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PT encolhe em 4 dos 5 maiores colégios eleitorais do país

A partir de 2002, o PT vem perdendo força nos cinco maiores colégios eleitorais do país, que somam 77 milhões de eleitores.

Eleições 2014

Fonte: O Globo – Na base de Dados 

PT fica menor em 4 dos 5 maiores colégios eleitorais

Depois da vitória de Lula em 2002, votação do PT vem caindo. Foto: Andre Dusek/AE

PT perde força em quatro dos cinco maiores colégios eleitorais do país

Os cinco maiores colégios eleitorais do país somam 77 milhões de eleitores, ou seja, 54% dos eleitores estão concentrados em apenas cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Entre eles, como sabemos, São Paulo lidera com mais de 31 milhões de eleitores. A força desses estados numa disputa presidencial é considerável e pode ser decisiva. O Núcleo de Jornalismo de Dados do GLOBO organizou gráficos com os desempenhos do PT e PSDB nesses colégios eleitorais nas disputas presidenciais do 2º turno desde 2002.

Os dois partidos que têm liderado o processo eleitoral brasileiro apresentam forças bastante distintas nesses estados, sobretudo a partir de 2002 e, ao que tudo indica, em três desses estados, o PT vem perdendo força; num quarto só teve a hegemonia dos votos em 2002; enquanto em outro tem conseguido manter a sua força. Com exceção desse últimocolégio eleitoral, as tendências observadas nos demais apontam para uma maior resistência dos eleitores aos candidatos do PT, sugerindo que o partido poderá ter enormes dificuldades de ampliar a sua votação nessas áreas nas próximas eleições presidenciais. O Blog do Núcleo de Dados conversou com o cientista político e professor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio) Felipe Borba para compreender melhor o cenário.

Depois da vitória em 2002, o PT perdeu espaço no estado mais populoso do país. Este ano, a distância entre o PSDB e o PT em São Paulo alcançou 29 pontos percentuais. Um recorde no estado que tem grande força de influência política e econômica no país e vem sendo administrado há duas décadas pelo PSDB. De 2015 a 2018, São Paulo vai continuar com a administração tucana, com Geraldo Alckmin à frente do estado.

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O estado liderado pelo então candidato Aécio Neves, Minas Gerais, tem dado vitórias seguidas aos candidatos do PT desde 2002, porém, essas distâncias estão diminuindo. O declínio da força do PT em Minas começou em 2006 e, este ano, apresentou uma diferença em relação ao PSDB de apenas cinco pontos percentuais. Em 2002, essa diferença a favor do PT era de 33 pontos percentuais. Portanto, em quatro eleições, o Partido dos Trabalhadores perdeu 28 pontos percentuais de frente sobre o PSDB, um declínio médio de 7 pontos a cada eleição.

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Depois da vitória esmagadora de Lula em 2002, a votação do PT no Rio de Janeiro também vem caindo. Em 12 anos, o partido viu sua força eleitoral encolher 24 pontos percentuais. Na eleição de Lula, o PT apresentou uma vantagem de 58 pontos percentuais sobre o PSDB no Rio. Este ano, a diferença caiu para 10 pontos percentuais. O interessante no caso do Rio é que o estado, nesse período, não foi administrado pelos dois partidos, mas pelo PSB e PMDB.

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Na Bahia, o domínio petista atingiu o seu auge em 2006. Apesar da pequena queda em 2010 e 2014, o partido continua mantendo uma ampla vantagem sobre o PSDB. Esta ano, a vantagem chegou a cerca de 40 pontos percentuais. Dos cinco maiores colégios eleitorais, a Bahia, administrada pelo petista Jacques Wagner, é o único que o PT mantém a hegemonia dos votos no segundo turno. O PT vai governar a Bahia novamente entre 2015 e 2018.

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O PT não vence no estado do Rio Grande do Sul desde 2002, ano da eleição de Lula. No segundo turno de 2014, essa diferença foi de sete pontos percentuais a favor do PSDB.

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Ao que tudo indica, o PT vem perdendo força de mobilização eleitoral em pelo menos 4 dos cinco maiores colégios. O que pode explicar essa perda de força do PT?

Felipe Borba: A perda de força nesses grandes centros é o que explica, em parte, a diminuição da diferença entre o PT e o PSDB no segundo turno desde a primeira vitória do Lula em 2002. Difícil apontar um único fator. Há, naturalmente, o desgaste do partido depois de 12 anos no poder. É difícil manter uma hegemonia tão forte por tanto tempo. Outra razão é que a dificuldade de o governo em resolver questões urbanas, como mobilidade e atendimento de saúde, que nos centros são caras e lentas. Melhorar a vida dos pequenos municípios é, sem dúvida, muito mais fácil.

Se as tendências se mantiverem, é possível que o PT continue vencendo na Bahia em 2018, contudo, parece haver um aumento da força do PSDB nos outros estados nas disputas de segundo turno. Há saída para o PT?

Borba: O partido precisa se reinventar depois de tantos anos no poder – e isso não é simples. Se mantiver a tendência de diminuição da diferença, é bem provável que o PSDB vença em 2018. Se reinventar, nesse caso, é enfrentar os problemas dos grandes municípios, sinalizar que o foco do governo é o Brasil inteiro e não apenas os pobres, mostrar para a classe média que também está de olho nos seus problemas. O clima de opinião é desfavorável nos grandes centros.

O movimento ascendente do PSDB em SP em parte se reflete no domínio do partido nesse estado no controle da máquina estadual. Isso poderia ser interpretado também no caso da Bahia, com o PT comandando a máquina. Agora, e no Rio de Janeiro onde o PSDB vem crescendo embora a máquina seja controlada pelo PMDB. O que poderia explicar esse movimento?

Borba: Num certo sentido, o voto no Rio vem repercutindo essa tendência nacional de diminuir o voto no governo e aumentar o da oposição. Mas não podemos esquecer que, no Rio, houve uma briga entre a máquina estadual e a federal. O movimento Aezão não deu a vitória ao Aécio, mas ajudou muito que o PT não repetisse o desempenho dos pleitos anteriores.?

 A eleição de 2014 deu sinais de que o PT enfrenta agora uma situação muito diversa daquela de 2002 quando chegou ao poder.

