Arquivos do Blog

Crescimento do desemprego está assombrando os brasileiros

Taxa de desemprego chega a 8% no trimestre, Brasil tem 8 milhões sem emprego

Mais de 400 mil trabalhadores perderam o emprego entre fevereiro e abril

186

Foto: Reprodução.

Mais de 400 mil trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego entre fevereiro e abril deste ano. Foram 415 mil demitidos. Entre os trabalhadores sem carteira, a queda no emprego foi de 3,5%, com a dispensa de 372 mil trabalhadores. Por atividade econômica, o setor que mais demitiu foi o da construção civil: 288 mil frente ao período de novembro a janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda do emprego no setor atingiu 609 mil pessoas.
— No ano, houve redução no pessoal ocupado da construção de 609 mil, único grupamento que apresentou queda significativa em relação ao ano passado e em relação ao trimestre terminado em janeiro. Houve uma mudança de patamar importante, queda expressiva no setor — explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
A crise na construção aparece também no rendimento dos trabalhadores do setor. Houve queda 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior e de 1,2% contra o trimestre de novembro a janeiro. O rendimento médio do setor é de R$ 1.479, um dos cinco mais baixos entre as atividades econômicas.

A taxa de desemprego no país foi de 8% no trimestre encerrado em abril, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que apresenta dados para todos os estados brasileiros, e foi divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE.

Segundo o instituto, houve alta na população que trabalha por conta própria — ocupações que costumam ser mais precárias — de 141 mil pessoas, frente a novembro e dezembro, e de 1,024 milhão, em relação ao período de fevereiro a abril do ano passado.

A economia no país criou a menor quantidade de ocupações na comparação anual. De 2013 e 2014, a geração de vagas cresceu 1,9%. De 2014 para 2015, essa geração caiu para menos da metade: 0,7%. Em números absolutos, foi criado um total de 1,665 milhão de vagas de 2013 para 2014. Já entre 2014 e 2015, foram somente 629 mil, queda de 62,2%.
– Temos um cenário de perda do emprego e do emprego de qualidade e início de geração de formas de trabalho, como os conta própria, que está remetendo a uma geração de trabalho muito focado na informalidade – afirmou Azeredo.

Anúncios

Com Dilma, Brasil teve o 3º pior déficit do mundo na balança de serviços

Com Dilma, Brasil teve o 3º pior déficit do mundo na balança de serviços

Brasil não tem relações comerciais

Fonte: Valor Econômico

Com Dilma, Brasil teve o 3º pior déficit do mundo na balança de serviços

Brasil só perdeu para China e Alemanha. Foto: Reprodução

Brasil tem 3º maior déficit do mundo na balança de serviços

O governo mapeou detalhadamente o déficit na balança de serviços para planejar ações de inteligência comercial e diminuir um rombo de US$ 47,2 bilhões nas contas externas. Esse saldo negativo foi o terceiro maior do planeta no ano passado, em uma lista de 20 países, atrás somente da China e da Alemanha.

Desde 2009, o vermelho na conta de serviços quase triplicou, já que as importações cresceram 97,3% e as exportações aumentaram 51,7%.

A numeralha faz parte de um novo sistema de contabilidade a ser lançado hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O Siscoserv, que terá divulgação semestral, toma como base o registro obrigatório de informações pelas empresas. Junto com o Banco Central e com a Receita Federal, o ministério vinha trabalhando desde 2006 na estruturação dos dados, já que era preciso estabelecer nomenclaturas para esses serviços.

Do projeto, saiu uma conclusão alarmante: o déficit sobe ano a ano. As maiores despesas brasileiras envolvem o arrendamento mercantil ou operacional de máquinas e equipamentos (principalmente na cadeia de óleo e gás), o frete marítimo e o licenciamento de direitos autorais.

Esses três gastos corresponderam a 60% de todas as importações de serviços no ano passado. Na visão do governo, são áreas relacionadas ao processo de desenvolvimento da economia, já que refletem o aumento da exploração de hidrocarbonetos e o crescimento do comércio de bens – o afretamento de navios é amplamente dominado por companhias estrangeiras.

Do lado das exportações, os serviços de consultoria gerencial dominam a pauta. Essa nomenclatura abrange consultorias nas áreas financeira, de recursos humanos, marketing e relações públicas, entre outros. As exportações de serviços de engenharia, que envolvem obras de empreiteiras brasileiras no exterior, ainda não foram devidamente contabilizadas na primeira edição do Siscoserv.

