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Violência contra a mulher: casos de estupros maior que homicídios

Violência contra a mulher: dados revelam que  no país houve 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes em 2012.

Roraima, Rondonia e Santa Catarina lideram o ranking

Fonte: O Globo

Número de casos de estupro superou o de homicídios dolosos no país em 2012

Índices dos dois crimes aumentaram, apesar de maior investimento em segurança, segundo 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Gastos com segurança aumentaram 15,83% no mesmo período

O índice de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) por cem mil habitantes no Brasil aumentou 7,8% de 2011 para 2012, apesar de os gastos com segurança pública no país terem crescido 15,83% no mesmo período, segundo dados do 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira. O estudo mostrou que o total de estupros no ano passado (50.617) foi maior que o número de homicídios dolosos (47.136) no mesmo período. No país, houve 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes em 2012, um crescimento de 18,17% em comparação com 2011, quando a taxa era de 22,1.

No Brasil, a taxa de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) passou de 22,5 mortes por 100 mil habitantes em 2011 para 24,3 no ano passado.

— Em números absolutos, dois estados puxaram essa alta de homicídios: o Ceará (em que o número de homicídios saltou de 2.623 para 3.492) e São Paulo (que teve 4.936 homicídios em 2012, contra 4.193 em 2011). São Paulo vinha numa redução acentuada, mas no ano passado teve um ponto fora da curva. Em termos de índice, o Piauí, com crescimento de 39,6% da taxa de homicídios por 100 mil habitantes, ajudou o número do país a subir — explica Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum.

O estado com maior número de homicídios dolosos continua sendo Alagoas, com 58,2 mortes por 100 mil habitantes. O Amapá foi o estado que teve maior aumento de taxa de homicídios de 2011 para 2012, um crescimento de 193,9%. Porém, o Fórum afirma que os dados deste estado são pouco confiáveis. Em segundo lugar no ranking dos estados com maior crescimento de taxa de homicídios está o Pará, com avanço de 186,6% do índice de homicídios por 100 mil habitantes entre 2011 e 2012, mas esse aumento do Pará também tem que ser relativizado, pois há indícios de que houve subregistro em 2011.

No Rio, o índice de homicídios dolosos caiu 5,6% de 2011 para 2012. Em São Paulo, houve o aumento foi de 14,5%.

O número de estupros em 2012 foi considerado “alarmante” pelo FórumRoraima é o estado com maior taxa de estupro por 100 mil habitantes, com 52,2. Em seguida aparecem os estados de Rondônia (49 por 100 mil habitantes) e Santa Catarina (45,8). Porém, segundo o Fórum, os números reais podem ser ainda piores nestes estados, devido à qualidade de informação prestada por eles.

Em números absolutos, no entanto, os estados com mais registros de estupros em 2012 foram São Paulo (com 12.886 em 2012, contra 10.399 em 2011) e em seguida o Rio, que teve 5.923 rimes desse tipo no ano passado, versus 4.742 em 2001.

— Uma explicação para o aumento dos casos de estupro no país pode ser o trabalho do serviço telefônico 180, da Secretaria das Mulheres, da Presidência, que está orientando as mulheres a registrarem o crime. Os registros criminais de estupro começam a ficar mais perto da realidade e a e revelar o tamanho do problema — disse Renato Lima.

No Rio de Janeiro, a taxa de estupros em 2012 ficou em 36,5 e em São Paulo, em 30,8. Os dados de criminalidade foram abastecidos pelos próprios estados.

Em 2012, os gastos com segurança pública no país somaram R$ 61,1 bilhões. Os dados foram obtidos por meio do cruzamento de informações da Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda, e da secretaria da Fazenda de todos os estados. São Paulo foi o estado que mais investiu em segurança, com R$ 14,37 bilhões, um crescimento de 17,27% em relação ao ano anterior e 82,36% maior que as despesas da União, que somaram R$ 7,88 bilhões. Porém, 39,7% dos gastos de São Paulo com segurança foram destinados ao pagamento de aposentadorias, “não contribuindo diretamente pelo policiamento ou para demais funções de segurança”, diz o Fórum.

— É preciso melhorar a qualidade do gasto em segurança, otimizar os recursos disponíveis, usar mais inteligência e diminuir os gargalos de sistema que se mostra falido — afirma Renato Lima.

Segundo o Anuário, os investimentos em inteligência e informação aumentaram, mas ainda são escassos e somaram apenas R$ 880,05 milhões, ante a R$ 17,56 bilhões de policiamento, R$ 2,57 bilhões de defesa civil e R$ 31,78 bilhões para outras funções. Os gastos com inteligência no país cresceram 78,12% de 2011 para 2012, “o que indica que os estados e a União estão começando a se preocupar mais com questões estratégicas para o aperfeiçoamento da segurança pública”, diz o Fórum. O crescimento foi puxado por São Paulo, que investiu R$ 273,24 milhões a esse setor.

Cada estado gastou, em média, R$ 27,62 milhões em informação e inteligência. O Rio de Janeiro, de acordo com o Fórum, é o estado que menos investiu em inteligência, pois declarou ter aplicado apenas R$ 19,06 mil na área em 2012.

De acordo com o Anuário, a população carcerária brasileira aumentou 9,39% de 2011 a 2012, saltando de 471.250 para 515.480. Neste período, o número de vagas nos presídios do país cresceu apenas 2,82%, chegando a 303.740 no ano passado. O Brasil conta com 1,7 detentos por vaga, em média. Alagoas é o estado que tem mais presos por vaga, com 3,7. São Paulo, que tem 1,9 presos por vaga, é o estado que tem o maior déficit de vagas no país em números absolutos, pois tem criar 88,52 mil vagas.

De acordo com o Anuário, 38% dos detentos do país são presos cujos casos processos ainda não foram julgados.

eleições 2014: Aécio fortalece palanques no Nordeste

Eleições 2014: senador Aécio Neves (MG) está negociando a construção de palanques na região. Bahia deve ter palanque forte.

Eleições 2014

Fonte: O Globo 

Em desvantagem, Aécio fortalece palanque no Nordeste para 2014

Tucano deve priorizar alianças em seis estados, apesar de força de Dilma e Campos na região

Mesmo com o favoritismo do PT e da dupla Lula-Dilma Rousseff no Nordeste, e de contar agora com um adversário nordestino, o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), o PSDB do senador Aécio Neves (MG) está negociando a construção de palanques fortes na região para amenizar o carimbo de partido do Sul e Sudeste. Aécio ainda é pouco conhecido entre os nordestinos, mas seus articuladores sustentam que, no momento, ele tem palanques mais competitivos que Eduardo Campos.