Borba: Como eu disse, a tendência dos votos no segundo turno indica o favoritismo do PSDB para 2018. A boca do jacaré está fechando. A diferença que foi de mais de 20 pontos percentuais em 2002 cai para 3 pontos percentuais agora. Agora dependeremos da conjuntura de 2018 para ter certeza do quadro. Alckmin, possível candidato do PSDB, tem quatro anos como governador e a crise de falta d´água para enfrentar. Se fracassar nessa tarefa, sairá enfraquecido. Também é importante saber se o Lula volta ou não. Uma liderança carismática é capaz de alterar tendências desfavoráveis.

Aécio recebe título de Cidadão de Salvador

Aécio Neves destacou em seu discurso a contribuição dos baianos na construção da identidade brasileira.

Aécio Neves: cidadania soteropolitana

Aécio Neves ressalta história da Bahia ao receber título de cidadão de Salvador

presidente nacional do PSDBsenador Aécio Neves, recebeu, na noite desta segunda-feira (12/05), o título de Cidadão Soteropolitano na Câmara de Vereadores de Salvador. Em uma noite marcada pela emoção e reverência à sua trajetória política, o tucano foi recebido pelo prefeito ACM Neto e por lideranças locais e destacou em seu discurso a contribuição dos baianos na construção da identidade brasileira.

“Aqui se forjou inicialmente – e definitivamente – a formidável mistura de povos e culturas que dá lastro à brasilidade, com uma incomparável contribuição dos negros africanos vindos do Golfo do Benim e do Sudão, imortalizados em obras grandiosas como o “Navio Negreiro”, de Castro Alves”, afirmou Aécio Neves no início de seu discurso.

A iniciativa de conceder a honraria a Aécio Neves foi da Mesa Diretora da Câmara, que destacou a atuação do então governador de Minas para a revitalização da bacia do Rio das Velhas, maior afluente do Rio São Francisco. Também foi lembrada a atuação de Aécio como parlamentar que contribuiu para a aprovação de propostas que beneficiam os baianos.

A homenagem na Câmara de Vereadores de Salvador foi o último compromisso do dia do tucano na Bahia nesta segunda-feira. A agenda começou em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, com um encontro com lideranças regionais e da comunidade local. À tarde, Aécio falou com uma rádio local e deu entrevista coletiva para imprensa.

Capoeiristas e baianas

Na chegada ao Paço Municipal, Aécio foi recebido por um grupo de capoeira e pelas tradicionais baianas. A sessão em homenagem ao presidente nacional do PSDB foi marcada por momentos de emoção, protagonizados pelo Coral da Câmara de Vereadores, regido pelo maestro Carlos Veiga Filho. Ao som de “Tocando em frente”, a canção preferida do senador, e “Coração de Estudante”, que marcou a campanha das Diretas Já e o luto nacional pela morte do avô, o ex-presidente Tancredo NevesAécio disse que a homenagem serve de inspiração para os desafios que ele terá pela frente.

“Estou honrado em receber a cidadania soteropolitana, gesto de grande generosidade do povo de Salvador e dos muitos companheiros de jornada que tive o privilégio de fazer aqui, no curso dos anos. Incorporo-a, neste momento, às razões do meu afeto, como uma preciosa manifestação de apreço e amizade, que anima meu espírito e redobra meu ânimo para enfrentar os deveres e grandes desafios que me esperam”, afirmou Aécio Neves.
 
Líderes baianos

A sessão solene na Câmara de Vereadores foi acompanhada por líderes comunitários e diversas autoridades, entre elas o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), os deputados federais do PSDB, Antônio Imbassahy e Jutahy Jr, e o ex-governador da Bahia, Paulo Souto, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o presidente da Casa, vereador Paulo Câmara, e o vereador Leo Prates (DEM).

O prefeito ACM Neto diz que é um orgulho para Salvador ter Aécio Neves como Cidadão Soteropolitano. Neto fez questão de ressaltar que o tucano foi sua inspiração no início de sua trajetória política.

Aécio Neves é um mineiro do Brasil. Tratei com eles várias vezes questões da Bahia e do Nordeste. Ele sempre se preocupou que o país pudesse se desenvolver de forma mais igual. Um país que pudesse sonhar. Foi isso que ele fez em Minas. Essa homenagem é por tudo que Aécio fez pela Bahia e pela Brasil e pelo que ele vai fazer pelo futuro do país”, ressaltou.

Aécio: aliança com DEM e PMDB na Bahia faz adversários tremerem

Aliança com DEM e PMDB reforça a oposição no maior colégio eleitoral do NE. “Essa aliança faz os adversários tremerem”, comentou Aécio.

Aécio quer mostra para o Brasil projeto alternativo de gestão

Fonte: Jogo do Poder

Aliança com DEM e PMDB na Bahia faz adversários tremerem, afirma Aécio Neves

O presidente nacional do PSDBsenador Aécio Neves (MG), afirmou nesta segunda-feira (12/05) que a aliança com o DEM e o PMDB na Bahia, o maior colégio eleitoral do Nordeste, está tirando o sono dos adversários.

“Essa é a mais bem sucedida união feita até agora para as eleições deste ano. Essa aliança faz os adversários tremerem”, disse o tucano durante discurso para lideranças regionais em Feira de Santana, interior do estado.

A aliança de oposição na Bahia lançou como pré-candidato a governador o ex-governador Paulo Souto (DEM), a vice-governador o empresário Joaci Góes (PSDB), e ao Senado o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).

O presidente nacional do PSDB ressaltou que a oposição vai apresentar ao país e aos baianos, durante a campanha eleitoral, um projeto alternativo de gestão, com ênfase na ética e na eficiência na aplicação dos recursos públicos. “É nossa obrigação apresentar um novo modelo de desenvolvimento”, afirmou Aécio Neves.

Esse novo projeto, na avaliação do pré-candidato ao governo estadual, Paulo Souto, passa por serviços públicos de qualidade para a população baiana, principalmente na área de segurança pública. Souto lembrou que o número de homicídios em Feira de Santana é alarmante.

Paulo Souto destacou a liderança do presidente nacional do PSDB na construção da aliança com o DEM e o PMDB. “Aécio tem credenciais. Ele já foi capaz de fazer em Minas e tem condições de realizar muito mais pelo destino do país. É hora da Bahia e do Brasil encontrarem um novo caminho”, ressaltou Paulo Souto.

