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Com fracasso no governo, Dilma cortará programas sociais

Três programas devem ser afetados com os cortes: três programas que lhe são muito caros: o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família e a transposição do Rio São Francisco.

Como a proposta orçamentária da União para 2016 está com um déficit de R$ 30,5 bilhões, o governo precisa fazer um ajuste nas contas equivalente a R$ 64,9 bilhões para garantir um superávit primário.

Fonte: Valor Econômico

Com fracasso no governo, Dilma cortará programas sociais

Dilma alertou para o fato de que, do total das despesas discricíonárias, R$ 135,3 bilhões não podem ser contingenciados, pois incluem gastos na área da saúde e da educação. Reprodução.

Dilma terá que cortar programas sociais

Para ampliar o corte nas despesas discricionárias previstas na proposta orçamentária de 2016, a presidente Dilma Rousseff terá que aceitar reduzir as dotações para três programas que lhe são muito caros: o Minha Casa Minha Vida (MCMV), o Bolsa Família e a transposição do rio São Francisco.

Segundo fontes do governo, esses foram os programas que tiveram ampliação de despesas em relação ao autorizado para 2015, junto com uma reserva alocada para aumentar os auxílios alimentação e transporte dos servidores públicos, como parte da negociação em torno do reajuste salarial para os próximos dois anos.

Mesmo que a presidente aceite cortar todo o acréscimo feito nessas áreas, o governo só conseguiria reduzir cerca de R$ 11,5 bilhões, advertem os técnicos – o que representa menos de 18% do que o governo precisa para cumprir a meta de superávit primário de R$ 43,8 bilhões ou 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para todo o setor público em 2016.

Como a proposta orçamentária da União para 2016 está com um déficit de R$ 30,5 bilhões, o governo precisa fazer um ajuste nas contas equivalente a R$ 64,9 bilhões para garantir um superávit primário de R$ 34,4 bilhões para o governo central (que compreende o Tesouro, a Previdência e o Banco Central).

A estimativa é que os Estados e municípios façam um superávit de R$ 9,4 bilhões. O espaço para cortar as despesas discricionárias é considerado muito pequeno pelos técnicos oficiais. Assim, o governo intensificou os estudos para identificar gastos obrigatórios que podem ser reduzidos.

Entre as possibilidades levantadas está a adoção de medidas administrativas para evitar fraudes e exageros na concessão do auxílio-doença, propostas para aumentar a fiscalização na concessão de aposentadorias por invalidez, tornar mais restritivas as concessões do seguro ao pescador artesanal (seguro defeso) e alterações nas regras de concessões de benefícios aos idosos e deficientes, no âmbito da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).

Muitas dessas mudanças precisarão ser aprovadas pelo Congresso e envolverão uma difícil negociação política. A proposta orçamentária para 2016 prevê que as despesas discricionárias (aquelas que podem ser cortadas pelo governo) atingirão R$ 250,4 bilhões, contra um limite de R$ 233,9 bilhões fixado para este ano – o que representa um aumento nominal de 7% e um aumento real muito pequeno, em torno de 0,8%, o que equivale a R$ 2 bilhões.

Em recente entrevista ao Valor, Dilma alertou para o fato de que, do total das despesas discricíonárias, R$ 135,3 bilhões não podem ser contingenciados, pois incluem gastos na área da saúde e da educação, que têm pisos constitucionais de despesa. Sobrariam R$ 115,1 bilhões que podem ser contingenciados.

O principal aumento feito pelo governo nas despesas discricionárias foi para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que teve o seu limite de empenho elevado de R$ 35,25 bilhões neste ano para R$ 42,4 bilhões em 2016. O aumento é explicado, quase inteiramente, pelo programa MCMV, que têm previsão de dotação em 2016 de R$ 15,5 bilhões, ante um limite de empenho de R$ 8,3 bilhões fixado para este ano – acréscimo de R$ 7,2 bilhões.

Com os recursos, o governo espera pagar todas as operações já contratadas do programa e realizar novas contratações, depois do lançamento da fase 3 do MCVM.Houve um aumento de R$ 1,2 bilhão para a área de infraestrutura hídrica, principalmente para o programa de transposição do rio São Francisco.

O governo tem estudo que aponta risco elevado de desabastecimento de água em Fortaleza em 2016. Por isso, decidiu intensificar as obras da transposição para levar água até o açude Castanhão, que abastece a região metropolitana da capital cearense.

Para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o governo reservou uma dotação adicional de R$ 1,35 bilhão. A ideia inicial é utilizar esses recursos para reajustar, no ano que vem, os valores dos benefícios do programa Bolsa Família, que foram corroídos pela elevada inflação deste ano.

O governo incluiu também na proposta orçamentária de 2016 uma dotação de R$ 1,8 bilhão para aumentar o auxílio alimentação e o vale transporte dos servidores públicos. Esse aumento dos auxílios faz parte da negociação feita em torno do reajuste salarial dos próximos dois anos.

A proposta orçamentária prevê ainda uma verba adicional de R$ 792 milhões para a Secretaria de Aviação Civil. O objetivo do governo é usar esses recursos para fazer uma reestruturação da Infraero. O Ministério da Justiça ganhou R$ 300 milhões para garantir a segurança da Olimpíada do Rio.

O acréscimo de R$ 400 milhões na dotação para o Ministério das Relações Exteriores foi para compensar a subida do dólar.Os técnicos informam que há espaço para cortes na previsão do gasto com diárias. O governo já anunciou que vai reduzir ministérios e cargos comissionados.

