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Lava-Jato: dono da UTC cita tesoureiro do PT e Roseana Sarney em delação

Dono da UTC prometeu detalhar o envolvimento de suspeitos em esquemas de propina na Petrobras e em outras empresas públicas.

Pelo acordo, ele devolverá R$ 55 milhões aos cofres públicos.

Fonte: O Globo

Lava-Jato: dono da UTC cita tesoureiro do PT e Roseana Sarney em delação

O empresário Ricardo Pessoa assinou nesta quarta-feira o acordo de delação com a Procuradoria Geral da República (PGR). Reprodução

Dono da UTC cita Roseana, Vaccari, parente de ministro do TCU e autoridade do setor elétrico

Ricardo Pessoa assinou o acordo de delação com a PGR; 13 senadores e 22 deputados federais são investigados no STF

A lista de pessoas citadas pelo dono da construtora UTC no acordo de delação premiada inclui um parente de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), uma autoridade militar com atuação no setor elétrico, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB), segundo fontes com acesso às investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

O empresário Ricardo Pessoa assinou nesta quarta-feira o acordo de delação com a Procuradoria Geral da República (PGR) e se comprometeu a detalhar o envolvimento de suspeitos em esquemas de propina na Petrobras e em outras empresas públicas. Pelo acordo, ele devolverá R$ 55 milhões aos cofres públicos.

A PGR conduz os inquéritos da Operação Lava-Jato que apuram as denúncias contra políticos com foro privilegiado. Ao todo, 13 senadores e 22 deputados federais são investigados no STF, entre eles os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O GLOBO já revelou que Pessoa citou também o senador Edson Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, e pelo menos cinco parlamentares federais.

No caso do parente do ministro do TCU, a suspeita é de tráfico de influência por parte do dono da UTC. Todo o acordo com a PGR tramita sob sigilo e, por isso, não há informação sobre todos os detalhes citados pelo delator e sobre as circunstâncias do suposto envolvimento das pessoas mencionadas nos esquemas investigados. A partir da assinatura do acordo de delação, que precisa ser homologada pelo STF, Pessoa começa a detalhar a participação dos envolvidos citados nas conversas que antecederam a formalização do acordo.

Roseana é investigada em inquérito no STF por suspeita de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Vaccari, preso em Curitiba, é alvo de investigações na primeira instância e de um inquérito no STF que apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. São os mesmos crimes apurados em inquérito aberto para investigar Lobão.

O dono da UTC, depois de ficar seis meses preso em Curitiba, está em prisão domiciliar desde 28 de abril. Acusado de chefiar o esquema de cartel que fatiou contratos da Petrobras, ele usa uma tornozeleira eletrônica e só pode deixar São Paulo com autorização judicial. A discussão sobre a delação foi feita ontem com a presença de Pessoa na sede da PGR, em Brasília, e contou com a participação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Dono de empreiteira contará tudo em delação. Petrolão chega a Lula

Preso há 6 meses, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, uma das empreiteiras envolvidas no Petrolão, admite fazer acordo de delação premiada.

Culto, carismático e apreciador de boas bebidas, ele integrava um restrito grupo de pessoas que tinham acesso irrestrito ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada.

Fonte: Veja

Os favores do empreiteiro

Petrolão chega a Lula, dono de empreiteira contará tudo em delação

Segundo Léo Pinheiro, Lula pediu a ele que cuidasse da reforma do “seu” sítio em Atibaia. A propriedade está registrada em nome de um sócio de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente. Foto: Jefferson Coppola/VEJA

Preso há seis meses, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, uma das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, admite pela primeira vez a intenção de fazer acordo de delação premiada. Seu relato mostra quanto era íntimo de Lula.

Leia também: Com delação da OAS contra Lula, impeachment de Dilma é realidade

O engenheiro Léo Pinheiro cumpre uma rotina de preso da Operação Lava-Jato que, por suas condições de saúde, é mais dura do que a dos demais empreiteiros em situação semelhante. Preso há seis meses por envolvimento no esquema do petrolão, o e­­x-presidente da OAS, uma das maiores construtoras do país, obedece às severas regras impostas aos detentos do Complexo Médico-Penal na região metropolitana de Curitiba.

Usa o uniforme de preso, duas peças de algodão a­­zul-claras. Tem direito a uma hora de banho de sol por dia, come “quentinhas” na própria cela e usa o banheiro coletivo. Na cela, divide com outros presos o “boi”, vaso sanitário rente ao piso e sem divisórias. Dez quilos mais magro, Pinheiro tem passado os últimos dias escrevendo.

Um de seus hábitos conhecidos é redigir pequenas resenhas e anexá-las a cada livro lido. As anotações feitas na cela são muito mais realistas e impactantes do que as literárias. Léo Pinheiro passa os dias montando a estrutura do que pode vir a ser seu depoimento de delação premiada à Justiça.

Pinheiro foi durante toda a década que passou o responsável pelas relações institucionais da OAS com as principais autoridades de Brasília. Um dos capítulos mais interessantes de seu relato trata justamente de uma relação muito especial – a amizade que o unia ao e­­x-presidente Lula.

De todos os empresários presos na Operação Lava-Jato, Léo Pinheiro é o único que se define como simpatizante do PT. O empreiteiro conheceu Lula ainda nos tempos de sindicalismo, contribuiu para suas primeiras campanhas e tornou-se um de seus mais íntimos amigos no poder.

Culto, carismático e apreciador de boas bebidas, ele integrava um restrito grupo de pessoas que tinham acesso irrestrito ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada. Era levado ao “chefe”, como ele se referia a Lula, sempre que desejava.

Não passava mais do que duas semanas sem manter contato com o presidente. Eles falavam sobre economia, futebol, pescaria e os rumos do país. Com o tempo, essa relação evoluiu para o patamar da extrema confiança – a ponto de Lula, ainda exercendo a Presidência e depois de deixá-la, recorrer ao amigo para se aconselhar sobre a melhor maneira de enfrentar determinados problemas pessoais.

Como é da natureza do capitalismo de estado brasileiro, as relações amigáveis são ancoradas em interesses mútuos. Pinheiro se orgulhava de jamais dizer não aos pedidos de Lula.