Governo da propaganda

Para Geddel Vieira Lima, pré-candidato ao Senado, o governo petista na Bahia segue a linha da administração federal ao vender na propaganda um estado que não existe. “A propaganda do PT mostra na TV obras de ficção científica, mas na realidade a população sofre com a falta de saúde e está implorando por segurança pública”, criticouGeddel.

O pré-candidato ao Senado pela Bahia também destacou a aliança com o PSDB e o DEM e disse que a população baiana, assim como a do restante do país, anseia por mudanças. “Essa aliança tem cheiro de vitória. É hora de por em prática um princípio básico da democracia, que é a alternância de poder para fazer um país mais justo, mais sério, com menos fisiologismo”, defendeu.

O evento em Feira de Santana foi o primeiro compromisso de Aécio na Bahia nesta segunda-feira (12). Hoje à noite, o senador será homenageado com o título de Cidadão de Salvador na Câmara Municipal. “Estou extremamente feliz de iniciar essa caminhada por Feira de Santana. Por aqui passam brasileiros de todas as partes do país”, disseAécio em agradecimento ao público presente.

Aécio sela alianças com DEM e PMDB na Bahia

União das três legendas terá Paulo Souto concorrendo ao governo da BA, Joacir Goés candidato a vice, e Geddel Vieira concorrendo ao Senado.

Eleições 2014

Fonte: Estado de Minas

Aécio fecha primeira aliança com o PMDB

Partido da base da presidente Dilma estará com PSDB e DEM na disputa pelo governo da Bahia. Candidato tucano deixa claro que investidas sobre aliados do governo vão continuar

De olho em partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) para sangrar o apoio da adversária e fortalecer seus palanques nos estados, o senador Aécio Neves (PSDB) comemorou ontem a aliança fechada pela oposição com o PMDB na Bahia. A chapa, que terá o DEM na cabeça, o PSDB de vice e um nome peemedebista para o Senado, foi apresentada em Salvador, onde o tucano disse que, se depender dele, o acordo será apenas o primeiro desta natureza. “Espero, sim, a partir do que se construiu na Bahia, que possamos ter parceiros do PMDB em outros estados da Federação ao nosso lado”, afirmou.

Articulada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), a união das três legendas terá Paulo Souto (DEM) concorrendo ao governo da Bahia, Joacir Goés (PSDB) como candidato a vice, e o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira, do PMDB, concorrendo ao SenadoAécio classificou a aliança de a “mais bem sucedida construção política que aconteceu até agora no Brasil para as eleições de 2014”. Além de ser uma chapa competitiva, o senador disse que o acerto trará um apoio importante para os tucanos no plano nacional.

O pré-candidato do PSDB deixou claro que as investidas no PMDB e em outros partidos aliados de Dilma serão constantes. Aécio conta com os desentendimentos dentro da base aliada ao governo federal para tentar atrair o apoio. “Hoje há setores não apenas do PMDB, mas de outros partidos da base governista, insatisfeitos com isso que está aí. As pessoas já estão percebendo que essa aliança só serve aos interesses do PT, não serve aos interesses do Brasil”, disse.

Em Minas Gerais, os tucanos também tentam conseguir o apoio do PMDB para a candidatura do ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga (PSDB) ao governo. O presidente da legenda, deputado federal Marcus Pestana, já teve um primeiro encontro oficial com o partido, que está rachado em três. Parte do PMDB mineiro quer candidatura própria e o restante se divide entre apoiar o PT e o PSDB.

 Renan se curva aos interesses do Planalto, critica AécioAécio ainda espera estreitar relações com o PP, partido que também integra a base de Dilma, especialmente depois que o ex-governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) deixou o cargo, deixando a vaga livre para Alberto Pinto Coelho (PP) assumir a titularidade. “Temos alianças muito avançadas com eles (do PP) no Rio Grande do Sul. Temos parcerias com o PDT, por exemplo, no Mato Grosso. Independentemente de uma aliança nacional, em muitos estados vai haver alianças do PSDB e da nossa candidatura com partidos que hoje estão na base (de Dilma)”, prevê.

Liminar

O senador tucano afirmou que vai hoje ao Supremo Tribunal Federal em busca de uma liminar que permita a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras. Segundo o tucano, a oposição não vê problemas em uma devassa ampla, que investigue inclusive contratos dos adversários da petista. Para Aécio, a presença da presidente daPetrobrasGraça Foster, no Senado, hoje, será mais uma oportunidade para o governo dar explicações. “A CPI não tem o poder de, a priori, antecipadamente, julgar e condenar quem quer que seja. Ela é um instrumento importante para fazer as investigações”, afirmou.

Mais uma vez, Aécio criticou o uso da máquina pelo governo federal que, segundo ele, faz hoje praticamente um monólogo. “Esperamos o início do contraditório, do tempo do debate, da discussão”, afirmou. O tucano voltou a dizer que o governo Dilma fracassou na economia, nos projetos de infraestrutura e nos indicadores sociais.

Alianças 2014: Aécio antecipa com DEM e PMDB na Bahia

Senador tucano marcou para final de maio a definição dos nomes que comporão chapa que disputará em outubro a Presidência da República.

Alianças 2014

Fonte: Jogo do Poder 

Aécio reúne tucanos em São Paulo e antecipa aliança com DEM e PMDB na Bahia

“Os palanques estão se solidificando. É hora de avançarmos”, diz presidente do PSDB

presidente nacional do PSDBsenador Aécio Neves, reuniu-se, nesta quinta-feira (10/04), com a bancada tucana em São Paulo. No encontro, o senador destacou a importância de São Paulo na construção do projeto nacional do partido nas próximas eleições e anunciou a aliança firmada entre o PSDBDEM e o PMDB nas eleições estaduais na Bahia.Aécio Neves disse que trabalha pela união de forças políticas em todo país.

“Acabamos de fechar uma chapa extremamente forte na Bahia, o quarto colégio eleitoral da Bahia que terá como candidato a governador, o ex-governador Paulo Souto e, como candidato ao Senado, o companheiro ex-deputado Geddel Vieira Lima. Uma aliança do PSDB, do Democratas e do PMDB, que é uma demonstração de que também teremos apoio de siglas dissidentes do governo, que hoje apoiam o governo da presidente Dilma, mas que, em determinados estados, teremos apoio de segmentos dissidentes. Os palanques estão se solidificando. É hora de avançar”, disse Aécio Neves em entrevista.

