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Nordeste Notícias: principais gêneros alimentícios aumentou em nove das 17 capitais

Valor da cesta básica aumenta em nove capitais

Fonte: Valor Econômico

O preço dos principais gêneros alimentícios aumentou em nove das 17 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica.

Depois de três meses, São Paulo voltou a apresentar o maior valor para a cesta básica, com os produtos de primeira necessidade custando R$ 311,55. Porto Alegre apresentou o segundo maior valor (R$ 305,72) e Manaus (R$ 298,22), o terceiro. As cestas com os menores custos médios foram encontradas em Aracaju (R$ 206,03), Salvador (R$ 223,00) e João Pessoa (R$ 232,97).

Em termos percentuais, as maiores altas foram verificadas em cidades do Norte e Nordeste, com destaque para Recife (4,49%), Manaus (3,61%) e Fortaleza (2,54%). Entre as sete localidades onde houve recuo, as quedas mais expressivas ocorreram em Florianópolis (-9,04%), Brasília (-3,66%) e Vitória (-2,29%).

Nos dez meses deste ano – de janeiro a outubro – a variação acumulada do preço da cesta foi positiva em todas as capitais pesquisadas. Os maiores aumentos foram apurados em Fortaleza (18,54%), Manaus (16,59%), Natal (16,40%) e Recife (15,88%). As menores variações no ano ocorreram em Goiânia (1,79%), Vitória (6,70%) e Salvador (6,79%).

Em 12 meses – entre novembro de 2011 e outubro – todas as capitais registram alta nos preços médios da cesta básica, com destaque para Fortaleza (28,40%), Natal (23,25%) e Recife (21,39%). As menores variações foram observadas em Goiânia (7,56%), Florianópolis (8,36%) e Salvador (8,72%).

Em outubro, os preços dos produtos da cesta básica aumentaram de forma generalizada, com destaque para arroz, óleo de soja, leite e carne. Segundo o Dieese, o valor do salário mínimo necessário para o sustento de uma família deveria ser de R$ 2.617,33.

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Nordeste Notícias: brasileiros cada vez menos formal na hora de compartilhar a vida

Unidos sem casamento

Fonte: Autor(es): ANNA BEATRIZ LISBÔA Correio Braziliense

Estudo do IBGE mostra aumento no número de casais que deixam a formalidade do matrimônio civil ou religiosoNotíciaGráfico
Novas análises do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao Censo 2010, mostram que os brasileiros têm mostrado cada vez menos formalidade na hora de compartilhar a vida. O número de casais que têm optado por uniões consensuais sem casamento aumentou de 28,6% em 2000, para 36,4%. Em contrapartida, o percentual de unidos por matrimônio no civil e no religioso caiu de 49,4% para 42,9%. Ainda de acordo com o estudo, a relação sem vínculo legal ou feita na igreja é mais comum entre pessoas com até 39 anos, das classes sociais menos favorecidas e entre negros e pardos.

Em todo o país, os laços sem oficialização foram observados em 48,9% das pessoas com rendimento domiciliar de até meio salário mínimo. Entre os indivíduos com mais de cinco salários mínimos, a porcentagem de uniões consensuais cai para 19,7%. Neste grupo, o que predomina são casamentos no civil e no religioso, que representam 64,2% dos matrimônios. A pesquisa destacou a forte incidência de alianças sem formalização nas regiões Norte e Nordeste. O Amapá é a Unidade da Federação que registrou o maior percentual do país, 63,5%, enquanto Minas Gerais teve o menor, com 25,9%.

De acordo com a professora do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília (UnB) Gláucia Diniz, a informalidade presente nas classes sociais mais baixas é uma questão histórica. “Os processos de colonização portuguesa foram marcados pela segregação social”, explica a docente. “Pessoas pobres, em especial, negros e índios, não tinham acesso às instituições — não podiam frequentar a igreja, por exemplo — nem tinham condição financeira para se casar formalmente.” Para a supervisora de Disseminação de Informação do IBGE Sônia Maciel, o aumento das uniões consensuais está relacionado às mudanças nos padrões familiares. “Existe uma abertura muito maior aos novos arranjos familiares. Esse tipo de união é mais econômica e prática.”

As convicções religiosas também influenciam no tipo de relação. Do total de pessoas em união consensual, 59,9% declararam-se sem religião, enquanto o casamento no civil e no religioso foi a opção de 44,7% dos católicos e 46% dos evangélicos. É o caso do casal de revisores Gabriel Guimarães, 27 anos, e Mariana Moura, 25. Eles moram juntos há um ano e meio no Rio de Janeiro. Nascidos em Brasília, os dois se conheceram no curso de Letras da UnB e namoram há dois anos e meio. Gabriel explica que, embora sinta-se casado, não tem a intenção de oficializar a união com uma cerimônia tradicional. “Podemos até casar no civil, mas não no religioso.”

O desejo de ter a relação oficializada sem as complicações relacionadas ao planejar um casamento foi o que levou o servidor público aposentado Elias Ricardo de Araújo, 77 anos, e a dona de casa Gerolina Sacramento de Jesus, 66, ao cartório para assinar o contrato de união estável. Os dois moram juntos há 25 anos e têm um filho de 26. “Casamento envolve muita burocracia. Assim é mais rápido. Não temos mais idade para esperar”, afirma Gerolina. Há 34 anos em Brasília, Elias teria de buscar sua Certidão de Nascimento original onde nasceu, na Paraíba, para casar-se.

Campeão
Em 10 anos, o número de divorciados no Brasil quase dobrou, passando de 1,7% em 2000, para 3,1% em 2010. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal é líder do ranking, com percentual de 4,2% de pessoas divorciadas, seguido do Rio de Janeiro, com 4,1%. A pesquisadora Sônia Maciel associa esse crescimento no número de separações à maior frequência de relações consensuais. “É um relacionamento que é mais fácil de acontecer e também de desfazer”, ressalta.

