Petrobras: PT operou o maior escândalo de corrupção

Doleiro e o ex-diretor da Petrobras contaram que esquema de corrupção na estatal consistia na cobrança de propinas de empreiteiras.

Obras da estatal eram escolhidas por um cartel de dez empresas, que superfaturavam os preços por algo em torno de 20%, dinheiro que depois era dividido para políticos e diretores da estatal.

Fonte: O Globo

Petrolão: PT operou o maior escândalo de corrupção

Paulo Roberto Costa foi empossado por Lula que cedeu aos políticos de partidos acusados de participar das fraudes na Petrobras. Divulgação

Youssef e Costa apontam tesoureiro do PT como operador dos desvios na Petrobras

Em troca de redução de pena, os dois revelam detalhes do esquema de desvios na estatal, que também envolve PMDB e PP. Em vídeo gravado pela Justiça, obtido pelo GLOBO, doleiro afirma que Lula cedeu à pressão de aliados para nomear Costa diretor da Petrobras

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, contaram em depoimento obtido pelo GLOBO à Justiça Federal do Paraná, na tarde desta quarta-feira, que PT, PMDB e PP estavam envolvidos num esquema de corrupção na Petrobras que consistia na cobrança de propinas de empreiteiras pelo tesoureiro petista João Vaccari e pelo peemedebista Fernando Soares, no qual as obras da estatal eram escolhidas por um cartel de dez empresas, que superfaturavam os preços por algo em torno de 20%, dinheiro que depois era dividido para políticos e diretores da estatal.

Nas declarações de Youssef, o doleiro diz que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva cedeu aos políticos de partidos acusados de participar das fraudes na Petrobras e empossou Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da empresa. No vídeo gravado pela Justiça, obtido pelo GLOBO, ele diz que “agentes políticos” ameaçaram trancar a pauta do Congresso.

— Tenho conhecimento que, para que o Paulo Roberto Costa assumisse o posto, esses agentes trancaram a pauta no Congresso por 90 dias. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco e teve de ceder e empossar Paulo Costa na diretoria de Abastecimento — afirmou.

O Instituto Lula foi procurado e informou que tomaria conhecimento do teor das declarações para decidir se vai se manifestar.

​Youssef afirmou que os pagamentos feitos a Costa eram feitos em dinheiro vivo. Inicialmente, o doleiro entregava para João Claudio Genu e, depois, foi pedido que as entregas fossem feitas para Márcio Lewkowicz, um dos genros do ex-diretor da Petrobras.

Das propinas, segundo Paulo Roberto Costa, 3% iam para os partidos políticos e diretores da estatal. O dinheiro da propina era recebido em dinheiro vivo em residências ou até em shoppings centers. Pelo PP, quem comandava a distribuição da propina era o deputado José Janene (PP-PR) até 2010, quando morreu, e depois o esquema passou a ser comandado pelo doleiro Alberto Youssef. Pelo PT, segundo Costa e Youssef, quem comandava o esquema era o tesoureiro do partido, João Vaccari, enquanto que pelo PMDB, responsável pela diretoria internacional da companhia, quem comandava o esquema de propinas era Fernando Soares, conhecido por Fernando Baiano.

Segundo Costa, dos 3% de cada contrato cobrado como propina, 2% era “para atender ao PT“. Em outro depoimento, disse que o partido ficava com o total do dinheiro desviado, de 3%.

– Em relação à Diretoria de Serviços, todos sabiam, tinha percentual desses contratos da área de abastecimento: dos 3%, 2% era para atender ao PT. Outras diretorias como Gás e Energia, Exploração e Produção, também eram do PT. Tinha PT na diretoria de exploração e produção, PT na diretoria de gás e energia e PT na área de serviço. Nesse caso, os 3% ficavam diretamente para o PT. Nesse caso não tinha participação do PP. O PP era só na área de abastecimento.

O PT ainda vai se pronunciar por nota. Já Vaccari adiantou que não vai falar.

‘NÃO FUI O CRIADOR, FUI A ENGRENAGEM’

Alberto Youssef afirmou ainda que Janene era quem se encarrregava de fazer a distribuição do dinheiro entre os políticos.

Perguntado sobre a divisão do dinheiro, o doleiro afirmou que os percentuais sempre foram os mesmos e também a divisão era feita de acordo com “cronograma”. Apesar de os percentuais sobre os valores dos contratos serem variáveis, os percentuais da divisão eram mantidos.

