Arquivo da categoria: Corrupção

Delação da OAS contra Lula torna impeachment de Dilma realidade

O blog, O Antagonista conta as conversas de bastidores que levou o presidente da OAS a falar tudo sobre participação de Lula nos escândalos de corrupção da Petrobras.

Em 2 de março, O Antagonista antecipou que a OAS poderia explodir, dado o desespero de seu dono e fundador, César Mata Pires.

Fonte:  O Antagonista

Com delação da OAS contra Lula, impeachment de Dilma é realidade

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Bomba atômica: presidente da OAS entrega Lula

Leo Pinheiro, presidente da OAS, preso na Operação Lava Jato, está pronto a entregar Lula à Justiça. Praticamente já entregou. É a capa da Veja.

Leia também: Petrolão chega a Lula, dono de empreiteira contará tudo em delação

Em 2 de março, O Antagonista antecipou que a OAS poderia explodir, dado o desespero de seu dono e fundador, César Mata Pires.

Leiam o que escrevemos:“César Mata Pires, fundador da OAS, é um homem desesperado. A sua empreiteira está afundando depois de deflagração da Operação Lava Jato. Desesperado e amargurado com a Odebrecht, com quem mantinha, digamos, acordos bastante lucrativos. Ele foi aconselhado a ameaçar Lula, como contaremos a seguir.

No dia 20 de fevereiro, reproduzimos aqui que César Mata Pires procurou Marcelo Odebrecht, diretor-presidente da dita-cuja, para saber como era possível que a empreiteira comandada pelo menino não tivesse ninguém preso.

Na mesma conversa, ele disse que não estava preocupado em salvar a própria pele, mas que não deixaria os seus herdeiros pagarem por “erros cometidos em equipe” – menção a lambanças cometidas pela OAS com a cumplicidade da Odebrecht, que até agora vem se safando.

A informação foi tirada de uma reportagem publicada pelo Estadão, cujo tema principal eram os encontros de Lula e Paulo Okamotto com empreiteiros à beira de um ataque de nervos. Ao jornal, a Odebrecht negou o encontro e a OAS saiu-se com uma evasiva.

O Antagonista resolveu apurar os desdobramentos dessa história e descobriu que César Mata Pires procurou também Emílio Odebrecht, pai de Marcelo e presidente do Conselho de Administração da empresa.

O encontro foi na ilha de Kieppe, na baía de Camamu, no sul da Bahia, de propriedade dos Odebrecht. O dono da OAS formulou a mesma pergunta a Emílio: como era possível que a empreiteira dele não tivesse ninguém preso, ao passo que a sua estava com toda a diretoria em cana. E acrescentou: o que eu posso fazer para salvar a OAS?

A resposta de Emilio Odebrecht foi: “Procure Lula”.

Emílio contou-lhe então que, temendo pela prisão de Marcelo, foi direto ao ponto com o petista. Emílio Odebrecht disse a Lula o seguinte: “Se for preso, o Marcelo não aguentará a pressão: ele vai abrir a boca e contará tudo o que sabe sobre as suas relações com a Odebrecht.

O Antagonista revelou que Lula interferiu para que Renato Duque fosse solto, depois de ser ameaçado pela mulher do ex-diretor da Petrobras, operador do PT na estatal. Não se sabe se Lula moveu um dos seus tentáculos para manter, até o momento, graúdos da Odebrecht fora da prisão.

Não se está insinuando, aqui, nada contra a Justiça. O empenho dos procuradores da Lava Jato em incriminar a empreiteira é grande, assim como o do juiz Sergio Moro. A nossa impressão é de que a Odebrecht será pega no momento certo pelos bravos paranaenses.

O único fato da nossa apuração — e fato assombroso, por mais que conheçamos as relações promíscuas entre a Odebrecht e Lula — é que Emilio Odebrecht ameaçou Lula e recomendou a César Mata Pires que fizesse o mesmo com o petista se quisesse salvar a sua empresa.”

Leo Pinheiro, por determinação de César Mata Pires, explodiu no colo de Lula.impeachment Dilma Rousseff parece iminente.

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Dono de empreiteira contará tudo em delação. Petrolão chega a Lula

Preso há 6 meses, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, uma das empreiteiras envolvidas no Petrolão, admite fazer acordo de delação premiada.

Culto, carismático e apreciador de boas bebidas, ele integrava um restrito grupo de pessoas que tinham acesso irrestrito ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada.

Fonte: Veja

Os favores do empreiteiro

Petrolão chega a Lula, dono de empreiteira contará tudo em delação

Segundo Léo Pinheiro, Lula pediu a ele que cuidasse da reforma do “seu” sítio em Atibaia. A propriedade está registrada em nome de um sócio de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente. Foto: Jefferson Coppola/VEJA

Preso há seis meses, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, uma das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, admite pela primeira vez a intenção de fazer acordo de delação premiada. Seu relato mostra quanto era íntimo de Lula.

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O engenheiro Léo Pinheiro cumpre uma rotina de preso da Operação Lava-Jato que, por suas condições de saúde, é mais dura do que a dos demais empreiteiros em situação semelhante. Preso há seis meses por envolvimento no esquema do petrolão, o e­­x-presidente da OAS, uma das maiores construtoras do país, obedece às severas regras impostas aos detentos do Complexo Médico-Penal na região metropolitana de Curitiba.

Usa o uniforme de preso, duas peças de algodão a­­zul-claras. Tem direito a uma hora de banho de sol por dia, come “quentinhas” na própria cela e usa o banheiro coletivo. Na cela, divide com outros presos o “boi”, vaso sanitário rente ao piso e sem divisórias. Dez quilos mais magro, Pinheiro tem passado os últimos dias escrevendo.