A pesquisa do IBGE também apontou redução no número de casais brasileiros com filhos: se, em 2010, eles representavam 56,4% das famílias, hoje são 49,4%. O número de casais sem filhos também cresceu em 10 anos: de 14,9% para 20,2%. Para professora de psicologia Gláucia Diniz, essa tendência está relacionada a uma mudança na função do casamento e da família. “Hoje as pessoas se casam porque querem compartilhar a vida com alguém, independente da presença de filhos. Antes, ter filhos era uma obrigação e o uso de contraceptivos era restrito ou até inexistente.”

Nordeste Notícias: de olho na rede 4G, Oi e TIM

Teles anunciam contratos para instalação de rede 4G no país

Fonte: Autor(es): Bruno Rosa, Paulo Justus e Sérgio Matsuura O Globo

EUA criticam exigência do governo, de 60% de conteúdo nacional

De olho na rede 4G, Oi e TIM anunciaram ontem parcerias para o início da implementação de sua infraestrutura para atender às cotas de produção local, que estabelece que 60% da rede tenham conteúdo nacional até 2014. A Oi anunciou seus fornecedores de equipamentos, enquanto a TIM selou acordo com a Telebras para o compartilhamento de rede no Norte e no Nordeste.

Por outro lado, o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês, órgão que regula o setor nos EUA), Julius Genachowski, fez uma crítica velada à proteção da indústria local pelo governo brasileiro. Segundo ele, o país se beneficiou da privatização das teles em 1995 e deveria continuar nesse caminho.

– Restrições a fabricantes levam (o país) em outra direção – disse Genachowski em palestra na Futurecom 2012, no Riocentro, reforçando críticas de americanos e japoneses.

Ações da Telebras dão salto de 52%

Ontem, a Oi fechou parceria com Nokia Siemens, Alcatel Lucent e Ericsson para o fornecimento de equipamentos nacionais, para sua rede 4G. Juntos, os contratos somam R$ 1 bilhão. Eles preveem a instalação de radiobases 4G nas seis cidades que irão sediar os jogos da Copa das Confederações (Rio, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Fortaleza) até abril de 2013. A Oi também vai levar os equipamentos para São Paulo.

James Meaney, chefe de Operações da Oi, lembra que 600 locais já foram vistoriados para receber as radiobases. Na semana passada, a tele iniciou testes pelo Leblon, zona Sul do Rio.

Já TIM e Telebras assinaram memorando de entendimentos para compartilhamento de rede, a fim de ampliar a cobertura das redes 3G e 4G. Pelo acordo, a TIM vai ceder sua rede no Amapá e Amazonas, um investimento de R$ 250 milhões que ficará pronto no fim do ano. Já a estatal vai ceder uma rede a ser construída entre Piauí e o Norte de Minas Gerais, ao longo das linhas de transmissão da Chesf e de Furnas. O anúncio do acordo fez as açõesda Telebras saltarem até 52% na Bolsa de Valores de São Paulo ontem.

O presidente da Telebras, Caio Bonilha, disse que o compartilhamento de infraestrutura é fundamental para a expansão do acesso à banda larga, principalmente na Região Norte:

– Não somos um país tão rico assim que cada empresa possa ter a sua rede, por isso precisamos compartilhar para atender à demanda – afirmou.

Bonilha se defendeu das críticas feitas ao baixo número de conexões do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Segundo ele, o plano foi responsável por 31,5% das adições líquidas de usuários de banda larga no Brasil em seu primeiro ano de funcionamento.

A Vivo, por sua vez, já havia anunciado contrato com a Ericsson, que será responsável pelas radiobases em Fortaleza, Recife e Rio. Já a chinesa Huawei vai instalar equipamentos 4G para a Vivo nas regiões Norte e Centro-Oeste, bem como em São Paulo, Minas Gerais e Belo Horizonte.

Nordeste Notícias: Fifa marca partidas para os horários mais quentes

Um Mundial escaldante

Fonte: Correio Braziliense

Fifa marca partidas para os horários mais quentes do dia em várias cidades do país, com o objetivo de priorizar a transmissão para a Europa. Ao todo, 24 dos 64 duelos ocorrerão às 13h em sedes como Brasília, Recife e Natal. Especialistas explicam o impacto na saúde dos atletas

O bem-estar dos jogadores — e por consequência até mesmo a qualidade dos espetáculos — passou longe das preocupações da Fifa para a Copa do Mundo no Brasil, de 12 de junho a 13 de julho de 2014. Com o objetivo de privilegiar a transmissão pela TV para a Europa, a entidade marcou partidas para o início da tarde em cidades com características de temperatura, umidade ou secura elevadas.

A tabela de horários do torneio, aprovada pelo Comitê Executivo da Fifa, foi divulgada ontem, em Zurique, na Suíça. No geral, haverá confrontos às 13h, 16h, 17h, 18h, 19h e 21h. A Seleção Brasileira, no entanto, só atuará às 16h e às 17h. A final está marcada para as 16h, no Maracanã.

A seleção que ocupar a quarta vaga no grupo do Brasil, por exemplo, denominada no calendário como A4, terá uma ingrata missão: a de disputar, em um espaço de 10 dias, três partidas em localidades com climas diferentes — em 13 de junho, às 13h, atuará em Natal (RN); cinco dias depois, às 15h, estará em Manaus (AM); e no dia 23 o compromisso será em Brasília, às 17h.

