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Doleiro da Lava Jato repassou dinheiro para pagar obra em prédio de Lula

GFD, empresa de Youssef, deu R$ 3,7 milhões à Planner, que pagou R$ 3,2 milhões à OAS durante a construção.

Alberto Youssef, repassou quase a mesma quantia para a construtora OAS durante a finalização das obras de um prédio no Guarujá onde o ex-presidente Lula tem apartamento.

Fonte: O Globo

Lava Jato: doleiro deu dinheiro para pagar obra de prédio onde Lula tem apartamento

O Edifício Solaris é emblemático. Lula é dono de um tríplex avaliado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. Vaccari é dono de um apartamento avaliado em R$ 750 mil no mesmo prédio. Divulgação 

Dinheiro liga doleiro da Lava Jato à obra de prédio de Lula

Um grupo empresarial que recebeu R$ 3,7 milhões da GFD, empresa usada para lavar dinheiro do doleiro Alberto Youssef, repassou quase a mesma quantia para a construtora OAS durante a finalização das obras de um prédio no Guarujá onde o ex-presidente Lula tem apartamento. Entre 2009 e 2013, a empresa de Youssef fez vários pagamentos para aPlanner, uma corretora de valores mobiliários. Em 2010, a Planner pagou à OAS R$ 3,2 milhões.

A suspeita do Ministério Público Federal é que parte do dinheiro de Youssef repassado à Planner possa ter sido usado para concluir a obra iniciada pela Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), que foi presidida pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Vaccari e Youssef estão presos na Operação Lava Jato.

O repasse da GFD para a Planner aparece entre os primeiros documentos analisados pela Polícia Federal depois da quebra de sigilo fiscal das empresas de Youssef. Já a negociação financeira entre a OAS e a Planner consta do processo que investiga irregularidades na Bancoop que tramita na 5ª Vara Criminal de São Paulo, segundo documentos obtidos pelo GLOBO em cartório de registro de imóveis do Guarujá.

A OAS afirmou na terça-feira que a Planner foi usada apenas para a emissão de debêntures (títulos da empresa). Carlos Arnaldo Borges de Souza, sócio da Planner, afirmou que o dinheiro da GFD refere-se à “compra e venda de ações”. Disse ainda que o repasse de R$ 3,2 milhões para a OAS foi resultado da compra de debêntures emitidas pela construtora, que deu o imóvel em hipoteca. Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado de Vaccari, não quis se manifestar por desconhecer a operação.

O Edifício Solaris é emblemático. Lula é dono de um tríplex avaliado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. Vaccari é dono de um apartamento avaliado em R$ 750 mil no mesmo prédio. Além dos dois, também é dona de imóvel no edifício Simone Godoy, mulher de Freud Godoy, que foi segurança do ex-presidente Lula.

O Instituto Lula voltou a negar nesta terça-feira que o ex-presidente possua apartamento no Edifício Solaris. Afirmou que a família de Lula é dona de uma cota no empreendimento, adquirida em nome de dona Marisa Letícia Lula da Silva em 2005 e quitada em 2010. A família não teria escolhido ainda se receberá de volta o dinheiro investido ou um dos apartamentos.

A Planner usou duas empresas do grupo. Enquanto a corretora recebeu de Youssef, a Planner Trustee repassou recursos para a OAS. A construtora havia assumido as obras do Edifício Solaris em 2010, depois que a Bancoop se tornou insolvente. Logo em seguida, a Planner repassou os R$ 3,2 milhões à OAS e recebeu o empreendimento como garantia da construtora.

O Ministério Público de São Paulo, que denunciou Vaccari em 2013, vai reabrir as investigações sobre o relacionamento da OAS com a Bancoop, e as provas serão compartilhadas com os procuradores da Operação Lava Jato. Os promotores querem saber o que levou a OAS a assumir obras de uma cooperativa habitacional insolvente.

Cerca de 3 mil cooperados ficaram sem seus imóveis quando a cooperativa quebrou. Além do Solaris, a empreiteira assumiu pelo menos oito empreendimentos da Bancoop, num total de 2.195 unidades habitacionais.

A Planner fez diversas operações financeiras com a Bancoop. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostra que o Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São Paulo, que também foi presidido por Vaccari, repassou R$ 18,1 milhões para a Bancoop e, no mesmo dia, a cooperativa transferiu o montante para a Planner. Foi ainda a Planner que administrou o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios da Bancoop, criado em 2004, que recebeu R$ 26,2 milhões dos fundos de pensão de estatais Petrus (Petrobras), Funcef (Caixa) e Previ (Banco do Brasil). A operação com os fundos deu prejuízo de R$ 12 milhões à cooperativa.

A Planner recebeu ainda pelo menos um depósito de uma das empresas de fachada usadas para desviar dinheiro da Petrobras, a Empreiteira Rigidez, no valor de R$ 59 mil.

O promotor José Carlos Blat, do MP de São Paulo, já havia descoberto que o dinheiro da Bancoop irrigou campanhas do PT. Para isso, o partido usou empresas de fachada, que prestaram falsos serviços à cooperativa. Vaccari é réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Em abril passado, ele foi preso na 12ª etapa da Lava-Jato, e responde na Justiça Federal sob acusação de receber propina do esquema de corrupção na Petrobras.