O senador tucano marcou para o final de maio a definição sobre os nomes que comporão a chapa que disputará em outubro a Presidência da República. “Este é o mês das definições. A partir do final de maio, a chapa será apresentada”, afirmou.

Aécio Neves almoçou com os parlamentares tucanos em São Paulo (SP). Participaram do encontro o presidente do PSDB de São Paulo, deputado federal Duarte Nogueira, o secretário-geral do partido, Mendes Thame (SP), o vice-presidente do PSDB nacional, Alberto Goldman, os deputados estaduais João Caramez, Orlando Morando, Pedro Tobias, Carlos Bezerra Jr., Ramalho da Construção, Fernando Capez, Hélio Nishimoto, Barros Munhoz, Bruno Covas, Orlando Morando e Rubens Cury, subsecretário de relacionamento com municípios da Casa Civil de SP.

CPI da Petrobras
Aécio Neves reiterou as críticas à condução da discussão sobre a instauração da CPI da Petrobras no Senado. Segundo ele, a iniciativa do presidente do SenadoRenan Calheiros (PMDB-RN) de encaminhar o debate para a Comissão de Constituição e Justiça foi equivocada.

“Essa decisão do Renan é equivocada, é uma nódoa que ele deixa na sua história pessoal e na história do Senado Federal. E não se investigará mais nada. E isso é extremamente grave”, afirmou o ex-governador de Minas.

Aécio Neves lembrou que há um mandado de segurança impetrado pela oposição no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a abertura da CPI da Petrobras. O senador disse ter certeza de que, uma vez instalada a CPI da Petrobras, o governo tentará manobrar para impedir as apurações.

“Neste momento todas as nossas fichas estão nas mãos do Supremo. Existem denúncias muito graves em relação à Petrobras. A população quer saber o que aconteceu lá, e eu acho que nós, da oposição, estamos fazendo o que devemos fazer”, afirmou o senador.

Descontrole

Para Aécio Neves, o governo federal vive um momento de descontrole. “O temor do governo, e temos hoje um governo à beira de um ataque de nervos, está fragilizando o Congresso de forma definitiva. É contra isso que estamos nos levantando. Usar uma ‘CPI Combo’ para impedir a investigação da Petrobras é um ato de desrespeito à sociedade brasileira e de um autoritarismo que me lembra os tempos de AI-5”, afirmou.

eleições 2014: Aécio fortalece palanques no Nordeste

Eleições 2014: senador Aécio Neves (MG) está negociando a construção de palanques na região. Bahia deve ter palanque forte.

Eleições 2014

Fonte: O Globo 

Em desvantagem, Aécio fortalece palanque no Nordeste para 2014

Tucano deve priorizar alianças em seis estados, apesar de força de Dilma e Campos na região

Mesmo com o favoritismo do PT e da dupla Lula-Dilma Rousseff no Nordeste, e de contar agora com um adversário nordestino, o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), o PSDB do senador Aécio Neves (MG) está negociando a construção de palanques fortes na região para amenizar o carimbo de partido do Sul e Sudeste. Aécio ainda é pouco conhecido entre os nordestinos, mas seus articuladores sustentam que, no momento, ele tem palanques mais competitivos que Eduardo Campos.

Os tucanos sabem que em Pernambuco não tem como competir com Dilma e Eduardo, por isso tratam com prioridade as coligações na Bahia, Ceará, Sergipe, Piauí, Paraíba e Alagoas. Mas costuram também palanques nos demais estados do Nordeste. Os grandes problemas, por enquanto, são Maranhão e Rio Grande do Norte, onde o aliado DEM não sabe o que fazer com a reeleição da governadora Rosalba Ciarlini, que tem uma administração má avaliada e já andou muito próxima da presidente Dilma Rousseff.

— Aqui em Minas, um em cada dois votos dos eleitores inscritos será de Aécio. Faremos uma frente de 4 milhões de votos. Nenhum candidato, em nenhum estado, terá essa frente. A frente de Eduardo em Pernambuco será de 1,5 milhão de votos — avalia o ex-ministro Pimenta da Veiga, pré-candidato do PSDB ao governo de Minas e um dos coordenadores da campanha de Aécio. — Dilma pode ter boa votação em seis estados, mas sabe que nos maiores colégios eleitorais não terá. Em Minas e Pernambuco, ela não terá. No Rio, a aliança dela virou pó. Tradicionalmente, ganhamos no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Agora vamos reforçar o Nordeste.

Na Bahia, os tucanos contam com a reedição da ampla aliança que elegeu o democrata ACM Neto para a prefeitura de Salvador: o PMDB de Geddel Vieira LimaPSDBDEM e outras pequenas legendas. Geddel, que também quer ser candidato a governador, vê como positivo o cenário para Aécio no estado. O PSB deve lançar a senadora Lídice da Mata para dar palanque a Campos, e o prefeito ACM Neto, nome forte no estado, está fechado com Aécio.

— O caminho natural é repetirmos aqui a aliança da eleição de prefeito, com o PMDBPSDB e DEM. O PT está muito mal, muito rachado. O PT nacional nunca me procurou. Isso deve se definir dentro de uns 15 a 20 dias — prevê Geddel Vieira Lima.

No Ceará, o PMDB está em pé de guerra com o PT e mira no PSDB

No Ceará, onde o PMDB está em pé de guerra com o PT do líder José Guimarães e com os irmãos Cid e Ciro Gomes, o comando do PSDB não descarta uma aliança com o senador peemedebista Eunício Guimarães. Ele e o ex-senador Tasso Jereissatti são os nomes mais fortes para o governo e o Senado, segundo as pesquisas. Tasso não quer disputar o governo, mas já admite o Senado, podendo compor uma chapa com Eunício — neste caso, não daria palanque para Dilma.

— Tasso é o nome melhor avaliado para o que quiser. Ele não emergiu do nada. É um chefe político com liderança consolidada. Quando ele bater a mão na cumbuca, une a turma — diz o ex-deputado e membro do Diretório Nacional do PSDB, João Almeida (BA).

Na Paraíba, o vice-presidente do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, pode sair candidato ao governo apenas para dar palanque a Aécio. Ele tem oito anos de mandato no Senado e não teria nada a perder. No Piauí, Aécio conta com um nome forte ao governo, do ex-prefeito de Teresina Sílvio Mendes, que lidera as pesquisas de intenção de votos para o governo.