A próxima atualização, com números fechados do primeiro semestre de 2015, deverá sair em outubro ou novembro.”Não tínhamos estatísticas suficientes, com esse nível de detalhamento, para aperfeiçoar a definição e o acompanhamento de políticas públicas para o comércio exterior de serviços”, disse ao Valor o secretário de comércio e serviços do ministério, Marcelo Maia.

Sem desconsiderar o tamanho do déficit, ele avalia que o novo sistema torna mais transparente o desafio de reverter esse quadro, principalmente pelo aumento das exportações. “Mas ficava difícil estabelecer onde focar as nossas ações para obter resultados mais efetivos sem o conjunto de números de que dispomos a partir de agora. Era complicado até mesmo apoiar a internacionalização das empresas brasileiras, o que é uma prioridade nossa, sem saber exatamente o que e para onde elas exportam”, afirma.

De acordo com Maia, o setor de serviços será contemplado no Plano Nacional de Exportação, que está em fase final de preparação. Amanhã, em Brasília, um conjunto de 16 associações e entidades empresariais terá um dia inteiro de reuniões com técnicos do ministério para identificar quais as necessidades de medidas de apoio governamental e barreiras enfrentadas no exterior.

“Com esse agrupamento de informações, teremos um plano bem definido de alavancagem das exportações de serviços.”Na prática, segundo o secretário, as novas estatísticas do Siscoserv vão ajudar o governo na formatação de missões comerciais a outros países, detectando empresas que já exportam trabalhando melhor ações de inteligência comercial.

As principais informações sobre o comércio exterior de serviços entrarão no sistema em tempo real, mas serão divulgadas ao público externo semestralmente, com três meses de defasagem. Ele explica que a dinâmica dos serviços é diferente do registro de bens e exige mais tempo de compilação.

De acordo com o Siscoserv, os Estados Unidos foram o maior destino das exportações brasileiras de serviços, com vendas de US$ 6,1 bilhões em 2014 – o equivalente a 29,4% do total. Quatro países europeus – Países Baixos, Suíça, Alemanha e Reino Unido – dão sequência à lista. O sistema permite ver que São Paulo representa 60% das exportações.No campo das importações, os americanos também são a principal fonte de serviços comprados pelo Brasil, com 27,2% – há forte peso de direitos autorais e serviços de propaganda.

OCDE: Brasil está no mapa da corrupção

Brasil é um dos quatro países da América do Sul onde empresas estrangeiras pagaram propina a funcionários públicos para obter vantagens.

OCDE diz que se sabe agora que os subornos são pagos pelas empresas, em todos os setores, a funcionários públicos de nações de todos os estágios de desenvolvimento econômico.

Fonte: Valor Econômico

Brasil está no mapa da corrupção da OCDE

Mapa da OCDE sobre corrupção inclui Brasil

O Brasil é um dos quatro países da América do Sul onde empresas estrangeiras pagaram propina a funcionários públicos para obter vantagens, aponta relatório sobre corrupção transnacional publicado ontem pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Os Estados Unidos sancionaram empresas ou executivos americanos em sete esquemas de subornos de funcionários brasileiros, nos 14 anos em vigor da Convenção de Combate ao Suborno de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações de Negócios Internacionais, segundo o Valor apurou na OCDE, sem outros detalhes.

Os EUA foram praticamente o único país que condenou quem praticou corrupção no Brasil, com base na convenção. Isso não significa que várias investigações não tenham sido abertas por alguns dos 41 países membros da convenção, mas aparentemente sem repressão final.

A OCDE fez relatório baseado em informações provenientes de ações repressivas contra 164 empresas e 263 pessoas, totalizando 427 casos de corrupção transnacionais investigados entre 1999 e junho deste ano.

Além do Brasil, funcionários do governo na Argentina, Equador e Venezuela receberam propina na região. Na verdade, nenhuma região é poupada.

Os subornos valem 10,9% do valor total da transação e 34,5% do lucro, em média globalmente, segundo a OCDE.

Dois terços dos casos de corrupção transnacional ocorreram em quatro setores: indústria extrativista (19%), construção (15%), transporte (15%) e setor de informação e comunicação (10%).

Atualmente, o Grupo de Trabalho da OCDE contabiliza outras 390 investigações em 24 dos 41 países que fazem parte da convenção anticorrupção.