Petrolão chega a Lula, dono de empreiteira contará tudo em delação

Pinheiro: do trânsito livre ao Palácio do Planalto ao banheiro coletivo na prisão. Foto: Beto Barata/VEJA

Desde que deixou o governo, Lula costuma passar os fins de semana em um amplo sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. O imóvel é equipado com piscina, churrasqueira, campo de futebol e um lago artificial para pescaria, o esporte preferido do ex-presidente.

Desde que deixou o cargo, é lá que ele recebe os amigos e os políticos mais próximos. Em 2010, meses antes de terminar o mandato, Lula fez um daqueles pedidos a que Pinheiro tinha prazer em atender. Encomendou ao amigo da construtora uma reforma no sítio. Segundo conta um interlocutor que visitou Pinheiro na cadeia, esse pedido está cuidadosamente anotado nas memórias do cárcere que Pinheiro escreve.

Na semana passada, a reportagem de VEJA foi a Atibaia, região de belas montanhas entrecortadas por riachos e vegetação prístina. Fica ali o Sítio Santa Bárbara, cuja reforma chamou a atenção dos moradores.

Era começo de 2011 e a intensa atividade nos 150 000 metros quadrados do sítio mudou a rotina da vizinhança. Originalmente, no Sítio Santa Bárbara havia duas casas, piscina e um pequeno lago. Quando a reforma terminou, a propriedade tinha mudado de padrão.

As antigas moradias foram reduzidas aos pilares estruturais e completamente refeitas, um pavilhão foi erguido, a piscina foi ampliada e servida de uma área para a churrasqueira. As estradas lamacentas do sítio receberam calçamento de pedra e grama.

Um campo de futebol surgiu entre as árvores. O antigo lago deu lugar a dois tanques de peixes contidos por pedras nativas da região e interligados por uma cascata. Ali boiam pedalinhos em formato de cisne. A área passou a ser protegida por grandes cercas vigiadas por câmeras de segurança, canil e guardas armados.

O que mais chamou atenção, além da rapidez dos trabalhos, é que tudo foi feito fora dos padrões convencionais. A reforma durou pouco mais de três meses. Alguns funcionários da obra chegavam de ônibus, ficavam em alojamentos separados e eram proibidos de falar com os operários contratados informalmente na região e orientados a não fazer perguntas.

Os operários se revezavam em turnos de dia e de noite, incluindo os fins de semana. Eram pagos em dinheiro. “Ajudei a fazer uma das varandas da casa principal. Me prometeram 800 reais, mas me pagaram 2 000 reais a mais só para garantir que a gente fosse mesmo cumprir o prazo, tudo em dinheiro vivo”, diz Cláudio Santos.

“Nessa época a gente ganhou dinheiro mesmo. Eu pedi 6 reais o metro cúbico de material transportado. Eles me pagaram o dobro para eu acabar dentro do prazo. Era 20 000 por vez. Traziam o envelopão, chamavam no canto para ninguém ver, pagavam e iam embora”, conta o caminhoneiro Dário de Jesus. Quem fazia os pagamentos? “Só sei que era um engenheiro que esteve na obra do Itaquerão. Vi a foto dele no jornal”, recorda-se Dário.

Lula culpa imprensa e diz que PT será julgado antecipadamente

Lula não reconhece os erros do PT e menospreza fatos que colocam o partido no centro do maior escândalo de corrupção já revelado no Brasil.

Lula afirmou que o PT não vai aceitar a pecha de corrupto e conclamou a militância a reagir

Fonte: O Globo

Bravata: Lula diz que mídia vai condenar o PT antes do STF

 Lula ironizou as críticas recebidas pelo partido. Foto: Rafael Andrade/ Folhapress

Lula compara Lava-Jato ao mensalão e diz que imprensa irá julgar o PT antecipadamente

‘Todo o vazamento é contra o PT’, disse o ex-presidente da República

O ex-presidente Lula comparou, na noite desta quarta-feira, o escândalo de corrupção na Petrobras ao processo do mensalão e disse que, quando a investigação chegar ao Supremo Tribunal Federal, a imprensa já terá condenado o PT. Ele também ironizou a oposição, dizendo que até parece que eles arrecadam dinheiro para as campanhas eleitorais no Criança Esperança, e não com empresários.

— Agora a bola da vez somos nós. O PT não pode continuar crescendo, tem que ser atacado de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer guerra eletrônica contra o PT, não importa se é verdade ou mentira. Vamos tentar difamar, destruir esse partido. No processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, o que a gente está vendo é que quando chegar na Suprema Corte, quando o Teori (Zavascki) for analisar a delação premiada, instrumento criado por nós, a imprensa já vai ter condenado. Todo o vazamento é contra o PT — disse Lula, ao discursar no lançamento da segunda etapa do 5º Congresso do PT.

Em um evento marcado por ataques aos oposicionistas, chamado de “coxinhas” pelo presidente do PT, Rui Falcão, Lula ironizou as críticas recebidas pelo partido:

— A presidente Dilma tentou explicar isso muitas vezes na campanha eleitoral, mas nossos adversários nunca quiseram compreender, como se quem faz campanha pedindo dinheiro para empresário fosse só o PT. Me parece que os tucanos arrecadam dinheiro em campanha como o Criança Esperança, de tão nobre que eles são.

O ex-presidente afirmou que o PT não vai aceitar a pecha de corrupto, conclamou a militância a reagir e disse que quem errou será punido:

— É hora dos petistas levantarem a cabeça, enfrentarem o debate da corrupção. A gente não pode aceitar a pecha que eles querem nos incutir na nossa testa. Não sou melhor do que ninguém, mas se enfiar todos eles um dentro do outro, eles não são mais honestos do que eu nem nenhum de vocês.

No momento em que a segunda etapa do 5º Congresso do partido, que acontecerá em junho, em Salvador, vai discutir a atualização do programa e do estatuto do PT, Lula comparou a sigla a um filho que cresce e começa a dar trabalho:

— Não nascemos para ser igual aos outros, não nascemos para fazer campanha com cabos eleitorais pagos. Aí nasce o político profissional. A gente tinha menos voto, mas tinha mais orgulho, andava de cabeça erguida, querendo que as pessoas copiassem a gente.