Os tucanos sabem que em Pernambuco não tem como competir com Dilma e Eduardo, por isso tratam com prioridade as coligações na Bahia, Ceará, Sergipe, Piauí, Paraíba e Alagoas. Mas costuram também palanques nos demais estados do Nordeste. Os grandes problemas, por enquanto, são Maranhão e Rio Grande do Norte, onde o aliado DEM não sabe o que fazer com a reeleição da governadora Rosalba Ciarlini, que tem uma administração má avaliada e já andou muito próxima da presidente Dilma Rousseff.

— Aqui em Minas, um em cada dois votos dos eleitores inscritos será de Aécio. Faremos uma frente de 4 milhões de votos. Nenhum candidato, em nenhum estado, terá essa frente. A frente de Eduardo em Pernambuco será de 1,5 milhão de votos — avalia o ex-ministro Pimenta da Veiga, pré-candidato do PSDB ao governo de Minas e um dos coordenadores da campanha de Aécio. — Dilma pode ter boa votação em seis estados, mas sabe que nos maiores colégios eleitorais não terá. Em Minas e Pernambuco, ela não terá. No Rio, a aliança dela virou pó. Tradicionalmente, ganhamos no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Agora vamos reforçar o Nordeste.

Na Bahia, os tucanos contam com a reedição da ampla aliança que elegeu o democrata ACM Neto para a prefeitura de Salvador: o PMDB de Geddel Vieira LimaPSDBDEM e outras pequenas legendas. Geddel, que também quer ser candidato a governador, vê como positivo o cenário para Aécio no estado. O PSB deve lançar a senadora Lídice da Mata para dar palanque a Campos, e o prefeito ACM Neto, nome forte no estado, está fechado com Aécio.

— O caminho natural é repetirmos aqui a aliança da eleição de prefeito, com o PMDBPSDB e DEM. O PT está muito mal, muito rachado. O PT nacional nunca me procurou. Isso deve se definir dentro de uns 15 a 20 dias — prevê Geddel Vieira Lima.

No Ceará, o PMDB está em pé de guerra com o PT e mira no PSDB

No Ceará, onde o PMDB está em pé de guerra com o PT do líder José Guimarães e com os irmãos Cid e Ciro Gomes, o comando do PSDB não descarta uma aliança com o senador peemedebista Eunício Guimarães. Ele e o ex-senador Tasso Jereissatti são os nomes mais fortes para o governo e o Senado, segundo as pesquisas. Tasso não quer disputar o governo, mas já admite o Senado, podendo compor uma chapa com Eunício — neste caso, não daria palanque para Dilma.

— Tasso é o nome melhor avaliado para o que quiser. Ele não emergiu do nada. É um chefe político com liderança consolidada. Quando ele bater a mão na cumbuca, une a turma — diz o ex-deputado e membro do Diretório Nacional do PSDB, João Almeida (BA).

Na Paraíba, o vice-presidente do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, pode sair candidato ao governo apenas para dar palanque a Aécio. Ele tem oito anos de mandato no Senado e não teria nada a perder. No Piauí, Aécio conta com um nome forte ao governo, do ex-prefeito de Teresina Sílvio Mendes, que lidera as pesquisas de intenção de votos para o governo.

Em Sergipe, o nome forte é do prefeito de Aracaju, João Alves (DEM). Em Alagoas, não existe ainda um candidato, mas a expectativa do PSDB é que qualquer nome lançado pelo governador tucano Teotônio Vilela dará um palanque competitivo para Aécio. Os grandes problemas de Aécio no Nordeste são o Rio Grande do Norte e Maranhão.

— Esses estados não são definidores de eleição. O que a tradição mostra é que nenhum candidato a presidente se elege se não vencer em Minas Gerais — diz Pimenta da Veiga.

Eleições 2014: tucanos preparam chegada de Aécio ao Nordeste

Eleições 2014:  festa em Alagoas dá início à campanha no Nordeste. Tucanos pretendem aproximar Aécio ainda mais de Eduardo Campos.

Eleições 2014: Aécio Neves presidente

AécioNeves presidente.

Eleições 2014: Aécio Neves inicia campanha no Nordeste em Alagoas no próximo dia 21. Foto: Thiago Chaves.

Fonte: Terra Magazine 

Para vencer Dilma no Nordeste, Aécio começa campanha em Maceió

POR ODILON RIOS

Os tucanos preparam uma chegada de rei ao senador Aécio Neves (PSDB/MG) para o dia 21- quando uma festa em Alagoas dá início à campanha do senador no Nordeste à presidência da República. O governador Teotônio Vilela Filho (PSDB)- duas vezes ex-presidente nacional do partido- será o anfitrião. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “deve vir”, adiantou Vilela. “Não sei se José Serra virá”, afirmou.

Nordeste ainda é a região de maior popularidade da presidente Dilma Rousseff. E Alagoas será o “start” dos tucanos porque o Bolsa Escola- programa social da era FHC– foi implantado na cidade de São José da Tapera, então o lugar mais pobre do Brasil na década de 90.

A tentativa de Vilela é testar a popularidade de Aécio e aproximar ainda mais o governador de PernambucoEduardo Campos (PSB), do ninho tucano. Um dia antes, Campos vai estar em Alagoas para filiar o deputado federal Alexandre Toledo (PSDB) e o estadual, Inácio Loyola (PSDB) ao PSB. O governador alagoano tenta agradar aos socialistas e aos tucanos:

“Minha opinião é que o Aécio e o Eduardo são dois ótimos candidatos à Presidência da República por isso devem se unir apenas no segundo turno” analisa. “Eles dizem que não abrem mão. Então, juntam-se os dois lá na frente”.

O governador de Alagoas quer disputar o Senado no próximo ano, mas pode desistir dos planos. Isso porque ele vai enfrentar o senador Fernando Collor (PTB/AL) e a vereadora Heloísa Helena (PSB), na campanha chamada do “tostão contra o milhão”.

AL: alunos de escola pública estão sem aulas há mais de 5 meses

AL: Alunos do 9º ano da Escola Estadual estão sem aulas de Português, Matemática e Artes por falta de professor.

