveis de se camuflar e sua evidente postura de impôr ao país um regime totalitário.

Se uma democracia vive de seus três poderes independentes, então já não vivemos numa democracia há muito tempo.

Se o Estado brasileiro deve ser soberano em suas ações, é evidente que não mais possuímos essas soberania. Temos um governo atrelado ao Foro de SP.

Seria muita ingenuidade nós olharmos ao redor, na América do Sul e não percebermos o que estamos passando.

Acredito que todo o brasileiro que tem o mínimo de vergonha na cara e o mínimo de informação está completamente indignado com essa presença inóspita e sombria a nos impôr suas doutrinas com cinismo e mentiras.

A imprensa oficial com rarísimas exceções, está completamente à mercê do governo e tudo alí é filtrado e deturpado.

Portanto, o que acredito que temos de fazer é insistir na recontagem dos votos, não nos acomodarmos com um resultado imposto goela abaixo , pois quando há indícios inúmeros de fraude, é legítimo exigirmos transparência.

Se somos obrigados a votar, temos o direito de saber o que acontece com os nossos votos.

Esconder isso da gente nos aponta uma vez mais para um regime ditatorial.

Assim acontece na Venezuela, na Bolívia no Equador e em todos os países fiiados ao Foro de SP.

E se é inconstitucional um governo ser subalterno a uma instituição internacional , o PT não tem condições de governar o país.

Se é inconstitucional enviar dinheiro para o exterior sem consultar o congresso nacional , a presidente da República não tem condições de governar esse país.

O Brasil merece se desenvolver, se tornar uma grande Nação, seu povo merece viver uma prosperidade que nunca experimentou, ser unido e não viver refém de um ódio plantado por um partido que, para governar precisa dividir.

E para sacramentar um assunto mais que adormecido, aos que cobram a minha partida do Brasil por, supostamente acharem que assim o prometi, é bom lembrar que ainda estando numa democracia, tenho pleno direito de ir e vir, trocar de opinião e manifestá-la quando quiser. E é bom acostumarem-se a essa realidade.

Como pessoa pública me sinto na obrigação de me posicionar de maneira enfática por ter acreditado nesse parttido e feito companha de 1989 a 2002 para elegê-lo.

E, ao contrário do que a militância petista quer acreditar, o meu histórico só fortalece a minha postura, pois estive lá dentro e sei do que estou falando.

Continuarei a lutar por meus direitos, pela liberdade e pela democracia sempre no campo da legalidade.

Que isso fique bem claro de uma vez por todas!

E vamos todos juntos por um Brasil livre que a hora é essa!

Lobão

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