Em Sergipe, o nome forte é do prefeito de Aracaju, João Alves (DEM). Em Alagoas, não existe ainda um candidato, mas a expectativa do PSDB é que qualquer nome lançado pelo governador tucano Teotônio Vilela dará um palanque competitivo para Aécio. Os grandes problemas de Aécio no Nordeste são o Rio Grande do Norte e Maranhão.

— Esses estados não são definidores de eleição. O que a tradição mostra é que nenhum candidato a presidente se elege se não vencer em Minas Gerais — diz Pimenta da Veiga.

Médico cobra R$ 1,2 mil para fazer parto no SUS

SUS: médico em Itabuna, Bahia, foi denunciado, mas não foi demitido. Houve apenas uma advertência.

Caos no SUS

SUS: médico cobra R$ 1,2 mil para parto de emergência

SUS: José Leopoldo dos Anjos, diretor da Maternidade Ester Gomes, alegou que médico não pode ser afastado por não haver mais obstetras.

Fonte: O Globo 

Médico cobrou R$ 1,2 mil para fazer parto de emergência no SUS

Após denúncia, ele foi obrigado a devolver o dinheiro, mas não foi demitido

Diretor da unidade justificou a permanência do profissional informando que não há outros especialistas no hospital

A adolescente Joelma Sousa Rocha, de 16 anos, teve de pagar R$ 1,2 mil para conseguir realizar seu parto de emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Itabuna, na Bahia. Quando a cobrança ilegal foi denunciada, o médico Luís Lei foi obrigado a devolver o dinheiro, mas não foi demitido da Maternidade Ester Gomes, pois, segundo diretor da unidade, não há mais obstetras no hospital. No entanto, haveria 12 profissionais com especialidade na área trabalhando no local.

Joelma contou que chegou à instituição apresentando sangramento e fortes dores. Uma médica de plantão teria se recusado a fazer o parto porque, segundo ela, o que Joelma estava sentindo era normal em sua condição.

— Disseram que ainda não estava no momento, o menino ainda não estava encaixado. Aí, eu tive que aguardar, só que eu não estava sentindo muita contração — relatou Joelma, em entrevista ao G1.

Comovido com o sofrimento da esposa, Luiz Henrique do Espírito do Santo procurou outro obstetra para conversar. O médico em questão aceitou fazer a cirurgia se recebesse R$ 1,2 mil. O marido da adolescente, para providenciar o pagamento, teve de pedir dinheiro emprestado. Só assim Joelma, finalmente, foi internada pelo SUS e ficou em uma enfermaria.

— Ele falou que, por dois salários, fazia (o parto). Eu falei: “pode fazer”. A moça falou: “para poder fazer esse parto, só com a presença do dinheiro mostrando”. Aí, eu falei: “mas o dinheiro está em Ilhéus”. Ela falou: “você tem duas horas de relógio. 7h30 fecha, e o médico vai embora”. Então, eu liguei para o meu pai desesperado. Foi aí que ele trouxe o dinheiro e eles fizeram o parto — contou Luiz Henrique.

O parto aconteceu na última segunda-feira. Um dia após Joelma dar à luz, seu companheiro denunciou o médico, que trabalha na maternidade há 20 anos. A direção da unidade apurou o caso e determinou que o médico devolvesse o dinheiro.

— Quero deixar bem claro que a maternidade não participou dessa negociação. O médico sofrerá uma advertência por escrito para dizer que esse tipo de procedimento não é para ocorrer dentro da nossa instituição. Agora, eu não posso tirar o médico do plantão, na realidade, nós não temos mais obstetras — alegou o diretor do hospital, José Leopoldo dos Anjos.

médico denunciado confirmou a cobrança, mas não quis dar entrevista. A mãe e o filho já receberam alta e passam bem.

Nordeste tem maior alta na expectativa de vida

Nordeste: em 30 anos, região foi a que registrou o maior crescimento na taxa de expectativa, com aumento de 12,95 anos.

Nordeste: expectativa de vida

Fonte: G1

Em 30 anos, NE é região com maior alta na expectativa de vida, diz IBGE

Pesquisa de Tábuas de Mortalidade foi divulgada nesta sexta-feira (2).

Santa Catarina é estado com maior expectativa; o Maranhão tem a menor.

região Nordeste foi a que registrou o maior crescimento na taxa de expectativa de vida em 30 anos, com aumento de 12,95 anos. É o que mostram números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (2).

Em todas as regiões e estados do país, o IBGE constatou acréscimos na esperança de vida ao nascer. No Brasil, em 2010, a esperança de vida ao nascer no país era de 73 anos, 9 meses e 3 dias, revelando um acréscimo de 11 anos, 2 meses e 27 dias em comparação com 1980, quando o índice era de 62,52 anos.

De acordo com o levantamento, moradores da Região Sul registraram a maior taxa de expectativa de vida, podendo viver até 75,84 anos. Em seguida, vem o Sudeste, com 75,40 anos; na terceira posição está o Centro-Oeste, com 73,64 anos; o Nordeste ficou em quarto, com 71,20 anos e, na última posição, está o Norte, com 70,76 anos.

As informações fazem parte das Tábuas de Mortalidade, que usam dados do Censo de 2010, de estatísticas de óbitos provenientes do Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde referentes a 2010. As tábuas, que são divulgadas todos os anos, foram recalculadas a partir de um recorte regional. Os dados de 2010 por estado foram divulgados pela primeira vez pelo instituto.

Estados
Santa Catarina foi o estado que apresentou a maior expectativa de vida tanto para mulheres quanto para homens. Enquanto elas alcançam 79,90 anos, eles podem chegar até 73,73 anos – a média de idade do estado é de 76,80 anos.

Na contramão está o Maranhão, com o menor índice de esperança de vida ao nascer, com 68,69 anos. As mulheres de Roraima são as que vivem menos, segundo o IBGE, com expectativa de vida de 72,81 anos. Já Alagoas é o estado onde os homens vivem menos, com expectativa de vida de 64,60 anos.

O estado que mais elevou sua expectativa de vida entre 1980 e 2010 foi o Rio Grande do Norte (média de 15,85 anos). A esperança de vida aumentou 14,65 anos para homens e 17,03 anos para as mulheres na unidade federativa.