Um de seus hábitos conhecidos é redigir pequenas resenhas e anexá-las a cada livro lido. As anotações feitas na cela são muito mais realistas e impactantes do que as literárias. Léo Pinheiro passa os dias montando a estrutura do que pode vir a ser seu depoimento de delação premiada à Justiça.

Pinheiro foi durante toda a década que passou o responsável pelas relações institucionais da OAS com as principais autoridades de Brasília. Um dos capítulos mais interessantes de seu relato trata justamente de uma relação muito especial – a amizade que o unia ao e­­x-presidente Lula.

De todos os empresários presos na Operação Lava-Jato, Léo Pinheiro é o único que se define como simpatizante do PT. O empreiteiro conheceu Lula ainda nos tempos de sindicalismo, contribuiu para suas primeiras campanhas e tornou-se um de seus mais íntimos amigos no poder.

Culto, carismático e apreciador de boas bebidas, ele integrava um restrito grupo de pessoas que tinham acesso irrestrito ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada. Era levado ao “chefe”, como ele se referia a Lula, sempre que desejava.

Não passava mais do que duas semanas sem manter contato com o presidente. Eles falavam sobre economia, futebol, pescaria e os rumos do país. Com o tempo, essa relação evoluiu para o patamar da extrema confiança – a ponto de Lula, ainda exercendo a Presidência e depois de deixá-la, recorrer ao amigo para se aconselhar sobre a melhor maneira de enfrentar determinados problemas pessoais.

Como é da natureza do capitalismo de estado brasileiro, as relações amigáveis são ancoradas em interesses mútuos. Pinheiro se orgulhava de jamais dizer não aos pedidos de Lula.

Petrolão chega a Lula, dono de empreiteira contará tudo em delação

Pinheiro: do trânsito livre ao Palácio do Planalto ao banheiro coletivo na prisão. Foto: Beto Barata/VEJA

Desde que deixou o governo, Lula costuma passar os fins de semana em um amplo sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. O imóvel é equipado com piscina, churrasqueira, campo de futebol e um lago artificial para pescaria, o esporte preferido do ex-presidente.

Desde que deixou o cargo, é lá que ele recebe os amigos e os políticos mais próximos. Em 2010, meses antes de terminar o mandato, Lula fez um daqueles pedidos a que Pinheiro tinha prazer em atender. Encomendou ao amigo da construtora uma reforma no sítio. Segundo conta um interlocutor que visitou Pinheiro na cadeia, esse pedido está cuidadosamente anotado nas memórias do cárcere que Pinheiro escreve.

Na semana passada, a reportagem de VEJA foi a Atibaia, região de belas montanhas entrecortadas por riachos e vegetação prístina. Fica ali o Sítio Santa Bárbara, cuja reforma chamou a atenção dos moradores.

Era começo de 2011 e a intensa atividade nos 150 000 metros quadrados do sítio mudou a rotina da vizinhança. Originalmente, no Sítio Santa Bárbara havia duas casas, piscina e um pequeno lago. Quando a reforma terminou, a propriedade tinha mudado de padrão.

As antigas moradias foram reduzidas aos pilares estruturais e completamente refeitas, um pavilhão foi erguido, a piscina foi ampliada e servida de uma área para a churrasqueira. As estradas lamacentas do sítio receberam calçamento de pedra e grama.

Um campo de futebol surgiu entre as árvores. O antigo lago deu lugar a dois tanques de peixes contidos por pedras nativas da região e interligados por uma cascata. Ali boiam pedalinhos em formato de cisne. A área passou a ser protegida por grandes cercas vigiadas por câmeras de segurança, canil e guardas armados.

O que mais chamou atenção, além da rapidez dos trabalhos, é que tudo foi feito fora dos padrões convencionais. A reforma durou pouco mais de três meses. Alguns funcionários da obra chegavam de ônibus, ficavam em alojamentos separados e eram proibidos de falar com os operários contratados informalmente na região e orientados a não fazer perguntas.

Os operários se revezavam em turnos de dia e de noite, incluindo os fins de semana. Eram pagos em dinheiro. “Ajudei a fazer uma das varandas da casa principal. Me prometeram 800 reais, mas me pagaram 2 000 reais a mais só para garantir que a gente fosse mesmo cumprir o prazo, tudo em dinheiro vivo”, diz Cláudio Santos.

“Nessa época a gente ganhou dinheiro mesmo. Eu pedi 6 reais o metro cúbico de material transportado. Eles me pagaram o dobro para eu acabar dentro do prazo. Era 20 000 por vez. Traziam o envelopão, chamavam no canto para ninguém ver, pagavam e iam embora”, conta o caminhoneiro Dário de Jesus. Quem fazia os pagamentos? “Só sei que era um engenheiro que esteve na obra do Itaquerão. Vi a foto dele no jornal”, recorda-se Dário.

CPI da Petrobras: Barusco confirma repasse de recursos para campanha de Dilma

A estimativa é que o PT tenha recebido cerca de U$ 200 milhões. Pedro Barusco contou que João Vaccari intermediou a doação ao PT.

Gasene pagou propina ao PT

Fonte: O Globo 

CPI da Petrobras: Barusco confirma repasse para campanha de Dilma em 2010

Pedro Barusco em depoimento à CPI da Petrobras. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Lava-Jato: Barusco confirma repasse de recursos para campanha de Dilma em 2010

Ex-gerente da Petrobras reafirma na CPI que tesoureiro do PT recebeu propina

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco afirmou nesta terça-feira na CPI da Petrobras que houve repasse de recursos por meio do esquema que operava na estatal para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Barusco contou que foi pedida uma doação à empresa holandesa SBM Offshore. Os recursos foram repassados a ele, que fez posteriormente um “acerto de contas” com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, para que o dinheiro chegasse ao partido.