Conclamado pela militância a disputar as eleições de 2018, Lula disse que o momento agora é de garantir que a presidente Dilma Rousseff faça um bom governo em seu segundo mandato. E alertou que os próximos quatro anos serão tempos difíceis:

— Ninguém tem que pensar neste momento em 2018, temos que pensar na posse da presidente Dilma e do sinal que temos que dar a esse país. Na expectativa que a presidente Dilma anuncie no dia 1º o que serão os próximos quatro anos do ponto de vista econômico, das politicas sociais, de desenvolvimento, de crescimento, para que a gente possa recuperar neste país a alegria.. É importante que a gente não perca de vista que os tempos que virão pela frente não serão fáceis.

Os discurso da noite, tanto de Lula e Rui Falcão, como do governador da Bahia, Jaques Wagner, criticaram a oposição por não descer do palanque, segundo eles. E conclamaram a militância a dar uma demonstração de força na posse da presidente Dilma, fazendo uma grande festa popular em Brasília:

— Eu perdi 89 e todo mundo sabe como perdi, entretanto não fiquei na rua protestando, fui me preparar para a outra. (…) Quando a gente perdia a gente acatava o resultado. Eles acham que a campanha não acabou. A gente não pode ficar nessa disputa com eles. Eles fazem uma passeata um dia e a gente no outro. Ninguém aguenta. A Dilma precisa governar. Deixa a mulher trabalhar gente, ela ganhou as eleições — disse Lula.

Petrolão: acordo de leniência prevê confissão de empreiteiros

Clube dos Empreiteiros pode optar por acordo de leniência. Efeitos são na esfera administrativa, e não na penal.

Empresas podem ressarcir os cofres públicos e voltar a participar de licitações, mas empreiteiros podem ser punidos criminalmente.

Fonte: O Globo

Petrolão: empreiteiros podem confessar crimes

Um dos trechos das anotações apreendidas pela Polícia Federal. Reprodução

Cogitado por empreiteiros, possível acordo de leniência prevê confissão

Mecanismo está previsto em Lei Anticorrupção, que já está em vigor

Um acordo de leniência, que chegou a ser cogitado pelo “clube de empreiteiros’’, só resultaria em benefício para as empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato com a confissão voluntária dos crimes. A leniência equivaleria, para pessoas jurídicas, ao que representa a delação premiada para pessoas físicas. A diferença é que a colaboração de empresas tem efeitos na esfera administrativa, e não na penal. No caso da Lava-Jato, a delação foi aceita por diversos acusados, que colaboraram com as investigações, entregaram autoridades com foro privilegiado, acertaram a devolução de recursos desviados e, em troca, terão redução das penas.

— Além de confessar os crimes, as construtoras precisam ressarcir o dinheiro roubado, pois sem isso o acordo seria ineficaz. E é o promotor (MPF) quem decide os valores, tendo como base os contratos fraudados. À Justiça cabe homologar os acordos — explicou o professor Marcelo Figueiredo, da PUC-SP.

INSPIRAÇÃO EM LEGISLAÇÃO AMERICANA

A lei brasileira que estabelece a leniência tem por base a Plea Bargaen (Pedido de Barganha), da legislação americana — ou seja, a negociação para buscar benefícios, sobretudo para o Estado lesado pelas ações delituosas. Nos Estados Unidos, acordos de leniência são bastante comuns, segundo autoridades que atuam na área. As empresas, após aderirem a esses acordos, são submetidas a controles rígidos. Em prazos estipulados, geralmente três anos, os empreendimentos são monitorados quanto aos termos acertados para a colaboração.

O advogado Belizário dos Santos Junior, da Comissão Internacional de Juristas, lembra que o acordo de leniência passa pela obrigatoriedade de se confessar os crimes, permitindo à Justiça desmontar a organização criminosa.

— O réu precisa prestar informações relevantes sobre a ilicitude que está em apuração. A pessoa jurídica precisa se comprometer a não continuar operando cartel, deixando de participar de novos atos de corrupção. Tem que se comprometer a deixar de superfaturar obras, de praticar corrupção ativa, crimes de lavagem de dinheiro — afirmou Belizário.

Ele diz acreditar que, se um acordo de leniência for feito no Brasil e as empreiteiras efetivamente devolverem o dinheiro desviado (fala-se que as empreiteiras estariam dispostas ao ressarcimento de R$ 1 bilhão), as empresas podem ter as multas sobre esses valores atenuadas.

— Mas a principal punição que as empreiteiras estão tentando evitar é mesmo a de ficarem proibidas de continuar participando de licitações públicas, de continuar recebendo recursos do BNDES e outros subsídios governamentais. E isso pode ser evitado num eventual acordo de leniência — disse Belizário.

O professor Rubens Naves, da PUC-SP, diz que, para obter o acordo de leniência, que é feito com o Ministério Público Federal (MPF) mediante homologação da Justiça, o criminoso não pode simplesmente confessar crimes. Ele precisa fundamentar sua participação nesses crimes para que a operação delituosa seja devidamente desmontada.

A posição oficial da Controladoria Geral da União (CGU) é de que até agora não houve procura por parte dos empreiteiros envolvidos na Lava-Jato, seus advogados ou emissários para a costura de um acordo de colaboração. A leniência está prevista na nova Lei Anticorrupção, que só começou a vigorar em 29 de janeiro passado. Desde então, uma única empresa tenta chegar a um acordo com a CGU: a holandesa SBM, fornecedora da Petrobras e também envolvida num esquema de pagamento de propinas.

A CGU é o órgão da União responsável por acordos de leniência. No caso da SBM, o órgão vinculado à Presidência foi procurado pelo diretor comercial da empresa. A CGU faz duas exigências básicas para o acordo ser efetivado: o ressarcimento aos cofres públicos de valores referentes a propinas e a repactuação dos contratos vigentes. A colaboração das empresas deve incluir a identificação dos envolvidos na infração e a entrega de documentos que comprovem atos ilícitos.