Segundo o estudo, ao longo de três décadas a expectativa de vida no país aumentou, anualmente, cerca de 4 meses e 15 dias. As mulheres brasileiras alcançam idades mais avançadas que as dos homens. Enquanto elas vivem em média 77,38 anos, eles podem atingir 73,76 anos – uma diferença de 7,17 anos. Em 1980, essa diferença era de 6,07 anos, segundo o instituto.

Sobremortalidade masculina
O levantamento chama a atenção para a sobremortalidade masculina, resultado da maior exposição dos homens aos óbitos por causas externas, como homicídios ou acidentes de trânsito.

Segundo o IBGE, em 2010, a mortalidade masculina atingiu principalmente jovens do grupo de idade entre 20 e 24 anos. Houve um acréscimo de 115,6% na comparação com 1980, uma probabilidade que passou de 2 para 4,4 vezes nos últimos 30 anos. Ou seja, a chance de um homem de 20 anos não atingir os 25 anos em 2010 era 4,4 vezes maior do que a mesma probabilidade para a população feminina.

Todos os estados do Brasil tiveram alta na mortalidade masculina, no grupo de idade entre 20 e 24 anos, segundo o IBGE. O Nordeste registrou o maior índice, seguido do Sul do país.

O estado de Alagoas foi o que apresentou a maior taxa de mortalidade, aumento de 348,3% nas últimas três décadas. Bahia vem em seguida, com alta de 240% no período. O Acre foi o estado que deteve a menor alta, com acréscimo de 35% nas mortes.

Em 30 anos, NE é região com maior alta na expectativa de vida, diz IBGE

Bahia: Ferrovia de Integração Oeste-Leste ainda é só promessa

Bahia: até hoje nenhum trilho da Fiol foi instalado. Inauguração da ferrovia baiana foi prometida para o dia 30 de julho de 2013.

Fonte: Valor Econômico

Ferrovia baiana ainda espera pelos trilhos

Bahia: depois de ter obras contratadas há mais de três anos, a Fiol ainda está distante do dia em que os trens finalmente poderão rodar em seu traçado.

Ferrovia baiana ainda espera pelos trilhos

Hoje é dia de festa na Bahia. O governo finalmente cortou a fita de inauguração da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a nova estrada de ferro que transformará a Bahia no novo corredor ferroviário de exportação do Brasil. Milhares de pessoas acompanharam a cerimônia em Ilhéus, município onde acaba o traçado de 1.022 quilômetros. Ao som de “O Trenzinho Caipira”, composição de Heitor Villa Lobos, a presidente Dilma Rousseff fez um curto passeio sobre os trilhos. O povo aplaudiu o discurso e a conclusão da obra.

Com mais ou menos floreios, esse deveria ter sido o capítulo escrito ontem, caso tivesse se cumprido a promessa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cravou no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2010, quando garantiu que a Fiol estaria pronta em 30 de julho de 2013. Ontem, não houve nenhuma festa em Ilhéus. Não há muito o que comemorar.

Depois de ter suas obras contratadas há mais de três anos, a Fiol ainda está distante do dia em que os trens finalmente poderão rodar em seu traçado. Até hoje, nenhum metro de trilho foi instalado. Para entender como o empreendimento chegou a essa situação, a reportagem do Valor percorreu cada lote do traçado da Fiol e cruzou, por estradas, mais de 40 municípios da região.

A viagem começou no oeste da Bahia, nas cidades de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, e avançou para a região central do Estado, até chegar ao município de Caetité. Do Cerrado para o sertão baiano, a equipe seguiu rumo leste e atingiu a Mata Atlântica, para finalmente alcançar Ilhéus, ponto final da ferrovia, onde está prevista a construção de um novo porto para receber a carga da Fiol.

Nos primeiros 500 quilômetros do traçado, que ligam Barreiras a Caetité, a ferrovia praticamente não existe. Essa etapa da obra inclui a construção de uma ponte de três quilômetros sobre o rio São Francisco. Deverá ser a maior ponte ferroviária do Brasil, mas hoje não passa de um local de acesso para o gado beber água. Alojamentos de trabalhadores que foram erguidos estão fechados há quase dois anos, sem nunca terem sido utilizados.

Na região de Guanambi, uma fábrica de dormentes foi montada em 2011, com equipamentos novos, importados da Itália. Essa linha de produção, avaliada em alguns milhões de dólares, nunca forjou um dormente sequer até hoje. No canteiro de obras, uma britadeira de grande porte foi instalada para triturar a pedra que seria usada para forrar o traçado da ferrovia. O equipamento está parado há dois anos. O vigia que toma conta do local diz que um funcionário da empreiteira vai até o canteiro de obra uma vez por semana, dá uma manutenção básica no maquinário e vai embora.

A Fiol, orçada em R$ 4,3 bilhões, é uma obra federal coordenada pela estatal Valec. Todos os lotes do primeiro trecho da ferrovia têm empreiteiras contratadas desde 2010. A execução das obras, no entanto, nunca aconteceu, porque a empreendimento mergulhou num poço de complicações sem fim. A Fiol cometeu erro que tem punido com rigor a maior parte dos empreendimentos de infraestrutura do país: se baseou em estudos ambientais capengas e projetos de engenharia que não paravam de pé, uma receita infalível para transformar a ferrovia em estudo de caso dentro do Tribunal de Contas da União (TCU). Bastaram algumas auditorias para o tribunal alertar que quase tudo estava errado. O resultado é que, desde 2011, uma medida cautelar do órgão de fiscalização impede o avanço de frente de obras ao longo de todo o trecho oeste da ferrovia.

A situação não é tão animadora do lado leste, entre Caetité e Ilhéus. Depois de quase dois anos de paralisação, a Valec finalmente conseguiu destravar as obras nessa segunda etapa de 500 quilômetros, dividida em quatro lotes. As empreiteiras foram mobilizadas e, desde janeiro, estão retomando as operações nos canteiros de obras. O avanço físico desse traçado, porém, só conseguiu atingir 21,5 % do total previsto até agora. Esse número é puxado, principalmente, pelas ações de pavimentação e de liberação do traçado, já que ainda não há trilhos disponíveis para instalação na ferrovia.

Com o avanço do trecho, descobrem-se novos problemas. Nos 118 quilômetros de extensão do lote 2, na região de Jequié, 90% do traçado está sendo aberto em pedra bruta, nas encostas das montanhas da região. Todos os dias, caminhões chegam ao local lotados de dinamite, material que é usado para explodir as pedras encontradas pelo caminho. Para evitar complicações com desapropriação neste lote, decidiu-se recentemente que o melhor a ser feito é construir um novo túnel de 700 metros de extensão. A obra acabou de ser contratada.

