Governo Dilma fez uso eleitoral do programa Brasil sem miséria

Às vésperas da eleição, governo triplicou repasses. Valor dos benefícios e o número de famílias alcançadas pelo programa foram crescendo.

Campanha eleitoral e uso da máquina pública

Fonte: O Globo

 Governo Dilma fez uso eleitoral do programa Brasil sem miséria

Às vésperas da eleição, governo triplicou verba de programa social

Beneficiária de fomento rural no Ceará recebeu R$ 1 mil a dois dias do 2º turno

Nos meses que antecederam as eleições deste ano, o governo federal triplicou o pagamento às famílias de baixa renda no âmbito do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. De junho a outubro de 2014, foram pagos R$ 121,37 milhões aos beneficiários do programa, uma das iniciativas do Plano Brasil Sem Miséria, voltado para a população em situação de pobreza ou extrema pobreza. No segundo semestre do ano passado, entre julho e dezembro, o valor pago foi de R$ 43,2 milhões.

O valor dos benefícios e o número de famílias alcançadas pelo programa foram crescendo à medida que se aproximavam as eleições. O número de famílias beneficiadas em outubro, mês da eleição, dobrou em relação aos meses anteriores. Ao todo, 36.569 famílias que receberam parcelas do benefício, contra 18.777 em setembro, 18.520 em agosto e 16.867 em julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Informações do MDS incluídas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostram, ainda, que outubro de 2014 foi o período que registrou maior aporte de distribuição de recursos do programa. Foram R$ 34,3 milhões. No mês anterior, setembro, o valor foi de R$ 22,6 milhões, e, para novembro, a previsão é que serão liberados R$ 22,5 milhões.

Além dos dados oficiais apresentados pelo MDS, o levantamento sobre o valor liberado também foi feito pelo economista Mansueto de Almeida, que integrou o grupo de economistas da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG). Para Mansueto, o governo acabou se beneficiando eleitoralmente dessa concentração do benefício antes da eleição.

— Não sei se foi algo programado, mas de fato o governo se beneficiou. Pode até não ter sido feito com esse intuito, mas há uma discrepância muito grande, um aumento grande de liberação antes da eleição. Os dados sugerem que houve um esforço muito maior por parte do governo quanto mais se aproximavam as eleições. Isso não quer dizer que seja um programa ruim, mas é fato que atingiu esse eleitorado mais sensível ao discurso do medo de perder esses recursos. Para saber se teve caráter eleitoreiro ou não, vamos acompanhar a execução desse programa, como de vários outros — disse o economista.

Sobre a maior liberação em outubro, Mansueto exemplificou o caso de uma beneficiária do programa no Ceará, que teve uma parcela de R$ 1 mil liberada apenas dois dias antes do 2º turno:

— A dona Maria recebia por mês R$ 221 do Bolsa Família, sendo R$ 137 o valor básico e mais R$ 42 para cada um dos filhos de 16 e 17 anos (Benefício Variável Jovem). Mas teve uma surpresa quando, em 24 de outubro, recebeu um extra de R$ 1.000 da 1ª parcela do Programa de Fomento Rural. No total, ela recebeu R$ 1.221. Claro que a dona Maria teve um grande incentivo para votar com o governo.

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Publicado em 17/11/2014, em Eleições 2014, Governo do PT, Política e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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