De acordo com o relato do ex-gerente, foi pedida uma contribuição de campanha para a SBM. Barusco conta que o representante da empresa holandesa no Brasil, Julio Faerman, repassou os recursos a ele e que foi feita uma negociação com Vaccari no caixa de propinas.

– Foi solicitado à SBM um patrocínio de campanha. Não foi dado por eles diretamente, eu recebi o dinheiro e repassei num acerto de contas em outro recebimento. Foi para a campanha presidencial em 2010, na que teve José Serra e Dilma Rousseff. (A doação) foi ao PT, pelo João Vaccari Neto – disse Barusco.

No início do depoimento, Barusco reafirmou que ele próprio, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o tesoureiro do PT, João Vaccari, recebiam recursos do esquema de propina da Petrobras.

— O mecanismo envolvia representante da empresa (Petrobras), próprios empresários, eu, Duque e João Vaccari, fomos protagonistas — afirmou, observando, no entanto, que não sabe como Vaccari recebia esses recursos, se eram depositados no exterior, se iam direto para o PT como doações ou se eram entregues em espécie.

Barusco confirmou, durante seu depoimento na CPI da Petrobras, que em uma ocasião Vaccari Neto propôs a troca do recebimento de uma propina com ele. Segundo Barusco, havia um problema para que a construtora Schain pagasse o que havia acertado com ele. Vaccari, no entanto, afirmou que tinha mais contatos com essa construtora e, como tinha um valor a receber da empreiteira MPE, propôs uma troca, o que foi aceito.

ESTIMATIVA DE PROPINA AO PT: US$ 200 MILHÕES

No início do depoimento, Barusco afirmou ainda que não tem certeza de que o partido teria recebido US$ 200 milhões. O cálculo foi feito por estimativa.

— Gostaria de esclarecer um detalhe: dizem que eu acusei o PT de receber US$ 200 milhões ou US$ 150 milhões. Estou aqui com acordo em mãos. O que eu disse é que eu estimava esse valor, que por eu ter recebido a quantia divulgada, como o PT estava na divisão da propina, cabia a ele receber o dobro ou um pouco mais. Eu estimava que devia ter recebido o dobro. Se eu recebi, por que os outros não? — afirmou, para continuar:

— Eu não acusei nada. Eu falei que cabia a mim uma quantia e eu recebi. Então eu estimei. Eu estimo, considerando o valor que recebeu de propina, que foi pago de US$ 150 a US$ 200 milhões. Não sei como recebeu, se foi doação oficial, se foi lá fora, se foi em dinheiro. Havia reserva para o PT receber. Se recebeu, e a forma como recebeu, eu não sei.

Barusco também afirmou que a divisão da propina estabelecida era feita com um agente político ou representante deste, sem esclarecer exatamente a quem se referia.

— O envolvimento com agente político ou representante de agente político era no momento da divisão do quantitativo da propina. Se o contrato pertencia (à diretoria de) Abastecimento, 2%, 1% era Abastecimento, para o diretor Paulo Roberto conduzir o recebimento e o encaminhamento. Outro 1% era metade para o PT e metade para a casa, no casoRenato Duque. Eu cuidava desse 0,5% e o outro 0,5% mais recentemente quando assumiu João Vaccari era ele quem conduzia.

Barusco disse que, além dele, “em alguns casos” também receberam recursos irregulares, o então diretor Jorge Zelada e, em pouquíssimos casos, um ou dois, o sucessor ele, Roberto Gonçalves.

PROPINA NO GASENE AO PT

Mais cedo, Barusco afirmou que houve pagamento de propina nas obras do Gasene, com parte dos recursos destinados ao PT. O GLOBO revelou em janeiro que o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento na obra e que a empresa paralela criada para realizar a obra era de “papel” e presidida por um “laranja”.

— Lembro de algumas empresas que participaram e teve pagamento de comissões. Lembro da Bueno e da Galvão Engenharia, teve outras. Tentei no meu termo de colaboração colocar tudo. Tem mais alguns contratos — disse.

O ex-gerente disse ainda que recebeu propina de forma pessoal a partir de 1997 (governo Fernando Henrique) e que a partir de 2003 (governo Lula) o pagamento foi de forma “institucionalizada”, com a participação de outras pessoas da companhia.

— Como faz parte do meu termo de colaboração, iniciei a receber em 1997, 1998. Foi uma iniciativa pessoal minha junto com representante da empresa. Descrevo no meu depoimento, vou reiterar o que está dito. Na forma mais ampla, em contato com outras pessoas, de forma mais institucionalizada, isso foi a partir de 2003, 2004 — disse o ex-gerente.

Leva-Jato: em entrevista, Dilma insinua que funcionários da Petrobras são corruptos

Leva-Jato: “Eu não vou tratar a Petrobras como a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso”, afirmou.

Dilma quer tirar o foco da corrupção dos governos do PT

Fonte: O Globo 

Petrolão: Dilma insinua que funcionários da Petrobras são corruptos

Dilma: Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso. Foto: Reuters

‘Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras’, diz Dilma

Presidente reafirmou que não pretende punir empresas, mas as pessoas envolvidas no escândalo

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que nunca antes na história do Brasil, algo que seu antecessor, Lula, repetia muito, se investigou tanto. E que a corrupção existia antes, mas não era investigada. Em rápida entrevista depois de receber os novos embaixadores que atuarão no Brasil, Dilma afirmou que o governo fará tudo dentro da legalidade, mas não se furtará em punir quem cometeu “malfeito”. Esta foi a primeira vez que Dilma falou com jornalistas desde o fim de dezembro, quando recebeu repórteres para um café da manhã no Palácio do Planalto.