No lote 1, que liga a ferrovia a Ilhéus, a situação está mais complicada. Os estudos contratados pela Valec não entregaram todas as sondagens de solo que deveriam, uma brecha para que empreiteiras apresentem mais pedidos de aditivos, caso encontre dificuldades que não estavam previstas. O TCU detectou o problema e pediu que a Valec realizasse 340 sondagens complementares para atestar exatamente que tipo de solo encontrará pela frente. A Valec só conseguiu realizar, até agora, 40 dessas sondagens do trecho, segundo informações locais.

As desapropriações também têm causado transtornos graves. A maior parte dos imóveis dessa segunda metade da Fiol já foi desapropriada, com 87% do traçado entre Caetité e Ilhéus liberado para o avanço das obras. Na primeira metade de 500 quilômetros, porém, as desapropriações caminham lentas, com apenas 43% de trajeto livre. O dia a dia encarado pelos profissionais que vão a campo para notificar as desapropriações, ou mesmo para fazer as sondagens de solo, dão uma ideia das dificuldades em tocar a obra.

Profissionais que atuam em diversos lotes da ferrovia relataram que têm recebido ameaças de morte por donos de terras e posseiros, que impedem o acesso às terras. “Essa é a realidade que nós vivemos aqui e que não aparece nos papéis do governo”, diz um técnico responsável por um dos lotes da ferrovia.

O governo revigorou seu cronograma para a Fiol. A nova promessa é entregar o traçado inicial, entre Barreiras e Caetité, até o fim de 2015. A segunda etapa, que chega até Ilhéus, ficaria pronta antes, em dezembro do ano que vem. Para os engenheiros que estão à frente das obras, e até mesmo para o governo baiano, o novo cronograma é apenas um instrumento de pressão para que as empreiteiras avancem. “Sabemos das dificuldades. A promessa de entregar o trecho de Ilhéus até o fim de 2014 está muito apertada. Do jeito que a obra está, só sai mesmo em meados de 2015″, diz Eracy Lafuente, coordenador de acompanhamento de políticas de infraestrutura do governo da Bahia.

Em Brasília, a hipótese de um novo adiamento virou assunto proibido. O governo quer ter ao menos um trecho pronto da Fiol até o fim de 2014, custe o que custar. Incomoda o fato de que, desde que chegou ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma não conseguiu inaugurar nenhum trecho de ferrovia. Garantir a entrega de pelo menos metade do trecho seria uma forma de fazer a festa que estava prevista para ontem.

Nordeste reúne as cidades mais violentas para os jovens

Violência: a cidade mais perigosa para os jovens é Simões Filho, na Bahia. A segunda é Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió.

Violência: nordeste

Nordeste concentra as cidades mais violentas para os jovens

Fonte: O Globo

Nordeste concentra as cidades mais violentas para os jovens

A violência, que antes se concentrava nas capitais e regiões metropolitanas, migrou para o interior e para estados que até dez anos atrás registravam taxas de homicídio mais baixas. Mas a principal vítima continua a mesma: o homem jovem, de cor preta ou parda. Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2013Homicídios e Juventude no Brasil, do sociólogo Julio Jacobo.

O Nordeste, em especial Alagoas e Bahia, concentra as cidades mais violentas para os jovens brasileiros. Foram excluídas do levantamento cidades com menos de 10 mil jovens, para evitar distorção dos dados. A cidade mais perigosa para os jovens é Simões Filho, na Bahia, com taxa de 378,9 assassinatos para cada grupo de 100 mil.

Em segundo lugar, está Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió, com 324,1 assassinatos por 100 mil jovens. Em seguida está a própria capital alagoana, Maceió (288,1). Alagoas é, inclusive, o estado mais violento, com 156,4 homicídios para cada 100 mil jovens.

Fora do Nordeste, destacam-se negativamente Pará, Goiás e Paraná. Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, é a quarta cidade com maior taxa de homicídio entre os jovens: 286 por 100 mil. Em Goiás, a região mais perigosa é o Entorno de Brasília. São Paulo é o estado menos violento para os jovens.

No Rio, há quatro cidades entre as cem piores: Duque de Caxias (135,2 assassinatos por 100 mil jovens), Macaé (119,1), Cabo Frio (115,1) e Nova Iguaçu (94,2). Em todo o Estado do Rio, foram 58 jovens assassinados em 2011 por 100 mil.

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PARA OMS, TAXA É DE EPIDEMIA

Em 2011, em todo o Brasil, houve 27,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, número que pouco mudou em relação a 2010, quando a taxa foi de 27,5. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa é quase o dobro. Em 2011, de cada 100 mil jovens, 53,4 foram assassinados, um pouco abaixo dos 54,7 do ano anterior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera epidemia quando a taxa fica acima de dez casos por 100 mil pessoas.

Jacobo explicou que estados mais violentos há dez anos, como São Paulo, Rio e Pernambuco, tiveram mais investimentos em segurança. Outras regiões, onde surgiram novos polos de crescimento econômico, viram a criminalidade crescer. Além de atraírem mais pessoas, não se prepararam para o crescimento econômico e populacional dos últimos anos.

Entre as capitais, todas têm taxa acima da considerada epidêmica. Mesmo em São Paulo, onde os números são os mais baixos do país, houve 20,1 homicídios para cada 100 mil jovens em 2011. O Rio é a quinta capital menos violenta para os jovens: 41,4 assassinatos por 100 mil.

O estudo aponta também que o número de homicídios entre os jovens brancos caiu de 6.596 em 2002 para 3.973 em 2011. Entre os pretos e pardos, subiu de 11.321 para 13.405 no mesmo período. Segundo Jacobo, na Guerra do Iraque, entre 2004 e 2007, a taxa de mortes foi de 64,9 por 100 mil habitantes: ou seja, comparável com a taxa de várias cidades e estados brasileiros.

Em 2011, no país, foram 23,2 mortes no trânsito para cada 100 mil pessoas. Quando considerados apenas os jovens, a taxa sobe para 27,7.