Entrevista Marcelo Madureira: PT estimula criação de parasitas em todas as classes

Humorista Marcelo Madureira acha que o PT promove no país a vitória da parasitagem do Estado: a classe média quer um emprego público, os pobres querem bolsas assistencialistas e os ricos querem “Bolsa BNDES”.

“Muito pior que a roubalheira, é a incompetência. A questão na Petrobras não é só roubar, é a gestão desastrosa”, comentou o humorista.

Fonte: Folha de S.Paulo

PT estimula criação de parasitas em todas as classes, entrevista Marcelo Madureira

O humorista Marcelo Madureira é um entusiasta dos protestos contra o PT e esteve nos eventos de março e abril, inclusive discursando aos manifestantes. Divulgação

ENTREVISTA – MARCELO MADUREIRA, 56

O PT promove parasitagem do Estado em todas as classes

Ex-militante do PCB e hoje ‘coxinha’ assumido, humorista diz que incompetência do governo atual é pior que a roubalheira

O humorista Marcelo Madureira, 56, acha que o PT promove no país a vitória da parasitagem do Estado: a classe média quer um emprego público, os pobres querem bolsas assistencialistas e os ricos querem “Bolsa BNDES“.

Enquanto isso acontece, os artistas, que ficaram reféns de dinheiro público, se omitem, afirma. “Em um momento como este, cadê o Caetano Veloso, o Chico Buarque?”

Madureira é um entusiasta dos protestos contra o PT e esteve nos eventos de março e abril, inclusive discursando aos manifestantes.

Ele, que foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) na juventude, diz que a esquerda contemporânea tem “formação política tabajara” e não tem senso de humor. Leia, abaixo, a entrevista concedida à Folha.

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Folha – Existe agora uma nova direita no país?

Marcelo Madureira – Não dá para limitar a discussão aos termos esquerda e direita. A pergunta é que tipo de sociedade queremos. Aí eu digo: certamente não é a que o PT quer. Certamente não é aquelas que as pessoas que se dizem de esquerda propugnam, mesmo porque elas não sabem bem o que querem. É muito estranho. Hoje as pessoas se dizem de esquerda, mas não sabem dizer se são a favor ou contra a propriedade privada dos meios de produção.

Uma crítica comum é que existe uma “esquerda de Facebook”, que não se dedicou muito à leitura…

Sim, é toda uma geração politicamente despreparada. A esquerda de hoje tem uma formação política tabajara. Você precisa perceber algo: o que as pessoas querem é ser legais, parecer legais, querem ser do bem. Na minha época era mais fácil. A direita era o mal, a esquerda era o bem.

Mas isso não existe mais. O mundo se apresentou muito mais complexo. Essa tentação de ter resposta para tudo não convence mais.

Mas sempre houve a noção de que os fins justificam os meios…

Mas os fins serem a conta bancária da cunhada? [risos]

Sua crítica maior ao PT é a corrupção?

Não. Muito pior que a roubalheira, é a incompetência. A questão na Petrobras não é só roubar, é a gestão desastrosa. O que nos alivia é: embora tenham batido os recordes, talvez sejam incompetentes para roubalheira também.

O pior é que o PT reforça a vitória do atraso. Que sociedade é essa que você quer construir em que o sonho das pessoas se limita a, se for da classe média, passar em um concurso público; se for pobre, arranjar Bolsa Família; e, se for rico, conseguir uma “Bolsa BNDES“? Todo mundo passa a querer ser parasita do Estado. Não há país que dê certo assim.

Mas, enquanto isso foi acontecendo, o que se viu na oposição foi certo silêncio.

A oposição deixou a desejar? Deixou. Foi omissa, em alguns momentos até cooptada. O preço disso está sendo pago.

Há muita crítica ao papel do PSDB neste momento.

Eu votei no Aécio, até fiz um videozinho para a campanha. O PSDB tem certo reconhecimento de que há uma perplexidade, essa complexidade nas coisas. Há discussões densas que têm de ser feitas, as soluções não são simples, precisamos pensar também no longo prazo.

Mas, sim, eu vejo uma parcela grande da juventude querendo fazer política, e com frequência eles não encontram representação. Em alguns casos, o que acaba surgindo entre eles é até uma ideia meio exagerada de política liberal, de Estado mínimo. Eu não comungo totalmente com isso. É algo que precisa ser discutido com calma.

Talvez seja um pouco uma reação pendular, uma maneira de reforçar a oposição ao pensamento estatista.

Sim, é um movimento pendular, você vai em busca de um oposto, mas neste caso me parece oposto demais

Essa é uma contradição que a esquerda aponta: nas manifestações recentes, tem o liberal de Chicago, o conservador cristão, até o cara que pede a volta dos militares.

Vejo isso como pluralismo, acho até admirável, desde que se respeite as regras da democracia. Eu não tenho nada contra os cristãos, contra o pessoal do quartel. Mas acho suprema ignorância pedir a volta dos militares.

Você se incomoda de ser chamado de coxinha?

Eu não. Meu único ponto é que as coxinhas de São Paulo são muito melhores do que as do Rio. Vou mandar trazer um monte e fazer uma “Coxinha’s Party”. Quem não tem senso de humor, não sabe rir de si mesma, é a esquerda.