A OCDE diz que se sabe agora que os subornos são pagos pelas empresas, em todos os setores, a funcionários públicos de nações de todos os estágios de desenvolvimento econômico.

Além disso, os dirigentes de empresas estão implicados, ou no mínimo cientes, dos atos de corrupção transnacional na maioria dos casos, o que refuta a presunção de que a corrupção seria feita por “assalariados sem escrúpulos”.

O relatório mostra também que intermediários são utilizados na maioria das transações corrompidas, e que a maioria do suborno é paga com o objetivo de obter encomendas no setor público.

“A corrupção, e a percepção da corrupção, mina a confiança nos governos, nas empresas e nos mercados”, diz Angel Gurria, secretário-geral da OCDE.

No setor que vai de extração de petróleo a vários minerais, o suborno chega a custar 21% da transação, em média, sendo a mais alta, comparado a 4% na construção e 2% na distribuição de água.

Para pagar, a empresa multinacionais reduz o salário de seus empregados, majora os preços dos serviços prestados, o que exigirá mais recursos públicos, ou reduz despesas ligadas ao fornecimento do serviço e faz execução defeituosa de estradas, pontes, etc.

A metade dos casos envolveu corrupção de funcionários de países desenvolvidos. Um caso entre três foi levado às autoridades depois de uma declaração espontânea de pessoas ou empresas envolvidas numa investigação.

Foram impostas punições de US$ 5,4 bilhões em 14 anos, entre multas, confisco e reparação. A mais pesada foi de € 1,6 bilhão, aplicada pela Alemanha contra a Siemens. O montante de US$ 149 milhões foi o montante mais elevado confiscado de pessoa física num caso de corrupção transnacional.

Os Estados Unidos, a maior economia do mundo, impôs o maior numero de sanções contra corrupção de suas empresas e executivos no exterior, com 128 casos. A Alemanha impôs sanções contra empresas e pessoas em 26 casos, a Coreia em 11, e Itália, Suíça e Reino Unido em seis, cada.

São necessários 7,3 anos em média para concluir um caso de corrupção transnacional. Quinze anos foi o prazo mais longo para uma decisão de Justiça definitiva.

Recentemente, o Grupo de Trabalho Anticorrupção da OCDE alertou que o Brasil, por seu lado, precisa começar a combater a corrupção de suas próprias companhias multinacionais e investigar alegados subornos no estrangeiro para obter contratos.

Em relatório de 99 páginas sobre o Brasil, o grupo declarou que o país só levou um caso à Justiça e não puniu ninguém em 14 anos, desde que aderiu à Convenção da OCDE. O relatório reconhece que o governo brasileiro tenta colocar fim a uma brecha legal com a recente Lei de Responsabilidade das Empresas, mas considera que a legislação precisa de ajustes para que o país seja mais proativo na detecção, investigação e repressão de suborno no estrangeiro.

Brasil troca seis por meia dúzia. País continua sem mudanças

Congresso Nacional terá poucas caras novas e com sobrenomes velhos. Os Estados continuam sendo governados, na imensa maioria, pelos mesmos caciques de sempre.

Eleições 2014

Fonte: O Estado de S.Paulo

Sem mudanças: Brasil troca seis por meia dúzia

Após os protestos de junho de 2013, sete em cada dez eleitores declararam desejo de mudança no governo. O resultado não poderia ser mais contrastante: o Congresso Nacional terá poucas caras novas e com sobrenomes velhos. Divulgação

Seis e meia dúzia

ARTIGO: JOSE ROBERTO DE TOLEDO

Milhões nas ruas protestando; sete em cada dez eleitores declarando desejo de mudança no governo. O cenário no qual transcorreram as eleições de 2014 prenunciava uma transformação profunda da política brasileira. O resultado não poderia ser mais contrastante. O Congresso Nacional terá poucas caras novas e com sobrenomes velhos. Os Estados continuam sendo governados, na imensa maioria, pelos mesmos caciques de sempre. E Dilma Rousseff (PT) segue sendo presidente do Brasil, após derrotar o PSDB no segundo turno: 2002, 2006 e 2010 “reloaded”.

Das 27 eleições para governador, só dá para dizer que houve algum tipo de renovação em quatro. Nas outras 23, o atual governador se reelegeu, como em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, ou fez o sucessor, como em Pernambuco e na Bahia, ou o eleito é um ex-governador, como no Espírito Santo, Tocantins e Piauí. Na melhor das hipóteses, o novo governador pertence a um grupo político que, não faz muito tempo, mandava no Estado.