A capital federal receberá sete jogos da Copa, cinco deles às 13h. A previsão do tempo para a cidade nos primeiros 14 dias do Mundial, baseada nas ocorrências dos últimos três anos, é de muito calor, com umidade abaixo dos 50%, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Este ano, a temperatura na cidade variou, no período, entre 24ºC e 28ºC. A umidade relativa do ar foi medida entre 38% e 55% às 15h. Em 2010, o clima esteve mais quente e seco: 29ºC de temperatura máxima e 18% de umidade.

Jogar uma partida de futebol no auge do calor e da secura brasiliense, portanto, pode ser o maior desafio para a equipe estrangeira que vier à capital. O aumento da temperatura corporal e a desidratação são as principais reações da prática de atividade física durante esses meses em território candango. “Pode ocorrer um aumento da temperatura corporal, que influencia nas reações bioquímicas do corpo, além de uma desidratação agressiva, causando desconfortos agressivos e até desmaios”, explicou Guilherme Pontes, especialista em fisiologia do exercício.

De acordo com Pontes, os atletas deverão aliar o bom condicionamento físico que possuem com um período de aclimatação no território nacional para minimizar os efeitos da alta variabilidade climática. Ele ponderou, contudo, que existe a possibilidade de nem esse tempo de adaptação resolver todos os problemas. “Jogadores de países nórdicos teriam mais dificuldade contra uma seleção de algum país tropical que conta com atletas que já suportam no cotidiano essa variabilidade de temperatura”, ressaltou.

A própria extensão do território brasileiro pode atrapalhar a aclimatação dos estrangeiros. “Você joga no calor de Brasília e de Fortaleza. Depois, viaja para o Rio Grande do Sul. Vai ter que ser no sacrifício”, alertou Marcos Soares, treinador campeão candango com o Brasiliense no ano passado. No entanto, o técnico acredita que a união do trabalho de três profissionais deve amenizar os impactos da grande variação de temperatura durante o período do Mundial: “Fisiologista, preparador físico e treinador têm de trabalhar juntos em uma atividade multidisciplinar para que sejam minimizados esses efeitos negativos que os atletas sofrerão”, orientou.

Inverno quente

O período de 12 de junho a 13 de julho coincide com a passagem do outono para o inverno. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a mudança ocorre em 20 ou 21 de junho. Apesar de ser considerada a estação do ano mais fria no Hemisfério Norte, no Brasil a mesma lógica não pode ser aplicada, pois são registradas altas temperaturas nessa época.

A Região Nordeste, por exemplo, costuma registrar tempo mais úmido do que no Centro-Oeste. Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, o Inmet registrou, nos últimos três anos, temperaturas que se alternaram entre 26ºC e 31,5ºC, e umidade próxima dos 95%. Já em Manaus, o calor no mesmo período costuma ser mais intenso: máxima de até 34ºC e 85% de umidade.

“Pode ocorrer um aumento da temperatura corporal, que influencia nas reações bioquímicas do corpo, além de uma desidratação agressiva, causando desconfortos agressivos e até desmaios”

Guilherme Pontes, especialista em fisiologia do exercício, comentando sobre jogar no calor e secura brasilienses

46ºC na Copa de 1994
Esta não será a primeira vez que uma edição de Copa ocorrerá em condições insalubres. Em 1994, no Mundial dos Estados Unidos, foram disputadas partidas ao meio-dia, com temperaturas em torno de 40ºC. O calor recorde na disputa da competição (em pleno verão norte-americano) acabou sendo registrado durante a partida entre Alemanha e Coreia do Sul, em Dallas, em 27 de junho: incríveis 46ºC. Para amenizar a situação nos campos de jogo, ventiladores tiveram de ser colocados nos bancos de reservas das seleções.

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Número de jogos em Brasília que ocorrerão às 13h, dos sete que serão disputados na cidade

Nordeste Notícias: pouca educação, altos índices de homicídio

Onde faltam boas escolas são altos os índices de violência

Fonte: Autor(es): RENATA MARIZ Correio Braziliense

Levantamento do Correio mostra que, das 50 cidades com nota mais baixa no Ideb, 19 figuram na lista das mais violentas entre adolescentes. Especialistas destacam a escola como protetora, mas ressaltam a necessidade de políticas agregadas

 

O baixo desempenho curricular não é o único problema das cidades que ficaram na lanterna do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Entre os 50 municípios com as piores notas na etapa final do ensino fundamental público (6º ao 9º ano), 19 estão no topo do ranking da violência juvenil brasileira, medido pelo Índice de Homicídios na Adolescência (IHA). Desenvolvido pela Secretaria de Direitos Humanos, esse indicador expressa, para um grupo de mil, quantos meninos e meninas, que ao completarem 12 anos, serão assassinados antes de chegarem aos 19. As informações obtidas pelo Correio a partir do cruzamento de dados do Ideb e do IHA levantam o debate sobre o papel da escola como instrumento de proteção da infância e juventude.

“Claro que a escola não resolve todos os problemas, mas é um agente fundamental para questões sociais, entre elas a violência. Principalmente na adolescência, porque é nessa fase que o estudante começa a projetar sua visão para o futuro”, afirma a professora Clélia Craveiro, que atualmente dirige o setor de políticas educacionais, direitos humanos e cidadania no Ministério da Educação.

Célio da Cunha, professor da Universidade de Brasília e consultor das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), chama a atenção para um papel muito maior da educação em comunidades conflagradas pela violência. “São locais mais carentes, onde há pouca estrutura para o lazer e a cultura, o que torna a escola o único mecanismo de proteção capaz de desviar o jovem de uma trajetória de vida ruim.”

As cidades que aparecem nas duas listas — 50 piores notas no Ideb e 50 municípios mais violentos para a adolescência — ficam no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Predominam os estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. O que apresentou a situação mais preocupante, porém, foi Maceió. É a pior nota do Ideb, 2,4, numa escala de zero a 10, e o terceiro maior IHA do país, 7,29 — índice alarmante diante do parâmetro de referência da taxa, que deve ser perto de zero, sempre inferior a 1. Isso significa que, na capital alagoana, para cada mil adolescentes com 12 anos, quase oito serão vítimas de homicídio antes dos 19. O número de mortes esperadas no período de sete anos chega a 1.001.