Propina da Petrobras financiou campanha de Dilma em 2010

Parte da propina cobrada por Duque das empresas que prestavam serviços para a Petrobras foi paga na forma de doação oficial ao PT.

Denúncia foi feita pelo executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que negociou acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Valor alcançou cerca de R$ 4 milhões entre 2008 e 2011

Fonte: O Globo

Propina da Petrobras financiou campanha de Dilma em 2010

Petrolão: Na prestação de contas do PT à Justiça Eleitoral entre os anos de 2008 e 2011, há doações feitas pelas empresas mencionadas por Mendonça Neto num total de R$ 3,6 milhões. Divulgação

Doação ao PT com propina da Petrobras chegou a R$ 4 milhões, diz executivo

Augusto Ribeiro Mendonça Neto disse ainda que entregou dinheiro vivo a Tigrão, emissário de Renato Duque

Parte da propina cobrada por Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, das empresas que prestavam serviços para a Petrobras foi paga na forma de doação oficial ao Partido dos Trabalhadores. Segundo o executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que negociou acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, o valor alcançou cerca de R$ 4 milhões entre 2008 e 2011 e foi pago por meio das empresas MPE Engengaria, SOG Óleo e Gás e Setec Engenharia. Na prestação de contas do PT à Justiça Eleitoral entre os anos de 2008 e 2011, há doações feitas pelas empresas mencionadas por Mendonça Neto num total de R$ 3,6 milhões. A maior parte, cerca de R$ 2,6 milhões, entrou no caixa do partido via a Setal Engenharia, que também atende pelo nome de SOG Óleo e Gás S/A. As doações foram feitas ao longo de 2009, 2010 e 2011. Outras duas empresas citadas no depoimento também aparecem nas contas do PT. A empresa Setec Tecnologia S/A doou R$ 500 mil em 2010, mesmo valor da contribuição da PEM Engenharia, no mesmo ano.

O dinheiro foi desviado de obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. No total, o desvio alcançou entre R$ 70 e R$ 80 milhões. Mendonça Neto afirmou que houve duas negociações separadas: uma com o ex-deputado federal José Janene (PP), que morreu em 2010, e representava a diretoria de Abastecimento, comandada porPaulo Roberto Costa. O valor da propina ficou em R$ 20 milhões. A segunda tratativa foi feita com Renato Duque, diretor de Engenharia e com Pedro Barusco Filho, gerente da área, e o valor da propina ficou entre R$ 50 milhões a R$ 60 milhões.

Segundo Mendonça Neto, foi Renato Duque quem determinou que fosse feita doação para o PT. Ele detalhou ainda como foi feita a distribuição da quantia. Disse que parte foi entregue também em dinheiro vivo a um emissário de Duque conhecido como “Tigrão“, descrito como um homem em torno de 40 anos, moreno, com altura entre 1m70 e 1m80 e “meio gordinho”. O dinheiro chegava num escritório do executivo, na Chácara Santo Antonio, em São Paulo, por carro-forte e era retirado por Tigrão. Foi Tigrão quem retirou a maior parte, mas também foram feitas entregas a outros homens, também conhecidos por apelidos, como “Melância” e “Eucalipto”. A terceira forma de pagar a propina, segundo ele, eram os depósitos em contas no exterior, indicadas por Duque e pelo gerente Pedro Barusco Filho. A conta usada era denominada Marinelo.

Os R$ 20 milhões da diretoria de Costa, destinados ao PP, foram repassados entre março de 2009 a fevereiro de 2012. Os depósitos, neste caso, foram feitos nas contas de três empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef: MO Consultoria, Rigidez e RCI. Numa segunda obra, o Projeto Cabiúnas, o valor pago em propina foi de R$ 2 milhões.

Mendonça Neto disse que uma das transferências feitas para a conta de Duque, a Marinelo, foi feita por meio de uma empresa que mantém no Panamá. O valor foi de US$ 1 milhão. A propina total da obra, afirmou, foi em torno de R$ 30 milhões e paga pelo consórcio formado pela SOG Óleo e Gás ( vinculada ao grupo Setal), Promon Engenharia eShanska.

As negociações com Duque e Barusco, segundo ele, ocorreram em restaurantes do Hotel Ceasar Park em Ipanema. Depois da determinação de doar parte da propina ao PT, Mendonça Neto diz que procurou João Vaccari Neto, o tesoureiro do partido em São Paulo, para saber como doar. Ele disse, porém, que o tesoureiro não foi informado que a determinação para fazer a doação partiu do diretor da Petrobras.

Mendonça Neto disse que a negociação com José Janene era dura. Relatou que, em algumas ocasiões, como na negociação de um aditivo de contrato para obra da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), foi chamado ao escritório de Janene em São Paulo, onde foi intimidado e ameaçado. Segundo ele, as demonstrações de poder eram “relevantes”. Ele conta que, certa vez, estava numa sala de espera do escritório quando uma a porta da sala ao lado se abriu, e Janene saiu agredindo “um outro cara”, colocando o sujeito para fora.

O executivo contou ainda ter pago propinas em obras das refinarias Paulínia (Replan) e Henrique Lage (Revap), incluindo aditivos.

Em nota, o PT afirmou que recebe doações “em conformidade com a legislação eleitoral vigente”. E que “o próprio depoente reconhece em seu depoimento que foi orientado pela secretaria de Finanças do PT a efetuar as doações na conta bancária do partido”. A nota dia ainda que os recibos das doações constam na prestação de contas apresentada aoTribunal Superior Eleitoral (TSE).

