Dilma poderiam ter interrompido propinoduto, comprovam e-mails

Mensagens encontradas pela PF mostram que propinoduto poderia ter sido interrompido, mas impediram a investigação sobre os desvios.

Mensagens comprovam o que Alberto Youssef já tinha dito: a presidente tinha conhecimento sobre os esquemas na Petrobras.

Fonte: Veja.com 

Petrobras: e-mails comprovam que Dilma poderia barrar propinoduto

Dilma sabia: e-mail enviado por Paulo Roberto Costa para Dilma Rousseff, em setembro de 2009, alertou o Planalto de que o TCU queria paralisar três obras da Petrobras por ter encontrado irregularidades. Divulgação

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, mensagens encontradas pela PF em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, impediram a investigação sobre os desvios

Augusto Nunes e Joice Hansselmman comentaram a matéria. (Assista o vídeo)

Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato. Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:

“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.

O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso. Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo­cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de umcorrupto em um homem honesto da noite para o dia.

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

Documento comprovaria que a Lula e a então ministra da Casa Civil sabiam do esquema, diz revista Veja

Fonte: Mais Goiás 

Um e-mail enviado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, para Dilma Rousseff, à frente da Casa Civil, em setembro de 2009 alertou o Planalto de que o Tribunal de Contas da União (TCU) queria paralisar três obras da Petrobras por ter encontrado irregularidades. O documento, apreendido pela Polícia Federal em um computador na sede da Petrobras, foi divulgado pela revista Veja desta semana.

Na mensagem, direcionada à “Senhora Ministra Dilma Vana Rousseff“, Costa destaca que dados do TCU recomendam a paralisação das obras nas refinarias Abreu e Lima (Pernambuco) e Getúlio Vargas (Paraná) e no Terminal Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. No texto, o ex-diretor relata que seria formada uma Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso para apurar as suspeitas. Ele relembrou, ainda, que em 2007 o TCU propôs a paralisação de quatro obras da estatal, o que foi vetado pelo Congresso. Esta afirmativa sugere que a investigação não foi levada adiante após intervenções políticas.

De acordo com a publicação, a quebra de hierarquia de Costa ao escrever diretamente para o Planalto, comprovaria a preocupação em manter vivo o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

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Questionados pela revista sobre o e-mail, assessores de Dilma responderam que encaminhou a suspeita para a Controladoria-Geral da União para analisar as suspeitas; determinou que um grupo de acompanhamento examinasse o relatório junto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras; e participação em reunião entre representantes do TCU,CMO, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia, depois da suspensão das obras da Abreu e Lima no Orçamento 2010. Todos os órgãos entraram em um consenso sobre a viabilidade de regularizar as pendências na Refinaria. A presidente não se manifestou.

Na sexta-feira, uma conversa entre Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, com o advogado Carlos Fernando Braga, indicado por um pool de empreiteiras, e uma pessoa não identificada veio à tona. No diálogo, a contadora afirmou que a presidente Dilma Rousseff vai cair se Costa revelar tudo o que sabe.

A operação iniciou em 17 de março em seis estados e no Distrito Federal, com a prisão de pelo menos 24 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Dias depois, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa foi preso pela Polícia Federal. Em abril, ambos foram indiciados por lavagem de dinheiro, sob a acusação de terem desviado recursos da Petrobras. Os dois foram figuras centrais no início da Operação Lava-Jato.

Em agosto, Paulo Roberto Costa aceitou um acordo de delação premiada com a Justiça. Os depoimentos do ex-diretor causaram grande impacto na investigação. Ele revelou que a compra da refinaria de Pasadena envolveu um esquema de corrupção com pagamento de propinas, sendo US$ 1,5 milhão para ele (R$ 3,8 milhões). Em setembro, Costa delatou pelo menos 32 deputados e senadores e um governador. Os políticos teriam recebido 3% de comissão sobre o valor de cada contrato firmado pela Petrobras durante a sua gestão.

Em outubro, foi a vez de Youssef aceitar um acordo de delação premiada. O doleiro afirmou que pagou R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano.

Em novembro, a Polícia Federal cumpriu 85 mandados judiciais, incluindo 25 de prisão. Entre os detidos estavam o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dirigentes de grandes empreiteiras.

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Publicado em 24/11/2014, em Corrupção, Gestão, Gestão Deficiente, Gestão do PT, Governo do PT, Petrobras, Política e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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