A maior renovação aconteceu no Maranhão, com Flávio Dino (PC do B), que desalojou o clã dos Sarney. No Mato Grosso, Pedro Taques (PDT) é um procurador tornado senador que se elegeu governador. Não foi eleito por ter parentes políticos. No Distrito Federal, a eleição de Rodrigo Rollemberg (PSB) acabou com a polarização entre o PT e o grupo de Joaquim Roriz. No Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB) põe fim a uma era do PMDB no poder. Só.

Em todo o resto, a troca de comando, quando houve, foi de seis por meia dúzia. Ou, no máximo, por um terço de 18.

Dos 513 deputados federais, 401 tentaram se reeleger e 290 conseguiram. Sua taxa de sucesso foi de 72%. Nada se correlaciona mais com a vitória na eleição parlamentar do que já ser um parlamentar. Por outro lado, se “apenas” 290 estarão de volta a Brasília no próximo ano, quer dizer que 223 são novos, certo? Não exatamente. Pelo menos 25 não são novatos, mas redivivos. Já foram deputado antes, só tinham dado um tempo.

A Câmara terá 198 neófitos que terão seu primeiro gabinete brasiliense. Formalmente, é a maior taxa de renovação desde 1998: 39%. Mas o exame da lista de eleitos revela que grande parte das caras novas têm sobrenomes ou nomes de guerra velhos conhecidos do Congresso, como Covas, Cardoso e Garotinho.

Mudam só os prenomes: Bruno em lugar de Mario, Clarissa em vez de Anthony. Às vezes nem isso, basta acrescentar um “júnior”, um “neto” ou até um um “bisneto” no final. São todos herdeiros do poder, como Newton Cardoso Jr., Expedito Netto e Arthur Bisneto. A hereditariedade do poder é um dos legados da monarquia que a república brasileira conserva com mais afeto e zelo.

Entre os neófitos, quem não chegou lá por ser parente se encaixa em pelo uma dessas categorias: já passou por outro cargo eletivo (prefeito, deputado estadual etc), exerceu alguma função pública (policial, promotor etc), é celebridade – com as exceções que confirmam a regra. Na Câmara, a eleição foi seis por meia dúzia.

Por que os gritos e cartazes não se converteram em votos de protesto? Não em quantidade suficiente para mudar os donos do poder. Por que? Há várias respostas, esta é apenas uma.

Porque quem foi às ruas protestar foi um segmento expressivo, mas um segmento, não toda a população. Eram majoritariamente jovens que tiveram mais oportunidades de estudo do que qualquer outra geração anterior à deles na história do Brasil. Mas que não conseguem equiparar esses anos de estudo a cifrões nos seus salários. Estão mais frustrados do que as gerações anteriores. Foram essas gerações mais velhas que decidiram a eleição.

Os mais velhos votaram na continuidade. Não arriscaram porque, mesmo sem tanto estudo quanto os filhos, experimentaram um incremento de renda que nem seus pais nem avós experimentaram. Para eles não era seis por meia dúzia.

Dilma precisa de contenção

Presidente da República no Brasil pode muito, mas não pode tudo. Dilma, dado o contexto econômico e político em que se reelegeu, poderá menos.

Dilma

Fonte: Folha de S.Paulo

Dilma precisa de contenção no exercício da Presidência

Dilma precisa de contenção no exercício da Presidência. Divulgação

Contenha-se, presidente

O Brasil desta década, em vários aspectos, é quase outra nação se for comparado ao do início dos anos 2000. Cada US$ 100 do PIB de 2002 se tornaram US$ 190.

Para cada R$ 100 que o governo federal gastava na época, desembolsa R$ 200 agora. Para cada 100 pessoas empregadas, hoje há 130.

Se fosse um país, o mercado de trabalho brasileiro, de quase 100 milhões de indivíduos, seria maior que qualquer nação da Europa. O crédito explodiu, o consumo foi catapultado, a atividade empresarial foi catalisada e o empreendedorismo floresceu. Multiplicou-se o acesso à informação.

Estão matriculados na faculdade 180 brasileiros para cada 100 há dez anos. O ensino básico atinge picos de universalização, e melhora o desempenho no principal teste mundial de conhecimento, apesar de os alunos ainda mostrarem domínio sofrível dos principais conteúdos.

Foram às urnas neste pleito 120 eleitores para cada 100 que compareceram ao escrutínio de 2002, expansão de 20 milhões de almas.

