Efeito Dilma: bolsa cai e dólar sobe

Quadro econômico é muito ruim, com inflação alta e baixo crescimento, e Dilma nada esclarece sobre como vai corrigir o rumo.

Brasil sem rumo

Fonte: Blog da Miriam Leitão

Efeito Dilma: mercado reage ao conhecido

Brasil sem rumo: Presidente Dilma insiste em “fingir” que a inflação e a economia nacional estão normalizadas. Divulgação

Reação ao conhecido

O mercado sempre teve medo do desconhecido, mas agora ele reage ao conhecido. Isso inverte a reação natural dos investidores, que costumam detestar as incertezas que as mudanças trazem. Neste caso, porém, a bolsa cai e o dólar sobe quanto mais forte fica a candidatura oficial. A Petrobras derrete porque os acionistas temem as escolhas e a política de preços que arruinaram as contas da empresa.

O quadro econômico é muito ruim, com inflação alta e baixo crescimento, e a presidente Dilma nada esclarece sobre como vai corrigir o rumo. Isso aumenta a dúvida. A Petrobras teve que engolir a construção de uma refinaria como a de Abreu e Lima, apesar de os técnicos da empresa terem alertado que acima de R$ 10 bilhões ela seria inviável. Teve que aceitar a compra ruinosa de uma refinaria como a de Pasadena. E hoje se sabe que havia razões que até a razão desconhecia para decisões tão equivocadas. A empresa tem sido submetida a uma política de preços que piora a relação da sua dívida com o fluxo de caixa. Evidentemente, tudo isso junto assusta os investidores.

Mercado não é meia dúzia de malévolos especuladores, como imagina o estereótipo. Por mais que alguns agentes tenham grande capacidade de formação de preços, o que na verdade fica refletido nesse sobe e desce é a soma das decisões dos poupadores querendo se proteger. São milhões de investidores em ações, e mais ainda em fundos, com as mais variadas carteiras. Isso sempre acontece em época de incerteza. O curioso agora é que o incerto é a permanência e não a mudança. Isso derruba uma das frases mais consolidadas, a de que o mercado é conservador e detesta mudança.

O que leva, portanto, os investidores a temerem a permanência, já que ela tem a vantagem de ser terreno conhecido? É exatamente o grau de incerteza sobre como vai ser enfrentada a crise da economia brasileira que estava ontem estampada, mais uma vez, no Relatório de Inflação do Banco Central. Ele está prevendo um crescimento de 0,7% para este ano e uma inflação que só estará mais próxima do centro da meta no terceiro trimestre de 2016.

Perguntada exaustivamente sobre o baixo desempenho da economia brasileira, a presidente-candidata repetiu sempre que o mundo está em crise e que todos os países estão em dificuldades. É truque de marketing que saiu pela culatra, porque aumentou a dúvida sobre sua capacidade de resolver o que sequer admite como crise. Há problemas no mundo, de fato, mas outros países estão em situação melhor do que a do Brasil. Os sinais de recuperação da economia americana alimentam a tendência de fortalecimento do dólar. E o Brasil está pior do que outros países. As projeções de crescimento feitas pelo Focus e Bloomberg, compiladas pelo BC, registram que o mundo deve crescer 2,5% este ano; os Estados Unidos, 2,1%; a zona do euro 0,8%; os Brics, 5,2%; e a América Latina, 1,7%. Nós, 0,3%. Se for usada a projeção do BC, fica em 0,7%.

E temos também, na comparação com esses mesmos países, taxas de inflação maiores. O Banco Central registrou no relatório que nos próximos trimestres a inflação permanecerá elevada por causa de “realinhamentos de preços internos e externos; administrados e livres”. Confirma assim o que tem sido dito sobre o fato de que há preços represados.

As ações das estatais estão em queda, principalmente as do setor de energia, exatamente pela perspectiva de manutenção de decisões gerenciais que provocaram prejuízos. As estatais elétricas estão em situação complicada, com déficits e dívidas. A Petrobras ontem caiu 11% porque o que os minoritários têm medo é de nada mudar. Mesmo se, por milagre, tudo de obscuro que houve na companhia deixasse de existir, o que ficou de todo esse episódio é a demonstração de uma grave crise de governança. O conselho de administração de nada sabe, o ex-presidente diz que ele é apenas comunicado do nome dos seus diretores e ninguém se responsabiliza por erros que custaram bilhões à companhia. Logo, a Petrobras é mal administrada, para dizer o mínimo.

Não deixa de ser curiosa essa reação às avessas do mercado: em vez de temer o que desconhece, a reação é ao risco de manutenção de tudo como está. Se a presidente Dilma tivesse apresentado alguma proposta para corrigir os problemas que seu governo criou, o quadro poderia ser diferente neste momento.

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Publicado em 01/10/2014, em economia, Eleições 2014, Gestão, Gestão Deficiente, Gestão do PT, Governo, Governo do PT, Política e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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