Foram usadas empresas do esquema de Carlinhos Cachoeira, diz executivo

Para justificar a saída do dinheiro na contabilidade do consórcio responsável pela obra na Repar foram feitos contratos de falsas prestações de serviços com as empresas Legend, Soterra, Power, SM Terraplanagem e Rockstar. A Rock Star Marketing, com sede em Santana do Parnaiba, em São Paulo, foi uma das duas empresas – a outra é a JSM Engenharia e Terraplenagem – que receberam R$ 49,1 milhões do esquema do empresário Fernando Cavendish, da Delta, e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Essas empresas também aparecem repassando dinheiro à MO Consultoria, do doleiro Alberto Youssef. Em seu depoimento, Mendonça Neto afirmou que as empresas intermediárias – não apenas a Rock Star – faziam parte do esquema da Delta e eram controladas por “Assaf”. A grafia do nome pode ter sido digitada erroneamente na transcrição do depoimento dado À PF. Em 2012, na CPI que investigou a Delta, Cavendish afirmou que o empresário Adir Assad, de origem libanesa, era quem distribuía aos parlamentares o dinheiro desviado pela Delta de contratos com o Dnit. Assad era dono de empresas de engenharia e terraplenagem. Ele receberia o dinheiro das construtoras, pago para suas empresas, e sacava na boca do caixa, para entregar aos políticos em espécie.

Outro executivo detalha depósitos no exterior, mas nega doações

O outro executivo da Toyo Setal, Júlio Gerin de Almeida Camargo, admitiu nos dois depoimentos prestados à Polícia Federal nos dias 31 de outubro e 3 de novembro o pagamento de R$ 35 milhões em propina a Duque e ao ex-gerente de Executivo de Engenharia e Serviços Pedro Barusco. Camargo disse ainda que pagou a US$ 40 milhões a Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do esquema do PMDB. As transferências foram feitas através de operações triangulares em contas na Suiça, Uruguai, Brasil e China.

Em depoimento, o executivo também confirmou que o repasse era feito a Paulo Roberto Costa diretamente através de representantes da construtora Camargo Correa. De acordo com Julio Camargo, os repasses a Duque eram feitos diretamente ao ex-diretor e ao gerente executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, através de duas contas na Suiça e uma no Uruguai. Em apenas dois contratos firmados para o Projeto Cabuínas 2 e o consórcio Interpar, Camargo confirmou ter pago a Duque e Barusco outros R$ 15 milhões através de contas fora do país. Os repasses a Paulo Roberto eram feitos através do doleiro Alberto Yousseff que indicava contas em Hong Kong e em bancos chineses para depositar as quantias que equivaliam a 1% dos valor dos contratos firmado.

Camargo utilizava de empresas de consultorias para oficializar os repasses das empreiteiras das comissões firmadas com os dois ex-diretores da Petrobras. O empresário montou três empresas – Treviso, Piemonte e Auguri – para receber “as comissões”. De acordo com um dos depoimentos prestados, os consórcios vencedores das obras depositavam aspropinas em contas no banco uruguaio Interbotom e nos suiços Dredit Suisse e Banque Cramer. Julio Camargo também confirmou o pagamento de propina em espécies a Barusco e pessoas indicados por Duque e a Youssef, a pedido de Paulo Roberto.

Ele disse ainda que o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, e o executivo da Odebrecht, Márcio Farias, comandaram a distribuição de propina diretamente na construção de uma unidade de hidrogênio do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Contudo, não detalhou os valores.

Diferente de Mendonça, o delator declarou que as doações feitas por suas empresas entre 2008 e 2012 a políticos de onze partidos não foram propinas. Os recursos, que somam mais de R$ 4 milhões foram feitos por conta de relações amizades. Ele chega a citar o ex-senador Romeu Tuma (PTB), morto em 2010, e o senador Delcídio Amaral (PT-MS). O PTfoi o partido que mais recebeu das três empresas de Camargo: R$ 2,6 milhões. Em seguida, aparecem PTB, PR e PMDB.

O executivo declarou ainda que não tinha conhecimento de cartel ao contrário do que declarou Mendonça. De acordo com Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que representou várias empresas desde a década de 90, entre elas a Setal Engenharia, desde a década de 90 existia cartel na estatal, mas que Renato Duque oficializou a divisão de obras da estatal em 2004. Segundo ele, o cartel permaneceu até a saída de Duque da Diretoria de Serviços da estatal.

O depoimento foi prestado à PF no dia 29 de outubro. Em novembro, conforme antecipou o GLOBO, a Polícia Federal passou a investigar o pagamento de propina a políticos inclusive na campanha de 2014. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a suspeita é que a doação formal, declarada ao Tribunal Superior Eleitoral na última eleição, possa ter sido transformada em “mera estratégia de lavagem de capitais”.

Delação premiada: líder do PT no Senado teria recebido R$ 1 milhão

Denúncia contra o senador Humberto Costa foi feita à Justiça por Paulo Roberto Costa, como parte do acordo de delação premiada.

Denúncia de corrupção

Fonte: O Globo

Petrolão: líder do PT no Senado acusado de receber R$ 1 milhão

Petrolão: Humberto Costa classificou como inconsistente e inverossímil, a acusação de que teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado, em 2010. Foto: JC Imagem

Líder do PT no Senado nega propina da Petrobras e diz que abre mão de sigilos bancário, fiscal e telefônico

Em depoimento, ex-diretor da estatal disse que Humberto Costa recebeu R$ 1 milhão para campanha em 2010

O líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE), divulgou nota na madrugada deste domingo afirmando que abre mão de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico para provar que não recebeu doação de campanha do esquema de corrupção na Petrobras. Ele negou, classificando como inconsistente e inverossímil, a acusação de que teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado, em 2010. A denúncia contra o senador foi feita à Justiça pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, como parte do acordo de delação premiada, segundo reportagem publicada na edição deste domingo do jornal “O Estado de S. Paulo”.

“Sou defensor da apuração de todas as denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do governo. Porém, entendo que isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas. O fato de o sr. Paulo Roberto estar incluído em um processo de delação premiada não dá a todas as suas denúncias o condão de expressar a realidade dos fatos”, diz o texto.

A nota destaca que Humberto Costa, que foi ministro da Saúde no governo Lula, não responde a qualquer ação criminal, civil ou administrativa por atos realizados em sua vida pública. E informa que o senador aguardará o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor da denúncia, abrindo mão desde já dos sigilos constitucionais:

“Aguardo com absoluta tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor de tais afirmações, ocasião em que serão inteiramente desqualificadas. Quando então, tomarei as medidas cabíveis. Informo ainda que me coloco inteiramente à disposição de todos os órgãos de investigação afetos a esse caso para quaisquer esclarecimentos e, antecipadamente, disponibilizo a abertura dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico”.