— Não fui o criador desta organização. Eu simplesmente fui uma engrenagem para que se pudesse haver recebimento e pagamento a agentes públicos.

O doleiro Alberto Youssef afirmou ainda em depoimento à Justiça que participava, junto com Paulo Roberto, de reuniões com os agentes políticos envolvidos no esquema. Segundo ele, essas reuniões eram feitas em hotéis do Rio de Janeiro e São Paulo e, algumas vezes, nas casas dos próprios políticos. Youssef se reunia quase diariamente com os políticos e, a cada 15 dias, com Costa.

— Nestas reuniões eram feitas atas e discussões de cada ponto que estava sendo discutido naquele dia. Todo mundo sabia o que estava acontecendo — afirmou Youssef.

O doleiro disse que esquemas similares funcionavam em todas as diretorias da Petrobras, embora não fossem operados por ele. Youssef afirmou que soube do esquema nas demais áreas por informações das próprias empreiteiras e por meio dos “operadores” João Vaccari e Fernando Soares. De acordo com as investigações Vaccari era o operador do PT eFernando Soares, do PMDB, e operavam, além da diretoria de Abastecimento, em outras áreas da Petrobras.

EMPREITEIRAS PAGAVAM COMISSÃO, DIZ DOLEIRO

O doleiro confirmou que era o responsável por distribuir a comissão paga pelo superfaturamento das obras da Petrobras. Segundo ele, 60% eram destinados aos “agentes políticos”, 30% para Paulo Roberto Costa, 5% para João Claudio Genu, ligado ao PP, e ficava com os outros 5%. Ainda de acordo com Youssef, no caso da construtora Camargo Corrêa, uma das empreiteiras citadas no processo, o percentual dividido chegou a 10% do valor de cada tubo fornecido pela empresa Sanko Sider.

– Eu recebia a comissão de todos – disse Youssef, referindo-se às comissões pagas pelas empreiteiras que prestavam serviços à Petrobras. Youssef afirmou que, dos 5% que lhe cabiam, ele também pagava “comissionamento” a diretores da Camargo Corrêa.

José Claudio Genu não foi localizado pela reportagem. Já o PP, em nota, informou que desconhece as denúncias mas que está à disposição para colaborar com as investigações.

O doleiro disse à Justiça que algumas empreiteiras se recusavam a pagar as comissões e outras negociavam, reduzindo os percentuais.

– Teve empresas que honraram e empresas que não honraram.

Perguntado se as empresas recusavam pagar por não concordar com o esquema, Youssef afirmou que elas não concordavam com o valor, e argumentavam que a obra havia sido mal orçada e que não havia espaço para pagar comissionamento algum.

REUNIÃO PARA DISCUTIR VALORES E LICITAÇÕES

Youssef afirmou que os agentes políticos envolvidos no esquema da Petrobras participavam pessoalmente das reuniões com as empreiteiras, onde eram discutidos valores e os nomes das empresas que participariam das licitações. Youssef afirmou que eram feitas atas descrevendo detalhadamente as decisões tomadas nestas reuniões e os temas discutidos.

– Era feita uma ata escrita e constavam os detalhamentos – disse.

Ele confirmou que participou de pelo menos duas reuniões com João Vaccari Neto, secretário de Finanças do PT, para discutir o esquema da Petrobras. Segundo Youssef, Vaccari tinha conhecimento do funcionamento, assim como Fernando Soares, que era o operador do PMDB. Perguntado se Vaccari tinha ciência das operações, ele não hesitou:

– Com certeza.

Youssef disse ainda que nem ele, nem Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, eram os comandantes do esquema, e sim os “agentes políticos” que recebiam os valores.

– Eu era uma peça nesta engrenagem.

Na avaliação do doleiro, as empresas principalmente as grandes, ‘ficavam reféns deste esquema’.

– Ou participam, ou não tem obra – afirmou.

CARTELIZAÇÃO DENTRO DA ESTATAL

Paulo Roberto Costa, também segundo depoimento obtido pelo GLOBO, disse que havia “cartelização” dentro da Petrobras para escolha de obras pelas empresas. Segundo ele, eram poucas as empresas que tinham acesso às licitações.

– Essa cartelização resulta num preço delta excedente. Na área de petróleo e gás, essas empresas normalmente colocavam de 10% a 20% a mais no valor da obra, entre custos indiretos e o lucro delas — disse Costa.

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Publicado em 10/10/2014, em Corrupção, Política e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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