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Municípios do Nordeste registram mais de 300 assassinatos de jovens por cem mil habitantes

Simões Filho, na Bahia, e Rio Largo, em Maceió lideram os índices de mortes no Mapa da Violência 2013

Cidade mais perigosa para os jovens, com taxa de 378,9 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, o município de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, tem tem a quinta economia do Estado em função do Centro Industrial de Aratu e algumas empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari. A região metropolitana registra altos índices de crescimento nos últimos anos devido ao Pólo e ao complexo automobilístico implantado na área com a fábrica da Ford. Em seguida, no Mapa da Violência 2013, aparece Rio Largo, na região metropolitana de Maceió, com 324,1 assassinatos por 100 mil jovens. Números que se refletem no dia a dia e no clima de insegurança. Em apenas uma semana, dois bebês foram brutalmente mortos — um deles pela mãe.

Simões Filho tem 116 mil habitantes e está localizada às margens da rodovia BR-324, (Salvador/Feira de Santana), a estrada mais movimentada da Bahia. Tanto a Secretaria de Segurança Pública como a prefeitura do município explicam os altos índices de homicídios pelo fato da área de a cidade ser usada por bandidos como “ponto de desova” dos crimes de Salvador e municípios vizinhos. A prefeitura alega também que os levantamentos sobre homicídios, realizados pelo programa Mapa da Violência, seria falho por se basear nos dados registrados apenas pelo Ministério da Saúde que contabiliza os óbitos nos hospitais sem considerar a origem das vítimas. Por causa disso, diz a prefeitura, são atribuídos a Simões Filho todas as mortes de pessoas das cidades vizinhas encaminhadas para os hospitais do município.

No entanto, há casos de violência gratuita, no município, como o assassinato do motorista de táxi Pedro Augusto de Araújo, morto pelo policial militar Leandro Almeida da Silva por um motivo banal numa festa ocorrida no bairro CIA I em dezembro de 2011. Araújo foi morto após atingir por acidente com a porta do táxi a perna da namorada do policial. Desde a época do assassinato a família do motorista de táxi luta para a punição do acusado e tem realizado manifestações nas audiências do caso.

O delegado Rogério Pereira Ribeiro, que está substituindo o titular da delegacia de Simões Filho, Adaílton Adan, admite que “realmente há uma incidência (de assassinatos de jovens)”. Para Ribeiro, os homicídios de jovens estão ligados ao envolvimento com o tráfico de drogas, à falta de espaços de lazer e áreas de prática de esportes.

— Faltam atividades que preencham a ociosidade desses jovens. Isso poderia melhorar bastante — ressaltou.

O delegado acrescentou ainda como motivação o que chama de falhas na educação e exclusão social.

— A polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Falta infraestrutura. Não tem iluminação adequada nas ruas — disse o delegado.

Ainda segundo Ribeiro, está sendo feita uma convocação da sociedade civil organizada para participar de reuniões para debater segurança na cidade. No entanto, ainda não há data prevista para a primeira reunião.

— É difícil. As pessoas não querem se aproximar da polícia.

Para o combate, Ribeiro destacou ainda que o alvo tem que ser o tráfico de drogas.

— Assim diminuiremos o número de homicídios — ressalta Adan.

O delegado citou ainda o caso de um adolescente de 12 anos que foi assassinado na última segunda-feira no lugar do irmão de 11 anos que, segundo investigação policial, teria envolvimento com o tráfico de drogas.

— Foi uma quadrilha rival. Temos até o nome do autor. Fizemos buscas, mas ele conseguiu fugir — disse ele.

A polícia baiana justifica os altos índices de violência pelo guerra dos pequenos traficantes de drogas no Estado. Alega que em São Paulo, por exemplo, onde uma facção criminosa monopoliza o tráfico, a situação seria mais “estável” ao passo que como na Bahia não existiria a hegemonia de uma quadrilha, as disputas são constantes.

Apesar dos altos índices de violência no Estado, segunda Secretaria de Segurança Pública, ocorreu uma queda de 30,3% nos de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), em Salvador no primeiro quadrimestre de 2013 em relação ao mesmo período de 2012. A queda no número de homicídioslatrocínios e lesões corporais seguidas de morte na capital baiana chegou a 13,2%, com 537 crimes letais no primeiro quadrimestre de 2013 contra 619 no mesmo período de 2012.

Em Maceió, bebê foi sequestrado e morto

A pequena Karina Danielly Gouveia Lima, de 1 ano e seis meses, é mais uma a entrar na lista dos quase dois mil assassinatos em Alagoas só em 2013: ela foi morta pela própria mãe, de 17 anos, com requintes de crueldade.

— A jovem confessou tudo de forma fria, sem pestanejar ou derrubar nenhuma lágrima. Ela disse que o nascimento da menina mudou a sua vida e, desde então, haviam brigas constantes com o pai e o padrasto, o que teria motivado a prática do crime. Ela disse que a criança era um peso —contou o delegado Antônio Nunes.

Na semana passada, Felipe Vicente da Silva, de dois anos, também foi morto em Maceió. Ele foi sequestrado do colo da mãe, que passou a usar as redes sociais, procurou a Policia Federal e ameaçou até acampar na frente da residência oficial do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Dois dias depois, o bebê foi encontrado em um terreno baldio, enterrado em uma cova rasa. A polícia não sabe a quem atribuir o crime.

Em Rio Largo, há três anos registra-se caos administrativo. Parte da cidade foi destruída nas cheias de junho de 2010 — que destruíram 19 municípios alagoanos. Ano passado, o prefeito Toninho Lins e todos os vereadores foram presos, por corrupção. O prefeito despachava da prisão.

Lins foi reeleito. E desde o início do ano está afastado do cargo. Responde a mais de uma dezena de ações de improbidade administrativa. No lugar dele está a vice, Maria Elisa, que teve o diploma cassado por corrupção. Ela administra a cidade até que o caso seja decidido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE):

— Antes que Alagoas se tornasse essa referência, suas cidades tinham casos de violência. Rio Largo carregava esse estigma de violência. Há um perfil de grupo político que se espalha aqui que é antigo. Conserva os elementos arcaicos do mando. Este grupo não trabalha com parâmetro de democracia, desarticula órgãos colegiados, enfraquece tudo o que é popular ou coletivo — disse a cientista social Ana Cláudia Laurindo, que escreve sobre violência no Estado.

— A calamidade beneficia este grupo, traz recursos para o lugar. Enfraquece os adversários, que estão perdidos no caos. E se protegem da imunidade, que vai além da parlamentar. Ela é econômica, ideológica — completa Ana Cláudia.

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