— Uma coisa tem a ver com a investigação. Os donos das empresas, as acionistas das empresas, serão investigadas. A empresa não é uma entidade que seja desvinculada dos seus acionistas.O governo fará tudo dentro da legalidade. Nós iremos tratar as empresas tentando, principalmente, considerar que é necessário gerar emprego e renda no Brasil. Isso não significa de maneira nenhuma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja, doa a quem doer. Eu não vou tratar a Petrobras como a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso — afirmou.

A presidente pontuou que se já na década de 90 a corrupção que ocorria na estatal tivesse sido descoberta, o mega esquema de pagamento de propina de empreiteiras a funcionários do empresa não teria se perpetuado por tanto tempo:

— Se em 96, 97 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras, que ficou, durante quase 20 anos, praticando atos de corrupção. A impunidade leva a água pro moinho da corrupção.

Dilma aproveitou para reiterar o discurso que fez ao longo da campanha, de que atualmente os órgãos de controle da gestão pública funcionam de forma isenta.

— Um passo foi dado no Brasil e é esse passo que nós temos que olhar e valorizar: atualmente todos os órgãos não tem engavetador da República, não tem controle sobre a Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal e isso significa que junto com o Ministério Público e junto com a Justiça, todos os órgãos do Judiciário, está havendo no Brasil um processo de investigação como nunca foi feito antes. Não que antes não existia, é que antes não tinha sido investigado e descoberto. Porque quando você investiga e descobre, a raiz das questões surge e você impede que aquilo se repita e que seja continuado — disse acrescentando:

— O governo fará tudo dentro da legalidade. Nós iremos tratar as empresas tentando, principalmente, considerar que é necessário gerar emprego e renda no Brasil. Isso não significa de maneira nenhuma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja, doa a quem doer. Eu não vou tratar o Petrobrascomo a Petrobras tendo praticado malfeitos. Quem praticou malfeitos foram os funcionários da Petrobras, que vão ter que pagar por isso — afirmou.

A presidente pontuou que se já na década de 90 a corrupção que ocorria na estatal tivesse sido descoberta, o mega esquema de pagamento de propina de empreiteiras a funcionários do empresa não teria se perpetuado por tanto tempo:

— Se em 96, 97 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras, que ficou, durante quase 20 anos, praticando atos de corrupção. A impunidade leva a água pro moinho da corrupção.

Dilma aproveitou para reiterar o discurso que fez ao longo da campanha, de que atualmente os órgãos de controle da gestão pública funcionam de forma isenta.

— Um passo foi dado no Brasil e é esse passo que nós temos que olhar e valorizar: atualmente todos os órgãos não tem engavetador da República, não tem controle sobre a Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal e isso significa que junto com o Ministério Público e junto com a Justiça, todos os órgãos do Judiciário, está havendo no Brasil um processo de investigação como nunca foi feito antes. Não que antes não existia, é que antes não tinha sido investigado e descoberto. Porque quando você investiga e descobre, a raiz das questões surge e você impede que aquilo se repita e que seja continuado — disse.

Dilma: reputação abalada

Dilma Rousseff é desonesta, falsa e indecisa. Esta é a opinião, respectivamente, de 47%, 54% e 50% dos brasileiros consultados pelo Datafolha.

Lula, por exemplo, já mergulha de cabeça no esforço para recuperar a imagem do PT que Dilma está pondo a perder

Fonte: O Estado de S.Paulo 

Dilma: reputação abalada e a afundação do Brasil

Reputação abalada

Dilma Rousseff é desonesta, falsa e indecisa. Esta é a opinião, respectivamente, de 47%, 54% e 50% dos brasileiros consultados pelo Datafolha. Esta impopularidade a própria presidente da República construiu e foi significativamente ampliada a partir do momento em que veio se somar à comprovação de sua incompetência como chefe do governo a constatação, diante das medidas anunciadas logo após a posse, de que agiu de má-fé e mentiu deslavadamente durante a campanha eleitoral, fazendo agora exatamente aquilo que havia acusado seus opositores de estarem propondo: uma guinada na condução da economia e das finanças públicas e “correções” em benefícios trabalhistas.

Agora, alarmada com o panorama sombrio da avaliação do seu governo – queda de 42% para 23% de ótimo/bom e aumento de 24% para 44% de ruim/péssimo -, Dilma tenta articular uma ofensiva de comunicação para recuperar as perdas, inclusive recorrendo aos truques do marqueteiro João Santana, responsável pelas peças de ficção que tiveram peso importante na vitória da campanha eleitoral petista.

Certamente como consequência das dimensões bilionárias que o escândalo da Petrobrás atingiu, a corrupção (14%) é hoje, logo depois da saúde (26%), a maior preocupação dos brasileiros apurada na pesquisa Datafolha. Dilma planeja contra-atacar, logo após o carnaval, tirando de seu balaio de promessas o tão anunciado pacote de medidas contra a corrupção. Seriam cinco projetos de lei prometidos ainda durante a campanha eleitoral, dos quais dois deverão ser encaminhados ao Congresso Nacional em regime de urgência.

Essa medida cumprirá ainda o objetivo tático de fazer contraponto à reação negativa que certamente terá na opinião pública a denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará nos próximos dias contra políticos investigados na Operação Lava Jato, muitos deles pertencentes ao PT e à base aliada. Um dos projetos que o Ministério da Justiça diz estar finalizando endurece as penas a serem cumpridas por funcionários públicos condenados por enriquecimento ilícito. Outro prevê o confisco de bens obtidos por meios ilegais.

O escândalo da Petrobrás, do qual a presidente da República tenta manter distância, apesar de sua óbvia vinculação com a estatal desde quando ocupou o Ministério de Minas e Energia, tem pesado muito na avaliação de Dilma: 77% dos entrevistados na pesquisa estão convencidos de que ela sempre soube de tudo a respeito da farra da propina, e, dentre esses, 25% entendem que a chefe do governo simplesmente não podia fazer nada, enquanto 52% são de opinião de que ela simplesmente fez vista grossa à roubalheira.