Alunos de escola pública em Maceió estão sem aulas há mais de 5 meses

AL: alunos estão sem aulas de português há mais de
5 meses. (Foto: Michelle Farias/G1)

Fonte: G1

Alunos de escola pública em Maceió estão sem aulas há mais de 5 meses

Faltam professores de Português, Matemática e Artes em escola estadual.

Segundo Secretaria da Educação, os monitores já foram convocados.

Alunos do 9º ano da Escola Estadual Princesa Isabel, que fica no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada (CEPA), em  Maceió, estão reclamando que não têm assistido aulas de Português há mais de cinco meses por falta de professor. O estudante Shu Peng Fon, de 17 anos, disse para a equipe de reportagem do G1 nesta sexta-feira (9), que além da disciplina de Português outras matérias da grade escolar, como Matemática e Artes, estão com o mesmo problema.

“Há nove anos que eu estudo nesta escola. Graças a Deus vou para uma escola particular ano que vem para ter um melhor ensino”, diz o adolescente.

A irmã de Shu, a fotógrafa Pei Fon, que também estudou na escola, diz que as queixas do irmão são frequentes. “Quando estudei lá passei pelos mesmos problemas. É um absurdo os alunos irem para a escola e terem que voltar para a casa por falta de professores”.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE) confirma que os estudantes da escola Princesa Isabel estão sem algumas aulas. Segundo a nota, o motivo é justamente a falta de monitores, que já foram convocados e que estão na fase de apresentação.

A SEE ainda disse que disciplinas como Artes, que tem poucos profissionais, vão receber monitores que atuam na área de humanas. Segundo recomendação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), professores de áreas semelhantes podem atuar em outras disciplinas caso não exista profissionais disponiveis, como no caso de disciplinas como Arte.

Unidades de menores infratores: situação é mais crítica no NE

Unidades de menores infratores: há mais de quatro mil internos para um sistema capaz de acolher pouco mais de dois mil.

Unidades de menores infratores: falta política pública nacional para lidar com a questão

Fonte: O Globo 

Unidades de menores infratores: situação no Nordeste é crítica

Unidades para menor infrator são réplicas de prisões, com superlotação e insalubridade, diz MP

Vistoria revela ainda falta de capacitação e de espaço para salas de aula

Levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) revela que as instituições de internação de menores infratores são réplicas das prisões brasileiras, com altos índices de superlotação e insalubridade, somados à falta de salas de aula e de espaços para capacitação profissional adequados. Também são escassos os locais destinados a esporte, lazer e cultura. Cabem nas unidades do país 15.414 adolescentes, mas hoje os reclusos somam 18.378 — 2.964 a mais, configurando 19% de superlotação. O número excessivo de internos atinge 16 estados.

Grande parte das unidades sequer separa os jovens nas celas de acordo com a faixa etária, compleição física e infração cometida, aumentando chances de conflitos e rebeliões. Segundo o CNMP, pelo menos 13% dos casos de rebeliões estão diretamente associados à estrutura física das unidades.

“Não se pode esperar ressocialização de adolescentes amontoados em alojamentos superlotados, e ociosos durante o dia, sem oportunidade para o estudo, o trabalho e a prática de atividades esportivas. Não admira, então, que o espaço físico insuficiente e a falta de infraestrutura adequada tenham sido indicados como a causa que isoladamente mais propiciou a deflagração de rebeliões nas unidades de internação”, diz o documento.

No Maranhão, 335 jovens detidos onde cabem 73

Das 321 unidades de internação no país, 287 foram inspecionadas (89,4% do total). Também foram visitadas 105 unidades de semiliberdade das 122 existentes (86,1% do total). Considerando jovens em semiliberdade, o sistema mantém 20.081 adolescentes. As visitas ocorreram em março deste ano sob supervisão da conselheira do CNMP Taís Schilling Ferraz, que preside a Comissão da Infância e Juventude do órgão.

superlotação é mais crítica no Nordeste: há mais de quatro mil internos para um sistema capaz de acolher pouco mais de dois mil. Maranhão e Alagoas são os casos mais graves, com índices de ocupação de 458,9% e 324,7%, respectivamente. As cinco unidades do Maranhão têm 73 vagas, mas abrigam 335 jovens. Nas cinco unidades de Alagoas, era para ter até 154 menores, mas hoje há 500.

“Os espaços que deveriam ser de ressocialização mais se assemelham a presídios e penitenciárias, com altos índices de superlotação, em alguns Estados, e pouquíssimas oportunidades de formação educacional e profissional”, conclui o estudo.

No Rio Grande do Norte, a situação é peculiar. Não há superlotação: das 110 vagas distribuídas em seis unidades, apenas 61 estão ocupadas. Entretanto, as instituições têm estrutura tão precária, que todas estão interditadas pelo Judiciário. Nas regiões Sul e Sudeste, a relação entre número de internos e vagas está equacionada. No Rio de Janeiro, há sete estabelecimentos com 860 vagas, das quais 859 estão ocupadas. No Norte do país, a situação é inversa: na maioria dos estados, há vagas.

Mais da metade das unidades de internação do Centro-OesteNordeste e Norte foi considerada insalubre — sem higiene, conservação, iluminação ou ventilação adequadas. No Piauí, em Roraima e em Sergipe, todas as unidades visitadas foram classificadas de insalubres. No Rio de Janeiro, 71,4% das unidades foram reprovadas. A melhor situação está em São Paulo, com 91,3% de salubridade nas instituições, e no Ceará, com 89,9%.

Também não há separação dos adolescentes por idade, compleição física ou infração cometida, conforme determina o ECA. Apenas 16% das unidades do Centro-Oeste têm este cuidado com relação à idade. No Sudeste e no Sul, 20% dos estabelecimentos fazem a separação etária. No Norte, 32,5%. E no Nordeste, 44%.

As inspeções também encontraram 99 adolescentes internados nas unidades com transtornos mentais graves. O CNMP deu prazo para as unidades retirarem os jovens das instituições e encaminharem para tratamento médico.

Nordeste tem maior alta na expectativa de vida

Nordeste: em 30 anos, região foi a que registrou o maior crescimento na taxa de expectativa, com aumento de 12,95 anos.

Nordeste: expectativa de vida

Fonte: G1

Em 30 anos, NE é região com maior alta na expectativa de vida, diz IBGE

Pesquisa de Tábuas de Mortalidade foi divulgada nesta sexta-feira (2).