O senador chama a atenção para a falta de provas ou detalhes operacionais relacionados à acusação: “Causa espécie o fato de que ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido”.

Segundo a reportagem, Paulo Roberto teria dito que o dinheiro destinado à campanha do senador faria parte da cota de 1% do Partido Progressista (PP) sobre recursos desviados na Diretoria de Abastecimento, então controlada pelo partido. Ainda segundo o jornal, o pedido de doação teria sido feito a Paulo Roberto pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, que é amigo de infância do senador Costa.

“Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assinpra), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010”, diz o texto.

O líder do PT conta que conheceu Paulo Roberto Costa em 2004, no processo de implantação da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, e que a relação entre ambos “se deu no campo institucional”. A nota lembra que políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana participaram do processo.

Um dos principais operadores do PT dentro da Petrobras cuidava de contratos milionários

Ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços, Pedro Barusco, aparece na Lava-Jato como um dos principais operadores do PT dentro da petroleira.

Barusco assinou acordo de delação premiada e vai devolver R$ 100 milhões

Fonte: O Estado de S.Paulo

Lava-Jato: gerente da Petrobras cuidava de contratos milionários

Peça-chave na Lava Jato cuidava de contratos milionários

Funcionário de carreira, Barusco se encarregava do aluguel de plataformas e sondas até a área derefino da Petrobrás

Ao lado do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, o ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços da estatal Pedro Barusco aparece na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, como um dos principais operadores do PT dentro da petroleira. Seu nome foi citado nas investigações pela primeira vez pelos diretores da Toyo Setal, Augusto Mendonça e Júlio Camargo, que, em regime de delação premiada, afirmaram ter pago a ele e a Duque cerca de R$ 30 milhões em propinas para fechar contratos com a Petrobrás. 

Funcionário de carreira da Petrobrás, divorciado e morador da Joatinga, microbairro entre São Conrado (zona sul) e Barra da Tijuca (zona oeste), área nobre da orla carioca, Barusco se antecipou à Polícia Federal e, antes que integrasse a lista de presos na sétima fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final, fechou acordo de delação premiadae aceitou devolver US$ 100 milhões aos cofres públicos.

Sua defesa está sendo conduzida pela advogada Beatriz Catta Preta, a mesma que atuou para fechar o acordo de delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o primeiro a denunciar um esquema suspeito de desvios de verbas e corrupção na estatal.

Na Petrobrás, Barusco foi o responsável por contratações milionárias em diversas áreas – da exploração e produção de petróleo e gás, que aluga plataformas e sondas, até a área de refino, que, ao longo dos últimos anos, vem executando um programa de modernização de refinarias e construindo novas unidades pelo País para aumentar a produção interna de combustíveis.

Os executivos da Toyo Setal relataram ter pago a Barusco e a Duque propinas para realizar obras superfaturadas no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São Paulo, e em projetos de instalação de dutos em Macaé, no Rio.

Em 2010, Barusco se aposentou da Petrobrás, mas, no ano seguinte, assumiu a Diretoria de Operações da Sete Brasil, a primeira empresa brasileira proprietária de sondas de exploração de águas ultraprofundas, criada especialmente para atender às necessidades da petroleira no pré-sal.

Composição. Apesar de ter a Petrobrás como sócia, além do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) da Caixa Econômica Federal e de fundos de pensão de empresas públicas (Petros, da Petrobrás, Previ, do Banco do Brasil, e Funcef, da Caixa Econômica Federal), a Sete Brasil não chega a ser uma estatal.

A maior participação individual é do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. Também participam o Santander e o Bradesco, além do fundo de pensão dos empregados da Vale, o Valia. Mais recentemente, as empresas de investimento EIG Global Energy Partners, Lakeshore e Luce Venture Capital se tornaram cotistas.

Assim como João Ferraz, que deixou a gerência de Finanças da Petrobrás para presidir a Sete Brasil, Barusco foi indicado para o cargo pela petroleira, à qual coube a definição das lideranças operacionais na empresa de afretamento de embarcações. Em 2013, ele deixou a companhia, exatamente no momento em que a Sete Brasil passava por processo de aporte de capital, alegando que se submeteria a um tratamento de saúde.

Hoje, Barusco é considerado peça-chave na Lava Jato, porque pode revelar o esquema liderado por Duque, indicação do PT para a diretoria da Petrobrás, embora ele negue tal apadrinhamento. Procuradores registraram em documento a convicção de que Barusco tinha “clara participação em fatos criminosos investigados”.

Renato Duque nega participação em esquema de corrupção na Petrobras

Ex-diretor confirmou ter recebido R$ 1,6 milhão da construtora UTC, para a qual ele diz ter prestado serviços de consultoria.

Renato Duque negou ter conhecimento de qualquer caso de corrupção dentro da estatal.

Corrupção na Petrobras

Fonte: G1

Petrolão: Duque nega ter conhecimento de propina

Duque nega ter conhecimento de pagamentos de propina na Petrobras

Ex-diretor reconheceu ter recebido R$ 1,6 milhão de empreiteira.  Porém, ele afirmou que a quantia foi paga por um serviço de consultoria.

O ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, preso na sétima fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, negou ter participado de qualquer esquema de propina na Petrobras. Duque prestou depoimento aos policiais que cuidam do caso na Superintendência da PF, em Curitiba, onde ele está detido, com a prisão preventiva decretada pela Justiça. Na conversa, o ex-diretor confirmou ter recebido R$ 1,6 milhão da construtora UTC, para a qual ele diz ter prestado serviços de consultoria.

Duque negou ter conhecimento de qualquer caso de corrupção dentro da estatal. No depoimento, ele reconhece que abriu uma empresa de consultoria pouco antes de se aposentar na Petrobras. Ele, inclusive, garantiu que foi por causa da aposentadoria no INSS que resolveu deixar a empresa.