Mas é dentro do PT que Dilma encontra importante obstáculo à intenção de dar a volta por cima nessa profunda crise de popularidade. A tendência majoritária do partido, a Construindo um Novo Brasil (CNB), a que pertence o ex-presidente Lula, foi alijada da intimidade do Planalto e está em pé de guerra contra a presidente. Aliados a deputados da base governista, os petistas rebeldes resistem no Congresso ao pacote fiscal apresentado pela equipe econômica do governo, que reduz benefícios trabalhistas e previdenciários com o objetivo de obter uma economia de R$ 18 bilhões para atenuar o déficit fiscal.

Foram apresentadas por deputados e senadores, até segunda-feira, 620 emendas às duas medidas provisórias em discussão. Dois terços dessas emendas, 412, são de autoria de parlamentares governistas, entre eles o ex-ministro de Esportes de Lula e Dilma, Orlando Silva (PC do B-SP). “Estourar a corda para o lado do mais fraco, na hora da dificuldade, não dá”, diz ele.

Isso é parte da herança que a presidente da República legou a si mesma, no primeiro mandato e na campanha eleitoral, graças à sua inépcia administrativa e à sua inaptidão para a política. Há quem aposte que Dilma Rousseff não poderá, nem saberá, sair do poço em que se afunda a cada dia que passa. Lula, por exemplo, já mergulha de cabeça no esforço para recuperar a imagem do PT que Dilma está pondo a perder. Sem isso, afinal, será muito difícil voltar ao Planalto em 2018, como já anunciou ser sua vontade.

Petrolão: esquema de corrupção teria influenciado eleições desde 2006

Revelação é do advogado que defende Youssef. Agentes públicos e políticos foram os grandes beneficiários do esquema de corrupção.

Esquema alterou os resultados das eleições de 2006, 2010 e possivelmente de 2014. Houve desequilíbrio no pleito”, disse Basto.

Fonte: Valor Econômico 

Esquema da Petrobras teria influenciado eleições desde 2006

Advogado de Youssef ressalta que o rumo da Operação Lava-Jato indica que o dinheiro desviado da Petrobras irrigou campanhas políticas e, portanto, teria influenciado no resultado das eleições majoritárias. Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Esquema da Petrobras teria influenciado eleições desde 2006

O esquema de corrupção que desviou dinheiro da Petrobras nos últimos dez anos influenciou o resultado das eleições de 2006, de 2010 e possivelmente de 2014, disse ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef, um dos 11 delatores da Operação Lava-Jato.

Basto diz que os agentes públicos e políticos foram os grandes beneficiários do esquema de corrupção, “feito para que o grupo que estava no poder se perpetuasse”. Ele ressalta que o rumo da Operação Lava-Jato indica que o dinheiro desviado da Petrobras irrigou campanhas políticas e, portanto, teria influenciado no resultado das eleições majoritárias desde 2006.

A campanha do ano passado pode ter sido menos influenciada, na visão do advogado, porque a operação estourou em março de 2014, e isso pode ter diminuído o fluxo de recursos ilícitos para os caixas das campanhas.

“A participação dos políticos e dos agentes públicos foi fundamental no esquema. Não dá para desviar o foco para empreiteiras e operadores. O esquema foi comandado por agentes políticos para a manutenção de grupos e partidos no poder. O esquema alterou os resultados das eleições de 2006, 2010 e possivelmente de 2014. Houve desequilíbrio no pleito”, disse Basto.

Outro delator, o executivo Augusto Mendonça Neto, da Setal, disse em depoimento que pagou propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque por meio de doação de campanha ao PT. Ele disse ter doado R$ 4 milhões entre 2008 e 2011 ao PT a pedido de Duque como pagamento de propina para a realização de obras na Refinaria do Paraná (Repar).

Em fevereiro Figueiredo Basto deve pedir prisão domiciliar para Alberto Youssef. Depois, ao fim do processo, vai tentar o perdão judicial para seu cliente, porque ele teria prestado colaboração “eficaz” e importante para a sociedade.

A delação premiada de Youssef já foi homologada pelo ministro do STF Teori Zavascki, e os termos do acordo vieram a público na noite de ontem. A pena mínima que Youssef deve pegar é de três anos, e a máxima, de cinco. Segundo Basto, o resultado do acordo foi “excelente”.

Como Youssef já havia feito um acordo de delação premiada em dezembro de 2004 e voltou a cometer crimes, conforme disse o advogado, “a situação dele é peculiar”. Os depoimentos de Youssef serão essenciais para combater as “organizações” que teriam irrigado o esquema, disse o advogado.

O advogado não quis falar sobre a quantidade de nomes ou partidos políticos citados por Youssef em suas mais de cem horas de depoimento à PF, mas o doleiro teria citado mais de 50 pessoas envolvidas no esquema, entre políticos, agentes públicos, operadores e executivos. “A credibilidade do meu cliente é atestada pelo procurador-geral da República e o acordo foi homologado [Rodrigo Janot] e pela mais alta Corte do país [STF]”, disse Basto.

Figueiredo Basto disse que a tensão em Brasília em razão dos nomes citados pelo doleiro é “normal”, uma vez que “a participação dos políticos foi fundamental para que o esquema se perpetuasse”.

O advogado não quis comentar se a família de Youssef estaria tendo algum esquema de proteção especial por causa da dos nomes citados pelo doleiro. Disse que o tema é sigiloso e que Polícia Federal e Ministério Público Federal já tomaram providências.

Petrobras: perdas por corrupção deverá ser de R$ 10 bi

Na lista de casos contabilizados estão: as refinarias Abreu e Lima e Comperj. Estão também obras de modernização das refinarias Repar, Replan e Henrique Lage.

Também terão perdas as obras do Gasoduto Urucu-Manaus e Cabiúnas (no Rio).

Fonte: O Globo 

Corrupção: Petrobras já admite colocar em balanço parte das perdas

Charge: Cabral/PSDB

Petrobras deverá ter perdas por corrupção de R$ 10 bi em balanço

Corte de investimentos pode chegar a 30%. Empresa não comenta

A Petrobras — que informou nesta quinta-feira mais uma vez a intenção de publicar na próxima semana seu balanço referente ao terceiro trimestre do ano passado com perdas relativas aos casos de corrupção — deverá registrar baixas contábeis de cerca de R$ 10 bilhões, de acordo com uma fonte do governo. Na lista de casos contabilizados, estarão a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro. Estão ainda as obras de modernização das refinarias Repar (Paraná), Replan (Paulínia, em São Paulo) e Henrique Lage, em São José dos Campos (SP). Também terão perdas as obras do Gasoduto Urucu-Manaus e Cabiúnas (no Rio).

Em comunicado enviado nesta quinta-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal detalhou que seu balanço vai incluir “a avaliação individual de ativos e projetos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na Operação Lava-Jato, inclusive a refinaria Abreu e Lima, o que poderá resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão de seu ativo imobilizado atual”.

CONSELHO SE REÚNE DIA 27

Para calcular a perda contábil, a Petrobras vai reduzir do seu lucro o valor dos contratos que tiveram corrupção. Para isso, tomou como base os depoimentos de delação premiada feitos por ex-funcionários da Petrobras e executivos das empresas fornecedoras à Justiça. A companhia bloqueou a contratação de 23 empresas citadas na Lava-Jato. O balanço do terceiro trimestre deveria ter sido divulgado em meados de novembro, mas foi adiado em duas ocasiões por conta das denúncias de corrupção. O Conselho de Administração da Petrobras vai se reunir no próximo dia 27 para aprovar o balanço do terceiro trimestre do ano passado, que ainda não terá o aval da auditoria PricewaterhouseCoopers.

Além das perdas contábeis de R$ 10 bilhões, a mesma fonte do governo destaca que a companhia cortará investimentos neste ano em cerca de 30%. Por ano, com base em seu Plano de Negócios 2014-2018, a estatal previa investir cerca de US$ 44 bilhões.

— A queda de investimento é de 30%. É uma retração baixa diante das dificuldades que a companhia vem enfrentando, já que não vai conseguir captar recursos no exterior — disse a fonte.

Sobre a queda de 30%, a Petrobras não confirma nem nega. Em nota, disse que está revisando seu planejamento para o ano de 2015, implementando uma série de ações voltadas para a preservação do caixa, de forma a viabilizar seus investimentos sem a necessidade de efetuar novas captações, tomando por premissas taxa de câmbio de R$ 2,60 e preço médio do barril do Brent em 2015 de US$70. “Tais medidas incluem a antecipação de recebíveis, a redução do ritmo dos investimentos em projetos, a revisão de estratégias de preços de produtos e a redução de custos operacionais em atividades ainda não alcançadas pelos programas estruturantes”, destacou. A empresa não comentou a previsão de perdas.

BUSCA DE CREDIBILIDADE

Segundo Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management, os investidores olharão com bastante atenção os números da empresa. O objetivo é avaliar a metodologia usada para contabilizar as perdas.

— O mercado embutiu no preço das ações da Petrobras uma estimativa sobre as perdas, mas o cálculo não é um consenso porque trata-se de algo intangível. Será importante saber o número oficial — disse Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

Nesta quinta, as ações preferenciais (PN, sem voto) subiram 5,36% e as ordinárias (ON, com voto) avançaram 6,41%, após a Petrobras afirmar que o balanço trará o custo da corrupção:

— A empresa deve divulgar uma estimativa de perdas até para dar credibilidade aos números. Se viesse maravilhoso, seria difícil acreditar no balanço. Divulgar resultados financeiros é o requisito mínimo para qualquer empresa de capital aberto no mundo, e mesmo um documento como esse, não auditado, resgatará um pouco da credibilidade — disseAlexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer.

Petrolão: dono da UTC diz que dinheiro foi para campanha de Dilma

Lava-Jato: Ricardo Pessoa liga os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras ao caixa de campanha eleitoral de Dilma.

Delito poderá ser comprovado com a relação direta entre a contribuição eleitoral e contratos públicos.

Documento escrito pelo empreiteiro na prisão contém queixas contra os antigos parceiros de negócios e ameaças veladas a políticos.

Fonte: Veja 

Dono da UTC: dinheiro do Petrolão foi para campanha de Dilma

Ao mencionar as doações de campanha, Pessoa escreveu que “as empreiteiras juntas doaram para a campanha de Dilma milhões”. Foto: André Coelho / O Globo

Dono da UTC liga caixa de campanha de Dilma ao petrolão

Manuscrito do empreiteiro Ricardo Pessoa obtido por VEJA diz que o esquema de corrupção instalado na Petrobras era na essência político, e não o mero resultado do conluio de alguns empresários e diretores venais da estatal. Ele também diz que o tesoureiro do comitê de reeleição da presidente está “preocupadíssimo”

Um bom resumo do que vai pela cabeça dos empreiteiros presos pela Operação Lava-Jato está em um manuscrito de seis folhas de caderno obtido por VEJA. Ele foi escrito pelo engenheiro baiano Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. VEJA confirmou a autoria do documento por meio de um exame grafotécnico feito pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp. É a primeira manifestação de um integrante do clube do bilhão desde a prisão. O documento contém queixas contra os antigos parceiros de negócios e ameaças veladas a políticos. Em um dos trechos, o empreiteiro liga os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras ao caixa de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

