Escândalos do PT: Dilma nomeou tesoureiro acusado de corrupção para Itaipu

Vaccari é citado na delação da Petrobras como operador do esquema de distribuição de propinas. Aécio cobrou demissão do correligionário.

Escândalos do PT

Fonte: O Globo

Dilma nomeou tesoureiro do PT acusado de corrupção para Itaipu

Pesquisa no Diário Oficial mostra que Vaccari chegou ao posto por nomeação da própria Dilma, em 2003, quando era ministra das Minas e Energia. Foto: Divulgação.

Vaccari foi nomeado por Dilma para conselho de Itaipu

Atual tesoureiro do PT ganhou cargo para compensar perda da presidência da Caixa

Citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como um dos operadores do esquema de distribuição de propinas na estatal, o secretário financeiro do PT, João Vaccari Neto, virou tema da campanha presidencial, quando Aécio Neves, no último debate, na TV Record, cobrou de Dilma Rousseff, candidata à reeleição, a demissão do correligionário do Conselho de Administração da usina Itaipu Binacional. Dilma silenciou ao ser perguntada por que não demite o petista. Pesquisa no Diário Oficial mostra que Vaccari chegou ao posto por nomeação da própria presidente, em 2003, quando era ministra das Minas e Energia. Com mandato de quatro anos, desde então vem sendo reconduzido ao cargo. A remuneração por participação nas reuniões do conselho de Itaipu é de R$ 20.804,13. O atual mandato de Vaccari vai até 16 de maio de 2016.

A nomeação foi uma espécie de prêmio de consolação dada a Vaccari, que foi preterido na disputa da presidência da Caixa Econômica Federal. No mesmo dia, foi nomeada para o cargo de diretora financeira executiva de Itaipu a atual senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

No último debate, Aécio disse que se sem cargo na Petrobras o petista era acusado de participar de um esquema de 3% de propinas nos contratos da empresa, a situação poderia ser mais grave em Itaipu onde tem crachá.

– A senhora confia nele? – questionou Aécio.

O jeton pago aos conselheiros de Itaipu é o mais elevado do executivo federal, e o governo vem rotineiramente indicando pessoas com ligação política para seus assentos. Em 22 de janeiro de 2003, quando assumiu o governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também assinou, com a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, a nomeações de Luiz Pinguelli Rosa e Mauricio Tolmasquim, ainda hoje assessores do Executivo, para a área elétrica.

Apesar de suas sucessivas reconduções, Vaccari vem respondendo, desde 2010, à denúncia do Ministério Público por suposto desvio de recursos, da Bancoop, uma cooperativa habitacional. Vaccari é réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No início da gestão petista, Vaccari, que era presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e secretário de finanças da CUT, chegou a ser cotado para ocupar a presidência da Caixa Econômica Federal. Preterido, acabou nomeado para o conselho da hidrelétrica. A nomeação tinha o objetivo de complementar o mandato até 17 de maio de 2004. Depois, Vaccari foi reconduzido ao posto naquele ano e em 2008. Em 2012, quando ele já havia assumido a tesouraria do PT e Dilma já estava na presidência, houve uma nova recondução, com validade até 2016.

A assessoria de Itaipu informou que Vaccari, assim como os outros conselheiros, possui crachá para ter acesso ao Edifício de Produção, onde são realizadas as reuniões do Conselho de Administração. O conselho se reúne apenas seis vezes por ano, mas podem acontecer encontros extraordinários. De acordo com a assessoria de Itaipu, em quase 12 anos o tesoureiro do PT teve uma falta, que foi justificada.

Hoje, entre os sete conselheiros indicados pelo lado brasileiro para o conselho de Itaipu (são outros sete pelo lado paraguaio), estão o ministro Aloizio Mercadante, da Casa Civil; Vaccari; Pinguelli; José Muniz Lopes, diretor da Eletrobras; o ex-governador do Rio Grande do Sul, Alceu Collares (PDT); e o filho de Orlando Pessuti (PMDB), ex-governador do Paraná, Orlando Moisés Pessuti. O sétimo nome é de Eduardo Santos, indicado pelo Itamaraty.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse na segunda-feira, por meio de nota, que a “valentia” do líder do Solidariedade na Câmara, deputado Fernando Francischini (PR), em querer convocá-la à CPI da Petrobras é “seletiva”. De acordo com denúncia do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Gleisi teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado, em 2010.

Na nota, a senadora lembra que o deputado Luiz Argôlo (BA), envolvido na Operação Lava-Jato, é do mesmo partido de Francischini. “A valentia do ex-delegado é seletiva. Quando divulgaram o nome de dezenas de deputados que estariam envolvidos, inclusive um do partido dele e o próprio presidente da Câmara, ele não falou em convocar ninguém. Além disso, se apresenta como amigo do juiz do processo e detentor de informações privilegiadas, que ameaça divulgar. É bom divulgar logo tudo, para não parecer que quer achacar alguém”, diz a nota.

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Publicado em 21/10/2014, em Governo do PT, Oposição, Petrobras, Política e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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