O ex-diretor também foi questionado sobre a existência de um cartel de empresas para realizarem obras para a Petrobras. Duque negou ter conhecimento e disse que todas as licitações passavam por uma Gerência de Orçamentos, que verificava os valores a serem gastos para cada obra da estatal e que os valores só eram divulgados no momento da abertura das propostas das empresas que participavam das concorrências.

Ao ser confrontado com o depoimento do também ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre um superfaturamento que existiria para desvios e abastecimento financeiro de partidos políticos, Duque disse duvidar que o antigo colega tivesse feito tal afirmação. Para Duque, é pouco provável que a Petrobras tenha sido alvo de desvios de dinheiro.

Relacionamento com Baiano

Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB pela investigação, foi citado no depoimento. Duque afirmou que conheceu o lobista em um restaurante, tendo sido apresentado por outra pessoa. O ex-diretor não soube precisar quando e em quais circunstâncias teve contato com Baiano. Também disse que essa foi a única vez em que teve contato com ele.

O ex-diretor também negou ter conhecimento de que um subordinado dele na estatal, Pedro Barusco, tivesse recebido propina ou mesmo que mantivesse contas bancárias no exterior. Barusco assinou um acordo de delação premiada no qual se compromete a devolver mais de US$ 100 milhões.

Em relação aos contatos com outras pessoas citadas, Duque reconheceu que mantinha encontros com Júlio Camargo, mas que as conversas tratavam apenas de assuntos pessoais. Sobre o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, ele disse que o conhece e que esteve com ele algumas vezes. Afirmou ainda que tem uma empatia pelo tesoureiro, mas negou que o tivesse visto na sede da Petrobras.

Júlio Camargo, executivo da empresa Toyo Setal, assinou um acordo de delação premiada. No depoimento, ele afirmou ter pago propina para que a companhia pudesse obter contratos com a Petrobras, no valor de R$ 4 bilhões. Já o tesoureiro do PT foi apontado como o receptador dos recursos que deveriam abastecer o caixa do partido.

Lava Jato

A Operação Lava Jato investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões.

Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, 24 pessoas foram presas pela PF durante esta etapa da operação. Porém, ao expirar o prazo da prisão temporária (de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco), na última terça (18), 11 suspeitos foram liberados. Outras 13 pessoas, entre as quais Renato Duque, continuam na cadeia.

Veja a lista dos valores bloqueados pela Justiça de cada um dos investigados:

Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da Área Internacional da OAS: R$ 46.885,10

Dalton dos Santos Avancini, presidente da Camargo Corrêa: R$ 852.375,70

Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente da Camargo Correa: R$ 463.316,45

Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia: saldo zerado

Fernando Soares, conhecido como “Fernando Baiano”, lobista apontado como operador da cota do PMDB no esquema de corrupção: R$ 8.873,79

Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix: R$ 22.615.150,27

Ildefonso Colares Filho, ex-diretor-presidente da Queiroz Galvão: R$ 7.511,80

João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa: R$ 101.604,14

José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS: R$ 52.357,15

José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da OAS: R$ 691.177,12

Othon Zanoide de Moraes, diretor-executivo da Queiroz Galvão: R$ 166.592,14

Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras: R$ 3.247.190,63

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC: R$ 10.221.860,68

Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente-executivo da Mendes Junior: R$ 700.407,06

Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente da IESA: saldo zerado

Walmir Pinheiro Santana, responsável pela UTC Participações: R$ 9.302,59

Empresas:

Hawk Eyes Administração de Bens: R$ 6.561.074,74

Technis Planejamento e Gestão em Negócios: R$ 2.001.344,84

D3TM Consultoria e Participações: R$ 140.140,69

Gestão deficiente da Petrobras: atrasos nos pagamentos e serviços paralisados

Situação é ainda mais complicada do que parece

Petrobras: Gestão Deficiente – empresa cometeu erros graves de gestão

Fonte: O Globo

Gestão da Petrobras já começa a sofrer sérios danos

Charge: Cabral/PSDB

Artigo de *Carlos Alberto Sardenberg

Ninguém viu?

Como não desconfiaram dos seguidos aditivos, que adicionavam novos custos às obras e novos prazos?

Como é que a Petrobras pode ter cometido tantos erros? Pois, antes de mais nada, é um erro empresarial brutal começar a construir uma refinaria, esta mesmo, a de Pernambuco, calculando que vai custar US$ 4 bilhões, depois gastar US$ 18 bilhões, e a obra ainda não está pronta. Mesmo que tudo tivesse sido feito com a maior honestidade, é evidente que as diretorias da empresa e seu Conselho de Administração fizeram uma péssima gestão. Como é que não perceberam que o negócio estava errado?

Essa mesma pergunta pode ser dirigida a todos os dirigentes honestos que não perceberam o tamanho do desastre e a corrupção que se praticava na empresa. Ou perceberam e não puderam contar aos demais órgãos de controle?

Como ninguém desconfiou dos seguidos aditivos, que adicionavam novos custos às obras e novos prazos? Reparem, não um, mas todos os investimentos relevantes ficavam cada vez mais caros e demoravam mais tempo.

Lembram-se do que disse o ex-diretor Paulo Roberto Costa quando perguntado, no Congresso, sobre o aumento dos custos da Refinaria Abreu e Lima? Que o projeto inicial estava errado, fora feito em cima das pernas. Na ocasião, não falou das propinas que entregaria na delação premiada. Mas ele tinha razão em apontar o improviso como uma das causas do problema.

E isso remete a responsabilidade administrativa e política ao ex-presidente Lula. Foi ele mesmo que disse, em entrevista publicada pelo jornal “Valor”, em 17 de setembro de 2009, quando o país saía da crise. O então presidente reclamava que empresários brasileiros eram conservadores no investimento, que era preciso partir para o ataque.

Exemplificou contando que até a diretoria da Petrobras lhe apresentara um plano de investimento que ele considerou pífio. O que fez? “Convoquei o Conselho da Petrobras para dizer: ‘Olha, este é um momento em que não se pode recuar’. Até no futebol a gente aprende que, quando se está ganhando de 1 x 0 e recua, a gente se ferra.”