Nas entrelinhas do manuscrito fica evidente o desconforto dos empreiteiros de estarem sendo, pelo menos até agora, os bodes expiatórios da complexa rede de corrupção armada na Petrobras. Eles têm razão. Nas denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal e aceitas pelo juiz Sergio Moro, o esquema de corrupção na Petrobras parece ser apenas o conluio de empreiteiros gananciosos com meia dúzia de diretores venais da Petrobras. Nada mais longe da verdade. Como Paulo Roberto Costa revelou com toda a clareza, tratava-se de um esquema de desvio de dinheiro para partidos e campanhas políticas organizado pelo partido no poder, o PT. Entende-se, portanto, a insistência de Ricardo Pessoa em lembrar que em sua concepção e funcionamento o esquema na Petrobras era político. As empreiteiras entraram como a solução para o problema de como entregar o dinheiro aos parlamentares e candidatos da base aliada do governo do PT.

Pessoa cita nominalmente o tesoureiro do comitê de Dilma Rousseff, o deputado petista Edinho Silva (SP): “Edinho Silva está preocupadíssimo. Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma”. Arremata com outra pergunta desafiadora, referindo-se ainda ao caixa do comitê eleitoral da presidente: “Será se (sic) falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”. O empreiteiro faz chiste com o que já foi descoberto até agora e afirma que o volume de dinheiro desviado na diretoria de Paulo Roberto Costa é “fichinha” perto de outros negócios da Petrobras que também teriam servido à coleta de propina.

Lava Jato preocupa campanha de Dilma, afirma empreiteiro preso pela PF

Revista Veja divulga anotações do presidente da UTC, que cita outras operações da Petrobrás e doação eleitoral à candidata a reeleição

Fonte: O Estado de S.Paulo 

Preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde 14 de novembro, o presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em anotações à mão que as irregularidades na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás – da qual foi titular o ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator do esquema alvo da Operação Lava Jato – são “fichinha” se levadas em conta outras áreas da estatal. O executivo, apontado como coordenador do cartel que atuou em contratos da petrolífera, também escreveu sobre as doações das empresas à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

As anotações foram divulgadas pela revista Veja, que teve acesso a seis folhas de caderno manuscritas. A publicação confirmou que a caligrafia é de Pessoa por meio de um exame grafotécnico feito pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp. O Estado procurou o advogado do executivo, Alberto Toron, mas não obteve retorno, até esta edição ser concluída.

Ao mencionar as doações de campanha, Pessoa escreveu que “as empreiteiras juntas doaram para a campanha de Dilma milhões”. “Já pensou se há vinculações em algumas delas. O que dirá o nosso procurador-geral da República. STF a se pronunciar”, anotou o presidente da UTC.

Segundo a revista, o trecho era antecedido por outro texto no qual Pessoa escreve que, embora parlamentares considerem que doações oficiais de campanha não configuram crime, pode haver delito se for provada relação direta entre a contribuição eleitoral e contratos públicos.

Na delação premiada de Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, ele havia dito aos investigadores da Lava Jato que o ex-diretor de Serviços Renato Duque pediu doação ao PT como contrapartida aos contratos da empresa com a Petrobrás. Duque nega desvios.

Pessoa menciona também que o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, está “preocupadíssimo”. “Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso na Operação Lava Jato doaram para campanha de Dilma. Será se (sic) falarão sobre vinculações campanha x obras da Petrobrás?”

O tesoureiro petista disse que conheceu Pessoa no período eleitoral e que, nas três ocasiões em que estiveram juntos, discutiu doações oficiais. “Acredito que todos os tesoureiros de campanha tiveram contato com ele, porque a empresa era uma grande doadora”, afirmou Edinho.

‘Fichinha’. O presidente da UTC ainda afirma que a diretoria de Costa era “fichinha” se fossem somados outras operações sob suspeita. “O que foi apresentado sobre a área de Abastecimento da Petrobrás é muito pequeno quando se junta tudo a Pasadena, SBM, Angola, esquema argentino, Transpetro, Petroquímica e outras mais. Ah, e o contrato de meio ambiente na Petrobrás Internacional? Se somarmos tudo, Abastecimento é fichinha”, escreveu.

Graça Foster atuou na implementação da ‘empresa de papel’

Graça atuou diretamente na implementação da rede de gasodutos. Sede de escritório de contabilidade era o endereço da ‘empresa de papel’.

Auditoria sigilosa do TCU identificou superfaturamento de mais de 1.800% em um de seus principais trechos

Fonte: O Globo

Graça Foster atuou em processo de construção de gasoduto suspeito

Documento de 2007 mostra que estatal comandou obra superfaturada

A atual presidente da Petrobras, Graça Foster, atuou diretamente no processo de implementação da rede de gasodutos Gasene, que liga o Sudeste ao Nordeste, e que, segundo auditoria sigilosa do Tribunal de Contas da União (TCU), teve superfaturamento de mais de 1.800% em um de seus principais trechos. A investigação do tribunal foi revelada pelo GLOBO.

Segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Petrobras criou uma empresa de fachada para construir o gasoduto, usando a sede do escritório de contabilidade contratado para o negócio. O proprietário do escritório, Antonio Carlos Pinto de Azeredo, exerceu o cargo de presidente da Transportadora Gasene entre 2005 e 2011. Em entrevista, disse ter sido apenas um preposto da estatal, sem qualquer autonomia.

Documento assinado em 2007 por Graça Foster, então diretora de Gás e Energia, mostra que ela levou à diretoria executiva da estatal a proposta de aprovação de parcerias para a Transportadora Gasene. Lá, constam duas informações que demonstram que a empresa era comandada, de fato, pela Petrobras. Nas páginas 4 e 5, explicita-se que a companhia estatal agia “em nome e por conta da Transportadora Gasene”. Nas últimas duas páginas, é proposta a emissão de três cartas de atividade permitida à gestão da transportadora, forma adotada pela estatal para exercer o comando do negócio.

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O carimbo com o encaminhamento à diretoria executiva tem a assinatura de Graça Foster. O documento foi elaborado em 12 de dezembro de 2007 pelas gerências de três diretorias, incluída a comandada pela atual presidente da Petrobras. O registro do encaminhamento é de 14 de dezembro de 2007, mesma data da aprovação pelo colegiado. O que Graça submeteu aos demais diretores foi a contratação da empresa chinesa Sinopec para a construção do maior trecho do Gasene, entre Cacimbas (ES) e Catu (BA), e o financiamento junto ao BNDES, com parte dos recursos vinculada ao banco de desenvolvimento chinês.

O documento chancelado por Graça mostra que a Petrobras, de fato, comandou diretamente todas as principais ações da SPE (Sociedade de Propósito Específico), criada para gerir o negócio. Foi a estatal quem fez as negociações com a Sinopec por meio de uma comissão integrada por gerentes da companhia. No item 16 do documento, afirma-se que a comissão negociou com a Sinopec “em nome e por conta da Transportadora Gasene, visando à contratação dos serviços de engenharia, gerenciamento, suprimento e construção para a implementação do gasoduto Cacimbas-Catu”.

Já as cartas de atividade permitida instruem o presidente do Gasene a assinar contratos com a Sinopec no valor de R$ 1,9 bilhão, tanto para gerenciar o projeto quanto para construir parte dos dutos, e a assinar contrato de repasse junto ao BNDES, no valor de US$ 750 milhões, montante oriundo da parceria com o banco chinês. Uma terceira carta se referia a “celebrar os documentos necessários” para o financiamento de longo prazo do BNDES. No domingo, a Petrobras negou “qualquer ligação societária” com a SPE.

Petrobras nega superfaturamento no Gasene, apontado pelo TCU

Estatal atribui maior custo a chuvas e greves que ampliaram duração da obra

 A Petrobras divulgou nota, no início da noite desta terça-feira, para negar superfaturamento de 1.800% em trecho do Gasene, entre Cacimbas (ES) e Catu (BA), apontado em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que começou a ser votada em dezembro. “Com relação ao custo do empreendimento Gasene, é inverídica a afirmação de sobrepreço de 1.800%. Muito pelo contrário, a contratação da construção dos gasodutos pela Transportadora Gasene foi feita por um valor 4,4% abaixo da estimativa orçada, utilizando-se um projeto básico robusto”, cita a nota. A estatal reconheceu, porém, que o custo total do empreendimento foi “20% acima do valor contratado originalmente”.

O GLOBO enviou perguntas à empresa sobre o encaminhamento dado pela presidente Graça Foster, quando era diretora, sobre as parcerias com a Transportadora Gasene. A estatal não respondeu.

A Petrobras considerou ainda não haver “nenhuma irregularidade” no fato de o endereço da transportadora ser o mesmo do escritório de contabilidade contratado. “O senhor Antônio de Azeredo (dono do escritório) foi também contratado para ser o presidente da sociedade de propósito específico (SPE). Não se trata de ‘laranja’ ou ‘empresa de fachada’. Muito pelo contrário, pois tudo estava de acordo com o que prevê a lei das SAs”, afirma a nota. A Transportadora Gasene, além de usar a sede do escritório de contabilidade e de ter um presidente que declarou ser um “preposto”, tinha capital de apenas R$ 10 mil e era responsável por investimentos de R$ 6,3 bilhões.

A estatal defendeu a criação de SPEs, modelo adotado “desde o final da década de 90”, e a importância do Gasene, “fundamental para a integração do sistema de transporte de gás natural e o setor elétrico brasileiro”. O aumento dos custos se deveu a dificuldades de travessia, maior presença de rochas, chuvas e greves que ampliaram o prazo das obras, de acordo com a Petrobras.

Dilma confunde autoridade com autoritarismo, artigo Ricardo Noblat

Em artigo, Ricardo Noblat critica: “Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.”

Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria”, comentou

Fonte: Blog do Noblat

Dilma: o que ela tem em comum com seus antigos carrascos

Noblat: Dilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. Divulgação

Dilma confunde autoridade com autoritarismo

É isso o que ela tem em comum com seus antigos carrascos

Por Ricardo Noblat

Dilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. É do temperamento dela.

Dilma confunde autoridade com autoritarismo. E na maioria das ocasiões se comporta como a autoritária que é, e não como a autoridade que deveria ser.

Até os apontadores do jogo do bicho abancados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabem que Graça Foster, presidente da Petrobras, já deveria ter sido demitida.

Acabará sendo, é no que apostam. Mas à custa de muito desgaste para ela mesma, a empresa que preside, e Dilma que a mantém no cargo.

Por duas vezes até aqui, Graça pôs o cargo à disposição de Dilma. E ela não o quis de volta.

A política ensina que a pessoa que põe o cargo à disposição do seu superior é porque não deseja pedir demissão. Nem ser demitido.

Quem quer sair – ou está convencido de que a saída é o melhor que lhe resta – simplesmente sai, ora.

O cargo de Graça pertence a Dilma. E se Graça não quer deixá-lo, cabe a Dilma fazer com o que o deixe.

Entra dia e sai dia, e a Petrobras continua sangrando em praça pública. O preço de suas ações se desvalorizou 40% de janeiro para cá. Seus acionistas estão em pânico.

A roubalheira na Petrobras está sendo investigada por três países – fora o Brasil. São eles: os Estados Unidos, a Holanda e a Suíça. É o maior escândalo de corrupção da nossa história. E um dos maiores do mundo.

Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.

E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.

Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.

Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.

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