PT encolhe em 4 dos 5 maiores colégios eleitorais do país

A partir de 2002, o PT vem perdendo força nos cinco maiores colégios eleitorais do país, que somam 77 milhões de eleitores.

Eleições 2014

Fonte: O Globo – Na base de Dados 

PT fica menor em 4 dos 5 maiores colégios eleitorais

Depois da vitória de Lula em 2002, votação do PT vem caindo. Foto: Andre Dusek/AE

PT perde força em quatro dos cinco maiores colégios eleitorais do país

Os cinco maiores colégios eleitorais do país somam 77 milhões de eleitores, ou seja, 54% dos eleitores estão concentrados em apenas cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Entre eles, como sabemos, São Paulo lidera com mais de 31 milhões de eleitores. A força desses estados numa disputa presidencial é considerável e pode ser decisiva. O Núcleo de Jornalismo de Dados do GLOBO organizou gráficos com os desempenhos do PT e PSDB nesses colégios eleitorais nas disputas presidenciais do 2º turno desde 2002.

Os dois partidos que têm liderado o processo eleitoral brasileiro apresentam forças bastante distintas nesses estados, sobretudo a partir de 2002 e, ao que tudo indica, em três desses estados, o PT vem perdendo força; num quarto só teve a hegemonia dos votos em 2002; enquanto em outro tem conseguido manter a sua força. Com exceção desse últimocolégio eleitoral, as tendências observadas nos demais apontam para uma maior resistência dos eleitores aos candidatos do PT, sugerindo que o partido poderá ter enormes dificuldades de ampliar a sua votação nessas áreas nas próximas eleições presidenciais. O Blog do Núcleo de Dados conversou com o cientista político e professor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio) Felipe Borba para compreender melhor o cenário.

Depois da vitória em 2002, o PT perdeu espaço no estado mais populoso do país. Este ano, a distância entre o PSDB e o PT em São Paulo alcançou 29 pontos percentuais. Um recorde no estado que tem grande força de influência política e econômica no país e vem sendo administrado há duas décadas pelo PSDB. De 2015 a 2018, São Paulo vai continuar com a administração tucana, com Geraldo Alckmin à frente do estado.

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O estado liderado pelo então candidato Aécio Neves, Minas Gerais, tem dado vitórias seguidas aos candidatos do PT desde 2002, porém, essas distâncias estão diminuindo. O declínio da força do PT em Minas começou em 2006 e, este ano, apresentou uma diferença em relação ao PSDB de apenas cinco pontos percentuais. Em 2002, essa diferença a favor do PT era de 33 pontos percentuais. Portanto, em quatro eleições, o Partido dos Trabalhadores perdeu 28 pontos percentuais de frente sobre o PSDB, um declínio médio de 7 pontos a cada eleição.

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Depois da vitória esmagadora de Lula em 2002, a votação do PT no Rio de Janeiro também vem caindo. Em 12 anos, o partido viu sua força eleitoral encolher 24 pontos percentuais. Na eleição de Lula, o PT apresentou uma vantagem de 58 pontos percentuais sobre o PSDB no Rio. Este ano, a diferença caiu para 10 pontos percentuais. O interessante no caso do Rio é que o estado, nesse período, não foi administrado pelos dois partidos, mas pelo PSB e PMDB.

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Na Bahia, o domínio petista atingiu o seu auge em 2006. Apesar da pequena queda em 2010 e 2014, o partido continua mantendo uma ampla vantagem sobre o PSDB. Esta ano, a vantagem chegou a cerca de 40 pontos percentuais. Dos cinco maiores colégios eleitorais, a Bahia, administrada pelo petista Jacques Wagner, é o único que o PT mantém a hegemonia dos votos no segundo turno. O PT vai governar a Bahia novamente entre 2015 e 2018.

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O PT não vence no estado do Rio Grande do Sul desde 2002, ano da eleição de Lula. No segundo turno de 2014, essa diferença foi de sete pontos percentuais a favor do PSDB.

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Ao que tudo indica, o PT vem perdendo força de mobilização eleitoral em pelo menos 4 dos cinco maiores colégios. O que pode explicar essa perda de força do PT?

Felipe Borba: A perda de força nesses grandes centros é o que explica, em parte, a diminuição da diferença entre o PT e o PSDB no segundo turno desde a primeira vitória do Lula em 2002. Difícil apontar um único fator. Há, naturalmente, o desgaste do partido depois de 12 anos no poder. É difícil manter uma hegemonia tão forte por tanto tempo. Outra razão é que a dificuldade de o governo em resolver questões urbanas, como mobilidade e atendimento de saúde, que nos centros são caras e lentas. Melhorar a vida dos pequenos municípios é, sem dúvida, muito mais fácil.

Se as tendências se mantiverem, é possível que o PT continue vencendo na Bahia em 2018, contudo, parece haver um aumento da força do PSDB nos outros estados nas disputas de segundo turno. Há saída para o PT?

Borba: O partido precisa se reinventar depois de tantos anos no poder – e isso não é simples. Se mantiver a tendência de diminuição da diferença, é bem provável que o PSDB vença em 2018. Se reinventar, nesse caso, é enfrentar os problemas dos grandes municípios, sinalizar que o foco do governo é o Brasil inteiro e não apenas os pobres, mostrar para a classe média que também está de olho nos seus problemas. O clima de opinião é desfavorável nos grandes centros.

O movimento ascendente do PSDB em SP em parte se reflete no domínio do partido nesse estado no controle da máquina estadual. Isso poderia ser interpretado também no caso da Bahia, com o PT comandando a máquina. Agora, e no Rio de Janeiro onde o PSDB vem crescendo embora a máquina seja controlada pelo PMDB. O que poderia explicar esse movimento?

Borba: Num certo sentido, o voto no Rio vem repercutindo essa tendência nacional de diminuir o voto no governo e aumentar o da oposição. Mas não podemos esquecer que, no Rio, houve uma briga entre a máquina estadual e a federal. O movimento Aezão não deu a vitória ao Aécio, mas ajudou muito que o PT não repetisse o desempenho dos pleitos anteriores.?

 A eleição de 2014 deu sinais de que o PT enfrenta agora uma situação muito diversa daquela de 2002 quando chegou ao poder.

Borba: Como eu disse, a tendência dos votos no segundo turno indica o favoritismo do PSDB para 2018. A boca do jacaré está fechando. A diferença que foi de mais de 20 pontos percentuais em 2002 cai para 3 pontos percentuais agora. Agora dependeremos da conjuntura de 2018 para ter certeza do quadro. Alckmin, possível candidato do PSDB, tem quatro anos como governador e a crise de falta d´água para enfrentar. Se fracassar nessa tarefa, sairá enfraquecido. Também é importante saber se o Lula volta ou não. Uma liderança carismática é capaz de alterar tendências desfavoráveis.

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Publicado em 30/10/2014, em Eleições 2014, Governo do PT, Política e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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