O Brasil mudou de escala. Deu um salto quântico para outra realidade, embora esteja ainda muito distante do portal do desenvolvimento, humano e econômico.

Deve ser difícil para o PT e a presidente reeleita, Dilma Rousseff, reconhecer que a maior parte do crédito pelo notável avanço é da sociedade, e não do governo. A riqueza que levou a esse salto surgiu da labuta diária de homens e mulheres, e as determinantes de sua partilha foram cimentadas na constituição da democracia ao longo de 30 anos.

Que a vitória apertadíssima desse domingo e as condições agrestes de governo que se apresentam sirvam de alerta para a necessidade de contenção no exercício da Presidência. O presidente da República no Brasil pode muito, mas não pode tudo. A presidente Dilma, dado o contexto econômico e político em que se reelegeu, poderá menos.

Exemplos, valores e referências – coluna Aécio Neves

Coluna Aécio: “Muitas vezes, a sensação que parece prevalecer é que quase tudo  que nos trouxe até aqui já não faz tanto sentido. Será?”

Coluna Aécio: “E mais duro ainda é reconhecermos que certamente estamos muito aquém do que tantos brasileiros sonharam”

Exemplos, valores e referências - coluna Aécio Neves
Coluna Aécio: “Duro mesmo é reconhecer que o Brasil de hoje já é o Brasil do futuro que várias gerações imaginaram e pelo qual muitos trabalharam”.

Fonte: Folha de S.Paulo 

Exemplos

Coluna Aécio Neves 

Nas últimas semanas, grande parte da atenção da opinião pública voltou-se para as questões que envolvem a nossa juventude, que ganharam inédita importância com as manifestações que sacudiram o país.

À juventude costuma-se sempre agregar a noção de futuro, do que ainda está por ser realizado.

Mas a resignação em adiar projetos e soluções para um tempo que ainda virá não deixa de ser uma forma de transferirmos indefinidamente responsabilidades. E de perdoarmos a nós mesmos, enquanto sociedade, por tudo o que ainda não fomos capazes de fazer.

Duro mesmo é reconhecer que o Brasil de hoje já é o Brasil do futuro que várias gerações imaginaram e pelo qual muitos trabalharam. E mais duro ainda é reconhecermos que certamente estamos muito aquém do que tantos brasileiros sonharam. E mereciam.

Penso nisso estimulado pela disseminação da percepção de que vivemos uma autêntica revolução e que ela nos coloca no portal de um mundo que inaugura novas relações sociais e humanas, provocadas por enormes transformações tecnológicas. Ainda que seja constatação verdadeira, quando apresentado e endeusado como valor absoluto, o novo acaba por transformar em obsoleto o que veio antes.

Muitas vezes, a sensação que parece prevalecer é que quase tudo o que nos trouxe até aqui já não faz tanto sentido. Será?

Lembrei-me de Ruy Castro e de suas crônicas recheadas de ironia e inteligência, aqui mesmo nesta Folha, onde volta e meia nos alerta para o reconhecimento que devemos a nomes importantes da nossa cultura.

O puxão de orelhas é pertinente.

Um bom exercício de educação civilizatória é a percepção do papel insubstituível de brasileiros que fazem grande diferença. Antonio Candido é um exemplo. O professor e pensador, que recentemente completou 95 anos, continua a nos oferecer o seu valioso patrimônio de ideias.

Foi, aliás, com especial alegria que, em 2007, tive a oportunidade de manifestar-lhe a admiração dos mineiros entregando-lhe o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, então na sua primeira edição.

O professor é referência de idoneidade intelectual, espírito cívico e dignidade pessoal. Sua obra atesta o compromisso radical com a compreensão da realidade à sua volta. Literatura é vida, ele generosamente nos ensina.

Há dois anos, numa entrevista em Paraty, ele se confessou “um homem do passado, encalhado no passado”.

O mestre estava errado. O seu legado, ético e intelectual, longe do ancoradouro das coisas envelhecidas, ilumina um caminho permanente de amor e respeito pelo Brasil.

Homens assim, independentemente da idade ou do tempo em que vivam, serão sempre referência do futuro que precisamos ser.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Marcus Pestana: Envelhecimento e qualidade de vida, artigo

Artigo: Marcus Pestana reflete sobre necessidade de se pensar política pública que possa melhorar atendimento das pessoas da terceira idade.