A Lava Jato ainda investiga porque a OAS teve prejuízo na compra de um apartamento, no mesmo prédio, da cunhada de Vaccari, Marice Correia de Lima. Ela tinha um apartamento declarado por R$ 200 mil e o vendeu à construtora por R$ 432 mil. A OAS, no entanto, revendeu o imóvel por menos: R$ 337 mil. Marice teria recebido, a mando do doleiro Youssef, R$ 244 mil provenientes da OAS.

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Costa e Youssef serão ouvidos pelo TSE em ação do PSDB que pede cassação de Dilma

AIJE foi protocolada no final do ano passado por Aécio Neves e pelo diretório nacional do PSDB contra a coligação da presidente.

TSE também quer ouvir um servidor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O PSDB acusa o órgão de ocultar dados econômicos e sociais negativos durante a campanha petista de 2014.

Fonte: O Globo

TSE quer ouvir doleiro e ex-diretor da Petrobras em processo que pede cassação de Dilma

O objetivo das oitivas é questionar Costa e Youssef se eles fizeram repasse de propina para o financiamento da campanha de 2014. Reprodução

TSE quer ouvir Costa e Youssef em ação do PSDB que pede cassação de Dilma

Delatores da Lava-Jato serão intimados a prestarem depoimento em investigação eleitoral

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, determinou que dois delatores da Operação Lava-Jato sejam ouvidos em um processo ajuizado pelo PSDB que pede a investigação da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em decisão publicada nesta segunda-feira, Noronha pede oitiva do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi protocolada no final do ano passado, antes da diplomação da presidente, pela coligação do candidato derrotado à Presidência Aécio Neves (PSDB) e pelo diretório nacional do PSDB contra a coligação da presidente, contra o vice, Michel Temer (PMDB), e seus respectivos partidos. Eles alegam que “a eleição presidencial de 2014 teria sido manchada pelo abuso do poder econômico e político” e pedem cassação do registro dos candidatos.

A decisão inicial de Noronha, em 16 de abril, foi por não acatar os pedidos de colheita de provas e inquirição de testemunhas na ação. O PSDB, então, entrou na semana passada com um recurso e o corregedor refez sua decisão. Ele determinou o envio de carta ao juiz da 13ª Vara Criminal do Paraná, Sérgio Moro, para solicitar o depoimento de Costa e Youssef para que os dois façam “esclarecimentos capazes de influir” no processo.

— (…) considerando o princípio da economia processual e visando o melhor exame das alegações articuladas pelos representantes, reconsidero a decisão de fls. 824-826 e defiro a produção das provas requeridas —, diz Noronha em seu despacho. O objetivo das oitivas é questionar Costa e Youssef se eles fizeram repasse de propina para o financiamento da campanha de 2014.

No recurso, o PSDB alega que o TSE deve “prover os meios para a revelação da verdade, garantindo-lhes a possibilidade de produzir a prova testemunhal na forma requerida, sob pena de ‘nítida violação ao devido processo legal e à ampla defesa’”. Além disso, pedem investigação de “suposta obtenção de recursos de forma ilícita de empresas prestadoras de serviço à Petrobras, repassados aos partidos integrantes da coligação” da presidente Dilma.

Na delação premiada da Operação Lava-Jato, Costa declarou que recebeu um pedido de Youssef e que autorizou o uso de R$ 2 milhões destinados ao PP, desviados de contratos da estatal, na campanha de 2010 de Dilma. O pedido teria partido do ex-ministro Antônio Palocci, conforme a delação de Costa. Youssef desmentiu o depoimento do ex-diretor.

O TSE também quer ouvir um servidor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O PSDB acusa o órgão de ocultar dados econômicos e sociais negativos durante a campanha petista de 2014. Ainda na mesma ação, os tucanos pedem documentos sobre eventos realizados no Palácio da Alvorada e gastos com publicidade para apurar o uso da “máquina administrativa federal” que teria sido “claramente colocada a serviço das pretensões políticas dos ora investigados desde muito cedo, por meio de desvio de finalidade de pronunciamentos oficiais em cadeia nacional, eminentemente utilizados para exclusiva promoção pessoal da futura candidata”.

Petrolão: Pasadena pode ter sido alvo de suborno

Funcionário da Petrobras revelou detalhes de esquema de corrupção que pode estar por trás do fim da parceria entre a estatal e a Astra Oil.

Corrupção confirmada

Fonte: O Globo

Petrolão: servidor revela suborno em operação com Pasadena

Petrolão: rompimento entre Petrobras e  Astra Oil obrigou a estatal a comprar a parte que cabia à empresa belga na refinaria de Pasadena, causando prejuízo de US$ 792 milhões. Reprodução

Refinaria de Pasadena pode ter sido alvo de suborno

Ex-funcionário revela detalhes de esquema da Petrobras com empresa belga

Em depoimento sigiloso à Polícia Federal, um funcionário de carreira da Petrobras revelou detalhes de um esquema de corrupção que pode estar por trás do fim da parceria entre a estatal e a belga Astra Oil. O rompimento obrigou a Petrobras a comprar a parte que cabia à empresa belga na refinaria de Pasadena, causando prejuízo de US$ 792 milhões.