Santa Catarina é estado com maior expectativa; o Maranhão tem a menor.

região Nordeste foi a que registrou o maior crescimento na taxa de expectativa de vida em 30 anos, com aumento de 12,95 anos. É o que mostram números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (2).

Em todas as regiões e estados do país, o IBGE constatou acréscimos na esperança de vida ao nascer. No Brasil, em 2010, a esperança de vida ao nascer no país era de 73 anos, 9 meses e 3 dias, revelando um acréscimo de 11 anos, 2 meses e 27 dias em comparação com 1980, quando o índice era de 62,52 anos.

De acordo com o levantamento, moradores da Região Sul registraram a maior taxa de expectativa de vida, podendo viver até 75,84 anos. Em seguida, vem o Sudeste, com 75,40 anos; na terceira posição está o Centro-Oeste, com 73,64 anos; o Nordeste ficou em quarto, com 71,20 anos e, na última posição, está o Norte, com 70,76 anos.

As informações fazem parte das Tábuas de Mortalidade, que usam dados do Censo de 2010, de estatísticas de óbitos provenientes do Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde referentes a 2010. As tábuas, que são divulgadas todos os anos, foram recalculadas a partir de um recorte regional. Os dados de 2010 por estado foram divulgados pela primeira vez pelo instituto.

Estados
Santa Catarina foi o estado que apresentou a maior expectativa de vida tanto para mulheres quanto para homens. Enquanto elas alcançam 79,90 anos, eles podem chegar até 73,73 anos – a média de idade do estado é de 76,80 anos.

Na contramão está o Maranhão, com o menor índice de esperança de vida ao nascer, com 68,69 anos. As mulheres de Roraima são as que vivem menos, segundo o IBGE, com expectativa de vida de 72,81 anos. Já Alagoas é o estado onde os homens vivem menos, com expectativa de vida de 64,60 anos.

O estado que mais elevou sua expectativa de vida entre 1980 e 2010 foi o Rio Grande do Norte (média de 15,85 anos). A esperança de vida aumentou 14,65 anos para homens e 17,03 anos para as mulheres na unidade federativa.

Segundo o estudo, ao longo de três décadas a expectativa de vida no país aumentou, anualmente, cerca de 4 meses e 15 dias. As mulheres brasileiras alcançam idades mais avançadas que as dos homens. Enquanto elas vivem em média 77,38 anos, eles podem atingir 73,76 anos – uma diferença de 7,17 anos. Em 1980, essa diferença era de 6,07 anos, segundo o instituto.

Sobremortalidade masculina
O levantamento chama a atenção para a sobremortalidade masculina, resultado da maior exposição dos homens aos óbitos por causas externas, como homicídios ou acidentes de trânsito.

Segundo o IBGE, em 2010, a mortalidade masculina atingiu principalmente jovens do grupo de idade entre 20 e 24 anos. Houve um acréscimo de 115,6% na comparação com 1980, uma probabilidade que passou de 2 para 4,4 vezes nos últimos 30 anos. Ou seja, a chance de um homem de 20 anos não atingir os 25 anos em 2010 era 4,4 vezes maior do que a mesma probabilidade para a população feminina.

Todos os estados do Brasil tiveram alta na mortalidade masculina, no grupo de idade entre 20 e 24 anos, segundo o IBGE. O Nordeste registrou o maior índice, seguido do Sul do país.

O estado de Alagoas foi o que apresentou a maior taxa de mortalidade, aumento de 348,3% nas últimas três décadas. Bahia vem em seguida, com alta de 240% no período. O Acre foi o estado que deteve a menor alta, com acréscimo de 35% nas mortes.

Em 30 anos, NE é região com maior alta na expectativa de vida, diz IBGE

Nordeste reúne as cidades mais violentas para os jovens

Violência: a cidade mais perigosa para os jovens é Simões Filho, na Bahia. A segunda é Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió.

Violência: nordeste

Nordeste concentra as cidades mais violentas para os jovens

Fonte: O Globo

Nordeste concentra as cidades mais violentas para os jovens

A violência, que antes se concentrava nas capitais e regiões metropolitanas, migrou para o interior e para estados que até dez anos atrás registravam taxas de homicídio mais baixas. Mas a principal vítima continua a mesma: o homem jovem, de cor preta ou parda. Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2013Homicídios e Juventude no Brasil, do sociólogo Julio Jacobo.

O Nordeste, em especial Alagoas e Bahia, concentra as cidades mais violentas para os jovens brasileiros. Foram excluídas do levantamento cidades com menos de 10 mil jovens, para evitar distorção dos dados. A cidade mais perigosa para os jovens é Simões Filho, na Bahia, com taxa de 378,9 assassinatos para cada grupo de 100 mil.

Em segundo lugar, está Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió, com 324,1 assassinatos por 100 mil jovens. Em seguida está a própria capital alagoana, Maceió (288,1). Alagoas é, inclusive, o estado mais violento, com 156,4 homicídios para cada 100 mil jovens.

Fora do Nordeste, destacam-se negativamente Pará, Goiás e Paraná. Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, é a quarta cidade com maior taxa de homicídio entre os jovens: 286 por 100 mil. Em Goiás, a região mais perigosa é o Entorno de Brasília. São Paulo é o estado menos violento para os jovens.

No Rio, há quatro cidades entre as cem piores: Duque de Caxias (135,2 assassinatos por 100 mil jovens), Macaé (119,1), Cabo Frio (115,1) e Nova Iguaçu (94,2). Em todo o Estado do Rio, foram 58 jovens assassinados em 2011 por 100 mil.

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PARA OMS, TAXA É DE EPIDEMIA

Em 2011, em todo o Brasil, houve 27,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, número que pouco mudou em relação a 2010, quando a taxa foi de 27,5. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa é quase o dobro. Em 2011, de cada 100 mil jovens, 53,4 foram assassinados, um pouco abaixo dos 54,7 do ano anterior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera epidemia quando a taxa fica acima de dez casos por 100 mil pessoas.

Jacobo explicou que estados mais violentos há dez anos, como São Paulo, Rio e Pernambuco, tiveram mais investimentos em segurança. Outras regiões, onde surgiram novos polos de crescimento econômico, viram a criminalidade crescer. Além de atraírem mais pessoas, não se prepararam para o crescimento econômico e populacional dos últimos anos.