Gestão Pública e a terceira idade

Fonte: O Tempo

Envelhecimento da população e políticas públicas

MARCUS PESTANA
Deputado federal (PSDB-MG)

Uma das características mais importantes da vida contemporânea é a mudança demográfica. Vivemos no mundo e no Brasil, de forma acelerada, um processo de envelhecimento da população. A queda da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida correspondem a mudanças culturais típicas da sociedade moderna, aos avanços tecnológicos, sobretudo na área da atenção à saúde, e à significativa melhoria na qualidade de vida das pessoas.

Num curto espaço de tempo, teremos um novo ambiente, novas demandas e necessidades diversas. E não só mudanças objetivas na organização da sociedade e nas ações governamentais se farão necessárias, como também profundas transformações culturais e comportamentais terão obrigatoriamente que ocorrer. A cultura oriental sempre teve uma atitude de maior respeito e valorização dos idosos, encarados como fonte de sabedoria e experiência. Nas sociedades ocidentais, de ritmo frenético imposto pelas necessidades do desenvolvimento capitalista urbano-industrial e, agora, do mundo pós-moderno da internet e dos mercados globais, onde o “time is money” ganha versão online, a sensibilidade é baixa para o problema do envelhecimento da população.

No Brasil, definitivamente não estamos preparados para o enfrentamento dessa complexa questão. É preciso, em primeiro lugar, a tomada de consciência, para que, em seguida, tenha lugar o debate e a reflexão e, principalmente, a ação transformadora que preparará o terreno para esse novo mundo.

A arte é mais eficiente do que mil palavras e discursos para sensibilizar as pessoas. Sugiro que todos assistam a três bons filmes sobre o tema. A produção inglesa “O Exótico Hotel Marigold” trata com humor refinado a ida de aposentados, fartos da enfadonha vida que levavam, para a Índia, em busca de novos desafios, prazeres e vivências. A produção franco-alemã “E se vivêssemos todos juntos” mostra a decisão de cinco grandes amigos de juventude de morarem juntos para encararem o avanço da idade e das doenças, a solidão e o risco da segregação social. Por último, o excepcional “Amor“, no qual um casal de músicos vive uma dilacerante história de dedicação e companheirismo, entre quatro paredes, após o derrame que torna a mulher prisioneira de sua cama. Vale a pena assistir e pensar no assunto.

No Brasil, em 1950, os jovens eram 42% da população, em 2050, serão 18%. Em compensação, os idosos eram 2,4% e saltarão para 19%. A partir de 2063, o Brasil atingirá o estado estacionário em termos de crescimento populacional. A nova realidade trará imensos impactos na organização dos sistemas educacional, sanitário e previdenciário, na estruturação do mercado de trabalho e da assistência social. Governos e comunidade precisam se preparar desde já.

Ao ver Bibi Ferreira, do alto de seus 90 anos, brilhar e exalar magia no palco do Palácio das Artes, vi que é possível garantir qualidade de vida à nossa população idosa.

Aécio Neves 2014: senador deve assumir PSDB

Aécio Neves 2014: nome do senador será ratificado na convenção nacional do partido, em maio, evento que poderá ser em São Paulo.

Aécio Neves 2014: Presidente

Fonte: Jogo do Poder

Aécio Neves também diz que PSDB pode ‘fazer mais’ pelo País

 Saudado por uma plateia paulista como o candidato à Presidência da República pelo PSDB, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) evitou assumir a disputa, mas respondeu positivamente ao apelo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e topou assumir a presidência nacional do partido. “Contem comigo de cabeça erguida, como devem andar os tucanos. Dizendo: nós faremos mais”, disse Aécio, em discurso durante congresso tucano, encerrado na noite desta segunda-feira em São Paulo.

O mote “nós faremos mais” utilizado pelo tucano no Congresso do PSDB foi o mesmo utilizado, mais cedo, por sua principal adversária em 2014, a presidente Dilma Rousseff, e pelo virtual presidenciável do PSB, governador Eduardo Campos (PE), que estiveram juntos em um evento no sertão pernambucano. Tanto Dilma quanto Campos também disseram que poderão fazer mais pelo País

O nome de Aécio será ratificado na convenção nacional do partido, em maio, evento que poderá ser em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. “Ele sai daqui presidente do partido. A expectativa agora é de que a convenção se transforme no lançamento da candidatura de Aécio a presidente”, disse uma liderança do PSDB. Aécio afirmou que reconhece o papel do presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), mas, falando como o futuro ocupante do comando tucano, pediu uma “profissionalização” nas ações do partido. “Vamos nos conectar cada vez mais.”