De acordo com a denúncia, a relação entre as empresas teria azedado depois que o engenheiro maranhense José Raimundo Brandão Pereira, indicado pelo ministro Edison Lobão (PMDB), teria mandado a Houston um emissário para propor o superfaturamento nos contratos de aluguel de navio e a apropriação de uma taxa de 1,25%, conhecido como “address commission”, para alimentar o esquema de corrupção. Por mês, a estatal gastava R$ 200 milhões com a operação.

O negócio teria sido recusado pela Astra Oil, que não estava disposta a assumir prejuízos intencionais causados pelo esquema de corrupção. Pereira ocupou diversos postos na estatal — foi diretor da Petrobras International Finance Company (PIFCo) e trabalhou com Paulo Roberto Costa na área de Abastecimento. Ele deixou a empresa em 2012.

Apesar da tentativa de fraude ter fracassado nos Estados Unidos, o modelo teria prosperado na Petrobras América em operações no Golfo do México, onde os navios conhecidos como aliviadores teriam sido afretados por um preço três vezes acima do mercado internacional. O bom desempenho do emissário lhe rendeu até mesmo promoção para atuar na Petrobras Global Trading, com sede na Holanda, mais conhecida como Petrobras Netherlands. Na planilha dos projetos do doleiro Alberto Youssef, a Petrobras Netherland aparece citada com 11 projetos de plataformas atribuídos às empresas Alusa e Iesa, duas das investigadas na Lava-Jato.

O funcionário da estatal contou ainda como funcionava o esquema na área Internacional da Petrobras, controlada pelo lobista Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema. Ele falou ainda sobre prejuízos superiores a US$ 700 milhões em blocos de exploração em Angola por “ingerência” política. E na venda de 50% dos ativos daPetrobras na África para o BTG Pactual, fechada em julho de 2013. Segundo ele, esses ativos haviam sido avaliados por pelo menos duas instituições financeiras internacionais por US$ 7 bilhões. O caso está sob investigação no TCU.

Brandão Pereira não retornou aos recados deixados pelo GLOBO com familiares em sua casa, no Rio. (*Enviada Especial)

Dilma poderiam ter interrompido propinoduto, comprovam e-mails

Mensagens encontradas pela PF mostram que propinoduto poderia ter sido interrompido, mas impediram a investigação sobre os desvios.

Mensagens comprovam o que Alberto Youssef já tinha dito: a presidente tinha conhecimento sobre os esquemas na Petrobras.

Fonte: Veja.com 

Petrobras: e-mails comprovam que Dilma poderia barrar propinoduto

Dilma sabia: e-mail enviado por Paulo Roberto Costa para Dilma Rousseff, em setembro de 2009, alertou o Planalto de que o TCU queria paralisar três obras da Petrobras por ter encontrado irregularidades. Divulgação

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, mensagens encontradas pela PF em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, impediram a investigação sobre os desvios

Augusto Nunes e Joice Hansselmman comentaram a matéria. (Assista o vídeo)

Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato. Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:

“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.

O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso. Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo­cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de umcorrupto em um homem honesto da noite para o dia.

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

Documento comprovaria que a Lula e a então ministra da Casa Civil sabiam do esquema, diz revista Veja

Fonte: Mais Goiás 

Um e-mail enviado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, para Dilma Rousseff, à frente da Casa Civil, em setembro de 2009 alertou o Planalto de que o Tribunal de Contas da União (TCU) queria paralisar três obras da Petrobras por ter encontrado irregularidades. O documento, apreendido pela Polícia Federal em um computador na sede da Petrobras, foi divulgado pela revista Veja desta semana.

Na mensagem, direcionada à “Senhora Ministra Dilma Vana Rousseff“, Costa destaca que dados do TCU recomendam a paralisação das obras nas refinarias Abreu e Lima (Pernambuco) e Getúlio Vargas (Paraná) e no Terminal Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. No texto, o ex-diretor relata que seria formada uma Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso para apurar as suspeitas. Ele relembrou, ainda, que em 2007 o TCU propôs a paralisação de quatro obras da estatal, o que foi vetado pelo Congresso. Esta afirmativa sugere que a investigação não foi levada adiante após intervenções políticas.

De acordo com a publicação, a quebra de hierarquia de Costa ao escrever diretamente para o Planalto, comprovaria a preocupação em manter vivo o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

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Questionados pela revista sobre o e-mail, assessores de Dilma responderam que encaminhou a suspeita para a Controladoria-Geral da União para analisar as suspeitas; determinou que um grupo de acompanhamento examinasse o relatório junto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras; e participação em reunião entre representantes do TCU,CMO, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia, depois da suspensão das obras da Abreu e Lima no Orçamento 2010. Todos os órgãos entraram em um consenso sobre a viabilidade de regularizar as pendências na Refinaria. A presidente não se manifestou.

Na sexta-feira, uma conversa entre Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, com o advogado Carlos Fernando Braga, indicado por um pool de empreiteiras, e uma pessoa não identificada veio à tona. No diálogo, a contadora afirmou que a presidente Dilma Rousseff vai cair se Costa revelar tudo o que sabe.

A operação iniciou em 17 de março em seis estados e no Distrito Federal, com a prisão de pelo menos 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Dias depois, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa foi preso pela Polícia Federal. Em abril, ambos foram indiciados por lavagem de dinheiro, sob a acusação de terem desviado recursos da Petrobras. Os dois foram figuras centrais no início da Operação Lava-Jato.

Em agosto, Paulo Roberto Costa aceitou um acordo de delação premiada com a Justiça. Os depoimentos do ex-diretor causaram grande impacto na investigação. Ele revelou que a compra da refinaria de Pasadena envolveu um esquema de corrupção com pagamento de propinas, sendo US$ 1,5 milhão para ele (R$ 3,8 milhões). Em setembro, Costa delatou pelo menos 32 deputados e senadores e um governador. Os políticos teriam recebido 3% de comissão sobre o valor de cada contrato firmado pela Petrobras durante a sua gestão.

Em outubro, foi a vez de Youssef aceitar um acordo de delação premiada. O doleiro afirmou que pagou R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano.

Em novembro, a Polícia Federal cumpriu 85 mandados judiciais, incluindo 25 de prisão. Entre os detidos estavam o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dirigentes de grandes empreiteiras.

Relatório da Coaf identifica movimentação atípica de R$ 23,7 bilhões

Relatório do Coaf informa que pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Lava-Jato fizeram movimentações atípicas no valor de R$ 23,7 bilhões.

Só em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões

Fonte: O Globo

Lava-Jato: Coaf identifica movimentação de R$ 23,7 bilhões

Analistas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) esclarecem que as investigações da Operação Lava-Jato e o banimento dos acusados são um marco histórico no país. Foto: Divulgação.

Coaf identifica movimentações financeiras atípicas de R$ 23,7 bi de investigados na Lava-Jato

Segundo o conselho, somente em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões

Os relatórios do Coaf deram origem às investigações que, mais tarde, levaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal a deflagrar a Operação Lava-Jato em 17 de março deste ano. Na última sexta-feira, a sétima etapa da operação, batizada de Juízo Final, resultou na prisão de 24 pessoas, entre elas dirigentes das maiores empreiteiras do país e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. A decisão já está sendo considerada um marco histórico. É a primeira vez que dirigentes de empreiteiras acusados de corrupção são presos no país.

Analistas do Coaf começaram a produzir os primeiros relatórios em 2011 quase de forma burocrática. Os alvos eram empresas que, sem aparente capacidade técnica e operacional, passaram a fazer movimentação financeira elevada. Naquele momento os analistas não tinham a menor ideia de que, três anos depois, o caso ganharia dimensão nacional e se tornaria a mais explosiva investigação criminal da história recente do país.

— A gente acha que tem alguma coisa estranha acontecendo e manda os relatórios para PF e MP. A investigação criminal é que vai constatar se houve ou não crime. Foi assim no mensalão. E está sendo assim agora nessa operação, que ganhou uma dimensão enorme — disse ao GLOBO o presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues.

A produção dos analistas do Coaf aumentou no ritmo do trabalho da PF e do Ministério Público. Ano passado, quando começaram as investigações formais, foram produzidos 29 relatórios. Este ano, quando procuradores e delegados começaram a colecionar acordos de delação premiada e confissões detalhadas sobre fraudes na Petrobras e em outras áreas do governo federeal, o Coaf remeteu 78 relatórios ao procurador da República Deltan Delagnol e ao delegado Márcio Anselmo.

DELAÇÕES DEVEM AMPLIAR INQUÉRITO

As análises do Coaf teriam começado a partir de empresas controladas por Alberto Youssef. O doleiro já tinha sido alvo de investigação no caso Banestado. Os analistas não imaginavam que, depois de preso e condenado, o doleiro teria fôlego financeiro para retomar e até ampliar os negócios ilegais. No decorrer da análise, acabaram se deparando com as movimentações de grandes empreiteiras vinculadas a empresas de fachada do doleiro. O emaranhado de transações ainda está sendo destrinchado.

As investigações podem ser ampliadas também à medida que novas informações surgem no âmbito dos inquéritos em tramitação na 13ª Vara Federal, em Curitiba. Os primeiros inquéritos foram abertos e, a partir deles, a força-tarefa do Ministério Publico pediu e obteve a instauração de 10 processos. Mas outros inquéritos e processos devem ser abertos a partir das revelações de Paulo Roberto Costa, Youssef e do executivo Paulo Camargo, da Toyo Setal, entre outros que decidiram fazer acordo de delação premiada.

Investigações vão custar R$ 19 milhões à Petrobras

Petrobras está pagando ao escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados R$ 6 milhões e ao americano, o Gibson, Dunn & Crutcher LLP, outros US$ 5 milhões.

Investigação da corrupção na Petrobras

Fonte: O Globo

Petrobras: investigações vão gastar R$ 19 milhões

Graça Foster, presidente da Petrobras, afirmou em entrevista que “em face das atuais denúncias da Operação Lava Jato, a companhia não está pronta para divulgar seus resultados. Essas denúncias podem impactar potencialmente suas demonstrações”. Divulgação

Investigações contratadas pela Petrobras vão custar R$ 19 milhões à estatal, diz Graça

Contra a corrupção, empresa afirma que aumentará controles internos

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse nessa segunda-feira que as investigações contratadas pela estatal para investigar as denúncias da operação Lava-Jato, da Polícia Federal, vão custar cerca de R$ 19 milhões à petrolífera.

Segundo ela, a empresa está pagando ao escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados R$ 6 milhões e ao americano, o Gibson, Dunn & Crutcher LLP, outros US$ 5 milhões (em torno de R$ 13 milhões). O contrato tem um período de um ano.

Graça e Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras, informaram nesta segunda-feira como serão calculadas as perdas no balanço com base nas conclusões das investigações de corrupção na estatal. Os ajustes, diz o diretor, serão feitos retirando do valor do ativo qualquer quantia que seja relativa à propina. Ou seja, explica Barbassa, a ideia é fazer com que o ativo imobilizado (ativo da companhia) tenha um valor justo.

— Se houve pagamento acima do que é justo, esse valor deve ser retirado do que foi investido e levado para o resultado. É retirar dele (ativo) qualquer valor relativo a propina — comentou ele, em teleconferência com analistas, destacando que o ajuste não inclui os questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

— Você é obrigado a baixar do valor do ativo o custo relativo à corrupção. É lei. Tem que baixar. Tem que retirar — disse Graça.

Segundo a presidente da estatal, a referência oficial para esses ajustes são os depoimentos feitos à Justiça.

— É o que o juiz tem chamado de provas emprestadas, que são encaminhadas à Petrobras pela Policia Federal para que as baixas sejam feitas ano a ano.

Graça destacou que vai buscar a reparação das perdas:

— Onde houver identificação de prejuízo, vamos buscar esse prejuízo. O jurídico ja vem trabalhando e nós vamos buscar os prejuízos para que haja retorno para o caixa da companhia. Temos sido bastante cobrados pelo Conselho para ter de volta o que pagamos além do normal e além do razoável.

Graça ressaltou que o mais importante foi a proposta apresentada ao Conselho de Administração para criar uma nova diretoria, de Governança.

— Propusemos ao Conselho criar uma diretoria de Governança. Recebemos apoio unânime do Conselho. Em face das atuais denúncias da Operação Lava Jato, a companhia não está pronta para divulgar seus resultados. Essas denúncias podem impactar potencialmente suas demonstrações. No dia 8 de outubro, os depoimentos dados por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef poderão levar a possíveis ajustes. E por isso é necessário mais tempo. Tempo também para se obter aprofundamento nas investigações dos escritórios em curso e aprimorar os controles internos — disse Graça, na abertura da conferência.

— Queremos mais que o reconhecimento técnico. Queremos o reconhecimento pela governança da companhia — acrescentou Graça.

Graça lembrou ainda sobre as medidas tomadas para o aumento dos controles internos, como as comissões internas. Ela listou que já foram feitas 60 ações para o aprimoramento da governança e dos processos de gestão e voltou a frisar que vai buscar medidas jurídicas para “ressarcimento dos supostos recursos desviados”, disse a executiva:

— No último ano, foram sete comissões internas de apuração foram concluídas no nível da diretoria e presidência.

A presidente da estatal não quis comentar a informação, dada pelo blog de Ancelmo Gois, de que o Conselho de Administração da Petrobras decidiu na sexta-feira encaminhar pedido de abertura de ação civil contra 15 funcionários — incluindo José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal, e Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional, além de dois estrangeiros — devido à polêmica compra em 2006 da refinaria de Pasadena, no Texas, responsável por um prejuízo de US$ 792,3 milhões.

ESTATAL VAI SE REUNIR COM AGÊNCIAS DE RISCO

Graça disse que vai perseguir o cumprimento dos prazos para que o balanço seja publicado com o parecer dos auditores.

— Temos pessoas dedicadas a isso, sobre essas baixas que deveremos possivelmente fazer em nossos projetos e aquisições. Do mesmo jeito que perseguimos nos últimos meses o aumento da produção, estamos prosseguindo com os trabalhos para ter nosso balanço auditado — disse Graça.

Barbassa disse que não sabe estimar se haverá mudança no pagamento de dividendos com base nas denúncias.

— Eu prefiro esperar o valor que virá do cálculo que estamos fazendo (com base nos depoimentos). Se ficar no nível que estamos esperando, não haverá mudança no nível do pagamento de dividendos — disse Barbassa.

Barbassa disse que, sem o parecer da auditoria, a empresa não consegue fazer novas captações de recursos no mercado financeiro. Segundo Barbassa, a empresa consegue operar seis meses ou mais sem a necessidade de acessar o mercado de capital.

— Temos trabalhado com volumes muito elevados de caixa, com seis meses ou mais de operação sem acessar o mercado — disse Barbassa.

A Petrobras informou que vai se reunir com as agências de classificação de risco nesta semana.

— Vamos explicar tudo que está acontecendo. Temos reuniões rotineiras. A ideia é que eles possam ter suas necessidades supridas — disse Barbassa.

MAIS REAJUSTES DE PREÇOS DE COMBUSTÍVEIS À VISTA

Graça destacou que trabalha ainda com frequência maior de reajustes de combustíveis. No último dia 7 de novembro, a gasolina subiu 3% e o diesel aumentou 5%.

— Trabalhamos com frequência maior de reajustes — disse ela.

A Petrobras informou também que reduziu a meta de crescimento de produção para este ano. O diretor de Exploração & Produção (E&P), José Formigli, disse que a estatal prevê aumentar sua produção entre 5,5% e 6% neste ano. O número é menor que os 7,5% projetados até o segundo trimestre deste ano. Entre julho e setembro, a estatal produziu em média 2,090 milhões de barris por dia.

— A produção abaixo da meta ocorre pelo atraso na entrega de plataformas próprias e necessidade de obras a bordo, atrasos no processo de licenciamentos e atrasos na interligação de poços — disse o diretor nesta segunda-feira, em conferência com analistas, citando que está para sair a licença definitiva do FPSO (navio-plataforma) Ilhabela.