Entre as capitais, todas têm taxa acima da considerada epidêmica. Mesmo em São Paulo, onde os números são os mais baixos do país, houve 20,1 homicídios para cada 100 mil jovens em 2011. O Rio é a quinta capital menos violenta para os jovens: 41,4 assassinatos por 100 mil.

O estudo aponta também que o número de homicídios entre os jovens brancos caiu de 6.596 em 2002 para 3.973 em 2011. Entre os pretos e pardos, subiu de 11.321 para 13.405 no mesmo período. Segundo Jacobo, na Guerra do Iraque, entre 2004 e 2007, a taxa de mortes foi de 64,9 por 100 mil habitantes: ou seja, comparável com a taxa de várias cidades e estados brasileiros.

Em 2011, no país, foram 23,2 mortes no trânsito para cada 100 mil pessoas. Quando considerados apenas os jovens, a taxa sobe para 27,7.

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Municípios do Nordeste registram mais de 300 assassinatos de jovens por cem mil habitantes

Simões Filho, na Bahia, e Rio Largo, em Maceió lideram os índices de mortes no Mapa da Violência 2013

Cidade mais perigosa para os jovens, com taxa de 378,9 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, o município de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, tem tem a quinta economia do Estado em função do Centro Industrial de Aratu e algumas empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari. A região metropolitana registra altos índices de crescimento nos últimos anos devido ao Pólo e ao complexo automobilístico implantado na área com a fábrica da Ford. Em seguida, no Mapa da Violência 2013, aparece Rio Largo, na região metropolitana de Maceió, com 324,1 assassinatos por 100 mil jovens. Números que se refletem no dia a dia e no clima de insegurança. Em apenas uma semana, dois bebês foram brutalmente mortos — um deles pela mãe.

Simões Filho tem 116 mil habitantes e está localizada às margens da rodovia BR-324, (Salvador/Feira de Santana), a estrada mais movimentada da Bahia. Tanto a Secretaria de Segurança Pública como a prefeitura do município explicam os altos índices de homicídios pelo fato da área de a cidade ser usada por bandidos como “ponto de desova” dos crimes de Salvador e municípios vizinhos. A prefeitura alega também que os levantamentos sobre homicídios, realizados pelo programa Mapa da Violência, seria falho por se basear nos dados registrados apenas pelo Ministério da Saúde que contabiliza os óbitos nos hospitais sem considerar a origem das vítimas. Por causa disso, diz a prefeitura, são atribuídos a Simões Filho todas as mortes de pessoas das cidades vizinhas encaminhadas para os hospitais do município.

No entanto, há casos de violência gratuita, no município, como o assassinato do motorista de táxi Pedro Augusto de Araújo, morto pelo policial militar Leandro Almeida da Silva por um motivo banal numa festa ocorrida no bairro CIA I em dezembro de 2011. Araújo foi morto após atingir por acidente com a porta do táxi a perna da namorada do policial. Desde a época do assassinato a família do motorista de táxi luta para a punição do acusado e tem realizado manifestações nas audiências do caso.

O delegado Rogério Pereira Ribeiro, que está substituindo o titular da delegacia de Simões Filho, Adaílton Adan, admite que “realmente há uma incidência (de assassinatos de jovens)”. Para Ribeiro, os homicídios de jovens estão ligados ao envolvimento com o tráfico de drogas, à falta de espaços de lazer e áreas de prática de esportes.

— Faltam atividades que preencham a ociosidade desses jovens. Isso poderia melhorar bastante — ressaltou.

O delegado acrescentou ainda como motivação o que chama de falhas na educação e exclusão social.

— A polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Falta infraestrutura. Não tem iluminação adequada nas ruas — disse o delegado.

Ainda segundo Ribeiro, está sendo feita uma convocação da sociedade civil organizada para participar de reuniões para debater segurança na cidade. No entanto, ainda não há data prevista para a primeira reunião.

— É difícil. As pessoas não querem se aproximar da polícia.

Para o combate, Ribeiro destacou ainda que o alvo tem que ser o tráfico de drogas.

— Assim diminuiremos o número de homicídios — ressalta Adan.

O delegado citou ainda o caso de um adolescente de 12 anos que foi assassinado na última segunda-feira no lugar do irmão de 11 anos que, segundo investigação policial, teria envolvimento com o tráfico de drogas.

— Foi uma quadrilha rival. Temos até o nome do autor. Fizemos buscas, mas ele conseguiu fugir — disse ele.

A polícia baiana justifica os altos índices de violência pelo guerra dos pequenos traficantes de drogas no Estado. Alega que em São Paulo, por exemplo, onde uma facção criminosa monopoliza o tráfico, a situação seria mais “estável” ao passo que como na Bahia não existiria a hegemonia de uma quadrilha, as disputas são constantes.

Apesar dos altos índices de violência no Estado, segunda Secretaria de Segurança Pública, ocorreu uma queda de 30,3% nos de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), em Salvador no primeiro quadrimestre de 2013 em relação ao mesmo período de 2012. A queda no número de homicídioslatrocínios e lesões corporais seguidas de morte na capital baiana chegou a 13,2%, com 537 crimes letais no primeiro quadrimestre de 2013 contra 619 no mesmo período de 2012.

Em Maceió, bebê foi sequestrado e morto

A pequena Karina Danielly Gouveia Lima, de 1 ano e seis meses, é mais uma a entrar na lista dos quase dois mil assassinatos em Alagoas só em 2013: ela foi morta pela própria mãe, de 17 anos, com requintes de crueldade.

— A jovem confessou tudo de forma fria, sem pestanejar ou derrubar nenhuma lágrima. Ela disse que o nascimento da menina mudou a sua vida e, desde então, haviam brigas constantes com o pai e o padrasto, o que teria motivado a prática do crime. Ela disse que a criança era um peso —contou o delegado Antônio Nunes.

Na semana passada, Felipe Vicente da Silva, de dois anos, também foi morto em Maceió. Ele foi sequestrado do colo da mãe, que passou a usar as redes sociais, procurou a Policia Federal e ameaçou até acampar na frente da residência oficial do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Dois dias depois, o bebê foi encontrado em um terreno baldio, enterrado em uma cova rasa. A polícia não sabe a quem atribuir o crime.

Em Rio Largo, há três anos registra-se caos administrativo. Parte da cidade foi destruída nas cheias de junho de 2010 — que destruíram 19 municípios alagoanos. Ano passado, o prefeito Toninho Lins e todos os vereadores foram presos, por corrupção. O prefeito despachava da prisão.

