Investigações vão custar R$ 19 milhões à Petrobras

Petrobras está pagando ao escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados R$ 6 milhões e ao americano, o Gibson, Dunn & Crutcher LLP, outros US$ 5 milhões.

Investigação da corrupção na Petrobras

Fonte: O Globo

Petrobras: investigações vão gastar R$ 19 milhões

Graça Foster, presidente da Petrobras, afirmou em entrevista que “em face das atuais denúncias da Operação Lava Jato, a companhia não está pronta para divulgar seus resultados. Essas denúncias podem impactar potencialmente suas demonstrações”. Divulgação

Investigações contratadas pela Petrobras vão custar R$ 19 milhões à estatal, diz Graça

Contra a corrupção, empresa afirma que aumentará controles internos

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse nessa segunda-feira que as investigações contratadas pela estatal para investigar as denúncias da operação Lava-Jato, da Polícia Federal, vão custar cerca de R$ 19 milhões à petrolífera.

Segundo ela, a empresa está pagando ao escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados R$ 6 milhões e ao americano, o Gibson, Dunn & Crutcher LLP, outros US$ 5 milhões (em torno de R$ 13 milhões). O contrato tem um período de um ano.

Graça e Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras, informaram nesta segunda-feira como serão calculadas as perdas no balanço com base nas conclusões das investigações de corrupção na estatal. Os ajustes, diz o diretor, serão feitos retirando do valor do ativo qualquer quantia que seja relativa à propina. Ou seja, explica Barbassa, a ideia é fazer com que o ativo imobilizado (ativo da companhia) tenha um valor justo.

— Se houve pagamento acima do que é justo, esse valor deve ser retirado do que foi investido e levado para o resultado. É retirar dele (ativo) qualquer valor relativo a propina — comentou ele, em teleconferência com analistas, destacando que o ajuste não inclui os questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

— Você é obrigado a baixar do valor do ativo o custo relativo à corrupção. É lei. Tem que baixar. Tem que retirar — disse Graça.

Segundo a presidente da estatal, a referência oficial para esses ajustes são os depoimentos feitos à Justiça.

— É o que o juiz tem chamado de provas emprestadas, que são encaminhadas à Petrobras pela Policia Federal para que as baixas sejam feitas ano a ano.

Graça destacou que vai buscar a reparação das perdas:

— Onde houver identificação de prejuízo, vamos buscar esse prejuízo. O jurídico ja vem trabalhando e nós vamos buscar os prejuízos para que haja retorno para o caixa da companhia. Temos sido bastante cobrados pelo Conselho para ter de volta o que pagamos além do normal e além do razoável.

Graça ressaltou que o mais importante foi a proposta apresentada ao Conselho de Administração para criar uma nova diretoria, de Governança.

— Propusemos ao Conselho criar uma diretoria de Governança. Recebemos apoio unânime do Conselho. Em face das atuais denúncias da Operação Lava Jato, a companhia não está pronta para divulgar seus resultados. Essas denúncias podem impactar potencialmente suas demonstrações. No dia 8 de outubro, os depoimentos dados por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef poderão levar a possíveis ajustes. E por isso é necessário mais tempo. Tempo também para se obter aprofundamento nas investigações dos escritórios em curso e aprimorar os controles internos — disse Graça, na abertura da conferência.

— Queremos mais que o reconhecimento técnico. Queremos o reconhecimento pela governança da companhia — acrescentou Graça.

Graça lembrou ainda sobre as medidas tomadas para o aumento dos controles internos, como as comissões internas. Ela listou que já foram feitas 60 ações para o aprimoramento da governança e dos processos de gestão e voltou a frisar que vai buscar medidas jurídicas para “ressarcimento dos supostos recursos desviados”, disse a executiva:

— No último ano, foram sete comissões internas de apuração foram concluídas no nível da diretoria e presidência.

A presidente da estatal não quis comentar a informação, dada pelo blog de Ancelmo Gois, de que o Conselho de Administração da Petrobras decidiu na sexta-feira encaminhar pedido de abertura de ação civil contra 15 funcionários — incluindo José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal, e Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional, além de dois estrangeiros — devido à polêmica compra em 2006 da refinaria de Pasadena, no Texas, responsável por um prejuízo de US$ 792,3 milhões.

ESTATAL VAI SE REUNIR COM AGÊNCIAS DE RISCO

Graça disse que vai perseguir o cumprimento dos prazos para que o balanço seja publicado com o parecer dos auditores.

— Temos pessoas dedicadas a isso, sobre essas baixas que deveremos possivelmente fazer em nossos projetos e aquisições. Do mesmo jeito que perseguimos nos últimos meses o aumento da produção, estamos prosseguindo com os trabalhos para ter nosso balanço auditado — disse Graça.

Barbassa disse que não sabe estimar se haverá mudança no pagamento de dividendos com base nas denúncias.

— Eu prefiro esperar o valor que virá do cálculo que estamos fazendo (com base nos depoimentos). Se ficar no nível que estamos esperando, não haverá mudança no nível do pagamento de dividendos — disse Barbassa.

Barbassa disse que, sem o parecer da auditoria, a empresa não consegue fazer novas captações de recursos no mercado financeiro. Segundo Barbassa, a empresa consegue operar seis meses ou mais sem a necessidade de acessar o mercado de capital.

— Temos trabalhado com volumes muito elevados de caixa, com seis meses ou mais de operação sem acessar o mercado — disse Barbassa.

A Petrobras informou que vai se reunir com as agências de classificação de risco nesta semana.

— Vamos explicar tudo que está acontecendo. Temos reuniões rotineiras. A ideia é que eles possam ter suas necessidades supridas — disse Barbassa.

MAIS REAJUSTES DE PREÇOS DE COMBUSTÍVEIS À VISTA

Graça destacou que trabalha ainda com frequência maior de reajustes de combustíveis. No último dia 7 de novembro, a gasolina subiu 3% e o diesel aumentou 5%.

— Trabalhamos com frequência maior de reajustes — disse ela.

A Petrobras informou também que reduziu a meta de crescimento de produção para este ano. O diretor de Exploração & Produção (E&P), José Formigli, disse que a estatal prevê aumentar sua produção entre 5,5% e 6% neste ano. O número é menor que os 7,5% projetados até o segundo trimestre deste ano. Entre julho e setembro, a estatal produziu em média 2,090 milhões de barris por dia.

— A produção abaixo da meta ocorre pelo atraso na entrega de plataformas próprias e necessidade de obras a bordo, atrasos no processo de licenciamentos e atrasos na interligação de poços — disse o diretor nesta segunda-feira, em conferência com analistas, citando que está para sair a licença definitiva do FPSO (navio-plataforma) Ilhabela.

A projeção da empresa é aumentar em 82% a exportação de petróleo no segundo semestre deste ano.

De acordo com Graça, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) concedeu hoje a licença para a Refinaria Abreu e Lima, a Rnest, em Pernambuco.

— Ainda que seja de altíssimo capex (investimento), vamos conseguir ter um custo de US$ 18,5 bilhões, com um forte processo de otimização.

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Publicado em 18/11/2014, em Gestão, Gestão deficiente, Gestão do PT, Governo do PT, Petrobras, Política e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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