A projeção da empresa é aumentar em 82% a exportação de petróleo no segundo semestre deste ano.

De acordo com Graça, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) concedeu hoje a licença para a Refinaria Abreu e Lima, a Rnest, em Pernambuco.

— Ainda que seja de altíssimo capex (investimento), vamos conseguir ter um custo de US$ 18,5 bilhões, com um forte processo de otimização.

Petrobras: Agências de publicidade também negociavam com Youssef

Empresas de comunicação e marketing realizaram transações financeiras com a MO Consultoria, empresa de fachada de Youssef.

Sob suspeita

Fonte: O Globo

Negócios com firmas do Alberto Youssef chegam a R$ 4,3 milhões. Foto: Ruy Baron/O Globo

Negócios com firmas do Alberto Youssef chegam a R$ 4,3 milhões. Foto: Ruy Baron/O Globo

Agências de publicidade têm transações com empresas de fachada de Youssef

Negócios com firmas do doleiro chegam a R$ 4,3 milhões. CPI pode investigar relações

Empresas de comunicação e marketing realizaram transações financeiras de R$ 4,3 milhões com a MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef. O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), quer que a CPI da Petrobras investigue as transações e já pediu a quebra de sigilo de duas das agências, Muranno e Mistral. Há na lista, ainda, uma empresa já citada em 2012 na investigação dos negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a Rock Star Marketing.

A Muranno e a Mistral estão registradas em SP e são de propriedade de Ricardo Vilani. Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Vilani afirmou que recebeu pagamentos de Youssef no montante de R$ 3,5 milhões por serviços prestados para a Petrobras no exterior. Em documentos de quebra de sigilo, há o registro de repasses da MO Consultoria de R$ 2,1 milhões para a Mistral e R$ 60 mil para a Muranno. O GLOBO não conseguiu contato com Vilani.

Bueno pediu a convocação do dono das agências e a quebra dos sigilos bancários das empresas. Durante o depoimento do diretor de Abastecimento da Petrobras José Carlos Cosenza, anteontem, levantou a suspeita de que o esquema de desvio de recursos na estatal iria além das empreiteiras já mencionadas no caso e envolveria também desvios por meio da área de comunicação.

A Rock Star, por sua vez, realizou dois depósitos em 2010, totalizando R$ 1,2 milhão, para a empresa de fachada de Youssef. Citada também na CPI de Cachoeira, a empresa é de propriedade do empresário Adir Assad. Na ocasião, foi acusada de receber recursos da Delta Engenharia para fazer repasses a políticos. Na Junta Comercial, os bens em nome da Rock Star estão indisponíveis por decisão judicial.

Outra empresa descrita como CPR 2007 Eventos recebeu R$ 750 mil da MO em 2011. A empresa atuava em outra área e se chamava CPR Transportes em 2010, quando já tinha recebido R$ 100 mil. Pelo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), o nome atual é Palexpet Comércio Ltda., e a área de atuação é um pet shop. A empresa está registrada emDuque de Caxias (RJ).

Aparece ainda na lista a RBTV, que por meio de sua filial de São Caetano do Sul recebeu R$ 58 mil em fevereiro de 2009. A RBTV negou, em nota, ter relação com a MO ou Youssef. Afirma que os recursos foram recebidos como parte de pagamento pela venda de unidades autônomas de um hotel em Aparecida do Norte (SP). O comprador seria a Pontual Empreendimentos.

“Portanto, recebemos tal valor em pagamento realizado pela empresa Pontual, a qual não foi questionada naquele momento sobre sua relação com a empresa terceira que realizou o crédito. Por fim, vale destacar que toda a operação comercial supramencionada foi devidamente documentada”, disse a RBTV.

Assad não foi localizado pelo GLOBO, assim como a Palexpet ou as empresas antecedentes. Não foi encontrado também nenhum representante da Pontual Empreendimentos.

Escândalo da Petrobras: PT e Dilma terão dificuldades para governar

Dilma teve uma atitude dissonante em relação às condenações do mensalão. Protegeu-se sob o manto do respeito constitucional às decisões do Judiciário.

Brasil sem rumo

Fonte: Folha de S.Paulo

Petrorroubalheira: PT e Dilma terão dificuldades para governar

Com a reeleição de Dilma, as petrorroubalheiras tomarão conta da agenda política por muito tempo. Foto: Divulgação

Artigo Elio Gaspari

Um mandato inédito

Em 2002, na versão 1.0, Romanée-Conti; em 2014, na 2.0, a suíte do Copa, com direito a mordomo

Os eleitores deram ao PT um mandato inédito na história nacional. Um mesmo partido ficará no poder nacional por 16 anos sucessivos. A doutora Dilma reelegeu-se num cenário de dificuldades econômicas e políticas igualmente inéditas. Lula recebeu de Fernando Henrique Cardoso um país onde se restabelecera o valor da moeda. Ela recebe dela mesma uma economia travada. Tendo percebido o tamanho da encrenca, em setembro anunciou a substituição do ministro Guido Mantega. Por quem, não disse. Para quê, muito menos.

A dificuldade política será maior. As petrorroubalheiras devolveram o PT ao pesadelo do mensalão. Em 2005 o comissariado blindou-se e desde então fabrica teorias mistificadoras, como a do caixa dois, ou propostas diversionistas como a da necessidade de uma reforma política. Pode-se precisar de todas as reformas do mundo, mas o que resolve mesmo é a remessa dos ladrões para a cadeia. O Supremo Tribunal Federal deu esse passo, formando a bancada da Papuda. Foi a presença de Marcos Valério na prisão que levou o “amigo Paulinho” a preferir a colaboração à omertà mafiosa.

Dilma teve uma atitude dissonante em relação às condenações do mensalão. Protegeu-se sob o manto do respeito constitucional às decisões do Judiciário. No debate da TV Globo, quando Aécio Neves perguntou-lhe se achou “adequada” e pena imposta ao comissário José Dirceu, tergiversou. Poderia ter seguido na mesma linha: a decisão da Justiça não deve ser discutida. Emitiu um péssimo sinal para quem sabe que as petrorroubalheiras tomarão conta da agenda política por muito tempo.

Será muito difícil, e sobretudo arriscado, tentar jogar o que vem por aí para baixo do tapete. Ou a doutora parte para a faxina, cortando na carne, ou seu governo vai se transformar num amestrador de pulgas, de crise em crise, de vazamento em vazamento, até desembocar nas inevitáveis condenações.

O comissariado acreditou na mágica e tolerou o contubérnio do PT com o PP paranaense do deputado José Janene. A proteção dada aos mensaleiros amparou o doutor e ele patrocinou a indicação do “amigo Paulinho” para uma diretoria da Petrobras. Ligando-se ao operador Alberto Youssef, herdeiro dos contatos de Janene depois que ele morreu, juntaram-se aos petropetistas e a grandes empresas. O resultado está aí.

Em 2002, depois do debate da TV Globo, Lula foi para um restaurante do Rio e comemorou seu desempenho tomando de uma garrafa de vinho Romanée-Conti que custava R$ 9.600. A conta ficou para Duda Mendonça, o marqueteiro da ocasião. Quem achou a cena esquisita pareceu um elitista que não queria dar a um ex-metalúrgico emergente o direito de tomar vinho caro. Duda confessou que fazia suas mágicas com o ervanário do mensalão. Passaram-se doze anos e os repórteres Cleo Guimarães e Marco Grillo mostraram que, na semana passada, Lula esteve em São Gonçalo, onde disse que “a elite brasileira não queria que pobre estudasse”. Seguiu da Baixada Fluminense para a avenida Atlântica e hospedou-se no Copacabana Palace, subindo para a suíte 601, de 300 metros quadrados, com direito a mordomo. Outros sete apartamentos estavam reservados para sua comitiva.

Lava Jato: Doleiro está vivo, mas motivo da internação não é esclarecido

Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba informou que Alberto Youssef apresentou quadro ‘provável’ de angina instável ao ser hospitalizado após apresentar dor torácica e desmaiar.

Motivo da internação ainda falta ser esclarecido

Fonte: O Globo  e Ancelmo Gois

Youssef está vivo

Doleiro está vivo, motivo da internação não é esclarecido

O doleiro Alberto Youssef aparece em foto feita (domingo) no hospital onde está internado. É uma prova de que não passam de boatos as histórias de que ele teria sido morto, dias depois de vir à tona seu depoimento, no qual, incriminaria a cúpula do PT e do Planalto no escândalo da Petrobras.

Youssef permanece internado em Curitiba, diz PF, e segundo hospital, o quadro provável é de angina instável

Ministério da Justiça desmente rumores de que Youssef teria morrido nesta madrugada

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba divulgou nota neste domingo informando que o doleiro envolvido nas investigações da Operação Lava Jato, Alberto Youssef, apresentou um quadro provável de angina instável ao ser hospitalizado após apresentar dor torácica e desmaiar no sábado, o doleiro passou bem a noite e permanecerá, em princípio, internado por 48 horas, sob a escolta de policiais federais, segundo informou a Polícia Federal (PF). O Ministério da Justiça desmentiu rumores de que Youssef teria morrido nesta madrugada, ao contrário dos boatos que circulam na internet.

“Não havendo nenhuma outra intercorrência (Alberto Youssef) retornará à carceragem da PF da Superintendência em Curitiba”, diz a nota da PF.

Segundo secretaria de saúde, uma ambulância do SAMU recebeu a chamada às 14h03m e, no momento do atendimento, Youssef estava consciente, lúcido e com dados vitais estáveis. O diagnóstico provável, diz a nota, é angina instável. O quadro grave é considerado um estado pré-infarto, quando o paciente apresenta dor no peito não relacionada a um esforço físico. Portanto, quando há obstrução parcial de algum vaso. A nota afirma ainda que o atendimento foi finalizado às 16h45m, com a transferência para o Hospital Santa Cruz, em Curitiba.

O hospital, por sua vez, afirmou em nota que Youssef deu entrada na UTI Coronariana, com quadro clínico estável e sinais de desidratação e de emagrecimento. O texto reitera que não havia sinais de envenenamento, hipótese levantada em boatos na internet neste domingo.

“Na avaliação inicial, não apresentava sinais de intoxicação exógena e/ou medicamentosa e quadro cardiológico estável”, diz a nota do hospital. “Até o momento apresenta exames laboratoriais e outros exames complementares dentro da normalidade. (…) Necessita de observação e monitorização contínuas”.

O doleiro foi internado neste sábado, em Curitiba. De acordo com a Polícia Federal, Youssef alertou aos policiais que estava se sentindo mal e foi encaminhado pelo SAMU ao Hospital Santa Cruz, onde realizou exames. Ele foi escoltado por viaturas da PF.

Esta é a segunda vez que Youssef é encaminhado a um hospital na capital paranaense. No mês de julho, ele permaneceu internado por um dia para, de acordo com Basto, passar por cateterismo, após sofrer um infarto.

Na última terça-feira, Alberto Youssef prestou depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público. Nele, teria dito que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema de corrupção na Petrobras.

Petrobras: Mendes Jr e Sanko-Sider abasteciam doleiro

Segundo a PF, parte desses valores foi utilizada para pagamento de propinas a políticos e agentes públicos corrompidos por Youssef.

Eleições 2014

Fonte: Valor Econômico

Petrolão: Mendes Jr e Sanko-Sider abasteciam doleiro

O fluxo de caixa do doleiro foi revelado com quebra de sigilo bancário de empresa de consultoria, que segundo a investigação foi criada por Youssef para concentrar aportes feitos por empresários. Foto: Divulgação

Mendes Jr. e Sanko-Sider abasteceram Youssef, diz PGR

Por André Guilherme Vieira | De São Paulo

Relatório de análise financeira da Procuradoria Geral da República (PGR) mostra que a Mendes Júnior e a Sanko-Sider movimentaram R$ 11,5 milhões com a GFD Investimentos – que a operação Lava-Jato afirma ser uma fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef – do total de R$ 51 milhões que circularam por duas contas bancárias da empresa entre 1º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012.

Foram R$ 3,1 milhões da Sanko-Sider, investigada por receber repasses suspeitos do Consórcio CNCC oriundos de pagamentos da Petrobras, segundo a Polícia Federal (PF), R$ 3,02 milhões da Mendes Júnior, R$ 2,9 milhões da Sanko Serviços de Pesquisa e R$ 2,5 milhões do Consórcio Mendes Júnior MPE SE. A análise pericial aponta que da somatória de R$ 51 milhões, R$ 26, 3 milhões foram “operações cujo CPF/CNPJ e nome dos titulares não foram identificados pelas instituições financeiras”, relata o documento de nove páginas assinado por dois peritos contábeis da PGR.

O trabalho conjunto da Secretaria de Pesquisa e Análise da PGR com a força-tarefa do MPF no Paraná considerou movimentações das contas bancárias da GFD em agências do Banco Safra e do HSBC no período de quatro anos. Descartadas as operações que não envolveram entrada ou saída de dinheiro das contas para terceiros, o MPF contabilizou crédito de R$ 78,8 milhões nas duas contas rastreadas.

A perícia descobriu que empréstimo recebido pela GFD no valor de R$ 10,4 milhões em cinco de abril de 2012 foi quase totalmente transferido no mesmo dia pela conta no banco Safra “à pessoa jurídica Viagens Marsans Internacionais, o importe de R$ 10,2 milhões”. A PF afirma que a Marsans solicitou processo de recuperação judicial e foi destinatária de R$ 23 milhões de reais de fundos de previdência de servidores públicos.

Os especialistas destacaram que “a omissão dos dados das origens dos recursos dificulta a identificação do fluxo de recursos e transgride os regulamentos do Banco Central, ao deixar de identificar operações com valor maior ou igual a R$ 10 mil”, enfatizam os autores do laudo.

Os bancos têm alegado que a lei não os obriga a identificar a origem de recursos, mas sim a comunicar movimentações atípicas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda.

O MPF ainda analisará as operações não identificadas, das quais R$ 14,4 milhões vieram de transferências, segundo o relatório.

A PF afirma nos inquéritos da Lava-Jato que parte desses valores foi utilizada para pagamento de propinas a políticos e agentes públicos que teriam sido corrompidos por Youssef e pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

O fluxo de caixa do doleiro foi revelado com a quebra do sigilo bancário da MO Consultoria e Laudos Estatísticos, que segundo a investigação foi criada por Youssef para concentrar aportes feitos por empresários.

A Mendes Júnior disse, pela assessoria de imprensa, que “não se pronuncia sobre inquéritos e processos em andamento”.

O grupo Sanko-Sider informou por sua assessoria de comunicação que “os contatos das empresas do Grupo Sanko-Sider com as empresas GFD e MO foram estritamente comerciais. Youssef fez vendas, recebeu as comissões de praxe no mercado, via indicação de pagamento, como é normal e corrente. Tudo absolutamente comprovado, com emissão de notas fiscais, todas devidamente contabilizadas, tributadas e pagas, via sistema bancário, de acordo com a legislação vigente. Todas essas informações – e a documentação a elas relativa – foram prestadas e entregues às autoridades há tempos, tão logo se iniciaram as averiguações”, alegou.

O consórcio CNCC disse que “desconhece as contas citadas e, conforme reiterado anteriormente, jamais realizou qualquer pagamento às empresas ou pessoas ligadas ao sr. Alberto Youssef.”

O banco Safra disse que “não comenta o assunto”.

A assessoria do HSBC comunicou que o banco “segue os mais altos padrões de compliance em todos os países nos quais atua e que colabora com as autoridades sempre que requisitado”.

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