Águas Lindas de Goiás, a apenas 45km de Brasília, figura entre as 20 cidades que padecem com o problema da educação de baixa qualidade e da violência juvenil em alta. Foi para lá que Sônia Maria Andrade se mudou, 21 anos atrás, quando deixou Parnaíba, no interior do Piauí, em busca de uma vida melhor. A senhora de fala mansa, acostumada a trabalhar na roça, não imaginou que perderia um dos quatro filhos na cidade escolhida pela família. Francisco tinha apenas 17 anos quando foi assassinado a facadas, há cerca de cinco anos. “Eu não quis ir lá, foi meu marido que resolveu tudo. Ele era um bom menino”, diz Sônia, passando a mão no retrato do rapaz, que fica na parede da sala.

Ela conta que Francisco fazia a sétima série em uma escola próxima de casa. “Era um lugar médio, como todo o ensino daqui, que é meio devagar. Ele ficava muitos dias sem aula. Além da educação boa, Águas Lindas precisa ter opções de diversão para os jovens. Não tem nada para fazer. Os adolescentes vão se divertir no bar”, reclama a mulher de 52 anos. O professor Carlos Eduardo Sanches, ex-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e integrante do Conselho Estadual de Educação do Paraná, concorda. “A política para essa faixa etária tem que congregar esporte e lazer. A educação precisa se articular com outras áreas para formar uma rede que de fato proteja os adolescentes.”

Célio da Cunha destaca que o dado sobre a violência juvenil presente nas cidades com baixo Ideb mostra a urgência da implantação das escolas em tempo integral. “É preciso ter infraestrutura adequada, em que a energia dos jovens possa ser canalizada para atividades de formação da cidadania, da convivência social, dos valores democráticos.”

Comparação
Foram consideradas, no levantamento, cidades com mais de 100 mil habitantes, porque somente para elas há Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) calculado. A última versão do indicador, que mensura a mortalidade por assassinato durante um ciclo de sete anos na vida dos adolescentes, foi divulgado em 2008. Um dos autores do IHA, o professor Ignácio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), informou não haver problemas metodológicos em comparar a taxa com as notas do Ideb, que são de 2011. O Ideb médio da rede pública no Brasil, anos finais do ensino fundamental, é de 3,9 (escala de zero a 10). Entre as 19 cidades com baixa qualidade na educação e índices elevados de violência, as notas variam de 2,4 a 3,3.

Palavra do especialista
Empurra-empurra
A sociedade é um enorme campo de aprendizagens, mas é na escola que o conhecimento está organizado de forma estruturada. O que ainda carece de melhor debate são os fatores presentes na sociedade e que incidem sobre a escola, não para justificar os problemas desta, mas para entendê-la como parte viva da sociedade. A violência, a exploração do trabalho infantil, a gravidez na adolescência e a falta de motivação são motivos que levam à evasão escolar.

A separação entre o dever da escola e da sociedade serve apenas para identificar onde estão os problemas. Entretanto, se isso for feito a pretexto de eximir um ou outro da responsabilidade, o resultado será um eterno empurra-empurra, cujo resultado será a manutenção da exclusão social, que, somada a escola ineficiente, mantém as desigualdades de sempre.

Muitas das escolas com baixo Ideb estão em comunidades com altos índices de violência. O que é causa e o que é consequência? Pergunta dispensável, uma vez que a solução está no investimento em educação associado a outras políticas públicas, como as de saúde, assistência social, segurança e cultura, para, com a escola, enfrentarem os problemas que impedem crianças, adolescentes e jovens de realizarem seus direitos.

» Mário Volpi, Coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil

Nordeste Notícias: Dilma responde o que considerou uso indevido ao nome de Lula

Para presidente, uso de seu nome nas críticas a Lula foi indevido

Fonte: O Globo

Presença em atos de campanha do PT será a partir do dia 15

BRASÍLIA e SÃO PAULO Na conversa com Jorge Viana e Tião Viana, terça-feira, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que partiu dela a decisão de responder ao que considerou uso indevido, pelo ex-presidente Fernando Henrique, de seu nome nas críticas ao ex-presidente Lula.

– Tenho construído uma boa relação com o ex-presidente Fernando Henrique, mas aí não – reclamou ela.

Segundo Jorge Viana, o PT ficou mesmo muito satisfeito com a reação de Dilma. Os petistas deram uma dimensão maior às críticas de Fernando Henrique Cardoso, porque se deram a dois anos da eleição de 2014. O PT entendeu como uma tentativa de quebrar a boa relação entre Lula e Dilma.

– A presidente Dilma tinha que melhorar a autoestima de todo mundo. Foi um discurso para dentro do PT, para os novos e para os velhos aliados, e também para a oposição – disse Jorge Viana.

EncontroS a cada 20 dias

Dilma vai a São Paulo a cada 20 dias para discutir com Lula assuntos de governo e, agora, para acertar sua entrada nas campanhas municipais do PT . Além da campanha, os dois conversaram também sobre o embate com o ex-presidente.

Embora tenha ocorrido no meio da tarde de uma quarta-feira, o encontro com Lula foi considerado privado e não estava na agenda oficial da Presidência, divulgada no site do Palácio do Planalto.

Segundo Jorge Viana, Dilma só deve participar mesmo de algumas campanhas do PT a partir do dia 15 de setembro, com gravações. Não há confirmação se ela vai participar do evento de campanha de Fernando Haddad, candidato do PT a prefeito de São Paulo, no Centro de Tradições Nordestinas, na capital paulista.