Lins foi reeleito. E desde o início do ano está afastado do cargo. Responde a mais de uma dezena de ações de improbidade administrativa. No lugar dele está a vice, Maria Elisa, que teve o diploma cassado por corrupção. Ela administra a cidade até que o caso seja decidido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE):

— Antes que Alagoas se tornasse essa referência, suas cidades tinham casos de violência. Rio Largo carregava esse estigma de violência. Há um perfil de grupo político que se espalha aqui que é antigo. Conserva os elementos arcaicos do mando. Este grupo não trabalha com parâmetro de democracia, desarticula órgãos colegiados, enfraquece tudo o que é popular ou coletivo — disse a cientista social Ana Cláudia Laurindo, que escreve sobre violência no Estado.

— A calamidade beneficia este grupo, traz recursos para o lugar. Enfraquece os adversários, que estão perdidos no caos. E se protegem da imunidade, que vai além da parlamentar. Ela é econômica, ideológica — completa Ana Cláudia.

Nordeste Notícias: “PSDB precisa de discurso convincente”

‘PSDB precisa de um discurso convincente’, afirma FHC

Fonte: Autor(es): GABRIEL MANZANO O Estado de S. Paulo

Mais do que mudança no quadro partidário, o PSDB precisa de um “discurso convincente, afim com os problemas do País”, disse ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a Gabriel Manzano. A entrevista se segue às declarações de Serra, para quem falar em mudança seria se submeter à estratégia do PT. Para FHC, juventude, em si, não produz ideias novas. “E o mais importante são as ideias.” Ele ainda analisou o resultado das eleições: “O eleitor mostrou que não tem donos”.

Após defender renovação do partido, FHC agora diz que ideias novas são mais importantes que troca de gerações na legenda

O PSDB precisa, daqui por diante, de “um discurso convincente, afim com os problemas atuais do País”. Mas esse novo discurso não significa que o partido deva necessariamente sair à cata de nomes novos. “Juventude, em si, não produz ideias novas”, adverte. “O mais importante são as ideias, não necessariamente novas mas renovadas para fazer frente às conjunturas”.

É com essas palavras que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso define os horizontes do tucanato depois das eleições de domingo, em que o partido teve vitórias a festejar mas amargou uma derrota na batalha mais importante, a da Prefeitura de São Paulo.

A entrevista do ex-presidente ao Estado se segue às declarações do candidato derrotado José Serra, segundo o qual falar em mudanças no PSDB seria um modo de se submeter à estratégia do PT. Antes dessa fala de Serra, FHC havia dito que o momento “é de mudança de gerações”, mas “isso não quer dizer que os antigos líderes vão desaparecer, eles têm de empurrar os novos para a frente”.

Nesta entrevista, FHC discorda de várias análises feitas sobre o futuro do partido. Uma delas é que o PSDB paga o preço por ser uma sigla muito “paulista”. Outra, detecta domínios regionais ou eleitorados cativos. “O eleitor mostrou que não tem donos”, advertiu o ex-presidente.

Há um nascente debate, dentro e fora do tucanato, sobre as perspectivas do PSDB depois das eleições de domingo. O que é prioritário no momento? Nomes novos ou um discurso novo?

O mais importante é um discurso convincente, afim com os problemas atuais do País e do povo e transmitido com linguagem simples e moderna. Claro que sempre é necessário abrir as portas da carreira política aos mais jovens. Mas juventude, em si, não produz ideias novas e o importante são ideias, não necessariamente novas, mas renovadas para fazer frente às conjunturas.

O PSDB paga o preço hoje por não ter reagido em outros tempos, quando o PT “roubou” sua mensagem?

Sem dúvida o PSDB poderia ter sido mais enérgico na defesa do que fez e em desmascarar a apropriação indébita e a propaganda enganosa. Mas águas passadas não movem moinhos.

Uma das críticas ao partido, partida de tucanos não paulistas, é que o PSDB teria se concentrado demais em São Paulo. Foi um erro? Como sair dessa situação?

O partido nunca esteve concentrado apenas em São Paulo. Não se esqueça de que ele governa também Minas e o Paraná, além de Goiás, Alagoas, Tocantins e Roraima. E agora ganhou nas principais capitais do Norte, Belém e Manaus, e em algumas do Nordeste. A noção de que se trata de um partido “paulista” é irmã gêmea da outra, de que ele é um partido que defende “os ricos”. Estigmas plantados por adversários, que se repetem como se fossem verdades.

O que o eleitor ensinou aos políticos nestas eleições?

O eleitor mostrou que não tem “donos”. Votou contra Lula no Amazonas, no Recife, em Campinas, etc., assim como derrotou os tucanos em São Paulo. O eleitorado reage às mensagens e aos candidatos que lhe são propostos, dando pouca atenção aos padrinhos – e mesmo aos partidos. Naturalmente tanto estes como aqueles têm certo peso, mas convém não exagerar.

Nordeste Notícias: projetos do governo se arrastam pelo Nordeste

PROJETOS DE INVESTIMENTO NO NE ACUMULAM ATRASOS

Fonte: Autor(es): Por Murillo Camarotto | Do Recife Valor Econômico

A execução dos grandes investimentos anunciados pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Nordeste está atrasada em três anos e meio, na média. O levantamento feito pelo Valor considerou os principais empreendimentos anunciados para a região na gestão Lula, que somam mais de R$ 116 bilhões – o montante exclui os projetos que, devido à complexidade dos entraves à sua execução, já não têm mais data prevista para ficarem prontos

 

Antes de passar adiante a faixa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva queria ter deslizado pelos trilhos da Nova Transnordestina. Também pretendia ver funcionando a refinaria Abreu e Lima e a transposição do rio São Francisco, bem como a duplicação da BR-101 entre Alagoas ao Rio Grande do Norte. Se não pôde inaugurar nenhum desses projetos, o ex-presidente celebrou com pompa os anúncios desses e de outros investimentos no Nordeste, que ajudaram a promover o seu já elevado prestígio na região, refletido nos votos dados à sucessora. Se considerado, no entanto, o ritmo em que andam os projetos, cresce o risco de que nem mesmo a presidente Dilma Rousseff consiga inaugurá-los.

