Inflação estoura meta e setembro deverá ter a maior alta

“Costumava fazer compras mensais com R$ 300. O mês passado, não trouxe nem a metade do que precisava e gastei mais de R$ 500 – diz Paulo”.

Inflação em alta

Fonte: PSDB

Inflação: setembro deverá ter a maior alta

Brasileiros sentem o preço cada vez mais salgados dos alimentos causado pela superinflação. Divulgação

Inflação estoura meta

A inflação que tem corroído o poder de compra dos brasileiros, sobretudo nos itens mais básicos do consumo, como alimentação e transporte, não dá sinais de trégua. Após o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ter mostrado elevação de 0,39%, os especialistas preveem que o mês de setembro vai registrar o maior patamar de inflação para o ano no acumulado em 12 meses.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,72% no ano e de 6,62% em 12 meses, acima da meta do governo, de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em julho, o indicador há havia superado o teto da meta.

Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Belo Horizonte, a taxa saltou de -0,06% em agosto para 0,30% em setembro. No ano, acumula variação de 4,72%.

A expectativa é de que o IPCA bata 0,46% em setembro e ultrapasse em muito o teto da meta estabelecida pelo governo. “Será o pico deste ano. Depois, esperamos que o indicador comece a desacelerar. O quatro trimestre deve ser melhor do que no ano passado, mas isso somente por que, em dezembro de 2013, houve reajuste de gasolina e a inflação foi muito alta”, explicou a analista de inflação da consultoria Tendências, Adriana Molinari.

A expectativa dos especialistas no mercado é de que o resultado para o ano varie entre 6,1% e 6,3%. A alimentação foi um dos itens que mais pesaram para o resultado de setembro. Após ter registrado uma deflação de 0,32% em agosto, os alimentos avançaram 0,28%, com destaque para o aumento de 2,30% nos preços das carnes.

Mas foi o aumento no preço das passagens que liderou dentre os principais impactos para a carestia no mês: uma alta de 17,58% em relação ao mês passado, o equivalente a 0,07 pontos percentuais do indicador apresentado pelo IBGE ontem. O item “habitação” apresentou desaceleração, mas, ainda assim, foi a maior alta do período, 0,72%. Energia elétrica, condomínio, água e esgoto tiveram retração.

No bolso

O bolso dos consumidores sentiu o aumento. O comerciante Paulo Pinto Cruz, 75 anos, tirou um extrato bancário, no caixa automático do supermercado antes de entrar para fazer as compras. Ele queria se certificar que o dinheiro daria para todos os ítens que a mulher relacionou na lista. “O saldo está baixinho. Tudo praticamente dobrou de preço.

Costumava fazer compras mensais com R$ 300. O mês passado, não trouxe nem a metade do que precisava e gastei mais de R$ 500”, revela Cruz. A psicóloga Maria Lucia Hanriot estava com os pais, Marina e Welfare Hanriot, professora e militar aposentados, na fila da carne.  É a cesta de alimentos, segundo o trio, o principal peso no bolso. “A carne está um absurdo e as verduras também aumentaram muito”, constata Marina.

Na Grande Belo Horizonte, os preços da carne vem contribuindo para a alta da inflação. Pesquisa do site de comparação de preços Mercado Mineiro mostra que entre 2013 e 2014 houve alta em todos os cortes de carne de boi. As variações vão de 15,90% (filé mignon) a R$ 42% (fraldinha). Com as altas, entre os consumidores a saída muitas vezes é escolher um corte mais barato.

O técnico contábil José Antônio de Brito aproveita as corridas de fim de semana para ficar uns dias antes sem comer qualquer tipo de carne. O alimento é de lenta digestão, diz ele. Mas não é só a prática esportiva que lhe obriga a evitar o produto. “A inflação está sem domínio. Com R$ 50 hoje, você não compra nada no supermercado. Carne de boi eu estou vendo só o nome”, afirma.

As promoções de caixas de leite abaixo de R$ 2 são coisas do passado nas gôndolas dos supermercados. O produto é outro com forte elevação de preço, com o litro nas prateleiras perto de R$ 2,50. Vegetariana, a aposentada Maria Catarina Assunção sabe de cor que o leite e seus derivados estão subindo vertiginosamente. “A gente só consome o que dá, não o que quer”, diz ela sobre as mudanças na rotina alimentar da sua casa. E não adianta tentar trocar por frutas: “Por duas mangas, eu paguei R$ 6. É bem caro. Não dá para ser todo dia”, afirma ela.

A diferente de R$ 0,50 parece pequena, mas o técnico em mecânica, Edvard Jales, sabe que o peso no fim do mês é grande para o orçamento. Por semana, são quatro, cinco litros de leite para a casa dele, que, por ano, totalizam 270 caixas. Ou seja, R$ 135 a mais em relação ao preço antigo, que seriam suficientes para comprar outras 67 unidades. “Eu comparo, vejo o preço, se tem qualidade e se tem eu troco de marca”, afirma ele.

No campo

Para o economista Étore Sanches, da consultoria LCA, há chances de que o avanço dos itens da mesa seja estabilizado novamente. “É a alimentação a responsável pela mudança da trajetória da inflação. Os indicadores da agropecuária mostram que os preços de alguns alimentos podem voltar a ceder”, pontua. O preço da carne, no entanto, pode continuar subindo, na opinião da especialista da Tendência, Adriana.

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Publicado em 23/09/2014, em Economia, Eleições 2014, Gestão, Gestão Deficiente, Gestão do PT, Governo, Governo do PT e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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