Lula convidou Dilma para o encontro de Haddad com governadores da base aliada no Nordeste. Entre eles está o presidente do PSB, Eduardo Campos, de Pernambuco, em rota de colisão com os petistas.

Lula espera que Dilma participe. Ela estará em Nova York do dia 23 a 26, para participar da Assembleia Geral da ONU, e do dia 30 a 2 de outubro estará no Peru.

Dilma já fez gravações de TV para o programa eleitoral de Haddad. As gravações, comandadas pelo marqueteiro da própria Dilma, João Santana, foram em Brasília. Ontem, ela não se encontrou com Haddad, mas é esperada em atividades eleitorais para a segunda quinzena do mês, reta final da campanha.

O comando da campanha de Haddad ainda não decidiu quando serão usados os vídeos feitos por Dilma. No vídeo, Dilma destaca o trabalho de Fernando Haddad como ministro da Educação

Nordeste Notícias: o abate de grão-petistas pelo mensalão

Deslocamento do poder no partido

Fonte: Rosângela Bittar Valor Econômico

Com o abatimento e o abate de grão-petistas pelo mensalão, mais do que nunca já se trabalha, em Brasília, com o contorcionismo do eixo de poder no PT à medida em que vai avançando o julgamento no Supremo Tribunal Federal: perde musculatura o PT de Lula, aqui considerado o grupo paulista, da majoritária facção articulação, e ganha o PT da Dilma, que tem aliados em todas as facções, inclusive naquele. Uma característica importante do PT que sobe a rampa é não arrastar consigo a direção partidária, ainda tentando equilibrar-se nessa transição mas pendendo, em ações, palavras, obras, defesa e geografia, para os que vão sendo defenestrados da cena política principal.

Essa é uma maneira bastante simplificada de descrever o que vai se redesenhando no partido, pois, óbvio, nem o PT que desce a rampa é todo de Lula, nem o que sobe é de Dilma, que parece dispensar esse tipo de liderança. Nos ensaios do momento, são citados alguns integrantes do grupo do PT que precisa reinventar-se: José Dirceu (mensalão) João Paulo Cunha (mensalão), José Genoíno (mensalão), Ricardo Berzoini (aloprados), Cândido Vacarezza (CPI), Delúbio Soares (mensalão), Antonio Palocci (enriquecimento).

No PT da Dilma, assim caracterizado para efeito de estabelecer um elo entre os integrantes do grupo com poder fortalecido, alistam-se Marcelo Déda (governador), Jaques Wagner (governador), Tião Viana (governador), Gleisi Hoffman (ministra), Ideli Salvati (ministra), Paulo Bernardo (ministro), Fernando Pimentel (ministro), Aluizio Mercadante (ministro), Alexandre Padilha (ministro), José Eduardo Cardozo (ministro).

Há petistas com poder interno mantido, por enquanto, como o presidente do partido, Rui Falcão, que pertencem ao primeiro grupo, como há outros que, como Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência, que atuam no segundo grupo mas com uma função clara determinada pelo primeiro, a de representante pessoal do ex-presidente Lula no Palácio do Planalto. Está para ser reescrita e redesenhada a nova configuração do PT, mas as tentativas prosseguem.

O primeiro grupo tinha a articulação de um projeto a uní-los, o que não se repete no segundo. Palocci guardava um projeto de país na cabeça, o PT de José Dirceu existiu com metas e liderança. O outro PT, que vai sobrando do mensalão, não está amalgamado, é um somatório de projetos individuais, mas como boa parte dele está no governo, convencionou-se chamá-lo de PT da Dilma. Ela será a candidata do partido à reeleição, por isso não há como fugir do pertencimento ao partido. Nesse também há PT de São Paulo, como Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, as estrelas ainda brilhando. Gleisi Hoffmann quer ser governadora do Paraná mas nem o PT local está apoiando seu projeto, boa parte dele está com o adversário Ratinho Jr. O mesmo acontece no PT de Pernambuco, onde não há acusados, envolvidos, denunciados ou feridos, mas as correntes não têm meta comum. Esse PT nada tem a ver com o do Paraná, e assim segue a “desorganicidade” do grupo.

Os ministros têm relação próxima entre si e com a presidente, mas nenhuma formulação no conjunto partidário. Como grupo, começa a crescer e caminhar com autonomia agora, e nas próximas eleições internas já terá que buscar uma direção. O atual presidente perfila-se na faixa onde o poder foi corroído, mas não existe o substituto que vai conduzir a recuperação do partido. As lideranças do Parlamento estão exauridas, sem força ou resquício de poder

A presidente Dilma Rousseff não vai liderar a parte do partido que sobreviverá ao julgamento. Ela é a presidente, vai governar, insiste-se. Deu ao antecessor a função de ministro de eleições, ou seja, ministro do PT. É por aí que o partido vai procurar uma unidade de projeto.

Avaliações feitas em torno dessa nova realidade incluem, como elemento transformador, o resultado das eleições municipais que, mais do que sempre, estão balizando as disputas nacionais daqui a dois anos. Se o partido estiver caminhando para um desastre no Recife, em Salvador, em Belo Horizonte, em Curitiba, em Porto Alegre, como prenunciam as últimas avaliações internas, e apesar de tudo conquistar São Paulo, o lulismo voltará fortíssimo com o grupo paulista preservado da Lei da Ficha Limpa e as forças dos outros Estados, mesmo perdedores. Se conseguir dar a volta por cima em todas essas capitais, sobretudo do Nordeste, onde o chão vem cedendo, e perder em São Paulo, o cenário é de depressão: eleição perdida onde seria obrigatório vencer, mensalão mais desastroso do que parecia inicialmente ao partido, sem os comandos da Câmara e do Senado (os dois com o PMDB) a partir de fevereiro, o PT sabe que marchará fragilizado para o início da campanha sucessória da reeleição.

O governo encerrou sua participação, e não insistirá mais com o PMDB, no projeto de manter a governabilidade no Senado com a eleição de um presidente, em fevereiro do ano que vem, que não seja o senador Renan Calheiros (AL), candidato a voltar ao cargo que o perdeu para evitar cassação de mandato por transgressão à ética. Assim, o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia, o mais cotado na torcida do governo para disputar a sucessão de José Sarney, não deixará mais o Ministério após as eleições municipais como estava previsto, é o que se informa hoje no círculo próximo aos atores pemedebistas.

Lobão já não queria sair, não demonstrava ímpeto de disputar, alegava empecilhos até pessoais, de resistência do filho, seu suplente, para não retomar a vaga, mas sua argumentação ficou superada pela informação que o partido fez chegar ao Planalto que Renan conseguiu romper resistências ao seu nome, tem votos para se eleger e acredita que as denúncias não voltarão a assombrá-lo.

São maiores de idade, dizem dos senadores, e há um limite para o governo intervir. Mas não desistiu de trocar, em fevereiro, seus líderes no Senado, na Câmara e no Congresso, respectivamente Eduardo Braga, Arlindo Chinaglia, José Pimentel. Todos avisados que a representação duraria apenas um ano.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

Nordeste Notícias: a cada 20 crianças de até 8 anos, três não sabem ler ou escrever

Analfabetismo atinge 15,2% das crianças

Fonte: Autor(es): RENATA MARIZ Correio Braziliens

Segundo o Ministério da Educação, a cada 20 crianças de até 8 anos, três não sabem ler ou escrever. Situação é mais grave nas regiões Norte e Nordeste

 

Ninguém duvida do salto quantitativo do Brasil no ensino fundamental, com quase 98% das crianças de 7 a 14 anos matriculadas. A baixa qualidade da educação, porém, é verificada logo na aprendizagem de um conteúdo que pode definir a vida intelectual do aluno: a alfabetização. Dados do Ministério da Educação (MEC), com base no Censo 2010, mostram que a cada 20 crianças de até 8 anos no país, três não sabem ler ou escrever. O número fica pior nas regiões Norte e Nordeste. No Pará e Maranhão, por exemplo, beira os 40% a proporção de meninos e meninas nessa situação. Um grande plano para combater o problema já foi fechado pela pasta e aguarda espaço na agenda da presidente Dilma Rousseff para fazer o lançamento.

Intitulado de Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, o projeto prevê o treinamento de aproximadamente 300 mil professores alfabetizadores no Brasil. Cerca de 5 mil municípios, nas 27 unidades da Federação, já aderiram ao programa do governo federal, gerenciado pelo MEC. A ideia da pasta é implantar pólos de formação presencial, onde haverá um encontro por mês. O resto do curso, que terá duração de dois anos, será feito por meio de materiais específicos. Novos livros didáticos para o ciclo de alfabetização — do 1º ao 3º ano —, já foram comprados e chegarão às escolas em janeiro, segundo o secretário de Educação Básica do MEC, Cesar Calegari.

Calegari explica que o programa não lançará mão de métodos revolucionários de alfabetização. “A metodologia será totalmente vinculada à prática dos professores alfabetizadores na sala de aula. É menos teoria e mais prática. Eles aprenderão como lidar com as dificuldades dos alunos, com a diversidade das turmas”, diz Calegari. Para ganhar o engajamento da categoria e evitar a evasão ao longo do curso oferecido pelo governo federal, o MEC dará uma bolsa de ajuda de custo para quem se interessar. “Não estão definidos os valores ainda, mas é para cobrir gastos e incentivar mesmo, já que o professor terá que estudar aos sábados”, explica o secretário.

Para Anna Cristina de Araújo Rodrigues, pós-graduada em gramática da língua portuguesa pela Universidade de Brasília e com experiência de 20 anos em sala de aula, inclusive como alfabetizadora, investir no professor é fundamental para melhorar a etapa escolar. “A falta de preparo do docente, que não recebe formação adequada no seu curso de pedagogia ou de magistério, está entre as muitas causas da alfabetização deficiente. O profissional sai um generalista, o que dificulta a vida em relação ao processo de alfabetização”, destaca a especialista. “E, infelizmente, o professor de hoje, que será uma referência na vida do aluno durante muito tempo, tende a ser alguém que lê pouco.”

O próprio currículo, na avaliação dela, também é um empecilho para a plena alfabetização. “Saber decodificar as letras é uma coisa. Mas a alfabetização se estende um pouco, até o momento em que a criança sabe não só ler, mas entender o que leu, e também escrever, o que é muito mais difícil. Acontece que a escola, os currículos, as gramáticas querem logo que o menino aprenda classes gramaticais, depois sintaxe. E quando o aluno se vê no ensino médio, precisando escrever um parágrafo para fazer o Programa de Avaliação Seriada (PAS), por exemplo, percebe que não sabe escrever”, diz a professora. Mas não é só a experiência dentro de classe que pesa para a qualidade do ensino, completa, a vivência fora dela também é importante. “A criança que convive com pais instruídos, que leem jornal, terá desempenho melhor.”

Ambiente
As condições de vida e de acesso à escola são outro ponto fora do alcance dos professores que podem ajudar ou atrapalhar na alfabetização. “O Norte e Nordeste são locais historicamente mais defasados em termos educacionais, onde há os mais altos índices de analfabetos, além de dificuldades de toda ordem”, ressalta Anna Cristina. Ela cita escolas distantes de casa e ambiente doméstico desestruturado, entre outros pontos, como fatores que podem levar a problemas na escola. “É um conjunto de fatores que leva aos índices elevados de analfabetos funcionais no Brasil, ou seja, aqueles que reconhecem as letras e palavras, mas não conseguem compreender.”

Para Maria de Salete Silva, coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), chegar à metade da primeira etapa do ensino fundamental alfabetizado é o mínimo que se pode esperar de um sistema educacional. “Essa questão da idade já foi muito discutida. Por que oito, se as crianças começam a serem alfabetizadas antes, com seis? Acredito que isso é o que menos importa. O que queremos é toda criança que termina o 3º ano, considerada a etapa final do ciclo de alfabetização, plenamente alfabetizadas. Não é saber desenhar o próprio nome, mas, sim, escrever, ler e interpretar”, destaca Salete.

O alerta faz sentido se considerados os últimos dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), criado em 2001 pelo Instituto Paulo Montenegro e mensurado pelo Ibope. Os números mais recentes, divulgados em julho, mostraram que somente 3% da população adulta brasileira (15 a 64 anos) que fez até a 4ª série (atual 5º ano) é plenamente alfabetizada. A maior parte, 44%, tem alfabetização rudimentar, ou seja, localizam uma informação explícita em textos curtos e familiares, leem e escrevem números usuais e realizam operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias. Quando a análise envolve quem terminou o ensino fundamental, o Inaf revela que um em cada quatro brasileiros ainda estão classificados no nível rudimentar.

“Saber decodificar as letras é uma coisa. Mas a alfabetização se estende um pouco, até o momento em que a criança sabe não só ler, mas entender o que leu, e também escrever, o que é muito mais difícil”
Anna Cristina de Araújo Rodrigues, especialista

Categorias
O Inaf define quatro níveis de alfabetismo em duas categorias. Na de analfabetos funcionais, há os analfabetos — que não conseguem ler palavras e frases, embora uma parcela saiba ler números familiares  — e os alfabetizados em nível rudimentar, com pouca desenvoltura. Nos funcionalmente alfabetizados, existem os de nível básico — que leem e compreendem textos de média extensão, números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade — e os de nível pleno. Esses últimos compreendem e interpretam e analisam textos mais longos.

Nordeste Notícias: relações entre governo e operadoras de telecomunicações estão confusas

Sob pressão, teles reclamam do governo

Cresce tensão entre teles e governo

Fonte: Autor(es): Por Heloisa Magalhães | De Brasília Valor Econômico

As relações entre governo e operadoras de telecomunicações estão enfrentando um dos momentos de maior tensão desde a privatização. Nos bastidores de um seminário da Telebrasil, em Brasília, o clima era de descontentamento e até indignação com o maior rigor com que as empresas estão sendo tratadas pelo governo federal e pela Anatel. O executivo de uma operadora disse que está havendo uma “campanha difamatória”. Outro definiu a ação do governo como “populista e com fins eleitorais”. A atuação do governo também está afetando as teles de forma concreta na bolsa. No ano, até ontem, a Telefônica Brasil, que opera sob a marca Vivo, acumulou queda de 11,5%, e a TIM, de 15,2%. Só a Oi teve alta, de 7,3%.

 

As relações entre governo e operadoras de telecomunicações estão enfrentando possivelmente um dos momentos de maior tensão desde a privatização do setor, nos anos 90. Entretanto, o momento delicado acontece nos bastidores. Durante o painel da Telebrasil, entidade que reúne as empresas do setor, realizado ontem, em Brasília, ninguém se pronunciava oficialmente sobre o tema, que ganhou relevância após sucessivas medidas e punições impostas às prestadoras de serviços. Mas, nos corredores, o clima era de descontentamento e até indignação.

Os representantes das operadoras preferem o anonimato. Um alto executivo de uma das companhias disse que está havendo uma “campanha difamatória”. Outro definiu a ação do governo como “populista e com fins eleitorais”. Um terceiro fez questão de frisar que não é o caso de fazer polêmica publicamente com o governo federal, com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ou com organismos de defesa do consumidor, e sim agir propondo ações objetivas para atender às demandas e apresentar propostas.

Os executivos estão descontentes com o impacto financeiro desse cenário, com sucessivas quedas nos valores das ações das operadoras. Eles afirmam que isso prejudica o processo de captação de recursos das companhias, especialmente neste momento, quando estão sendo definidos investimentos para a quarta geração da telefonia celular (4G). Há preocupação, também, em relação às questões regulatórias. O receio dos executivos é que a Anatel adote medidas sem analisar o impacto nos resultados das empresas.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, procurou, ontem, minimizar o embate. Entretanto, foi um dos poucos a admitirem que há tensões no setor.

Ocorre que a reação do órgão regulador sobre a qualidade das redes sensibilizou os consumidores. A telefonia celular é usada intensivamente pela população, o que torna premente o desejo da maioria por melhorias na qualidade do serviço. Assim, a nova posição do governo acabou encontrando eco entre os consumidores.

Na avaliação dos dirigentes das operadoras, os órgãos governamentais envolveram-se nos questionamentos de qualidade diante do efeito que suas cobranças geraram na mídia em torno de um dos serviços que mais atingem a população. Na última contagem da Anatel foram identificados 256 milhões de chips de celular em uso e 333 milhões de usuários de telefonia móvel, fixa e televisão por assinatura.

A onda de cobranças sobre a prestação de serviços das teles começou há pouco mais de seis meses, no Nordeste, especificamente com a TIM Brasil. Os planos da empresa de oferecer ligações interurbanas por chamada, e não por tempo de conversa, foram apontados como prejudiciais ao atendimento na região, segundo avaliação da Ordem dos Advogados do Brasil local.

Depois, foi a vez do Estado de Amazonas, por meio do deputado Chico Preto (PSD/AM), que levou o presidente da Anatel e das teles para uma audiência na Câmara de Deputados local. O presidente da Vivo, Antonio Carlos Valente, compareceu, enquanto as demais operadoras enviaram representantes.

Em julho, o Procon da cidade de Porto Alegre proibiu as quatro operadoras de comercializar serviços de telefonia celular. Posteriormente, os Procons de todo o Estado seguiram a decisão.

Na mesma época, a Anatel proibiu a Claro, Oi e TIM de comercializarem seus serviços em nível nacional. A Vivo não foi penalizada. A agência reguladora pediu que cada empresa apresentasse um plano de investimentos para reverter a situação. Em menos de uma semana, cada uma delas levou sua proposta à agência. A proibição demorou duas semanas e foi suspensa às vésperas do Dia dos Pais. Mas tudo indica que a crise não passou.

Tanto o ministro das Comunicações quanto o vice-presidente da Anatel, Jarbas Valente, procuraram minimizar ontem o nível de tensão. Disseram que haverá uma revisão de ações e de normas regulatórios e que as teles serão ouvidas.

O ministro fez, inclusive, um discurso alinhado com as reivindicações dos empresários, divulgadas na chamada Carta de Brasília, apresentada durante o encontro. O ministro destacou a necessidade de previsibilidade nas ações do governo, como pede a carta, e ressaltou a necessidade de se evoluir na regulação existente.

A Carta discute demandas técnicas em torno de serviços. Aborda a “consciência da importância de melhor atender aos clientes, com ofertas que satisfaçam as mais variadas demandas”. Indica os serviços de telecomunicações como dinâmicos, permanentemente inovadores e destaca que os maiores avanços ocorreram em períodos de políticas incentivadas de valorização de investimentos, diálogo entre agentes públicos e privados em ambiente de estabilidade e previsibilidade.

Nordeste Notícias: perigo nas estradas que ligam a brasília

Força Nacional atuará no DF

Fonte: Autor(es): » LARISSA GARCIA Correio Braziliense

Em acordo com o Ministério da Justiça, os 100 homens da corporação especial que estavam no Entorno reforçarão a segurança nas divisas da capital federal com o estado de Goiás. A presença da tropa está prevista para setembro

Após um ano e cinco meses de atuação da Força Nacional de Segurança no Entorno, o Ministério da Justiça enviará à capital federal, na primeira quinzena de setembro, os 100 homens que estavam na região. A ideia é reforçar as saídas e as divisas do DF com Goiás, principalmente nas rodovias consideradas críticas, como a BR-040, que dá acesso a Valparaíso (GO) e a Luziânia (GO). O objetivo principal da ação é conter o crescimento dos casos de sequestros relâmpagos e de tráfico de drogas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do DF, 70% dos responsáveis por esses crimes moram nos municípios goianos dos arredores de Brasília.

A iniciativa surgiu durante uma reunião na Casa Civil da Presidência da República, na qual a Secretaria de Segurança Pública brasiliense apresentava o programa Ação pela Vida — Integração e Cidadania ao governo federal. Na ocasião, a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, levantou a hipótese de retirar os homens da Força Nacional do Entorno. Em seguida, discutiu-se a transferência da corporação para Brasília a fim de realizar o trabalho de barreiras flutuantes nos acessos às cidades goianas. “O Ministério (da Justiça) disponibilizou a Força Nacional, e eu, no papel de secretário de Segurança, não poderia rejeitar. Achamos conveniente reforçar o policiamento nas rodovias, nas saídas para o Entorno”, explicou o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar.

No primeiro semestre do ano, foram registrados 463 casos de sequestro relâmpago no DF, um aumento de 35,8% em relação ao mesmo período do ano passado, com 341. As vítimas são abandonadas, na maioria das vezes, no Entorno. A Saída Norte — BR-020, destino para a Região Nordeste — é considerada a principal rota de fuga dos criminosos. O tráfico de drogas teve uma leve alta na capital federal nos primeiros seis meses do ano. No total, a polícia prendeu 1.071 pessoas acusadas pelo delito. No mesmo período do ano passado, foram 1.065.

Sequestro

Na semana passada, um caso de sequestro relâmpago teve como vítima uma das filhas do ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella. Ela foi abordada à luz do dia, na última quarta-feira, na comercial da 408 Sul. Deborah Christine Crivella, 30 anos, estava dentro do carro, um Hyundai ix35, quando um homem armado e supostamente drogado se aproximou e a rendeu.

Obrigada a dirigir sob a mira de um revólver até Ceilândia, via BR-070, Deborah conseguiu escapar por um descuido do criminoso. A vítima, que não sofreu agressões, parou o veículo e fugiu com a bolsa. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). Segundo publicações no twitter da jovem, o bandido chorou quando tocaram músicas religiosas em seu carro. “Hoje, durante o meu sequestro, pedi para o bandido para eu ligar Sua musica (de Deus).. ele foi ouvindo e chorando”, comentou ela, na última quinta-feira.

Para saber mais
Ocorrências
em queda

A Força Nacional de Segurança atuou pela última vez em Goiás em abril do ano passado e, desde então, teve a permanência interrompida uma vez e prorrogada duas vezes. À época, foram enviados 100 homens para reforçar o policiamento na região. Do total, 70 deles ficaram voltados para o trabalho ostensivo — havia ainda 30 peritos —, responsáveis por Águas Lindas, Cidade Ocidental, Luziânia, Valparaíso e Novo Gama.

Dados do Ministério da Justiça apontaram que, desde abril do ano passado, o número de homicídios nas cinco cidades mais violentas do Entorno caiu 27,5% — elas concentram 71% dos assassinatos na região vizinha ao DF. A intervenção do grupo foi prorrogada pela última vez em junho deste ano por mais 90 dias. A Força Nacional foi criada em 2004 e atua em situações extremas.

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