Levantamento feito pelo Valor com os principais empreendimentos anunciados para o Nordeste na gestão Lula – que somam mais de R$ 116 bilhões em investimentos – aponta um atraso médio de três anos e meio na execução. O dado exclui os projetos que, devido à complexidade dos entraves, já não têm mais data prevista para ficarem prontos. A letargia se reflete, naturalmente, no custo, que também já subiu muito. Acordos e contratos mal feitos, questionamentos ambientais e irregularidades nas prestações de contas formam o modelo que, segundo especialistas, não pode ser reproduzido em projetos futuros, como os anunciados no novo pacote de concessões de rodovias e ferrovias.

Questionado sobre grandes projetos do PAC já concluídos no Nordeste, o Ministério do Planejamento mencionou, por meio de sua assessoria de imprensa, a linha oeste do metrô de Fortaleza e a quinta etapa do chamado “Eixão das Águas”, também no Ceará. Foram citadas ainda a Adutora do Oeste, no interior de Pernambuco, e a plataforma P-59, construída no município baiano de Maragojipe. O ministério enfatizou, no entanto, que há muitos outros empreendimentos já inaugurados.

Causou frenesi no Nordeste a notícia de que a Petrobras colocou em banho-maria as refinarias prometidas por Lula para Maranhão (Premium I) e Ceará (Premium II), orçadas em quase R$ 60 bilhões. Em janeiro de 2010, o ex-presidente enterrou no município de Bacabeira, a 58 quilômetros de São Luís, um baú com objetos alusivos ao empreendimento, em solenidade da qual participou a então ministra Dilma. A caixa, mais tarde chamada pela imprensa maranhense de “baú da infelicidade”, só deveria ser resgatada no dia da inauguração da refinaria, originalmente prevista para setembro de 2013.

Com capacidade para 600 mil barris de óleo por dia, a unidade vai produzir diesel de alta qualidade e derivados como querosene de aviação, nafta petroquímica, gás liquefeito de petróleo e coque. O empreendimento, porém, foi colocado “em avaliação” no plano de investimentos da Petrobras para o período entre 2012 e 2016. A estatal alega que vai buscar “alinhamento com métricas internacionais” para as refinarias, que são questionadas por especialistas do setor em razão dos custos, localização e relevância.

Lançada por Lula em dezembro de 2010, em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Fortaleza, a Premium II também foi adiada. Prevista para ficar pronta em 2014, a refinaria não tem mais data para entrar em operação. O adiamento irritou o governador Cid Gomes (PSB), que chegou a telefonar para Lula. Mais tarde, ouviu da presidente da Petrobras, Graça Foster, a garantia de que o empreendimento será realizado. Cid viajou para a Coreia do Sul, atrás de um parceiro tecnológico para o empreendimento.

Com as obras em andamento, apesar de um longo histórico de problemas, a refinaria Abreu e Lima, no litoral sul de Pernambuco, também se arrasta. Questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), sucessivas greves de trabalhadores e incertezas relativas à sociedade com a estatal venezuelana PDVSA constituem o enredo do empreendimento, cujo valor saltou de US$ 2,3 bilhões para mais de US$ 17 bilhões. A entrada em operação do primeiro trem de refino está prevista para novembro de 2014. Em fevereiro de 2008, o primeiro balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) projetava o início da operação para dezembro de 2010.

Quem defende as novas refinarias do Nordeste as considera fundamentais para incluir a região na cadeia produtiva do petróleo e do gás, que deverá concentrar parte significativa dos investimentos industriais nos próximos anos, a partir do início da exploração do pré-sal. De acordo com a economista Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Nordeste corre o risco de voltar a perder espaço na economia nacional se ficar de fora deste segmento. (leia mais na matéria abaixo)

Na área de infraestrutura o quadro não é diferente. As duas ferrovias previstas para o Nordeste também estão muito atrasadas e sem prazo certo para conclusão. Com 1.728 km de extensão, a Nova Transnordestina já passou por troca de empreiteiras, demora nos repasses de recursos por parte da União e um processo traumático de desapropriações. Superados alguns dos entraves, as obras avançam no ramal que corta os Estados de Pernambuco e do Piauí, previsto para ficar pronto em dezembro de 2014. O trecho cearense, entretanto, segue emperrado e sem perspectivas animadoras. Atualmente, a concessionária TLSA discute com o governo federal novos valores e prazos para a obra.

Ainda assim, o último balanço do PAC aponta o andamento da Transnordestina como “adequado”, avaliação bem diferente do “preocupante” atribuído ao projeto da ferrovia Oeste-Leste (Fiol), que vai cortar a Bahia desde o município de Ilhéus até Figueirópolis, em Tocantins. O objetivo principal da estrada de ferro, orçada em R$ 3,5 bilhões, é viabilizar a exploração de minério de ferro no oeste baiano, porém o empreendimento está atolado em problemas. Dos 1.500 km previstos, apenas um terço está em obras, ainda assim em ritmo lento.

A ferrovia teve licença ambiental suspensa pelo Ibama em 2011, devido a uma série de condicionantes que não vinham sendo cumpridas pela Valec, estatal responsável. A meta agora é destravar o trecho de 500 km que liga as cidades de Caetité (BA) e Barreiras (BA). Além de não ter licença de instalação, o trecho teve as obras suspensas pelo TCU. Um dos maiores interessados em ver andar a obra da Fiol, o diretor-presidente da Bahia Mineração (Bamin), José Francisco Viveiros, diz que a demora frustra os planos de exploração das jazidas da empresa e, consequentemente, gera prejuízos.

Quando puder ser transportado, o que não deve ocorrer antes de 2015, o minério do interior baiano será exportado pelo Porto Sul, outro grande projeto travado no Nordeste. O impacto ambiental gerou uma interminável guerra de interesses. O ancoradouro está dividido em duas áreas: o terminal de uso privativo da Bamin e um porto público, candidato a integrar o novo sistema de concessões desenhado pela União. De acordo com o governo baiano, a obra deve durar pelo menos cinco anos, contados a partir da obtenção da licença de instalação, que ainda não chegou.

Para o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, é fundamental melhorar o planejamento e a qualidade dos projetos antes de se iniciarem as obras. De acordo com o dirigente, também é importante que a legislação seja “revisitada”, a fim de proporcionar maior segurança e previsibilidade aos empreendimentos. Os prejuízos com tamanhos atrasos em projetos de grande porte, ele registra, são “astronômicos”.