A Petrobras partiu para o ataque, programou não uma, mas logo quatro refinarias e ampliou o projeto do complexo Comperj, no Rio. As sucessivas diretorias, já entrando pelo governo Dilma, foram levando a coisa (sem notar nada?), até que a situação tornou-se absurda. Diziam: qual o problema com a refinaria de Pasadena? Apenas um mau negócio. Abreu e Lima vai custar cinco vezes mais? Acontece nas grandes obras.

Mesmo que não tivesse sido roubado um centavo, todas as diretorias e o Conselho de Administração incorreram em grave erro de gestão, causando enorme prejuízo para o patrimônio público, para os acionistas privados e para os trabalhadores.

Poderiam ao menos dizer: “Desculpa aí, pessoal, foi mal.”

A situação é ainda mais complicada do que parece. Sendo óbvio que está muita coisa errada, diretores e gerentes da estatal da turma do bem têm o compreensível temor de assinar qualquer papel, muito menos um contrato que gaste dinheiro. Fornecedores da companhia e de empresas que trabalham para a Petrobras reclamam de atrasos nos pagamentos e informam que serviços estão sendo paralisados.

Sim, há uma parte da Petrobras que continua tirando petróleo e gás. Mas o ambiente geral na companhia vai prejudicar toda a atividade.

DÉFICIT = SUPERÁVIT

O nome do futuro ministro da Fazenda está na cara: o senador Romero Jucá. Com apenas uma palavrinha, ele resolveu o problema das contas públicas. Em vez de escrever na lei o valor em reais do superávit primário, o senador sugeriu que se trocasse “meta de superávit” por “meta de resultado”.

Mas qual resultado? — é a pergunta que uma pessoa menos iluminada faria.

Bobagem. O senador, relator do projeto de lei que muda a regra, explica que não se deve fixar o resultado esperado. Porque, se se fixa um superávit e no final dá um déficit, o pessoal, maldosamente, vai dizer que o governo “não cumpriu”, conclui o senador.

Lógico, não é mesmo? Se não se espera qualquer resultado, superávit ou déficit, qualquer um serve. O senador disse que teve essa ideia porque é economista.

Ah! Bom!

E quer saber? Talvez seja até menos absurda que a proposta enviada pela presidente Dilma ao Congresso. Diz que a meta de superávit continua sendo de R$ 100 bilhões, em números redondos. Mas o governo pode abater dessa meta tudo que gastou com investimentos e desoneração de impostos. Dá uns R$ 150 bilhões. Ou seja, mesmo que faça um déficit de R$ 50 bilhões, o governo cumpre o… superávit.

Quem será o economista dessa coisa?

PF diz que indicação de José Carlos Cosenza foi erro

PF esclareceu que não há, até agora no inquérito policial, nenhuma referência incriminadora contra o atual diretor de Abastecimento da Petrobras.

Juiz da Operação Lava-Jato exigiu esclarecimento

Fonte: O Globo

PF diz que errou ao indicar José Carlos Cosenza

Sucessor de Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, negou que tenha recebido qualquer tipo de favorecimento e negou conhecer o doleiro Alberto Youssef. Foto: Crédito: Gerdan Wesley

PF diz que não há nada contra atual diretor de Abastecimento da Petrobras

Juiz intimou o órgão a esclarecer sobre possíveis pagamentos a Cosenza, substituto de Costa

Um ofício assinado pelo delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, em resposta a um questionamento do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, informou que não há, até agora no inquérito policial, nenhuma referência incriminadora contra o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, que substituiu Paulo Roberto Costa na companhia.

“Em relação ao quesito que figurou em alguns interrogatórios, por erro material, constou o nome de Cosenza em relação a eventuais beneficiários de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras. Em relação ao outro quesito em que se questiona se os investigados conhecem o mesmo, foi formulado apenas em razão do mesmo ter sucedido a Paulo Roberto Costa, área em que foram identificados os pagamentos, bem como por ter sido seu Gerente Executivo. Cumpre esclarecer que não há, até o momento, nos autos, qualquer elemento que evidencie a participação do atual diretor no esquema de distribuição de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras“, informou o delegado.

“Destaque-se, ainda, que nenhum dos presos na sétima fase da Operação Lava Jato pontuou qualquer relação a José Carlos Consenza com os fatos ora em apuração”, complementou.

Mais cedo, o juiz havia pedido informações sobre em qual contexto o nome de Cosenza aparecia nas investigações, uma vez que que ele não havia sido informado nos autos.

Em nota à imprensa, a Petrobras diz que ” tomou conhecimento” de que a Polícia Federal cometeu um “erro técnico” ao mencionar o nome do diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, como um dos “eventuais beneficiários de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras“.

A estatal explicou que “o documento encaminhado ao juiz Sérgio Moro (da 13ª Vara Criminal Federal no Paraná), destaca, ainda, que ‘não há, até o momento, nos autos, qualquer elemento que evidencie a participação do atual diretor no esquema de distribuição de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras‘ e que ‘nenhum dos presos na sétima fase daoperação Lava Jato pontuou qualquer relação de José Carlos Cosenza com os fatos ora em apuração’.

A Petrobras, ainda na nota, reiterou que “vem colaborando com os órgãos públicos de investigação, fiscalização e controle para elucidação dos fatos’. Engenheiro químico, Cosenza trabalha na estatal há 38 anos e assumiu a Diretoria de Abastecimento em abril de 2012 e teria recebido apoio do PMDB, PT e PP. Antes de ser diretor, era gerente executivo de Refino, na área de Abastecimento, comandada por Costa.

Cosenza passou a ser membro do Conselho de Administração da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, em junho de 2008, que era presidido por Costa. O Conselho de Administração da refinaria era o responsável pela aprovação dos aditivos dos contratos.

Cosenza negou que tenha recebido qualquer tipo de favorecimento e negou conhecer o doleiro Alberto Youssef. Ele foi responsável pela comissão interna da Petrobras criada para apurar irregularidades nas refinarias de Abreu e Lima e Comperj, no Rio. O relatório feito pela comissão será enviado ao Ministério Público e à Polícia Federal.

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