Como ficou sua relação com o meio artístico quando você criticou a esquerda, declarou voto no Aécio?

Eu não frequento muito o meio artístico, prefiro ficar em casa lendo, vendo filme. Mas é lamentável o papel da classe artística. É digno de pena. Em um momento como esse, os artistas completamente omissos. Cadê o Caetano Veloso, o Chico Buarque?

Muitos artistas e até jornalistas têm hoje situação muito complicada de dependência de dinheiro público, não?

Sim, e não foi só a classe artística. Foi o meio acadêmico, uma parcela dos intelectuais. Veja o MST [Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra] também. Está todo mundo imbricado de verbinhas. A explicação? Bom, no fundo, como sempre, basta seguir o dinheiro.

No nível pessoal, creio que tenha perdido oportunidades de trabalho, de comerciais. Não vou aqui falar apontando nomes, mas acontece isso de “não, o Madureira não”.

Influenciou sua relação com os colegas do “Casseta”?

Não, nesse caso não. Alguém inventou que tínhamos brigado. Nada disso. Sempre fomos pluralistas e, para falar a verdade, o pessoal lá não pensa muito diferente de mim, não…

Vocês fizeram piada com vários governos.

Sim, embora não se faça muita piada política no Brasil. Eu atribuo o fato de o “Casseta & Planeta” ter saído do ar à pouca disposição da TV Globo de deixar a gente fazer piada política.

Mas vocês fizeram isso por quase 20 anos.

Sim, mas aí começaram cortes, cortes e mais cortes de conteúdo. Não acho que isso seja censura, veja bem. Cada empresa tem as suas regras. Se você não concorda, você pede demissão. Censura vem do Estado.

Mas, de qualquer forma, o programa foi perdendo “punch”, aquela verve crítica, que era vital. Mas isso é uma decisão dos empresários.

Você foi militante do PCB. É inevitável ser de esquerda na juventude?

Eu posso falar do meu caso. Eu fui procurando ao longo do tempo pensar, ter senso crítico, falar “pô, eu tô errado”. Eu já defendi até o Partido Comunista da União Soviética. E agora? Não vou ficar aqui fazendo revisionismo histórico da minha própria vida.

Na época, era o que parecia mais certo. Não faço, digamos, que nem “O Globo” fez, aquele papel ridículo. [Em 2013, o jornal publicou que apoiar o golpe de 1964 tinha sido um erro.]

Aécio impede manobra do PT que atrasava votação do Bolsa Família

PT tentou manobrar no Senado o projeto de lei que torna o programa Bolsa Família um benefício garantido aos brasileiros pela LOAS.

PT age contra o Brasil

Fonte: PSDB 

Aécio impediu manobra do PT contra o Bolsa Família

Aécio Neves denunciou a manobra do PT para atrasar em mais de um ano a votação no Senado do projeto de lei que torna o programa Bolsa Família um benefício garantido aos brasileiros pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). Divulgação

Projeto de lei de Aécio que torna Bolsa Família uma garantia aos brasileiros volta a tramitar no Senado

Senador denunciou e conseguiu cancelar a manobra do PT que atrasava em um ano votação da proposta que incorpora Bolsa Família à Lei de Assistência Social

O senador Aécio Neves conseguiu, nessa terça-feira (09/12), anular a votação de dois requerimentos do PT que atrasariam em mais de um ano a votação no Senado do projeto de lei que torna o programa Bolsa Família um benefício garantido aos brasileiros pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).

O Projeto de Lei 448 de autoria de Aécio tramita no Congresso desde 2013. Na semana passada, no entanto, os senadores do PT Humberto Costa e Ana Rita apresentaram requerimentos com o objetivo de prejudicar a tramitação do projeto e, com isso, atrasar em mais de um ano a votação da proposta pelo plenário do Senado.

A tentativa dos senadores petistas só não deu certo porque a sessão do Senado que aprovou os requerimentos violou as regras legislativas do Congresso. Aécio Neves denunciou a manobra e conseguiu hoje que a sessão fosse cancelada. Com isso, o projeto volta a tramitar pelo Congresso e, se aprovado, tornará o Bolsa Família, bem como os recursos para seu financiamento, uma garantia às famílias mais pobres do país, a exemplo do que já ocorre com os outros benefícios assegurados na Lei de Assistência Social.

Um dos motivos que levaram à anulação da sessão que aprovou os requerimentos do PT foi a ausência, no plenário, dos senadores da oposição. Isso porque a sessão foi antecipada em quase uma hora sem que os senadores fossem avisados.

Não podemos permitir que a iniciativa elementar, primária, de um parlamentar, que é apresentar

Protelar a votação de matérias é um direito de quem está nesta Casa. Mas tem de seguir determinadas regras. A ordem do dia foi antecipada sem qualquer comunicação a qualquer um dos líderes e um projeto de minha autoria extremamente importante para o Brasil, que é a elevação do programa Bolsa Família à LOAS, sua transformação em programa de Estado, pudesse ser deliberado. Foi uma proposta já aprovada na Comissão de Assuntos Sociais e o PT, em uma manobra protelatória, aprovou aqui o envio desta proposta a outras comissões da Casa. Isso sendo feito dentro das regras regimentais é do jogo, mas votar esta proposta sem a nossa presença em Plenário e em um horário que não era aquele previsto no Regimento para o início da ordem do dia, me parece uma violência absolutamente sem sentido”, disse Aécio Neves, nesta terça-feira, quando conseguiu cancelar as medidas do PT.