No entanto, ao ser indagado se aceitaria a candidatura à sucessão de Dilma e após a saudação dos militantes que lotaram a sede do partido em São Paulo, o senador foi mais comedido. Aécio declarou que se sentia honrado e avaliou que primeiro iria seguir os pedidos de Alckmin e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e percorreria o Brasil.

“Nós precisamos percorrer uma longa estrada até 2014. Essa é a hora de o PSDB se mostrar vigoroso”, disse. “A escolha do candidato do PSDB vai ocorrer no amanhecer de 2014, quando vamos estar todos juntos, prontos para enfrentar esse governo que vai estar desgastado, cansado, porque perdeu a capacidade de transformar. E se contenta, hoje, em ter um projeto de poder que é um vale tudo”, completou.

Aécio procurou até mesmo afagar o ex-governador José Serra, principal ausência tucana no encontro. “Sempre haverá um espaço de destaque para o governador Serra.” O senador afirmou ainda que as candidaturas de Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (sem partido) trazem conteúdo e são bem-vindas. “Mas nosso campo é mais confortável, porque sabemos o que queremos: somos oposição à ineficiência, que é a principal marca desse governo.”

Aécio Neves 2014: PSDB-SP garante apoio ao senador

Aécio Neves 2014: governador Geraldo Alckimin e o senador Aloysio Nunes Ferreira fortalecem unidade do PSDB paulista.

Aécio Neves 2014: Presidente do PSDB

Fonte: O Globo

Alckmin declara apoio à candidatura de Aécio Neves para presidente nacional do PSDB

Em discurso, Aécio diz que o PSDB está “aquecendo os motores” para a disputa no ano que vem

Aécio Neves PSDB 2014

Aécio Neves 2014: governador Geraldo Alckimin e o senador Aloysio Nunes Ferreira fortalecem unidade do PSDB paulista.

SÃO PAULO — Depois de muita turbulência dentro do próprio partido nas últimas semanas, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve nesta segunda-feira sua candidatura a presidente nacional do PSDB ungida num evento em São Paulo que reuniu as principais lideranças tucanas paulistas, com exceção do ex-governador José Serra.

Aécio estava na capital paulista desde o fim de semana para costurar um consenso em torno de seu nome. A primeira manifestação de apoio dos paulistas ao nome de Aécio para o comando do PSDB veio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que, ao lado de Serra, era uma das resistências ao plano do mineiro. Em seu discurso, Aécio se comparou ao avô, Tancredo Neves, fez afagos ao PSDB paulista, duras críticas ao PT e defendeu as bandeiras da gestão Fernando Henrique Cardoso.

– O que eu sinto no PSDB é que você, Aécio, assuma a presidência do PSDB, percorra o Brasil, ouça o povo brasileiro, fale com o povo e una o partido – afirmou Alckmin logo no início do seminário do PSDB em São Paulo.

As declarações de apoio ao mineiro para a presidência do PSDB vieram até mesmo de aliados de Serra, que disputa forças com o senador por espaço no comando da sigla.

– Meu querido Aécio, o nosso partido está com os olhos voltados para você. Você tem habilidade, talento, liderança e prestígio. Cabe a você trabalhar agora para que cheguemos em maio com o partido unido – disse o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Cobrar unidade do partido com vistas a eleição de 2014 foi a tônica do discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele destacou é a hora do PSDB ser um “partido diversificado” e não “só paulista”.

– O Aécio Neves vai nos levar à condução do partido de tal maneira que esse partido se sinta um só. Nós não podemos perder ninguém. Queremos mais gente no partido e, se for aliados, melhor. Mas aliados com ideia que coincidem e não aliados pelo bolso – pregou FH.

Em meio ao discurso de unidade, a ausência de Serra no ato causou desconforto e teve que ser explicada mais de uma vez. FH chegou a dizer que estava no evento em São Paulo representando o ex-governador, que está desde sábado no exterior e somente deve retornar ao Brasil no fim desta semana.

– Não há ausência. A presença dele está implícita. Ele compareceu a uma homenagem de um grande amigo meu que morreu em Princeton – disse o ex-presidente.

Ele voltou a insistir na solução de um antigo ponto fraco do PSDB, segundo os próprios tucanos: a falta de diálogo com a sociedade. Para ele, o partido precisa de um “banho de povo”.

