Lavagem de dinheiro: PT apreensivo com investigação

Notícia da retenção dos passageiros causou nervosismo ontem na equipe de Pimentel em Belo Horizonte.

Explicações não convenceram Polícia Federal

Fonte: Valor Econômico

Lavagem de dinheiro: campanha de Pimentel apreensiva com investigação

O assessor de comunicação, Marcier Trombiere Moreira e o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira foram pegos com dinheiro de campanha de Pimentel.
Foto: Valor.

PF investiga lavagem de dinheiro de petistas em avião

A Superintendência da Polícia Federal em Brasília abriu inquérito por lavagem de dinheiro para investigar a origem dos R$ 116 mil apreendidos com três passageiros em um jato particular que pousou no aeroporto Juscelino Kubitschek, na terça-feira à noite, na capital federal, vindo de Belo Horizonte. Há suspeita de que o dinheiro teria sido usado para financiamento de campanha eleitoral.

Um dos passageiros era Marcier Trombiere Moreira, que em julho se licenciou de um cargo na assessoria de comunicação do Ministério das Cidades, no setor de publicidade, para trabalhar na campanha do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

Outro era o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, conhecido como Bené. Ele é dono da Gráfica Brasil, que prestou serviços para a campanha da coligação de Fernando Pimentel em Minas, e da Dialog, que já teve contratos com o governo federal. Também esteve envolvido em um escândalo de produção de dossiês contra tucanos, que teria sido montado pela campanha petista em 2010. O caso gerou uma crise no PT na época, com afastamento de pessoas citadas. O terceiro passageiro que voava no avião foi identificado como Pedro Medeiros.

Com a menção a colaboradores da campanha de Pimentel, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, saiu ontem em defesa do ex-ministro do seu governo, em quem disse confiar. “Não vou aceitar que alguém condene uma pessoa sem provas”, declarou Dilma, após ato de campanha em João Pessoa.

Indagada se afastaria Pimentel de sua campanha, a presidente ficou visivelmente irritada. “Era tudo que vocês queriam, né? Já condenou. Por que eu afastaria? Porque ele ganhou as eleições contra o candidato do Aécio Neves?”

A campanha de Pimentel divulgou nota confirmando que Marcier Trombiere Moreira e a Gráfica Brasil prestaram, respectivamente, serviços de comunicação e gráficos para a coligação. Mas o texto tenta desvincular a campanha do episódio, declarando que a coligação “não pode se responsabilizar pela conduta de fornecedores”.

“As notas fiscais foram emitidas e as despesas serão declaradas na prestação de contas final da campanha”, diz a nota. “Pela natureza do serviço prestado pela empresa, a relação com a gráfica já se encerrara”, acrescenta o texto, mencionando que o último domingo, dia de encerramento da campanha, foi a “data limite para a permanência de qualquer prestador de serviços”.

Na campanha de Pimentel, Moreira acompanhava a produção de cartazes, folhetos e outros impressos. Era ele quem fazia a ponte com gráficas que trabalharam fazendo o material de Pimentel. A campanha de reeleição da presidente Dilma em Minas Gerais chegou a procurar Moreira para cotar a produção de um lote de impressos, mas não teria fechado com as gráficas indicadas por ele alegando que os preços estavam altos demais.

A notícia da retenção dos passageiros causou nervosismo ontem na equipe de Pimentel. Em Belo Horizonte, duas pessoas que trabalharam na campanha não descartaram a possibilidade de crime, mas insistiram também na hipótese de que os recursos poderiam ter ligações com campanhas de candidatos – tanto de Minas quanto do Distrito Federal – de outros partidos, para as quais a gráfica também teria prestado serviços.

Segundo fontes da polícia, Moreira portava R$ 6 mil quando foi abordado pelos policiais ao pousar no aeroporto em Brasília. O restante do dinheiro foi encontrado com os outros dois passageiros.

A abordagem do jato em Brasília decorreu de várias denúncias anônimas recebidas pela PF, dando conta de que um avião carregando “ilícitos” pousaria no aeroporto Juscelino Kubitschek, vindo do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte.

Com base nessas denúncias, a aeronave de prefixo PR-PEG, registrada em nome da empresa Bridi Participações, foi interceptada pelos agentes ainda na pista, logo após o pouso. Os policiais fizeram uma busca no avião e nos passageiros, encontrando o dinheiro. Como o passageiro identificado como Pedro Medeiros teria passagem pela polícia por ocorrência ligada ao tráfico de drogas, segundo informações de policiais, todos foram levados para prestar depoimento na Superintendência da PF no Distrito Federal. Eles permaneceram lá da noite de terça-feira até a madrugada, sendo liberados depois. A aeronave não foi apreendida.

O porte de dinheiro em espécie, ainda que nessa quantia, não configura crime. Por isso, segundo fontes, a decisão de instaurar um inquérito se deu com base nos depoimentos prestados pelos três passageiros. Já o piloto e o co-piloto do avião teriam se recusado a prestar informações.

Questionado sobre o episódio ontem, durante coletiva, em Brasília, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que “não é crime transportar dinheiro desde que se explique a origem”.

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Publicado em 09/10/2014, em Eleições 2014, Governo do PT, Política e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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