Compra de votos: grampo confirma cobrança de mesada no Bolsa Família

Grampo da operação Curinga da PF reforça a tese de pagamento de mesada a organização que montou esquema de compra de votos no Norte de MG.

PT na mira das investigações

Fonte: Hoje em Dia

Eleição sob suspeita: grampo confirma tese de compra de votos

Compra de votos: combustível, transporte, material de construção, aposentadorias, cirurgias e dentaduras foram distribuídos para eleitores de Monte Azul. Divulgação

Grampo revela cobrança de mesada no Bolsa Família

Um grampo da operação “Curinga”, da Polícia Federal (PF) em Minas, reforça a tese de pagamento de mesada a integrantes da “organização criminosa” que montou um esquema de compra de votos no Norte de Minas.

Além de exigir contribuições de pessoas que conseguiram se aposentar com auxílio da “quadrilha”, interceptação telefônica levanta a suspeita de cobrança de valores do Bolsa Família.

No diálogo, gravado com autorização do juiz Henrique Gouveia da Cunha, o vereador Geraldo Ladim (PT), de Monte Azul, é flagrado conversando com a professora C. F. C., que solicita que o petista vá até a casa de sua mãe para buscar dinheiro.

A interlocutora C. F. C., segundo relatório de inteligência da investigação, é filha de C. F. B. C., servidora do município, que está na lista de beneficiados do Bolsa Família.

O documento da PF não faz menção se C. F. B. C. se enquadra no perfil de renda para recebimento do auxílio (renda familiar per capita inferior a R$ 70 mensais). “Cê vai na casa da mãe pra buscar o dinheiro, viu?”, diz a professora. “Tá”, responde Ladim.

Curinga 2

Durante a última semana, o Hoje em Dia apurou com fontes da investigação que uma segunda fase da operação “Curinga” deverá ser desencadeada para apurar os indícios de irregularidades em programas do governo.

Além de exigir repasses do Bolsa Família, a quadrilha é suspeita de “montar” processos de concessão de benefícios previdenciários, muitos deles irregulares, e de posteriormente cobrar mesadas dos novos aposentados.

O dinheiro desviado ia para o caixa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Monte Azul, entidade dominada pelo vereador Ladim, pela presidente da Câmara Municipal da cidade, Marineide do Sindicato (PT), e pelo vice-prefeito Toninho da Barraca (PT).

Os três petistas foram flagrados em várias interceptações telefônicas intermediando a concessão de favores em troca de apoio político para os candidatos da coligação do PT. Combustível, transporte, material de construção, aposentadorias, cirurgias e dentaduras foram distribuídos para eleitores de Monte Azul.

Indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, fraude previdenciária e falsidade ideológica, Ladim, Marineide e Toninho apoiaram as campanhas dos deputados petistas Paulo Guedes e Reginaldo Lopes, os mais votados no Estado para Assembleia e Câmara Federal, respectivamente.

Segundo o inquérito, não há evidências do envolvimento dos deputados com as fraudes, mas as campanhas deles acabaram sendo beneficiadas. Já os deputados alegam que não têm condições de controlar todos os aliados no Estado.

Reinaldo Azevedo faz paralelo entre a máfia e o PT

A máfia é uma organização criminosa privada que busca se apoderar do Estado, infiltrando-se na política, na polícia e na Justiça. O alvo são os negócios.

No Brasil, assistimos a algo um pouquinho diferente.

Fonte: Folha de S.Paulo

Reinaldo Azevedo faz paralelo entre a máfia e o PT

O PT e a máfia

ARTIGO REINALDO AZEVEDO

A máfia é uma organização criminosa privada que busca se apoderar do Estado, infiltrando-se na política, na polícia e na Justiça. O alvo são os negócios. No Brasil, assistimos a algo um pouquinho diferente.

Primeiro a “organização” se encarregou de dominar aparelhos influentes: universidades, movimentos sociais, imprensa etc., promovendo a guerra cultural, de modo a subverter valores comezinhos. Depois veio o domínio do aparelho de Estado, por meio de eleições. A exemplo da máfia tradicional, o alvo também eram os negócios.

É claro que me refiro ao PT. Os tolos tendem a baratear a crítica, inferindo que se trata de um juízo conspiratório a acusar a existência de um órgão inteligente a orientar as etapas de uma conquista. Nunca vislumbrei no petismo uma inteligência nem superior nem inferior. Não se trata de uma inteligência, mas de uma natureza.

Qual natureza? A da justificação do mal –– e, nesse particular, os petistas são, sim, legítimos herdeiros do marxismo como existiu. É preciso quebrar ovos para fazer omelete, na metáfora que Nadejda Mándelstam, mulher do poeta dissidente Ossip Mándelstam, empregou para definir o stalinismo. Para os companheiros, só existe uma pergunta virtuosa: “Tal ação fortalece o PT?” Se a resposta for “sim”, inexiste solução moralmente errada.

O partido se lançou no mercado de ideias como socialista. Simulava certa honestidade de propósitos. E percebeu que o capitalismo no Brasil, dado o tamanho do Estado, comporta uma espécie de ente de razão a orientar seus desígnios. Na terra da pororoca, da jabuticaba e da penca de estatais, a ordem capitalista repudia a destruição criadora em favor da construção sem imaginação de potentados estado-dependentes, que se tornam intermediários da extorsão, que pesa, de fato, nos ombros do povo.

Quanto mais se robustece o poder estatal, mais influentes se tornam os corruptos. Aí a OAB e o STF — com a possível exceção de Gilmar Mendes –, tiveram uma ideia asnal: banir o mercado do financiamento de campanhas eleitorais e meter ainda mais Estado na história. Por alguma razão estranha ao cérebro humano, os doutores acham que, caso se proíbam as doações LEGAIS, terão fim as doações ILEGAIS e o sobrepreço de obras. A imprensa embarca quase toda nessa porque jornalistas não costumam ser íntimos de lógica e matemática, dois saberes reacionários.

É preciso recuperar a cadeia virtuosa da civilização que importa: menos Estado, menos corrupção, menos pobreza, mais liberdade. Ou é isso, ou o PT ainda se orgulhará de 100 milhões de pessoas no Bolsa Família, enquanto R$ 21 bilhões da Petrobras desaparecem no ralo da sem-vergonhice. E mais descarados são os que usam a cara matéria-prima dos jornais para explicar a metafísica dos safados.

Nesta segunda, a partir das 18h30, lanço na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, o livro “Objeções de um Rottweiler Amoroso”. Apareçam lá. É uma publicação do selo editorial Três Estrelas, da Folha. Não importa o cachorro que tentaram fazer de você, mas o que você fez do cachorro que tentaram fazer de você. “I waited so long for this moment/ Susanna, Susanna,/ She says I think I’d better go/ She says goodbye and I say… NO!/ Susanna, I’m crazy loving you.”

Afinal, um rottweiler amoroso!

Em nota, PSDB repudia uso político do Bolsa Família em Minas Gerais

Presidente do PSDB em Minas Gerais, Marcus Pestana, manifestou perplexidade pelos fortes indícios de prática de crimes nas eleições em Minas.

Eleições 2014

Fonte: PSDB

PSDB repudia uso político do Bolsa Família no Norte de Minas

Em nota, o presidente do PSDB-MG, Marcus Pestana, disse que a ausência de limites e o emprego de quaisquer meios parecem ser o caminho de petistas para alcançar seus objetivos de manutenção no poder. Foto: PSDB

NOTA À IMPRENSA

O PSDB manifesta seu protesto e perplexidade diante das informações reveladas nas investigações realizadas pela Polícia Federal no Norte de Minas e que apontam para fortes indícios de prática de crimes na disputa eleitoral deste ano em nosso Estado.

A ocorrência de compra de votos e a cooptação de eleitores por meio de favores em benefício de autoridades e candidatos do PT merecem, se confirmadas, o repúdio de todos os mineiros e brasileiros.

É degradante assistirmos, em pleno século 21, prefeitos, vereadores e deputados do PT sob suspeita de envolvimento no uso abusivo de programas sociais, como o Bolsa Família, o Pronaf e o auxílio doença, e até mesmo na distribuição de dentaduras.

Enquanto assistimos estarrecidos no Brasil ao maior escândalo de corrupção já ocorrido no mundo, arquitetado e mantido durante os anos do governo do PT e nas gestões de seus indicados na Petrobras, revelam-se em Minas as mais antigas e ultrapassadas práticas de manipulação e de abuso da boa fé da população mais pobre e dependente das políticas sociais do governo federal.

Infelizmente para os brasileiros, vemos comprovadas na realidade as palavras ditas pela presidente Dilma Rousseff de que “faz-se o diabo para vencer as eleições”. A ausência de limites e o emprego de quaisquer meios parecem ser o caminho de petistas para alcançar seus objetivos de manutenção no poder.

O PSDB de Minas Gerais lamenta, se confirmada, a ocorrência de tais práticas nas eleições em nosso Estado. O partido acompanhará de perto as investigações da chamada Operação Curinga, sob responsabilidade da PF, Ministério Público e do Poder Judiciário, e trabalhará para que os fatos comprovados cheguem ao conhecimento de todo Brasil, assim como estará vigilante para que os autores de tais crimes sejam punidos.

Os mais de 51 milhões de brasileiros que manifestaram voto em Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais deram também um recado claro de todo conjunto da sociedade: basta de corrupção, basta de desvios e de malfeitos.

Marcus Pestana
Presidente do PSDB de Minas Gerais

Belo Horizonte, 19 de novembro de 2014

Operação Curinga: PT teria trocado Bolsa Família por votos em Minas

Durante Investigações, a PF deparou-se com fortes indícios de crime eleitoral em benefício de candidatos da coligação do PT.

Nomes dos deputados petistas Reginaldo Lopes e do deputado estadual Paulo Guedes foram citados no relatório parcial da PF.

Fonte: Hoje em Dia

Operação Curinga: PT teria trocado Bolsa Família por votos

Vice-prefeito Toninho da Barraca (PT) foi flagrado “negociando” voto com eleitores. Divulgação

Polícia diz que PT trocou até Bolsa Família por votos

A Polícia Federal (PF) deflagrou nessa terça-feira (18) a operação “Curinga” com o intuito de coibir fraude nos cofres da Previdência Social no Norte de Minas. No curso das investigações, a PF deparou-se com fortes indícios de crime eleitoral em benefício de candidatos da coligação do PT. Dessa forma, a operação policial será desmembrada.

Isso porque os nomes dos deputados petistas Reginaldo Lopes, reeleito para a Câmara dos Deputados e cotado para assumir o Ministério da Educação, e do deputado estadual Paulo Guedes foram citados no relatório parcial da PF. O envolvimento dos parlamentares com a quadrilha do INSS foi descartado, mas eles podem ter sido beneficiados eleitoralmente.

O esquema de fraude na Previdência foi montado dentro da prefeitura e da Câmara Municipal de Monte Azul. O escritório do INSS em Espinosa, cidade localizada a 40 Km de Monte Azul, foi utilizado pelo bando. Os principais políticos de Monte Azul estão diretamente envolvidos com o rombo nos cofres da Previdência, estimado em R$ 200 mil, e com os crimes eleitorais. Entre eles, o vice-prefeito, três vereadores, três secretários da prefeitura, além do sindicato de trabalhadores rurais da cidade, todos eles ligados ao PT. A partir de documentação forjada, o grupo conseguia aposentadoria para pessoas que nunca foram trabalhadores rurais.

O Hoje em Dia teve acesso aos documentos e aos grampos telefônicos da investigação. De acordo com o inquérito, benefícios previdenciários, materiais de construção, combustível, além de cadastros do Bolsa Família, auxílio-doença, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e até dentaduras foram oferecidos em troca de voto.

Além da Zona da Mata, o Norte de Minas foi a região na qual a presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT) obteve maior vantagem perante o tucano Aécio Neves, seu principal oponente. Em Monte Azul, por exemplo, Dilma obteve 76% dos votos da cidade, enquanto Aécio ficou com 14%. Guedes e Lopes conquistaram 30% dos votos válidos do município. Lopes foi o mais votado, e Guedes, o segundo.

Em um dos grampos telefônicos, o vereador Geraldo Moreira dos Anjos, o Ladim (PT), foi flagrado orientando o eleitor Flávio Custódio Teixeira a votar nos candidatos do PT. O vereador petista, segundo o inquérito, intermediou a inclusão da mulher de Teixeira na lista do Bolsa Família. A inclusão dela no cadastro será investigada, já que a maioria das benesses, especialmente os programas de transferência de renda e as aposentadorias, foram destinadas a pessoas que não poderiam ser contempladas.

Em outro diálogo, o vice-prefeito de Monte Azul, Antônio Idalino, o Toninho da Barraca (PT), foi pego autorizando o caminhão-pipa da cidade a fornecer água para uma piscina na casa de um eleitor. Numa outra conversa, o petista determina que a dentista da prefeitura faça dentaduras para eleitores.

Vice, vereadores e secretários envolvidos

Contra o vice-prefeito de Monte Azul, Antônio Idalino Teixeira, o Toninho da Barraca (PT), a Justiça Federal em Montes Claros, no Norte de Minas, decretou mandado de condução coercitiva e busca e apreensão na casa do político e na prefeitura. Ele é considerado uma das principais peças do esquema.

O servidor do INSS de Espinosa Ronaldo de Medeiros Boeira e os vereadores Geraldo Moreira dos Anjos, Geraldo Ladim (PT), e Marineide Freitas da Silva, a Marineide do Sindicato (PT), foram presos temporariamente.

O mesmo ocorreu com o presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Monte Azul, Antônio Tolintino, e seu secretário, Nilton Rodrigues Nunes. Conforme as investigações, os dois são suspeitos de fraudar os processos de aposentadorias rurais por tempo de serviço. Os benefícios eram concedidos a pessoas que não preenchiam os requisitos legais.

Já o vereador Francisco de Assis Gonçalves Dias, o Diassis (PP), foi conduzido para prestar depoimento e teve a casa vasculhada pelos federais. Depois do interrogatório foi liberado.

Três secretárias de Monte Azul também estão entre os investigados. São elas: Aurélia de Paula Santos (Educação), Vanessa dos Anjos Dias (Saúde) e Cássia Michele Gomes (Finanças). Para as três, foram expedidos mandados de condução coercitiva, além de busca e apreensão em suas residências e na prefeitura.

Durante todo o dia, a reportagem fez contatos com a prefeitura e com a Câmara Municipal de Monte Azul, mas até o fechamento desta edição ninguém foi encontrado para comentar a ação da PF.

Em entrevista ao Hoje em Dia, o deputado Paulo Guedes classificou a operação de “factoide eleitoral”, mas comprometeu-se a averiguar o assunto. “Se houve alguma irregularidade, não tenho nada a ver com isso. Obtive 165 mil votos em todo o Estado. É impossível policiar todos os aliados”, declarou.

Mais votado do PT em Minas, o deputado federal Reginaldo Lopes foi procurado no celular e em seu gabinete, em Brasília. A assessora de imprensa do parlamentar em BH chegou a atender os telefonemas do Hoje em Dia. Alegou que o parlamentar estava com a agenda cheia de compromissos. Depois, informou que o parlamentar não iria se manifestar nessa terça.

Operação ‘Curinga’ tem 19 alvos

Ao todo, 19 pessoas são alvo da operação “Curinga”, sendo que 17 foram levadas para a sede da Polícia Federal (PF) em Montes Claros, no Norte de Minas, e outras duas são procuradas. A polícia informou ainda que 39 mandados judiciais de busca e apreensão, condução coercitiva e sequestro de bens estão sendo cumpridos.

Uma segunda fase da operação “Curinga” será deflagrada para reprimir possíveis crimes eleitorais. Os investigados responderão, neste primeiro momento, por crimes contra a administração pública, estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica, dentre outros. Uma vez condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes podem ultrapassar 20 anos.

Aécio investirá em campanhas de filiação no Nordeste

PSDB quer aproveitar a mobilização popular das eleições de outubro para manter a oposição forte e competitiva para 2018.

PSDB fará uma série de eventos no Nordeste

Fonte: O Globo

Aécio vai mobilizar Nordeste para aumentar filiação

Aécio investirá na região Nordeste, com viagens e ações de filiação de novos tucanos para ocupar o território que hoje pertence aos petistas. Divulgação

PSDB aproveita mobilização e mira no Nordeste para crescer nas eleições de 2018

Aécio investirá em viagens e em campanhas de filiação que mobilizem diretórios para convenções em março

O PSDB quer aproveitar a mobilização popular das eleições de outubro para manter a oposição forte e competitiva para 2018. Para isso, os tucanos investirão em alguns eixos estratégicos. Um dos focos será o Nordeste, eleitorado que votou massivamente na presidente Dilma Rousseff e, tradicionalmente, tem escolhido o PT na eleição presidencial, partido que conseguiu demarcar a paternidade de programas de transferência de renda como o Bolsa Família.

Aécio investirá na região, com viagens e ações de filiação de novos tucanos para ocupar o território que hoje pertence aos petistas. Nas próximas semanas devem começar os primeiros eventos de filiações massivas nos estados em que o PSDB tem menor presença, como Rio Grande do Norte e Ceará. A ideia é criar um movimento nos moldes de uma campanha de filiação que dure até fevereiro do próximo ano, para que os diretórios regionais estejam mobilizados no período das convenções, em março de 2015.

A reconquista de Minas Gerais também é prioridade e questão de honra para o senador Aécio Neves. Depois de perder em seu próprio estado para Dilma Rousseff, o tucano quer investir forças e já há quem defenda a candidatura de Antônio Anastasia para a prefeitura em 2016. Pelo Brasil, o PSDB quer lançar candidatos a prefeito com lastro social. A próxima eleição será o primeiro teste para aferir se Aécio conseguirá ou não manter a popularidade dos cerca de 49% dos votos do eleitorado no Brasil.

O candidato derrotado de outubro admite que houve um erro coletivo no comando da campanha em Minas Gerais.

— Temos que ter uma atenção grande, e eu, como presidente do partido, vou buscar. Nós vamos ter nessas próximas eleições municipais candidatos muito capilarizados, com segmentos muito mais amplos. Em uma reunião da Executiva em dezembro vai ter esse foco. Vamos ter uma ampla campanha de filiação no Brasil inteiro — afirma Aécio.

Combate ao ‘terrorismo eleitoral’ é uma das metas

Um dos principais desafios do PSDB, segundo a cúpula tucana, é superar a insegurança do eleitorado mais dependente dos programas sociais do governo federal. O melhor remédio para combater o terrorismo eleitoral, afirmam dirigentes do partido, é colocar o pé na estrada desde já para divulgar as experiências bem-sucedidas do PSDB na área social.

— O que o PSDB precisa é estar mais presente nessas regiões, ir várias vezes ao ano, conversar com Academia, sindicatos, com entidades empresariais, falar da sua visão política e das experiências ricas que temos tanto no governo federal, quanto nos estaduais — diz o governador reeleito de Goiás, Marconi Perillo.

Conquistar confiança

Para o goiano, a ação do PSDB não pode se limitar apenas ao período eleitoral. Conquistar a confiança desse segmento da população leva tempo, afirma Perillo:

— O PSDB precisa de competência para convencer esses eleitores que ainda desconfiam da gente em relação às políticas sociais de que não há necessidade de qualquer temor.

Uma das lideranças do partido no Nordeste afirma que o PSDB deve, desde já, começar a enfrentar o que chama de debate do “coitadismo” e parar de disputar a propriedade dos programas sociais com o PT. Para esse tucano, a campanha de Aécio errou ao evitar a crítica a esses programas e acabou fazendo propaganda pró-governo quando insistiu no discurso de que manterá e ampliará os benefícios, ao invés de apontar a saída que pretende oferecer aos que hoje são dependentes.

Aécio Neves sinaliza que sua presença será mais efetiva junto ao eleitorado de forma direta, não apenas por meio do seu mandato como senador nos próximos quatro anos. Ele destaca que, para a missão de manter a conexão com a sociedade que se criou nessa eleição, o trabalho deverá ser no estilo de uma verdadeira força-tarefa da oposição.

Outra fatia do eleitorado em que Aécio pretende investir é na juventude. Os tucanos querem penetrar um terreno que até então costuma funcionar como apêndice de partidos de esquerda como PT e PCdoB: o dos diretórios acadêmicos nas universidades. A cúpula do PSDB admite que o partido não tem boa inserção nas universidades e quer que tucanos comecem a disputar eleições para diretórios. Acreditam que a presença maior entre a juventude poderá ajudar a manter vivo o sentimento de mudança que beneficiou o PSDB nesta eleição.

Governo Dilma fez uso eleitoral do programa Brasil sem miséria

Às vésperas da eleição, governo triplicou repasses. Valor dos benefícios e o número de famílias alcançadas pelo programa foram crescendo.

Campanha eleitoral e uso da máquina pública

Fonte: O Globo

 Governo Dilma fez uso eleitoral do programa Brasil sem miséria

Às vésperas da eleição, governo triplicou verba de programa social

Beneficiária de fomento rural no Ceará recebeu R$ 1 mil a dois dias do 2º turno

Nos meses que antecederam as eleições deste ano, o governo federal triplicou o pagamento às famílias de baixa renda no âmbito do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. De junho a outubro de 2014, foram pagos R$ 121,37 milhões aos beneficiários do programa, uma das iniciativas do Plano Brasil Sem Miséria, voltado para a população em situação de pobreza ou extrema pobreza. No segundo semestre do ano passado, entre julho e dezembro, o valor pago foi de R$ 43,2 milhões.

O valor dos benefícios e o número de famílias alcançadas pelo programa foram crescendo à medida que se aproximavam as eleições. O número de famílias beneficiadas em outubro, mês da eleição, dobrou em relação aos meses anteriores. Ao todo, 36.569 famílias que receberam parcelas do benefício, contra 18.777 em setembro, 18.520 em agosto e 16.867 em julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Informações do MDS incluídas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostram, ainda, que outubro de 2014 foi o período que registrou maior aporte de distribuição de recursos do programa. Foram R$ 34,3 milhões. No mês anterior, setembro, o valor foi de R$ 22,6 milhões, e, para novembro, a previsão é que serão liberados R$ 22,5 milhões.

Além dos dados oficiais apresentados pelo MDS, o levantamento sobre o valor liberado também foi feito pelo economista Mansueto de Almeida, que integrou o grupo de economistas da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG). Para Mansueto, o governo acabou se beneficiando eleitoralmente dessa concentração do benefício antes da eleição.

— Não sei se foi algo programado, mas de fato o governo se beneficiou. Pode até não ter sido feito com esse intuito, mas há uma discrepância muito grande, um aumento grande de liberação antes da eleição. Os dados sugerem que houve um esforço muito maior por parte do governo quanto mais se aproximavam as eleições. Isso não quer dizer que seja um programa ruim, mas é fato que atingiu esse eleitorado mais sensível ao discurso do medo de perder esses recursos. Para saber se teve caráter eleitoreiro ou não, vamos acompanhar a execução desse programa, como de vários outros — disse o economista.

Sobre a maior liberação em outubro, Mansueto exemplificou o caso de uma beneficiária do programa no Ceará, que teve uma parcela de R$ 1 mil liberada apenas dois dias antes do 2º turno:

— A dona Maria recebia por mês R$ 221 do Bolsa Família, sendo R$ 137 o valor básico e mais R$ 42 para cada um dos filhos de 16 e 17 anos (Benefício Variável Jovem). Mas teve uma surpresa quando, em 24 de outubro, recebeu um extra de R$ 1.000 da 1ª parcela do Programa de Fomento Rural. No total, ela recebeu R$ 1.221. Claro que a dona Maria teve um grande incentivo para votar com o governo.

Manobra: 68 mil famílias começaram a ganhar benefícios sociais em 2014

Só neste ano, de janeiro até outubro de 2014, mês do segundo turno da eleição para presidente, foram liberados R$ 173,7 milhões.

Uso da máquina pública na campanha eleitoral

Fonte: O Globo

Manobra eleitoral: 68 mil novos benefícios sociais em 2014

Manobra eleitoral: número de famílias atendidas pelo Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais também cresceu exponencialmente este ano. Divulgação

Em 2014, 68 mil famílias começaram a ganhar benefício do programa de fomento

Ministério do Desenvolvimento Social diz que aumento do atendimento já estava em cronograma

O número de famílias atendidas pelo Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais também cresceu exponencialmente este ano. De janeiro de 2012, quando o programa foi criado, até dezembro de 2013, foram atendidas 55,2 mil famílias. Somente em 2014, entre janeiro e outubro, mais 68,4 mil famílias começaram a receber o apoio financeiro, de acordo com dados do MDS.

Informações do Siafi mostram que os valores também cresceram em ano eleitoral. Nos dois primeiros anos do programa, de janeiro de 2012 a dezembro de 2013, o programa liberou R$ 77 milhões em benefícios. Só neste ano, de janeiro até outubro de 2014, mês do segundo turno da eleição para presidente, foram R$ 173,7 milhões.

O Ministério do Desenvolvimento Social informou que o programa “veio numa rota crescente de atendimento, conforme já previsto inicialmente no cronograma”. A meta do MDS é levar os recursos até 286,2 mil famílias de agricultores.

“O atendimento das famílias no Programa de Fomento ocorre em etapas, seguindo um cronograma de atividades definido previamente no contrato assinado pela entidade de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) com o MDA ou com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Somente a conclusão da etapa em curso permite a execução da próxima etapa ou da atividade prevista no cronograma”.

O MDS explica ainda que na ação cada família beneficiada recebe R$ 2,4 mil (ou até R$ 3 mil na modalidade semiárido), em até 3 parcelas, para investir em um projeto que amplie ou diversifique a produção de alimentos na propriedade familiar. Esse valor, não reembolsável, é transferido às famílias por meio do cartão do Bolsa Família (e seguindo o calendário de pagamento dele).

A pasta diz que a liberação das parcelas depende também das informações dos agentes de Ater, que elaboram laudo assegurando que as famílias estão implantando as melhorias previstas nos projetos. “Assim, ocorrem concentração de repasses em alguns meses, caso as entidades façam encaminhamento conjunto de lote de laudos”, justifica.

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