– É preciso ter o sentimento das ruas. A nossa mensagem tem que ser simples e direta. O PSDB precisa de um banho de povo. Nós precisamos é de povo.

O mineiro retribuiu as declarações de apoio com afagos às lideranças locais do PSDB.

– O PSDB deve tudo a São Paulo. Foi aqui que surgiram as lideranças que nos estimularam – disse o senador.

Após a cerimônia, o mineiro disse que tem “respeito enorme” pelo ex-governador Serra e disse que tem “absoluta convicção” de que ele estará ao lado do PSDB em 2014.

– Eu tenho certeza que haverá sempre um papel de destaque para o José Serra sempre que ele quiser.

No discurso, deu o tom do que está por vir na disputa em 2014.

– O PT há muito tempo abdicou de um projeto de país. Nós estamos vendo um vale-tudo e, no debate em qualquer campo, nós temos como responder. No social, temos que lembrar do Plano Real, que tirou o peso da inflação de milhares de pessoas. E o atual governo se esquece que o DNA dos atuais programas sociais vieram do governo anterior (…) Não me assusta a popularidade da Dilma.

Aécio disse ainda que o partido está “aquecendo os motores” para 2014, prometeu à militância percorrer o Brasil e disse não temer a popularidade da presidente Dilma Rousseff.

– Contem comigo. Percorrei o Brasil de cabeça erguida. Rumo à vitória (…) Não me assusta os índices de aprovação da presidente nas pesquisas eleitorais.

Aécio Neves defende ações a favor do desarmamento

Aécio Neves: senador diz que a omissão por 39 mil mortes, por ano, causadas por armas de fogo não podem continuar encobertas.

Aécio Neves: redução da violência e o desarmamento

Fonte: Folha de S.Paulo

Desarmamento

Aécio Neves

Nosso Estatuto do Desarmamento completa dez anos neste 2013. Não há dúvida de que trouxe mais controle e rigor para a posse, o porte e a comercialização de armas.

Dados oficiais mostram que, entre 2004 e o começo de 2013, mais de 600 mil armas foram entregues voluntariamente pela população. É um resultado que, à primeira vista, pode impressionar, mas ainda muito distante dos 15 milhões de armas de fogo nas mãos de civis.

Na forma como foi proposto, mediante entrega voluntária, o estatuto tem se mostrado ineficaz para fazer frente à magnitude dos problemas graves na área de segurança, assim como ocorreu em outros países que experimentaram este modelo.

Para justificar a acomodação de Brasília nessa área, utiliza-se como argumento a vastidão das fronteiras nacionais e a dificuldade de conter o contrabando. Sem entrar no mérito da absurda fuga de responsabilidade em fiscalizar nossas fronteiras, caminho livre para as drogas e armamento de todo tipo, a questão é que, neste caso, as pesquisas atestam que grande parte das armas é de produção nacional. O problema é de natureza doméstica, portanto.

A paralisia na esfera federal se converte em leniência do governo, ao tentar se livrar da questão da segurança como se fosse um “abacaxi” a ser resolvido pelos governos estaduais, já que a atribuição do papel de polícia Civil e Militar está nesse âmbito por definição constitucional.

O governo federal precisa assumir seu papel coordenador no combate à criminalidade, agindo de maneira sistêmica em pelo menos duas frentes.

Apoiando com firmeza a integração das ações entre as forças de segurança, inclusive as estaduais – um trabalho que já tem resultados muito positivos, a partir do compartilhamento de inteligência e de recursos. E também na expansão e melhoria do sistema prisional, um esforço decisivo para golpear o crime organizado, que comanda o banditismo de dentro para fora.

A outra forma de contribuir é eliminando o crônico contingenciamento das receitas existentes, já insuficientes. Inacreditavelmente, cerca de 80% de tudo o que se investe no setor vêm dos cofres municipais e estaduais e, ainda assim, a União vem reduzindo os seus investimentos em segurança.

Nessa área, infelizmente, o Brasil nunca teve uma política consistente e integrada.

Nos últimos anos, tem-se preferido adotar estratégias midiáticas em vez de ações estruturantes. Essas devem ser construídas no dia a dia das organizações policiais em integração com o governo federal – são menos visíveis, mas muito mais eficazes.

As 39 mil mortes causadas por armas de fogo por ano no país não podem continuar encobertas pela omissão e um silêncio inaceitáveis.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras neste espaço.

%d blogueiros gostam disto: