Petrobras: Mendes Jr e Sanko-Sider abasteciam doleiro

Segundo a PF, parte desses valores foi utilizada para pagamento de propinas a políticos e agentes públicos corrompidos por Youssef.

Eleições 2014

Fonte: Valor Econômico

Petrolão: Mendes Jr e Sanko-Sider abasteciam doleiro

O fluxo de caixa do doleiro foi revelado com quebra de sigilo bancário de empresa de consultoria, que segundo a investigação foi criada por Youssef para concentrar aportes feitos por empresários. Foto: Divulgação

Mendes Jr. e Sanko-Sider abasteceram Youssef, diz PGR

Por André Guilherme Vieira | De São Paulo

Relatório de análise financeira da Procuradoria Geral da República (PGR) mostra que a Mendes Júnior e a Sanko-Sider movimentaram R$ 11,5 milhões com a GFD Investimentos – que a operação Lava-Jato afirma ser uma fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef – do total de R$ 51 milhões que circularam por duas contas bancárias da empresa entre 1º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012.

Foram R$ 3,1 milhões da Sanko-Sider, investigada por receber repasses suspeitos do Consórcio CNCC oriundos de pagamentos da Petrobras, segundo a Polícia Federal (PF), R$ 3,02 milhões da Mendes Júnior, R$ 2,9 milhões da Sanko Serviços de Pesquisa e R$ 2,5 milhões do Consórcio Mendes Júnior MPE SE. A análise pericial aponta que da somatória de R$ 51 milhões, R$ 26, 3 milhões foram “operações cujo CPF/CNPJ e nome dos titulares não foram identificados pelas instituições financeiras”, relata o documento de nove páginas assinado por dois peritos contábeis da PGR.

O trabalho conjunto da Secretaria de Pesquisa e Análise da PGR com a força-tarefa do MPF no Paraná considerou movimentações das contas bancárias da GFD em agências do Banco Safra e do HSBC no período de quatro anos. Descartadas as operações que não envolveram entrada ou saída de dinheiro das contas para terceiros, o MPF contabilizou crédito de R$ 78,8 milhões nas duas contas rastreadas.

A perícia descobriu que empréstimo recebido pela GFD no valor de R$ 10,4 milhões em cinco de abril de 2012 foi quase totalmente transferido no mesmo dia pela conta no banco Safra “à pessoa jurídica Viagens Marsans Internacionais, o importe de R$ 10,2 milhões”. A PF afirma que a Marsans solicitou processo de recuperação judicial e foi destinatária de R$ 23 milhões de reais de fundos de previdência de servidores públicos.

Os especialistas destacaram que “a omissão dos dados das origens dos recursos dificulta a identificação do fluxo de recursos e transgride os regulamentos do Banco Central, ao deixar de identificar operações com valor maior ou igual a R$ 10 mil”, enfatizam os autores do laudo.

Os bancos têm alegado que a lei não os obriga a identificar a origem de recursos, mas sim a comunicar movimentações atípicas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda.

O MPF ainda analisará as operações não identificadas, das quais R$ 14,4 milhões vieram de transferências, segundo o relatório.

A PF afirma nos inquéritos da Lava-Jato que parte desses valores foi utilizada para pagamento de propinas a políticos e agentes públicos que teriam sido corrompidos por Youssef e pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

O fluxo de caixa do doleiro foi revelado com a quebra do sigilo bancário da MO Consultoria e Laudos Estatísticos, que segundo a investigação foi criada por Youssef para concentrar aportes feitos por empresários.

A Mendes Júnior disse, pela assessoria de imprensa, que “não se pronuncia sobre inquéritos e processos em andamento”.

O grupo Sanko-Sider informou por sua assessoria de comunicação que “os contatos das empresas do Grupo Sanko-Sider com as empresas GFD e MO foram estritamente comerciais. Youssef fez vendas, recebeu as comissões de praxe no mercado, via indicação de pagamento, como é normal e corrente. Tudo absolutamente comprovado, com emissão de notas fiscais, todas devidamente contabilizadas, tributadas e pagas, via sistema bancário, de acordo com a legislação vigente. Todas essas informações – e a documentação a elas relativa – foram prestadas e entregues às autoridades há tempos, tão logo se iniciaram as averiguações”, alegou.

O consórcio CNCC disse que “desconhece as contas citadas e, conforme reiterado anteriormente, jamais realizou qualquer pagamento às empresas ou pessoas ligadas ao sr. Alberto Youssef.”

O banco Safra disse que “não comenta o assunto”.

A assessoria do HSBC comunicou que o banco “segue os mais altos padrões de compliance em todos os países nos quais atua e que colabora com as autoridades sempre que requisitado”.

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Publicado em 07/10/2014, em Aécio Neves, Aécio Neves, Aécio Neves: 2014, Aécio presidente, Eleições 2014, Governo do PT, Política e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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