Um bom exemplo de planejamento capenga é a transposição do rio São Francisco, em que parte das obras foi contratada com base apenas no projeto básico, o que originou vários pedidos de aditivos por parte das empreiteiras. Como resultado, o custo da obra já saltou mais de 40%, para R$ 6,8 bilhões, enquanto o prazo de conclusão, inicialmente estimado para dezembro de 2010, segue indefinido. O eixo leste, mais avançado, está com 55% de execução e só deve ser inaugurado no fim de 2015.

A obra de duplicação e requalificação da BR-101, que corta boa parte do litoral nordestino, é considerada fundamental para melhorar o turismo. As obras, porém, estão atrasadas. De acordo com o primeiro balanço do PAC, a meta inicial era concluir em dezembro de 2010 o trecho de 410 km entre o Rio Grande do Norte e Alagoas. No entanto, apenas 30% do percurso está feito, apesar de 75% dos recursos previstos terem sido desembolsados até 2010. O custo também cresceu bastante, de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,5 bilhões.

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Nordeste Notícias: violência eleitoral

VIOLÊNCIA NA CAMPANHA JÁ MATOU MAIS QUE EM 2010

A ESCALADA DA VIOLÊNCIA ELEITORAL

Fonte: Autor(es): Renato Onofre O Globo

Em 50 dias de campanha, foram 22 mortos; crescem pedidos de reforço de segurança

RIO, NATAL e MACEIÓ Domingo, 26 de agosto, município de Senador La Roque (MA), 17 mil habitantes. Um grupo liderado pelo candidato a vereador Nato dos Currais (PT) se prepara para uma caminhada pelo Tabuleirão. Às 18h24m, um motociclista se aproxima e dispara. Duas pessoas são mortas, entre elas a mulher de Nato, Francisca da Silva, 40 anos. Este é um dos 22 assassinatos envolvendo políticos em apenas 50 dias de campanha este ano. O número já é 22% maior do que nas eleições de 2010, onde houve 18 mortes em 118 dias.

A insegurança política levou 410 municípios a pedirem à Justiça Eleitoral reforço da Força de Segurança Nacional. O caso mais recente foi em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, onde os juízes das zonas eleitorais 104ª e 151ª anunciaram ontem que vão pedir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) a antecipação do reforço de segurança pelas tropas federais. A decisão foi tomada após Wellington Campos, um dos coordenadores de campanha do candidato a prefeito Helil Cardozo (PMDB), ter seu carro alvejado por sete tiros, em frente ao comitê de campanha. Para o juiz da 151ª Zona Eleitoral, Marcelo Villas, a motivação foi política.

– A disputa está descambando para a pistolagem. O ideal é que o reforço na segurança venha agora – disse Villas.

A escalada de violência em 16 dos 26 estados preocupa. Segundo estimativa da União dos Vereadores do Brasil (UVB), pelo menos 5% dos candidatos já sofreram ameaça nesta eleição.

– Eleição deveria ser um ato democrático, mas é guerra. Cada caso é uma motivação, muitas vezes é uma posição que atinge interesses ligados a empresários ou poderosos. Em 99% das ameaça, o candidato não registra – afirma o presidente da UVB, Gilson Conzatti.

especialistas falam em coronelismo

O estado que mais requisitou a Força Nacional é o Piauí, com solicitações em 135 cidades. Em seguida vem Rio Grande do Norte, com 112. Por região, o Nordeste foi a que mais pediu reforço, com 305 pedidos, entre os quais o de Senador La Roque. No Norte, o Pará lidera com 39 cidades, e Amazonas tem 38.

Nos estados mais ricos, no Sul e no Sudeste, apenas o Rio pediu envio da tropa, para impedir o domínio de candidatos do tráfico e da milícia na capital, sobretudo nas zonas Norte e Oeste.

O primeiro estado a ter solicitações atendidas pelo Tribunal Superior Eleitoral foi o Amazonas, palco de dois assassinatos e com um histórico de violência eleitoral. O voto na Amazônia Legal está ligado à disputa pela terra: as figuras de grileiros e cabos eleitorais se misturam nas cidades que já tiveram seu pleito por segurança atendido – Maués, Manicoré e Novo Airão.

O cartório de Maués foi incendiado por eleitores e cabos eleitorais, segundo informou o juiz da zona eleitoral da cidade, Márcio Rohier Pinheiro Torres:

– Para coibir e fiscalizar excessos nas zonas eleitorais, precisamos ir de barco às comunidades. Isso dificulta muito.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), há frequentes registros de brigas entre cabos eleitorais, tentativas de homicídio de candidatos e cartórios eleitorais incendiados – até com o juiz dentro, como em Boca do Acre, a 1.537 Km de Manaus. Em Novo Aripuanã, a 29ª Zona Eleitoral também já foi incendiada.

Para o chefe dos procuradores eleitorais do Ministério Público Eleitoral do Amazonas, promotor Jorge Wilson Cavalcanti, os confrontos ocorrem mais nas eleições municipais, pois os adversários moram na mesma cidade.

Além do Amazonas, o TSE aprovou envio de tropas para 39 cidades do Pará e uma do Maranhão. No Rio Grande do Norte, o TRE aprovou o pedido de reforço em 67% das cidades. Em Alagoas, onde os juízes temem um banho de sangue, 20% das cidades querem as tropas. Em dez anos, dois prefeitos e cinco vereadores foram assassinados no estado por questões políticas.

– Eleição é assunto proibido. Melhor ter o pessoal da federal, né? – diz uma moradora de Minador do Negrão, a 169 km de Maceió, com cinco mil habitantes, considerada a cidade mais violenta em período eleitoral. Lá, desde 2004, o voto só é garantido por tropas federais.

A violência eleitoral é associada ao coronelismo, segundo especialistas.

– Não é uma questão cultural, mas, sim, dos feudos de políticos ligados ao velho coronelismo de Norte e Nordeste, que oprime e persegue oposicionistas. Imagina o que é tentar fazer fiscalização no Maranhão e em Alagoas? É complicado, eles matam mesmo – diz Vânia Siciliano, professora de Direito Eleitoral da Uerj e presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-RJ.

Vânia, que atua na área eleitoral há 24 anos, diz que o número de cidades que pediram tropas federais deveria ser maior, mas muitos juízes acham que podem garantir sozinhos a segurança. O cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, acrescenta que o envio de tropas também pretende garantir a neutralidade:

– Há desconfiança quanto às PMs, subordinadas ao governador.

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